O mundo encantado de Roberto Schwarz

De qual liberalismo fala Roberto Schwarz quando alude a um capitalismo brasileiro onde as ideias estariam fora do lugar? Ao percorrer a bibliografia crítica sobre esta famosa noção do crítico literário, podemos ver uma miríade de liberalismos no Brasil, a sua depuração entre um primeiro momento onde o escravismo se aliava ao livre-comércio até as ideias chamadas de liberais encampadas pelos abolicionistas, ou mesmo a refutação do dualismo entre metrópole colônia, países desenvolvidos e subdesenvolvidos: a formação de uma cultura nacional passa pelas lutas de seu povo, pelo atravessamento de referências culturais diversas que podem ou não passar por matrizes europeias ou norte-americanas. Qual mundo encantado que, sob a palavra “liberal”, Roberto Schwarz acredita que o Brasil enquanto nação jamais poderá alcançar?
 
 

A nova esquerda política e a luta de classes no Brasil

Barack Obama foi o último grande triunfo do Império. Realizou guerras intermináveis mais do que qualquer outro de seus antecessores, programava todas as terças assassinatos de “dissidentes”, imprimiu uma quantidade quase infinita de dólar para capitalizar fundos especulativos que criaram o novo precariato através da fintechs, organizou um sem número de golpes de Estado mundo afora. Apesar disso, ganhou um Oscar e um premio Nobel da Paz e é a bandeira de determinado tipo de “progressismo” de esquerda baseada numa noção de inclusão com uma visão muito restrita dos problemas sociais e da incrível crise econômica que só se agravou após 2008. Como a nova esquerda política, no Brasil, tem lidado com esses desafios depois da repaginação do imperialismo? Como se organizar atualmente a luta de classes? Qual sentido de democracia hoje nos orienta? É essa uma das questões que tento trabalhar nesse novo programa.

YOUTUBE: https://youtu.be/StYyHF-gkic

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/A-nova-esquerda-poltica-e-a-luta-de-classes-no-Brasil-e1k55kd

“A alegria de querer destruir aquilo que mutila a vida”: Foucault, Deleuze, Benjamin, Baudelaire

“A alegria de querer destruir aquilo que mutila a vida”: é assim que Deleuze vê as descrições do sistema punitivo feitas por Foucault em “Vigiar e punir”. Não se trata da horrível alegria do carrasco, mas da alegria no horror dos revolucionários. Tendo em vista que Foucault está menos interessado nos grandes nomes da histórias do que na vida dos homens infames, pode ser visto na descrição que faz da punição a uma criança de 13 anos culpada por vadiagem o próprio éthos ou modo de ser descrito por Benjamin a respeito de Baudelaire em suas Passagens parisienses: “todas as ilegalidades que o tribunal codifica como infrações, o acusado reformulou como afirmação de uma força viva: a ausência de habitat em vadiagem, a ausência de patrão em autonomia, a ausência de trabalho em liberdade, a ausência de horários em plenitude dos dias e das noites”. Ler Foucault a partir de seus últimos trabalhos e das concepções mais claramente expostas neles elucidar o que foi escrito antes expõe que não há um sequestro da literatura ou da arte em sua filosofia quanto ele teria passado à sua “fase genealógica”. A preocupação com a literatura, com a arte, acima de tudo com a vida artista e com a formação de novas formas de vida que está entrelaçado em todo e qualquer escrito dele. Ao olhar assim Foucault, nos desfazemos de categorizações estanques e podemos alcançar o fundo vivo de sua obra.

YOUTUBE: https://youtu.be/MZgcXyO-418

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/A-alegria-de-querer-destruir-aquilo-que-mutila-a-vida-Foucault–Deleuze–Benjamin–Baudelaire-e1k55es

Sobre a falácia da “armadilha da dívida” chinesa

Em 2018, um think thank norte-americano associado a Universidade de Harvard lançou o termo “chinese debtbook diplomacy”. Com a difusão da suposta “armadilha da dívida” pelos meios de comunicação, acreditou-se que era uma noção vinda da Índia como forma de se contrapor à influência chinesa por toda a Ásia. A falácia da crítica aos mecanismos de créditos da China para suas obras fora do país resulta numa dupla incompreensão: a de que a “dívida chinesa” é predominante no componente total da dívida dos países envolvidos e de que os empréstimos envolvem condicionalidades que, tais como armadilhas, acabam escravizando o país que recorre a eles. Ver os casos do Paquistão e do Sri Lanka (seus problemas de dívida, de infraestrutura e, em especial, no setor elétrico) fornece subsídios para se pensar a composição da dívida pública brasileira frente aos desafios atuais para nosso desenvolvimento.

YOUTUBE: https://youtu.be/C0DUqocFVR8

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/Sobre-a-falcia-da-armadilha-da-dvida-chinesa-e1k3hdq

A história à prova do testemunho: Ricoeur diante de Auschwitz

Com a sofisticação da escrita da história contemporânea à micro-história e à terceira geração dos Annales, alguns teóricos mostraram preocupação com a possível dissolução das fronteiras que separam a história da ficção, tanto para o público leigo quanto para o senso comum de um modo geral. Por outro lado, a publicação da “Meta-história”, por Hyden White”, parecia legitimar teoricamente relativismos variados ao aparentemente subordinar os fatos à sua existência linguística. Em “A memória, a história, o esquecimento”, Paul Ricoeur procura ultrapassar tais barreiras epistemológicas ao contrapor a noção de “representação artística” ao seu conceito de “representância historiadora” e, no plano existencial, expor como o testemunho pode servir de prova de verdade a história diante de casos extremos como o Holocausto e as tentativas de revisionismo que entraram em moda décadas depois.

