O Abertinho

Em tempos de neomacartismo e jurisprudência da destruição, arte, política e cultura em textos nem um pouco ortodoxos

Ei você que está me olhando

David Lynch: “Life is very, very complicated so films should be allowed too”. Igualmente para O Abertinho

Ei você que está me olhando:
Não sei o que de bom tem encontrado por aqui.
Como uma invasão clandestina
Prescrutam palma a palmo cada palavra
escrita por esse estrangeiro Abertinho

Ei você que está me olhando
Tão longos olhos por vezes me geram surpresa
Me geram desconfiança
Afinal, por que estão me perscrutando?

A qualidade dos trabalhos é evidente,
Muitas vezes embora feitos com um tanto de pressa.
Ei você que está me olhando

Em grupos, em maltas, em quase invasões:
Visitas assim são curiosidade, admiração,
estupefação, desconfiança
ou afinal encontraram um longo e raro livro?

Digno de interesse?
Ei você que está me olhando
Seus longos olhos não sugerem, não me pedem
A criação de qualquer tipo de vinculo, de pacto.
Invasão clandestina ao estrangeiro Abertinho.

São tantos e completamente ignorados…
Vejo apenas seus longos olhos.
Ei você que está me olhando no silêncio e na noite
O brilho difuso desse olhar, o que me diz?

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Orfeu e a tarefa do negro no Brasil

Léa Garcia na bela imagem no Morro da Babilônia, palco do filme Orfeu Negro

“Na rota dos propósitos revolucionários do Teatro Experimental do Negro vamos encontrar a introdução do herói negro com seu formidável potencial trágico e lírico nos palcos brasileiros e na literatura dramática do país”.

Abdias Nascimento

O documentário de Silvio Tendler, Haroldo Costa – o nosso Orfeu[1], conta a história desse personagem que foi ator, bailarino, diretor, radialista, carnavalesco, criado no Teatro Experimental do Negro com Abdias Nascimento e Guerreiro Ramos. Para ele, ser negro no Brasil não é exercer um papel, mas ter uma tarefa. Saber da contribuição do negro para a sociedade brasileira, porém não se identificar com seus esteriótipos. Colocar em tudo o que faz o coração, a alma da herança que traz em si que, mesmo subentendido, deixa claro o que foi a escravidão e o que é o legado dos africanos no Brasil. Não é como exercer o papel em uma novela, recheada de esteriótipos e nais quais o negro logo desaparece. E quem aparece logo depois na primeira capa do jornal? O negro preso, bandido, capturado – assim como os jornais mostravam naquela suposta época remota, a da escravidão. 

A tarefa do negro no Brasil é fazer reverter esse sinal, ou seja, fugir da carnavalização de sua figura, denunciar os preconceitos, e ser tão grande quanto qualquer representante da cultura “branca”. Haroldo Costa dirigiu o programa no Canal 13, no dia 13 de maio, onde Guerreiros Ramos entrevistou Antônio Cândido, o Almirante negro. Três figuras de ponta que mostram não apenas o que é a tarefa do negro na sociedade brasileira, mas o que pode ser sua contribuição para a humanidade. Esse o legado brasileiro em uma imagem. 

Devo esse texto a Rogério Skylab e ao seu difundo programa Matador de Passarinho

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A Vênus de Botticelli e a primavera da história da arte: o caso Aby Warburg

Breve apresentação da História da Arte como concebida por Aby Warburg, pioneiro no estudo das Pathosformel ou “fórmulas patéticas”, que revolucionou sua disciplina, criou uma biblioteca fantástica (quase borgiana) e apontou para a crianção de uma cadeira, a Ciência da Arte. Depois dos estudos de Didi-huberman, se tornou praticamente uma inconsequência não estudar inclusive a arte moderna (Bataille, Einstein, Picasso, Miró) através das ferramentas intelectuais criadas pelo inovador pesquisador alemão.

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Um poderoso senso de imaginação: a “Harmonia dos Mundos”, de Johannes Kepler

“Quando a experiência parece ensinar algo diferente daquilo que nós cuidadosamente demos atenção, isto é, que os planetas se desviam de uma área simplesmente circular, isto dá origem a um poderoso senso de imaginação, que pela sua grandeza leva o homem a procurar pelas causas”.

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Autópsia ou o olhar do historiador

Com seu livro O espelho de Heródoto, François Hartog acabou por entrar, talvez à revelia, no “vendaval” que sacudiu o debate dos intelectuais com o surgimento do revisionismo histórico sobre o nazismo. Na época, tanto Carlo Ginzburg quanto Paul Ricoeur reconheceram no livro traços do relativismo cultural daquela década, marcada tanto por um incremento na sofisticação da escrita dos historiadores (o que os aproximou da escrita ficcional), quanto por um ambiente político e acadêmico reacionário que buscava negar Auschwitz. Contudo, as indeterminações que sugeria o conceito de “autópsia” criado na ocasião por Hartog, serviram para questionar as estruturas do pensamento historiográfico e, longe de qualquer relativismo reacionário, projetou-o hoje como um dos maiores pensadores acerca do ofício do historiador. É um pouco dessa história que esse texto pretende contar.

