O fiasco da viagem de Rex Tillerson a Ibero-América: seu chamado para a mudança de regime não chegou a lugar algum

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20:13:00
Crédito: BRENDAN SMIALOWSKI/AFP/GETTY
Apesar da histeria que causou o pronunciamento do Secretário de Estado dos EUA, clamando que as Forças Armadas venezuelanas derrubassem o governo de Nicolás Maduro, o fato é que as palavras de Tillerson não encontraram eco em canto algum na América Latina e no Caribe. Os dirigentes dos países visitados pelo enviado do governo de Donald Trump, envolvidos com o Fórum China-CELAC, preferiram repercutir as promessas de cooperação econômica com os chineses em ciência, tecnologia e infraestrutura, que já beneficiam 20 países da região em 80 diferentes projetos. Frente a cada vez maior presença chinesa no continente, supostamente "imperialista", faz os americanos (os de fato e historicamente imperialistas) parecerem cada vez mais nanicos, com relevância nem sequer regional num mundo que quer se afirmar como multipolar.
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O Oculto, Hitler e Wall Street

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20:04:00


Hitler participou de movimentos ocultistas desde sua juventude e sua biografia está repleta de fatos misteriosos que deixam entrever uma espécie de predestinação satânica que o levaria ao poder. Porém, outras forças ocultas, materiais até em demasia, o alçaram ao cargo e financiaram desde o início o seu projeto, como os Warburg, Harriman, Thyssen, além dos lobbies de Prescott Bush (avô de Bush Jr.) que ajudou no fornecimento de armas aos nazistas além de ter enriquecido sua família. A história de Hitler com o ocultismo nos mostra que sem conhecer o deus chamado mercado, cultuado desde o estabelecimento do Império Britânico, não se pode compreender qualquer tirania atual, desde a da Troika e demais políticas de austeridade financeira, até as políticas de mudança de regime, com armas ou com “revoluções coloridas”, no Brasil e no mundo.
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Quando Nietzsche veste seu terno burguês e se torna um liberal

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18:54:00


Nietzsche não é um proto-relativista pós-moderno porque não leu Foucault, não frequentou as universidades depois de maio de 1968 ou se aventurou em alguma viagem antropológica pelo Terceiro Mundo. Pelo contrário, ele é um velho senhor barrigudo cuja família pertence membros da antiga realeza britânica e tem como fonte de inspiração o velho e clássico humanismo, entendido este como herança não do Renascimento, mas das Luzes. Nietzsche doublê de Voltaire, empirista e que vota não ao Brexit. Um cidadão europeu com bons trocados no bolso e digerível para a juventude, quase um Papai Noel. Foram com esses enganos que um dia quase foi comida viva a Chapeuzinho Vermelho...

Como se domesticar um "bom" filósofo? Como torná-lo um bom burguês médio e, claro, liberal? Antes fossem raros tais pontos-de-vista...

Texto abaixo em crítica ao relato saído no site cult, dedicado à filosofia, chamado Nautilus. Chama-se Nietzsche Is Not the Proto-postmodern Relativist Some Have Mistaken Him For e foi escrito por Patrick West.
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Miséria e Curitiba

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19:10:00
Esse design inteligente e ousado foi eu mesmo que fiz.

Os canalhas querem que agora nos justifiquemos com "argumentos jurídicos". Supostamente, a farsa do TRF-4 sepultou-os. Para a esquerda, dizem eles. Na verdade, houve a implosão de qualquer ordenamento jurídico. Entramos na lógica, ou nos querem fazer entrar na lógica, que legitima o sorriso superior da "festa dos eleitos". Esse show bizarro que Amaury Jr. caracteriza muito bem, vai bem longe da lógica mais elementar. Caso se fale de moralismo, algo tão em voga, podemos usar um versículo bíblico: “Quando deres um festim, não convides teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus vizinhos ricos, para que não suceda que também eles te tornem a convidar e te seja isso recompensado.” (Lucas, 14.12). Quando deres uma festa, chame aos pobres e estropiados: essa a cisão que devemos operar. Da festa dos ricos de janeiro de 2018, a festa dos pobres, dos estropiados, nas eleições que se avizinham. A luta por essa repartição das riquezas é o objetivo de toda a campanha a favor de Lula, para além de qualquer consenso "das esquerdas" ou interpartidário.

