Ah, você sabe quem é o Roosevelt! Mas nunca ouviu falar da lei Glass-Steagall? Sei...

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Hamilton não era pernambucano, mas também foi Federalista

Roosevelt ficou conhecido por suas medidas econômicas que fizeram reverter a até então maior crise financeira da história, a de 1929. Associaram e ainda associam a relevância de tais medidas a uma suposta influência keynesiana, ou seja, de intervenção estatal na economia e de medidas monetárias expansionistas. Contudo, o afluxo de crédito na produção e a intervenção estatal são modelos anteriores a Keynes, e foi o modelo, conhecido como sistema protecionista, que guiou os Estados Unidos e logo depois a Alemanha, nos dois casos de maior sucesso no processo de industrialização no século XIX. O chamado Segundo Banco dos EUA, dirigido por Nicolas Biddle, por exemplo, seguindo as diretrizes hamiltonianas, foi o responsável pela criação de crédito para a economia física (chamada por alguns de economia real), dentro de um panorama de política econômica que limitava não só as importações, mas também as exportações, no intuito de diminuir a influência das moedas estrangeiras no mercado interno; no caso, a guerra econômica contra a Inglaterra, contra o ouro inglês, visto como inflacionário e anti-produtivo, já que era usado para pagamentos imediatos (fora do sistema de crédito) ou para a poupança que, na época, não utilizava em escala minimamente relevante o ouro como lastro para a liquidez do sistema bancário. Ou seja, poupança, ao contrário da leitura econômica mais tradicional, não significava segurança bancária nem oferta de crédito. Foi a utilização desse sistema econômico que fez os EUA, mesmo com muito menos ouro do que o Brasil, por exemplo (como mostra, por exemplo, Jorge Caldeira em seu livro A nação mercantilista), guiar o maior processo de industrialização jamais visto até então, logo depois seguido pela Alemanha de Bismarck, admirador de List e dos irmãos Carey.


É curioso o debate historiográfico feito no Brasil segundo o qual as ideias políticas no Império se equilibravam entre a admiração pelo parlamentarismo britânico e a monarquia constitucional francesa. É um erro crasso da historiografia saquarema, como sempre alerta Evaldo Cabral de Mello, ter sempre em vista os modelos imperialistas, centralizadores, de face mais ou menos moderna, como se fora desses esquemas rígidos não houvessem possibilidades para o nascimento de um país. Foi a monarquia a responsável por manter a coesão durante o processo de Independência, foi o Poder Moderador o responsável pela "pacificação" das revoltas do período regencial, etc. Mas, se José Murilo de Carvalho entendesse alguma coisa de nordeste, de Pernambuco em particular, ou de América espanhola de um modo geral, dos projetos dos Libertadores, não procuraria, sempre sem sucesso, onde está o povo no Brasil. Talvez não seja nenhuma violência afirmar que o ilustre historiador ainda hoje não tenha encontrado tal entidade, o povo no Brasil, por mais incrível que pareça uma afirmativa dessas. A questão dos "insurgentes" pernambucanos, como a dos "bolivarianos" daquele século (como essa palavra faz rir!), como é óbvio, não era nenhum modelo oligárquico europeu, mas a constituição dos norte-americanos num país em bases federativas, o que era o projeto de maior autonomia defendidos pelos progressistas de então, no Brasil, e na América espanhola, o projeto de quem lutava contra a política imperial de "dividir para governar". O que se entende por liberalismo ou os "liberais" do século XIX tem que se distinguir da luta contra o sistema de livre-comércio, fundamentalmente das lutas dentro dos EUA. Não era o modelo britânico, como é óbvio, que os liberais pernambucanos desejavam. Estavam mais próximos do modelo federativo norte-americano, que está a léguas, em seus fundamentos econômicos, sociais e políticos, do que apregoavam os defensores de Adam Smith. Quantos séculos de evolução histórica separa o liberalismo de um Visconde de Cairu da concepção de liberdade de um Frei Caneca?

O que tudo isso tem a ver com a lei Glass-Steagall de Franklin Roosevelt? Menos do que uma inspiração keynesiana, as medidas tomadas pelo popular presidente foram baseadas na tradição do sistema americano de economia política. A lei basicamente separou os bancos privados voltados à especulação dos bancos de investimento. Ela somente foi revogada no governo de Bill Clinton, o que aprofundou ainda mais a desregulação do mercado financeiro, se tornando uma das causas diretas da atual crise econômica internacional. Junto a Glass-Steagall, Roosevelt instituiu a Comissão Pecora. responsável pela parte judicial, criminal, dos descalabros financeiros cometidos durante a década de 1920. Por outro lado, criou projetos como o TVA (Tennessee Valley Authority) que foram os de intervenção estatal propriamente dita na economia, ou seja, diretrizes guiadas pelo Estado para impulsionar diretamente o crescimento econômico. O Roosevelt keynesiano talvez não corresponda precisamente à figura histórica do presidente. Caso se tenha em vista, por exemplo, as chamadas medidas de expansão monetária atuais, como o Quantitative Easing, se vê que se trata mais de uma transferência de riqueza para o sistema não produtivo do que o incremento da economia física. Faz-se tudo para salvar os bancos "grandes demais para falir", enquanto o sistema econômico transatlântico mergulha mais e mais em recessão.

