Falenas: o problema do surgimento de uma nova linguagem (antropologias foucaultianas III)

Como se comunicam as palavras na noite das imagens.
(foto: Anne-Lise Broyer)
[extrato]

Tratando-se de imagens, é particularmente necessário renunciar às pretensões da metafísica, quando esta forja “um conjunto de concepções tão abstratas e, por conseguinte, tão vastas, que nele caberia todo o possível, e mesmo o impossível, ao lado do real”, enquanto que o pensamento filosófico, para ser preciso, deve constantemente “aderir ao seu objeto”. O elogio das singularidades proposto nestas linhas por Bergson – enquanto se espera por Gilles Deleuze – acabava, como sabemos, por recusar a maneira como quase toda tradição metafísica do Ocidente terá privilegiado a permanência das formas fixas, facilmente pensáveis na sua idealidade, em detrimento das formas moventes, tão difíceis de apreender nas suas durações concretas, nas suas mudanças, nos seus anacronismos e metamorfoses: “Foi assim que a metafísica foi levada a procurar a realidade das coisas acima do tempo, para além daquilo que se move e que muda, fora, por conseguinte, daquilo que os nossos sentidos e a nossa consciência percebem. Desde então, a metafísica já não podia ser mais que um arranjo de conceitos mais ou menos artificiais, uma construção hipotética. Pretendia ultrapassar a experiência; na verdade, não fazia mais do que substituir a experiência movente e plena, suscetível de um aprofundamento crescente, e portanto prenhe de revelações, por um extrato fino, ressequido, esvaziado, um sistema de ideias gerais e abstratas, retiradas dessa mesma experiência, ou antes, das suas camadas mais superficiais. Seria o mesmo que dissertar sobre o envoltório do qual se libertará a borboleta, e pretender que a borboleta voante, cambiante, viva, encontre a sua razão de ser e o seu remate na imutabilidade da película. Retiremos, pelo contrário, o envoltório. Despertemos a crisálida. Restituamos ao movimento a sua mobilidade, à mudança a sua fluidez, ao tempo sua duração”. 
Esse um dos motivos pelo qual criamos O Abertinho e, agora, podemos responder aos nossos críticos.
Trecho do artigo “Aparecendo, desaparecendo, borboleteando”, de Georges Didi-Huberman. Falenas: KKYM, Lisboa, 2015.
“De repente, algo aparece. Por exemplo, uma porta abre-se e uma borboleta passa batendo as asas. Basta este nada. E já o pensamento experimenta o perigo. Corre o risco de se enganar uma primeira vez, acreditando apropriar-se do que acaba de aparecer e abstendo-se, que é a desistência, desaparição. Por que é um erro acreditar que, uma vez aparecida, a coisa está, permanece, resiste, persiste tal qual no tempo, como no nosso espírito que a descreve e a conhece. Sabemos bem que não é assim: uma porta não se abre senão para a qualquer momento se voltar a se fechar, uma coisa não aparece, como uma borboleta, senão para no instante seguinte desaparecer. Mas o pensamento se desorienta uma segunda vez realizando com a coisa desaparecida a mesma abstração que com a coisa aparecida. Também aqui terá de se ter em conta o que se segue, quer dizer, a maneira como a coisa que já não está permanece, resiste, persiste tanto tempo como na nossa imaginação que a rememora. Como falar de um aparição de outro modo que não seja sob o prisma temporal da sua fragilidade, aí onde ela volta a mergulhar no obscuro? Mas como falar de uma aparição de outro modo que não seja sob o prisma temporal da sua fragilidade, aí onde ela volta a mergulhar no obscuro? Mas como falar desta fragilidade de outra maneira que não seja sob o prisma de uma mais sutil tenacidade, que é a força de assombração, de retorno, de sobrevivência?
Como os batentes de uma porta, como as asas de uma borboleta, a aparição é um perpétuo movimento de fechamento, de abertura, de novo fechamento, de reabertura… É um batimento… Uma vibração rítmica [myse en rythme] do ser e do não-ser. Fraqueza e força do batimento. Fraqueza: nada é adquirido, tudo volta a perder-se e deve ser retomado a cada instante, tudo tem sempre que ser recomeçado. Força: o que bate – o que se bate contra, o que se debate com – coloca tudo em movimento. Como a porta que deixa entrever um ente amado, adormecido no quarto, preservando, no entanto, o seu recolhimento; como as asas da borboleta lhe permitem voar; como o nosso coração escande a sua precursão de sístoles e diástoles; como a respiração, ela mesma, toma e devolve o ar necessário à vida. Toda aparição poderia, por isso, ser vista como uma dança ou como uma música, como um ritmo em todo caso, um ritmo que vive de se agitar, de bater, de palpitar, e que morre, mais ou menos, pela mesma razão. Também os agonizantes se debatem com eles próprios como uma borboleta que bate asas até o fim. A borboleta – particularmente a falena, essa borboleta noturna que se introduz pela porta entreaberta, dança em torno da luz e acaba por nela se precipitar e consumir – parece bem ser o animal emblemático de uma certa relação entre os movimentos da imagem e do real, ou mesmo de um certo estatuto, nem é preciso dizê-lo, da aparição como real da imagem. Não é por acaso que a borboleta, quase imperceptível porque mais não faz do que passar, serve de epígrafe às reflexões de André S. Labarthe sobre o caráter simultaneamente soberano e passageiro das imagens cinematográficas (fig. 1). É mesmo possível que, em toda tentativa de descrever uma imagem, qualquer coisa como um batimento de assas de borboleta venha dar um sentido a esse esforço, tanto quanto um limite. À semelhança da palavra phasma, a palavra falena carrega consigo os valores etimológicos da aparição, ou seja, da luz diurna que confere visibilidade (phaos, phôs) e do clarão noturno que torna imperceptível – clarão esbranquecido (phalos), brilhante na noite, ou negro manchado de branco (phalios) -, da fenomenalidade em geral (phaïnesthai), enfim, do fantasma e da imaginação (phasma, phantasia).
Fig.1. Anne-Lise Broyer, Massais, 2004. Fotografia.
Quase poderíamos arriscar a hipótese de que a cada dimensão fundamental da imagem corresponde, rigorosamente, um aspecto particular da vida das borboletas: a sua beleza e a infinita variedade de suas formas, das suas cores; a tentação e a aporia de um saber exaustivo sobre essas coisas frágeis e prolíferas que são as imagens e as borboletas; o paradoxo da forma e do informe contido na metamorfose – esse processo através do qual um verme imundo, uma larva, se torna múmia, ninfa, crisálida, para depois “renascer” no esplendor do inseto formado a que chamamos então, justamente, imago -; o jogo da pregnância e da saliência, da simetria e da simetria quebrada; o poder da semelhança e as rasteiras do mimetismo; o desperdício insensato das aparências e sua alteração fatal; o valor fantasmático e lendário em que a imago se antropomorfiza incessantemente; o movimento obstinado (batimento em torno de um eixo de simetria), dilacerante (fechamento-abertura) e, por fim, errático da imagem-borboleta; a fenda psíquica contida no jogo das suas aparições e desaparições; o desejo e a consumação que manifesta aos nossos olhos… E até ao próprio tipo de escrita, de saber, que tudo isto supõe. Eu próprio poderia por estabelecer uma ligação entre a minha obstinação na instabilidade – cada vez que, em âmbito acadêmico, me julgam amargamente: “Mas tu borboleteias!” – e o simples fato de consagrar a minha escrita às imagens”.
Pensar em borboletas em termos kantianos é vê-las aquém da beleza das obras de arte. Elas não tem nada a ver com as artes da imitação. “Ela pertence, como as flores e os pássaros exóticos – Kant gostava de evocar o papagaio, o colibri e a ave-do-paraíso, cujas cores cambiantes lembram lepidópteros -, às ‘belezas naturais (Naturschönheiten) […] que absolutamente não convêm a nenhum objeto determinado segundo conceitos com respeito ao seu fim'”. Morte das borboletas, após Galileu, segundo Didi-Huberman, , quando “a ciência tornou-se num cerrado exercício de observação sistemática e classificadora, de modo que o conhecimento das borboletas assenta numa criteologia formal que permite uma disposição tabular, fundada sobre as diferenças trazidas à luz pela observação”. Foucault talvez seja mais preciso na linguagem empregada no Nascimento da Clínica: com o primado do olhar que emerge com as ciências positivas no século XIX, os corpos não só dos homens, mas das borboletas, dos insetos, dos animais, podem ser vistas na “noite viva [que] se dissipa na claridade da morte”. Por isso Willian Henry Fox Talbot, neste mesmo século, “pretendeu fixar em calótipo a tênue imagem das asas das borboletas, sem saber muito bem – as cores, de qualquer modo, faltavam – se seria melhor vê-las em positivo ou negativo, em visão diurna ou em versão noturna” (fig-2-3).

