A literatura como arquivo da ditadura brasileira

Da Revista Brasileira de Literatura Comparada (trechos com breves modificações para exposição em blog)

“Ler o livro da professora Eurídice hoje, tendo em vista as etapas de seu processo de produção, nos força a remontar toda essa complicada etapa que vai da concretização de um avanço democrático em 2014 até a consolidação do governo protomilitar, miliciano-judiciário, em curso”.

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A história do samba como história social do trabalho

O conceito de “rede de proteção” é fundamental para se compreender todo o processo da escravidão no século XIX e como também o advento do samba. Se houve uma revolução na historiografia nas últimas décadas (em linhas gerais, o escravo deixou de ser visto como passivo, mas capaz de se “negociação e conflito”, como num título de um livro clássico), é porque conseguiram criar essas redes, em especial através das comunidades islâmicas e as casas de candomblé, além das inúmeras redes de proteção, de negociação e de conflito que se abriram com o desenvolvimento urbano no mesmo século.  O caso emblemático é o do terreiro de Tia Ciata.

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Reforma ou Revolução: o dilema da classe-média em Zé Dirceu

Caso se fale dos dilemas da esquerda brasileira marcantes em todo o período de redemocratização, se aponta para um dilema não da “esquerda” entendida como amplo leque de forças sociais, mas das classes-médias urbanas. É isso que, dentre tantas outras reflexões, Dirceu apresenta no 1º volume de suas memórias.

Devemos optar por uma solução de ruptura, revolucionária, como ele tentou depois de seu primeiro exílio em Cuba, voltando ao Brasil para participar de um novo grupo armado, o Molipo? Ou se deve optar por uma solução de conciliação, de diálogo programático, baseado no conhecimento técnico dos quadros da esquerda para dirigir por dentro um processo de reformas, mas não de revolução?

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A diferença entre lobos e raposas, segundo Malcolm X

Em certa altura do documentário Panteras Negras: todo o poder para o povo (minuto 9’40), Malcolm X fala o seguinte sobre lobos e cordeiros:

“Esse presidente branco que se chama de liberal é a coisa mais perigosa de todo o Ocidente. É o mais enganador. É como uma raposa, e uma raposa é sempre mais perigosa que um lobo. Você vê o lobo chegando. Você sabe o que ele quer. Mas a raposa vem te enganar. Ela mostra os dentes como se sorrise, como um amigo.”

O “presidente branco” a que Malcolm se refere, se pudesse hoje projetar sua preferência política, talvez se expressasse assim:

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A lógica da Guerra Fria no séc. XXI

Um conceito referência do período das lutas operárias antes da 2ª Guerra Mundial, o de Greve Geral, parece hoje tão impossível quanto ostensivamente fica “sob os olhos” das organizações operárias. A lógica da Guerra Fria foi tão tóxica às organizações populares que, depois da reorganização das relações internacionais com o fim do sistema de Bretton Woods em 1971 [aqui], um caso clássico de greve geral foi a organizada no Chile contra o governo de Salvador Allende.

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