Os supostos "fatores jurídicos"

Para se resumir bem toda retórica curitibana, toda retórica pró-impeachment (é bom não esquecer), não se pode ter um líder popular, tampouco um executivo forte. Esse é o desejo dos não-brasileiros, ou agentes dos interesses estrangeiros no país, que tem interesse em acabar com a ideia de Estado-nacional soberano e deixar sob sua tutela nossa população. É uma política de guerra deliberada para cindir o tecido social numa espécie de confronto no estilo "gangue contra gangue", ou seja, de diminuir a própria imagem que o homem tem de si mesmo. Ao homiziar cada uma das partes, cria-se um estado de confusão necessário para que se proceda o assalto ao país. O analfabetismo na área econômica, mais do que na jurídica, permite isso. No mais, se é para defender a democracia e o bem-estar da nação, deve-se respeitar e procurar compreender o posicionamento político de cada um - algo que não ocorre desde junho de 2013. Até porque dia 24 de janeiro não se fez justiça (e deve-se lembrar que não há transito em julgado, ou seja, juridicamente a presunção de inocência ainda vale, ainda que se tenha jurisprudência muito recente, em fase de teste e que passará em breve por revisão, que permite a prisão antes do trânsito em julgado; na constituição - artigo quinto - existe presunção de inocência e não presunção de culpa), mas utilizaram-se da justiça como forma de exercer a vingança. Não é possível que a aliança indecente entre polícia, juízes e promotores com a mídia tradicional (historicamente criminosa, cotidianamente deletéria) me passe alguma imagem razoável de como se forma ou não a culpabilidade de um homem. É isso, em suma, que se trata da chamada "parte jurídica" exposta na infame quarta-feira. No mais, dentro dos padrões básicos de civilidade, não sou eu que vou linchar alguém em praça pública. Isso não é só primitivo, mas bárbaro. Tempos super-modernos.


A riqueza não vem do Sul Maravilha

Esse é um assunto que dá laudas e mais laudas. Mas parece que a gente está participando do show do Amaury Jr., do festim dos ricos e poderosos. Não há espaço para o contraditório. Depois de quarta, só os sorrisos da Casa Grande.

Se a gente lembrar, em 2014, pela primeira vez na história, saímos do mapa da fome da ONU. Em 2015, atingimos o pleno emprego (ainda que a maioria no setor de serviços,etc., ou seja, com seus prós e contras). A operação Lava-Jato desmontou todo o setor de construção civil do país e, com o caos político criado por ela, colocou alguém no governo que acabou de pagar 10 bilhões de reais para acionistas estrangeiros da Petrobras, com a alegação de temor dos prejuízos de um processo judicial. Deram graça, já que nem em cálculos dos mais generosos, o litigante numa ação judicial sonha em receber o mesmo ou até mais do que pede. Os 10 bilhões são prejuízos supostos dentro de uma avaliação de custos da nova diretoria e influencia pela propaganda curitibana-midiática. Não existe argumento razoável a seu favor. No mais, sem Petrobras e sem investimento em infraestrutura não se cria emprego nesse país. Se há crise econômica é devido ao caos instalado por essa caça às bruxas judicial. O Banco do Brasil é a Petrobras.

A imbecilidade ambulante

No julgamento, os desembargadores somente fizeram a defesa de sua corporação e passaram a mão na cabeça do Moro, inclusive dos grampos ilegais, seja na presidência da república ou os grampos no escritório dos advogados do Lula. Isso é muito básico. Só demonstra as regras básicas do estado democrático de direito que não são respeitadas. E os exemplos avultam, muito além desses dois.

A prisão em segunda instância é recente e em breve será julgada novamente. Não deu certo. E, na prática, o Supremo está concedendo inúmeros habeas corpus para soltar pessoas presas depois do julgamento em segunda instância. Isso é consequência da paranoia neomacartista atual. Não permanece.

Igualmente, achar que o festim dos ricos ou a festa do Amaury Jr. representa uma vitória perene só confirma a incapacidade de análise da situação real de nosso país. Os filhos teratológicos disso, entre tantos exemplos, pode ser a OAS figurando como laranja de si própria, como estabelecido pelo compadre do Moro, ou crime de lavagem de dinheiro sem dinheiro, como falou, literalmente, o presidente do tribunal. Isso é ridículo como qualquer "show das estrelas".

Fora da bolha Curitiba-Globo, o que mais há, dentro e fora do país, são contestações ao processo como um todo, e à operação Lava-Jato também. Fora dessa bolha, há um mundo imenso que não usa o vocabulário da Guerra Fria, da época da ditadura militar, para poder desqualificar um inimigo político. "Lula comunista", apelido quase educado dentre tantos que se dão ao ex-presidente, é algo tão falso quanto "ato de ofício indeterminado". O resto é verborragia ou xingamentos, palavras mais ou menos cultas, de dentro e de fora de Curitiba. Balelas, mesmo com todo ódio e convicções.

A roda da fortuna

A única evidência de dinheiro com Lula são os 9 milhões apreendidos pelo Moro. Dinheiro de palestra, na maioria. Todas declaradas à Receita. Isso não é alvo de processo. E a maioria desse dinheiro estava aplicado em previdência privada para os filhos dele. O que é alvo de processo é o tal do triplex e as reformas do sítio. A guarda do acervo presidencial foi descartada. As denúncias contra o Lula estão baseadas naquela Power Point do Dellagnol, onde ele disse, para além de toda a bizarrice do modo como foi apresentada, que Lula chefiou o maior esquema de corrupção da história do país. E quanto ele ganhou com isso? Cerca de 3 milhões de reais, compreendidos como o triplex, a reforma do sítio de Atibaia e a guarda do acervo. Isso é ridículo, novamente. A justiça pelo menos tinha que explicar como alguém lidera o maior esquema de corrupção de todos os tempos para ganhar tão pouco. Ou seja, ainda está por se provar a riqueza de Lula, que é ínfima se comparada com os 53 milhões do ap. do Geddel e cabe em apenas seis malas do Rocha Loures.