A luta contra o império, contra seu sistema de livre comércio, de criação de zonas de genocídio, com pobreza, fome e doenças em massa, foi o que uniu Vargas a Roosevelt. Fica mais claro através da historiografia desse período a ligação do Brasil com o sistema protecionista, nacionalista, de economia, exemplificado pela presidência de FDR. Quando o ex-presidente Lula foi buscar recursos para lidar com a crise que explodiu em 2008, foi a Roosevelt que recorreu. Em 2010 tivemos 7% de crescimento do PIB, apesar de todas as críticas dos teóricos "anti-marola". A Operação Lava-Jato, a manipulação do clima e dos preços do petróleo e das commodities, a aliança do judiciário brasileiro com o americano, fazem parte do arsenal de guerra montado, junto às revoluções coloridas iniciadas em 2013, pelo império para derrubar o governo livre i independente do Brasil, ruir por dentro a aliança BRICS, ou seja, um projeto para um novo desenvolvimento econômico, e fazer voltarmos ao velho Brasil, o dos senhores de engenho, que a cada dia prometem e cumprem mais e mais descalabros contra a população.

Essa publicação vem junto de outros trabalhos meus já expostos nesse blog e que foram realizados junto a Executive Intelligence Review, revista norte-americana que une ativistas políticos responsáveis hoje pela reintrodução do projeto de lei para restaurar a lei Glass-Steagall, e que segue em pauta no Congresso dos EUA. Os posts, por exemplo, sobre a Nova Rota da Seda e a Ponte Terrestre Mundial são exemplos do que um novo sistema econômico, um novo paradigma político, pode trazer para a humanidade, longe das bases do monetarismo dos livre-mercadistas, imperialistas. Mais importante, ao lado das duas publicações feitas por mim até agora a respeito do Instituto Tavistock de engenharia social e do programa Octopus, protótipo dos projetos de mineração de dados e vigilância total a partir da internet, ou seja, sobre a manipulação midiática de um modo geral, essa nova publicação, seguindo na esteira da discussão que iniciamos sobre a questão da dívida pública, é "dar pauta" ou subsídios para discussões relevantes, tendo em vista a grande mobilização feita até agora para se tirar crédito da política, de demonizá-la, ocorrida principalmente a partir de junho de 2013. A discussão relevante ou pauta, no caso, é sobre o tema da dívida pública no Brasil - tão pouco debatido frente ao monstro da "corrupção" -, o que nos leva necessariamente à discussão sobre a criação de uma economia voltada ao crédito, sem débitos passados a serem quitados e orientada à produção futura. O projeto de lei que segue a baixo foi a introdução do que agora é debatido nos EUA como a reinstauração da lei Glass-Steagall, e resume de maneira magistral o que foi o sistema protecionista, o sistema de crédito, criado por Alexander Hamilton. Foi publicado primeiramente no site em português da Executive Intelligence Review, traduzidos por mim, e agora republicado como arsenal para o debate mais amplo que sempre precisamos fazer, e que segue posteriormente aqui nesse blog.

Mais detalhes sobre o assunto podem ser encontrados em inglês no lpac.com através desse link (sobre Glass-Steagall) e desse (sobre o sistema de crédito).


