Sobre a guerra que se aproxima 2 - Um Pearl Harbor cibernético

0
21:15:00
Os idiotas pensam que nazismo e guerra mundial é coisa de alemão...


A histeria que fez criar um novo tipo de macartismo, as perseguições a líderes progressistas na América do Sul e na Europa, a demonização da figura de Putin… São processos de longo curso, com muitas variáveis, mas que apontam para o perigo iminente de guerra. Eu pude escrever um texto relativamente longo sobre o assunto ainda no começo do ano passado (que pode ser acessado aqui). Com a eleição de Trump, por incrível que possa parecer à primeira vista, os rumores de guerra parecem ter diminuído. Sempre afirmou como algo positivo a reaproximação entre russos e americanos. O problema de você não ter nenhuma linha de diálogo entre os dois países é o que faz dizerem que podemos estar numa situação ainda pior do que durante a Crise dos Misses. Claro, a falta de diálogo associada a um aumento exponencial das tropas ocidentais na fronteira russa, mas também no Mar da China.

De um modo geral, não sabemos quais os limites da vontade de Trump de se aproximar dos Russos ou até que ponto pode resistir às pressões. O certo é que Obama mandou o U.S.S Carl Vinson, um submarino de alta capacidade nuclear, para o Pacífico. Chegará no Mar da China no dia da posse de Trump… Os neocons irão levar o mundo a esse precipício? Um nova guerra fria com certeza já está instalada, e “super quente”, até porque silenciosa - para quem nada quer ouvir. Como diz Giulietto Chiesa, "siamo in presenza di decisioni che la Nato sta prendendo nell'imminenza di un cambio di direzione politica degli Stati Uniti d'America: cioè, per dirla chiaramente, ci sono forze nella Nato e negli stessi Usa che tendono a predefinire le condizioni in cui dovrà agire il presidente Trump. E questo è molto, molto preoccupante''. A OTAN está por definir a política dos EUA e não o contrário. Os neocons, os ultras de todos os matizes, se utilizando do controle que detém sobre o aparato militar de maior envergadura no ocidente, podem prescindir de maiores controles sobre o poder executivo norte-americano e, por pressões, ou seja, por meios indiretos, e mesmo por ameaças diretas (como o destacamento de tropas e submarinos nucleares).

Chiesa ressalta que 2,5 mil tanques e outros transportes e materiais bélicos estão no que Stephen Cohen chama de Suwalki Gap, a fronteira milimétrica que separa os países dos Bálticos da fronteira russa. Só do lado americano, o grupo de brigada de tanques da quarta divisão do exército norte-americano conta com 3,5 mil efetivos, 87 tanques, 18 obuses autopropulsados Paladin, 144 veículos de combate de infantaria e mais de 400 veículos Humwee. E isso, claro, não deixa de ser estimativas conservadoras, por considerar apenas o que os EUA colocaram por si só - e isso apenas nos Bálticos.

No blog O Cafezinho, um panorama pouco digerível do tema: 
O fato é que essa situação pode levar a um confronto entre nações dotadas de um arsenal nuclear muito mais potente do que o usado pelos americanos em Hiroshima e Nagasaki. As mensagens de militares ocidentais de que a Rússia está se preparando para a guerra, ao mesmo tempo que a OTAN envia tropas para os Países Bálticos, na fronteira russa, mostra o nível de nervosismo entre os dois blocos. Rússia, China e Irã continuam sendo constantemente provocadas pelos americanos e pela OTAN, seja na Ucrânia, no Mar do Sul da China e na violação do espaço aéreo e marítimo iranianos.
O secretário de Defesa de Trump (o presidente imprevisível) é bem dúbio sobre o tema. Acusa Putin de tentar romper a OTAN. É uma afirmativa complicada para alguém que vai ocupar um cargo de tamanha importância. O que o presidente russo sempre destaca é que a OTAN não respeita a soberania dos países que não fazem parte da instituição. A multiplicação do aparato militar no oriente aponta para um nível de insegurança jurídica anterior aos do acordo de Ialta. Isso é muito grave, como se pode perceber. Mostra-se preocupado também com os supostos ataques cibernéticos russos contra os EUA. John Batchelor criou uma expressão bem interessante para a histeria coletiva criada com as acusações sem qualquer fundamento (não apresentam um mínimo de provas, somente a tosca afirmação de que Trump teria participado de uma orgia na Rússia e que os agentes desse país teriam fotos que usariam para chantagear o presidente eleito): a expressão é Cyber Pearl Harbor. Acho que por aí não temos mais nenhuma palavra a adicionar...

(vale a pena, nesse último link, ouvir o programa de John Batchelor com o professor Cohen)

Por incrível que pareça, seu coxinha ignorante, a segurança planetária, hoje, depende muito mais desses dois aí do que da camarilha no poder nos EUA e na UE.