Fora a Operação Zelotes, devidamente esvaziada, que em seu início detectou 59 bilhões de reais de sonegação num esquema asqueroso que envolvia inúmeros auditores da Receita Federal. Essa operação, por si, é exponencialmente maior que a Lava-Jato e poderia, com muito mais eficiência, "passar o Brasil a limpo". Ia prender todo mundo que frequenta as festas do Amaury Jr. Contudo, essa operação foi esvaziada, e já teve dois juízes afastados. Por que?

Quem é rico e ladrão confesso - Youssef, Paulo Roberto Costa, Cervero, e tantos mais - estão todos nas suas mansões e, se já não 100% livres, em breve estarão. E com sua fortuna (para além de qualquer 9 milhões) devidamente intocadas. Isso é justiça?

E tem mais coisa. Mas tenho que abreviar.

Só para não tirar o foco do que falei primeiro: a perseguição a uma pessoa, judicial, midiática ou o que seja, não se justifica sob nenhuma forma. A justiça tem que ser discreta até o fim. Até porque, caso condenado e a pessoa cumpra a devida pena, tem que ter o mínimo de dignidade para depois se reintegrar à sociedade, já que não deverá mais nada. Uma justiça consorciada com a mídia vai contra todos as regras básicas do convívio em um estado não autoritário.

O Russiangate e o sorriso banguela da democracia

Nos EUA, existe atualmente o fenômeno macabro do Russiangate. Não importa se gostam ou não de Trump; se ele é de esquerda ou de direita; racista ou não; reacionário ou não. Não importa o que se acha sobre uma pessoa, mas ela não tem que ser perseguida por qual motivo for. Deixo o link para um artigo do professor Stephen Cohen sobre os desdobramentos atuais da histeria neomacartista que acontece por lá, da luta contra o "perigo vermelho", que é a mesma coisa, com variantes regionais, do que ocorre aqui. https://www.thenation.com/.../democrats-are-repudiating.../

Agora se pedem "argumentos jurídicos". Depois que os superiores de Curitiba legitimaram a farsa, a retórica deles passou a servir como prova!

Me utilizei até aqui de alguns argumentos jurídicos, mas gosto de colocar num contexto mais geral antes de analisar cada caso. Para mim, essa é a conduta correta. Então, segue o artigo do veterano jornalista Mauro Santayana que, além do contexto geral, tem inúmeros relatos de juristas sobre o caso Lula. Esse caso está muito longe de ser consenso. E a unanimidade burra criada no TRF4 só faz confirmar como toda a operação é questionada em todos os cantos do país, por pessoas das mais diferentes e dos mais variados gostos políticos. Fora da bolha Globo-Curitiba, existe um mundo. http://www.maurosantayana.com/.../de-pretores-e-de...

De um modo geral, é isso. O que está difícil de aprender nesses tempos é que não se pode julgar as pessoas por seu modo de entender e fazer a política. E é isso que o Lula está sendo julgado, pelo seu modo de entender e fazer política.

Com o caos criado através dessa histeria coletiva, o país só afunda. Isso pelo menos desde 2014 com o início da Lava-Jato. Mas talvez ainda mais, desde 2013 com os nacionalistas de camisa da CBF, tão inteligentes como os salvadores da pátria curitibanos:

O desembargador Vitor Laus, filho de preso político, foi o autor da acusação mais circular do julgamento: "Quem responde por crime tem que ter participado dele. E, para ter participado dele, alguma coisa errada ele fez". 

Lógica jurídica chamada por Luís Nassif de "risonha e franca", como a democracia das festas de Amaury Jr., que só existe devido à multidão de banguelas, de pessoas com fome que vivem ao seu redor.

A jararaca tem mais do que sete vidas

O povo não escuta mais a voz da Pobreza. Inúmeros elementos o comprovam. O fracasso do governo Temer, de suas reformas, é só mais um capítulo. A aglomeração de forças ao redor do direito de Lula ser candidato é outro capítulo. Mas o importante, estando Lula ou não habilitado, tendo sido preso ou não, é que ele se tornou um símbolo. Mesmo morto, se fosse o caso, seria capaz de eleger seu sucessor. A voz da pobreza não tem mais vez entre o povo. Lula é o símbolo dessa reversão. Seu partido, sempre dinamitado por todos os lados, inclusive através de uma falsa dualidade (uspiana) entre "lulismo" e "petismo", é o catalizador de votos, principalmente nas zonas mais pobres do país, algo que nenhum candidato do chamado campo da esquerda possui.