PROJETO DE LEI PARA RESTAURAR O BANCO DOS ESTADOS UNIDOS ORIGINAL

Introdução ao Projeto de Lei

Somente em curtos períodos da história dos Estados Unidos o governo usou seus poderes para criar uma economia que funcionasse de acordo com o ritmo intrínseco de crescimento, unindo a economia física ao sistema financeiro, e assim permitir que o desenvolvimento nacional seja guiado pela intenção da produtividade futura. Somente em curtos períodos – em 1789–1801, 1823–1830, 1861–1869 e 1933-1944 – quando a economia foi conduzida sob a orientação de uma política de sistema de crédito -, foi a economia norte-americana dirigida propriamente de acordo com os desígnios da Constituição.
Em todos os outros períodos, o desenvolvimento nacional foi interna e externamente atacado, e a política norte-americana subvertida pelo monetarismo. Em cada período mencionado, o sistema de crédito dos Estados Unidos foi o meio pelo qual se rompeu com esse controle, e foi por onde se expandiu e desenvolveu os Estados Unidos e outras nações. Foi precisamente o sucesso brilhante e a efetividade do sistema de crédito norte-americano que o tornou alvo de ataques e dissimulações.
O monetarismo constantemente olha para trás, com o anseio de monetizar os resultados da produção passada, ao invés de criar novas riquezas. O sistema de crédito se baseia na confiança no futuro. Ao invés de depender da produção passada ou estocar os bens, cria riquezas ao atar a futura realização dos projetos, e a produção de bens e manufaturas, à promessa original. A moeda do monetarismo é formada pela reconversão dos bens presentes em dinheiro. No sistema de crédito, ao invés dos produtos do crescimento, o crescimento em si mesmo é a moeda.
O monetarismo vê o débito como um fardo a ser deposto, e exige seu pagamento no presente, sem se importar com os custos futuros e os desperdícios do passado. Dentro do sistema de crédito, os débitos não são objetos auto-evidentes; a ação que gera valor através do processo de sua extinção é incluída em sua criação.
O monetarismo mede todo o valor pelo capital e trabalho, e dá ao dinheiro um valor auto-evidente. No sistema de crédito, a medida de valor não é o capital ou o dinheiro, mas os poderes mentais que desenvolvem os poderes produtivos do trabalho, os quais, por sua vez, ampliam o rendimento da produtividade, aumentando assim o valor dos bens, do trabalho, e do capital. Consequentemente, a produtividade é a medida de valor do capital. Com o aumento da produtividade, o custo da produção diminui, e o valor da moeda aumenta.
O dinheiro pode ser convertido em capital e em bens, mas o crédito, embora em si não seja capital, amplia a eficiência do capital. O crédito faz com que a mesma quantidade de capital ou trabalho seja mais eficiente e produtiva, e é a causa que acelera a criação de riquezas, com um potencial que o torna envolvente em toda produção existente de capital em todos os tempos, e que o coloca em ação. O valor das economias nacionais é, portanto, definido pela organização das relações entre o capital atual e o potencial promovido através do  crédito.
Assim, o sistema de crédito vê a economia em sua totalidade como um sistema produtivo, e seu desejo fundamental é desenvolver amplamente a máxima eficiência e os poderes produtivos do trabalho através do investimento no progresso tecnológico. Isso é expresso na forma de uma concordância entre as leis dos representantes do povo, e o desenvolvimento dos recursos e da indústria desse povo, definindo um paradigma por fora dos axiomas impostos e das regras do monetarismo.
Nas páginas seguintes, os princípios-chave do sistema creditício norte-americano serão demonstrados historicamente, e assim obteremos mais uma vez o entendimento necessário a sua correta administração.