É risível a acusação contra Trump. Se coisas como essa podem ter algum efeito, o que falar do Pizzagate?, algo completamente bizarro, ainda que não sem algum fundamento... Preocupante é o papel dos EUA, da Alemanha em dar apoio às tropas nos Bálticos, as mobilizações no Mar da China, a ridícula posição do ocidente pró-terrorismo (os chamados "rebeldes moderados", fora a criação ocidental do ISIS). Preocupante é a questão econômica (logo, social) que atravessa todo o ocidente, o chamado setor transatlântico da economia mundial. Bancos insolventes por toda a Europa. Ah!, mas vão dizer: esse é o caso da Itália, onde querem implantar o ball-in de maneira ostensiva (o uso da poupança e de pequenos e médios investimentos do cidadão médio para cobrir os gastos do setor financeiro com derivativos). A Itália é o caso número um de próxima saída do sistema euro, com bancos insolventes e com a população (como no último referendo) literalmente de saco cheio de mais medidas de austeridade. Com o fracasso grego não se estabilizou de maneira alguma os planos da Troika. A queda agora, caso a Itália siga em frente em sua espiral de crise, promete uma derrubada ainda maior ao status do eurogrupo, praticamente um golpe de morte nesse paradigma, que tentou forçar uma união política via união monetária, promovendo uma nova colonização das economias periféricas. A morte do euro parece já decretada. Falta marcar a data de seu tribunal (não podemos esquecer, nesse caso, do sepultamento de Michel Jackson: quanto tempo pode durar da morte física até à descida do caixão?, são esses o momentos que aguardamos).

Ver, para quem tiver maior interesse, o texto que traduzi de Helga Zepp-LaRouche (há alguns bons posts sobre a sr. Rota da Seda, como é chamada na China), um réquiem para a política dos tecnocratas atlanticistas. Podem clicar aqui.

Ver também o artigo detalhado da situação italiana escrito por Claudio Celani na última edição da Executive Intelligence Review. Podem clicar aqui.

O projeto da Nova Rota da Seda (um vídeo completo, de quase 30 minutos, brevemente será lançado por mim nesse blog, com as legendas). Por enquanto, indico o curto vídeo que legendei, mas bom o suficiente para entender quais alternativas temos contra as armas da geopolítica e ao caos e à histeria do neomacartismo que hoje os ultras, os neocons, tucanos e demais degenerados de toda as espécies estão lançando no mundo. Esse vídeo mostra, sob determinada perspectiva, o porque a segurança planetária (como disse na legenda da foto acima) está mais nas mãos de Putin e do presidente Xi do que dos bárbaros ocidentais.


Enquanto isso, a CIA adverte Trump das dificuldades que terá de enfrentar dentro dos EUA para normalizar as relações com a Rússia, talvez mesmo de criar novamente um canal formal de comunicação, esfacelado depois da vitória síria-Russa contra o ISIS. Na TV russa, a guerra é iminente. Podem criticar os russos por estarem reeditando comportamentos atávicos de sua cultura, vindos da época da guerra fria oficial, mas essa guerra fria não oficial é cada vez mais quente do que a de décadas atrás. Por que não estaríamos nos aproximando, com a retórica dos ultras cada vez mais virulenta (como aqui no Brasil com os consortes de Sérgio Moro), de um inverno nuclear? Quem tenha a capacidade suficiente que responda.

Para não dizer que não falei das flores, da alegria - na verdade do trágico-cômico da situação atual - vemos o militante anti-impeachment e seu grupo fazendo propaganda para os ultras paneleiros daqui, os amantes de Moro, os verde-amarelistas. Coisa ridícula! É para rir de desprezo, para gargalhar com ódio. Coisa nefasta! Cidadãos que não conhecem o assassino das terças-feiras e acha que política é simplesmente coisa de "se colocar bom senso". Vamos lembrar o Gilles Deleuze do Diferença e Repetição: os dois enganos da filosofia tradicional, kantiana, cartesiana, hegeliana e por aí vai: se mover sempre no circuito do bom senso e do sendo comum. E discutir se fulano é "hegeliano" de esquerda ou de direita ("hegeliano é o caralho!, como podemos falar no bom português). Pouco importa, em suma. Conheça seu inimigo: essas são as palavras para não se produzir toneladas de baboseira, mesmo que com as maiores das melhores intenções comerciais... Sem mais palavras:


Para quem quiser saber um pouco mais dessa tensa atmosfera internacional, pode ir até minha publicação sobre o Cabral. É de racismo sempre que se fala, e de genocídio, seu estúpido! Por isso a guerra, cada vez mais, se aproxima.

Sobre o autor

Rogério Mattos: professor, escritor e petralha de plantão

0 comentários:

Licença Creative Commons
O Abertinho de Rogério Reis Carvalho Mattos está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em http://oabertinho.blogspot.com/.
Podem estar disponíveis autorizações adicionais às concedidas no âmbito desta licença em http://oabertinho.blogspot.com.br.