O Abertinho

Em tempos de neomacartismo e jurisprudência da destruição, arte, política e cultura em textos nem um pouco ortodoxos

Porque escolher Amorim seria uma opção “cirista” do PT

Foto: Ricardo Stuckert

Nada contra o ex-Ministro. Muito honrado, de conduta ilibada, trabalho reconhecido internacionalmente, um quadro dos mais qualificados tecnicamente do Partido dos Trabalhadores e do Brasil, e a quem, pessoalmente, devoto a mais legítima admiração. O problema de um possível escolha de Celso Amorim para vir como vice de Lula e, caso o Estado de exceção prevaleça, ter o Chanceler como candidato a presidente, é o problema moral que essa escolha pressupõe. […]

Sobre as implicações políticas de “Dedo no cu e gritaria”

Trata-se de uma revelação, de um ato visionário, de Paulo em Damasco. Nenhuma dessas histórias de “ah!, como se deu seu processo criativo?”, “o que te levou a essa descoberta maravilhosa?”, etc. Tudo isso é baboseira, até porque depois de qualquer visão deve suceder o mais rígido escrutínio crítico, até porque ela tem as mais prolíferas consequências para a luta política atual e como diagnóstico do tempo que vivemos. […]

A iniciativa Um Cinturão, Uma Rota explicada

A área da alfandega de Qingdao, na costa leste da China, faz parte da iniciativa Um Cinturão, Uma Rota. Zhang Jingang | China Daily

Do Global Times

A China está trabalhando para reviver as antigas rotas comerciais da Rota da Seda da Ásia até a Europa com o seu megaprojeto transnacional chamado iniciativa Um Cinturão, Uma Rota.

Com a respeitável quantia de 900 bilhões de dólares em investimentos planejados para construir ferrovias, portos e demais infraestruturas em 65 países ao longo da rota, a iniciativa Um Cinturão, Uma Rota é historicamente a maior estratégia de investimento estrangeiro feito por um único país na história mundial.

O novo plano da Rota da Seda, em Pequim, ganhou maior atenção à medida que a oposição ao livre comércio e às fronteiras abertas aumentou nos países ocidentais, em meio ao voto pelo Brexit e à eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos.

A China respondeu a isso defendendo os benefícios da globalização e do multilaterialismo e pela promoção de suas próprias iniciativas econômicas, como o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, o acordo de livre comércio RCEP em toda a Ásia e – acima de tudo – a inciativa Um Cinturão, Uma Rota.

Veja aqui o que é a iniciativa Um Cinturão, Uma Rota e como ela pode mudar o mapa econômico e político do mundo. […]

Obama os enjaulou e depois deu-lhes um cobertor

O governo de Obama deve ser comparado não ao de Trump, mas ao de Bush Jr. Do 11/09 ao Ato Patriota, da crise financeira até os atos de espionagem, pode-se ver uma imensa contraofensiva imperial para sabotar o desenvolvimento econômico sul-americano, asiático e africano, que foram pautas da agenda política mundial da primeira década desse século.

Sobre a questão dos imigrantes, “Fotos de instalações de detentos nas fronteiras da era Obama, tiradas em 2014, parecem quase idênticas as que foram tiradas durante a era Trump.

Você nunca as viu, contudo. Aqui elas estão, tiradas em 2014 durante uma viagem de organismos de imprensa para as instalações carcerárias de Brownsville, Texas, e Nogales, Arizona”.

Por que só agora a gritaria?

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Sobre o atual fenômeno “Greg News”

 

 

O Liberalismo foi bom no passado e nem tanto no presente; ainda é bom nos EUA, mas não no Brasil. A greve dos caminhoneiros é um “problema fiscal” e não de soberania nacional. Afinal, o plástico talvez devesse ser abolido como o próprio petróleo e a Petrobrás… 

Existiria uma antinomia entre os termos conservador e liberal, porém o Livres é moderno mas Flavio Rocha não. O ideário do Império Britânico é digno de elogio, enquanto os governos Lula e Dilma pecaram por fazer “coalizão”. Gregório não chega ao ponto de defender FHC para justificar Lula ou dizer (como um candidato carioca) que seu partido perde por culpa do PT. Mas é bem interessante ver esse fenômeno atual chamado Greg News e ver as curiosas limitações de uma chamada “esquerda moderna”, imaculada e ambientalmente responsável… […]

Proliferar notícias falsas

 

Deve-se acabar com a ingenuidade de se acreditar que houve uma tentativa de criação de um espaço de comunicação alternativo que chancelaria, por uma espécie de sub-sistema baseado na oposição parlamentar bipartidário de tipo britânico, o própria “sistema liberal”, só que por meio da internet. E que hoje essa liberdade conquistada com as “redes sociais” estaria ameaça pelo uso abusivo das “fake news” por parte do oligopólios midiáticos. A atual “contra-ofensiva” do Facebook só pode ser compreendida como um passo a mais numa ofensiva generalizada, iniciada com a mineração massiva de dados (o caso Snowden) que ofereceu como contrapartida uma suposta livre-expressão nas redes. No momento, busca-se de vez capturar esse espaço com a confusão criada pelo cinismo neomacartista, cujo resultado é uma proliferação nunca antes vista de notícias falsas. Todo o esforço para desmascará-las tem como objetivo multiplicá-las.