Willian Fox Talbot. Asas de borboleta, 1839-1841. Calótipo (negativo)
Idem. Prova positiva.
Como nas célebres primeiras palavras do Nascimento da Clínica: “Quem pode assegurar-nos de que um médico do século XVIII não via, mas que bastaram algumas dezenas de anos para que as figuras fantásticas se dissipassem e que o espaço liberto permitisse chegar aos olhos o contorno nítido das coisas?”. Passagem quase imperceptível, porém muito bem focalizada por Foucault. Não é tanto em Galileu ou na “ciência moderna” de um modo geral. A primazia do olhar, a descrição exaustiva utilizada pela escolástica atual, pela assim chamada Academia, reduz ou tenta reduzir qualquer tentativa de novas ideias, quaisquer invenções “fora da caixa”, ao domínio da pura discursividade, patamar sobre o qual se fabricou nossa esotérica nomenclatura por onde os cientistas se movem, atrelando a coisa à palavra, porém tornando aquela incompreensível devido ao grau de desprendimento desta à compreensão do mundo – menos por inventividade dos criadores do que apego a fórmulas tradicionais como a do latim como língua universal -é a mesma que, nas humanidades, prega a citação curta, objetiva e somente quando necessária. Daí o grau de hermetismo na qual se encerram – e as demais ciências não são diferentes – como se, caso numa última frase, colocasse uma mera referência ao livro de Foucault explicasse alguma coisa, já que fui “sintético” e não precisei ali usar aspas em algum lugar. Mas citam porque não leem e se lessem não citariam tanto. Uma simples frase basta referindo-se a um autor consagrado para “clarear” o argumento como faz a sofística dos fanáticos religiosos atuais com os versículos bíblicos. O primado do olhar, do objeto bem delimitado: tanto na Academia quanto na Igreja: pouquíssima diferença. Esta é a “racionalidade” atual de um certo tipo de positivismo, muitas vezes de corte weberiano, que somente serve para inutilmente tentar disfarçar a mais do que eloquente preguiça dos sábios de plantão.
Como fazemos um texto com recortes, como construímos montagens, a descrição seguinte é perfeita para visualizar a passagem necessária “para que as figuras fantásticas se dissipassem e que o espaço liberto permitisse chegar aos olhos o contorno nítido das coisas”:
Em meados do século XVIII, Pomme tratou e curou uma histérica fazendo-a tomar “banhos de 10 a 12 horas por dia, durante 10 meses”. Ao término desta cura contra o ressecamento do sistema nervoso e o calor que o conservava, Pomme viu “porções membranosas semelhantes a pedaços de pergaminho molhado… se desprenderem com pequenas dores e diariamente saírem na urina, o ureter do lado direito se despojar por sua vez e sair por inteiro pela mesma via”. O mesmo ocorreu “com os intestinos, que, em outro momento, se despojaram de sua túnica interna, que vimos sair pelo reto. O esôfago, a traquéia-artéria e a língua também se despojaram e a doente lançara vários pedaços por meio de vômito ou de expectoração”. 
E eis como, menos de cem anos depois, um médico percebe uma lesão anatômica do encéfalo e seus invólucros; trata-se das “falsas membranas” que frequentemente se encontram nos indivíduos atingidos por “meningite crônica”: “Sua superfície externa aplicada à lâmina aractnóide da dura-máter adere a esta lâmina, ora de modo muito frouxo, e então elas podem ser separadas facilmente, ora de modo firme e íntimo, e neste caso é às vezes difícil desprendê-las. Sua superfície interna é apenas contígua à aracnóide, com a qual não contrai união… As falsas membranas são frequentemente transparentes, sobretudo quando muito delgadas; mas habitualmente apresentam uma cor esbranquiçada, acinzentada, avermelhada e, mais raramente, amarelada, acastanhada e enegrecida. Esta matéria oferece quase sempre matizes diferentes segundo as partes da mesma membrana. A espessura dessas produções acidentais varia muito: são, às vezes, tão tênues que poderiam ser comparadas a uma teia de aranha… A organização das falsas membranas apresenta igualmente muitas diferenças: as delgadas são cobertas por uma crosta, semelhante às películas albuminosas dos ovos e sem estrutura própria distinta. As outras, muitas vezes, apresentam, em uma de suas faces, vestígios de vasos sanguíneos entrecruzados em vários sentidos e injetados. São constantemente redutíveis a lâminas superpostas entre as quais são, com muita frequência, interpostos coágulos de um sangue mais ou menos descolorido”. 
Entre o texto de Pomme, que conduzia os velhos mitos da patologia nervosa à sua última forma, e o de Bayle, que descrevia, para uma época que ainda é a nossa, as lesões encefálicas da paralisia geral, a diferença é ínfima e total. Total para nós, na medida em que cada palavra de Bayle, em sua precisão qualitativa, guia nosso olhar por um mundo de constante visibilidade, enquanto o texto precedente nos fala a linguagem, sem suporte perceptivo, das fantasias. Mas que experiência fundamental pode instaurar nessa evidente separação aquém de nossas certezas, lá onde nascem e se justificam? Quem pode assegurar-nos de que um médico do século XVIII não via, mas que bastaram algumas dezenas de anos para que as figuras fantásticas se dissipassem e que o espaço liberto permitisse chegar aos olhos o contorno nítido das coisas?
Logo,

Isto significa que, tratando-se de imagens, é particularmente necessário renunciar às pretensões da metafísica, quando esta forja “um conjunto de concepções tão abstratas e, por conseguinte, tão vastas, que nele caberia todo o possível, e mesmo o impossível, ao lado do real”, enquanto que o pensamento filosófico, para ser preciso, deve constantemente “aderir ao seu objeto”. O elogio das singularidades proposto nestas linhas por Bergson – enquanto se espera por Gilles Deleuze – acabava, como sabemos, por recusar a maneira como quase toda tradição metafísica do Ocidente terá privilegiado a permanência das formas fixas, facilmente pensáveis na sua idealidade, em detrimento das formas moventes, tão difíceis de apreender nas suas durações concretas, nas suas mudanças, nos seus anacronismos e metamorfoses: “Foi assim que a metafísica foi levada a procurar a realidade das coisas acima do tempo, para além daquilo que se move e que muda, fora, por conseguinte, daquilo que os nossos sentidos e a nossa consciência percebem. Desde então, a metafísica já não podia ser mais que um arranjo de conceitos mais ou menos artificiais, uma construção hipotética. Pretendia ultrapassar a experiência; na verdade, não fazia mais do que substituir a experiência movente e plena, suscetível de um aprofundamento crescente, e portanto prenhe de revelações, por um extrato fino, ressequido, esvaziado, um sistema de ideias gerais e abstratas, retiradas dessa mesma experiência, ou antes, das suas camadas mais superficiais. Seria o mesmo que dissertar sobre o envoltório do qual se libertará a borboleta, e pretender que a borboleta voante, cambiante, viva, encontre a sua razão de ser e o seu remate na imutabilidade da película. Retiremos, pelo contrário, o envoltório. Despertemos a crisálida. Restituamos ao movimento a sua mobilidade, à mudança a sua fluidez, ao tempo sua duração”. (citação do mesmo texto de Georges Didi-Huberman, onde ele cita à vontade O pensamento e o movente, de Henri Bergson)


Esse um dos motivos pelo qual criamos O Abertinho.

Para responder aos críticos (agora que já os temos), vamos começar por nova citação, com nova “imagem”, tirada de outra introdução, não mais de Foucault, mas de Diferença e Repetição, de Gilles Deleuze:

Como escrever senão sobre aquilo que não se sabe ou se sabe mal? É necessariamente neste ponto que imaginamos ter algo a dizer. Só escrevemos na extremidade de nosso próprio saber, nesta ponta extrema que separa nosso saber e nossa ignorância e que transforma um no outro. É só deste modo que somos determinados a escrever. Suprir a ignorância é transferir a escrita para depois, ou melhor, torná-la impossível. Talvez tenhamos aí, entre a escrita e a ignorância, uma relação ainda mais ameaçadora que a relação geralmente apontada entre a escrita e a morte, entre a escrita e o silêncio. Falamos, pois, de ciência, mas de uma maneira que, infelizmente, sentimos não ser científica.

Vamos a uma das críticas. com uma resposta rápida, de ocasião Deixamos somente as iniciais para não expor as pessoas:

G. B.: Olha o nível “cientifico” da coisa:
“Qual será a imagem de herdeiro que embala suas noites de insônias enluaradas? A do Friedman carioca, devidamente morto e ainda não enterrado, FHC, ou ainda outra figura ainda mais obscura?”
“A primavera dos governos do PT substituídos por um grupo aboletado no poder, simplesmente para “parar essa porra”, é difícil de acreditar. Todo o prestígio alcançado para agora essa porra…”
“E dane-se também quem diz que isso não é filosófico nem acadêmico, nem tem nada de Foucault e é mero panfleto político. Vá discutir sobre o diâmetro do cú dos anjos com quem quer que seja.”
A. L.: Sempre aparecem uns lixos abitolados em política.
Rogério Mattos: G. B., você pegou os textos políticos e foi questionar a parte científica. Pega lá então os textos sobre Kepler, uma que se chama “Um Rio e muitas Baixadas”, sobre A Nova Rota da Seda, os Desenganos da Teoria Racial, Como o Homem Vê seus Deuses, etc. São inúmeros. Pincelar duas ou três coisas da primeira página e vomitar é mole.

Rogério Mattos: A. L., você sabe sobre o que você está falando?

Agora pergunto ao G. B.: somente na literatura, por exemplo, em romances, até em poesia, se pode falar de maneira bem livre, talvez completamente livre, com palavrões, com erotismo bem forte, com colóquios informais, etc., e isso é considerado arte, “invenção”, “liberdade de criação artística”? Daí segue a fórmula: em textos políticos podemos ter relativa liberdade para criticar, podemos até ser duros, mas, como nossa linguagem se aproxima da do jornalismo, não podemos chegar às extremidades da linguagem literária. No caso, fiz a mera divulgação de um cartaz que criei para meu site num grupo de divulgação científica. Eu, mal informado, sem dar conta que meu blog trata de inúmeras outras coisas e da maneira mais livre possível, esqueci que, talvez, ali não tivesse nenhuma ciência… Tem uma relação, na crítica, entre “o diâmetro do cú” e os estudos acadêmicos, só que o que vale para a “linguagem jornalística” serve igualmente para a Igreja ou para a Academia – pouco importa.
Tem uma outra crítica, curta, porém bem importante, e que “serve a carapuça” para como escrevi esse post. É de uma moça chamada Sue: “Parece que escreveram o texto com gerador de qualquer coisa”. Acertou na mosca! Foi sobre um texto que, para os parâmetros do blog, fez um sucesso tremendo, intitulado “A culpa não é do Cabral, estúpido!, mas da queima de arquivos, como na ditadura“. De fato, o tema seria a prisão do Sérgio Cabral. Mas fizemos tudo menos do que um “texto informativo”. Na verdade, “informamos” sobre diversas outras coisas que estão passando agora no Brasil e no mundo; a questão das perseguições políticas (não só aqui, como nos EUA, na Europa, a demonização da China e do presidente da Rússia – e dos russos de um modo geral -, sobre a questão das “notícias falsas”, verdadeiro tema no noticiário mundial e que aqui é utilizado bem suavemente pela mídia (imagina a mídia daqui, do jeito que está, fazer uma campanha aberta contra as “notícias falsas”?!), que tem relação com os vazamentos – estes diretamente relacionados ao assustador crescimento da espionagem mundial -, sobre o neomacartismo aqui e lá fora, etc. Realmente, no post em questão, fizemos um recorte de tudo. 
Numa resposta de bom coração, se exprimiu assim um leitor (transcrição literal, sem correção de erros ortográficos e/ou gramaticais, mais normais ainda na “correria” da internet”):

Olha só, a eterna mentalidade colonizada brasileira, é comum este pensamento sobre o “nórdico superior” e o “mediterrânico inferior” culturalmente falando, assim sendo as atrocidades dos ingleses e dos franceses eram “necessárias enquanto os ibéricos eram simplesmente “perversos”, e este pensamento se reflete entre historiadores, que são totalmente “francófilos” e pra completar a “martelada na moleira” dos brasileiros, existe atualmente uma proposta do governo usurpador em QUEIMAR ARQUIVOS HISTÓRICOS, já digitalizados”! Como já dizia o velho ditado: “o Brasil não é para amadores”. Realmente!

