Liberais e flamenguistas

A última alegria, debochada e pachorrenta, de PHA num Maracanã que não tem mais “cheiro de mijo”.

O poeta é como o liberal. Ele colhe vergonhas e na vida vive lotado como o Maracanã. Amarga derrotas e faz um silêncio obsceno como o da multidão saída do estádio após um derrota inesperada. O silêncio de uma multidão barulhenta é o que compõe a subjetividade do liberal, saída como rebanho, cabisbaixo, como a manada de aspirações de um poeta qualquer.

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CIA, Manuela e Araraquara

Com a confirmação de Manuela D’Ávila da invasão de seu celular em 12 de maio, a narrativa da “quadrilha” presa pela Polícia Federal parece achar sua prova de verdade. Porém, com ele não encontramos o fio da narrativa: entramos no mundo de fumo e espelhos, o mundo das agências de espionagem e de seus funcionários, ocultos ou não.

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E a cobra morderá novamente seu rabo

Uma das cenas de apoio a Dilma Rousseff que, infelizmente, mesmo para os “bens pensantes”, foi tratada como uma espécie de Geni…

O governo Bolsonaro estabeleceu um padrão frequente de fracasso: com os objetivos principais de eliminar o PT e recuperar a economia, nada indica que ele caminha para cumpri-los. Portanto, o que ainda sustenta esse governo?

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Carluxo e o subjetivismo do pobre

Uma releitura, 17 anos depois, de um texto clássico de Silviano Santiago. Como comparar o “cosmopolitismo do pobre”, ou seja, sua inserção no mundo globalizado, com a entrada da subjetividade dos pobres em plena praça pública? Carluxo, intelectual orgânico de um novo Brasil, soube responder a esse dilema, fazendo eco a amplos setores da nossa sociedade. Silviano e talvez até mesmo a globalização sequer imaginaram que poderiam chegar tão longe…

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Sobre o atual fenômeno identitário

No seu Twitter, Moro posa com Villas Bôas em 10 de julho de 2019

O realinhamento atual, em especial na América do Sul, da política com os pressupostos dos ultraliberais (liberalismo tradicional + extrema-direita) trouxe à tona novamente as políticas de grupo e o “fascismo amigável” bem-sucedido no norte do Atlântico pode se visto de maneira mais clara nos últimos anos por aqui.

Agora, num “fascismo 3.0”, a mineração massiva de dados e os sistemas de vigilância compõem uma máquina formidável de aplicação dos princípios da engenharia social: a criação de grupos identitários que atuam entre si como numa família e entre os outros através da tática das guerras de gangue contra gangue.

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Intervenção: quando a palavra golpe foi colocada em praça pública

Pude assistir esses dias ao documentário lançado em 2017 chamado “Intervenção – Amor não quer dizer grande coisa”, dirigido por Tales Ab’sáber, Rubens Rewald e Gustavo Aranda. O filme procura retratar o bastidor social da convocação em massa para o golpe de 2016 através do relato de anônimos famosos por seus vídeos postados no youtube.

Caso se possa tirar um retrato entre tantas falas diferentes expostas no filme e correspondente ao que se chama de bastidor social das convocações contra a presidência da república, é a que mostra como a palavra golpe foi colocada definitivamente em praça pública e serviu de bandeira para toda a direita, do alto clero neoliberal ao baixo clero, aquele que coloca em xeque um suposto acaso que teria levado ao naufrágio o Titanic. Sem a reconfiguração do significado da palavra golpe, dificilmente os grupos organizados contra o governo do Partido dos Trabalhadores poderiam se aglomerar.

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