A Condor judiciária e a integração regional

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20:41:00


Por que agora quando se fala em Lava-Jato se esquece o nome Petrobras e só se fala em Odebrecht? Será por nacionalismo? Por que "corrupção" agora tem como sinônimo Odebrecht e não Petrobras como anteriormente?

No meio de tudo, imagens idílicas passam a despontar na grande mídia, que passa a mostrar os campos do pré-sal como um Eldorado. Quando não interessa mais ao desenvolvimento nacional, mas como propaganda para justificar a rapina em curso, ou seja, mais de uma década depois dos investimentos cruciais que levaram ao domínio técnico, único no mundo, que nos fizeram extrair petróleo de alta qualidade do fundo do mar, finalmente desponta como "algo bom" os recursos naturais que até então serviriam para financiar a educação e a saúde, garantir o conteúdo nacional, e trazer o retorno dos vultuosos investimentos realizados por nossa maior empresa nacional. Quando se muda o modo de exploração desses recursos, quando a lógica colonial entra novamente em jogo, o Brasil aparece novamente como o Eldorado dos recursos naturais abundantes.

No Brasil, querendo ou não, o nome Petrobras está sempre no centro da questão, mesmo quando se prendem engenheiros peruanos, ou seja, quando se mudam as prioridades nacionais em favor dos interesses do Atlântico norte e não daqueles que vêm do Pacífico. O ataque da Condor judiciária na América do Sul - agora sob o signo Odebrecht - vem para desmantelar os projetos de integração regional e desfazer parcerias estratégicas com o governo chinês, dentro do contexto da Nova Rota da Seda, a mesma que financiou e construiu o Canal da Nicarágua, para ultrapassar de vez a dependência dos contato entre o Pacífico e o Atlântico através do Panamá, ou seja, dos EUA.
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Bilderberg, o filme

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19:45:00
Daniel Estulin grava seu filme sobre o Clube Bilderberg
Ao contrário dos argumentos tradicionais, baseados em pressupostos jurídicos e político-eleitorais, o atual predomínio de políticas "neoliberais" vão muito do estabelecimento de um Consenso de Washington, dos marcos legais que permitiram a proliferação de paraísos fiscais, e das eleições de Thatcher, Reagan e Mitterrand na década de 1980. Foi um marco a chamada "crise do petróleo" na década anterior, uma crise econômica controlada que, de um lado, iniciou a hegemonia do dólar no mundo com os petrodólares (e a concomitante desvinculação dessa moeda ao padrão ouro por Nixon, base do tratado de Bretton Woods), e de outro (por causa do aumento artificial do preço do petróleo e a consequente ausências de divisas norte-americanas para dar conta do incremento do dispêndio com o combustível) criou o "sistema da dívida" que até hoje aferra os países latino-americanos, que pegaram empréstimos a juros baixos e logo após tiveram que lidar com juros extorsivos.

Mas o fundamental foi o debate dentro dos círculos da elite mundial depois do fim da Segunda Guerra. O Império Britânico, vendo que não poderia continuar sendo um império territorial, paulatinamente passou a exercer sua soberania através dos instrumentos financeiros. Forma-se, ainda na década de 1950, a aliança anglo-americana, que conta de uma lado com a City de Londres e Wall Street e, de outro, com a OTAN. Como diz o autor do livro best-seller, Daniel Estulin, Rockefeller é uma metáfora do poder. Na mesa dos poderosos, sua família no máximo serviria o café. Igualmente para o Clube Bilderberg. Bilderberg é um signo, uma indicação para além dos marcos tradicionais, de onde se sedia e como foi desenvolvida a atual hegemonia militar e financeira. Falando dele, abre-se espaço para debates que, infelizmente, não se encontram ainda em praça pública.
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O Rambo brasileiro

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21:36:00


O cineasta que mora em Miami por "motivos profissionais" e prega o voto nulo por ausência de culhão para o enfrentamento político. Quem anos depois iria endeusar como o capitão Nascimento (quase um "nome-metáfora") o capitão do mato Sérgio Moro, e fazer de mero bandido o Escobar: combate-se a desigualdade com a luta contra o crime. Esse o mote de nossos liberais, da suposta classe-média, em suma, de quem deu o golpe. Não se combate a desigualdade na luta contra  pobreza. Morar em Miami... O lugar que virou, no governo Lula, o Paraguai da classe ascendente - muito mais exigente.
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O Mais Médicos e os dilemas para uma Medicina Social