Um campo de vitórias parece se abrir. Na verdade, a batalha novamente foi possibilitada. Erguem-se as fileiras contra o arbítrio. 24 de janeiro de 2018 é o sintoma da falência do modelo jurídico, institucional, que permitiu todas as espécies de abusos até aqui, quando o ordenamento jurídico utilizou de suas ferramentas para impor uma nova ordem econômica. Ambas as ordens foram desacreditadas assim que se jogou mais luz sobre elas. Não por outro motivo, Doria, Bolsonaro, Huck, Alckmin ao aparecerem à luz do dia, desmoronam. O caminho da luta está novamente posto. Sente-se mais do que nunca o cheiro da vitória, da paz que não temos desde junho de 2013.
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Violência social e ativismo judiciário: da Lei da Ficha Limpa a PEC 37

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21:32:00


Do consenso interpartidário em 2010 à tentativa de se limitar os poderes (inclusive financeiros) do Ministério Público, em 2013, dois momentos de nossa política mostram como se chegou à violência social atual, desde os perseguidores de pivete de Raquel Sheherazade até o Power Point de Deltan Dellagnol. Fora esses dois casos grotescos, as consequências do ativismo judiciário e da convulsão social são derivadas de medidas que mereceram o apoio ou a omissão de ambos os lados do espectro político. No caso a ser julgado no TRF-4 nos próximos dias, até o Irã com seu Conselho de Guardiões é mais plural do que o Brasil. Lá, 6 clérigos e seis juízes decidem quem pode ou não ser candidato. Na atual situação brasileira, 4 juízes terão esse poder em breve.
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A estátua e a liberdade

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21:08:00

A rainha sendo entronizada, na França, antes de iluminar a América

O Angelus Novus, como visto por Walter Benjamin em suas Teses sobre o conceito de história, é a história à contrapelo das imagens com que se querem representar a liberdade. A história da estátua chamada Liberdade conta sua apropriação pela monarquia e como os motes revolucionários dos séculos XVIII e XIX foram utilizados para legitimar o Império, no caso, a aliança anglo-americana que começara a se gestar.
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Orfeu e a tarefa do negro no Brasil

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23:48:00
Léa Garcia na bela imagem no Morro da Babilônia, palco do filme Orfeu Negro (clique para ampliar)

"Na rota dos propósitos revolucionários do Teatro Experimental do Negro vamos encontrar a introdução do herói negro com seu formidável potencial trágico e lírico nos palcos brasileiros e na literatura dramática do país". Abdias Nascimento


O documentário de Silvio Tendler, Haroldo Costa - o nosso Orfeu, conta a história desse personagem que foi ator, bailarino, diretor, radialista, carnavalesco, criado no Teatro Experimental do Negro com Abdias Nascimento e Guerreiro Ramos. Para ele, ser negro no Brasil não é exercer um papel, mas ter uma tarefa. Saber da contribuição do negro para a sociedade brasileira, porém não se identificar com seus esteriótipos. Colocar em tudo o que faz o coração, a alma da herança que traz em si que, mesmo subentendido, deixa claro o que foi a escravidão e o que é o legado dos africanos no Brasil. Não é como exercer o papel em uma novela, recheada de esteriótipos e nais quais o negro logo desaparece. E quem aparece logo depois na primeira capa do jornal? O negro preso, bandido, capturado - assim como os jornais mostravam naquela suposta época remota, a da escravidão. 

A tarefa do negro no Brasil é fazer reverter esse sinal, ou seja, fugir da carnavalização de sua figura, denunciar os preconceitos, e ser tão grande quanto qualquer representante da cultura "branca". Haroldo Costa dirigiu o programa no Canal 13, no dia 13 de maio, onde Guerreiros Ramos entrevistou Antônio Cândido, o Almirante negro. Três figuras de ponta que mostram não apenas o que é a tarefa do negro na sociedade brasileira, mas o que pode ser sua contribuição para a humanidade. Esse o legado brasileiro em uma imagem. 

Texto dedicado à Rogério Skylab.
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História ou ficções? Por que ainda ser tão positivista?

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23:52:00
William Turner - Luz e cor (a teoria de Goethe)

Em artigo recente, a Folha de São Paulo colocou um escrito de um cidadão de nome Leandro Narloch para fazer uma crítica da escrita dos historiadores. O escriba em questão costuma publicar manuais sobre práticas ditas politicamente incorretas, aos quais dá o nome de "guia". É um best-seller cujo sucesso mostra as ramificações da imprensa marrom no mercado editorial e suas contribuições para a cultura de guerra acentuada nos últimos anos.

Ele contesta, por exemplo, a suposta dificuldade de historiadores se utilizarem de pontos finais em suas frases. Retruca também sobre algumas terminologias que para ele parecem incômodas, mas que de fato são uma aporia da escrita historiográfica, a mediação entre a precisão conceitual e a expressão literária bem-sucedida. Sem surpresa, a Folha convoca alguém incompetente para falar de um assunto que nunca lhe diz respeito, já que nunca escreveu um livro de história.