O estabelecimento por Hamilton de um Estados Unidos próspero

O sistema de crédito norte-americano não é uma característica opcional ou um complemento à Constituição. A necessidade de se organizar um sistema de crédito foi a causa motriz da criação da Constituição.
A soberania ganha com a Declaração de Independência deu ao Congresso a autoridade implícita para controlar as interações comerciais com outras nações para beneficiar a indústria doméstica, para criar a uniformização da moeda entre os estados, para manter o crédito governamental ao assumir todos os poderes requeridos para a administração efetiva das finanças, e fazer dos estados uma só economia, unificada. Contudo, foi o ato corajoso e imortal de Hamilton o exercício desses poderes implícitos.
Durante a guerra, o Banco da América do Norte, formado por Robert Morris, Alexander Hamilton e Benjamin Franklin, criou uma moeda alternativa aos depreciados continentais, e crédito ao governo para assegurar a vitória nos anos 1781–1783. Mas, a falta de união não proveu ao banco financiamento próprio como meio para unir os estados e financiar o débito público. O grande período de bancarrota antes e depois da Guerra Revolucionária levou Robert Morris, Alexander Hamilton, James Wilson, GouverneurMorris, Benjamin Franklin, George Washington e outros fundadores, a compartilhar um compromisso: Foi requerida a criação de uma nova constituição fundada de acordo com a Declaração, com força suficiente, aprovada pelo povo ao invés de imposta por uma confederação de estados soberanos.
A União foi bem sucedida em sua formação somente pela conversão de Hamilton dos débitos monetários e da moeda monetizada numa moeda creditícia, atando o futuro da nação ao sucesso de todos os estados, transladando a ação de extinguir os débitos para dentro da própria moeda. A intenção de se produzir bens a partir dos débitos definiu a moeda, a economia se tornou a condutora da construção da nação, e os interesses da nação foram fundidos com os do Banco e sua moeda. A moeda não era abstrata. Adicionalmente, a criação de um novo banco, na mesma ação que financiou os débitos através de seus poderes de proteger e encorajar as manufaturas, obtida com a primeira lei do Congresso, criou um sistema financeiro atado diretamente ao sucesso da indústria norte-americana e ao melhoramento interno, assim como o valor e o financiamento dos débitos públicos.
Através dessas medidas, Hamilton foi bem sucedido em transferir os Estados Unidos de um sistema monetário para um sistema de crédito, tendo como a essência do princípio de crédito, não o conflito entre a emissão de notas pelo governo versus o padrão ouro ou prata, mas a unificação dos poderes econômicos por sobre a moeda, de tal modo que esta se torne o reflexo do crescimento futuro.
A característica fundamental do Banco dos Estados Unidos foi ser uma instituição de empréstimos sem intermediários para o crescimento econômico, determinando as diretrizes reguladoras da economia – não concedendo ou descontando empréstimos mediados pelos interesses dos bancos comerciais que operam de acordo com fórmulas matemáticas sobre o quanto uma economia deve crescer de acordo com a lei da oferta e da demanda. Foi uma instituição estabelecia por lei não separada do resto da economia, mas como sua comandante. Isso promoveu a ligação do âmbito econômico direitamente aos bancos comerciais e os interesses dos investidores da indústria e dos comerciantes.
Ao financiar o débito nacional através dos impostos domésticos, das taxas de importação e por outros poderes do Congresso, o débito se tornou a base para uma moeda de crédito bancario e de notas bancárias circulando sobre o crédito desses débitos financiados, que constituiu a maior parte do estoque de capital do Banco. Vários certificados de débitos emitidos durante a guerra eram relançados como uma representação do novo poder de ação do governo, enquanto as agências do Banco aceitavam os novos certificados de débito como depósitos e emprestavam se creditando nas expectativas de expansão da manufatura e da indústria. A provisão para financiar o débito dos Estados Unidos colocou em circulação uma enorme quantidade de capital, dando vida e ânimo aos negócios.
Em 1791, Hamilton escreveu ao Congresso sobre os efeitos desse sistema em seu Relatório sobre as manufaturas:
Com o dinheiro público em um estado sólido e consistente, um homem que possuir uma soma dele poderá abraçar qualquer esquema de negócios com tanta confiança quanto se possuísse soma igual em moeda. Essa operação de financiamento público como capital é muito óbvia para ser negada... Contudo, um débito financiado não é, em primeira instância, um aumento absoluto de Capital ou uma elevação da riqueza real; mas, ao servir como um novo poder de operação da indústria, isso possui, dentro de certos limites, uma tendência para aumentar as riquezas reais de uma comunidade.
Sob Hamilton, o dinheiro tornou-se subserviente ao crédito e a moeda em circulação estava quase em sua totalidade atada ao valor futuro do débito financiado. O ouro e a prata caíram por terra e as pessoas preferiram usar crédito – as notas do banco nacional e as notas de outros bancos estatais que entraram em cena para facilitar o crescimento das regiões interioranas. O dinheiro enquanto tal, definido como ouro e prata, era uma mera fração do pagamento contável, e, ao desenvolver-se o sistema bancário, o ouro e a prata foram relegados a 0,01% de todos os pagamentos feitos no comércio e na indústria, e a 1% de todas as transações.
A moeda hamiltoniana baseada no crédito pôs em ação o capital ativo do país. Refletindo sobre o sistema que ele construiu, escreveu no final de seu Relatório sobre o Crédito Público, de 1795:
O crédito público (...) está entre os melhores mecanismos para promoveras empresas úteis e ao aprimoramento interno. Como um substituto do capital é um pouco menos útil que o ouro ou a prata, na agricultura, no comércio, nas manufaturas e nas artes mecânicas... Um homem deseja tomar posse e cultivar um pedaço de terra; ele compra em crédito e, com o tempo, paga a soma adquirida com a produção do solo aperfeiçoada pelo seu trabalho. Outro monta um comércio; com um crédito baseado no seu bom caráter, ele procura, e frequentemente encontra, os meios de se tornar, com o tempo, um rico comerciante. Um terceiro começa um negócio como artesão ou industrial, com habilidade, porém sem dinheiro. É através do crédito que ele procura as ferramentas, os materiais, e mesmo ajuda para suas necessidades básicas, até que sua indústria o tenha abastecido de capital; e ainda assim consegue, com um crédito certo e crescente, os meios para expandir seus empreendimentos.
Devidamente compreendido, o propósito da política de Hamilton não era monetário, mas industrial e científico. Hamilton via a moeda não como a riqueza em si mesma, mas como a responsabilidade constitucional do governo em facilitar a criatividade científica e o espírito empreendedor. Em seu Relatório sobre as Manufaturas, Hamilton estabeleceu os princípios essenciais da economia como um sistema físico de produtividade. A medida primária de valor não é o capital, mas os poderes mentais que aumentam os poderes produtivos do trabalho, e assim aumentam o valor do capital através do incremento da produção e da produtividade.
O sistema de crédito assim formado torna maiores o engenho humano  e os meios pelos quais os cidadãos podem promover o bem estar público e o próprio. O objetivo inerente ao sistema de crédito não é produzir com o propósito de conseguir dinheiro, mas obter crédito como um meio de aumentar os poderes do trabalho. Inovações e invenções inéditas aumentam o lucro dos empréstimos: eles não são mecânicos. Além do mais, as inovações aumentam a produtividade da economia. O ato de Hamilton de transformar os débitos monetários em débitos creditícios tornou mais valioso o crescimento da economia, do que se todos os débitos monetários tivessem sido perdoados.
Robert Hare, economista hamiltoniano, escreveu em 1810:
Sob um sistema legal rigoroso (...) o crédito (...) é preferível ao dinheiro. O homem que desfruta de um, tem quase a mesma facilidade do que o outro possui na compra de materiais para o comércio ou para a manufatura. Mas o estímulo para o trabalho e o esforço é bem diferente nos dois casos. O artesão que tiver uma centena de dólares pode viver sem trabalhar até que o dinheiro acabe. Ele pode gastar tudo ou uma parte no que lhe apraz ou no seu sustento, e pode trabalhar proporcionalmente menos. Mas o artesão que se empenhar com um crédito no valor de umas centenas de dólares, tem quase a mesma capacidade de ganhar dinheiro do outro; mas, não terá o privilégio de se manter na ociosidade ou na dissipação. Só terá utilidade para ele através do trabalho.
Propenso,  como toda riqueza substancial e hereditária, a desaparecer em canais antes amplos do que numerosos, o fluxo de metais preciosos que passa em largos cursos pelo país, são gastos na mesma medida em que entram, contribuindo mais para a magnificência particular do que para a fertilidade geral; enquanto o crédito, brotando de inúmeros riachos auto-criados, difunde uma influência fertilizante ao longo de cada região[1].

