Um historiador diletante: Philippe Ariès

Philippe Ariès, historiador “por conta própria”, não vinculado a instituição de ensino ou pesquisa, escreveu livros como historiador “de verdade”. De origem política e familiar conservadora, se aproximou de nomes importantes da luta política de esquerda, como Pierre Vidal-Naquet e Michel Foucault. Sua escrita “diletante”, que aparentemente o afastaria do necessário rigor historiográfico, o fez próximo, quase um igual, a toda uma geração que se vinculou a Escola dos Annales.

Analisar sua figura nos faz ver uma série de aparentes contradições e nos mostra que o amor pela história e o ofício do historiador antecede ligações profissionais ou prerrogativas políticas. Através dessa autobiografia “transversal” perguntas talvez não colocadas e por isso importantes podem ser explicitadas e trazerem inquietações ainda bem pouco analisadas.

YOUTUBE: https://youtu.be/L4xkVrhGJ9k

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/Um-historiador-diletante-Philippe-Aris-e1mgrka

O mercado e o sonho ocidental: a criação da zona do euro

Após a queda do muro de Berlim uma série de mitos foram construídos para legitimar o livre-mercado. Com o passar dos anos, muitos foram questionados ou mesmo derrubados. Ainda assim, a dominação do imperialismo baseado no Atlântico norte alimenta sonhos impermeáveis a qualquer razão. Com a flagrante submissão da Europa aos ditados da OTAN ficaram ainda mais evidentes falhas estruturais do projeto político pós-1989. A criação da zona do euro é um objeto privilegiado de estudo.

YOUTUBE: https://youtu.be/bE-hv-MYh8U

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/O-mercado-e-o-sonho-ocidental-a-criao-da-zona-do-euro-e1m76jm

Texto citado: https://portugues.larouchepub.com/outrosartigos/2012/0924_life_after_euro.html

Paulo e Benjamin: messianismo e o tempo de agora

Na conclusão do livro “O tempo que resta”, Giorgio Agamben tenta revelar a imagem do anão corcunda que, escondido debaixo de uma mesa de xadrez, assegura a vitória de um boneco vestido de turco. O materialismo histórico deve tomar ao seu serviço aquele exímio enxadrista. Apesar de aparecer como pequeno e feio (por isso deve ser escondido), ele é associado a teologia.
 
Através do sentido bem próprio que Agamben interpreta as “Cartas” de Paulo, a teologia, vista sob a ótica de Benjamin, aparece como uma imagem-cristal, dupla por natureza, virtual e atual. Assim, como o encontro de Paulo e Benjamin proposto por Agamben atualiza essa imagem para o uso no tempo de agora? É o que tento expor ao ler a última parte de “O tempo que resta”, também último programa dedicado a esse livro.

Teoria do testemunho e eurocentrismo

Após a II Guerra Mundial e com as décadas de revoluções e contra-revoluções (ditaduras) nos países da América do Sul, uma avalanche de testemunhos veio tomar o protagonismo da história enquanto relato (em terceira pessoa) autorizado para dar conta dos problemas sociais recentes. É o que Andreas Huyssen chamou de “inflação da memória”. Como, posteriormente teorizado, o testemunho acabou ocupando o lugar de um novo eurocentrismo (às avessas) onde o “testimonio” latino-americano parece ocupar um lugar de segunda ordem? Olhar para estas questões é importante para se analisar como hoje se escreve a história e como pensam seus teóricos.

YOUTUBE: https://youtu.be/f-aAPBgfgBQ

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/Teoria-do-testemunho-e-o-eurocentrismo-e1lbk02

Crise de desintegração financeira controlada

É relativamente aceito que setores políticos produzem guerras e golpes de Estado. Mas na área econômica muitas vezes se acredita que as crises são inerentes ao sistema capitalista, e geralmente ocorrem de forma cíclica. Estudar o caso das duas crises do petróleo dos anos 1970 e o projeto do Council on Foreign Relations (CFR) chamado “Projeto 1980: a desintegração controlada das concentrações industriais e científicas avançadas no mundo”, permite ver como foi forjada uma crise financeira controlada (ao lado de golpes de Estado e de guerras) que recuperaram o valor do dólar e consequentemente das praças financeiras de Londres e Wall Street após o fim do regime de paridade ouro-dólar decretado por Nixon. Até que ponto as crises financeiras (como vimos no caso da Lava-Jato) são ou não planejadas e controladas? Esse é o tema do meu novo programa.

