O Abertinho

Em tempos de neomacartismo e jurisprudência da destruição, arte, política e cultura em textos nem um pouco ortodoxos

Haxixe para Foucault

Kant nas magazines.
No livro “The Passion of Michel Foucault”, de James Miller, o autor narra os bastidores do célebre debate entre Michel Foucault e Noam Chomsky. O caso, porém, não indica apenas uma brincadeira do organizador do encontro. Fica ainda mais claro as diferenças políticas e filosóficas da época, obscurecidas pelas incontáveis discussões acadêmicas de um lado, e pelas teorias sobre o “pós-modernismo” e sobre a influência da CIA na vanguarda francesa do pós-guerra.

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Sobre o atual “conservadorismo ilustrado”

Quando a a direita passou a aumentar seu tom de voz há poucos anos, vira e mexe se falava que não existia mais direitistas como antigamente. Fazia-se alusões a Merchior, Paulo Francis, Bob Fields e que tais. Eram declaradamente de direita, porém tinham o mínimo de articulação, sabiam dialogar e não apenas xingar ou difamar, como o que vemos hoje no atacado e no varejo. Contudo, talvez esse conservadorismo já exista. Quem sabe, porventura, um pouco melhorado. São meio livre-mercadistas, meio esquerdistas, e não são vistos ainda como “de direita”. Dar tempo ao tempo…

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O Anti-Édipo e a Contracultura

“A origem do mundo”, de Gustave Courbet, devidamente trajada para o Facebook

O Anti-Édipo, chamado na época de seu lançamento de “livro-acontecimento”, tamanho o impacto que causou na França no momento, teve a ousadia de dizer não ao “sexo-rei” e mesmo assim continuou a ser considerado um livro subversivo. Lançado logo depois de maio de 1968, da revolução sexual, fruto da contracultura, mas também do lançamento dos anticoncepcionais, da revolução cosmética e do cinema colorido de Hollywood, ainda é um ponto de controvérsia sua afirmação do desejo junto ao escárnio frente ao que chamou de um neoidealismo, “a representação antropomórfica do sexo”.

Como entender, portanto, o sexo no Anti-Édipo em meio ao contexto da Contracultura?

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Hélio-3: o combustível do futuro no satélite natural da Terra

 (Foto: AFP Photo/Mark Ralston)

Texto traduzido por mim do site da tv chinesa CGTN

Nenhum ser humano colocou os pés na superfície lunar desde que a missão americana Apollo terminou, em 1972. Desde quase cinco décadas para cá, a lua não é mais vista apenas como o satélite natural da Terra.

Independente de missões tecnológicas, os cientistas têm pesquisado ao longo dos anos a presença de metais preciosos e fontes energéticas desconhecidas que possam ser usadas na Terra.

Mas por que as pessoas continuam a trabalhar na exploração da lua? Talvez aqui possa estar a resposta.

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Fernando Haddad, o formulador de paradoxos

Parafraseando Haddad: a pauta conservadora pode produzir mágica. Foto: Ricardo Stuckert

Com o violento ostracismo a que relegaram Lula e boa parte das lideranças históricas e populares do Partido dos Trabalhadores, se torna mais evidente um pensamento ilustrado e conservador, de corte esquerdista. Essa postura e esse pensamento se tornaram hegemônicos em parcelas da mídia independente ou de esquerda. Fernando Haddad e Mathias Alencastro são um excelente caso de estudo. Não é preciso só um “retorno às bases”, mas também um retorno às formulações políticas básicas de um governo popular. Sem um crítica a esse tipo eminente de esquerdismo, somente com dificuldades podemos retomar o que de mais legítimo existe em nossa história enquanto povo, enquanto cidadãos de um país com grandes aspirações sociais e humanas.

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Os objetivos do Brasil e o astronazi

O astronazi e o astro nazi

Muito obrigado a todos os que conheceram e acompanharam o blog durante este ano!

As nações tem que alcançar a dinâmica necessária para que não ocorra o desenvolvimento científico e tecnológico sem a preocupação com o social – esse o grande desafio do século XXI. Assim, o astronazi e o astro nazi parecem se mover na contramão da história. Não é o setor de Ciência e Tecnologia, mas o governo como um todo, que se move para o genocídio do social. A ciência e a tecnologia, nesse enquadramento, se torna uma quimera, como foi no governo Temer e de Collor a FHC.

O artigo segue abaixo.

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Há cinquenta anos foi feita uma grande promessa para a humanidade

A passeata dos cem mil no Rio de Janeiro: mais uma data simbólica do ano de 1968

Caso for levado em consideração um panorama mais amplo, o demagogo Jair Bolsonaro e seus asseclas não terão um dia fácil nos próximos meses. Cinquenta anos atrás uma grande promessa foi feita a humanidade. Aguardamos pelo seu cumprimento, cuja origem se deu como resultado das fecundas movimentações políticas mundo afora abortadas cinquenta anos atrás. Elas não se calaram e podem ser retomadas a qualquer instante, dado a imensa aceleração do tempo histórico que agora, mais do nunca, nem mesmo no longuíssimo século XX, vivenciamos. 

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A volta da “normalidade democrática” com Bolsonaro vale alguma coisa?

E na hipótese improvável dele desmentir o cartaz?

As críticas que mais se avolumam contra Bolsonaro visam em boa parte aspectos meramente formais. Sua personalidade, junto a ministros de origem e posições mais do que duvidosas, além de velhos militares, compõem um caldo cultural indigesto.

Além do mais, existe a trupe familiar que acompanha o vencedor da fraude eleitoral, que acredita piamente que Donald Trump é o tio Patinhas. Dessa forma, muitos chegaram a manifestar saudades do Temer, em memes da internet muito engraçados.

