A História sob o signo de Jano

Seria este o deus que corresponde à historiografia?

O progresso ilimitado além de não ser um conceito grego, nunca foi um conceito dos historiadores. Logo, com Deleuze e Guattari, vemos que a filosofia da história é um conceito particular de determinados filósofos, como na teleologia hegeliana. Existiria talvez algo novo nisto caso comparemos as filosofias da história mais modernas, como a que dita o fim dos tempos, principalmente após a queda do muro de Berlim… O mundo liberal que se impõe guardaria a constituição mais perfeita, não precisando mais de se voltar a antigas formas ou se especular a respeito dela, assim como para Hegel marca o fim da história, seu marco último e mais perfeito, sua própria filosofia, o Terror e Napoleão. É quando o horizonte de expectativas se reduz a tal ponto que delimita um campo de experiência ilimitado. Infinidade não mais no conceito, no porvir, mas na experiência de se viver um mundo definitivamente, e irrevogavelmente (assim acharam os neoliberais), pós-histórico e com muita “liberdade de comércio”, claro. Ao contrário de Políbio ao lado de Cipião ao assistir o incêndio de Cartago, não puderam prever a inevitável ou a mais do que possível ruína do Império que poderia fazê-los visualizar uma história sem fim… A queda do muro de Berlim, o correlato do incêndio de Cartago, encontrou homens muito, mas muito, menores do que os da Antiguidade.

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O liberal-fascismo e os travestimentos da palavra democracia: o que é a legitimidade política atualmente



A luta pelo renascimento das “diretas já” mostra talvez menos a força do que a fragilidade social em que fomos jogados. Reconhecer o Congresso inteiro como corrupto não é legitimar, agora no chamado campo da esquerda, a deslegitimação da política que faz cotidianamente, por exemplo, lutadores de MMA se tornarem mais honrados do que qualquer político profissional?

Por que não se consegue debater, ainda agora, as vias normais de volta à normalidade, ou seja, a recondução da presidenta deposta ao cargo?

Por que sempre os gritos de guerra saindo de todos os lados?

Somos atacados pelo império com suas inúmeras artimanhas e focos de combate: guerras irregulares com uso ou não de armas, com manipulações políticas, jurídicas, mas cujo alvo sempre é a economia do país visado. Lava-Jato.

Liberal-fascismo: a palavra que deve dar nome a muitas coisas que hoje se chamam simplesmente de “democracia” ou aumento das liberdades individuais ao custo do bem-estar público. Esta a nossa conjuntura.

O que é a legitimidade política atualmente?