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No último livro do Roberto Machado, ele se dá a liberdade de finalmente não ser o teórico ou o professor. Diz que finalmente pôde exercitar a prática literária, algo que sempre deixou de lado por causa dos estudos filosóficos. Não tinha tempo para a literatura. Aposentado, não escreveu um livro de ficção, mas de histórias, de relatos da convivência pessoal que teve com Michel Foucault nas suas passagens aqui pelo Brasil, onde Roberto parecia ser seu guia e também seu estudante mais aplicado. Num documentário recente que assisti sobre o Mais Médicos, programa marcado para morrer em breve (talvez por volta de novembro os médicos cubanos comecem a ir embora). É porque quando estavam na Bahia, foram visitar o Pelourinho. E lá Foucault viu a realidade da prostituição, da pobreza humana, dos esgotos a céu aberto. E aí ele exclamou (palavras minhas do que ouvi da palestra do professor, ou seja, não literais): "Mas Roberto, tudo bem que escrevi sobre a medicina social, fiz uma crítica forte a respeito, mas isso aqui é indecente".

O curioso do documentário do Mais médicos são os questionamentos sobre como tratar sem descuidar, sem, por medidas de força (nem que seja a força moral da autoridade médica), populações com práticas sociais e médicas totalmente diferentes? Onde, por exemplo, a religião assume um papel ainda preponderante, e que não é por um suposto saber científico, por mais "suave" que seja, irão conseguir atingir.  Todo um campo de estudo pode ser aberto caso olhemos para essas histórias.
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Foucault, Leiris e os canhões: sobre o fazer literário atual

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Michel Leiris por Francis Bacon, 1973.

Como escrever hoje? Somos "pequenos Hans", Chéri-Bibi em busca de uma "boa identificação"? Eis alguém como eu! Eis alguém como eu!

Em meio às redes sociais, a crítica que Foucault faz da Aufklärung kantiana, e A regra do jogo, da escrita de si, de Michel Leiris, podem nos fornecer importantes subsídios.
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Haxixe para Foucault

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Kant nas magazines.


No livro "The Passion of Michel Foucault", de James Miller, o autor narra os bastidores do célebre debate entre Michel Foucault e Noam Chomsky. O caso, porém, não indica apenas uma brincadeira do organizador do encontro. Fica ainda mais claro as diferenças políticas e filosóficas da época, obscurecidas pela incontáveis discussões acadêmicas de um lado, e pelas teorias sobre o "pós-modernismo" e sobre a influência da CIA na vanguarda francesa do pós-guerra.
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Previsão do tempo para o signo de Touro

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10:50:00
Toura

Miriam Leitão consegue juntar duas coisas constitutivamente inúteis que pintar a cor do neoconservadorismo (o liberalismo com cores progressistas) daqui e dos EUA. Como Hillary Clinton, ama o livre-mercado e sofre de uma piedade não menos utópica pelos pobres. Assim, da união de duas inutilidades profundamente populares, nasceu a "previsão do tempo para o signo de...", em homenagem à colunista e comentarista global, depois de suas comoventes declarações contra o trabalho escravo.

Consultamos o astrólogo João Bidu e uma entidade desconhecida, além de Rogério Skylab e MC Gorila. Veja o que eles falaram para nossa coluna.
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A estética como política: às margens da literatura contemporânea

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23:56:00


Para Rancière, arte implica na constituição das formas de vida “comum”, passa pela constituição da voz àqueles que só podem murmurar ou fazer barulho. Como esse conceito tem implicações para a literatura contemporânea, especialmente a brasileira, caso se considere como precursor da passagem da "sociedade punitiva" para a "sociedade de controle", as literaturas de Kafka e Beckett? Fazendo convergir o pensamento de Jacques Racnière com o de Giorgio Agamben, foi o questionamento que quis levantar com esse texto.
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Didico, um daqueles que rejeitaram o Golpe

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23:21:00


Ao contrário do retrato do Golpe que coloquei em outra postagem, com o texto do Rogério Skylab superposto à bizarra narração de Galvão Bueno quando a noiva global jogava seu buquê de flores na festa das celebridades, coloco aqui o retrato de quem não participou da festa que uniu as duas faces do assalto ao poder, ou seja, o alto capital e a mídia. É o retrato daquele que recusou ambos e por isso foi massacrado. Como flamenguista, queria tê-lo visto jogar mais pelo meu time depois do título de 2009. Contudo, muito melhor é ver seu exemplo, ainda com todos os problemas que enfrentou, do que sequer imaginar participar da festa daqueles que ainda imaginam governar o Brasil. Deu-se uma sobrevida a esse tipo de gente com o golpe. Porém não passa do estrebuchar de um corpo quase morto. Esse foi o sentido de ter citado por inteiro o conto do Skylab. Agora o outro lado, não menos bonito - e chocante - que a ficção. 