Além da prática que para ele é inexistente, ignora todo o debate intelectual na esteira da "virada linguística" nas décadas de 1970-80, com debates dos mais interessantes sobre os limites entre ficção e história, desde Paul Ricouer, Hayden White, Paul Veyne, Hans Ulrich Gumbrecht e até o brasileiro, com um trabalho muito sólido, o professor Luiz Costa Lima. Fora isso, existem toda uma série de publicações no ramo da história das mídias, que vai de Friedrich Kitler, Jonathan Crary e Stefan Andriopoulos. Sem falar de historiadores e filósofos conhecidos como Georges Didi-Huberman, Jacques Rancière e Giorgio Agamben, que trataram sobre a questão das imagens, das figuras literárias e da escrita científica. Isso para ficar num apanhado geral.

Como dar uma resposta, ainda que breve, a esse tosco artigo, não menos ridículo que seu autor ou o veículo que o publicou? É o que tentarei por aqui.
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Texto na Folha de São Paulo pede guerra na Venezuela. Por que a Revolução Bolivariana incomoda tanto?

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02:12:00
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Por que a obsessão midiática com a Venezuela, a ponto de se defender uma intervenção militar no país como fez a Folha de São Paulo? 

Roberto Santana, responde por meio de uma rápida análise de alguns indicadores sociais venezuelanos melhores que os do Brasil e pelo grau de participação política nos dois países.

"Não nos surpreende que a Folha de São Paulo, que apoiou golpes, ditadura e estado de exceção no Brasil, se coloque a publicar um artigo dessa natureza (nos referimos aqui ao conteúdo e não à qualidade da escrita, apesar de ambos serem sofríveis). A tal imprensa “livre”, aqui e no exterior, é na verdade a imprensa dos ricos, os proprietários dos meios de comunicação, e seguem publicando o que for de interesse destes, o que nunca é o interesse da maioria. O que nos surpreendeu foi a identidade do autor do texto. Ricardo Hausmann foi Ministro do Desenvolvimento da Venezuela entre 1992-1993, o que significa que ele fez parte do ministério de Carlos Andrés Perez (1989-1993) responsável por centenas de mortes no Caracazo – revolta social espontânea ocorrida em 1989. As medidas neoliberais do governo Perez encareceram o custo de vida e desataram a fúria popular que se tornou um divisor de águas na história venezuelana. A repressão bárbara às manifestações naquele ano (e que prosseguiram nos anos seguintes) somada à política neoliberal que agravou as já debilitadas condições de vida dos venezuelanos foi o que colocou o sistema político do país em xeque e permitiu a ascensão do chavismo como força de renovação social.

As palavras de Hausmann e sua alegoria fantasiosa de uma Venezuela imergida no caos são de um cinismo sem tamanho. É incrível a desfaçatez com que verdadeiros sociopatas engravatados como Hausmann, responsável direto por uma política econômica que jogou a população de seu próprio país na miséria; se coloca agora com grande preocupação sobre o bem-estar dos seus compatriotas. Obviamente que sua participação na desastrosa política econômica quando do seu tempo de ministro de Estado não aparece no texto, tampouco o fato de que, muito preocupado com a Venezuela, Hausmann more … nos Estados Unidos".

Clique no "leia mais" para ler o texto completo do competente professor Roberto Santana Santos.
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Como se cria um caga-regra

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21:10:00
Quantos desse tipo não vieram do "campo da esquerda"?

Como ser um caga-regra, um ridículo crítico "de esquerda". Afinal,  a questão não é como foi criado um Bolsonaro, mas como se cria em massa novos Cristóvão Buarque.

Com todo respeito, "o pobre" então tem que ter direito a doutrinação e não a bens de consumo? A adoção de uma "infra-ideologia" que pactuou com os mais ricos e os mais pobres e deixou a classe-média órfã? A década de 1990 foi melhor porque houveram mais protestos (lembrar de El Dourado dos Carajás...)? 2013 foi puramente endógeno e o que acontece hoje no Brasil não tem ligação com nenhum outro país, na América do Sul pelo menos?
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Por que um novo Bogotazo? Por que assassinar politicamente Lula?

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07:44:00
Uma das imagens do infame Bogotazo

Da página criada por esse blogueiro, União Revolução e Estado Democrático. Clique no link e siga a página.

Por que assassinar Gaitán?

O ministro Eugênio Aragão, em publicação essa semana na revista Carta Capital (985), faz um chamado à paz, mesmo que esta seja considerada como um grito de guerra: "sempre é bom lembrar duas coisas: uma, como já dizia Lafayette, pode-se fazer muitas coisas com baionetas, menos sentar-se em cima delas; outra, a história é um processo contínuo e sua marcha é inexorável; quanto mais se reprime, mais a resposta será dura. Senão hoje, amanhã ou depois".