Bill Clinton, um presidente fraco, de vida pessoal questionável, sem o caráter necessário para reverter a campanha do “complexo industrial-militar” contra ele (um processo de impeachment por causa de um caso extraconjugal, uma aberração que nos faz ver que as tentativas de golpe estão dentro das relações de força, das guerras travadas dentro da sociedade, do que num campo supostamente jurídico), aboliu de uma vez com a lei Glass-Steagall, implantada por Roosevelt, responsável pela separação bancária: os bancos de investimentos eram proibidos de usarem da poupança ou mesmo das contas correntes das pessoas para fazerem suas apostas. Com o fim da lei, acabou se dando mais liquidez ao sistema de especulação e, rompida sua vitalidade, teve de ser socorrido com os Q.E. neokeynesianos da era Obama, criando uma transferência massiva de recursos da sociedade para o setor financeiro, para, num cinismo próprio aos tempos mais modernos, não se acabar nem com uma nem com o outro.
São as práticas oriundas das fórmulas matemágicas do liberal-fascismo que fazem multiplicar recursos de diversas fontes para manter o regime imperial, não globalizado propriamente nos dias atuais devido à resistência que representa o desenvolvimento econômico chinês e seu preparo para dar mais um salto com a política da Nova Rota da Seda, terrestre e marítima; resistência na zona de conflitos que se tornou o Oriente Médio com as guerras para mudança de regime, sejam ou não por procuração, como bem demonstrou Trump, ou seja, que pode querer não se delegar à terceiros o trabalho sujo a ser feito. Matemágicas que criaram a fórmula encantada das “pedaladas fiscais”, simples artifício para se esconjurar a presidenta eleita, e logo congelar os gastos primários, a rede de proteção aos trabalhadores, encolher os bancos públicos a começar pelo assalto de 100 bilhões ao BNDES (devemos lembrar da autorização do saque do FGTS para trabalhadores endividados, parte para capitalizar os bancos brasileiros, sem qualquer problema de solvência, e para deixar as sobras para injetar algum recurso na economia através do consumo popular; fora a recém liberada “divisão dos lucros” do Fundo, outra pá de cal na capacidade de poupança necessária à criação de crédito para investimentos públicos) com o fim da Previdência, com a medida populista do saque ao FGTS, como falamos, ou seja, o esvaziamento do tesouro público, da transferência de recursos que se encontravam com a Caixa Econômica migrados para os bancos privados através da renegociação de dívidas feita pelos cidadãos, etc. 
A luta pelo renascimento das “diretas já” mostra a fragilidade social em que fomos jogados. Reconhecer o Congresso inteiro como corrupto não é legitimar, agora no chamado campo da esquerda, a deslegitimação da política que faz cotidianamente, por exemplo, lutadores de MMA se tornarem mais honrados do que qualquer político profissional? A necessidade de se voltar à normalidade democrática é uma frente aberta para se fazer retornar a esperança que um governo não elitista volte ao poder ou continue nele. É uma esperança, uma chamada à guerra, já que vemos os limites do que se chama democracia quando temos de nos submeter aos arbítrios de uma Suprema Corte como “último bastião” das aspirações populares – talvez seja essa a expressão, já que lá se diz que é a guarda da constituição, ou seja, da democracia e da sociedade (talvez falemos dessa instituição como se fosse uma Santa Sé, para sermos devidamente arcaicos, para pedidos últimos de clemência). Uma democracia que, ao chegar a seus limites, deve guardar alguma esperança num órgão extremamente elitizado, sem nenhum cheiro de povo, de democracia, deve ser aprofundada com um chamado à luta, à criação de um estado de exceção artificial – a demonização, via novas diretas, do político -; seria esse o caminho? Com certeza, pois um caminho deve haver, mas sem esquecer que o caminho legítimo é a recondução ao cargo da presidenta eleita através da devida submissão dos decanos aos ritos constitucionais que devem obedecer, ou seja, o julgamento da inépcia jurídica, da revanche política, que foi todo o processo que levou ao afastamento de Dilma. Este seria o caminho normal; o outro, o de exceção. Infelizmente, o que nos traz mais esperança e capacidade de mobilização é o segundo, até pela própria percepção política da sociedade que continua a ver em Dilma uma presidenta, talvez, inadequada… Ecos da grande histeria que nos joga no estado de conflagração social que vivemos. Aporia inevitável entre uso de toga e exercício do voto popular: como se a democracia fosse algo acabado, algo perfeito, a mais legítima conquista social diante dos atrasos de muitos séculos de tirania. Na verdade, instrumento do império com suas inúmeras artimanhas e focos de combate: guerras irregulares com uso ou não de armas, com manipulações políticas, jurídicas, mas cujo alvo sempre é a economia do país visado. Lava-Jato.
(escrevo agora revendo meu texto. as diretas já, campanha encampada também por dilma rousseff, é, como disse, a frente de luta capaz de arregimentar, de formar uma frente de batalha frente à situação atual. o que não desvia nossa tenção de que o caminho para a normalidade seria a recondução da presidenta ao cargo. os ataques continuariam com sua ferocidade, em suma. caso contrário, a frente das diretas não seria a bandeira para se “arregimentar” o que quer que seja. seria, no mais, o caminho da exceção, como o que pedia benjamin contra o estado totalitário? é esse exatamente nosso caminho? não acredito na duração da reexperiência nazista, como vivemos. o que não nos anula de alertar para sua intensidade, principalmente no contexto internacional)