É essencial compreender que o sistema de crédito norte-americano não é meramente uma moeda bem regulamentada onde o crédito é disponibilizado através dos bancos, mas é uma organização total da economia pela mente que se direciona ao crescimento. Isso é visto em toda a inconfundível política que compõe os relatórios de Hamilton sobre o crédito público, especialmente em sua última análise feita em 1795[2]. A administração do Tesouro por Hamilton mostra uma devoção sem fim ao manejo das finanças, de acordo com essa linha mestra: que o resultado de qualquer pagamento de dívidas, de novas leis do congresso e gastos gerais deve levar a um aumento da produtividade. O balanço de pagamento dos débitos coordenado através do Banco foi continuamente organizado de acordo com o princípio de manter uma reserva de excedentes e receitas para o incremento do crescimento econômico. De acordo com a primeira lei do Congresso que segue seu primeiro Relatório sobre o Crédito Público, nenhuma dívida do governo deve ser manejada como se fosse auto-evidente, como um débito monetário, mas era atrelada a renda futura relacionada ao aumento da produtividade, através de uma economia regulada e facilitada pelo Banco.
Com Thomas Jefferson e o Secretário do Tesouro, Albert Gallatin, de 1801 em diante, a economia passou a operar explicitamente em oposição ao sistema de Hamilton; como antes da Constituição, a economia norte-americana se transformou num pivô dos interesses estrangeiros.
Gallatin se tornou o maior opositor doméstico da administração de Hamilton do orçamento federal voltado ao crescimento produtivo e da utilização da dívida como instrumento do crédito público. Ele se opôs, de modo geral, ao programa inteiro, tendo votado contra a Constituição em 1789 e as demandas do Artigo I, Seção VIII, que estabeleceu a soberania econômica frente ao Império Britânico. Gallatin mudou radicalmente a política do Departamento do Tesouro e suas relações com o Banco, direcionando os excedentes do crescimento econômico para o passado e o presente, liquidando a dívida nacional tão rápido quanto possível. O produto do sistema bancário e o aumento dos rendimentos nacionais advindos da produtividade, que só foram possíveis com os hábeis arranjos de Hamilton, foram relegados rumo a extinção imediata da dívida, desamarrando os nós que prendiam a economia ao futuro.
Portanto, embora o Banco dos Estados Unidos ainda existisse, não existia mais o sistema de crédito norte-americano. Em meio ao sistemático declínio geral da produtividade desta maneira gerado, uma característica marcante foi a depleção da Marinha e sua não-existência virtual no período que antecedeu a guerra de 1812[3]. O governo de Jefferson lançou as bases para a mais radical “máquina simples” de governo da era Jackson, que finalmente acabou por completo com o sistema de Hamilton, num processo facilitado por Aaron Burr, John Randolph e outros, manietando a economia aos axiomas arbitrários do monetarismo e aos interesses da Companhia das Índias Orientais Britânica[4].