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O fim da onda da “direita lisérgica”?

A grande pergunta não é sobre a supostamente desaparecida “burguesia nacional” ou a ausência de “generais nacionalistas”. A pergunta versa sobre os motivos de o Golpe continuar ativo, apesar de todos os atos contraditórios dos golpistas. Quem ainda sustenta um governo insustentável? Como fazem isso? Qual o caminho para se reverter o mais rápido possível o atual estado de coisas? Como em 2002 na Venezuela, na América do Sul novamente a população rechaça o neoliberalismo e o arbítrio fardado. Terá chegado o fim da “direita lisérgica”?

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A aliança entre ambientalismo e alta finança: o encontro em Jackson Hole

A “musa” do novo ambientalismo, Greta Thunberg, se encontra com Barack Obama para calcular quantos “moinhos de vento” são necessários para se fazer uma viagem a Lua

Texto traduzido por mim para a Executive Intelligence Review

Por Paul Gallagher, diretor inteligência econômica da EIR

O encontro estratégico dos banqueiros internacionais da Reserva Federal em Jackson Hole, Wyoming, na última semana de agosto, testemunhou a confissão dos maiores bancos centrais do mundo, de que conduziram por 12 anos uma política (deliberadamente) falha para tentar reativar a economia após a crise de 2007-08; e os bancos centrais planejam agora retirar de seus governos todo o poder para criar crédito e financiar o desenvolvimento. O resultado, se o Fed e seu grande irmão, o Banco da Inglaterra, tiverem permissão para tanto, é que haverá uma impressão de moeda numa escala bizarra por parte dos bancos centrais, centrada em projetos “ambientais”, com a intenção de levar a tecnologia energética para a era anterior a dos combustíveis fósseis, num contexto onde a população mundial é muito maior.

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A Idade da Razão está nas Estrelas!

Chamado Internacional à Juventude: A Idade da Razão está nas Estrelas!

Helga Zepp-LaRouche disse o seguinte na terça-feira, 3 de setembro, em relação ao seu “Chamado Internacional para a Juventude”: “Teremos Dias Internacionais de Ação iniciando em 10 e 12 de setembro, para os quais eu escrevi esse folheto que deve ser usado simultaneamente em todos os lugares – na América Latina, Europa, África, Ásia e nos EUA. Devemos reunir a juventude do mundo para ver que a loucura da mudança climática é completamente contrária a verdadeira identidade do ser humano como explorador do espaço, que pode, com tecnologia espacial, resolver qualquer problema, inclusive esse da mudança climática”.

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Pela exoneração de Lyndon LaRouche

Com a prisão de LaRouche, os EUA e o mundo foram privados de seu mais ilustre homem de Estado e economista. Porque as políticas de LaRouche para substituir a pilhagem mortal de Wall Street e da City de Londres por uma justa Nova Ordem Econômica Mundial de desenvolvimento universal em alta tecnologia, centenas de milhões de pessoas ao redor do mundo permanecerem na pobreza e dezenas de milhões perecerem sem necessidade. Foi somente com a recente adoção da China de políticas muito similares àquelas propostas por LaRouche há 50 anos, que o genocídio foi interrompido ao menos em boa parte do planeta.

Trecho do obituário de Lyndon LaRouche escrito pelos editores da EIR.
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E os neoliberais querem voltar a ser “social-democratas”…

Liberalismo bonitinho e cheiroso

A posição atual de Andre Lara Resende não pode ser vista em separado das movimentações de Jorge Paulo Lemann. Se o PSDB foi praticamente a madrinha do golpe de Estado, forneceu quadros técnicos e planos políticos-econômicos para o governo Temer e, como que numa falha de cálculo, pariu o liberalismo tosco de Guedes e Bolsonaro, nada mais natural que essa ala “mais esclarecida” do liberalismo tenha que influenciar a política nacional com uma roupa diferente. Capitalismo e anarquia.

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Comissão Nacional da Dívida Pública

Um pirata defendendo o tesouro nacional? Fábula ou ficção científica?

Texto sobre piratas nacionais e estrangeiros e a necessidade de extirpá-los. Eles aparecem agora com uma cara amigável, um fascismo de aparência democrática, economicamente pousando como neokeynesianos: somente um processo ainda mais radical do que a Comissão Nacional da Verdade, que buscou apurar os crimes da Ditadura, poderá remover a usurpação das riquezas nacionais e ser um auxílio fundamental na volta do estabelecimento do Estado Democrático de Direito.

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Notas sobre a Nova Teoria Econômica

Procura-se importar para o Brasil um debate econômico estrangeiro, um novo pós-keynesianismo, na busca de se justificar o aumento dos gastos públicos. Quem trouxe a atual efeméride não é ninguém menos que André Lara Resende, economista do Plano Real e chamado por Paulo Henrique Amori de André “Haras” Resende, porque, depois de ficar rico com o monetarismo aplicado nos governos FHC, transportava seus cavalos em jatos particulares. Teria esse debate algum valor para a atual situação econômica brasileira?

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