O Abertinho

Em tempos de neomacartismo e jurisprudência da destruição, arte, política e cultura em textos nem um pouco ortodoxos

Radiografando a Nouvelle Vague Soviética

 

“Curioso é notar que os tempos turbulentos da Guerra Fria não influenciaram a produção russa. Os filmes tinham uma preocupação muito maior com o sujeito, com questões mais amplas como o que é a vida, onde personagens jovens se desvencilham do fardo do stalinismo e da guerra, se importando com questões mais subjetivas e com uma vida comunal mais solidária, que talvez se aproximasse de uma ideia matriz mais utópica da revolução, embora fique claro que essa ideia de comunidade não seguia nenhuma ideologia de Estado”.

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Os BRICS no Centro de uma Nova e Justa Ordem Econômica Mundial

Texto traduzido por mim para a Executive Intelligence Review

Por Helga Zepp-LaRouche, fundadora e presidenta do Instituto Schiller

Inspirados pela ascensão épica da China, está ocorrendo uma reorientação estratégica dos países emergentes e em desenvolvimento, criando gradualmente no mundo todo uma ordem econômica baseada em princípios completamente diferentes. Enquanto o Ocidente tenta em vão defender o velho paradigma do sistema econômico neoliberal, cada vez mais países estão trabalhando com os BRICS, com a Organização para Cooperação de Xangai (OCX) e outras organizações regionais sob a rubrica da Iniciativa Um Cinturão, Uma Rota, baseados na cooperação ganha-ganha, e demonstrando que o mundo pode ser organizado de um modo muito mais humano do que aquela que temos visto com a União Europeia com sua bárbara política de refugiados. […]

A paz entre Trump e Putin: lição importante para o mundo

 

Da Executive Intelligence Review

Por Helga Zepp-LaRouche, fundadora e presidenta do Instituto Schiller

Deveria ser óbvio para qualquer pessoa esclarecida que melhorar as relações entre EUA e Rússia, a relação entre as nações que detém cerca de 90% das armas nucleares do mundo, cujo uso poderia varrer a humanidade, é uma coisa boa. Assim, os presidentes Trump e Putin merecem todo o crédito por abrirem esse caminho no Encontro de Helsinque, ao superarem a atual crise entre os dois países através do diálogo e da cooperação. Contudo, dado a histeria sem precedentes do establishment neoliberal e da grande mídia dos dois lados do Atlântico em resposta a esse encontro, também fica claro que essa poderosa elite prefere a destruição da civilização humana do que aceitar cooperar com a Rússia. […]

A função típica de colapso e a entropia do sistema financeiro internacional

 

O gráfico acima foi elaborado por Lyndon LaRouche ainda na década de 1980. Os agregados monetários representam a quantidade de dinheiro, papel moeda, em circulação; os agregados financeiros são os inumeráveis tipos de contratos futuros, securitizações ou derivativos; abaixo da linha horizontal, a descendente taxa de investimento em infraestrutura, em educação, ciência e tecnologia. Com isso, ele ilustra seu conceito de neguentropia: ao contrário do colapso financeiro inevitável caso seguirmos as diretrizes do mercado, ou seja, da entropia do sistema físico de toda a economia, a função da criação de um sistema de crédito baseado no modelo de Alexander Hamilton leva ao aumento da densidade de fluxo energético, per capita e por quilômetro quadrado. […]

7 motivos para ler Alberto Mussa, o escritor que você precisa conhecer

Foto: Paula Johas

Você conhece Alberto Mussa? Não? Pois apresento. Carioca, 56 anos, e um dos escritores mais originais do país. Já ganhou prêmios como o Casa de Las Américas, Machado de Assis, Biblioteca Nacional e Oceanos, mas, como sabemos, essas honrarias não são suficientes para que um escritor se torne conhecido do grande público brasileiro. […]

Morte em Veneza – Do livro ao filme, da epifania à queda

Um momento suspenso no tempo, breve como o escoar da areia na ampulheta observada por Aschenbach, perceptível somente no final, “quando não resta mais tempo para pensar a respeito”: assim nos afigura a via crucis de Gustav Von Aschenbach em A morte em Veneza, livro de Thomas Mann transposto com precisão e originalidade para as telas do cinema por Luchino Visconti.

Mais que uma adaptação da obra de Mann, Morte em Veneza complementa a obra literária, dá a ela sentidos novos sem deturpar sua essência. Não realizando mera cópia, Visconti consegue manter, portanto, a originalidade e o caráter de “arte” do cinema, dá significações complementares ao filme. […]

Claude Lanzmann (1925-2018): cineasta do indizível

Le dernier des injustes (O Último dos Injustos, 2013) de Claude Lanzmann

O cineasta Claude Lanzmann faleceu no passado dia 5 de Julho, em Paris, já com mais de 90 anos. Apesar de ser mais lembrado pelo “melhor documentário da história do cinema”, Shoah (1985), Lanzmann manteve uma produção contínua até ao início deste ano. Carlos Alberto Carrilho escreve exactamente sobre esses últimos títulos da sua carreira, Le dernier des injustes (O Último dos Injustos, 2013) – estreado comercialmente em 2015, crítica de Carlos Natálio –, Napalm (2017) – exibido na última edição do DocLisboa – e Les quatre soeurs (2018) – exibido na última edição do IndieLisboa. Já Luiz Soares Júnior escreve sobre o monumental Shoah, “um pequeno filme de horror incrustado numa obra prima do fora de campo“. […]

Como se regalar no Inferno: O Corpo Presente de J. P. Cuenca

A literatura brasileira deu mostras de vigor no início do século. Não o vigor físico do corredor de maratonas, mas de vigor intelectual mesmo, de criatividade, impulsionada pela aquisição da classe-média dos serviços de internet. Quantos podemos nomear dessa geração, dependendo do gosto, das escolhas, de cada um? São bem diversificados os nomes e os estilos de muitos dos ainda jovens escritores. Foi uma espécie de “revolução por cima”, mas que dinamizou nossa produção artística a partir de portais literários como o Paralelos, Bestiário, Cronópios, e tantos outros. Foi uma forma de democratização da literatura que produz resultados consistentes até hoje. Logo, também é necessário uma crítica.

Ao comparar a literatura de João Paulo Cuenca com a de Ricardo Lísias, podemos ver duas formas de se entrar no inferno. O segundo parece transitar entre sub-paradoxos, entre pseudo questões que compõem um inferno não só pessoal, mas solipsista. É um pequeno eu escandalizado com mínimos escândalos mundanos. Cuenca, pelo contrário, parece se regalar no Inferno, numa atitude que, se não tem relação direta com a chamada “carnavalização” na literatura, como estudada por Bakhtin, passa pelas estações infernais tanto de Dante, quanto de Henry Miller ou Roberto Piva. Assim, a comparação que se propõe forma uma boa métrica para um caso de estudo da literatura brasileira mais contemporânea.

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Porque escolher Amorim seria uma opção “cirista” do PT

Foto: Ricardo Stuckert

Nada contra o ex-Ministro. Muito honrado, de conduta ilibada, trabalho reconhecido internacionalmente, um quadro dos mais qualificados tecnicamente do Partido dos Trabalhadores e do Brasil, e a quem, pessoalmente, devoto a mais legítima admiração. O problema de um possível escolha de Celso Amorim para vir como vice de Lula e, caso o Estado de exceção prevaleça, ter o Chanceler como candidato a presidente, é o problema moral que essa escolha pressupõe. […]