"Frequentemente, Adriano é tachado como uma potencial superestrela que fracassou. Repete-se a máxima de que, se quisesse, poderia ter sido muito maior no futebol. Mas o êxito do Imperador talvez seja muito maior e verdadeiro que o de grande parte dos craques que se deixam deslumbrar pelo brilho efêmero dos gramados. Ele tem o respeito e a admiração do reduto pobre que não lhe nega guarida nos momentos mais difíceis. Essa, sim, deveria ser a principal medida de sucesso do ser humano, que, independentemente de qualquer ofício, vai muito além do reducionismo imposto pelas necessidades de uma carreira profissional".


A seguir, a excelente reportagem do El País.
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Vantagens do modelo venezuelano para o Brasil

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23:11:00


Muitas vezes achei a situação da Venezuela um pouco mais complicada do que a nossa. Talvez a aparência de normalidade, algo característico do país que, dizem, não é afeito a guerras ou a confrontos mais violentos, não me fez radicalizar na comparação. Hoje fica mais evidente a hipótese que levantava desde muito tempo. O que era uma hipótese se tornou uma convicção.

Para além do que se chama de "falta de politização" da população durante os governos do PT, algo mais efetivo deveria ser proposto ao invés dessa crítica generalista. É interessante, por exemplo, o debate mais ideológico do que científico que Jesse Souza coloca no seu último livro, mas esses debates, até ganharem mais maturidade, demandam tempo. Esse tipo de "politização intelectual" que, de cima, diziam que deveria ser a tarefa do PT só teve de consequência prática, ou seja, como proposição concreta, a regulação da mídia.

O modelo de realização constante de plebiscitos na Venezuela, desde Chávez, parece ser uma forma muito mais eficaz de mobilizar a população e ao mesmo tempo politizá-la, ou seja, fazê-la refletir sobre os caminhos reais que quer dar ao país, e ao mesmo tempo dar legitimidade a qualquer movimento do governo federal. Aqui fica-se debatendo se o Supremo irá intervir de maneira satisfatória ou não, se haverá intervenção militar ou não (e se isso seria bom ou não), etc. Como mostra o interessante texto de Almir Fellite no Justificando, a convocação da constituinte por Maduro - e seu sucesso - conseguiu calar a oposição interna e as vozes críticas da mídia internacional.
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Wadih Damous expõe a lógica da prostituta

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Segundo Barbara Cassin, ouvir os sofistas é a mesma tarefa da que destacava Benjamin, ou seja, ouvir as prostitutas para se conhecer os seus clientes. Isso também é o que Sade fazia antes de ter sido levado à Bastilha por ter querido fugir com a sobrinha de uma mulher poderosa. São esses os saberes perversos que hoje estão em circulação. Nada expõe melhor a lógica da "burguesia", do neomacartismo que tomou, como uma histeria coletiva, bem mais as classes-médias que as populares, e levou - todos juntos - ao caótico quadro social atual. Não por acaso, não lembro se no Le Monde ou outra publicação importante, se disse que a desigualdade econômica no Brasil atual é idêntica à França do séc. XIX, a França estudada por Walter Benjamin. Tempos de perversão.



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DESENVOLVIMENTO, ENVOLVIMENTO, EVOLVER-SE

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23:51:00

Em que ponto a crítica histórica é capaz de produzir "muçulmanos"?. Reflexões sobre o Bertleby, de Mandeville.
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O trem das sete, o próximo da estação

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O sonho futurista do Skylab em 23 de julho de 2017. Vale a pena o belíssimo e curto conto. Logo embaixo, as cenas dos que ainda não entraram no trem. O Brasil infernal com narração de Galvão Bueno. A Globo e o Golpe unidos no baile da Ilha Fiscal.