A restauração do sistema de Hamilton por Mathew Carey

Sob a liderança de um dos nossos maiores homens, Mathew Carey – o protegido de Benjamin Franklin que dominou os princípios de economia do Relatório sobre as Manufaturas, de Hamilton – uma equipe foi criada para restaurar a economia hamiltoniana, da qual fez parte a criação de um novo Banco dos Estados Unidos, sob James Madison[5]. Contudo, a existência solitária dum Banco dos Estados Unidos não equivale a um sistema de crédito nacional, e o restabelecimento do sistema de Hamilton só teve sucesso por causa da direção do Banco pelo hamiltoniano Nicholas Biddle. Começando em 1823 e funcionando sob a liderança de Mathew Carey, Biddle restaurou uma moeda nacional livre  dos efeitos da especulação resultante da destruição do sistema de Hamilton[6].
Assim como com Hamilton, de 1823 em diante o sistema foi manuseado para fazer contratos de crédito, em vez de liquidar a riqueza para o presente. O princípio de Biddle foi manter as operações dentro do calendário do sistema de crédito, ao invés de permitir um excesso de demanda para pagamento imediato, em particular o pagamento imediato em dinheiro. Isso permitiu que excedentes produtivos de todas as partes fossem constantemente absorvidos dentro do crescimento futuro e do investimento produtivo, expressos pela grande quantidade de crédito, não como uma riqueza inútil para o mero aumento do consumo, ou seja, a desgraça do dinheiro. A economia doméstica estava apta a crescer em relação aos seus poderes produtivos, ao invés de por controles artificiais.
O valor da moeda foi determinado pelas taxas crescentes de produção, e o incentivo e a segurança dos investimentos na expansão da produção posteriormente consolidou o crédito. Quanto mais as terras agriculturáveis foram desenvolvidas, quanto mais bens manufaturados foram introduzidos, e quanto mais redes de transporte para os produtos e carvão para as instalações fabris foram concluídas, aumentou em proporção a quantia de crédito bancário que podia seguramente ser posta em circulação através de empréstimos e descontos, dobrando e triplicando durante toda aquela década. A moeda guardava uma relação adequada  aos negócios e aos intercâmbios reais, sendo emitida apenas para aqueles cujo crédito o capacitavam a isso, aumentando com as necessidades das operações ativas da sociedade, e diminuindo uma vez que estas diminuíssem para uma relativa inatividade. A moeda do Banco era firmemente baseada no setor produtivo e seu valor aumentava enquanto os custos da produção diminuíam.
Esse foi o princípio essencial do crédito de papel, em oposição a moeda de papel, desde que nenhuma moeda é subsistente caso não una os recursos e o crescimento da economia real com o seu estabelecimento e circulação. Em contraste, as moedas baixo decreto dos bancos centrais, como no presente, tornam-se ferramentas para a subversão da soberania nacional, em vez do progresso nacional.
Com uma capacidade assentada para dirigir e coordenar as interações do incremento da produção baseadas na auto-finalização do crédito, quase todo o empreendimento válido foi incentivado através dos créditos do Banco dos Estados Unidos, em coordenação com os governos estaduais e federal, à condição que ficasse dentro dos meios de uma moeda regulamentada. Dentro de poucos anos após a reorganização do Banco por Biddle, a confiança da população de que agora o Banco dos Estados Unidos iria ser o meio pelo qual iria se depender os investimentos econômicos, deu o impulso empreendedor que levou a grande expansão dos canais e da indústria. Exércitos de homens industriosos e capazes, sem capital suficiente ao princípio para dar suporte ao seu empreendimento, foram encorajados a iniciar suas operações como comerciantes, produtores e agricultores, apoiando-se sobre o sistema de crédito. Foi somente por causa dessa confiança renovada que novas terras foram exploradas de modo tão rápido, as manufaturas aumentaram com tal espírito, e novos projetos de canais foram construídos com tamanho alcance.
Com o crescimento do sistema de crédito, cada vez menos pagamentos eram liquidados com dinheiro. Como diz a máxima de Hamilton para o crédito público, a criação de uma dívida deve ser sempre acompanhada dos seus meios de extinção, logo em todos os bancos comerciais sob o Banco dos Estados Unidos, o mesmo princípio foi cada vez mais aplicado: que nenhum débito auto-evidente seja criado, mas que acordos de crédito que assegurem a circulação sejam retornados pelos devedores dos bancos a uma taxa igual aquela de sua emissão.
Sob o funcionamento apropriado do sistema de crédito, o significado do débito foi transformado. A dívida dos agricultores era paga pela produção da safra seguinte; o débito dos comerciantes era pago através das vendas subsequentes; e, numa escala maior, o endividamento dos estados por causa de obras de infraestrutura era pago com o desenvolvimento futuro das indústrias. A dívida criada para melhorias internas e as dívidas pessoais na agricultura e na indústria, eram simples partes do crescimento econômico sob um sistema de crédito. Os estados que incorreram em largos débitos para a construção de canais e estradas, planejavam o desenvolvimento de indústrias de ferro e carvão, e novas rotas de transporte para os produtos de novas terras. Essas novas terras e indústrias recentemente desenvolvidas ao longo das rotas de infraestrutura aumentaram os rendimentos em dez vezes sobre o valor inicialmente investido.

A imposição do monetarismo

Depois da experiência bem sucedida do sistema de crédito hamiltoniano sob o segundo Banco dos Estados Unidos, os únicos que desejavam um tipo radical de laissez-faire nos bancos e no comércio eram os agentes britânicos, ou os seus fiéis nos negócios e no comércio, e não a indústria nacional. Isso não era uma diferença honesta de visão ou opinião sobre a Constituição.
Os controladores de Andrew Jackson intencionalmente destruíram o sistema de crédito, e os princípios básicos da produtividade física foram trocados por teorias partidárias de uma moeda baseada em metal a fim de justificar a drástica redução na circulação[7]. O ouro e a prata foram designados como as únicas riquezas que a população deveria procurar; a produtividade não era mais considerada uma medida de valor; e foi pregado que a nação como uma só economia não era um ponto de referência válido. A propriedade individual e a “liberdade” dos ricos donos das terras e dos  escravos foram declaradas sagradas. A falácia das “leis de mercado” foi imposta, suplantando o bem comum. O governo de Martin Van Buren exigiu que os débitos fossem pagos no presente, sem o importar o quanto custasse no futuro, e jogasse no lixo o passado. Acordos de crédito válidos foram acusados de perdulários e de causarem a crise, a qual de fato foi criada intencionalmente pelos controladores do governo de Jackson, e subsequentemente foram substituídos por austeridade como um meio de apaziguar o “mercado”.
Sob a imposição do sistema monetário, os débitos são vistos no presente,  com uma quantia abstrata de débitos e dinheiro considerada “própria” ao mercado, de acordo com a falsa doutrina de que o mercado gerará por si mesmo a oferta e procura apropriadas a produção, sem um programa de desenvolvimento nacional.
A moeda com curso legal emitida por Abraham Lincoln circulou com a mesma hipótese fundamental como a moeda do Banco dos Estados Unidos. Novamente, no governo de Andrew Johnson, o secretário do Tesouro Hugh McCulloch, trabalhando junto ao desertor do governo de Lincoln e agente britânico David Wells, reduziu artificialmente a moeda de curso legal de Lincoln em oposição as capacidades e necessidades reais das indústrias. Repetindo exatamente os clamores de Jackson e Van Buren, McCulloch e seus seguidores no governo de Ulysses S. Grant, disseram que os “excessos de produção” do “mercado” causaram a crise, e que a economia anterior tinha se excedido. A economia foi então sacrificada no altar do monetarismo[8].
Tais contradições e crises, da época e posteriores, como as da década de 1870, de novo após McKinley, de novo durante 1929-1932, de novo, e de novo, e de novo, foram causadas pela destruição intencional da economia industrial e do sistema de crédito a ela associada. A cada vez, métodos sofísticos assemelhados à fingida inocência de Jackson e Van Buren, foram usados para alegar outras causas.

