A Nova Rota da Seda nos mostra a visão para o futuro da humanidade

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Helga Zepp-LaRouche
Helga Zepp-LaRouche, esposa do estadista norte-americano Lyndon LaRouche e fundadora do partido alemão Büso (Solidariedade), ganha atualmente fama inusual, somente menos inesperada no sentido em que, para lembrar o filósofo italiano Giorgio Agamben, vivemos nem tanto um "estado de exceção" (ainda não de todo consolidado, apesar da hegemonia mundial dos neocons a partir dos governos dos Bush, pai e filho), mas um momento excepcional. De um lado as ameaças inconfessáveis, porém não menos alarmantes, de guerra por parte dos atlanticistas; de outro, um novo mundo que se ergue, baseado fundamentalmente nos BRICS (mais da metade da população mundial), com liderança inconteste de Rússia e China, mas que tem no Brasil e nos países latino-americanos uma base perpétua para sua consolidação em escala planetária, influindo diretamente em nossos arrogantes vizinhos do norte do continente, os quais, se não adotarem "um novo paradigma civilizacional", caminham inexoravelmente para o fracasso, para o genocídio, para a falência histórica, em suma.



Em momentos excepcionais como esse surgem grandes líderes. Na verdade, essa liderança é antiga e marcou boa parte de nossa história recente, aquela em que frequentemente tivemos que lidar com a ameaça de extinção em massa da humanidade. Lyndon LaRouche, no ápice da Guerra Fria, foi a liderança mais sagaz de seu país, e do mundo de um modo geral, ao propor a Iniciativa de Defesa Estratégica, um conjunto de medidas para cooperação militar entre os EUA e a URSS, sem a qual não se poderia pensar a paz e o desenvolvimento conjunto dos povos. Falho o intento de consolidar a IDE (fato que o levou junto a seus associados logo depois à prisão política, num processo secreto movido por Henry Kissinger), LaRouche propôs a criação de um triângulo produtivo Berlim-Paris-Viena, num prognóstico em que dizia ser irreversível a queda da União Soviética, mesmo quando ninguém ainda se dava conta disso.

Desse primeiro projeto sua esposa esboçou o que ficou conhecido como a Ponte Terrestre Mundial, um projeto de paz e cooperação econômica para todos os continentes do planeta. Viajando pela China no início da década de 1990, passou a ser conhecida por lá como a New Silk Road Lady: a Ponte Terrestre Mundial se transformava em Nova Rota da Seda. Nos últimos anos, nos últimos meses com ainda mais intensidade, os países asiáticos tem se desdobrado na execução e na finalização de um sem número de obras que compõem o grande projeto, que é o Colosso que se ergue para enfrentar os assustadores espectros de holocausto nuclear que cada vez mais claramente a OTAN promove. Convidada para participar dos preparativos para a próxima reunião do G-20, Helga Zepp participou recentemente de um desses encontros chamados Think-20, onde novamente defendeu os extensos projetos de desenvolvimento que compõe a nova rota, na perspectiva econômica chinesa da cooperação "ganha-ganha", como a construção de trens de alta velocidade para integrar os países, corredores de desenvolvimento,  a construção de usinas nucleares para dessalinização da água e o reverdejar das áreas desérticas, assim como da ionização no ar - ou seja, a construção de novas cidade, novas rotas econômicas, incontáveis novos empregos e capitais direcionados para a economia física, produtiva, e não para a ciranda dos cassinos financeiros.

Como introdução a essa apresentação da sr. Rota da Seda, coloco primeiro um curto vídeo em que seu marido, ainda em 1997, defendia o projeto - infelizmente ainda sem tradução para o português. O vídeo que segue, filmado essa semana, é onde ela conta sobre suas impressões depois da participação do Think-20, na China, e os dois diferentes paradigmas econômicos que hoje perigam entrar em colapso. 