YOUTUBE: https://youtu.be/8blE_qCn_vY

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/A-histria–prova-do-testemunho-Ricoeur-diante-de-Auschwitz-e1k053l

O tempo que resta, de Giorgio Agamben (5° Jornada)

Na 5ª jornada de “O tempo que resta”, Giorgio Agamben trabalha com duas aporias do pensamento paulino: a entre lei e salvação e entre mistério da anomia e estado de exceção. Se o tempo messiânico não é um tempo futuro como compreender a promessa evangélica no tempo de agora? Como entender um reino messiânico que desativa a lei, a torna inoperosa, sem suspendê-la ou torná-la incompreensível? É da ampla atualidade do conceito de tempo messiânico e da Carta aos Romanos que Agamben se utiliza para pensar o tempo presente.

YOUTUBE: https://youtu.be/mTFSwXatuqE

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/O-tempo-que-resta–de-Giorgio-Agamben-5-Jornada-e1jfo6o

O programa “JK-65, compromisso com a democracia brasileira”

O programa de JK para disputar as eleições de 1965, encontrado por pesquisadores durante a Comissão Nacional da Verdade (que em sua seção paulista considerou o ex-presidente como assassinado politicamente), permite rever os impasses que a revolução brasileira (1930) enfrentava na ocasião e, ao se comparar com o período posterior, pode ser visto como a ditadura militar subverter e adulterou os rumos dessa revolução, americanizando e dolarizando nossa economia, processo que deu início ao atual sistema da dívida e financeirização atrelados ao paulatino impulso de reprimarização industrial. Assim, o golpe de 64 reedita a República Velha e adia a execução para um Estado novo no Brasil.

YOUTUBE: https://youtu.be/jPaDzvPzwbU

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/O-programa-JK-65–compromisso-com-a-democracia-brasileira-e1jfq2f

Walter Benjamin: “Eduard Fuchs, colecionador e historiador”

Em seu trabalho sobre Eduard Fuchs, Walter Benjamin aprofunda sua crítica em relação a chamada “alta cultura” (o classicismo, Winckelmann, etc.) quanto procura trazer ferramentas mais eficientes à crítica marxista da arte. Assim, a figura do colecionador (seu figurino francês) prepondera sobre a do historiador, do escritor e do alemão E. Fuchs. Seu trabalho que quase pode ser igualado ao do trapeiro (se o colecionador antes não fosse um milionário…) ultrapassa as barreiras das ideologias da época e dos próprios preconceitos de Fuchs. É sobre esse texto difícil e amplo que procuro encontrar subsídios importantes para a crítica cultural.

YOUTUBE: https://youtu.be/lauszimew6w

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/Walter-Benjamin-Eduard-Fuchs–colecionador-e-historiador-e1je8rd

Protonacionalismo militar e estado de exceção permanente (1964-2003 / 2016 – )

A emergência de determinados grupos que se dizem nacionalistas (viúvas do Lula 1, ex-bolsonaristas, ciristas, algumas pessoas ligadas a Aldo Rebelo, etc.) traz um problema duplo: 1) Qual a relação que a sociedade civil deve estabelecer com as Forças Armadas? O passado recente de arbítrios e o golpe de Estado de 2016 tornaram essa relação problemática; 2) As Forças Armadas são parte fundamental para a soberania nacional, porém a relação ambígua da esquerda com esse setor social acaba por afastar os militares das discussões nacionais. O ponto que procuro destacar é menos o do arbítrio das perseguições políticas durante a ditadura do que seu projeto econômico entreguista. Sem os militares tomarem consciência que servem como apoio a um estado de exceção permanente, por décadas funcionando quase como uma extensão da política norte-americana para o país, não se pode retomar a boa tradição das Forças Armadas, a que levou a Revolução de 30 e a modernização do país já com o “Vargas burguês”, Juscelino Kubitschek.

YOUTUBE: https://youtu.be/f_pLpol5L-8

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Jogo de escalas: estrutura e acontecimento em Fernand Braudel

Na revisão que faz sobre sua abordagem da história da historiografia, Paul Ricoeur relê Fernand Braudel à luz das inovações trazidas pela micro-história. A escrita dos historiadores passa a ser compreendida como mediação através da narrativa entre estrutura e acontecimento, onde todos os diferentes tipos de dados coletados em uma pesquisa não são mais considerados como “fatos” ou “dados” por serem atravessados pela composição do autor das histórias. Diante de novas conclusões, podemos reler e rever o importante e antigo trabalho de Braudel, isto é, seu “Mediterrâneo”.

YOUTUBE: https://youtu.be/C7WmcKl1dQU

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/Jogo-de-escalas-estrutura-e-acontecimento-em-Fernand-Braudel-e1j10de