Fluência

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Essa também poderia ser a foto de abertura d'O Abertinho



(sem título)

Com esse cheiro de flor,
De rosa, de rosa aberta, desfolhada;
Que cava fundo enquanto calo,
Que tropeça enquanto berro,
Que arqueja quando falo –
Venha, corpo inquieto.

A tudo, tudo vejo;
Desde o sol, miríades em flor
Aninhadas em teu leito,
Até os pássaros-cantos,
Lindos, tristes, rubros, sacros e
                                   Molhados,
Que na face ficam com teus beijos.

Não o teu rosto ou quisera
O meu ou qualquer rosto
De preferência como cobertor
À pele eriçada a que chamas de
                                 Leito,
Mas teu fragor que deixo
Escapar como de sulcos abertos
Que com meu peito faz verter
Em chamas douradas – só então
Pude ver olhos tão piedosos –

Com que me deleito.

Sobre o autor

Rogério Mattos: professor, escritor e petralha de plantão

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