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A Crise dos Refugiados Atinge o Mundo Inteiro: a Única Solução é o Desenvolvimento Econômico

O importante do acordo entre a Coreia e os EUA é que ele foi costurado junto com a Rússia e a China. Isso não foi um ato isolado das partes. Os EUA não teriam poder de dissuasão sem o apoio do Putin e do Xi Jinping. Mas o mais importante é que essa atitude do Kim Jong-un veio logo após a Rússia ter anunciado sua nova classe de armamentos, o que colocou os EUA na defensiva, e de conversas entre a Coreia do Norte e os países asiáticos no ano passado, durante o Fórum Econômico realizado em Vladivostock. Dali passou a ser costurado o acordo.

A crítica ao discurso do Trump deve ser feita no sentido de que 90% do que ele fala é jogo de cena. Já foi esquecido que esse encontro foi adiado recentemente porque um dos membros de seu governo queria uma solução estilo Líbia para a Coreia. Isso pegou muito mal e se teve que adiar essa conversa. Teve um artigo publicado no Diário da Liberdade que penso traduzir bem esse jogo de cena, espécie de “Você congela, eu congelo”, que não tem nada a ver com o que ocorre de fato: https://gz.diarioliberdade.org/artigos-em-destaque/item/233682-resultados-reais-do-encontro-trump-kim-voce-congela-eu-congelo-e-coisas-engracadas.html

O importante desse encontro é a disposição do Trump para o diálogo. Isso pode parecer irrealista, mas foi exatamente isso que o fez ganhar as eleições. Os democratas continuam com a defesa da política de “mudança de regime”, da criação de “zonas de exclusão aérea” (essa era a proposta da Hillary para a Síria, o que inevitavelmente levaria a um conflito com a Rússia, já que o apoio dos russos aos sírios se baseia na força aérea; e mais, a “zona de exclusão” serviria para abater qualquer aeronave que não pertencesse à OTAN, estando ou não em voo; dá para se imaginar daí as consequências), além da defesa do liberalismo econômico mais ortodoxo, tanto dentro quanto fora das fronteiras do país.
Coloca-se o Trump como um “inimigo da democracia”, mas é desse tipo de democracia à ocidental. Na verdade, ele tem todas as características, se nos basearmos apenas nas manchetes da grande mídia, de um Putin americano. É caricato. Não é por outro motivo que se alardeia agora sobre a prisão de crianças, fato tão antigo na história daquele país e que, num passe de mágica, vira culpa do “autocrata”. É para desviar a atenção do significado histórico desse encontro. Mais do que um suposto acordo de paz, o fato é que o desmantelamento, nos EUA, do “Russiangate”, permitiu agora ao Trump avançar mais em seu contato com os países asiáticos, inclusive ao colocar novamente na pauta um encontro com Putin, algo fundamental desde a última aventura na Síria.
O que eu concluo das conversas com os amigos que tenho nos EUA é que com a Hillary não haveria solução de continuidade para uma política de détente entre americanos e russos. Estaríamos próximos ao precipício, como chegamos algumas vezes com o governo de Obama, tanto por sua promoção às revoluções coloridas, como pela pretensão de continuar o avanço da OTAN no leste europeu e a construção do escudo anti-mísseis (com potencial não só de defesa, mas de ataque nuclear) nas fronteiras com a Rússia. Esse é o lado sombrio. E tem toda a história a respeito da Nova Rota da Seda, que é um programa já em curso em inúmeros países asiáticos, em parte da África, comparado a um Plano Marshall pelo menos 100 vezes maior. A iniciativa de cooperação econômica encabeçada pela China é a única solução para superar os problemas do Oriente Médio, conectando a Europa a Ásia, como foi o objetivo de grandes lideranças no século XIX como Gabreil Hanotoux, na França, Sergei Witte, na Rússia, e Bismarck, na Alemanha. 
Bom, mas falar mais ultrapassa os objetivos dessa nota: o discurso tão criticado de Trump aparece, para nós, descontextualizado. Mas como texto abaixo é de uma estrangeira, de uma alemã falando da situação internacional e dos EUA em particular, não dá para se pedir tanto (ou seja, que se contextualize para nós, que desnaturalize sua fala). E que se conheça o trabalho de quem escreveu para se poder criticar com mais propriedade sua fala.

O texto abaixo foi traduzido por mim para a Executive Intelligence Review […]

A mídia e o Quarto Poder

Teria Paulo Henrique Amorim traduzido em livro um antigo thriller hollywoodiano?

 

Falam que a mídia é o Quarto Poder, mas o que deveria ser esse “quarto poder” no país seria a Constituição, por cima dos outros três poderes. Como a Constituição não foi regulamentada na maioria de seus dispositivos, a mídia toma seu lugar e, se não cria a regulamentação, gera a jurisprudência, o entendimento. Atualmente há um encontro, talvez inesperado, entre a chamada “mídia progressista” e a “mídia conservadora”, ambas a favor do Golpe. O que muda é o grau de cinismo e a multiplicação da desinformação.

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Teoria do domínio da mídia

A questão da “teoria do domínio da mídia” ressignifica boa parte do que foi criticado como a “teoria do domínio do fato”. Elas simplesmente pulverizam qualquer visão superior para dar conta dos inumeráveis fatos, em boa parte conflitantes, e nivelam por baixo o que poderia ser uma visão integradora, hegemônica, em favor do Brasil.

Nesse caso, a chamada “mídia progressista” abraça a velha mídia e cantam em conjunto.

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