Nosso leitor talvez tenha lido o primeiro, no máximo o segundo parágrafo. Talvez simplesmente o título ou a descrição que fiz da publicação. Como expliquei acima, ela tratava de coisas completamente diferentes, inclusive em continuação ao post “Não mais notícias falsas”: a volta do macartismo hoje. É como se numa notícia comum no nosso noticiário, junto a uma notícia comum do noticiário estrangeiro, eu amarrasse os dois e criasse essa máquina de misturar temas, terminologias, conceitos, áreas do saber, etc., esse “gerador de qualquer coisa”, como falou a Sue. E esse lugar aqui é um lugar experimental. É exatamente para experimentar esse tipo de linguagem. Se não iria para a Igreja ou para a Academia – pouco importa – e faria uma carreira exclusiva como eunuco de qualquer coisa.
Tudo são recortes, “bricolagens” (como no Anti-Édipo), antropologias, diferenças – e pouco importa como o “sujeito universal” irá julgar. No mais, bom poder falar novamente de mim mesmo, e coisas que gosto, como nas citações extensas colocadas acima, e poder falar, por fim, em termos bergsonianos, que a linguagem mais relaxada que utilizei nos últimos parágrafos tem uma diferença de grau, mas não de natureza, da linguagem que utilizei no início, inclusive da linguagem, do tema o da intenção, dos autores que citei. E para quem leu até o final e talvez se sinta frustrado por não ter lido o texto sobre arte exatamente como imaginou ao clicar, só posso falar que não há arte sem liberdade, palavra esta entendida no sentido renascentista, como Gil Vicente ou Rabelais fizeram em seu tempo; como Lima Barreto e Nelson Rodrigues em tempo e contexto totalmente diverso; e até no humor fino, de mudez proporcional à vontade de se gargalhar, dos romances do pós-guerra de Samuel Beckett (os livros novos são de um humor mais aberto); na graça encontrada por Deleuze e Guattari nos textos de Kafka, e na extrema gargalhada que se dá ao ler o Anti-Édipo – e todos acham que aquilo é um “livro difícil”, um “livro cabeça” e coisas do gênero. O “baixo corporal” também existia em Kafka, como o excelente livro sobre a “literatura menor” nos mostra. Tudo, mais uma vez, questão de saber como olhar: em imagens fixas ou em imagens moventes. Ver as borboletas com a casmurrice de Kant ou como Goethe ou Michelet, para quem a renovação das nossas artes passava pelo estudo dos insetos (novamente o baixo – corporal ou não – o ínfimo, o menor), já que para ele “o ornamento, em vez de procurar a sua renovação nas velharias,ganhará em inspirar-se numa infinidade de belezas”, como na dança das medusas, no olho das moscas ou nas asas das borboletas. tudo muito estranho ou risível ou até nojento. Como minhas palavras. Como esse blog.

Obs: nesse post queríamos falar, na verdade, sobre a questão da criação de novas plataformas para o desenvolvimento da humanidade. Utilizaria os estudos do cientista russo Vladimir Vernadsky em companhia do “imperativo extraterrestre” do astronauta Krafft Ehricke. Já que a crítica seria sobre o não caráter científico do blog, “retrucaria” com isso. Mas o texto de Didi-Huberman estava quase “no prelo” e achei que a temática (“tu borboleteias”) servia para elaborar uma resposta. Na verdade, estou devendo a mim mesmo, faz algum tempo, um texto sobre o Vernadsky. Assim, numa outra oportunidade, falarei sobre a necessidade contínua da criação de novas plataformas de conhecimento, o que também corresponde ao nascimento de novas linguagens e olhares.

Nomi Prins: o sistema financeiro está pior agora do que em 2007

Um dos livros de Prins: “Isso leva à pilhagem: os bastidores dos resgates e bônus aos bancos, e os acordos secretos de Washington a Wall Street”. (tradução livre)



O texto que segue é uma transcrição não literal da entrevista de Nomi Prins, analista financeira, autora, e ex-diretora da Goldman Sachs ao editor da Executive Intelligence Review, Paul Gallagher. Não “transcrevi” toda a entrevista, mas escolhi alguns pontos que considerei mais importantes. Na verdade, são anotações minhas nas quais tentei quase ser um “médium” das palavras da entrevistada: ser o mais fiel possível mas utilizando minhas palavras.

Como diz um amigo de longa data: Toda vez que ouço de um “liberal” a frase: “Auto-regulação do mercado sem intervenção do Estado.” Eu lembro da palavra: Cartel.

A SITUAÇÃO ATUAL DA ECONOMIA: Para sanar a escassez de liquidez do sistema bancário, os países desenvolvidos colocaram taxas de juros 0% ou próximas a isso. A injeção de dinheiro no sistema financeiro, não acompanhado de crescimento econômico e do aumento das taxas de lucro, pode nos levar brevemente a uma nova crise, ainda pior. O esperado aumento das taxas de juros já vem ameaçando a solvência dos bancos, empresas e países (como nos casos mais graves da Grécia e da Itália), e a situação futura, a continuar o programa de priorizar a financeirização da economia ao invés do investimento na economia física, poderá levar a uma crise que implodirá os dois, ou seja, a um colapso completo da economia transatlântica.

A REINSTAURAÇÃO DA LEI GLASS-STEAGALL: Ao contrário da lei Dodd-Frank, de 2013, que regulamenta a atividade financeira de maneira bem frágil, quase uma meia culpa diante das atrocidades do setor não produtivo, especulativo, que causou a crise de 2007-8, a lei Glass-Steagall, cancelada definitivamente em 1999 sob a presidência e Bill Clinton, foi criada no governo de Franklin Roosevelt, e tinha como dispositivo básico a separação bancária. De um lado os bancos de crédito, de outro os que quisessem mexer com apostas. Wall Street permitiu a orgia financeira, Glass-Steagall não. As soluções criadas para sanar a crise estão criando as condições para que se caia de uma altura ainda maior. Existem trilhões de dólares flutuando do FED para os grandes bancos (os chamados por Obama too big to fail)., por causa das políticas de taxas zero, de resgates e do Quantitative Easing, não só nos EUA, como também na Europa e no Japão. Nada disso vai para a economia física, somente para aumentar aind amais as especulações financeiras. Somente a lei Glass-Steagall pode restaurar a estabilidade do setor bancário, voltar os recursos para o crédito público e o investimento na geração de empregos, no incremento da economia física.

OS BANCOS E A REGULAÇÃO ECONÔMICA: Os seis maiores bancos dos EUA (os too big to fail) tem seus ativos 21 ou 22 maiores do que antes da crise. Esta, pelo contrário, não os fez diminuir. Seus depósitos são de 30% a 40% maiores agora. Deste modo, seria difícil constatar que essas instituições passam por problemas. A lei Dodd-Frank, um mero truque para dar aparência de novas regras para os bancos (tanto que dispõe da possibilidade de se fazer os famigerados “resgates internos” – bail-in -, ou seja, tirar dinheiro dos correntistas, das poupanças, para pagar as dívidas em derivativos dos bancos, como no caso do Bankia espanhol e como aconteceu no Chipre), em sua segunda cláusula, impõe que os bancos apresentem regras e métodos com um projeto factível para saírem de uma possível nova crise. Somente o City Group apresentou um plano, mesmo repleto de problemas com empréstimos e que, apesar de seu tamanho gigantesco hoje, seria muito difícil que se livrasse de uma nova crise. Nomi Prins chama a cláusula da lei Dodd-Frank de “teste de imaginação”, o que é bem longe de uma tentativa mortal de regulação, como alegam os bancos contra a lei. No mais, é impossível manter taxas de juros a 0% infinitamente, o que, por si só, com a mudança dessa política, traria e já traz problemas diversos aos bancos.

A lei Glass-Steagall foi aprovada na década de 1930 com um consenso bipartidário. Ficou entendido que com ela os bancos teriam mais fundos, poderiam assim fornecer mais créditos. Os que querem fazer investimentos que façam por sua conta e risco. Não há razão para temer a regulação do setor bancário, porque esta trará solvência aos bancos de crédito, limites para os que vivem de apostas, e injetará dinheiro na economia física, que é o único meio de retorno que os bancos podem ter sem correrem os riscos das rodas financeiras.

COMO CONSEGUIR? O que aconteceu quando a lei foi originalmente criada, é que houve um consenso que sanar os problemas do setor financeiros era melhor do que continuar com a desregulação que levou ao crash de 1929. Nomi Prins diz que os bancos não devem temer uma lei eficaz como a Glass-Steagall (e olha que ela trabalhou anos na Goldman Sachs!). Esse tipo de regulação foi bem sucedida no passado. Não se deve se ater a detalhes irrisórios, como fazem os bancos, a respeito de alguns dispositivos legais para tentar barrar a intenção da reimplementação da lei, que é trazer de volta segurança à economia, a criação de crédito público e a volta dos investimentos e da criação de empregos. Ninguém deseja uma implosão – talvez ainda maior – do sistema financeiro!

Ao contrário da década de 1930, em 1999 usaram do voto bipartidário para repelir a lei Glass-Steagall, por acreditarem que tiveram muitos anos seguidos de prosperidade e as regulações somente atrapalhariam, e não estimulariam, a economia. O setor bancário argumenta, contudo, que a regulação irá acabar com a competição entre os bancos (competição entre 6 gigantes?! Isso é briga de cartéis, como na Colômbia e na Itália?), mas a última década mostra a insegurança expressa em inúmeras pequenas crises financeiras, sucessivas, até chegar à falência generalizada de 2007-8. Isso não deve ser uma questão partidária, adverte Nomi. Tanto democratas quanto republicanos devem procurar evitar uma nova crise, com certeza bem pior do que a da última década.