Mais abaixo, nos dois textos, são duas palestras delas traduzidas por mim para o site em português da Executive Intelligence Review (esses e outros mais textos da revista podem ser acessados por aqui), e que seguem a características de outras publicações minhas nesse blog, ou seja, como pensar "de cima" os paradigmas políticos; como se utilizar de uma concepção científica superior para atender aos grandes anseios da humanidade. Como destaque, são as postagem sobre o poderoso senso de imaginação de Johannes Kepler nas suas descobertas reveladas no livro Harmonia Mundi (POSTAGEM AQUI), escrito por mim, mas também os dois trabalhos de Shawna Halevy, Pensando o não-visto e o Pensando sem palavras. Também, para finalizar por enquanto, os dois textos sobre Prometeu, aquele que trouxe o fogo da ciência para a humanidade. Um, de Aaron Havely, O Princípio Oligárquico; o outro, Como o homem vê seus deuses, escrito por mim sob inspiração do texto anterior, que traduzi.

Em futuras publicações nesse blog trarei a visão da Ponte Terrestre Mundial, do paradigma dos BRICS, para a América como um todo. Como ressalva, meu texto recém-publicado sobre a história do Instituto Tavistock, de engenharia social e manipulação de massas, foi também amplamente inspirados nos trabalhos da Executive Intelligence Review, pioneira em desvendar essa história obscura, indecente, capitaneada pela realeza britânica. Mas, antes dos dois vídeos prometidos e dos textos que se encontra aí abaixo, segue como introdução uma fala recente de Helga Zepp-LaRouche nos Diálogos de Raisina, na Índia, em que apresenta e defende o - com muita probabilidade - projeto mais luminoso que hoje temos na humanidade, e em plena execução, o da Nova Rota da Seda. Em seguida, um curto vídeo com tradução para o português. Para quem tem interesse em ver mais outro vídeo sobre o assunto, pode acessar nossa antiga publicação "Se falar de Moro, por quê não falar dos BRICS".



É imperdível também, para quem domina o inglês, a entrevista que deu à TV chinesa, onde se explica a gênese de toda essa história. Segue abaixo, para logo depois os dois textos prometidos.



NICOLAU DE CUSA NOS MOSTRA O CAMINHO PARA CRIAR UM NOVO RENASCIMENTO

Zepp-LaRouche fez estas observações (por vídeo-conferência) na conclusão de seu discurso para a 25ª conferência de aniversário do Conselho Eleitoral dos Cidadãos (Citizens Electoral Council, CEC), organização associada a LaRouche na Austrália, em 17 de maio de 2013.

Eu estou muito feliz por vocês terem feito de Nicolau de Cusa um fator tão importante em sua conferência, porque tenho me convencido, desde que descobri suas ideias há muitos anos atrás, que elas são o melhor fundamento para retirar o mundo de sua crise existencial. Nicolau era bastante consciente do que estava escrevendo, especialmente a partir do De Docta Ignorantia, tão revolucionária que nunca tinha sido pensada antes, que ele estava, com seus escritos, começando uma nova era. E se você olhar para trás para ver o efeito de seus trabalhos, você realmente poderá ver que ele estava absolutamente correto; que seus escritos marcaram a diferença entre a obscura Idade Média e os tempos modernos.
Ele conscientemente rompeu com o escolasticismo que dominava as universidades naquele tempo, que era o debate sobre quantos anjos podem sentar na cabeça de uma agulha, e também com as estúpidas visões mecanicistas dos Peripatéticos, que também era uma ideologia de destaque na época. E ele muito conscientemente introduziu um método completamente diferente de pensamento. A mais famosa ideia disso é a de coincidentia oppositorum, que é o princípio de que o Uno tem um poder superior ao Múltiplo, num modo que irei especificar imediatamente.
Também, na De Docta Ignorantia, como nos diálogos O Leigo e em vários sermões, ele rejeitou totalmente a ideia do homem adquirir conhecimento através da experiência sensorial. No famoso sermão da Trindade de 1444, ele desenvolve a ideia de que a concepção dos objetivos do intelecto humano determina a estrada sobre a qual a mente viaja rumo a esse objetivo; ele chamou isso de praesuponit – o futuro define o presente. Aquilo que a mente e a fé definem como um objetivo é o que define o modo de como consegui-lo e qual caminho tomar. O conhecimento, portanto, não é a extensão lógica da adição de todos os conhecimentos existentes do passado, mas aquilo que ansiamos por encontrar, que está igualmente em nossa fé e em nossa intenção.
Ele chegou numa concepção profunda da criação do universo físico, a qual foi a base para Kepler, posteriormente, descobrir a gravidade. Ele acreditava na união completa da fé e da ciência, e essa visão permitiu Kepler chegar a sua descoberta superando Copérnico e Ptolomeu. E Cusa igualmente teve a mesma ideia maravilhosa: de que quanto mais você estuda o universo, as leis da Criação, mais se torna claro de que tudo isso deve ser trabalho do tremendamente amoroso Criador.