"A plataforma estava tomada de pessoas de toda espécie: recém-nascidos, anciões, mulheres e homens de meia-idade, adolescentes, grupos de crianças sírias, japoneses com smartphones de última geração, turistas, travestis operados, feminazis, cracudos, a dupla sertaneja Dória e Amaury, o ex jogador Neymar com suas duas pernas mecânicas, Caetano Henrique Cardoso, o Drácula, o louro José, Galvão Bueno e soldados fortemente armados. Algumas pessoas bem vestidas; outras, maltrapilhas. Permaneci arredado ao meu lugar. Impossível entender aquela algaravia, as lágrimas misturadas às gargalhadas. Mas num dado momento aumentou a tensão. E o barulho do trem, que se aproximava, me chegou aos ouvidos. Os soldados gritavam diante da multidão. Era um dia cinzento e frio. Assim que o trem parou, abriu suas portas e as pessoas entraram. Paulatinamente, a plataforma foi se esvaziando. Permaneceram apenas os empregados da estação, checando se todos haviam embarcado. Então, uma sirene soou forte e as portas se fecharam. Assim que o trem partiu, os empregados voltaram aos seus escritórios, e novamente o silêncio se estendeu ao redor. Pude então ouvir a última sirene do trem, já bem longe, como um canto que desaparece na distância".


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O olhar da prostituta

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04:02:00
Segundo Benjamin, deve-se entender a lógica da burguesia pelo olhar da prostituta. Por isso, escutamos Sérgio Moro. Sua frase é lapidar, e por um bom tempo alimentou esperanças nos becos e esquinas do país.

Quem, nessa entrega de prêmio, é o cafetão?


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Nazismo e liberalismo como doenças autoimunes: a biopolítica de Roberto Esposito

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20:41:00

Roberto Esposito associa o nazismo e o liberalismo às doenças auto-imunes (a diabete é o tipo dessa doença mais famoso). Seria assim o argumento: toda comunidade exige um "munus", ou um dom, o que gera, naquele que o recebe, o dever da troca. Cria-se em toda comunidade uma espécie de "sistema da dívida". Os "imunes" são os que não estão no jogo do "munus", do bônus e da dívida. Para o autor, é o excesso de vida, de imunidade, que provoca essa grande doença auto-imune no corpo social, como o nazismo ou o liberalismo. O liberalismo, por exemplo, para se alcançar a força e liberdade individual para cada um de seus membros, acaba produzindo uma força homicida, onde muitos devem morrer para, também, os melhores sobreviverem. Nesse caso, como Foucault acertou no Nascimento da biopolítica, não se escolhe mais quem vive e quem morre como no Absolutismo ou no diagrama da "razão de Estado". Existem os que vivem e os que se deixam morrer.
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Boko Haram e o terrorismo sintético na África

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23:04:00
O Rio de Janeiro é sua cópia imperfeita?

O homo sapiens sobreviveu à Guerra Fria porque ambos bandos estavam controlados pelos mesmos interesses e pelo mesmo dinheiro. Mas na atualidade não exitem tais limitações. Diante do colapso econômico, o mundo inteiro investiu bilhões de dólares no Oriente Médio, e agora faz o mesmo na África. Rússia, China a Índia... As grandes culturas não se renderão facilmente. O sangue tem chegado ao rio, e esse sangue atrairá as piranhas para um festim em que sobreviverão os mais aptos.
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De Lula à Síria: um novo mapa

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15:01:00
BRICS, um novo paradigma para a humanidade

Marco Aurélio Garcia, junto com Celso Amorim, foi responsável pela projeção internacional do Brasil na última década, bem distante do “viralatismo” a que estamos sendo relegados atualmente com o homúnculo que ocupa a Presidência e a corte que o acompanha. O gesto de Lula e Celso Amorim ao contornar a arrogância americana com os iranianos, evitando um conflito pior do que o vivido na Líbia e na Síria, deve ser reeditado.
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A Modernidade e "revolução permanente"

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18:31:00
"É preciso passar o Brasil a limpo" ou Goya, Saturno devorando seu filhos

Líderes como Lula, Juscelino, De Gaulle, Roosevelt, Giap, Castro e Brizola, são figuras permanentes ao contrário dos agentes do império, meros fantoches que desaparecem com as espumas da história. A admiração da figura de um líder não pode se confundir com o "populismo", palavra chula inventada para desmerecer todos aqueles não satisfeitos com governos e/ou governanças tecnocráticas, seja as da Troika, do FMI, do DOJ, OTAN, MPF, STF, da "mídia técnica" ou da história contada pelos historiadores autorizados e seus comentadores. Sem Assad e Putin, governaria o Estado Islâmico. Sem líder, o Iraque continua vivendo no caos e o Afeganistão é o maior exportador de heroína mundial, protegido pelo exército que "toma conta do país". De forma alguma o heroísmo é populismo.