O FATOR TRUMP E A ASCENSÃO DA CHINA: Em maio deste ano se espera o encontro de Trump com o presidente Xi Jiping, com Putin, todos na China para a apresentação ao líder estadunidense do projeto da Nova Rota da Seda. Trump se move entre o isolacionismo e a possibilidade de integrar o novo eixo econômico liderado pela China. Seus assessores na parte econômica são mercadistas de fio a pavio, mas uma das virtudes desse presidente é não tratar os povos asiáticos – e os russos – como raças degeneradas e perigosas. Sua falta de medo em relação à Ásia é um bom sinal de que uma era de crescimento econômico baseado em grandes investimentos na economia física, na integração de continentes e na criação de novas plataformas de desenvolvimentos possam ser levadas a cabo. Mas Trump continua sendo um grande coringa. No plano internacional ele é melhor, contudo, do que sua oponente Hillary, adepta da expansão ainda maior da OTAN nas fronteiras com a Rússia e das provocações no Mar da China, assim como – o que talvez fosse implementado imediatamente após sua posse, caso fosse eleita – da zona de exclusão aérea na Síria. Este procedimento por parte da OTAN não impediria apenas que aviões sírios voassem pelos ares de seu próprio país, como estes mesmo aviões teriam de ser abatidos no solo, inclusive o de seus aliados, na terra ou no ar, ou seja, um ato de guerra declarado, ainda que através da Síria, contra a Rússia. A eleição de Trump amenizou as tensões provocadas pela política externa estadunidense, ainda o clima de guerra civil dentro de seu país é declarado. Tem mais uma visrtude, dentro de tantas críticas: já se imaginou alguns anos atrás um presidente americano revogar um tratado de livre-comércio? Imagina Bill Clinton sendo o patrocinador do fim da ALCA? Vivemos tempos muito estranhos…

A implantação da lei Glass-Steagall contou a liderança forte, pacífica e popular de FDR. Não foi só a lei de separação bancária que colocou os EUA de volta aos trilhos do desenvolvimento. Teve o projeto TVA – coloco como marco de projeto em infra-estrutura – além de outros para assegurar o emprego e a renda dos trabalhadores de seu país. Só que teve um fator a mais: FDR instalou a Comissão Pecora, para julgar criminalmente as atrocidades cometidas pelo sistema financeiro. Alguém com coragem para se tocar no assunto atualmente? Trump está à altura de Roosevelt e do momento histórico que este ensejou? FDR ganhou o jogo contra os bancos: quem será capaz disso atualmente antes de uma nova quebra generalizada?

Segue abaixo o vídeo, disponível apenas em inglês.

Para quem quiser saber mais sobre a nova Rota da Seda e o novo paradigma econômico mundial, disponibilizamos abiaxo três links de publicações deste blog, traduções minhas para a revista Executive Intelligence Review.


>>> A Nova Rota da Seda se torna a Ponte Terrestre Mundial: um Tour (vídeo expositivo, traduzido ao português, sobre os impactos globais do projeto chinês)

>>> Metade da Humanidade Ingressa (?) numa Nova Ordem Econômica Mundial

>>> A Ponte Terrestre Mundial: Redescobrindo a América

>>>  A Nova Rota da Seda nos mostra a visão para o futuro da humanidade



Nomi Prins: Financial System Worse Now Than 2007




Será o filho do Santo nosso herdeiro?

O Santo e seu filho
Já se configura com clareza que o filho trairá o pai, mesmo sendo este o Santo, como chamado pelos anjos do juízo nas últimas revelações que chegaram ao nosso pequeno, minúsculo, mundo político. Se discordei da dualidade Ciro-Lula, e refutei o Luis Nassif, a quem admiro demais, não tem como não concordar que Dória, com seu populismo rasteiro, filho imaculado do ninho tucano, caminha aceleradamente para a traição, condição sem a qual não chegará à disputa que insistem a seus ouvidos que é o mais preparado. Mais preparado já foi o Serra, já foi o FHC, o próprio Alckmin: tudo o que cheira a tucano vale mais do que os feios e fedorentos petralhas. São Paulo, fonte da virtude brasileira, dos verdadeiros pais do país, dos bandeirantes, mostra seu reino e sua glória: opus dei.


Nassif está certo sobre o protagonismo futuro do atual prefeito paulista, como outros também, e talvez há menos tempo. Essa é a única certeza, ou o caminho mais viável. Talvez possa ser ortodoxia de minha parte rechaçar Ciro como o candidato necessário caso consigam inviabilizar Lula. Como respondi a um dos meus leitores, Gabriel, fala que reproduzo logo abaixo, são fracos os argumentos que querem colocar um “pecado original” no PT. Houveram desvios, talvez o principal, o afastamento de Paulo Lacerda da chefia da PF. Não se procurou controlar a justiça como se fez com a economia. Não se criou qualquer solução criativa. O PT teve suas virtudes mantendo o tripé neoliberal de pé, a sagrada trindade, o que, se não é irritante, não deixa de ser admirável. Como fazer o país crescer e esvaziar, mas sem acabar, matar, com o dogma onipresente, que sopra quando e onde quer?


O que quis dizer tanto no “frente das esquerdas” quanto na “resposta ao xadrez do fim do mundo” é que Ciro é bem o antípoda de Lula, ainda que no “campo das esquerdas”. O Partido dos Trabalhadores, ainda o maior partido de massas no ocidente, é fundamental para a manutenção de nossa democracia. Comparar um candidato personalista com um dos principais líderes que criou essa frente de luta contra a Casa Grande, é algo que faz rir, se não gargalhar. Logo, uma associação Lula-Ciro, pelo menos para mim, é ridículo. Um não se compara ao outro, e caso formos reféns do segundo, como único candidato “viável”, mal para nossa “frente das esquerdas”, porém muito melhor, incomparavelmente melhor, do que sermos herdeiros do filho do Santo.

Segue a resposta que o leitor Gabriel me deu, junto com minha “tréplica”, com algumas colagens de respostas ao Nassif retiradas dos comentários de seu blog quando colocou em nível de igualdade Lula e Ciro. “Seria viável o Ciro Gomes?”, responde o leitor:

Talvez, vai depender da capacidade de articulação do Ciro e do PDT. Mas se faz necessária, pelos erros e principalmente pela falta de auto crítica do PT, que na narrativa do golpe parece tentar esconder que a recessão começou com a Dilma, no estelionato eleitoral, nomeou Levy e fez tudo que disse que não faria. O PT tem que acabar? Claro que não! Mas poderiam ser humildes, perceber que esse antagonismo que se levantou contra o Lula vai manter a instabilidade política no país enquanto ele e o PT continuar na “guerra” pela hegemonia (4 eleições seguidas, já deu neh?!). “Ciro crítica a esquerda e a direita, quer aparecer como independente” Parece que o Ciro é mais um oportunista ou “radical” que chegou pra surfar na onda da crise. Como sabem(espero), foi ministro da fazenda e ajudou a implantar o plano real no governo de Itamar Franco, depois vendo FHC jogar o projeto do PSDB no lixo em troca de poder, rompe e se coloca como candidato contra FHC no auge da sua popularidade, segue como candidato perde em 2002, apóia Lula no segundo turno, vira ministro um dos, se não o mais importante no projeto de transposição do SF, na crise do mensalão e sai do governo quando PT se alia ao PMDB. Enfim, se pegar entrevistas de 2006 até 2012(auge do PT), Ciro mesmo fora do jogo, em 2010 não consegue se colocar como candidato e depois é “passado pra trás” por Eduardo Campos, reconhecia os avanços sociais, mas sempre foi um crítico do ponto de vista da falta projeto nacional, estrutural, de longo prazo do PT. Tem muito mais legitimidade para disputar que Marina, Luciana, Jair…

Minha resposta: “Gabriel, sua última frase é irrefutável. É muito melhor, incomparavelmente melhor, ter um candidato como o Ciro do que esses que você citou. O Eduardo Campos deu uma rasteira em todos e deu no que deu. Parece que o plano era para Marina adquirir um verdadeiro protagonismo no cenário político, mas ela é uma falha em todos os sentidos, e não conseguiu atender aos seus patrocinadores. A crise econômico começa no segundo mandato da Dilma, sem dúvida. Tem o Levy, essa “anta”, como dizem, que colocaram lá, mas também tem que saber que os projetos do governo não eram votados; o que entrava em pauta eram as “bombas” do Eduardo Cunha. Além de ser incapaz por sua formação, o Levy se mostrou ineficaz pela conjuntura política. Esse debate do Levy é bom para mostrar a “verruga”, a “cicatriz”, a “parte maldita” (para lembrar o Bataille) de quem se quer criticar. Contudo, em 2014 começa a pleno vapor a Lava-Jato, com o poder de paralisar todo o sistema produtivo do país, o que o Clube de Engenharia chamou de “jurisprudência da destruição”. Isso (e que acho o principal), somado ao Cunha na Câmara, ao ambiente de “primavera árabe” promovido pela mídia e pelos “movimentos apartidários” (sabe-se lá financiados por quem), criou uma situação econômica terrível. E tem outros fatores externos, como a guerra econômica com a Rússia que fez baixar os preços do petróleo (medida que veio junto às sanções promovidas pela Europa e os EUA) e a queda no preço das commodities, associada ao estranhíssimo fenômeno da seca prolongada, as maiores registradas nos últimos anos. A Dilma perdeu a guerra econômica, isso é fato. Mas temos que saber quais foram os adversários enfrentados”. 
Um último ponto (retirado dos comentários do blog do Nassif): 

