Já ir, Bolsonaro? O candidato humano, demasiado humano

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Bolsomimo
Aquele que tem medo, aquele que gera o ódio mas não sabe dele se livrar. Muito humano, demasiado. Quase como o anão, o Temer. Para quê temer Bolsonaro? Uma espuma, um vento, uma mera trovoada. Para quem assistiu a cultura da década de 1990, inebriante e efêmero como É o Tchan! Bolsonaro é a Carla Perez da vez. Indiscutivelmente pornográfico. E fugaz.

Masturbações...

Como Temer, ele é a reedição intempestiva da cultura e da política dos 1990, e Bolsonaro tinha que ser um de seus ícones. Por quais motivos se falar tanto de uma figura dessas? Só se for um papo entre masturbadores...

O candidato que tem medo: Regina Duarte, outro fenômeno dos 1990. Só que ele diz que vai resolver na bala. Será? Ou ele mesmo quer se resguardar do tiroteio?

A análise que segue à baixo é séria, ainda mais caso se levar em conta que não são nem um pouco sérios os que ao menos cogitam essa versão pop-90 no poder. É muito elitismo, muito menosprezo à inteligência do povo sequer acreditar que um candidato sem sequer partido que o acolha possa, em algum grau, ser "um perigo". Sem Temer! Sem Temer!

Vocês tem que levar à sério a fala de vocês.

A prova

Um repórter do The Intercept acompanhou uma visita de Bolsonaro à Santa Catarina e narrou a dificuldade, agravada por não ser um de seus ferrenhos admiradores, de fazer uma pergunta ao candidato (não-oficial). É uma história longa, bem contada, e que se pode ver no site da publicação clicando aqui. O que me chamou atenção, no entanto, foi a uma constatação que diante das espumas que o furacão arrasta para lá e para cá não pude até então constatar. E esse foi o verdadeiro furo de reportagem da revista:
Mas a fragilidade do político – política também, mas sobretudo a humana – não é vista pela multidão. Conforme Becker: por debaixo da figura do líder, além do cumprimento de seu papel, ainda existe, em essência, um ser humano. Um ser que treme diante do peso do mundo, que busca proteção e maneiras fáceis de afirmar sua ilusão de poder numa realidade. 
A única chance de perceber isso diante de Bolsonaro foi durante sua coletiva de imprensa. Em determinado momento, disse que não saía mais para jantar, para churrasco ou pizzaria com sua família porque tinha medo de que algo acontecesse. 
O mesmo sujeito que tinha medo da violência era o cara que, na pergunta seguinte, dizia que questões dos direitos humanos eram meros gastos da máquina estatal. 
Algo não fazia sentido.
Para quem consegue entender com poucas palavras, o que o "candidato" possui não é exatamente o medo da morte, mas medo de ser vítima da violência que ele mesmo instiga. Foi perguntado pelo repórter se tinha medo de morrer, e saiu de maneira evasiva com a resposta de que todos morrem um dia: "a morte é a única certeza que tenho". Reduzir o fenômeno medo ao medo da morte é algo simplificador. A violência, para falar de maneira mais clara possível, não se reduz à morte. Caso contrário, não se torturava ou não se ameaçava filhos, mães e demais parentes queridos de pessoas visadas. A violência pode ser moral - outra gama ampla de fenômenos - e que pode ser exemplificado pelos assassinatos de reputação que assistimos com tanta intensidade desde o início da operação Lava-Jato. O que é pior: morrer ou ter a reputação destroçada? Nesse espesso mar de brumas, como as imensas nuvens produzidas por gotículas d'água depois de estouradas as ondas de um mar agitado, ou seja, como consequência da própria espuma que produz, Bolsonaro se mexe entre a figura do "candidato" destemido e aquele que sofre por acreditar-se possível vítima da violência que ele mesmo produz.

A contra-prova

Fernando Brito no seu Tijolaço, e sem fazer qualquer menção à publicação da The Intercept, chega a conclusões similares. O ex-assessor de Brizola, escriba da famosa resposta do político lido por Cid Moreira no Jornal Nacional, leu uma entrevista de Bolsonaro à Veja na mesma época que saiu a reportagem citada acima. Meio do ano: Bolsonaro parecia quase uma iminência, alguém que se tornaria, mesmo derrotado num possível pleito eleitoral, como um personagem sólido de nossa política. Densas espumas marítimas, longas vagas, para quem não conhece o regime das marés... E o "mito", confrontado com a pergunta sobre uma possível conjuntura política em 2019 onde poderia ser que o PT ou algum movimento de esquerda voltasse ao executivo federal, saiu pela tangente e fez lembrar ao repórter que tinha cidadania italiana: "No meu entender, se tivermos em 2019 um governo que seja do PT, do PSDB ou do PMDB, acho que vai ser difícil eu permanecer no Brasil, porque a questão ideológica é tão ou mais grave do que a corrupção". Medo, portanto, não de uma confrontação armada (aquela que para ele pode ser a resolução de muitos males), mas de questões ideológicas...