YOUTUBE: https://youtu.be/w5imFSZweoA

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/Crise-de-desintegrao-financeira-controlada-e1l6jpp

O Tempo que resta, de Giorgio Agamben (6ª Jornada)

No último capítulo de “O tempo que resta” (antes da conclusão), Giorgio Agamben reafirma o poder da linguagem, da filosofia e do pensamento como veículo transformador. Apesar de calcar sua análise em balizas éticas muito claras, se aproxima bastante, ao falar das relações arcaicas entre fé e promessa, da noção de “promessa de felicidade”, dito de Stendhal recuperado por Nietzsche (“Genealogia da moral”) para se contrapor à visão negativa de Shopenhauer sobre a Estética. Assim, Agamben recupera polêmica iniciada em fase inicial de seu livro, no caso contra Adorno, que escrevia uma “filosofia no impotencial”, ressentida, que veria na poesia apenas um epifenômeno da vida e não como provocadora ou criadora de vida.
 
 

Duas imagens de mulheres: de Machado de Assim e de Lima Barreto

O longo e interminável caso de Capitu e Bentinho diz mais sobre a capacidade interpretativa dos leitores de Machado do que ao que é exposto no romance. Prova disso é que só depois da interpretação da tradutora de Dom Casmurro para o inglês, Helen Caldwell, ter questionado a interpretação vigente no Brasil é que por aqui se instaurou uma espécie de tribunal a respeito da sorte do casal… Pelo contrário, ao ver a personagem Olga, cujo padrinho é Policarpo Quaresma, se vê os dilemas do escritor (e não de seus leitores) ao lado das mulheres brancas e ricas e das negras e pobres. É através de uma sina trágica e um tanto ambígua que Lima Barreto constrói a mulher-síntese de seus romances. Ao olhar tanto o lado dos leitores quanto o dos escritores, podemos traçar alguns questionamentos a respeito da criação literária e de sua implicações histórico e culturais.

YOUTUBE: https://youtu.be/KjCBcIMcmwQ

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/Duas-imagens-de-mulheres-de-Machado-de-Assim-e-de-Lima-Barreto-e1kkl9i

A indústria dos fundos financeiros, de Roberto Moraes Pessanha

Roberto Moraes Pessanha expõe em seu livro as transformações do capitalismo posteriores a crise de 2007-8. Como o capital se tornou cada vez mais volátil e apesar de tudo ainda se ancora em determinadas estruturas físicas? Através da noção de frações de capital o autor tenta estabelecer as relações entre “fixos e fluxos” numa cartografia que tende a ser especular tamanho o fracionamento da produção física e a estruturação do capital derivado. Com as emissões quantitativas posteriores a crise, todo um novo sistema da dívida foi formado, encontrando no Brasil terno fértil para se multiplicar. Nosso país, ao invés de ser uma “terra de ninguém”, possui uma regulamentação sofisticada para atrair especuladores através de um sistema de dependência externa montado desde a ditadura.

 

YOUTUBE: https://youtu.be/qo9oDuR3Q3Y

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/A-indstria-dos-fundos-financeiros–de-Roberto-Moraes-Pessanha-e1kkhgv

O mundo encantado de Roberto Schwarz

De qual liberalismo fala Roberto Schwarz quando alude a um capitalismo brasileiro onde as ideias estariam fora do lugar? Ao percorrer a bibliografia crítica sobre esta famosa noção do crítico literário, podemos ver uma miríade de liberalismos no Brasil, a sua depuração entre um primeiro momento onde o escravismo se aliava ao livre-comércio até as ideias chamadas de liberais encampadas pelos abolicionistas, ou mesmo a refutação do dualismo entre metrópole colônia, países desenvolvidos e subdesenvolvidos: a formação de uma cultura nacional passa pelas lutas de seu povo, pelo atravessamento de referências culturais diversas que podem ou não passar por matrizes europeias ou norte-americanas. Qual mundo encantado que, sob a palavra “liberal”, Roberto Schwarz acredita que o Brasil enquanto nação jamais poderá alcançar?
 
 

A nova esquerda política e a luta de classes no Brasil

Barack Obama foi o último grande triunfo do Império. Realizou guerras intermináveis mais do que qualquer outro de seus antecessores, programava todas as terças assassinatos de “dissidentes”, imprimiu uma quantidade quase infinita de dólar para capitalizar fundos especulativos que criaram o novo precariato através da fintechs, organizou um sem número de golpes de Estado mundo afora. Apesar disso, ganhou um Oscar e um premio Nobel da Paz e é a bandeira de determinado tipo de “progressismo” de esquerda baseada numa noção de inclusão com uma visão muito restrita dos problemas sociais e da incrível crise econômica que só se agravou após 2008. Como a nova esquerda política, no Brasil, tem lidado com esses desafios depois da repaginação do imperialismo? Como se organizar atualmente a luta de classes? Qual sentido de democracia hoje nos orienta? É essa uma das questões que tento trabalhar nesse novo programa.

YOUTUBE: https://youtu.be/StYyHF-gkic

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/A-nova-esquerda-poltica-e-a-luta-de-classes-no-Brasil-e1k55kd