O Patriota

0
19:56:00

O artigo de Mauro Santayana escrito após a condenação do vice-Almirante e herói nacional, Othon Pinheiro, como noticiou o Jornal do Brasil, ecoou em publicações nos Estados Unidos e em Portugal. Republicamos aqui, conjuntamente, o texto do jornalista e patriota brasileiro, assim como a nota da Executive Intelligence Review. Como podemos demonstrar com todas as letras em nossa publicação Lula em pratos limpos, há uma nítida distinção entre patriotismo e charlatanismo. Que se contentem com migalhas os amantes de Moro!

Nessa publicação, portanto, se reúne a figura de três patriotas: Mauro Santayana, Othon Pinheiro e Lyndon LaRouche (já homenageado no post O profeta e a guerra).


A Lava-Jato e o vice-Almirante, por Mauro Santayana


Em uma sentença que chama a atenção pela severidade e a ausência de proporcionalidade, o ex-presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, foi condenado, ontem, por um juiz do Rio de Janeiro - com uma decisão que atingiu também a sua filha - a 43 anos de prisão por crimes supostamente cometidos durante as obras da usina nuclear de Angra 3.

O vice-almirante Othon é um dos maiores cientistas brasileiros, um dos principais responsáveis pelo programa de enriquecimento de urânio da Marinha, que levou o Brasil, há 15 dias, a fazer a sua primeira venda desse elemento químico - usado como combustível para reatores nucleares - para o exterior, para uma empresa pertencente ao governo argentino.

Em qualquer nação do mundo, principalmente nos EUA - país que, justamente por ser brasileiro, e não norte-americano, o teria espionado, “plantando” um homem da CIA ao lado do seu apartamento - o vice-almirante Othon estaria sendo homenageado, provavelmente com uma medalha do Congresso ou da Casa Branca, por serviços de caráter estratégico prestados ao fortalecimento da Nação e ao seu desenvolvimento.

No Brasil de Itamar Franco - um homem íntegro e nacionalista, que cometeu a besteira de confiar em quem não devia e abriu a Caixa de Pandora da tragédia neoliberal dos anos 1990, ao apoiar para sua sucessão um cidadão em cujo governo, segundo o Banco Mundial, o PIB e a renda per capita recuaram e a dívida pública duplicou, deixando ainda um papagaio, com o FMI, de 40 bilhões de dólares - o Almirante Othon recebeu, em 1994, da Presidência da República, a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico.

Ele também é Comendador da Ordem do Mérito Naval; da Ordem do Mérito Militar; da Ordem do Mérito Aeronáutico; da Ordem do Mérito das Forças Armadas; da Medalha do Mérito Tamandaré; e recebeu, além disso, a Medalha do Pacificador, a Medalha do Mérito Santos-Dumont e a Medalha Militar de Ouro.

No Brasil kafquianamente imbecilizado, midiotizado, manipulado, plutocratizado, deturpado, moralmente, da atualidade, que caminha a passos largos para a instalação de um governo - de fato - de exceção e fascista - e, ainda por cima, entreguista e anti-nacional - a partir de 2018, ele está sendo condenado por uma justiça em que muitos membros recebem acima do teto constitucional, perseguem jornais que os denunciam, e podem fazer palestras remuneradas sem ter que declarar quanto estão recebendo, conforme resolução do CNJ divulgada no início deste mês de julho. 

Com uma maioria de patriotas, nacionalistas, legalistas, constitucionalistas, os militares brasileiros tem suportado em silêncio digno a interrupção e as ameaças que pairam, como aves de rapina, sobre numerosos projetos de defesa que tiveram início na última década e sobre as empresas responsáveis por eles, como o dos submergíveis convencionais e o do submarino atômico - de cujo desenvolvimento do reator já participou o próprio Almirante Othon - sob responsabilidade da Odebrecht, um dos grupos mais prejudicados e perseguidos pela Operação Lava-Jato, que já teve que demitir mais de 120.000 pessoas no último ano, também encarregada, por meio da Mectron, da construção, em conjunto com a Denel sul-africana, do míssil A-Darter que irá armar os novos caças Gripen NG-BR, que estão sendo - também por iniciativa dos dois últimos governos - desenvolvidos com a Suécia por itermédio da SAAB.