Se o mito é sobretudo formado por ideologias, o candidato da bala, das resoluções à força, tem medo do intangível, aquele mesmo fenômeno que o engendra.

Um candidato violento, um candidato que quer colocar medo. Ou um candidato medroso e que, por isso mesmo, é violento em sua verborragia espumosa?

Por isso não tem como não concordar com o Fernando Brito:
Que moral pode ter um militar que diz que, se as coisas não estiverem boas para ele, foge? O senhor diria isso aos seus soldados? A sua turma de “marombados” não põe medo em democratas e patriotas. O senhor é muito valente para xingar mulher, o tipico machão, porque precisa mostrar uma falsa valentia. Mas sabe, como é comum neste tipo de sujeito, uma hora ele solta os segredos enrustidos e mostra o que é, no fundo. Valente, “seu” Bolsonaro, não é o que diz não ter medo. Valente é o que enfrenta, seja lá o que for. Enfrentar até o Bolsonaro. Felizmente, não será necessário. Arrivederci, Mito.
Na época desses artigos e reportagens, Bolsonaro foi aos EUA, bateu continência para a bandeira americana, iria falar numa universidade do país (o mito acabou desistindo do evento), mas acabou mesmo fazendo um tour pelas churrascarias do Tio Sam (sem tradição alguma, ao contrário das nossa - diga-se) e palestrando para alguns arrivistas locais (também chamados de "investidores", palavra que alberga todo um zoológico). Foi um tour de astro, que se recusou a ir até a universidade para não ser hostilizado de forma alguma. Como alguém com tanto pudor, com medo mesmo, sonha em em se candidatar? Só imaginando um país muito fraco, um povo pequeno, para que alguém assim chegue numa altura mínima numa corrida presidencial.

Bolsonaro foi das churrascarias americanas às casernas brasileiras. Um candidato caseiro. Por isso digo: humano, demasiado humano. Por isso às vezes pode parecer tão maldoso. A comparação mais simples dessa figura é com a de Temer: mera figura humana querendo salvar sua pele (alguém com medo, com muito medo, e que foi capaz de trair para supostamente se salvar). O mal puro, duro, é feito pelo grupo de economistas ou filiados ao PSDB ou ligados ideologicamente ao partido e a Casa das Garças. Temer não é nada, talvez seja menor que o humano, e por isso mesmo um anão diante do Mal: o mordomo que serve aos donos do poder, aqueles que gestam, lua após lua, as medidas maléficas que já atingem com força praticamente toda a população brasileira.

Como ter medo daquele que teme?

É tudo uma questão de proporção. Como sempre falo, um dos maiores males que enfrentamos depois de 1967-8 (AI-5 e assassinato de Castelo Branco, da "ala moderada") foi o Plano Real. Sem ele, não teríamos o "tripé macroeconômico" vigente até agora. Diminuição da inflação sem diminuição da carestia não vale nada. E o governo Temer prova isso agora com toda sua atualidade. Queda da inflação apesar de aumentos abusivos em produtos e serviços básicos (da "bandeira vermelha" a ser "reconsiderada" "para cima" ao aumento do gás de cozinha e dos combustíveis, que geram aumento em cascata de preços só não transposto à nu no preço dos alimentos por causa da recessão e no preço dos transporte por causa de questões judiciais e políticas relativas à baderna de 2013), não quer dizer que as pessoas tenha aumentado seu poder de compra, ou seja, sua qualidade de vida. Os governos do PT suavizaram a ortodoxia macroeconômica, ainda que Dilma tenha entrado em dilemas sucessivos desde 2013 (a primavera brasileira e no ano seguinte Lava-Jato) e não conseguiu, assim, manter sua guerra aos juros e aos spreads bancários iniciado no primeiro mandato.

Temer é um anão (fisicamente também) ao lado dos deuses do mercado que fazem sua política de governo (do presidente do BC ao da Petrobras, passando por Meirelles e tantos outros cujos nomes são religiosamente omitidos). Bolsonaro é nada mais que um candidato a Temer ou o seu dublê, ou seja, alguém que não tem qualquer definição além de alguns princípios primários do que seja governar para o país, muito menos para o povo. Por isso, são e serão - esses tipos - sempre governados.

Fala a retórica contumaz que os petistas tinham que suportar Temer porque votaram na Dilma e ele era seu vice. Só que tem um ponto básico: o vice da Dilma poderia ser o Mandela, o De Gaulle ou a madre Tereza. O que importa é a traição quanto ao programa de governo. Como os críticos da Dilma, caso Temer tivesse executando o programa de governo da Dilma com mais habilidade do que ela, teríamos talvez, aos olhos desses, um novo Estadista. A questão toda, repito, é a traição, e, como consequência, a adoção de um novo programa gestado na Casa das Garças.