[seguiremos como se nada houvesse acontecido. claro e sempre, esse é um texto com revisões]
Mauro Santayana, um primor de lucidez, melhor do que qualquer “jornalista ansioso”, qualquer um tão acostumado com audiências (nesses tempos de blog, quantos tipos de audiências? o “ansioso” é mais tradicional nesse quesito, o que de forma alguma lhe testemunha a favor), disse que as denúncias contra o MT são uma espécie de complô para tornar mais palatável a possível prisão de Lula. Nem uma coisa nem outra, é o que sugere algumas evidências. Mas o fundamental não são as evidências, no caso, mas o princípio, o que os lavajatenses jamais conhecerão. Luís Nassif tem uma tarefa, para mim enojante, de esmiuçar algumas facetas da convivência diária no meio judiciário. No caso, em especial, na Procuradoria Geral. Fez inúmeras publicações sobre Janot. Tornou-se quase um especialista nessa espécie de sombra de Moro – pelo menos é como se apresentou até então. E a sombra ou o Sombra engoliu seu pupilo. É isso que nos faz divergir em termos de Santayana. Nassif foi certeiro sobre as disputas internas que levaram Janot a de algum modo aceitar os acordos dos plausíveis donos da Friboi (porque até que se prove o contrário a empresa é propriedade do Lulinha) ao mostrar simplesmente que, ao não conseguir apoio para sua segunda reeleição, Janot chutou o balde (existe também a questão da união de Janot com a Globo, no sentido de fortalecer o MPF, colocar um nome de confiança deles, para morrerem por aqui as investigações estrangeiras sobre as atividades criminosas do consórcio Globo-CBF). Fernando Brito foi ainda mais arguto: Sérgio Machado foi quem divulgou o “essa porra”, o “acordo com o Supremo, com tudo”. já cordado com Marcelo Miller, hoje definitivamente convertido à iniciativa privada. Com Miller, torna-se mais clara a questão que colocamos em maio do ano passado:
Agora, contudo, ainda fica uma questão. As gravações feitas por Sérgio Machado foram publicadas no fim do mês de maio, sendo que foram feitas em março – dizem. Se o processo de impeachment só foi votado no senado já quase chegando no meio do mês, por que as gravações só foram divulgadas talvez mais de dois meses depois de terem sido feitas? Dá para se argumentar que as gravações foram feitas como uma espécie de auto-proteção de Sérgio Machado. Tipo “se der merda” tenho isso aqui. Mas por que que não “deu merda” antes, mas só depois de 15 dias de governo interino? As gravações, inclusive por envolverem o presidente do senado, poderiam ter simplesmente bloqueado a votação da admissibilidade do impeachment. Mas a Folha de São Paulo resolveu que só daria merda no fim do mês, e soltou as gravações que supostamente colocariam o jornal novamente no “campo progressista”, pura estratégia de marketing como vários analistas já viram, triste reedição do “progressismo” do jornal durante o inevitável, as Diretas Já.
(…)
Logo, frente ao óbvio dessas gravações, é o que o Abertinho pergunta, clama, esbraveja: Por que não foram divulgadas antes? Imagina essas gravações com a tentativa de Waldir Maranhão… Não dá para se especular muito agora. Somente dá para concluir que é muito conveniente tudo isso vir só agora. Se viesse depois, já que a fonte é uma pessoa que teve a vida devassada pela PF em dezembro, traria ainda mais incredibilidade para o PIG, e poderia atear fogo no país caso fosse divulgada uma conversa de março depois de julgado o mérito do impeachment. Seria grotesco também porque deveriam paralisar a caça a Machado, e a Mani Lipute não para nunca. Mais uma de suas entranhas seria desvelada. A Torre de Londres caso fique um dia ou mesmo algumas horas inativa poderia ruir. Sei que Sérgio Machado poderia ter calado Renan na hora certa, e todo o PIG e os admiradores de J. Barbosa junto.
Miller, ao tempo ainda no setor público, sem o cargo tão bem remunerado que o fez pedir demissão de um dos empregos mais rentáveis do país, saberia da gravação. Depois da delação da empresa supostamente subordinada à figura intangível a que se chamou Lulinha – um fantasma criado -, Miller fará no campo do livre-mercado judiciário seus transcurso com a PGR. Que belo final! E ainda podendo servir nos escritórios de advocacia americanos que foi contratado, como advogado dos irmãos Batista. A relações entre desejos pessoais e o ato de guerra contra o presidente ilegítimo é tão flagrante que a delação é de 6 de maio e seu pedido de demissão de Miller ocorreu ocorreu no dia seguinte. É um direito inalienável, segundo os liberais. Sem apelo algum ao linchamento, eis um movimento interessante até demais para não ser investigado por nossos doutores tão ocupados de encher a boca para cuspir o Anão – “fora Temer” e respeito à Lava-Jato, ainda que seus movimentos contradigam qualquer imparcialidade. Liberal-fascismo: a palavra que deve dar nome a muitas coisas que hoje se chamam simplesmente de “democracia” ou aumento das liberdades individuais ao custo do bem-estar público. Esta a nossa conjuntura.