Concordantia

Nicolau também teve a ideia de que o universo é totalmente determinado pela mudança, que essa mudança tem um desenvolvimento ascendente, e que nem a Terra ou o sol são o centro do universo – e isso foi realmente o início da ciência moderna. Ele também teve a ideia da concordantia no universo e entre a humanidade: de que existe uma coesão entre as leis do macrocosmo – o universo como um todo – e as leis do microcosmo, que são os poderes cognitivos do homem; e que essa concordantia só é possível se todo o microcosmo se desenvolver da melhor maneira possível, e não numa direção linear; mas toda a unidade na multiplicidade é baseada no princípio superior por meio do qual o processo inteiro da totalidade é desenvolvido de modo complexo, como no desenvolvimento de uma fuga, por onde o desenvolvimento de um é necessário para facilitar o desenvolvimento do outro.
Cusa presumiu a ideia da concordância no universo, baseado no princípio de desenvolvimento que também deve ser a base para uma melhor ordem mundial hoje. Isto deve ser absolutas nações soberanas como microcosmos desenvoltos, e essa é a ideia do Concordantia Catholica, baseado no sistema representativo, que os governantes e os governados devem se reportar ao outro numa relação recíproca, por meio da qual os governantes se encarregam de fornecer o melhor possível em termos de bem comum aos governados, e os representantes se encarregam dos interesses dos governados, e também representam o bem comum dos governantes.
Isso é uma ideia muito importante, porque essa concepção do sistema representativo foi realmente pela primeira vez realizada por completo na constituição estadunidense. Cada microcosmo, portanto, só poderá preencher todo seu potencial ao fornecer o melhor desenvolvimento possível para o outro microcosmo. Se você aplicar isso na política – e isso foi feita na Paz de Westfália [1648], aonde o princípio do “interesse do outro” veio exatamente dessa ideia cusana – e isso levou ao fim dos 150 anos de guerras religiosas na Europa. Se você aplicar isso na política atualmente, então o melhor desenvolvimento possível de uma nação deve incluir o melhor desenvolvimento possível de todas as outras.

Os “Objetivos Comuns da Humanidade”

O que isso significa concretamente para a Austrália é que a Austrália deve ter como interesse próprio que a China se desenvolva da melhor forma; também, o Japão e todos os países do sudeste asiático, e vice-versa. Obviamente, isso só é possível se todas essas nações estiverem unidas aos objetivos comuns da humanidade.
Quais são os “objetivos comuns da humanidade”? Obviamente, isso significa que essa condição indigna, miserável, na qual a maioria da civilização se vê como resultado das políticas do Império, deve ser superada. Essa pobreza deve ser eliminada, a fome deve ser eliminada, e isso deve ser eminentemente possível e factível através da realização de todos os diferentes projetos da Ponte Terrestre Mundial, que também pode ser a base para a paz nas relações com a Rússia, com a China, com o Japão, e com muitos outros países.
Isso só é possível porque o Uno é superior em poder ao Múltiplo. E a humanidade como um todo é uma ideia superior do que as das muito diferentes culturas e religiões. Isso igualmente foi a ideia básica de outro escrito de Nicolau de Cusa, escrito por ele depois da queda de Constantinopla, o De Pace Fidei, onde 17 homens sábios de diferentes nações, e culturas, e religiões, pedem a Deus conselhos; e enquanto outros falavam de um choque de civilizações, numa forma imatura, ele teve a ideia de que só havia um Deus, uma Verdade, e uma Religião, e ele também falou sobre uno religio in rituum varietate, “uma religião com diferentes ritos”, o que era uma ideia incrivelmente progressista para um cardeal do século XV!
A criação do universo físico, de acordo com Nicolau, acontece através da criatividade do homem, e ele ainda vai mais além ao dizer – e, de novo, isso foi no século XV – que depois do aparecimento da humanidade, o processo contínuo da Criação ocorre através dos atos criativos do homem, que são indubitavelmente importantes.
Ele também tinha a noção de manuductio, que é basicamente uma pedagogia, explicando como esse processo de desenvolvimento ocorre. E ele tinha uma imagem, como se fosse a metamorfose de uma planta, onde a mente começa com a semente, e então através de um múltiplo processo cognitivo, alcança a dimensão plena do desenvolvimento de uma árvore com seus ricos frutos, que então produz muito mais sementes e muitas outras árvores.