Bolsonaro tem a mesma estatura de Temer, são do mesmo tipo moral: por motivos diversos podem chegar a ser deputados, mas não tem a maldade suficiente para se instalar no poder como FHC, nem o poder de um Lula e de seu partido para transformar a política nacional. São fenômenos espúrios, meras espumas. Como se temer Bolsonaro, aquele que nem partido consegue, mesmo com toda bravata? Diria até mais: como se temer Temer? Doria sumiu no ar com as gotículas jogadas ao vento pelas ondas do mar. E foi muito rápido. Alckmin não tem tutano para nada além de governar SP, dinastia que será contestada e derrubada com ainda mais força do que foi feito por Dino e o PC do B no Maranhão, arrasando os Sarney. Será que os tucanos ainda governam SP em 2019? Só quem tem muito medo não ousa fazer pergunta tão banal.

Um candidato sem partido...


Do mesmo modo, as medidas temerárias tomadas nos últimos meses não passarão. Schiller disse em suas cartas que "um povo pequeno encontrou um grande momento da história". Falava da Revolução Francesa. Vemos atualmente o exato oposto dessa situação. Um povo grande num grande momento histórico que, como de costume, tentam apequenar. Mas nada consta que apequenaram esse povo maduro. Nem a condenação, muito menos a prisão de Lula, por exemplo. Tudo o que fazem vai para a conta deles e não para a alheia, como no caso das falsificações de 2013. A história se move muito rápido, ainda mais rápido do que toda a história contemporânea. Não ficará pedra sobre pedra.

E imagina só: SP está contestada. Não haverá espaço tão grande para tucanos em 2018. Celso Amorim pode vir a governar o Rio de Janeiro. Aposto em Jacques Wagner como presidente. Se a sorte for boa, Lula como vice. Na verdade, Lula nunca teve apetite de poder como Vargas ou até como o saudoso Brizola. E uma das provas do programa e não do personalismo na política foi a eleição da grande figura humana que é Dilma, alguém muito mais do que preparada para ocupar a chefia do executivo federal. Os governadores do nordeste unidos, a direita contestada de todos os lados, até pelos apáticos caminhantes de 2013. O cenário futuro não é de sombras, ainda que um improvável impeachment de Trump e a colocação de algum agente dos neocons (em sua maioria democratas, pelo menos em sua linha mais dura, como Hillary) na Casa Branca traga, invariavelmente, um conflito nuclear. Conjecturas à parte, não é sombrio nosso horizonte.

Medo é o caralho!
uma nota metodológica


No El país:

"Entendo, se assim acontecer, que seja uma missão de Deus. A cruz é mais do que pesada. Mas ele não nos da nada que não podemos carregar. Juntos podemos sonhar com um Brasil melhor. E peço a Deus que não tenha sangue nesse caminho, por intolerância do outro lado".

Caga-se o "candidato" pelo próprio ódio que destila.

Essa conclusão é uma breve nota. Alguns chegam a pensar que esse blog é algo profissional, como tantos fazem e com todo o coração. Como digo, sou dublê de Isidro Parodi. Sou Henri Bayle, ainda mais nefasto que o marquês de Sade. Bolsonaro como se sabe não é Pìerre Menard - as potências do falso - como FHC, o príncipe das trevas. Bolsonaro, Temer, Doria e correlatos são seus subprodutos como Carla Perez foi da cultura produzida durante o reinado do soberano estrangeiro, aquele importado da Sorbonne. De Bolsonaro a Carla Perez: ninguém vê a diferença? Espumas. E, no sentido físico, factual mesmo, quantas espumas, sementes abortadas, essa cultura Real não produziu, manualmente? Uma homenagem, portanto, derivada da chamada práxis.



As duas fotos da postagem tem o mesmo componente ideológico. Poderiam ambos ser candidatos. Daria no mesmo. Modismos, passagens. Alguma coisa a Temer?

Candidatos que não valem mais do que punheta não valem meu amor.

Candidatos que não valem mais do que punheta não valem meu amor.

Candidatos que não valem mais do que punheta não valem meu amor.

Candidatos que não valem mais do que punheta não valem meu amor.

Candidatos que não valem mais do que punheta não valem meu amor.

Candidatos que não valem mais do que punheta não valem meu amor.

Candidatos que não valem mais do que punheta não valem meu amor.

Vai ter medo de quê, ô caralho?! Pára de se masturbar! Bolsonaro é o cabelo do meu ovo! Seus esquerdopatas....

Nada a Temer!

Sobre o autor

Rogério Mattos: professor, escritor e petralha de plantão

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