Sobre o Xadrez do Fim do Mundo, de Luiz Nassif: um mal fim nos espera?

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Mandela, JK, Lincoln, Lula: a capacidade de ação é o que os separa do resto da humanidade


O CASO DOS PROGNÓSTICOS

Luiz Nassif, com sua série de xadrez, aponta com facilidade, como é próprio em publicistas, para o niilismo. É o desespero de quem está no front de batalha. Talvez seja isso, porque se os investigadores de campo tem esse nível, será que seus diretores teriam? Personagens dostoievskianos já foram líderes mundiais? Mandela, JK, Lincoln, Lula: a capacidade de ação é o que os separa dos analistas de plantão - com a melhor qualidade que tenham.

Lyndon LaRouche consegue alertar para os resultados mais apocalípticos, mas sempre tem uma estratégia muito bem desenhada, deveras elaborada, cientificamente fundamentada, e pelo menos para mim, segue como exemplo de alguém que, trabalhando por décadas com a inteligência das forças armadas, com os serviços secretos, com uma rede de pesquisadores de alto nível mundo afora, consegue adequar as visões horripilantes que a elite global sempre tenta impor com a visão de um novo paradigma, de uma nova humanidade, de uma nova plataforma de desenvolvimento.

Podem procurar por publicações nesse blog sobre a Nova Rota da Seda, sobre os BRICS e as Américas, sobre as "Quatro Leis", de LaRouche, e toda uma série de outros textos que, se não fundamentam em tua sua amplitude o que estou falando, deixa claro o que são os anseios comuns da humanidade e como lutar para realizá-los.

O CASO NO BRASIL

Na outra ponta, não vemos Lula cair em pessimismos nem fantasiar cenários de fim de mundo. Fala sempre de um novo Brasil que surgiu - que está surgindo - depois dos anos de inclusão, de educação, de trabalho bem remunerado, de protagonismo mundial. São capacidades de lideranças que parcamente pode-se ver, infelizmente, em publicistas... 

Haverá grande mobilização contra a Reforma da Previdência e Trabalhista. O governo Temer balança como nunca - nunca teve qualquer solidez por sinal. A hipótese de que caso aprovada a última maldita reforma o ilegítimo será inútil e poderá ser descartado diante do cenário de caos que o rodeia é válida. Igualmente, caso não aprovada a reforma ou não aprovada a contento para o mercado, inútil - e um traste - ele será.

Mas é por isso que veremos um nada no fim dessa estrada? Omito aqui conjecturas para não fazer trabalho de futurologia - pelo menos por enquanto. Quando tiver prognósticos mais acurados me expressarei.

OS TENEBROSOS PROJETOS DE LONGO CURSO

Talvez seja um pouco apressado dizer que o golpe foi tramado antes de 2014. Como pontuou bem os comentaristas do Nassif, o que se apostava no PMDB era no enfraquecimento do governo federal e na ascensão da liderança de Cunha. Ainda havia a esperança de Aécio ganhar as eleições e, assim, o PMDB continuaria com um poder forte, seja lá qual o governo Seja quem for que ganhasse, o PMDB fortaleceria um personagem de grande peso para as eleições de 2018. Com a derrota tucana, muito amarga - Aécio disparou nas votações com a apuração do sul e do sudeste e teve uma queda abismal quando foram computados os votos das outras regiões. Quem não se lembra da cara do Merval, que sabia do passo-a-passo das votações, coisas que nós mortais não temos acesso? A vitória era certa, porém...



O PSDB partiu para o terceiro turno, fato que se estende até hoje com o julgamento da chapa vitoriosa. Por exemplo, com a falência do governo Temer, uma possível renúncia, como já falamos, não abriria espaço para o julgamento no STF dos recursos impetrados pela defesa de Dilma Rousseff? Como ficaria o clima político no país com a queda do Temer? Rodrigo Maia presidente? Como ficaria, nesse cenário, o julgamento no TSE? São muitas variáveis. Até a chamada para eleições podem ocorrer com as emendas que deputados agora na oposição estão colocando em pauta desde consumado o impeachment. O ventos podem mudar de uma maneira muito rápida, quiçá assustadora.

O que é inegável é que a classe média com seus pudores e seus racismo nato quer alguém do tipo "iluminado", formado, universitário, que fala bonito, consume produtos gourmet, perfume importado: são todos cabeças-de-planilha, são todos Chicago Boys tupiniquins. E essa figura é inviável eleitoralmente, porque há uma massa ainda maior do que essa classe média supõe. Ma suas negação das raízes populares do nosso país serve de resistência para que uma campanha mais ampla possa surgir a favor de um governo popular. É o papel da classe média, como falo sempre aqui; o papel de esclarecimento, de difusão de conhecimento, por suas próprias conquistas intelectuais e também pelo acesso às tecnologias - mas, principalmente, pelos cargos que ocupam, como professores, advogados, homens de negócio, artistas, e toda a divisão social do trabalho que abriga a fauna e a flora dos pseudos-gênios.