Porém, apesar da aparência medonha, o terrível em seu governo é o mero fato de ser a continuação do governo Temer que, por sua vez, foi um apêndice do projeto tucano neoliberal fracassado tanto nas urnas quanto no dia a dia da administração pública.

Se existe um marco inicial do “estado de exceção” no Brasil foi o estupro da Constituição brasileira durante o primeiro mandato de FHC, quando abriu ao estrangeiro a posse das riquezas minerais do país.Os governo do PT de alguma forma conseguiram suspender a exceção. No caso, foram governos de exceção que paralisaram o estado de exceção permanente.

Depois das confusões políticas que seguiram as jornadas de junho de 2013, o governo de Dilma se perdeu em especulações a respeito de uma nova Assembléia Constituinte. O problema, contudo, não é criar uma nova constituição, mas fazer valer os artigos dela que foram suspensos (ea privataria é um caso exemplar) e efetivar inúmeros outros dispositivos que visam o cumprimento amplo e irrestrito do fundo social que baseia a lei maior brasileira.

Sem uma revisão histórica dos últimos 30 anos, todas as críticas, por melhores que sejam, esbarram na mera formalidade. Aliado a uma visão algo distorcida dos movimentos políticos verdadeiramente intestinos que hoje passa o mundo, a proliferação de palavras sobre Bolsonaro, em muito dos casos, não leva a lugar nenhum.

Se houve um ponto, no plano discursivo, que fez Haddad perder as eleições, foi o esquecimento durante o segundo turno da bandeira do referendo revogatório e a associação Temer-Bolsonaro. Optou-se pela crítica mais ampla e também mais genérica do fascismo. Se o fascismo é o estado de exceção em pleno vigor, Collor e FHC são fascistas também, independentemente da aparência exterior desses governos. O estado de exceção só é desarmado com a volta às bases sociais, o que corresponde não a um discurso genérico, mas ao discurso popular, tão bem encarnado por Lula, capturado pelo tema do “combate a corrupção”.

Nenhuma “nova esquerda” pode oferecer solução eficaz se não aderir ao velho e bom nacionalismo e, no plano internacional, não buscar uma “aliança internacional das esquerdas”, mas voltar para a Rússia e a China, para a defesa intransigente da América Latina, ou seja, para o projeto dos BRICS. Esse é o papel de liderança que o país deve ter. Todas as críticas formais convergem para a especulação.

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Niilismo e Concórdia: os leitores de Machado de Assis

Em boa medida, quem criou o Machado de Assis que conhecemos foram seus leitores. Diante da imensa fortuna crítica que conta com importantes trabalhos estrangeiros (às vezes esses chegam a suplantar em importância os nacionais), além dos escritos de Roberto Schwarz, cujo empenho de quase toda uma vida se deu a interpretar quem chamou de “mestre na periferia do capitalismo”. Este mesmo crítico, apesar de uma forte contenda com Silviano Santiago a favor de modelos explicativos nacionais contra modelos estrangeiros para explicar a literatura brasileira, sempre contrapõe nossa sociedade a um tipo de liberalismo estrangeiro que nosso país nunca chegou a alcançar.

Se essa própria noção de liberalismo pode em muito ser criticada, ainda mais seria sua aplicação a realidade nacional. Esse estrangeirismo na leitura de Machado de Assis transformou-o não em um grande autor, mas em um gigante. Contudo, o século XIX é repleto de lutas sociais importantes, teve autores de grande relevância participando disso (um dos casos paradigmáticos é Sousândrade), e tudo parece se ofuscar frente a presença do “bruxo do Cosme Velho”. Mas não se ofusca só a literatura, mas a complexa sociedade brasileira da segunda metade do século XIX como um todo.

O pequeno texto abaixo tende a abrir algumas brechas diante dessa unanimidade machadiana, provocar alguns questionamentos, na análise principalmente dos leitores de Machado e do que se chamou de “autor hipocondríaco”, ou seja, o éthos da escrita machadiana.

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Por que os eleitores brasileiros escolheram o “mensalão”?

Por que os eleitores brasileiros, ao optarem pelo “novo”, colocaram o baixo clero, o “centrão”, no poder e assim elegeram os temas mais rejeitados como a mesada a políticos ou a formação de quadrilhas parlamentares? Enquanto isso o alto clero continua com suas roubalheiras, com o Supremo, as Forças Armadas, com tudo…

Um Foucault “fenomenólogo” e neoliberal? A resposta dos Mestres da Verdade

Segundo texto da série contra a visão de um Foucault “fenomenólogo” e neoliberal. A antropologia histórica francesa dá uma resposta a altura às abordagens essencialistas de Heiddeger, com Marcel Detienne relendo seu clássico Os Mestres da Verdade na Grécia Antiga. Os mestres da verdade, os regimes de veridicção, a aleturgia: todos esses conceitos foucaultianos são tributários dos estudos que fez, para além da influência perene de Dumézil, com a chamada “terceira geração” da Escola dos Annales.

Vale lembrar que a mesma chave em que se coloca o Foucault como neoliberal, o aproxima perigosamente da fenomenologia. A crítica costumeiramente foca muito no termo “neoliberal” e esquece que a fenomenologia é seu contraposto necessário. Na gênese traçada por Foucault, é quase impensável o surgimento do liberalismo do pós-guerra na revista Ordo sem os debates sobre a filosofia de Husserl, que lhe deu aspectos de “ciência maior”. Essa é a chave que ele quis se afastar com suas pesquisas expostas no curso Nascimento da Biopolítca, e essa é a chave que não se deve usar para ler Foucault, de acordo com as leituras do próprio Deleuze. […]