O bem estar geral e a Declaração de Independência

Contrário ao mito de Andrew Jackson, o sistema de crédito do Banco dos Estados Unidos quebrou a aristocracia da riqueza, disponibilizando o capital ocioso para empréstimos e descontos, rentáveis ​​para todas as partes. O sistema de crédito do Banco dos Estados Unidos significava que qualquer cidadão poderia competir com um rico capitalista; era direito de qualquer um com espírito empreendedor receber os meios para aumentar a produtividade.
A Declaração de Independência demandava o sistema de crédito de Hamilton, por ser a intenção dos direitos inalienáveis que o homem qualificado para atividades comerciais pode investir sobre o capital obtido com juros; o homem com habilidade nas artes manufatureiras deve ter esse escopo dado ao seu empreendimento e usufruto, em que a confiança estabelecida entre ele e quem empresta o dinheiro seja tão bem calculada que dê certo; o agricultor deve se empenhar para se tornar dono do próprio solo que cultiva através de uma compra de crédito, dependendo da produção do seu trabalho para quitar sua dívida.
Garantir direitos iguais não é somente prover uma rede de garantias. Não é igual a distribuir dinheiro. Direitos iguais significam a capacidade para contribuir para a produtividade nacional,  e, portanto, o direito de se endividar para esse propósito.
O governo não pode criar diretamente riqueza ao imprimir e cunhar dinheiro, porque a riqueza é propriamente medida pela produtividade da economia. Mas um governo que age com soberania pode criar uma instituição central que regule os meios de troca de crédito para a produção econômica. A responsabilidade, o dever, e a autoridade dos representantes eleitos é providenciar uma visão para o país – não para controlar todas as operações, mas para dirigir a locomotiva do Estado em direção à prosperidade nacional. Através do sistema de crédito de Hamilton, o governo cumpre assim sua responsabilidade, ao criar os meios para habilitar o direito.
Com o direito, o espírito empreendedor se anima através dos acordos de crédito. Um número crescente de todas as transações se tornam baseadas no modo de pagamento do sistema de crédito, assim como a liberdade e a segurança das propriedades individuais se tornam ainda mais firmes. Desde que a conduta do trabalhador garante sua capacidade de obter o auxílio do capital, tornando o seu trabalho mais produtivo e melhor sua condição, há um número cada vez maior de incentivos para os norte-americanos para aplicar a sua propriedade produtiva em direção aos objetivos futuros. As características morais dos cidadãos são melhoradas, melhorando por sua vez a eficiência do crédito. Assim, a natureza moral da sociedade dá ao sistema de crédito seu poder.
Sem o sistema de crédito como entendido pelos fundadores da Constituição, os norte-americanos sempre sofreram com uma ironia: com a bandeira dos direitos iguais ondulando sobre suas cabeças, a exigência de se pagar nas bases da riqueza existente ou passada aprisiona o empreendedorismo, desativa a capacidade, e remove o direito de aumentar o poder do trabalho.
Como o economista do Sistema Americano, William Elder, escreveu, em 1871:

Uma sociedade sem um sistema de crédito é simplesmente selvagem. Uma economia comercial, cujo capital seja limitado a propriedade material, seria um despotismo da propriedade... tão morta quanta a insensata terra, onde toda a riqueza está na fixidez dos cristais, e tudo o que é comum, é tão incapaz quanto as rochas nas quais o ouro e a prata estão confinados.

As lições da década de 1930

Existe uma lição crucial a ser entendida da aproximação do governo de Franklin Roosevelt ao princípio de sistema de crédito do Banco dos Estados Unidos. Foi necessário ao governo de Roosevelt não meramente reorganizar os bancos, mas estabelecer um princípio de crédito que de outra forma não existia. Seu governo reorganizou os bancos não pelos bancos por si, mas para torná-los capazes de operar dentro do novo contexto de operação do princípio de crédito pelo qual ele estava visando, com um plano de “Bancos de Crédito para a Indústria”, que afinal se tornou a Corporação para Reconstrução Financeira (CRF). A lei de Avanços Industriais, de 1934, e as emendas subseqüentes do CRF e as políticas de crédito, foram uma promessa para o sucesso da recuperação industrial, frente as décadas de políticas econômicas falhas, levadas a cabo através da consolidação de Wall Street e do controle de Londres sobre a política dos EUA.
Entendido corretamente, os empréstimos diretos de Roosevelt para a indústria, começando em 1934, não tiveram a intenção de ser uma função especial adicionada a economia, mas como sua construtora, desde que a antiga economia tinha sido destruída pelas décadas precedentes, que substituiu a especulação pelos acordos de crédito em longo prazo para o avanço industrial. Ele criou um sistema de crédito funcional com uma quantia crescente do sistema financeiro ligado a economia, ao invés de ligado aos bancos, aos quais a Reserva Federal serviu.

