Épuras do social: como podem os intelectuais trabalhar para os pobres

Joel Rufino dos Santos chama os intelectuais a refletir sobre sua posição no processo produtivo. Não é um pedido para que somente o intelectual se compadeça dos pobres ou operários, mas para que os artistas e escritores se vejam num solo comum onde tanto o intelectual burguês ou acadêmico quanto o intelectual dos pobres (Paulo da Portela, Adoniran Barbosa, Carolina Maria de Jesus) se vejam como produtores de cultura dentro de um conceito ampliado de cultura, onde ágrafos ou analfabetos também compõem o acervo criativo nacional, sem subdivisões em classes. Contra o beletrismo e o diletantismo de intelectuais contentes, Joel Rufino vai mais longe na visão da tarefa do intelectual do que Walter Benjamin em “O autor como produtor”. De toda forma, os dois autores se complementam e pode ser visto assim de forma mais nítida o papel do crítico hoje no Brasil.