Algumas correções sobre o “petismo”

seg, 06/03/2017 – 13:45

O “petismo” não fracassou coisa nenhuma. Tem uma longa e detalhada história de sucessos que começou antes ainda da própria fundação do PT, com as greves feitas no final dos anos 70. O PT é o único partido de esquerda e de massas que existe no Brasil. Por isso apanha feito cachorro durante 24 horas por dia.
Não foi só o PSOL que nasceu do PT: foi o PSOL, o PSTU, a Rede, o PCO, etc. Na última eleição presidencial, por exemplo, tivemos 7 candidaturas presidenciais, das 11 existentes, com pessoas que fundaram o Partido dos Trabalhadores ou que militaram durante décadas no Partido dos Trabalhadores. O PT é a grande novidade da história política do Brasil, a ponto de ser capaz de ter sido a origem de quase 2/3 dos candidatos presidenciais de 2014.
Outro ponto é que tirando o PT a esquerda é microscópica – o que é um sério problema – e praticamente irrelevante. Partidos nascidos de erros estratégicos ou do ódio e do ressentimento (como PSTU e PSOL) não comandam coisa nenhuma.
Outro ponto é a respeito do tal de MPL, movimento que depois da idiotice completa e absoluta do junho de 2013 caiu no mais cavernoso ostracismo de que se tem noticia. E, ao contrário do que Nassif disse, o MPL contou desde o primeiro minuto com o apoio – a meu juízo equivocado – de Lula, de Dilma, do PT e da JPT. A ponto de serem chamados ao Palácio do Planalto para conversar e tudo mais. Absolutamente nenhum dirigente político do PT criticou o junho de 2013 quando o evento aconteceu. Todos exaltaram, de maneira ingênua até onde a vista alcança, aquela ‘autêntica manifestação popular’.
O junho de 2013, como alertamos aqui desde o seu miserável nascedouro, nada mais era do que o ponto de inflexão a partir do qual a direita se rearticularia a nível nacional. Tínhamos um país com inflação controlada, pleno emprego, investimentos públicos e privados em alta, grandes projetos de infraestrutura e se jogou tudo fora a partir da patética consigna dos ‘vinte centavos’ e da ainda mais patética consigna do ‘Não Vai Ter Copa’. Me admira que as pessoas ainda fiquem glorificando o MPL, que não representa coisa nenhuma e que apenas foi usado como mula da direita em 2013 para detonar uma ‘Revolução Colorida’ em Pindorama.
No mais, é evidente que a únida candidatura viável do campo democrático e popular é a de Luiz Inácio Lula da Silva. Nenhuma outra tem densidade política capaz de fazer frente ao que aí está. De todos os modos é preciso dizer que soa até meio ridícula essa campanha risível de que o “PT está morto”, de que “com o PT não dá mais”, etc. A quem interessa essa lenga lenga contra o único partido de esquerda com real penetração social e enraizamento nacional que existe no Brasil?
O PT terá candidatura própria em 2018 – com Lula ou sem Lula. Isso é e será cada vez mais uma justa reivindicação da militância do Partido dos Trabalhadores. Se até o PSDB, que não vence uma eleição presidencial desde o século passado, sempre teve candidaturas próprias, é evidente que o PT – vencedor de todas as eleições presidenciais no século XXI – tem todo o direito do mundo de querer e de ter candidatura própria em 2018 para defender o seu imenso legado.
Quando se fala em “Frente de Esquerda” ou em “Frente Progressista” fico muito satisfeito. Mas não me iludo. Jamais existirá essa frente se colocarem como pré-condição que o PT abdique de sua história e da vontade hiper majoritária da sua militância. E de quaisquer modos, as nano agremiações do PSOL e do PSTU jamais farão uma “Frente Política” com o PT. Preferem ficar no 1% fingindo que comandam alguma coisa que ninguém nunca vê em lugar algum.
Que Ciro seja candidato e que a esquerda tente formar uma coalizão política. Mas Lula também será candidato e se não for o PT terá candidatura própria sem nenhuma sombra de dúvidas.
Por imposição, repito, da militância que já está se pintando para a guerra e não vai abrir mão de defender as suas cores, teses, bandeiras e legado em 2018.

Para completar, uma crítica irreverente e bem realista, escrito pelo heterônimo Boeotorum Brasiliensis, “O branding do Ciro está errado”: 

O problema com Ciro é a (des)construção de imagem. 

Você escuta o discurso dele por 20 minutos e faz sentido, mexe com sua ânsia de ver o país mudar e acabar as práticas de ataque às grandes possibilidades que Brasil oferece. Você ouve ele a segunda vez esperando o capítulo seguinte e assiste ao reprise do primeiro episódio.Dá uma certa frustração, mas, vá lá. Então você vai ouví-lo pela terceira vez e… Episódio 1, novamente. O discurso dele mostra um plano de voo de galinha. Das duas uma, ou é isso mesmo, um discurso decorado e oportunista ou ele é muito ruim, sendo que as hipóteses não são mutuamente excludentes. 

Além do mais, se você não tem um plano bom, pelo menos tem de ter empatia com o eleitor e uma postura que cative e atraia. No caso dele, nem uma coisa, nem outra. Ninguém, acho eu, compra aquela conversa de cabra-macho-do-sertão, um Virgolino do Bem. Também sabemos que o sotaque nordestino é forçado e que o inglês dele é ruim. Então deveria parar de falar “corno féa-da-puta” e esquecer a passagem pelo curso Wallita em Harvard ou Yale, sei lá. Todas as Ivy League têm programas de verão onde o cara paga uma baba para não estudar, fazer academic tour e ganhar credencial e endereço de e-mail no Alumni. Ficar anunciando mestrado fake nos USA a cada discurso é pedantismo e não credencia ninguém, nem em Sobral. 

Para completar, a estratégia de diferenciação na construção de marca não é feita batendo geral. Ele bate no governo golpista ao mesmo tempo quem que bate em Lula. Bater em golpista é necessidade óbvia e trend da próxima estação. Logo, isso não cria diferenciação. Bater no líder de pesquisa, outro trend visível, cria diferenciação sim, mas aumenta a rejeição. 

Ciro cria é a imagem do típico líder estudantil. Mete bronca em um discurso inflamado contra o sistema ligado no foda-se porque no fim a galera bate palma, as mina ficam ligada e vai ter cerveja a rodo com churrasquinho de gato na sequência. E amanhã? Amanhã, tem mais. 

Entre esse canabrava e o Xuxu do PT, o Haddad, fico com o segundo.

Uma última correção, se é que é possível. Fazer como ele algumas ilações primárias a respeito de supostas capacidades de Psóis e Pstús é praticamente uma irresponsabilidade. É igual ficar ouvindo palavras de Bernie Sandres chamando Trump de monstro e mentiroso. A candidata da guerra que ele apoiou, em termos de virtude, talvez fique muito aquém do bruto Trump, mas que não tem planos tão sutis, “democráticos”, para afirmar a supremacia do império, inclusive que passasse pela aniquilação de boa parte da humanidade. Essa é a esquerda alva das ilações, como não só do candidato que não passa do túnel Rebouças ou de Luciana Genro, mas também do patético Chico Alencar ou, quem se lembra?, de Heloísa Helena.
Um ponto a mais: na avaliação das “esquerdas” atuais, Luís Nassif entrevistou recentemente Guilherme Boulos, líder de fato, como Stédile, de frente de organizações, ao contrário de tantas outras “ilustradas”, que contribuem para a melhoria de nossa democracia. O curioso é que encontrei uma aporia do discurso do MTST, nada, contudo, pelo menos que eu veja, que o desmereça. A lei da não contradição só vale no sensualismo aristotélico e de seus sucessores. Boulos disse que nos governos petistas houve um aumento da democracia com a participação dos movimentos sociais nos diversos Conselhos criados, o que, por outro lado, acabou por dar um papel de coadjuvante a eles. No mais, não acha que um cargo institucional, um cargo eletivo, seria bom, pelo menos no momento para o MTST. Mas se eles queriam participar dos programas de governo isso não passaria de alguma forma pela via institucional? É só uma pergunta, para dizer para aqueles que dizem que só quero polemizar…
Se a recente carta de Dirceu não serve para apontar o que deve ser a nova “frente das esquerdas”, ficamos com a fala de Lula. Foi ele, mas também todo o movimento do qual participou, e acabo por sair como um de seus principais líderes, que fez as maiores mudanças no Brasil desde o pré-64. Desmerecer o PT com ilações a candidatos personalistas ou a supostas “esquerdas” não está à altura da fala durante seu último depoimento
-O que incomodou muita gente no mundo inteiro é este país, que tinha complexo de vira-lata, virar dono de seu próprio nariz.Nós fizemos a maior política de inclusão deste país. 36 milhões de pessoas saíram da pobreza. Eu saí da presidência e queria que a América Latina e a África adotassem as políticas públicas que adotamos aqui. Eu queria ensinar que o pobre no Brasil e no mundo seria a solução quando incluído no Orçamento. 
E foda-se a macro ou a micro economia e o Moro também! Ah!, e como o bom Boeotorum Brasiliensis, eu iria preferir não o Haddad, mas o Jacques Wagner. A Bahia hoje é um dos estados mais prósperos do país, junto com o Maranhão do Flávio Dino, e ao contrário do fake capixaba (tão elogiado pelos “liberais”. E foda-se as pretensas “novas esquerdas” também”

Grã-Bretanha: lembranças de derramamento de sangue, imperialismo e genocídio

A boa velhinha.


EM IMAGENS: foi alto preço pago por aqueles que lutaram através do século XX para se livrar do jugo colonial e da ocupação imperialista pelo Reino Unido.
Para aqueles que sofreram sob o peso mortal do colonialismo britânico que estava desesperado para manter suas “possessões” a qualquer custo, muitas das feridas não foram cicatrizadas nem todo o sangue foi seco.
A TeleSur revela alguma das mais infames atrocidades cometidas pelo império cujo “sol nunca se punha”, um país que ainda é uma monarquia, que ainda ocupa territórios estrangeiros distantes como as Malvinas, na Argentina, e ainda continuar a participar de operações militares imperialistas através do mundo “pós-colonial”. (agradecimento especial ao site Crimes of Britain por sua contribuição)
Textos traduzidos por mim do site da TeleSur.

É bom lembrar que é na City de Londres, em comunhão com Wall Street, que são cometidos os maiores crimes financeiros, que se leva à bancarrota inúmeros países, ou seja, o genocídio nesses lugares são a ordem do dia, a lavagem de dinheiro de todo tipo de tráficos, de drogas, órgãos, mulheres e crianças, às vezes a única fonte que mantém viável, com liquidez, o sistema bancário especulador, inevitavelmente destinado à auto-destruição.

