O dia em que Pepe Escobar descobriu o Brasil

Acredito que possa ser feita uma distinção entre progresso e desenvolvimento. A primeira palavra muitas vezes ilustra um estado de coisas relativas a uma história de tipo monumental, ou seja, de grandes feitos, mas cujos efeitos sociais são nulos ou negativos. O próprio ideal de progresso, da época das Luzes até o amplo processo de industrialização e urbanização a partir do século XIX, parece ter virada um monumento da história.

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Conheça a BlackRock, a nova grande lula-vampira-do-inferno

A BlackRock é uma gigante financeira global com clientes em 100 países e tentáculos nas principais classes de ativos em todo o mundo; e agora gerencia a torneira dos trilhões de dólares dos resgates do Federal Reserve. O destino de grande parte das empresas do país foi colocado nas mãos de uma entidade privada megalítica com o mandato capitalista privado de ganhar o máximo de dinheiro possível para seus proprietários e investidores; e é isso que ela passou a fazer.

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A revisão proposta por Putin sobre a 2ª Guerra Mundial pode impedir uma nova guerra

Por Helga Zepp-Larouche, na Executive Intelligence Review

O artigo detalhado e muito direto de Vladimir Putin sobre os antecedentes da Segunda Guerra Mundial, balizado com importantes documentos históricos, e seu discurso no desfile militar de 24 de junho na Praça Vermelha para comemorar o 75º aniversário da vitória soviética sobre o fascismo, são leituras obrigatórias urgentes para todos os políticos e pessoas politicamente conscientes ao redor do mundo. Ao mesmo tempo, definitivamente, deve-se assistir ao desfile militar inteiro, mas lembre-se de que a grande maioria da população russa já havia lido o artigo de Putin enquanto via o desfile na televisão.

O texto revela uma abordagem para entender os motivos do 9 de maio ser o feriado mais importante da Rússia, como também a determinação quase sobre-humana, ainda existente hoje, que permitiu à população soviética sobreviver ao ataque bárbaro da Wehrmacht e obter a vitória sobre a Alemanha nazista, apesar da perda de 27 milhões de pessoas. Mas Putin também estende um ramo de oliveira ao Ocidente, exortando todos os países a publicar os documentos históricos ainda secretos de antes e durante a Segunda Guerra Mundial, e usá-los juntamente com o relato de testemunhas contemporâneas para iniciar um debate em busca da verdade entre historiadores. Refletir sobre as razões da Segunda Guerra Mundial deve fazer com que as forças políticas do mundo de hoje tirem as lições necessárias e despertem enfaticamente o mundo para o crescente perigo de guerra, a fim de evitar repetir os mesmos erros.

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Pleníssimo Emprego vs Renda Básica

Renda básica como populismo?

Na reorganização da economia internacional após a crise de 2007-8, a agenda ONU-2030, lançada em 2015, lançou pela primeira vez o que hoje múltiplos atores chamam de “reset” da economia global. Os três pilares, já ensaiados na própria crise acima mencionada, são a emissão monetária massiva, a reconversão industrial em robotização mais economia verde e programas de renda mínima para a população. O projeto ocidental, em linhas gerais é esse.

Frontalmente contra esse projeto, está o projeto da Nova Rota da Seda (se visto da China) ou da Grande Eurásia (Se visto da Rússia). Se voltarmos um pouco no tempo, este projeto potencialmente estava na iniciativa BRICS. Quais seus pilares? Crédito de longo prazo voltado para múltiplos projetos de infraestrutura e conectividade, ciência e tecnologia (incluindo a fusão nuclear e o incremento exponencial dos programas espaciais), parcerias políticas estratégicas multi e bilaterais.

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Amigo, pode me dar um emprego?

No momento em que este texto está a ser escrito, durante a segunda semana de maio, 50 milhões de estadunidenses estão desempregados ou foram forçados a emprego em part-time. Mesmo antes deste colapso no emprego, cerca de 44 milhões dos mesmos não tinham emprego produtivo—em produção de bens, em manufatura, em construção, em extração mineira e sondagem e perfuração, em agricultura e em exploração florestal, em transportes—, nem eram cientistas ou engenheiros. Isto trouxe à luz o facto chocante de que, ainda antes da crise de coronavírus, já tinha havido a concretização da velha anedota: “Milhões estão inativos! —felizmente a larga maioria tem empregos.” Cerca de 69% da força de trabalho estadunidense (incluindo aqueles que estavam desempregados, ou que tinham desistido de procurar emprego e de fazer parte da força de trabalho) não tinham emprego produtivo. Isto era quase 120 milhões de pessoas (ver Figura 1). E, agora, uma enorme proporção desses estadunidenses tornou-se literalmente desempregada, ou foi forçada a trabalho em part-time.

Isto revela a absurdidade das definições convencionais de desemprego, pelas quais alguém quer trabalhar, mas não encontra um trabalho remunerado, i.e., não consegue receber rendimentos.

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Da montanha de derivativos a economia de quarentena

Nunca antes na história mundial se produziu tamanha soma de ativos podres quando surgiu a crise financeira de 2007-8. Contudo, as medidas keynesianas tomadas pelos governos ultraliberais europeus e americano hoje parecem uma brisa inofensiva frente a ofensiva quantitativista atual. Até agora foram impressos mais de 5 trilhões de dólares, só nos EUA, com o coronavírus como pano de fundo, contra 15 trilhões de dólares emitidos ao longo de mais de 10 anos que sucederam a crise anterior.

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A CNNização das esquerdas

A cegueira branca causada pelos holofotes do poder

Com a coronacrise, todas as teorias da conspiração foram imediatamente canceladas. Não foi pela falta de esforços de alguns, com a contribuição notável de Gorgio Agamben, inesperadamente protagonista das discussões desde o início do que chamou de “invenção de um pandemia”.

Diante dos gráficos expostos diariamente pela mídia, não pode existir razão argumentativa. E o pior disso tudo é que, logo após o Imperial College soltar seus gráficos apocalípticos, Michael Levitt, químico laureado com o prêmio Nobel, lançou sua série de dados que mostraram uma realidade alternativa, não menos consistente (e agora mais acertada depois da consolidação dos dados em muitos países) que a versão londrina no uso de algoritmos.

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