Equipe que dirige o golpe contra Trump também dirige a tropa de choque da Lava-Jato para destruir o Brasil e o Cone Sul

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Poderia até pedir desculpas pela afirmativa contundente, mas a questão é que o mesmo grupo político nos EUA que tentam derrubar Trump pela balela do chamado "Russiangate", derrubaram Dilma e estão umbilicalmente ligados ao Ministério Público brasileiro. O promotor Robert Muller, encarregado de investigar as "conexões russas" de Trump e a suposta influência dos antigos soviéticos nas eleições americanas, dirige Andrew Weissman, especialmente designado por Muller para compor sua tropa de choque após este ter ocupado a chefia da Seção de Fraudes do DOJ (Departamento de Justiça americano). Como já é sabido, Weissman foi retirado da equipe de caça às bruxas porque deixou muito claro sua parcialidade a favor de Clinton e seu servilismo diante da procuradora geral de Obama. Agora cada vez que se menciona Weissman na imprensa estadunidense, é para fazer referência à profunda corrupção que inunda o Departamento de Justiça e o FBI.

A histeria neomacartista não é exclusividade brasileira com o "perigo vermelho" que passou a se espraiar depois das manifestações 2013, da primavera brasileira, muito menos algo dirigido contra lideranças supostamente "populistas" da América do Sul. Qualquer ato que vá contra a soberania do partido da guerra, sediado na City de Londres e em Wall Street, seja o Brexit ou a tentativa de calote da dívida na Grécia, é colocado como um atentado contra supostos "valores ocidentais" e deve ser combatido. Pelo mero fato de propor negociação com russos, chineses e até com os norte-coreanos (depois do twitter do "botão nuclear", Trump, entre suas evasivas, disse que a "conversa é o melhor remédio"), desde que foi eleito o presidente dos EUA é caçado judicialmente de uma maneira não tão diferente como acontece no Cone Sul a caçada a Cristina Kirchner e a Dilma Rousseff. A postura do diretor do FBI durante a presidência de Obama, John Brennan, cujo testemunho foi usado pela mídia para inflar o "Russiangate", não é distante da "convicção" e não das "provas" de Dellagnol. Como ele disse ao senado americano: "I don't do evidence, I do intelligence".

Ser contra processos ilegais não é posar de politicamente correto no Brasil ou ser somente "contra o golpe". A inteligência mínima nos diz, assim como o intercâmbio pornográfico da justiça brasileira com a americana nos prova, que o golpe não é tupiniquim, tampouco é uma mera arma do "Tio Sam" contra a pobre e injustiçada América Latina. O golpe é contra os BRICS, contra o desenvolvimento de um mundo multipolar com uma América do Sul forte em união com a Rússia e a China, ainda que tendo como parceiros os EUA e a Europa. O golpe é a favor da continuidade das prerrogativas do sistema financeiro transatlântico, ou seja, do sistema da dívida, dos petrodólares, das privatizações, do livre fluxo de capitais para a mãos de acionistas. O golpe é contra o próprio Estados Unidos (que vive situação de pobreza similar a do "terceiro mundo"), contra Europa em sua crise econômica e humanitária (dívidas e imigração), ou seja, o golpe coincide com a maior crise histórica do capitalismo, não mitigada, e tem como sua sombra, tal como em 1929, uma guerra de grandes proporções. Não é outro o caminho além da bancarrota financeira e um conflito entre grandes potências que nos leva a histeria coletiva, o atual neomacartismo, que assume diferentes máscaras nos lugares mais remotos do planeta. Quando se fala em guerra, Trump vira um cordeiro ao lado das propostas do ultra-liberalismo de Hillary Clinton, como a da criação de uma zona de exclusão aérea na Síria (no-fly zone) e a demonização dos líderes asiáticos como Putin e Xi Jiping. Muito aquém da proposta dos BRICS.

E quem tiver dúvidas que leia o artigo ou muitas outras coisas que já publiquei em meu site.
Tive muito prazer em traduzi-lo, apesar desse texto ter circulado na rede com outro título, ou seja, fora do contexto, rede afora. Na língua espanhola, ele saiu com o título original por iniciativa de Juan José Torres Núñes, do Infolibre, ainda que os créditos tenham saído aqui no Brasil, por iniciativa da Carta Maior, para o Clarín chileno.

Quem quiser saber mais sobre quem produziu esse texto que visite o site da Executive Intelligence Review em português ou o site deles em inglês. Basta clicar na área sublinhada.



16 de dezembro de 2017 (EIRNS) – Em discurso que deu no dia 19 de julho de 2017 para felicitar a si mesmo, o Subprocurador Geral dos EUA, Kenneth A. Blanco, que então dirigia a Divisão Penal do Departamento de Justiça (porque logo Steve Mnuchin o escolheu para encabeçar a Oficina de Delitos Financeiros do Departamento de Tesouro), se referiu ao veredicto condenatório ditado ao ex-presidente do Brasil, Lula da Silva, como um dos princpais exemplos dos “resultados extraordinários” alcançados graças à colaboração do Departamento de Justiça (DOJ, na sigla em inglês) com os procuradores brasileiros na chamada “campanha anti-corrupção”, batizada de Lava-Jato.

