Paulo e Benjamin: messianismo e o tempo de agora

Na conclusão do livro “O tempo que resta”, Giorgio Agamben tenta revelar a imagem do anão corcunda que, escondido debaixo de uma mesa de xadrez, assegura a vitória de um boneco vestido de turco. O materialismo histórico deve tomar ao seu serviço aquele exímio enxadrista. Apesar de aparecer como pequeno e feio (por isso deve ser escondido), ele é associado a teologia.
 
Através do sentido bem próprio que Agamben interpreta as “Cartas” de Paulo, a teologia, vista sob a ótica de Benjamin, aparece como uma imagem-cristal, dupla por natureza, virtual e atual. Assim, como o encontro de Paulo e Benjamin proposto por Agamben atualiza essa imagem para o uso no tempo de agora? É o que tento expor ao ler a última parte de “O tempo que resta”, também último programa dedicado a esse livro.

Teoria do testemunho e eurocentrismo

Após a II Guerra Mundial e com as décadas de revoluções e contra-revoluções (ditaduras) nos países da América do Sul, uma avalanche de testemunhos veio tomar o protagonismo da história enquanto relato (em terceira pessoa) autorizado para dar conta dos problemas sociais recentes. É o que Andreas Huyssen chamou de “inflação da memória”. Como, posteriormente teorizado, o testemunho acabou ocupando o lugar de um novo eurocentrismo (às avessas) onde o “testimonio” latino-americano parece ocupar um lugar de segunda ordem? Olhar para estas questões é importante para se analisar como hoje se escreve a história e como pensam seus teóricos.

YOUTUBE: https://youtu.be/f-aAPBgfgBQ

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/Teoria-do-testemunho-e-o-eurocentrismo-e1lbk02

Crise de desintegração financeira controlada

É relativamente aceito que setores políticos produzem guerras e golpes de Estado. Mas na área econômica muitas vezes se acredita que as crises são inerentes ao sistema capitalista, e geralmente ocorrem de forma cíclica. Estudar o caso das duas crises do petróleo dos anos 1970 e o projeto do Council on Foreign Relations (CFR) chamado “Projeto 1980: a desintegração controlada das concentrações industriais e científicas avançadas no mundo”, permite ver como foi forjada uma crise financeira controlada (ao lado de golpes de Estado e de guerras) que recuperaram o valor do dólar e consequentemente das praças financeiras de Londres e Wall Street após o fim do regime de paridade ouro-dólar decretado por Nixon. Até que ponto as crises financeiras (como vimos no caso da Lava-Jato) são ou não planejadas e controladas? Esse é o tema do meu novo programa.

YOUTUBE: https://youtu.be/w5imFSZweoA

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/Crise-de-desintegrao-financeira-controlada-e1l6jpp

O Tempo que resta, de Giorgio Agamben (6ª Jornada)

No último capítulo de “O tempo que resta” (antes da conclusão), Giorgio Agamben reafirma o poder da linguagem, da filosofia e do pensamento como veículo transformador. Apesar de calcar sua análise em balizas éticas muito claras, se aproxima bastante, ao falar das relações arcaicas entre fé e promessa, da noção de “promessa de felicidade”, dito de Stendhal recuperado por Nietzsche (“Genealogia da moral”) para se contrapor à visão negativa de Shopenhauer sobre a Estética. Assim, Agamben recupera polêmica iniciada em fase inicial de seu livro, no caso contra Adorno, que escrevia uma “filosofia no impotencial”, ressentida, que veria na poesia apenas um epifenômeno da vida e não como provocadora ou criadora de vida.
 
 

Duas imagens de mulheres: de Machado de Assim e de Lima Barreto

O longo e interminável caso de Capitu e Bentinho diz mais sobre a capacidade interpretativa dos leitores de Machado do que ao que é exposto no romance. Prova disso é que só depois da interpretação da tradutora de Dom Casmurro para o inglês, Helen Caldwell, ter questionado a interpretação vigente no Brasil é que por aqui se instaurou uma espécie de tribunal a respeito da sorte do casal… Pelo contrário, ao ver a personagem Olga, cujo padrinho é Policarpo Quaresma, se vê os dilemas do escritor (e não de seus leitores) ao lado das mulheres brancas e ricas e das negras e pobres. É através de uma sina trágica e um tanto ambígua que Lima Barreto constrói a mulher-síntese de seus romances. Ao olhar tanto o lado dos leitores quanto o dos escritores, podemos traçar alguns questionamentos a respeito da criação literária e de sua implicações histórico e culturais.

YOUTUBE: https://youtu.be/KjCBcIMcmwQ

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/Duas-imagens-de-mulheres-de-Machado-de-Assim-e-de-Lima-Barreto-e1kkl9i