Autópsia ou o olhar do historiador

Com seu livro O espelho de Heródoto, François Hartog acabou por entrar, talvez à revelia, no “vendaval” que sacudiu o debate dos intelectuais com o surgimento do revisionismo histórico sobre o nazismo. Na época, tanto Carlo Ginzburg quanto Paul Ricoeur reconheceram no livro traços do relativismo cultural daquela década, marcada tanto por um incremento na sofisticação da escrita dos historiadores (o que os aproximou da escrita ficcional), quanto por um ambiente político e acadêmico reacionário que buscava negar Auschwitz. Contudo, as indeterminações que sugeria o conceito de “autópsia” criado na ocasião por Hartog, serviram para questionar as estruturas do pensamento historiográfico e, longe de qualquer relativismo reacionário, projetou-o hoje como um dos maiores pensadores acerca do ofício do historiador. É um pouco dessa história que esse texto pretende contar.

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O fim da onda da “direita lisérgica”?

A grande pergunta não é sobre a supostamente desaparecida “burguesia nacional” ou a ausência de “generais nacionalistas”. A pergunta versa sobre os motivos de o Golpe continuar ativo, apesar de todos os atos contraditórios dos golpistas. Quem ainda sustenta um governo insustentável? Como fazem isso? Qual o caminho para se reverter o mais rápido possível o atual estado de coisas? Como em 2002 na Venezuela, na América do Sul novamente a população rechaça o neoliberalismo e o arbítrio fardado. Terá chegado o fim da “direita lisérgica”?

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