O genocídio do social

O psicanalista Táles Ab’Sáber diagnosticou como a realidade psicopolítica brasileira a “alucinose”, ou seja, “uma distorção efetiva da capacidade de pensar fundada na necessidade de saturar a realidade com desejos que não suportam a frustração, bem como no impacto corrosivo dos mecanismos psíquicos ligados ao ódio sobre o próprio pensamento” . Embora ele falasse, na ocasião exclusivamente da ascensão da extrema-direita e do discurso do ódio, pode ser visto o profundo estado de transe pelo qual passava (ou ainda passa) todo o país, sem importar qual posição social ou político-ideológica que se esteja.

Continue lendo “O genocídio do social”

Políticas da memória, doutrina de guerra e neoliberalismo

Joel Rufino dos Santos

“A naturalidade e a aceitação da prática de tortura atualmente é uma das heranças da nossa escravidão. E é significativo que ela só fosse publicamente condenada quando atingiu militantes políticos, ou seja, durante a última ditadura civil-militar”.

Classe e memória

Pode ser sugerido, a partir dessa afirmação de Joel Rufino dos Santos, que a prática da tortura, que ocupou pelo menos 4/5 da história brasileira, com a escravidão, só foi condenada publicamente quando atingiu os setores de classe-média ou os militantes políticos? Se for assim, qual é o escopo, atualmente, de uma política da memória verdadeiramente abrangente? E onde ela se encontra hoje, pois não está mais no Estado e, talvez, não seja fabricada de forma ampla na academia?

Continue lendo “Políticas da memória, doutrina de guerra e neoliberalismo”