Não História: Imagem-Tempo

O que vemos e o que nos olha, como no Film, de Samuel Beckett
 
A fenomenologia procura criar, desde Hegel, um modelo explicativo para a história que esbarra em suas próprias limitações. Forma-se uma teoria sobre as teorias da história, mas que são incapazes, mesmo com toda a sofisticação, de explicar o devir histórico ou a prática da escrita historiadora. É menos em “Tempo e Narrativa” do que em “A memória, a história e o esquecimento” que Paul Ricoeur demonstra as aporias do discurso filosófico frente a plasticidade da produção historiográfica. Mas não está em jogo as velhas celebrações a respeito da historiografia francesa, dos Annales. O que se destaca é o entrecruzamento entre o que Deleuze ao ler Bergson entende por “objeto real” compreendido como “imagem-cristal” ou “descrição cristalina”, onde a “indiscernibilidade do real e do imaginário, ou do presente e do passado, do atual e do virtual, não se produz, de modo algum, na cabeça ou no espírito, mas é o caráter objetivo de certas imagens existentes, duplas por natureza”.
O que se pergunta não é só o que é o objeto da história, mas qual sua natureza, como ele funciona, ao se traçar uma zona de indiscernibilidade em que se pode perguntar como se pensa a história e fazer o inventário de sua escrita, ao se perguntar qual a natureza do documento historiográfico ou das perguntas que levam a uma pesquisa histórica, sejam eles reais ou imaginários.

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Sobre a publicação de “A espera”

Imagem utilizada pela Bestiário para ilustrar meu conto naquele distante ano de 2005.
No início dos anos 2000, uma série de iniciativas importantes no campo da literatura, aliadas da internet que surgia com força no nosso país, trouxeram à cena autores hoje importantes, ainda que não necessariamente consagrados. A antiga revista Paralelos, por exemplo, ou a Cronópios, e a própria Bestiário (objeto dessa postagem), publicaram textos de autores ainda iniciantes, alguns com romances já publicados, outros em vias de publicação, além de tantos meros contistas (e nem por isso menos talentosos). A revista Bestiário, além da vitrine aos novos autores, tinha uma seção para autores brasileiros, outra para hispano-americanos, para autores portugueses e também para autores africanos; uma seção para autores clássicos e para traduções de textos de autores clássicos; no fim, uma seção dedicada a artigos sobre a literatura. 

Um projeto completo como se pode ver, mas que foi sendo apagado pouco a pouco, numa situação de destaque social para a literatura nacional que hoje nos parece mais ter sido uma efeméride – talvez – do que algo mais articulado, estruturado, que poderia servir de impulso aos escritores, principalmente jovens, de ter seus textos publicados em vitrines valiosas e de fácil acesso. Não foi em vão o trabalho, pois aglomerou uma geração de talentos que ora iniciavam sua carreira, muitos dos quais hoje com a carreira relativamente consolidada. Foi um projeto firme, que deu frutos, mas que infelizmente não teve continuidade.

Faço lembrar essas histórias por ter encontrado ainda disponível nos arquivos online da revista Bestiário um pequeníssimo texto meu, publicado quando ainda tinha 17 anos de idade. Um texto feito num impulso, escrito quase à força para mostrar ao nosso então professor da oficina de escrita ministrada no SESC Copacabana, o escritor a quem admiro, o João Paulo Cuenca. Moral da história de acordo com os colegas que participaram das aulas comigo: o cara que não escrevia texto nunca (no caso, eu) quando escreveu, foi o único que conseguiu despertar a admiração do professor. E isso em meio a tantos textos que lhe foram entregues naqueles dias.

Aproveito então que agora tento levar um blog à frente, para republicá-lo, para novas audiências.

Quem quiser acessar no site da revista, no original, e sem as pequenas correções que fiz agora, pode acessar esse link. É também um modo de conhecer um pouco a estrutura de publicação da revista, o projeto interessantíssimo que hoje não encontramos igual, pelo menos não na intensidade como ocorreu naqueles anos. Só um esclarecimento: escrevi-o durante as oficinas de escrita acima mencionadas. Isso ocorreu em 2003, quando tinha 17 anos, como disse. O texto foi publicado em 2005. Continuo a gostar dele e da história que o envolve (a cara de estupor do Cuenca, o orgulho de tê-lo publicado na Bestiário, etc.). Segue então, com mínimas correções.
ESPERA
Te vejo dormindo e fico estático para não te acordar. É o pavor que sinto quando penso em você olhando minha cara assustada, meu corpo trêmulo, minhas unhas inquietas dentro da boca.
Lentamente vou me concentrando na sua respiração, nas linhas do seu rosto suavemente encenadas pela luz pálida da noite que invade o quarto.
Fujo desesperadamente pelas ruas. Nenhum carro, nenhum grito. Somente a chuva caindo por todas as partes, como se não existisse.
Quando acordo uma multidão de cheiros me abraçam. Vou colocando cada mulher em seu lugar. Tento enumerá-las, lembrar se são negras ou morenas, qual voz mais doce me ninou.
Você está para mim como para quem vê televisão, como a advertência vazia da mãe, ridícula como a simpatia.
A distância que enxerga meus olhos vem dos textos que ainda não escrevi, dos porres que ainda não tomei, dos versos cantados fora do tempo que para você soaram como uma linda melodia.
Sentindo o vazio da cama ao seu lado você me tateia, me chama como a terra úmida ao luar acariciando as sementes dorminhocas.
Embalado com a brisa da manhã ainda sonolenta, sinto seu beijo e choro desesperadamente entorpecido pelo seu cheiro, pois o sono não adianta mais. Não existem mais promessas.

