Eleições coloridas, Barack Obama e a economia política do Vale do Silício

Se houve um reordenamento do poder em escala internacional depois do fim da URSS, na virada do século XXI, com o crescente protagonismo dos países do sul global até sua reunião ao redor dos BRICS, os EUA tiveram que redesenhar sua propaganda democrática, virar a página do impopular governo de Bush Jr. e se apresentar “mais colorido” para o mundo. Esse novo episódio da “democracia americana” já em 2007-8 surge junto ao poder das Big Techs, com poder ainda embrionário se comparado com o que possui hoje. Não só: a reorganização financeira após a dita “crise do subprime”, além de ter promovido uma transferência massiva de recursos para as camadas mais ricas do setor econômico transatlântico, forneceu a liquidez necessária para o investimento massivo em novas tecnologias do trabalho, já acentuada por um processo de desindustrialização vigente há décadas. São esses alguns dos aspectos da nova “democracia americana” que comento no novo episódio de meu programa.

(27 min)

YOUTUBE: https://youtu.be/6OMMmMxXevU

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/Eleies-coloridas–Barack-Obama-e-a-economia-poltica-do-Vale-do-Silcio-e1hnevv

Foucault e Platão, literatura e história

Olhar Foucault a partir da perspectiva de seus últimos cursos vai além da descoberta de termos e/ou conceitos novos como o de “parresía” e “verdade cínica”. Se existe uma reintrodução de temas literários, supostamente abandonados depois de sua chamada “fase arqueológica”, a maturidade do filósofo aponta também para algo além dessa simples evidência: o diálogo em aberto entre Foucault e a historiografia realizada na época na França (em especial os helenistas da 3ª geração dos Annales) e o cruzamento do que ele chama de “érgon filosófico” com a prova de verdade da escrita entre os gregos. Somente utilizando a literatura e a análise dos mitos (e a história da escrita mitológica) se pode abordar com plenitude os pontos de indiscernibilidade entre vida e obra que fazem alguém (no caso da Grécia em particular, num período de decadência das liberdades democráticas) ser capaz de dizer o verdadeiro. Para além de qualquer análise retrospectiva a respeito do que “Foucault de fato falou”, o que busco são subsídios para um momento além Foucault (pós-foucaultiano) onde, a partir de indícios deixados por sua ampla trajetória intelectual, se pode chegar a lugares que só depois da fase de maturação da obra de um grande pensador pode nos fazer chegar.

YOUTUBE: https://youtu.be/LMVUHcaYuOA

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/Foucault-e-Plato–literatura-e-histria-e1hk0tj

ISEB x CEBRAP: o “nacionalismo por subtração” de Roberto Schwarz

Em “O nacional por subtração”, Roberto Schwarz fala de uma estranha sensação de ser brasileiro. Como se toda a produção cultural produzida por aqui tivesse portasse a sensação de ser postiça, imitativa, inautêntica. Apesar de tentar ou parecer tentar se livrar do mal estar, sua abordagem que se pretende “de classe” (marxista) é incapaz de levá-lo a ver em sinal positivo, a enxergar mesmo, a inteligência e a produção cultural do país de forma não só mais ampla, como também mais generosa. Seu pessimismo doutrinário marcou a produção intelectual brasileira, mas só pode ser melhor compreendida se vista em rota de choque com a antiga tradição do ISEB que o CEBRAP acabou por suplantar.

 

YOUTUBE: https://youtu.be/gJmPK-U4kXY

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos28/episodes/ISEB-x-CEBRAP-o-nacionalismo-por-subtrao-de-Roberto-Schwarz-e1hemnk

Platonismo vulgar nas “ideias fora de lugar” de Roberto Schwarz

Uma crítica que talvez possa ser feita ao eminente crítico Roberto Schwarz é sobre essencializar o que ele entende por direitos humanos. Ao colocar como pré-definidas determinadas formas consideradas de progresso do história europeia, acabaria ele julgando ou pré-julgando o desenvolvimento histórico brasileiro? Por que existiria uma “ideia” e necessariamente no nosso país ela estaria “fora de lugar”? Não seria a própria ideia de direitos humanos, tratada de uma forma que não se questiona ou seus princípios, uma outra forma de etnocentrismo? São essas algumas das indagações que faço ao famoso intelectual paulista.

