A beleza em meio ao mundo em frangalhos

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Mais dois poemas para relaxar, dois sonetos, para não dizerem que também não sou clássico.


Soneto I

Ela com os olhos da imortalidade
procurou-me certa noite enluarada
dizendo que a paixão a procurava,
paixão de leito e calma. E de saudade.

Os tempos se foram, consumiram-se as idades
da Terra ainda agora enlutada.
Onde a alegria, o doce sorriso da amada?
Certa vez, contaram-me acerca da imortalidade...

Seus olhos falam-me de melancolia.
Irei te esperar, eu sei, por toda a vida,
com versos tristes e tão caros.

Sem remédio cumpramos esta sina –
só no fim da jornada estará tudo pago.
Isto diz quem teus olhos, amor, sempre queria.

Soneto II

Como na pele emolientes, calmantes,
para enfrentar os tórridos calores das terras ignotas,
com os nervos em frangalhos como a roupa puída e rota,
o amante retempera a alma e se faz amante.

Não mais as noites em vigília, sufocantes.
Não mais o demorar-se em tantas bocas,
aqui e ali, que ao falarem de amor fazem-se roucas.
Encontrei-me contigo, Amor, ainda como feroz amante.

Enfrentar o som!, que se espalha
seguindo o vento norte.
Canção de desterro e de martírio.

Pelas bárbaras praias, ventania e morte.
O verbo se faz contra o suplício
do poeta que não mais falha.

Sobre o autor

Rogério Mattos: professor, escritor e petralha de plantão

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