O retorno ao banco original do sistema de crédito dos Estados Unidos

O sistema de crédito norte-americano é uma economia delimitada por taxas crescentes de produtividade facilitada pela concessão de créditos, no qual o resto do comércio tem um lugar secundário. É baseado numa moeda em circulação representando o valor futuro, que liga as intenções de longo prazo do governo à capacidade de levar a cabo essa intenção. Isso provê um meio suficiente para os pagamentos futuros, governado pela instituição-chefe do crédito.
A moeda do sistema de crédito permite a nação a alavancagem de capital baseado em quanto as trocas físicas podem suportar. A quantidade de moeda e crédito são reguladas por esse princípio crucial, não por qualquer fórmula matemática.
A política de crédito industrial pode errar, mas não poderá nunca se exceder – como nunca fez – sob a liderança dos economistas norte-americanos da tradição do Sistema Americano.
Essa lição deve ser aprendida agora ou a nação irá certamente perecer frente a falta de atenção as simples leis da produtividade, ou pela submissão a axiomas completamente estranhos ao nosso grande legado.
Nós somos uma nação destroçada. Sob Barack Obama, e em grande parte desde o presidente John Kennedy, as ações audazes para colocar a nação por cima dos interesses de Wall Stree e dos interesses estrangeiros e supranacionais, partiu dos salões do governo. O crédito impõe vigor, poder e autoridade. A falha em usar a autoridade do governo significará a derrota da nação. O que está em jogo não é uma questão de “limitação do governo” ou “excesso de governo”, não uma questão de Democratas ou Republicanos. O sistema de crédito é o uma questão da(de) prosperidade nacional.
Afortunadamente, os mitos do monetarismo têm sido completamente refutados incontáveis vezes por aqueles que estavam entre os nossos famosos economistas dos séculos XVIII e XIX, Benjamin Franklin, Alexander Hamilton, Mathew Carey, Daniel Raymond, Henry Carey, William Elder, Robert Ellis Thompson e Stephen Colwell. À condição que não se debatam as falsas quimeras, os advogados do sistema de crédito saem a campo e podem uma vez mais clamar por vitória. Se os reais patriotas se aliarem a esses grandes economistas, como Lyndon LaRouche fez, seus oponentes não encontrarão lugar para se manterem.
O governo deve reivindicar seus poderes para legislar a criação de um sistema financeiro que dê a todos os cidadãos o direito de fazer uso de seu espírito de empreendimento, um sistema de moedas que dê a cada cidadão a capacidade de aumentar sua produtividade e o direito de se endividar por isso.
O congresso repetidamente abdicou desse poder, mantendo o mito de Andrew Jackson. Esse mito foi destruído, o governo agora está livre para restaurar o Banco dos Estados Unidos original e o sistema de crédito hamiltoniano.




[1] Robert Hare, “Proofs that Credit As Money In a Truly Free Country is to a Great Extent Preferable to Coin” (Provas de que o Crédito como Dinheiro em um País Verdadeiramente Livre é em Grande Medida Preferível a Moeda), extraído de um panfleto escrito em 1810 e publicado em 1834.
[2] Alexander Hamilton, “Report on a Plan for the Further Support of Public Credit” (Relatório sobre um Plano de Suporte Adicional ao Crédito Público), 16 de janeiro de 1795.
[3] Gallatin diminui o endividamento público em 80% entre 1801-1812, mas em seguida, na realidade, aumentou-o em 180%, devido a condição da economia durante a guerra, ou a um aumento líquido de 60% em relação ao que deixou Hamilton.
[4] Michael Kirsch, “The Myth of Andrew Jackson Is Hereby Destroyed,” larouchepac.com/andrewjackson.
[5] Mathew Carey, “Essays on Political Economy; or The Most Certain Means of Promoting the Wealth, Powers, Resources, and Happiness of Nations”, (Ensaios sobre Política Econômica ou O meio mais certo de promover a riqueza, os poderes, os recursos naturais e a felicidade das nações)  Philadelphia 1822.
[6] Michael Kirsch, “The Credit System vs. Speculation: Nicholas Biddle and the 2nd Bank of the United States” (O Sistema de Crédito versus Especulação: Nicholas Biddle e o 2º Banco dos Estados Unidos) Executive Intelligence Review, 20 de julho de 2012.
[7] Michael Kirsch, Ibid., nota 4.
[8] W. Allen Salisbury, The Civil War and the American System, America’s Battle with Britain, 1860-1876 (1ª edição, 1978; 2ª edição, Washington, D.C.: EIR News Service, 1992).

Sobre o autor

Rogério Mattos: professor, escritor e petralha de plantão

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