Um novo método filosófico

Nicolau era consciente de que tinha desenvolvido um histórico novo método filosófico, e ele também, no De Docta Ignorantia, especialmente no segundo livro, desenvolveu o que se pode chamar de uma antologia do universo. Ele chega a dizer que o preenchimento do universo é a cognição e a criatividade do homem, que isso é a vis creatrix, o “poder criativo” expresso na ação do homem como imago viva Dei, como “imagem viva de Deus”, que dirige o universo.
No De Docta Ignorantia, ele diz: “Toda nossa maior atenção afirma a unidade, de que a fé é o anseio por conhecer. Porque em cada faculdade, no significado de cada disciplina científica, estão colocadas algumas pressuposições, o credam praesuponum nuntur, o primeiro princípio que só pode vir da fé e fora da qual o discernimento sobre aquilo que precisa de investigação pode ser atingido”.
Isso é uma ideia muito interessante, porque é a ideia de que se a ciência e a fé são o mesmo, e se você tiver uma crença naquilo que tem de ser parte da ordem divina da Criação, então sua mente irá procurar isso, e na sua investigação, você irá voar como um pássaro rumo ao seu objetivo, onde o pássaro faz isso como que instintivamente; onde o objetivo é definido, a estrada segue daí.
Você encontra nesses pensamentos pela primeira vez em toda a escrita histórica e literária, uma discussão de como o método de hipótese realmente funciona, como você desenvolve o pensamento por flancos, como você cria uma ideia musical ou poética ao ter essa ideia superior, que é o objetivo que então pode ser desenvolvido, da mesma maneira que um grande compositor tem uma ideia musical antes de desenvolver a composição; como um poeta tem uma ideia antes de compor o poema. Isso é um método muito importante, que deve ser a base para colocar em coesão nosso presente ordenamento político e econômico.
Portanto, eu penso que em Nicolau de Cusa você encontra ideias cruciais, todas belas ideias; por exemplo, a prova sobre a imortalidade da alma, na qual Nicolau argumenta que o fato da alma criar todas as artes – as ciências, geografia, música – e isso permanece para sempre, significa que o que cria essas coisas obviamente deve ter um poder superior às coisas criadas, e desde que as coisas criadas são imortais, o criador, também, deve ser imortal.
Nicolau também teve a bela ideia de que o homem, em determinado ponto de desenvolvimento da humanidade, pode, com rigor científico, definir a próxima inovação necessária ao conhecimento. Agora, não é aquilo que conhecemos hoje, quando dissemos que o futuro da humanidade deve tornar a humanidade em sua identidade como uma humanidade no espaço? De que todo o conhecimento que temos sobre os perigos vindos do espaço, vindos de asteroides, dos perigos de nosso sistema solar num par de bilhões de anos até agora – de que devemos ter a ideia do objetivo, onde a próxima inovação científica deve estar, no intuito de garantir a existência da humanidade? Nicolau também teve essa ideia no século XV e assim, penso que quanto você o estuda se torna mais alegre e esclarecido.
Caso o Império Britânico prevaleça, tanto financeiramente, e no sentido de sua doutrina militar, é bem plausível que a humanidade seja extinta, e iremos provar que não tivemos mais inteligência do que os dinossauros. Mas eu tenho um otimismo fundamental de que o universo é tão belo, as ideias do Criador são tão poderosas, de que o plano do Criador é tão belo e forte para isso acontecer se fizermos nosso trabalho.
Então, portanto, vamos agir com todos os poderes que temos para usar essa mudança histórica que ocorre agora[1] para colocar a ordem política e econômica em coesão com as leis do universo. Se fizermos isso, penso que o futuro da civilização será o mais brilhante possível, e eu penso que estamos no meio da luta. Glass-Steagall[2] é agora uma proposição realista, então vamos nos mover com toda nossa força para implementá-la em sua totalidade globalmente, e avançar mais, para implementar um Renascimento.