Protagonismo do mundo financeiro, golpes de Estado, lavagem de dinheiro do tráfico internacional: CRIMES DA GRÃ-BRETANHA

CLIQUE NAS IMAGENS PARA AMPLIÁ-LAS
Em 31 de março de 1904, milhares de tibetanos foram assassinados pelos britânicos com as armas de fogo Maxim. A ordem dos britânicos foi fazer o maior estrago possível. Um dia após o massacre, o coronel Younghusband, que liderou a invasão britânica ao Tibet, disse: “eu acredito que a punição tremenda que eles receberam irá prevenir novas brigas, e induzi-los ao menos a negociar”. (Foto: National Army Museum, Study collection)

O massacre da rua North King em 28 de abril de 1916: ao menos dezessete civis foram mortos pela Armada Britânica com tiros e ferimentos causados por baionetas que deflagraram um tumulto homicida na rua North King e nos seus arredores. As tropas britânicas invadiram as casas, acusando pessoas inocentes de serem “rebeldes” e as assassinaram. Algumas das vítimas foram queimadas pelos soldados em seus jardins e porões. (foto: Irish Post)

Na colônia de Amritsar, na Índia, em 13 de abril de 1919, tropas britânicas sob o comando do general Dyer atiraram por 10 minutos sobre uma multidão que se reunia nos parque público de Jallianwala Bagh. Tiros foram direcionados para os poucos portões pelos quais as pessoas tentavam fugir. Reginald Dryed, que ordenou o massacre, foi condecorado na Grã-Bretanha como um herói. (foto: mural próximo à entrada do jardim de Jalianwala Bagh)

Seguindo uma operação irlandesa na qual 14 agentes da inteligência britânica foram mortos, as forças britânicos atacaram um jogo de futebol amistoso entre Dublin e Tipperary, no Croke Park. O capitão do Tipperary, Michael Hogan e treze espectadores morreram no local e pelo menos cem pessoas ficaram feridas. (foto: domínio público)

O massacre de Shaji, na China: em 23 de junho de 1925, num protesto de trabalhadores e estudantes em Guangzhou, a polícia militar britânica respondeu com fogo. 52 morreram. Após saberem do massacre, os trabalhadores de Hong Kong responderam com uma greve geral. Um boicote aos bens ingleses foi declarado. (foto: Wikipedia)

Os britânicos mataram pelo menos 12 camponeses palestinos em Al-Bassa, em setembro de 1938, numa operação em que eles também foram torturados. Cerca de 50 homens foram encurralados pelos soldados britânicos  e 20 deles foram amarrados a um ônibus que foi forçado a dirigir sobre uma mina terrestre. (foto: Ullstein Bild)
Em 23 de abril de 1930, tropas britânicas invadiram Peshawar  para reprimir manifestação não violentas que protestava contra a prisão de Ghaffar Khan. Com as tropas se direcionando ao Baazar, carros blindados dirigiram até o quarteirão em alta velocidade, matando muitas pessoas, e depois abriram fogo com metralhadores contra a multidão desarmada. Quase 400 pessoas foram atingidas pelas tropas britânias no Qissa Khwani Bazaar (o mercado dos Contadores de Histórias). (foto:National Army Museum, Study collection) 

As tropas britânicas sob as ordens de Churchill perpetraram um massacre nas ruas de Atenas no mês de dezembro de 1944. 28 manifestantes foram mortos e aproximadamente 128 ficaram feridos. Os britânicos impuseram que todas as guerrilhas deveriam estar desarmadas em 2 de dezembro de 1944. N dia seguinte, 200.000 pessoas marcharam contra a ordem, e foi quando as tropas britânicas sob a liderança de Churchill miraram suas armas contra a multidão. (foto: AFP)

Tanques Sherman e tropas do 5º Batalhão de Paraquedistas (Escocês), e a 2ª Brigada de paraquedistas britânicos, lutando contra membros do ELAS em Atenas, 18 de dezembro de 1944. Churchill considerava o ELAS (Exército de Libertação do Povo Grego) e a EAM (Frente de Libertação Nacional) como “bandidos miseráveis”. Essas foram as mesmas pessoas que expulsaram os nazistas. Suas ações no mês de dezembro foram puramente por seu ódio e paranoia pelo comunismo. (foto: No 2 Army Film & Photographic Unit)

O Massacre de Batang Kali foi o assassinato de 24 camponeses pelas tropas britânicas durante a chamada “Emergência de Malayan”. Um conflito descrito pelos britânicos como “defesa da indústria plástica”. Apesar das diversas investigações sobre as mortes, nenhuma culpa foi atribuída a qualquer perpetrador do massacre. Em 2015, os britânicos decidiram que não haveriam mais investigações sobre o caso porque “se passou há muito tempo atrás”. (foto: Wikipedia)

O massacre de Chuka, no Quênia, em 1953: tropas armadas dos Reis Africanos levando suplementos nas costas dos cavalos ao encontro dos rebeldes Mau Mau. 22 pessoas desarmadas foram assassinadas pela tropa britânica Reis Africanos na vila queniana de Chuka, em junho de 1953. Em 2006, o Ministro da Defesa britânico se recusou a liberar arquivos que relatavam o massacre. Não há dúvida de que isso é apenas a ponta do iceberg quando isso vem do terror colonial britânico através do que chamam de emergência. (foto: Ministério da Defesa da Inglaterra)
Massacre de Hola, Quênia, 1959: 11 quenianos foram espancados até a morte pelos guardas coloniais britânicos no “campo de detenção” de Hola. 150.000 homens, mulheres e crianças foram trancafiados nesses campos Estupro, castração, choques elétricos e armas de fogo foram utilizadas pelos britânicos para torturar os quenianos. O Plano Cowan advogava o uso de força e as vezes à morte a detentos que se recusavam a trabalhar. Depois os britânicos tentaram retirar sua culpa ao atribuir a “água contaminada” pelas mortes. (foto: Crimes of Britain)
O massacre de Ballymurphy  viu a Armada Britânica matar 11 civis a sangue frio num período de 36 horas. Numa segunda=feira, 9 de agosto de 1971, prisões sem julgamento foram feitas no norte da Irlanda. Cerca de 600 soldados britânicos entraram na área de Ballymurphy, em West Belfast, invadindo casas e sequestrando homens. Novos e velhos foram espancados e baleados enquanto eram arrancados de suas casas. Todos os 11 civis desarmados foram assassinados pelos paraquedistas da Armada Britânica que ainda promoveriam novos massacres no norte da Irlanda. (foto: domínio público)
O massacre do Bar McGurks, Irlanda, 1971: na tarde do sábado de 4 de dezembro de 1971, um conjunto de terroristas lealistas conhecidos como UVF, dirigidos pelos militares britânicos, plantaram um bomba silenciosa sob os degraus da porta de um pub familiar em Belfast, Irlanda. No total 15 pessoas foram mortas, incluindo 2 crianças. (foto: Wikimedia)
O massacre do Domingo Sangrento: Irlanda, 1972. Um soldado britânico prendeu um protestante durante uma marcha depois conhecida como “Domingo Sangrento”, em Londonderry, no norte da Irlanda. Em 30 de janeiro de 1972, 14 civis desarmados foram mortos a tiro pela Armada Britânica nas ruas da cidade irlandesa de Derry. Pouco depois do massacre, a rainha condecorou o comandante do regimento dos paraquedistas, Dereck Wilfort, e concedeu honras a Mike Jackson, que espalhou mentiras sobre as vítimas. (foto: domínio público)

Um mural pedindo investigações sobre o Massacre de Springhill, em 1972, na área de Beechmount, em Falls Road, Belfast, em 9 de julho de 1972, quando 5 pessoas foram mortas a tiros por snipers britânicos. Três eram civis, incluindo um padre. Os outros dois eram membros do Fianna Eireann, uma organização de jovens revolucionários. (foto: Wikipedia)

O massacre de New Lodge, Irlanda, 1973: na noite e madrugada de 3 e 4 de fevereiro de 1973, seis jovens de New Lodge Road, no norte de Belfast, foram mortos a tiros num ataque coordenado entre a Armada Britânica e um grupamento de lealistas assassinos. (foto: domínio público)

O massacre de Loughinisland, 1994, Irlanda: em 18 de junho de 1994, no vilarejo de Loughinisland, membros do camarilha de terror britânica apoiada pela UVF invadiu um bar com rifles de assalto e disparou sobre os clientes. Seis pessoas foram mortas. Os britânicos, de forma aberta e secretamente estavam em conluio com esquadrões da morte na Irlanda. O relatório financiado pela Grã-Bretanha que foi lançado em junho de 2016 não conseguiu esconder esse fato por muito tempo. (foto: Crimes of Britain)

A decisão de 2017: guerra com a Rússia ou um grande golpe de Estado? A mídia reporta, você decide.

John MacCain se reúne com um líder do Estado Islâmico e isso NÃO é “relevante… mas é “mal visto” falar com os russos. [twitter: daniel estulin]


Traduzido por mim para este blog do site Russia Insider.

América é uma “democracia”. Isso significa que de tantos e tantos anos é permitido aos americanos escolher entre duas coisas que ninguém quer ou necessita.

E agora é hora de fazer outra grande escolha: guerra com a Rússia ou um grande golpe de Estado? A mídia reporta, você decide.

1ª escolha: quem quer a guerra com a Rússia?

Clique para ampliar

Isso te deixa inspirado?

The language in this NYT editorial on Putin recalls old edits on Milosevic & Saddam. They’re preparing us for war https://t.co/PqWU7YvHCF

— Mark Ames (@MarkAmesExiled) 29 de setembro de 2016

2ª escolha: um grande golpe de Estado!

“How much Putin is in Trump”: corruptela comum usada depois da eleição de Trump. Significaria “o quanto Putin está enrascado?”.

Mesmo significado, mas para “consumidores mais sofisticados”.
Relembre, cidadão: Você tem apenas uma escolha. Então qual será ela? Guerra com a Rússia ou um golpe “suave”?
Nota do tradutor: Para quem não entendeu, não há escolha, já que um golpe levaria inevitavelmente todo o partido da guerra, que está em massa com Obama e Hilary, de volta ao poder.

O genocídio de Obama e Trump no Iêmem

“Guerra, destruição, assassinato, destruição e o vergonhoso silêncio internacional”

Glenn Greenwald, no theintercept.com, cujo título fala por si só: “Obama matou um jovem de 16 anos no Iêmem. Trump matou somente sua irmã de oito anos de idade“. Depois usou um soldado morto no mesmo conflito como troféu no seu elogiado discurso para o Congresso americano. O título do The Intercept também fala por si: “O uso de Trump da esposa do fuzileiro naval destaca todos os ingredientes chaves da Propaganda da guerra dos EUA“. Para ter uma visão mais geral do conflito ignorado, leia o texto abaixo traduzido por mim para a Executive Intelligence Review. Para mais detalhes, leia as reportagens de Glenn Greenwald, jornalista já bem conhecido aqui no Brasil por seu contundente posicionamento político e profissional.