O que ocorreu é que o projeto do PMDB de aumentar seu poder em Brasília se conjugou com a faina destrutiva dos tucanos. Se irmanaram no golpe: um para se perpetuar com ainda mais força nas posições que nunca largaram desde a ditadura; o outro para reconquistar seu lugar ao sol, no executivo. Temer corre para se blindar com Moraes, com Serráglio (aquele que chorou quando Cunha foi preso), com conspirações com seus "amigos de mais de 30 anos" do STF, etc. É uma corrida louca que não vai acabar bem para os atuais donos do poder.

A DECADÊNCIA ATUAL INDICA UM NOVO FUTURO

Como pensar em caos a partir daí? Está certo que é quase temerário depositar esperanças (algumas vai lá, mas nunca grandes esperanças) em figuras personalistas, narcisísticas, como a de Ciro Gomes. Com Lula fora o único partido que tem capacidade, ainda , de organizar a população é o PT. Não será a faci de Ciro Gomes que fará isso, muito menos os partidos utópicos que pipocaram para todos os cantos como "dissidência [esclarecida?] do PT". O PMDB e o PSDB não tem base eleitoral para o governo executivo.

Na república dos militares, no princípio, foi tudo na base da bala e do pau-de-arara. Com todo "ato patriota", direito penal do inimigo, etc., é difícil de criar as bases para um estado de exceção nesse nível no país, criando novas Guantánamos aqui dentro - o que seria um cenário de guerra não só interna, mas que poderia haver interferência externas. Seria um grau altíssimo de confronto num mundo ainda polarizado, quase numa extensão da Guerra Fria. Não existe suporte para isso. Esse é o primeiro ponto.

O segundo ponto é que os milicos se arvoraram na sua suposta decência e honestidade. Nesse governo, nem para PMDB nem PSDB sobra espaço para essa empáfia. O terceiro e mais simples é que o governo militar fez crescer a economia através de uma minúscula classe média com alto poder de consumo. A superexploração do trabalho foi a ordem do dia, mas o infames "indicadores macro-econômicos" estavam com bons sinais. Nunca isso irá acontecer até 2018 com a mesma camarilha no poder. E nem depois, caso o projeto golpista de alguma maneira continue, o cenário econômico tende a ser terrível. Não é só a aplicação das práticas genocidas do neoliberalismo. Saímos de um cenário social e econômico nunca visto antes. Qualquer queda tem uma proporção gigantesca na mentalidade das pessoas. O que é ruim (como foi horrível o FHC) dará a sensação e ser ainda pior. Depois dos milicos, do Collor - cenário de terra arrasada, depois da "década perdida"-, FHC com seu programa mirabolante de dolarização da economia conseguiu criar o factoide para se lançar no poder. Mas eles não tem mais condições de inventar nada desse tipo atualmente. O programa deles está falido em todos os sentidos e não há espaço para inovação.

Eles fecharam seu ciclo - esse é o ponto. Começou com o Mensalão. De acordo com as análises do GGN que linko abaixo, foi a retração do PT durante o processo que o fez ceder mais cargos no executivo, em especial na Petrobras. O que significa levantamento de recursos para o projeto de tomada de poder que apenas se iniciava. 2012-2014. Maidan brasileiro no meio do caminho: 2013.

 Existe todo o debate econômico que vai da queda do preço das commodities e do petróleo, como as isenções fiscais, etc., que fragilizaram o governo Dilma. Mas o assassino econômico é Sérgio Moro e seus comandantes. A Lava-Jato paralisou a economia do país e, com a presidência de Cunha na Câmara, criou um cenário perfeito para o assalto ao poder. Não devemos esquecer da "revolução colorida" que foi realizada aqui no Brasil em 2013, e que surgiu com o mesmo padrão mundo afora, e que teve seu desfecho trágico no Maidan ucraniano, quando vitória Nuland teve a cara de pau de confessar que seu governo deu cerca de 5 bilhões de dólares para fomentar a "democracia" no país. E como esse padrão, interpretado pelos sistemas de segurança e pelas forças armadas dos países asiáticos como "guerra irregular moderna", foi financiado e organizado por aqui? Falamos sobre isso, mas o assunto sugere ainda mais pesquisas. 

Eles fecharam seu círculo: o que surge daí não é o fim do mundo. Será o novo mundo, com um país que irá tirar esses zumbis do poder e dar espaço a novas lideranças.. Como será? Podemos fazer uma publicação com as varias frentes que se abrem. Mas o momento é de otimismo. O governo corrupto cai por seus próprios erros e rapidamente. Não há condições, como explicitei acima, de se repetir um ciclo longo de atraso. A hora de se separar o joio do trigo está mais próxima do que se imagina.



Sobre o autor

Rogério Mattos: professor, escritor e petralha de plantão

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