Defender Lula é defender o processo menos traumático para nossa democracia, pensando mesmo no lado dos nossos opositores: "a saída negociada ainda é a que oferece menos riscos e pode desembocar num cenário de transição mais suave. Lula é essa saída. Fechá-la é abrir espaço para o descontrole do processo político, que vitimizará, em primeiro lugar, os repressores e seus instigadores".

Lula onde se criou.

Quando os ventos mudarem, estes mesmos que agora inspiram violência serão por ela devastados. Com a tentativa de assassinato político de Lula, querem criar um novo Bogotazo. Mas talvez as relações de força hoje, na América Latina, crie cadeias de reação ainda muito mais fortes, porque historicamente legitimadas.

O programa do golpe está fatalmente comprometido. Dependem da aprovação da Reforma da Previdência e da emenda do parlamentarismo. Porém não tem a máquina de moer consciências, de angariar votos no atacado, como no início, quando o esquema montado por Cunha funcionou à perfeição.

O golpe está abortado. O refluxo para seus defensores será triste. Querem criar um novo Bogotazo. Querem que o Brasil seja uma eterna, triste e solitária, Macondo... Defender Lula não é só defender o país e nossa democracia. É defender a paz.

Gaitan, na praça, onde se criam os líderes populares.

http://www.semana.com/…/artic…/abril-por-que-gaitan/339370-3

El carácter “emblemático” del asesinato de Gaitán reside en su papel histórico como representante de la inclusión de los sectores populares. En palabras del historiador Marco Palacios, “con su eslogan de que ‘el pueblo es superior a sus dirigentes’, abrió las puertas al sistema político a miles de colombianos”. El caudillo liberal, quien es incluido por politólogos y expertos dentro de la generación de populistas en América Latina, representó la truncada posibilidad del naciente electorado urbano de clase media y obrera de llegar a la cúpula del poder.
Esa interrupción sangrienta sería esgrimida una y otra vez por distintas organizaciones políticas para justificar su paso a métodos más violentos. Aún hoy las FARC y el ELN denuncian la exclusión política como una de las razones que sostienen su opción armada. Si bien hoy el espacio político para las minorías y los sectores populares es mucho más amplio que en 1948, el asesinato del “caudillo del pueblo” sirvió no sólo de acelerador de la violencia interpartidista sino también de “prueba reina” para muchos por décadas posteriores de una democracia restringida.
Ese es el entorno en el cual el 9 de abril de 1948 fue calificado por los congresistas como la fecha de “inicio” del conflicto actual y por ende el día de solidaridad con sus víctimas.

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Equipe que dirige o golpe contra Trump também dirige a tropa de choque da Lava-Jato para destruir o Brasil e o Cone Sul

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23:11:00


Poderia até pedir desculpas pela afirmativa contundente, mas a questão é que o mesmo grupo político nos EUA que tentam derrubar Trump pela balela do chamado "Russiangate", derrubaram Dilma e estão umbilicalmente ligados ao Ministério Público brasileiro. O promotor Robert Muller, encarregado de investigar as "conexões russas" de Trump e a suposta influência dos antigos soviéticos nas eleições americanas, dirige Andrew Weissman, especialmente designado por Muller para compor sua tropa de choque após este ter ocupado a chefia da Seção de Fraudes do DOJ (Departamento de Justiça americano). Como já é sabido, Weissman foi retirado da equipe de caça às bruxas porque deixou muito claro sua parcialidade a favor de Clinton e seu servilismo diante da procuradora geral de Obama. Agora cada vez que se menciona Weissman na imprensa estadunidense, é para fazer referência à profunda corrupção que inunda o Departamento de Justiça e o FBI.

A histeria neomacartista não é exclusividade brasileira com o "perigo vermelho" que passou a se espraiar depois das manifestações 2013, da primavera brasileira, muito menos algo dirigido contra lideranças supostamente "populistas" da América do Sul. Qualquer ato que vá contra a soberania do partido da guerra, sediado na City de Londres e em Wall Street, seja o Brexit ou a tentativa de calote da dívida na Grécia, é colocado como um atentado contra supostos "valores ocidentais" e deve ser combatido. Pelo mero fato de propor negociação com russos, chineses e até com os norte-coreanos (depois do twitter do "botão nuclear", Trump, entre suas evasivas, disse que a "conversa é o melhor remédio"), desde que foi eleito o presidente dos EUA é caçado judicialmente de uma maneira não tão diferente como acontece no Cone Sul a caçada a Cristina Kirchner e a Dilma Rousseff. A postura do diretor do FBI durante a presidência de Obama, John Brennan, cujo testemunho foi usado pela mídia para inflar o "Russiangate", não é distante da "convicção" e não das "provas" de Dellagnol. Como ele disse ao senado americano: "I don't do evidence, I do intelligence".