[1] Na abertura de seu discurso, Zepp-LaRouche mencionou a introdução em 14 de maio, pelo senador Tom Harkin, do projeto de lei Glass-Steagall dentro do senado estadunidense, como representando “um largo passo em direção ao salvamento da civilização das garras do abismo”.
[2] Glass-Steagall é a lei de separação bancária aprovada durante a presidência de Franklin Roosevelt, fundamental para a constituição de seu New Deal. Separar os bancos de crédito (economia produtiva) dos bancos de investimentos (economia de cassino), junto a Comissão Pecora (de investigação dos crimes financeiros durante as especulações que levaram à bancarrota de 1929) e grandes projetos de infraestrutura foi a base de governo do talvez maior presidente dos EUA no século XX. A retomada desse projeto, destruído durante o governo Clinton, está na discussão dos congressistas norte-americanos, como também se discute versões dele para serem aplicadas na Europa, em meio à crise econômica atual, em especial em países como a Itália.


Nicolau de Cusa, autor do clássico A Douta Ignorância


UMA VISÃO PARA O FUTURO DA HUMANIDADE

Helga Zepp-LaRouche, fundadora do internacional Instituto Schiller (www.schillerinstitute.org), ministrou essa palestra para a sessão plenária de encerramento de 7 de outubro de 2013 para o World Public Forum Dialogue of Civilizations, realizado entre 4 e 7 de outubro, em Rhodes, Grécia. Zepp-LaRouche compareceu anteriormente aos Fórum de Rhodes em 2003, 2006, 2008 e 2009 (quando Lyndon LaRouche também palestrou). Subtítulos foram adicionados.

Senhoras e senhores,
Foram discutidas muitas questões importantes durante os últimos dias, mas eu concordo com o professor Dallmayr, de que nós não podemos concluir essa conferência sem antes focar a realidade que nós, como civilização, estamos na iminência de uma guerra termonuclear. A possibilidade de um ataque militar no Irã; a escalada da situação entre Síria e Turquia; a implantação de porta-aviões dos EUA no Pacífico Ocidental próximo a estas ilhas contestadas, e a afirmação [da Secretária de Estado] Hilary Clinton de que qualquer ataque a essas ilhas pode levar à ativação do tratado militar EUA-Japão; a concordância do governo espanhol dos escudos anti-mísseis da OTAN – todos esses desenvolvimentos demonstram que nós estamos em um perigo mortal.
Durante as últimas semanas, o perigo existencial na qual a espécie humana agora se encontra se tornou claro para todas as pessoas pensantes. A quase contínua política de “mudança de regime”, depois do colapso da União Sovética, bombardeou o Iraque “de volta a Idade das Pedras”, mergulhou a Líbia na anarquia, transformou o Afganistão num pesadelo, e vitimizou o Estado secular da Síria com intervenções estrangeiras e guerras religiosas, e, no caso de operações militares contra o Irã, pode levar a um incêndio incontrolável de proporções mundiais.
O Oriente Próximo e Médio ameaçam tornarem-se novos Bálcans, onde as alianças existentes, como aquelas anteriores a Primeira Guerra Mundial, os conduza à conflagração. O impensável pode acontecer: aquela Destruição Mútua Assegurada não mais funciona como um estorvo, mas armas termonucleares são empregadas, levando à extinção da raça humana. Não em algum tempo possível, mas dentro das próximas semanas.