O impacto do fórum sobre a Nova Rota da Seda – Uma “Gigantesca mudança na história da humanidade”

Helga Zepp-Larouche no fórum internacional Um Cinturão, Uma Faixa


Em 14-15 de maio de 2017, foi realizado, em Beijing, o Fórum Internacional para a Cooperação “Um Cinturão, Uma Rota”. O título se refere à Nova Rota da Seda terrestre e marítima (Cinturão Econômico da Nova Rota da Seda, e a Rota da Seda Marítima), iniciativas para transformar o mundo lançadas pelo presidente da China Xi Jinping em 2013.
Nos dois dias do evento, contou com a participação de 110 países, 28 deles a nivel de chefe-de-Estado. O anfitrião, presidente Xi Jinping, descreveu-o como um trabalho conjunto “para o futuro da humanidade”. Foi emitido um comunicado por todos os participantes depois da mesa-redonda na qual participaram os líderes do Fórum. Xi Jinping participou de uma conferência para a imprensa onde estava presente o presidente russo Vladimir Putin, convidado de honra. O presidente chinês anunciou um segundo fórum internacional que irá acontecer na China em 2019.
“Essa é uma mudança histórica incrível”, disse Lyndon LaRouche sobre a conferência. “A China está fazendo um bom trabalho, colocando a si mesma na frente da dinâmica do desenvolvimento mundial”. Isso não precisa ser explicado: “aceite o processo e se inteire de seu potencial. Coloque o mundo todo engajado nisto. A luta se faz no trabalho por sua realização”.
Sua esposa, Helga Zepp-LaRouche, participou de uma maneira destacada nas deliberações em Beijing. Isso aconteceu depois de décadas de liderança dos LaRouche para esse mesmo tipo de mobilização para o desenvolvimento mundial. Desde a década de 1990, e da primeira participação de Zepp-LaRouche numa conferência internacional na China em 1996, onde ela defendeu uma “Ponte-Terrestre Euroasiática”, ela se tornou amplamente conhecida como a “Dona Rota da Seda”.
Representando o Instituto Schiller, o qual ela fundou e dirige, Helga Zepp-LaRouche foi um dos principais oradores em 15 de maio, no segundo dia do fórum, no painel “Reunindo conhecimentos para a promoção do crescimento global”, no Quinto Rncontro dos Think-tanks Internacionais (“Gathering Wisdoms for Promoting Global Growth”, 5th Global Think Tank Summit). Este foi seu discurso:


Texto traduzido por mim e que pode ser acessado no site em português  da Executive Intelligence Review ou neste link