O genocídio de Obama no Iémem

A guerra contra o Iêmem, que a coalizão liderada pela Arábia Saudita e os Estados Unidos tem dado suporte por muitos anos, matou 10.000 pessoas nos últimos dois anos, e agora ameaça as vidas de mais de doze milhões que tiveram completamente cortados seus suprimentos médicos e alimentares, por causa do bombardeamento sistemático da infra-estrutura agrícola do país e dos bloqueios navais e aéreos. Essa guerra, pela definição oficial das Nações Unidas, é um genocídio.
Não existe caso melhor para exemplificar a insuportável hipocrisia do chamado “ocidente livre”, do que a falta de reportagens sobre os crimes de guerra que tem sido cometidos diariamente contra a população do Iêmem nos últimos dois anos. Onde estão os advogados das “intervenções humanitárias”, que, sob o pretexto da defesa dos direitos humanos, incitam guerra atrás de guerra se baseando em mentiras? Onde está a cobertura dos bombardeamentos de funerais e hospitais, do uso de bombas de fragmentação banidas pela lei internacional, da morte de cerca de mil crianças por semana que estão morrendo por doenças que podem ser prevenidas? Onde está a gritaria sobre a destruição sistemática da magnífica herança cultural da humanidade?
Na era da Internet e da vigilância da NSA, ninguém pode reclamar que as atrocidades contra a população iemenita não são conhecidas por todos os governos e pela mídia. A decisão de manter um silêncio de facto sobre isso, somente porque as ações são realizadas por “aliados”, os faz cúmplices nesses crimes.
Foi boa a promessa do novo Secretária de Estado americana, Rex Tillerson, de “fornecer assistência humana sem restrições para todo o Iémem”. Mas deve haver, agora mesmo, pressão internacional imediata exercida para acabar com a guerra contra o Iémem, para reconstruir o país e restaurar o máximo possível os artefatos culturais destruídos.
Uma fonte de esperança e consolação para a população do Iêmem deve ser o fato de que os países BRICS e a Iniciativa da China “Um cinturão, Uma Rota” tornou possível o prospecto para confrontar esses desafios. Os sinais de esperança de que um número crescente de países reconhecem as vantagens da cooperação “ganha-ganha”, e que estão prontos para romper com a geopolítica, também significa que a situação estratégica no Iêmem pode em breve melhorar.
Enquanto isso, todo são chamados para dar apoio aos apelos do povo iemenita para que se acabe a guerra, e para dirigir a atenção do mundo para esse país tão importante e culturalmente rico!
– Helga Zepp-Larouche
Presidente do Instituto Schiller internacional
Traduzido por Rogério Mattos para a Executive Intelligence Review

Ciro é um candidato viável? A “frente das esquerdas” de Luís Nassif

Escrevi uma resposta ao “Xadrez do fim do mundo”, do Luís Nassif, e apontei para o pessimismo do autor frente ao cenário terrível que vivenciamos. Hoje em seu blog, Nassif aponta muito bem para o costume das esquerda de atacarem a si próprio. Elas parecem não conhecer o seu inimigo e viverem de um narcisismo constante. Esse é o erro de Ciro Gomes, o erro tão natural dos “progressistas”. Critica a esquerda e a direita, quer aparecer como independente, e não agrega forças para além da admiração que se possa ter pelo seu suposto caráter. É lamentável, no mais, que personagens relativamente bem esclarecidas cultivem o caráter como Ciro, o que faz lembrar os ditadores, o que faz lembrar os atavismos mais funestos que ainda guardamos como espécie.

Se for para falar de personalidades fortes, como não lembrar de Jacques Wagner, muito poderoso em seu estado e que teve papel de liderança durante o governo de Dilma?
A questão é essa: o Lula é o líder maior de um grande movimento de massa, operário, das classes médias urbanas e de organizações campesinas e religiosas, que deu na fundação do Partido dos Trabalhadores. Lembrar dos protestantes dos “20 centavos” (aqueles que Nassif acha uma pena o governo petista não ter dado mais ouvido) pedido praticamente arrego para a CUT e o MST para controlar as manifestações é um fato que muito ajuda a explicar porque se deve peneirar ao máximo tudo o que hoje se chama de novos movimentos sociais. Ainda está para se investigar como a antiga bandeira do movimento estudantil foi cooptada e se tornou no Maidan brasileiro em 2013.
Quando ele fala que as melhorias no PT virão de fora para dentro não entende a capacidade de aglutinação social que ainda tem o partido. Continua sendo o maior partido popular do ocidente e constrói suas alianças com os movimentos minoritários mais ou menos tradicionais com grande força. Não é o PT que tem quizilas com o PSOL, por exemplo. Freixo, ano passado, culpou o PT por sua derrota. Como? Um candidato que não atravessa o túnel Rebouças, quanto menos a av. Brasil…
Nem num pesadelo o PSTU nasceu do PSOL: isso é só um erro básico que queria apontar no relato de Nassif. O PSOL nasceu – como não é difícil de saber – com a crescente insatisfação logo no início do primeiro mandato de Lula com a política conciliatória praticada por ele. Com o mensalão, correram assustados: não se sabe se por medo ou se por excesso de pudores. O PSOL se legitima com o mensalão, se legitima com algo que não existiu… Fica fácil de saber porque daí saíram Heloísa Helena, Luciana Genro e “bom moço” Freixo.
Isso é ponto pacífico e não é “guerra entre as esquerdas”. A união deve-se dar entre os movimentos dos trabalhadores rurais e urbanos, principalmente. A CUT e o MST (e todas as outras siglas conexas) são fundamentais para a guerra que se travará com a votação da Reforma da Previdência e a Trabalhista, que vem no bojo. O movimento de mulheres que se uniram para defender Dilma e seu mandato, o movimento negro, o dos guetos: são milhares de composições que se podem formar, e que, historicamente, são mais ou menos próximos ao PT, ainda que existam afinidades com a pulverização das esquerdas que foi a criação do PSOL, Rede, etc., mas também o fim do PSB com a mudada de rumo de Eduardo Campos.
(em 2012 todo o campo da esquerda comemorava a vitória triunfal nos municípios enquanto a mídia tentava comemorar as condenações no mensalão. Parecia que com todo o esforço os donos do poder não conseguiriam muita coisa… aí vieram os movimentos de 2013, “atos de guerra irregular moderna”, como classificam a inteligência e os militares dos países asiáticos; veio a parceria do judiciário brasileiro com o DOJ americano, a falência do sistema financeiro transatlântico junto com a manipulação dos preços das commodities, em especial a guerra contra a Rússia com o preço do petróleo. Veio tudo, mas ali em 2012 uma aliança com Campos parecia inexorável, vista com muita alegria, e tudo foi-se agora, pelo menos por enquanto)
Ciro congrega quantos mil?
O ” conjunto de circunstâncias que ainda estão indefinidas”, segundo Nassif, são fáceis de explorar: 
1) pouco importa; os golpistas não tem candidato e é um ultraje à inteligência do povo brasileiro considerar Bolsonaro. No mais, seria muito divertido, e acho que bem ruim para ele, debater com um bom candidato de esquerda, seja com a história, a retórica e o carisma de Lula, seja com Ciro Gomes, ou, um candidato ainda provável se o PT, sem Lula, quiser sair sozinho, Jacques Wagner.
2) A tentativa de reforçar o estado de exceção somente parcialmente viável caso Moro consiga prender Lula e depois sair a condenação em segunda instância. Quais as probabilidades disso? O jogo não está tão fácil para eles atualmente. Abortar as eleições? Seria ainda mais improvável e degradante. Extinguir o PT? A esquerda continua. Fala-se muito de um possível recrudescimento do golpe, mas isso é somente a aprovação das reformas de Temer, ou seja, o genocídio – mais do que o mal suficiente. Quais os sonhos dos golpistas sem terem candidato? A única tática é a grosseria pura, mas será que para isso conseguirão abolir até a parte “formal” da nossa democracia, fundamentalmente as eleições? A próxima grosseria e escárnio é ver os políticos do PMDB fazendo malabarismo para manterem foros privilegiados e fugirem da justiça a todo momento. O PSDB está acabado faz tempo. Somente tem sobrevida num próximo governo que queira a generosa companhia. No universo paralelo da mídia serão sempre os heróis. Falta só cair o último bastião, São Paulo. Depois disso será preciso saber como vão se reorganizar as forças de direita e não as da esquerda…
3) Fala sério! Hoje, a dinâmica da Guerra Fria (que persiste) vai muito além do simples uso de armas e paus-de-arara.
A proposta do Conselho é bem engraçada. Por que uma organização tão formal? O conselho certo é a união popular contra os abusos, como visto no carnaval, como visto na união inédita que permitiu a vitória de Dilma em 2014, com as mobilizações que já ocorreram e tendem a aumentar com os descalabros dos golpistas. Para quê uma reunião de sábios?
Nassif, desculpe as críticas. Admiro muito o trabalho que você faz, desde os escritos dos anos 1990 até agora. Acho que o grande Conselho é esse, o debate franco e aberto. Arejar e melhorar as ideias. Gosto dessas palavras de Miguel do Rosário, que lembram a época do suor, das ruas, do corpo a corpo que realmente o PT perdeu. Esse é um grito de luta e de união:

Para sair desta crise, os partidos progressistas terão de eleger dirigentes que estejam dispostos a trabalhar, e isso inclui aparecer na mídia todos os dias. Fazer análises diárias e semanais em vídeo. Conversar ao vivo com a população. O PT, principal partido da esquerda, precisa sair do seu gueto, da sua “Agência PT”, e ter um presidente e um corpo de diretores comunicativos, extrovertidos, falantes, dispostos a fazer a luta política diária na comunicação, dando entrevistas a jornais alternativos, blogs, imprensa internacional, enfim, a todos os setores da comunicação não comprometidos com o golpe. Isso vale, naturalmente, para todos os parlamentares, prefeitos e governadores de legendas progressistas.

Para construir a resistência, será preciso lutar. E lutar, em política, significa vir à público e se manifestar, produzir inteligência, análise, informação e contrainformação!

Se continuar todo mundo embaixo da cama, será difícil mudar alguma coisa! 