Para Reinhart Koselleck, o Terror revolucionário, ao colocar o poder como lugar da monstruosidade, buscava um "milagre" em que ninguém reina, mas todos obedecem e são livres ao mesmo tempo. A Constituição poderia se alterar de acordo com as vontades individuais, já que todas as instituições representativas deixaram de existir. Uma entidade invisível, a volunté generale, o que vagamente entendemos hoje como "opinião pública", é o que governa com mãos intangíveis como o "mercado", divinização máxima concebido pelo liberalismo britânico. A "revolução permanente" ou a guerra civil foi instituída pelo deus sem corpo, onipresente, que atualmente podemos continuar a chamar de "mercado" ou Providência Divina e seu espírito santo, seu médium de atuação, a mídia. Não parece diferente, hoje, nosso caso.

Quem ganhará essa guerra, o heroísmo ou os verdadeiros populistas, ou seja, aqueles que vivem não da vontade popular mas da "opinião pública", ou seja, do estado de histeria coletiva, própria do fascismo, criado pela mídia e pelas instituições que lhe dão suporte?

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Liberalismo com populismo: A História de Louis-Philippe-Joseph D’Orléans, chamado Felipe Igualdade

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21:28:00
O massacre de Quios, de Eugène Delacroix: fome e guerra ou a comemoração do 14 de julho na França

Quando se celebra a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão automaticamente se passa a exaltar os avanços trazidos para a modernidade pela Revolução na França. Contudo, o modelo que estava em jogo quando se debatia sobre esses direitos foi a criação de uma constituição para aquele país que limitasse o poder do rei e criasse mecanismos de representação popular com uma câmara de deputados eleitos pelas diferentes províncias. Os debates na Assembleia foram abortados em meio ao caos que se seguiu aos eventos ocorridos na antiga prisão da Bastilha.

Os despachos secretos do embaixador veneziano em Paris, assim como um documento importante de uma testemunha da Revolução, o escritor Felix Louis Montjoie, mostram, ao contrário da unanimidade (uma das raras unanimidades - e burra) a respeito do evento "espontâneo" que foi a queda da Bastilha, o povo parisiense foi provocado pela fome criada pelo "príncipe" jacobino Philippe Egalité. Em comunhão com Jacques Necker, que gostaria de criar na França um sistema parlamentarista ao estilo britânico com um banco central independente, sabotaram a Guarda Nacional iniciada por Lafayette, no intuito de sitiar a capital do país com tropas estrangeiras. A ideia era tomar com 100 mil soldados Versailles, trazer de volta os largos estoques de mantimentos guardados na Grã-Bretanha de maneira insidiosa, declarar Felipe rei e, por esse golpe de Estado, fazer da França um país liberal, ponta-de-lança do Império Britânico dentro do continente europeu.

Se o rei tivesse aceitado as proposições da Assembleia ao invés de cair nas chantagens dos agentes britânicos, não haveria 14 de julho na França. Como disse Lyndon LaRouche, "em consequência de não terem implantado a Constituição, o 14 de julho tem sido celebrado na França desde 1789". E se engana quem acha que esse é um debate meramente político. Muito falta aos historiadores de profissão o conhecimento da ideologia econômica que faz avançar o Império há mais de duzentos anos.
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Arqueologia do sistema parlamentarista: tudo menos uma Sereníssima República

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23:37:00

Provavelmente o governo interino não tenha condições de aprovar muita coisa, quem diga qualquer reforma na Constituição, com a aprovação de no mínimo 308 parlamentares. Uma prova é a da Previdência, que assustou a muitos, e hoje virou uma fábula de Christien Andersen resumida por uma editora popular. No rolo compressor que levou Dilma, ainda saíram a PEC da Morte e a reforma trabalhista, todas aprovadas com pressa demais, passíveis de inúmeras objeções e flagrantes ilegalidades, ou seja, temos campo de manobra para quando a situação se reverter. 

O governo Temer parece essa editora popular albergada em alguma margem da avenida Brasil em meio à década de 1970. O problema é que essa editora fazia não exatamente "fábulas", mas livros pornográficos (ou eróticos, dependendo do ponto de vista), e era um desafio, uma espécie de desafio sob cocaína, para os publicistas e escritores - todos mal pagos. Não diferimos, claro, em todos esses quesitos: fábulas, pornografias ou a abrupta maioria que nem paga é para se auto-exibir de todas as formas, com as melhores das intenções, inclusive colocando seus candidatos presidenciais para se promoverem (com dinheiro de multinacional - "mas de empreiteira não pode!") dentro de motéis cenográficos (ver o fim por favor, últimos 2 minutos). "Oh, desculpe!" (para imitá-lo - o apresentador). Ele é pago, sim entretanto. 

É sempre uma tristeza a vox populi, de esquerda ou de direita. Apresentamos aqui nossa "arqueologia".
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