Quem tem medo de Hamilton Mourão?

Jogos de escala

As manifestações de domingo do pessoal da CBF não foram menores do que as do 15 de maio. Elas foram muito menores do que qualquer outra manifestação desse pessoal, inclusive aquela que ocorreu na av. Paulista na véspera da eleição, quando Bolsonaro disse por telefone (!) que iria “despetetizar” o Brasil.

Foram menores porque não tem mais lideranças em nenhuma delas. Os verde-amarelistas, esses neointegralistas, começaram mobilizando junto a Aécio Neves, Luciano Huck, atores da Globo, MBL e toda a fauna e flora que compõe parte da atmosfera pública do país. Na manifestação de domingo, o líder mais notório era o dono do puteiro que ano passado homenageou Sergio Moro e Carmen Lúcia enquanto exibia uma mulher nua.

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Simas, Joel e Luiz Rufino, Gramsci e o lado de fora da universidade

Confesso que me sinto como alguém que “pegou o bonde andando” na recente reação raivosa da ultra-direita contra Antonio Gramsci. Em minha época de graduação, as referências eram para pensadores brasileiros tradicionais (Sérgio Buarque, Caio Prado, G. Freyre), talvez na intenção de marcar a importância do trabalho intelectual no Brasil diante das correntes de pensamento estrangeiras. Existiam também as referências a autores franceses mais contemporâneos. Numa escola historiadora, os Annales são presença constante, além dos inúmeros livros, entrevistas, artigos, prefácios e tudo o mais, de Michel Foucault. Assim, Gramsci aparecia (pelo menos para mim como jovem estudante) como algo deslocado. Um duplo deslocamento: temporal, frente a nova e abundante produção intelectual brasileira em estreita relação com os chamados clássicos nacionais, e conceitual, i. e., deslocado em relação aos “avanços” do estruturalismo e das correntes intelectuais que apareceram depois, em especial na Europa.

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Fusão nuclear contra os “moinhos de vento”: um debate possível

A energia de fusão traz como possibilidade recriar na Terra as reações químicas do Sol e das estrelas

Pós-escrito sobre o debate ambiental

O texto abaixo é a continuação do tema abordado em postagem anterior,
Os terraplanistas da 4ª Revolução Industrial

O debate ambientalista, por ser um tanto delicado e não ser o objeto principal do tema do artigo acima mencionado, foi deixado um pouco de lado quando o escrevi. Mas existe algo que poderia ter sido onejto de maior destaque, ainda que pudesse abrir espaço para mais considerações. Seria a distinção entre a “energia verde” e a energia de fusão nuclear. O texto anterior já é meio grande e iria ficar, talvez, inviável para o “formato internet”. Contudo, a discussão deve ser feita.

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Notas sobre um possível assassinato

Frente a uma possível queda do governo Bolsonaro, duas teses têm sido bastante comentadas. Não se trata de um possível impeachment ou da renúncia do presidente. São as teses do “auto-golpe” e a da aproximação das elites a favor de um governo Mourão. Segundo esta, sem o desprestígio do ex-capitão, o caminho para a aprovação da agenda genocida ficaria mais fácil, da Reforma das Previdência às privatizações.

Antes dessa segunda possibilidade se concretizar, Bolsonaro se direciona para o “auto-golpe”. Este seria o único meio de se livrar autonomamente das inúmeras conspirações que o cercam. Mas o que é esse “auto-golpe”?

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Os terraplanistas da 4ª Revolução Industrial

A suposta “4ª Revolução Industrial” e a geopolítica

Em entrevista ao canal do Instituto de Estudos Latino-Americanos da UFSC, o jovem economista Diógenes Moura Breda apresentou alguns dados retirados de projeção do Banco Mundial, segundo os quais, em futuro próximo, 50 milhões de postos de trabalho estariam em risco por causa da 4ª Revolução Industrial. Por causa do processo de robotização, nanotectonologia, uso de super condutores e inteligência artificial, ou seja, uma nova mecanização do trabalho, poderia reeditar o modelo de superexploração do trabalho com a migração em massa das empresas multinacionais para países com mão-de-obra mais barata, como ocorrido a partir da década de 1970.

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Rio, Europa e o mar em Machado de Assis

Apesar da atual campanha a favor de um Machado finalmente negro, será que o próprio se sentia assim? Ou, quem sabe, as palavras de Joaquim Nabuco retratem com fidelidade a postura do romancista: " O Machado para mim era branco. [...] quando houvesse sangue estranho, isto em nada alterava a sua perfeita caracterização caucásica"...
Apesar da atual campanha a favor de um Machado finalmente negro, será que o próprio se sentia assim? Ou, quem sabe, as palavras de Joaquim Nabuco retratem com fidelidade a postura do romancista: ” O Machado para mim era branco. […] quando houvesse sangue estranho, isto em nada alterava a sua perfeita caracterização caucásica”…

Entre a década de 1970 e 1990, quando Roberto Schwarz escrevia sobre os primeiros romances de Machado de Assis (Ao vencedor, as batatas) e sobre Brás Cubas (Um mestre na periferia do capitalismo), um inglês, John Gledson, na década de 1980, se debruçava sobre o tema da traição em Dom Casmurro. Segundo o autor, o marco histórico fundador do romance seria 1871, ou seja, a Lei do Ventre Livre, que teria sido outorgada pelo imperador para poder fazer sua viagem a Europa e pousar como progressista. Outras correntes cruzam essa data simbólica: a questão religiosa que, com a proclamação da república e do Estado laico fez com que, definitivamente, faltar com a palavra seja fenômeno mais corriqueiro do que na época de maior religiosidade… E o ideal moderno, simbolizado pelas veleidades de Pedro II de frequentar o ambiente europeu como um monarca ilustrado. Porém um mar separa não só a Europa do Brasil, como também os personagens de seus sonhos ou o país de sua modernidade…

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Wikileaks, uma narrativa curta do 11/09

O livro de Daniel Estulin acabou entrando para a lista de raridades

Bem no início do fenômeno Wikileaks, inaugurado pela divulgação das imagens de tropas americanas bombardeando jornalistas e crianças no Iraque, Daniel Estulin, ex-KGB e best-seller internacional de livros talvez desconhecidos aqui no Brasil, lançou o seu “Desmontando Wikileaks”. Trata-se de investigação que entra em colisão frontal com a onda de celebridade que se espalhou ao redor dos harckers na época, cuja história está entrelaçada ao trabalho de Karl Koch e o Chaos Computer Club, ainda na década de 1980, na invenção dos afamados “cavalos de Tróia”.

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