Ser contra processos ilegais não é posar de politicamente correto no Brasil ou ser somente "contra o golpe". A inteligência mínima nos diz, assim como o intercâmbio pornográfico da justiça brasileira com a americana nos prova, que o golpe não é tupiniquim, tampouco é uma mera arma do "Tio Sam" contra a pobre e injustiçada América Latina. O golpe é contra os BRICS, contra o desenvolvimento de um mundo multipolar com uma América do Sul forte em união com a Rússia e a China, ainda que tendo como parceiros os EUA e a Europa. O golpe é a favor da continuidade das prerrogativas do sistema financeiro transatlântico, ou seja, do sistema da dívida, dos petrodólares, das privatizações, do livre fluxo de capitais para a mãos de acionistas. O golpe é contra o próprio Estados Unidos (que vive situação de pobreza similar a do "terceiro mundo"), contra Europa em sua crise econômica e humanitária (dívidas e imigração), ou seja, o golpe coincide com a maior crise histórica do capitalismo, não mitigada, e tem como sua sombra, tal como em 1929, uma guerra de grandes proporções. Não é outro o caminho além da bancarrota financeira e um conflito entre grandes potências que nos leva a histeria coletiva, o atual neomacartismo, que assume diferentes máscaras nos lugares mais remotos do planeta. Quando se fala em guerra, Trump vira um cordeiro ao lado das propostas do ultra-liberalismo de Hillary Clinton, como a da criação de uma zona de exclusão aérea na Síria (no-fly zone) e a demonização dos líderes asiáticos como Putin e Xi Jiping. Muito aquém da proposta dos BRICS.

E quem tiver dúvidas que leia o artigo ou muitas outras coisas que já publiquei em meu site.
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Já ir, Bolsonaro? O candidato humano, demasiado humano

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00:12:00
Bolsomimo
Aquele que tem medo, aquele que gera o ódio mas não sabe dele se livrar. Muito humano, demasiado. Quase como o anão, o Temer. Para quê temer Bolsonaro? Uma espuma, um vento, uma mera trovoada. Para quem assistiu a cultura da década de 1990, inebriante e efêmero como É o Tchan! Bolsonaro é a Carla Perez da vez. Indiscutivelmente pornográfico. E fugaz.

Masturbações...

Como Temer, ele é a reedição intempestiva da cultura e da política dos 1990, e Bolsonaro tinha que ser um de seus ícones. Por quais motivos se falar tanto de uma figura dessas? Só se for um papo entre masturbadores...

O candidato que tem medo: Regina Duarte, outro fenômeno dos 1990. Só que ele diz que vai resolver na bala. Será? Ou ele mesmo quer se resguardar do tiroteio?

A análise que segue à baixo é séria, ainda mais caso se levar em conta que não são nem um pouco sérios os que ao menos cogitam essa versão pop-90 no poder. É muito elitismo, muito menosprezo à inteligência do povo sequer acreditar que um candidato sem sequer partido que o acolha possa, em algum grau, ser "um perigo". Sem Temer! Sem Temer!

Vocês tem que levar à sério a fala de vocês.
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Onde está Wally?

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21:55:00
Eduardo Cunha pela Agência Brasil


Onde está Eduardo Cunha? No meio do ano, logo após a prisão de Lúcio Funaro, foi pedido a transferência de Cunha para Brasília. Seu paradeiro, contudo, é ignorado. Ele deveria estar na DCCP da Polícia Civil, mas não há registros sobre sua entrada nessa instituição.

Caso estivesse lá, deveria aparecer uniformizado e com cabelo raspado e não com terno e cabelo bem cortado como em foto recente, de outubro de 17, da Agência Brasil.

Reconhecido pelo Supremo Tribunal e por outros juízos como influenciador do governo mesmo que preso, a incógnita a respeito do lugar de onde está preso levanta suspeitas sobre a extensão de suas atividades, ainda hoje, no governo ilegítimo. Carlos Marun, o ministro recentemente desmoralizado por forçar votos para a Reforma da Previdência, é um de muitos de seus agentes dentro do governo.


Por onde andará Eduardo Cunha? Segue uma boa matéria de O Cafezinho, o único lugar até agora a levantar o questionamento: https://www.ocafezinho.com/2017/12/21/seguindo-as-pistas-da-prisao-de-eduardo-cunha-o-caminho-da-verdade/
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H. G. Wells e a Conspiração Aberta

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21:10:00
 Foto de Shelagh Bidwell inspirada no livro "A máquina do tempo".


Conhecido escritor de obras de ficção científica, H. G. Wells, como muitos dos escritores desse gênero literário, tem a fama de serem como que profetas de tempos futuros. Quando se olha para o escritor inglês, contudo, vemos a humanidade reduzida a refém de poderes extraterrestres e escravos do aprimoramento tecnológico, como no livro "A guerra dos mundos", onde as bactérias derrotam os marcianos, e não a humanidade, ao todo, impotente.