Tudo isso, em nome de um pseudo combate à corrupção hipócrita, ególatra, espetaculoso e burro, em que, para descobrir supostos desvios de um ou dois por cento em programas estratégicos de bilhões de dólares, condena-se ao sucateamento, atraso ou interrupção - como era o caso, há anos, das obras de Angra 3 antes de sua retomada justamente pelo Vice-Almirante Othon - os outros 97% dos projetos, sem nenhuma consideração pela aritmética, a lógica, o bom senso, a estratégia nacional, o fortalecimento ou o desenvolvimento brasileiros.

Isso, ainda, para vender, falsa e mendazmente, com a cumplicidade de uma parcela da mídia irresponsável, apátrida, estúpida e venal, a tese de que se estaria "consertando" o país, quando o que se está fazendo é jogar o bebê pela janela junto com a água do banho, e matando a boiada inteira para exterminar meia dúzia de carrapatos, no contexto de um projeto de endeusamento de um personagem constantemente incensado por uma potência estrangeira - justamente aquela que espionou o próprio Almirante Othon - quando se sabe que para prender corruptos não era preciso arrebentar com as maiores companhias de engenharia do país, como se está arrebentando, nem com os principais projetos bélicos e de infraestrutura em andamento, ou com a Estratégia Nacional de Defesa, arduamente erguida nos últimos anos, ou com um conjunto de programas do qual toma parte, ainda, o Astros 2020 da Avibras; a nova família de fuzis de assalto IA-2, da IMBEL; o Cargueiro Militar multipropósito KC-390 da Embraer; a nova linha de radares SABER; os 1050 novos tanques Guarani, desenhados pelo Departamento de Engenharia do Exército, até algum tempo atrás - ao que se saiba - ainda em construção pela IVECO; os novos navios de superfície da Marinha; ou o novo satélite de comunicações que atenderá às Forças Armadas.

Os alegados 4 milhões de reais em "propina" eventualmente pagos em consultoria ao Almirante Othon - uma das razões de sua condenação a mais de 40 anos de prisão - seriam, caso sejam comprovados, uma migalha diante do que ele mereceria receber, em um país mais patriótico e menos hipócrita, como cientista e como compatriota, e uma quantia irrisória, se formos considerar, por exemplo, o preço de um apartamento de quatro quartos em Higienópolis, em São Paulo - há os que são vendidos a preço de “ocasião” - ou o fato de ratos como Eduardo Cunha, Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa, com dezenas de milhões de dólares na Suíça, terem sido soltos pelo Juiz Sérgio Moro e, tranquilos, estarem em casa neste momento.

Só no Brasil, também, um cientista desse porte é enxovalhado, como o Vice-almirante Othon está sendo, nas redes sociais, por um bando de energúmenos, ignorantes, preconceituosos e estúpidos que não tem a menor ideia do que está ocorrendo no país, e que pensam mais com o intestino do que com a cabeça. 

Só não dá para dizer que dá vergonha de ser brasileiro porque o Brasil é maior que esta corja tosca, anti-nacional, vira-lata, manipulada e ignara, e porque mesmo que os cães ladrem a caravana irá passar, finalmente, um dia, altaneira e impávida.

Como diria Cazuza, o tempo não pára.

Aos que estão arrebentando com a Pátria - e com as suas armas, seus heróis e seus exemplos - sacrificando-os no altar de suas inconfessáveis, imediatistas e rasteiras ambições, sobrará o inexorável e implacável julgamento da História.