Em particular, a unidade da Divisão Penal do DOJ que dirige a operação “anti-corrupção” Lava-Jato, é a Seção de Fraudes. Desde novembro de 2014 até junho de 2017, quem dirigia a Seção de Fraudes do DOJ, era nada menos que Andrew Weissman, transferido nessa data de junho de 2017 para formar parte do grupo de choque contra Trump que encabeça Robert Mueller. Weissman tem sido desde muito tempo o cupincha de Mueller no FBI, cujo histórico de conduta indevida lhe valeu o sobrenome de “o pitbull judicial de Mueller”.

Agora que se está desentranhando rapidamente à luz pública todo o assalto judicial de Mueller contra a presidência dos Estados Unidos, onde cada vez mais membros de sua equipe foram expostos por corrupção e atos ilegais, é seguro que sua operação iberoamericana, Lava Jato, terá o mesmo destino, e possivelmente os levarão para a cadeia, que é onde deveriam estar.

Como já é sabido, Weissman foi retirado da equipe de caça às bruxas porque transcendeu à luz pública sua parcialidade a favor de Clinton e seu servilismo diante da procuradora geral de Obama. Agora cada vez que se menciona Weissman na imprensa estadunidense, é para fazer referência à profunda corrupção que inunda o Departamento de Justiça e o FBI.

A ex-presidente do Brasil e a da Argentina, Dilma Rousseff e Cristina Fernández de Kirchner, respectivamente, denunciaram na semana passada que líderes nacionalistas e progressistas de toda a  Iberoamérica estão sendo submetidos sistematicamente ao que denominam “lawfare”, o uso da lei como arma de guerra, com o propósito de impor mudanças de regime e instalar chefes de Estado que imponham as políticas de austeridade neoliberal que tem destruído a região. O discurso de Blanco demonstra que por detrás da tal “lawfare” usada contra os vizinhos dos EUA, estão os mesmos interesses imperiais que dos que tem o propósito de executar um golpe de Estado nos Estados Unidos para depor o presidente Donald Trump de seu cargo.

Blanco se jactou do papel que o DOJ jogou em toda essa farsa, em um discurso que deu num evento do Conselho Atlântico e o Diálogo Interamericano sobre “Lições do Brasil: crise, corrupção e cooperação global”. Blanco deu boas-vindas ao seu “amigo, o procurador geral brasileiro Rodrigo Janot”, um dos principais sicários da operação Lava-Jato, que compartilhou o podium com Blanco.

“É difícil imaginar uma relação melhor de cooperação na história recente que tem havido entre o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e os procuradores brasileiros. Temos cooperado e temos nos ajudado de modo substancial em uma série de temas públicos que agora foram resolvidos, e seguimos com isso através de uma série de investigações que se estão fazendo”, afirmou Blanco.

“A cooperação entre o Departamento (DOJ) e o Brasil nos fez alcaaçar resultados extraordinários. Só no ano passado, por exemplo, a Seção de Fraudes da Divisão Penal e a equipe da operação brasileira Lava-Jato estiveram cooperando e se coordenaram em resoluções em quatro casos relacionados com a Lei sobre Práticas Corruptas no Extrangeiro (FCPA, na sigla em inglês): Embraer, Rolls Royce, Braskem e Odebrecht. A Odebrecht, em particular, é notável do ponto de vista do alcance e extensão”, seguiu dizendo Blanco.

“De fato, só na semana passada, os procuradores brasileiros conseguiram uma condenação contra o ex-presidente Lula da Silva, que foi acusado de receber subornos da companhia de engenharia OAS em troca de sua ajuda para ganhar contra os com a companhia de petróleo Petrobras. Casos como este é o que tem colocado o Brasil à frente dos países que trabalham para combater a corrupção, tanto dentro como fora do país”.

Blanco revelou nesse discurso que a cooperação do DOJ e os procuradores brasileiros é tão grande, que operam fora dos “processos formais, tais como os tratados de assistência judicial mútua”, muitas das vezes simplesmente mediante uma chamada de uns aos outros para passar ou solicitar evidências, e só se preocupam com as “formalidades” legais quando é necessário para que a evidência seja admissível quando o caso venha a juízo.

Promotores e procuradores de toda a região (“meu bom amigo Raúl Cervantes, o procurador geral mexicano”, “minha boa amiga, a procuradora geral panamenha Kenia Porcell”, do Equador e Colômbia) entram e saem dos despachos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos para falar sobre ações contra “corrupção”, segundo se jactou Blanco também. Ainda que não mencionado, o juiz argentino Claudio Bonadio, que tem encabeçado as atrocidades judiciais contra a ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner, também é parte da mesma esquadra política de choque.


Sobre o autor

Rogério Mattos: professor, escritor e petralha de plantão

Um comentário:

  1. São os senhores da grana e da guerra que controlam o poder desde os 1400.

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