Como corolário da incapacidade dos seres humanos de enfrentarem os próprios desafios, mais complexos com o passar do tempo, Wells foi publicista das ideias discutidas nos altos círculos do Império Britânico que o fizeram ser, além de escritor de ficção científica, também um dos pioneiros na produção de literatura pornográfica. “Seu talento era, como ele implicitamente descreve a si mesmo, um homem com o olhar de um proxeneta para suscetibilidade de sua clientela depravada com fantasias sexuais não tão escondidas”.

Suas três antecipações de acordo com as ideias da elite dirigente que o patrocinava foram 1) armas nucleares, 2) governo mundial, 3) masturbação neo-malthusiana, ou seja, ambientalismo. Armas nucleares e governo mundial vemos agora no íntimo entrelaçamento entre a política bélica ocidental reunida em torno da OTAN e as diretrizes de "crescimento zero", de atentado à soberania nacional, feitas pelo sistema financeiro transatlântico, seja através de FMI, Banco Mundial ou correlatos. São duas forças que andam juntas. Na parte mais "estética", mais "soft" das políticas imperialistas, o ambientalismo como meio de alavancar o "crescimento zero", como nas "tecnologias apropriadas" para a África e não projetos de integração regional com alto grau de investimentos, para dar um exemplo. 

Balcanização e não desenvolvimento dos Estado-nacionais soberanos. A prática da chamada Guerra Fria, como no macartismo passado e como no atual, talvez ainda mais intenso (e que sentimos como nunca aqui no Brasil). Profeta do caos, das ideias nefastas dos círculos dirigentes internacionais. Este, H. G. Wells.
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A pobreza é nordestina e infantil

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22:26:00


Diminuição do Bolsa Família, fim do programa de cisternas e do de aquisição de alimentos: dinamitação do mercado interno em favor de supostos investimentos estrangeiros, aliado ao teto dos gastos, para pagar a dívida impagável cobrada por esses mega-conglomerados "investidores". Uma volta ao Brasil de Celso Furtado, ao Brasil que o economista lutou por modificar. Não precisa nem da Reforma da Previdência: caso o semi-presidencialismo passe, aliado à reforma trabalhista, numa economia onde o rentismo é ainda mais forte do antes da crise de 1929, teremos uma volta à República Velha com contornos dramáticos. Qualquer retrocesso é dramático e, na quadra atual, não há outro nome para esse tipo de atividade política além de genocídio.
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A Nova Rota da Seda e o Cone Sul

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22:41:00


Os que se chamam liberais nunca puderam ser tão contestados depois da crise financeira (ainda atual). Ressuscitaram mortos com a ajuda estatal, que por sua vez ficou mortalmente comprometida. A China, com novos objetivos de financiamento da economia mundial, traça uma outra geografia internacional. Na Nova Rota da Seda aparece a centralidade de países como a Bolívia, um mar de equilíbrio em meio aos descalabros no sul do continente, e que pode ser o centro da integração regional nos próximos anos.
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Benjamin e o olhar petrificante

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18:35:00
Fotografia da montagem de Esperando Godot, por Nelson Kao

O famoso Anjo da História, de Paul Klee, da forma como ficou conhecida pela descrição feita por Walter Benjamin, seria o que identifica a História com os vencedores, ou seja, não exatamente com o que está nas histórias oficiais, mas com os que fica de fora da própria história. Ele é o "anão corcunda" das teses sobre o conceito de História, que move o autômato chamado Turco. A história oficial conta as façanhas da máquina, porém não revela, como Benjamin, seu mecanismo invisível.

Como um ritornelo infernal, a criança que aparece na peça de Beckett para falar que "Godot não vem, mas amanhã ele virá", é semelhante ao tipo de teleologia menos da "historiografia" - como se chama -, do que das narrativas oficiais ou majoritárias, sejam elas historiográficas ou não. Apontam para um fim que não vem enquanto a ruína de destroços se espalha por nosso caminho, ainda maior quanto mais fortes forem os ventos que foram chamados de "progresso" por Benjamin. O resultado pode ser visto tanto no quadro de Klee, Angelus Novus, quanto no Melancolia, de Dürer, e chamado nas famosas teses "Sobre o conceito de História", de acedia, ou seja, tristeza ou melancolia. 

Que espécie de tristeza (acedia) nos leva a nos identificar com os monstros do passado, com os vencedores contumazes, com os supostos anjos salvadores da História? No centro da crítica de Benjamin, a social-democracia. No Brasil, os identificados ideologicamente ou partidariamente com essa vertente ocupam os postos chaves que movem a economia nacional. As sobrevivências na história, os anacronismos no tempo presente... E novamente somos levados pelas prestidigitações do anão turco, o que vence todos os jogos de xadrez, como se por força de uma inteligência invisível ou do acaso... Será com o terrível Leviatã que sonha os que oferecem a solução para nossa mazelas? Um governo de salvação nacional, com o Supremo, com tudo... 
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