Nota da Executive Intelligence Review sobre a condenação ao vice-Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva


5 de agosto de 2016 – Terça-feira, o juiz Marcelo da Costa Bretas emitiu uma indecente sentença contra o vice-almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, cientista militar de 76 anos, que iniciou e supervisionou o desenvolvimento dos programas de pesquisas de ponta em ciência e tecnologia nuclear desde a década de 1970.
O almirante Othon foi diretor-executivo da Eletronuclear quando foi preso pela primeira vez, em julho de 2015, por acusações decorrentes da 16ª fase da Lava-Jato, ataque dos banqueiros patrocinados pelos britânicos e por Obama à nação brasileira, chamada Operação Radioatividade, por ter sido dirigida à indústria nuclear. Enquanto outros acusados capitularam à caça às bruxas judicial, o almirante negou as acusações e se recusou a aceitar a delação premiada.
Em dois anos, a Lava-Jato tirou a presidenta legítima do Brasil de seu cargo, paralisou e quase levou à bancarrota a Petrobrás e todas as empreiteiras importantes do país, levando para a prisão seus maiores líderes, tanto civis como militares, sob o pretexto de “combater a corrupção”. Mas a sentença contra o Almirante Othon é muitas décadas superior a qualquer outra emitida contra as vítimas da Lava-Jato. Sua filha, que trabalhou com ele na indústria nuclear, foi condenada a 14 anos e 10 meses de prisão, sob a mesma alegação de corrupção.
Em todos os campos, o almirante Othon foi um dos líderes mais criativos e audaciosos nas últimas quatro décadas. Em 1974, com a idade de 35 anos e capitão da Marinha, pediu a seus superiores para ser enviado ao MIT para estudar engenharia nuclear, uma área que ele não tinha nenhum conhecimento anterior. O Brasil começou a construir sua primeira planta nuclear em 1972, mas ficou sujeita a ataques e obstruções pelos anglo-americanos à sua indústria nuclear desde o início. Quando Pinheiro retornou de seus estudos em 1978, ficou conhecido como “aquele maluco” por sua defesa da necessidade do Brasil dominar o ciclo completo da energia nuclear, e desenvolver sua própria tecnologia de enriquecimento de urânio para assegurar sua indústria nuclear. Ele convenceu seus superiores do projeto e estabeleceu as bases do programa de criação da centrífuga brasileira de enriquecimento de urânio. Foi igualmente sua ideia desenvolver as capacidades autóctones da propulsão nuclear naval, isto é, um submarino nuclear. Ele convenceu o governo brasileiro a lhe dar um salvo-conduto e foi em frente, liderando sua execução. O programa nuclear naval criado por ele tem sido até hoje a espinha dorsal da indústria nuclear civil brasileira.
A sentença para que mofe na cadeia emitida contra o almirante foi por acusações que variam de lavagem de dinheiro, obstrução da justiça, até a participação em “associação criminal” por supostamente receber 1.2 milhões em propina para a construção da usina nuclear Angra-3. A força-tarefa da Lava-Jato diz que os crimes do almirante Othon são particularmente abomináveis por ele ter mantido contato com a diretoria da Eletrobrás.
Haverá uma trégua. O proeminente jornalista, nacionalista, Mauro Santayna, escreveu hoje em artigo publicado no Jornal do Brasil, que em qualquer país são, o almirante Othon Pinheiro, “um dos melhores cientistas brasileiros” – ganhador em 1994 da Grande Cruz do Mérito Científico Nacional, entre outros prêmios –, seria considerado com honra. Referenciando antigos incidentes, quando a CIA foi pega plantando um espião ao lado do apartamento do almirante, Santayana escreveu que o mesmo “poder estrangeiro” que fez isso está por detrás dos julgamentos da Lava-Jato. Mas ele alertou que o julgamento da história chegará e diz que “como a maioria dos patriotas, nacionalistas, legalistas e constitucionalistas, os militares brasileiros tem tolerado com um digno silêncio (...) as ameaças que, como abutres, pairam sobre os numerosos projetos de defesa iniciados na última década, e contra as companhias responsáveis por eles (...) em nome da hipócrita pseudo-batalha contra a corrupção”.

Sobre o autor

Rogério Mattos: professor, escritor e petralha de plantão

0 comentários:

Licença Creative Commons
O Abertinho de Rogério Reis Carvalho Mattos está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em http://oabertinho.blogspot.com/.
Podem estar disponíveis autorizações adicionais às concedidas no âmbito desta licença em http://oabertinho.blogspot.com.br.