A América de Bolsonaro

Os problemas com a General Motors e com a Ford no Brasil apontam para uma americanização de nossa economia, ou seja, a uma perspectiva fora das alternativas construídas ao redor dos BRICS e das parcerias com a proposta da Nova Rota da Seda chinesa. Nossa economia passou a emular meticulosamente o que ocorre atualmente nos EUA, como demonstra o caso da indústria automobilística americana. Investimento de longo prazo em infraestrutura, tecnologia e a criação de milhões de novos empregos estão bem longe da agenda brasileira e, há décadas, da agenda americana. A seguir assim, não veremos mais o embate contra Bolsonaro atualmente protagonizado pelas elites, STF e mídia na dianteira. Um levante popular surge no horizonte.

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Michel Foucault e sua filiação à escola dos Annales

Os especialistas tradicionalmente dão um ênfase maior ao diálogo de Foucault com a historiografia através da Arqueologia do Saber, ou seja, principalmente a partir da produção inicial do filósofo e com os temas clássicos dos Annales, como a “longa duração”, e mesmo a escola primeira, de Lucien Febvre e Marc Bloch.

O intuito do que escrevi é ressaltar a continuidade desse diálogo nas últimas produções de Foucault, em especial seus dois últimos dois cursos no Collège de France. Aparecem então não Braudel e Levi-Strauss, mas a influência perene de Georges Dumézil (quem primeiro o ajudou em sua carreira durante a escrita da História da loucura, na consulta dos arquivos da biblioteca Carolina Rediviva), assim como a chamada “terceira geração” dos Annales, a antropologia histórica. Assim, pode ser visto um panorama de conjunto de como se deu a colaboração entre o filósofo e os historiadores “analíticos”.

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Há dez anos, Lula e Dilma traziam estabilidade para a América do Sul

No dia 23 de maio de 2008 foi criada a Unasul, em Brasília. Um longo percurso possibilitou sua existência: Hugo Chávez se tornou presidente da Venezuela em 1999 e, em 2002, saiu-se vitorioso diante de um duro golpe de Estado. Logo em 2003, Lula assumia a presidência do Brasil, seguido poucos meses depois por Néstor Kirchner, na Argentina. Formava-se a aliança que rapidamente dinamizou as relações entre os países do cone sul, assim como foram formuladas políticas em favor da autonomia da região após a suposta vitória do consenso neoliberal que seguiu a queda do muro de Berlim.

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