Indo de encontro a uma parede de tijolos

A dinâmica que está conduzindo o perigo de guerra é acentuado pela aceleração do colapso do sistema financeiro trans-Atlântico. A expansão de liquedez que [o presidente do Federal Reserve Ben] Bernanke nomeou eufemisticamente de “Quantitative Easing III” é somente tão hiperhinflacionário quanto o “o que for preciso” de [presidente do Banco Central Europeu] Mario Conti, em relação à compra ilimitada de títulos públicos por meio do Banco Central Europeu. A impressão hiperhinflacionário de dinheiro, em conexão com a austeridade brutal – na tradição do Chanceler Brüning – contra a população e a economia real  já teve um efeito de encurtamento da vida de milhões de pessoas na Grécia, Itália, Espanha e Portugal, e ameaça derrubar a Europa numa tempestade de fogo de caos social.
A humanidade está num processo de se abater contra uma parede de tijolos em alta velocidade. A questão que nós devemos urgentemente responder é se a espécie humana, confrontada com sua própria destruição, é inteligente o suficiente para mudar de rumo a tempo, do ruinoso paradigma presente de tentar consolidar um império mundial, e a legitimação fingida da resolução de ocnflitos geopolíticos pelos meios da guerra, e trocar esse paradigma por outro que seja viável para a humanidade.
Para resolver esse problema, nós devemos introduzir um problema epistemológico: Nós devemos repudiar as relíquias dos métodos de pensamentos ancorados no sistema oligárquico, incluindo conceitos de projeção dedutiva, positivista, empiricista, monetarista, ou de estatística linear que expressão um mal infinito, como pertencem a uma concepção de mundo que não tem nada a ver com as leis do universo físico real, nem com a criatividade da razão humana.

Pensando a partir “de Cima”

Em vez disso, devemos elaborar – com a mesma criatividade de Nicolau de Cusa, Johannes Kepler, Gottfried Leibniz, Johann Sebastian Bach, Ludwig van Beethoven, Friedrich Schiller, Vladimir Vernadsky ou Albert Einstein, para nomear só alguns – uma visão para um melhor futuro para a humanidade, que, com certeza, só poderá ser realizada quando forças suficiente se unirem entre si para esta boa causa.
Tal visão nunca poderá ser o resultado de um pensamento aristotélico, ou se transformar num “consenso” para a resolução de muito pequenas questões colaterais, isto é, pensando por “baixo”, mas vem de pensamentos “de cima”. Nicolau de Cusa, com seu método de coincidentia oppositorum, a coincidência dos opostos, por meio do qual o Uno é de uma ordem superior de poder que o Múltiplo, lançou a pedra fundamental em que não só o princípio da Paz de Westfália e o direito internacional foram construídos, mas também um método universal de problema / e resolução de conflitos, que ainda é válido atualmente.
Isso significa que devemos começar com a definição dos propósitos comuns da humanidade. O que pode ser mais importante do que a questão ontológica do “esse”, significando que nós somos capazes de assegurar a sustentação prolongada da existência da espécie humana?
Pela virtude da legitimidade do universo físico anti-entrópico, a existência duradoura da humanidade requer um constante aumento da densidade do potencial populacional relativo e uma contínua expansão dos fluxos de densidade energética nos processos produtivos. Se nós queremos encontrar uma solução para a dupla ameaça existencial da humanidade – o perigo de uma guerra termonuclear mundial e a crise econômica sistêmica – então o novo paradigma deve ser por si mesmo coerente com a ordem da criação. Nós precisamos de um plano para a paz nesse século XXI, uma visão que simultaneamente inspire a imaginação e as esperanças do homem.
Apesar de ter nas mãos todos os meios científicos e tecnológicos para garantir condições humanas de vida, enquanto existem por volta de um bilhão de pessoas sujeitas a fome e a má-nutrição, enquanto 25000 crianças – uma pequena cidade – morre diariamente por fome, enquanto 3 bilhões vivem na pobreza e lhes são negados os direitos humanos, isso não é então nosso dever sagrado implementar agora esses meios? Nós precisamos de uma estratégia de desenvolvimento de larga escala, construída sobre as idéias das Décadas de Desenvolvimento das Nações Unidas, dos anos 1950 e 60, rejeitanto totalmente a mudança de paradigma dos últimos 40-50 anos como a trilha errada, e assim reviver a idéia de “Paz através do Desenvolvimento”?