A Nova Rota da Seda se Torna a Ponte-Terrestre Mundial
Nos últimos três anos e meio, a Nova Rota da Seda pronunciada pelo presidente chinês Xi Jinping em 2013, tem experimentado um desempenho incrível. A Iniciativa Um Cinturão, Uma Rota (ICR), tem o potencial óbvio de se tornar rapidamente a Ponte-Terrestre Mundial, conectando todos os continentes através de infraestrutura como túneis, pontes, reforçada pela Rota da Seda Marítima. Assim, isso representa uma nova forma de globalização, não determinada pelo critério do maior lucro para o setor financeiro, mas pelo desenvolvimento harmonioso de todos os países participantes sob o fundamento da cooperação ganha-ganha.
Logo, é importante que não se olhe para a ICR sob o ponto de vista de um contador, que projeta sua planilhas de custo-benefício no futuro, mas como pensamos que deva ser a Visão duma Comunidade dum Futuro Compartilhado. Onde queremos que a humanidade esteja daqui a 10, 100 ou até 1000 anos? Não é o destino natural da humanidade, como a única espécie criativa conhecida no universo até hoje em dia, que construiremos cidades na Lua, desenvolveremos um conhecimento mais profundo dos trilhões de galáxias em nosso universo, resolveremos o problema das doenças até agora incuráveis, ou o problema da produção de energia e de matérias-primas com o desenvolvimento da fusão nuclear? Ao focar nos anseios comuns da humanidade todos nós estaremos aptos para superar a geopolítica e estabelecer um nível superior de raciocínio em benefício de todos.
É óbvio que a Ponte-Terrestre Mundial é ideal para que se finalize o desenvolvimento das áreas sem litoral de nosso planeta. A colonização do espaço próximo será a óbvia próxima fase da abertura infraestrutural do habitat natural do homem.
Olhando para o mapa do mundo, os Estados Unidos não é somente um país cercado por dois oceanos e dois vizinhos, mas pode ser uma parte central de um corredor de infraestrutura que conectará o extremo sul da Ibero-América através da América do Sul e América Central ao sistema de transporte euroasiático, utilizando um túnel sob o Estreito de Bering. Desde que o presidente Xi Jinping ofereceu a Trump a entrada dos EUA na Nova Rota da Seda, existe agora uma proposta prática sobre a mesa onde os EUA pode se tornar parte integral da Ponte-Terrestre Mundial. Os requerimentos em infraestrutura para os EUA, que são gigantescos, podem ser perfeitamente oportunos para converter o débito de 1,4 trilhões de dólares dos americanos com os chineses, ou parte dele, em investimentos através de um Banco de Infraestrutura. Por exemplo, os EUA realmente precisam de aproximadamente 40,000 milhas de linhas de trens de alta velocidade se planejarem alcançar o plano chinês de conectar cada grande metrópole com esse sistema a partir de 2020.
Os EUA irão experimentar um incremento enorme com tal investimento em infraestrutura,  podendo se tornar exportadores para o crescente mercado chinês e, com a competição sendo substituída pela cooperação, as oportunidades para os investimentos comuns dos EUA com a China em outros países serão enormes.
Desde que o presidente Trump declarou sua intenção de reintroduzir o Sistema Americano de Economia de Alexader Hamilton, Henry C. Clay e Abraham Lincoln, e também reintroduzir a lei Glass-Steagall de Franklin D. Roosevelt, tornou próxima a possibilidade de se estabelecer num curto prazo um Banco Nacional e um Sistema de Crédito para canalizar os investimentos chineses em infraestrutura.
Enquanto mais e mais nações europeias, dentro e fora da UE, estão reconhecendo o tremendo potencial da ICR e expressando a intenção de se tornarem um eixo para a cooperação eurasiática, a própria União Europeia tem ficado cautelosa, para falar de modo  “diplomático”.
Contudo, existe um grande desafio onde os Estados-membro da União Europeia devem ser convencidos para cooperar com a ICR: É a crise dos refugiados. O único meio humanitário para lidar com essa chaga moral para a Europa é a integração ativa das nações europeias num grande plano de desenvolvimento para toda a África com a ICR.
As perspectivas positivas atuais para uma cooperação militar maior entre EUA e Rússia na Síria, junto com o processo Astana, torna concreta a potencial estabilização de toda a região. Já existe a proposta para a extensão da Nova Rota da Seda para a região do sudoeste asiático, por parte dos chineses.
Para ter sucesso, a Nova Rota da Seda deve – assim como foi a antiga – levar a uma troca entre as mais belas expressões da cultura de todos os países participantes. O verdadeiro significado da cooperação Ganha-Ganha não é só os benefícios materiais do desenvolvimento da infraestrutura e da indústria, mas fazer a alegre descoberta nas outras culturas, da beleza da sua música clássica, poesia e pintura, e, conhecendo-as, fortalecer nosso amor à humanidade como um todo.
Na construção da Ponte-Terrestre Mundial, todas as nações irão cooperar no estudo de como se aplicam as leis da Noosfera para o estabelecimento de formas duráveis de auto-governo. O desenvolvimento dos poderes mentais criativos de todas as pessoas em todas as nações irá trazer à humanidade o senso de unidade e dedicação que fará nossa espécie verdadeiramente humana. Quando organizamos nossas sociedades a partir de suas descobertas artísticas e científicas, iremos aperfeiçoar nosso conhecimento sobre como podemos avançar continuamente o processo de auto-desenvolvimento da humanidade intelectualmente,, moralmente e esteticamente, e iremos encontrar nossa liberdade na necessidade – fazendo nosso dever com paixão!