Assino embaixo no que se refere ao teste do Manifesto. Fica com você as palavras finais.
Por ora, a única maneira de consolidar um arco de esquerdas – fundamental para alicerçar qualquer veleidade política não só de Lula, como de Ciro – é unir-se em torno de Lula. 
Daí a importância do teste do Manifesto. 
A petição pedindo a candidatura de Lula pode ser acessada clicando aqui.

Evandro Teixeira: a frente dos Cem Mil. “Fora temer! O povo no poder”.

Sobre o Xadrez do Fim do Mundo, de Luiz Nassif: um mal fim nos espera?

Mandela, JK, Lincoln, Lula: a capacidade de ação é o que os separa do resto da humanidade

 

O CASO DOS PROGNÓSTICOS

Luiz Nassif, com sua série de xadrez, aponta com facilidade, como é próprio em publicistas, para o niilismo. É o desespero de quem está no front de batalha. Talvez seja isso, porque se os investigadores de campo tem esse nível, será que seus diretores teriam? Personagens dostoievskianos já foram líderes mundiais? Mandela, JK, Lincoln, Lula: a capacidade de ação é o que os separa dos analistas de plantão – com a melhor qualidade que tenham.

Lyndon LaRouche consegue alertar para os resultados mais apocalípticos, mas sempre tem uma estratégia muito bem desenhada, deveras elaborada, cientificamente fundamentada, e pelo menos para mim, segue como exemplo de alguém que, trabalhando por décadas com a inteligência das forças armadas, com os serviços secretos, com uma rede de pesquisadores de alto nível mundo afora, consegue adequar as visões horripilantes que a elite global sempre tenta impor com a visão de um novo paradigma, de uma nova humanidade, de uma nova plataforma de desenvolvimento.

Podem procurar por publicações nesse blog sobre a Nova Rota da Seda, sobre os BRICS e as Américas, sobre as “Quatro Leis“, de LaRouche, e toda uma série de outros textos que, se não fundamentam em tua sua amplitude o que estou falando, deixa claro o que são os anseios comuns da humanidade e como lutar para realizá-los.

 O CASO NO BRASIL

Na outra ponta, não vemos Lula cair em pessimismos nem fantasiar cenários de fim de mundo. Fala sempre de um novo Brasil que surgiu – que está surgindo – depois dos anos de inclusão, de educação, de trabalho bem remunerado, de protagonismo mundial. São capacidades de lideranças que parcamente pode-se ver, infelizmente, em publicistas…

Haverá grande mobilização contra a Reforma da Previdência e Trabalhista. O governo Temer balança como nunca – nunca teve qualquer solidez por sinal. A hipótese de que caso aprovada a última maldita reforma o ilegítimo será inútil e poderá ser descartado diante do cenário de caos que o rodeia é válida. Igualmente, caso não aprovada a reforma ou não aprovada a contento para o mercado, inútil – e um traste – ele será.

Mas é por isso que veremos um nada no fim dessa estrada? Omito aqui conjecturas para não fazer trabalho de futurologia – pelo menos por enquanto. Quando tiver prognósticos mais acurados me expressarei.

 OS TENEBROSOS PROJETOS DE LONGO CURSO

Talvez seja um pouco apressado dizer que o golpe foi tramado antes de 2014. Como pontuou bem os comentaristas do Nassif, o que se apostava no PMDB era no enfraquecimento do governo federal e na ascensão da liderança de Cunha. Ainda havia a esperança de Aécio ganhar as eleições e, assim, o PMDB continuaria com um poder forte, seja lá qual o governo Seja quem for que ganhasse, o PMDB fortaleceria um personagem de grande peso para as eleições de 2018. Com a derrota tucana, muito amarga – Aécio disparou nas votações com a apuração do sul e do sudeste e teve uma queda abismal quando foram computados os votos das outras regiões. Quem não se lembra da cara do Merval, que sabia do passo-a-passo das votações, coisas que nós mortais não temos acesso? A vitória era certa, porém…

O PSDB partiu para o terceiro turno, fato que se estende até hoje com o julgamento da chapa vitoriosa. Por exemplo, com a falência do governo Temer, uma possível renúncia, como já falamos, não abriria espaço para o julgamento no STF dos recursos impetrados pela defesa de Dilma Rousseff? Como ficaria o clima político no país com a queda do Temer? Rodrigo Maia presidente? Como ficaria, nesse cenário, o julgamento no TSE? São muitas variáveis. Até a chamada para eleições podem ocorrer com as emendas que deputados agora na oposição estão colocando em pauta desde consumado o impeachment. O ventos podem mudar de uma maneira muito rápida, quiçá assustadora.

O que é inegável é que a classe média com seus pudores e seus racismo nato quer alguém do tipo “iluminado”, formado, universitário, que fala bonito, consume produtos gourmet, perfume importado: são todos cabeças-de-planilha, são todos Chicago Boys tupiniquins. E essa figura é inviável eleitoralmente, porque há uma massa ainda maior do que essa classe média supõe. Ma suas negação das raízes populares do nosso país serve de resistência para que uma campanha mais ampla possa surgir a favor de um governo popular. É o papel da classe média, como falo sempre aqui; o papel de esclarecimento, de difusão de conhecimento, por suas próprias conquistas intelectuais e também pelo acesso às tecnologias – mas, principalmente, pelos cargos que ocupam, como professores, advogados, homens de negócio, artistas, e toda a divisão social do trabalho que abriga a fauna e a flora dos pseudos-gênios.

O que ocorreu é que o projeto do PMDB de aumentar seu poder em Brasília se conjugou com a faina destrutiva dos tucanos. Se irmanaram no golpe: um para se perpetuar com ainda mais força nas posições que nunca largaram desde a ditadura; o outro para reconquistar seu lugar ao sol, no executivo. Temer corre para se blindar com Moraes, com Serráglio (aquele que chorou quando Cunha foi preso), com conspirações com seus “amigos de mais de 30 anos” do STF, etc. É uma corrida louca que não vai acabar bem para os atuais donos do poder.

A DECADÊNCIA ATUAL INDICA UM NOVO FUTURO

Como pensar em caos a partir daí? Está certo que é quase temerário depositar esperanças (algumas vai lá, mas nunca grandes esperanças) em figuras personalistas, narcisísticas, como a de Ciro Gomes. Com Lula fora o único partido que tem capacidade, ainda , de organizar a população é o PT. Não será a faci de Ciro Gomes que fará isso, muito menos os partidos utópicos que pipocaram para todos os cantos como “dissidência [esclarecida?] do PT”. O PMDB e o PSDB não tem base eleitoral para o governo executivo.

Na república dos militares, no princípio, foi tudo na base da bala e do pau-de-arara. Com todo “ato patriota”, direito penal do inimigo, etc., é difícil de criar as bases para um estado de exceção nesse nível no país, criando novas Guantánamos aqui dentro – o que seria um cenário de guerra não só interna, mas que poderia haver interferência externas. Seria um grau altíssimo de confronto num mundo ainda polarizado, quase numa extensão da Guerra Fria. Não existe suporte para isso. Esse é o primeiro ponto.

O segundo ponto é que os milicos se arvoraram na sua suposta decência e honestidade. Nesse governo, nem para PMDB nem PSDB sobra espaço para essa empáfia. O terceiro e mais simples é que o governo militar fez crescer a economia através de uma minúscula classe média com alto poder de consumo. A superexploração do trabalho foi a ordem do dia, mas o infames “indicadores macro-econômicos” estavam com bons sinais. Nunca isso irá acontecer até 2018 com a mesma camarilha no poder. E nem depois, caso o projeto golpista de alguma maneira continue, o cenário econômico tende a ser terrível. Não é só a aplicação das práticas genocidas do neoliberalismo. Saímos de um cenário social e econômico nunca visto antes. Qualquer queda tem uma proporção gigantesca na mentalidade das pessoas. O que é ruim (como foi horrível o FHC) dará a sensação e ser ainda pior. Depois dos milicos, do Collor – cenário de terra arrasada, depois da “década perdida”-, FHC com seu programa mirabolante de dolarização da economia conseguiu criar o factoide para se lançar no poder. Mas eles não tem mais condições de inventar nada desse tipo atualmente. O programa deles está falido em todos os sentidos e não há espaço para inovação.

Eles fecharam seu ciclo – esse é o ponto. Começou com o Mensalão. De acordo com as análises do GGN que linko abaixo, foi a retração do PT durante o processo que o fez ceder mais cargos no executivo, em especial na Petrobras. O que significa levantamento de recursos para o projeto de tomada de poder que apenas se iniciava. 2012-2014. Maidan brasileiro no meio do caminho: 2013.

Existe todo o debate econômico que vai da queda do preço das commodities e do petróleo, como as isenções fiscais, etc., que fragilizaram o governo Dilma. Mas o assassino econômico é Sérgio Moro e seus comandantes. A Lava-Jato paralisou a economia do país e, com a presidência de Cunha na Câmara, criou um cenário perfeito para o assalto ao poder. Não devemos esquecer da “revolução colorida” que foi realizada aqui no Brasil em 2013, e que surgiu com o mesmo padrão mundo afora, e que teve seu desfecho trágico no Maidan ucraniano, quando vitória Nuland teve a cara de pau de confessar que seu governo deu cerca de 5 bilhões de dólares para fomentar a “democracia” no país. E como esse padrão, interpretado pelos sistemas de segurança e pelas forças armadas dos países asiáticos como “guerra irregular moderna”, foi financiado e organizado por aqui? Falamos sobre isso, mas o assunto sugere ainda mais pesquisas.

Eles fecharam seu círculo: o que surge daí não é o fim do mundo. Será o novo mundo, com um país que irá tirar esses zumbis do poder e dar espaço a novas lideranças.. Como será? Podemos fazer uma publicação com as varias frentes que se abrem. Mas o momento é de otimismo. O governo corrupto cai por seus próprios erros e rapidamente. Não há condições, como explicitei acima, de se repetir um ciclo longo de atraso. A hora de se separar o joio do trigo está mais próxima do que se imagina.

O Xadrez do Nassif: http://jornalggn.com.br/noticia/xadrez-da-delacao-do-fim-do-mundo-em-uma-4a-feira-cinza

A resposta de seu leitor: http://jornalggn.com.br/comment/1061985#comment-1061985

Comentário do colunista do GGN: http://jornalggn.com.br/noticia/sequencia-do-golpe-de-2016-tem-inicio-na-ap-470-por-claudio-freire