YOUTUBE: https://youtu.be/2e5GCDGuPyk

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos28/episodes/Platonismo-vulgar-nas-ideias-fora-de-lugar-de-Roberto-Schwarz-e1h81h8

A estrutura do tempo messiânico em “O tempo que resta”, de Giorgio Agamben (4ª Jornada)

Na 4ª jornada de seu livro, Agamben se aproxima do núcleo temático que visa explorar, o da estrutura messiânica do tempo. Como defini-la por ela escapar ao tempo cronológico e ao mesmo tempo não pertencer a um tempo excepcional, um “kairós” geralmente visto como fora do tempo, ou seja, de natureza metafísica? O filósofo expõe a estrutura de um tempo imanente, sempre “ao lado” (parousia), pensável mas não representável. Como transmitir a experiência de um tempo que foge a toda regra tradicional de composição? Definir esse tempo e mostrar seu ritmo (sua rima?) o faz se aprofundar em elaborações anteriores, como em “Infância e história”, quando se perguntou como, na modernidade, os poetas atuavam para exprimir o inexperenciável. Nessa Jornada é também quando ele mais se aproxima das reflexões de Gilles Deleuze e sua noção de cristais do tempo, da atuação do visionário ao invés do que vê o profeta ou do “eschaton” dos apocalípticos. Entre Deleuze e Benjamin, tecendo toda uma série de críticas a cultura, Agamben não teme as dificuldades e aporias de seu tema escolhido e leva seu leitor a regiões de belezas extremamente exigentes.

YOUTUBE: https://youtu.be/1WUQ4Wpcc70

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos28/episodes/A-estrutura-do-tempo-messinico-em-O-tempo-que-resta–de-Giorgio-Agamben-4-Jornada-e1h6gaf

Sérgio Buarque, Max Weber e uma certa interpretação do Brasil

Há um consenso entre os intelectuais as interpretações de que “Raízes do Brasil” foram marcadas pelo prefácio de Antônio Cândido à obra, escrito em 1967. Nele se plasmou uma leitura weberiana de Sérgio Buarque a partir da noções de “burocracia”, “patrimonialismo” e dos “tipos ideais”. Será que toda essa histórica carga crítica se baseia apenas em um curto texto de apresentação? Houve algum outro movimento intelectual não vinculado diretamente à interpretação do Brasil proposta em “Raízes” que condicionou sua leitura a partir da influência que Weber teria exercido sobre o jovem historiador paulista quando este passou alguns anos na Alemanha? Em última instância, será essa vertente interpretativa hegemônica a mais adequada para os dias atuais? São essas algumas das perguntas que busco responder nesse programa.

YOUTUBE: https://youtu.be/s8snK_yIHwg

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos28/episodes/Srgio-Buarque–Max-Weber-e-uma-certa-interpretao-do-Brasil-e1h325j

Link da aula proferida por mim para a Universidade Federal de Uberlândia: https://youtu.be/q3OQ7hfq40w

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Weber, Foucault, Braudel: ordem protestante e neoliberalismo

No “Nascimento da biopolítica”, Foucault vê em comum nas duas alas de intelectuais que levariam ao neoliberalismo na Alemanha, a Escola de Friburgo e a Escola de Frankfurt, um traço em comum, o weberianismo. Se a Alemanha do século XVI a riqueza seria um sinal efetivo da salvação divina, na Alemanha do século XX é menos o enriquecimento individual do a adesão ao Estado fundado num ordenamento jurídico e tecnocrático que será sinal tanto do esquecimento dos erros cometidos durante o nazismo quanto o legitimador da inserção do país na nova ordem vigente no pós-guerra. A crítica operada por Foucault amplia a crítica feita na década de 1960 por Fernand Braudel a sociologia de Weber e faz enxergar com mais detalhes a incidência da “ética protestante” nos dias de hoje.
 
 
 
 
 
 
 
 

China e África: paz através do desenvolvimento

Por Hussein Askary (Instinto Rota da Seda – Suécia) para o China Daily

Dois eventos recentes consolidaram a ideia de que o desenvolvimento econômico e a cooperação são os principais motores da política externa chinesa. Apesar das provocações políticas e militares das potências ocidentais, especialmente dos Estados Unidos, a China tem afirmado que quaisquer problemas entre países podem ser resolvidos aderindo ao direito internacional baseado na Carta da ONU e construindo pontes econômicas e culturais através das fronteiras.

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Conferência para Estabelecer uma Nova Arquitetura de Segurança e Desenvolvimento para Todas as Nações

 

Por que o momento agora é de paz e não de guerra?

A possibilidade de guerra mundial já acabou. E não é de agora. Para quem analisa os conflitos internacionais, ainda que para poucos dentre estes poucos analistas, os últimos anos foram de recuo acentuado dos preparativos de guerra que escalaram como nunca antes na história durante os governos de Barack Obama, que potencializou os conflitos de seu antecessor, Bush Jr. Ao invés da preocupação com a ordem mundial e um possível confronto termonuclear, o que assistimos agora é mais um passo da vitória sobre a contraofensiva imperialista iniciada na década passada, quando a América do Sul e Ásia (BRICS de um modo geral) passaram a ganhar cada vez mais voz e poder. Essa tentativa de guerra fracassou, não importa quais guerras estejam sendo feitas agora. O mundo definitivamente perdeu o seu centro, e isso aponta para avanços importantes e positivos nos próximos anos.

YOUTUBE: https://youtu.be/YgMoCllB7qk

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos28/episodes/Por-que-o-momento-agora–de-paz-e-no-de-guerra-e1fik2u