A Ponte-Terrestre Mundial

Tal visão pode ser a da implantação da Ponte-Terrestre Mundial com seus muito grandes projetos como NAWAPA, o túnel sob o Estreito de Bering, o desenvolvimento do Ártico, a expansão da Ponte-Terrestre Euroasiática, acima de tudo no Próximo e Médio Oriente e no subcontinente indiano, incluindo a ligação da Ponte-Terrestre Mundial com a África através de túmeis sob o Estreito de Gilbratar, ligando Espanha e Marrocos, e também entre a Sicília e a Tunísia.
Existem duas grandes regiões nesse planeta onde a falta de desenvolvimento clama por vingança, o primeiro sendo o continente africano, ao qual nunca foi permitido se recuperar dos longos séculos de exploração colonial; e o segundo sendo o Oriente Próximo e Médio, que estão atualmente muito atrás de seus períodos de ouro, quando Bagdá era o centro da cultura mundial, ou quando Palmira Tadmur, na Síria, era uma pérola na antiga Rota da Seda. Nós devemos colocar na agenda para discussão a visão para uma Renascença econômica e cultural, representando um elemento de razão de alto nível, ao invés dos conflitos locais, étnicos e históricos. Onde os representantes de um grande número de nações levem tal mensagem à comunidade mundial, mostrando que, de fato, existe uma alternativa real que possa fazer possível a sobrevivência de todas as pessoas nesse planeta, então os elementos de esperança podem ser postos em debate, que agora estão completamente ausentes.

A Defesa Estratégia da Terra

O mesmo tipo de pensamento que usa do ponto de vista da coincidentia oppositorum, o pensar “por cima”, como aplicável à superação do subdesenvolvimento na Terra pela Ponte-Terrestre Mundial, também é preciso para defender todos nós no planeta dos perigos que vem do espaço. A Rússia, com seu projeto de Defesa Estratégia da Terra, DET, fez uma proposta de cooperação de Rússia e EUA, e potencialmente mais países, que articule mísseis de defesa e a proteção da Terra de asteróides e impactos de cometa, que podem substituir a atual confrontação geopolítica e a escalada da ameaça existencial.
O projeto DET está na tradição da IDE, Iniciativa de Defesa Estratégica, que propõe a superação da ameaça nuclear e a divisão do mundo em blocos militares, desenvolvido por meu marido Lyndon LaRouche 30 anos atrás, e que o presidente Ronald Reagan tornou a política oficial do governo americano em 1983.
O projeto DET, o qual inclui sistemas de alertas prévios para catástrofes naturais ou feitas pelo homem, assim como cooperação em vôos espaciais tripulados, é o absolutamente necessário condutor científico que uma economia mundial dominada pela crise necessita para conquistar níveis elevados de produtividade e criar novas capacidades científicas e tecnológicas que também são precisas para a solução dos problemas na Terra. As viagens espaciais tripuladas feitas de maneira conjunta é o próximo passo necessário para a evolução da humanidade. E com esse “imperativo extraterrestre”, assim como chamado pelo renomado cientista e engenheiro espacial Krafft A. Ehricke, a humanidade poderá entrar agora no estágio de maioridade, deixando para trás, como doenças da infância, a resolução de conflitos por meio da guerra.

Os propósitos comuns da humanidade

Se nós prontamente tivermos sucesso em unificarmos a nós mesmos ao redor da visão de conquistar os propósitos comuns da humanidade, e conscientemente apresentar essa perspectiva como uma estratégia de anulação das guerras, então isso poderá inspirar a imaginação das gerações mais jovens, que agora são ameaçadas mundo afora pelo desemprego em massa e a desesperada falta de fé. Se as pessoas jovens desenvolverem as mesmas paixões e elevados conceitos como os pioneiros da viagem espacial uma vez fizeram, quem agora está encorajado pelos instrumentos que o viajante de Marte, Curiosity, está empregando, e que agora mudou a experiência sensorial do homem, reconhecidamente, com um atraso de 14 minutos, o mundo entrou numa nova fase espacial; se os jovens desenvolverem essa paixão, então nós ganhamos. Na nova fase da humanidade, o homem irá pensar como cientista e como os compositores das grandes obras de arte Clássicas.

Nós ou agimos agora, nesse momento de perigo existencial, pelos propósitos comuns da humanidade, ou nós não iremos existir.


O gráfico da tripla curva criado por Lyndon LaRouche: porquê as medidas hiperinflacionárias (bail-out) ou recessivas (bail-in) não condizem com o incremento da economia física (vulgarmente chamada de "economia real")

A Nova Rota da Seda se transforma na Ponte Terrestre Mundial


Sobre o autor

Rogério Mattos: professor, escritor e petralha de plantão

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