Sob violento abalo: a tese X e o pacto nazi-soviético

Diz-se que Walter Benjamin esteve sob violento abalo quando soube que os embaixadores da União Soviética e da Alemanha nazista assinaram um tratado em conjunto, o Ribbentrop-Molotov. Teria recorrido a remédios ao ver que a única esperança de luta contra o fascismo cedeu ao firmar um pacto de não agressão… Essa interpretação serve para um duplo fim: criticar a ação soviética como capitulação diante de Hitler, sem considerar que este foi o último dos tratados que potências europeias e outros países periféricos assinaram com os nazistas o fim de contê-los diplomaticamente. Por outro lado não se atentam que, mais do que em qualquer outro trabalho, a tarefa específica no campo político dos Conceitos sobre a História, de Benjamin, é o de crítica as esquerdas, seja ela de caráter socialdemocrata ou comunista.

Em seu livro Meia-noite na história, Reyes Mate separa um termo da décima tese sobre o conceito de história[1], de Benjamin, Weltkind, que na tradução aparece como “monge” e como “filhos do século”. A distinção nesta última está de acordo com a tradução feita pelo próprio Benjamin ao francês, “enfant du siécle”. Na mesma frase na tradução clássica para o português, de Sério Paulo Rouanet, está a palavra de ordem “arrancar a política das malhas do mundo profano”. De fato, na versão alemã se encontra “das politische Weltkind”, mas na edição da Brasiliense acaba por se perder, na frase, o elo com o início da tese, isto é, a vida no monastério e suas regras. Nas palavras do filósofo espanhol ficam mais claras as razões do destaque para a palavra Weltkind: “O homem do seu tempo tem que revestir-se do talante do monge”[2]. Estar no mundo como se nele não estivesse, participar de seus problemas sem se embrenhar nos microfascismos de esquerda ou direita, nas pequenas discussões e lutas por cargos, ocupações de destaques e outras preocupações menores. Mais ainda,

Esse distanciamento dos acontecimentos que estão se dando é obrigado para poder entendê-los e arrostá-los. E o que estava ocorrendo devia ser uma notável gravidade, porque Benjamin fala de traição à causa por parte daqueles que eram depositários das esperanças da humanidade. Essas esperanças frustradas eram as das vítimas do fascismo e também as daqueles que lutavam contra ele em condições desesperadas; e os traidores eram esses políticos comunistas que haviam dobrado o joelho. Mesmo sem mencioná-lo, Benjamin está pensando no pacto de não-agressão firmado por von Ribbentrop e Molotov no dia 23 de agosto de 1939 entre o Terceiro Reich e a União Soviética. O acordo reconhece o direito da União Soviética sobre a metade da Polônia enquanto a Alemanha reserva pra si a outra metade. No dia primeiro de setembro desse mesmo ano, as tropas alemãs cruzaram a fronteira da Polônia. Alguns dias mais tarde o Exército Vermelho invade a Polônia oriental. Com as costas protegidas pelo acordo, Hitler poderá dedicar sua atenção ao Ocidente[3].

Aproximando-se do posicionamento de Trotski, que qualificou o pacto como uma traição, Benjamin teria recorrido a remédios para dormir, certo de que acabara qualquer esperança no comunismo. Curiosos posicionamentos históricos que, se compreensíveis para quem vive no calor dos acontecimentos, podem se tornar intoleráveis ao se deparar com a manipulação da ignorância alheia para fins escusos. Em 19 de setembro de 2019 foi votada uma resolução no Parlamento Europeu onde se considera que o Pacto Molotov-Ribbentrop selou a aliança de duas potências totalitárias e cimentou o caminho para II Guerra. Em razão disso, Hitler e depois Stálin invadiram a Polônia e privaram seu povo da liberdade. Por incrível que pareça, diz a mesma resolução: “A Rússia continua a ser a maior vítima do totalitarismo comunista e seu desenvolvimento para um Estado democrático será impedido enquanto o governo, a elite política e a propaganda política continuarem a encobrir os crimes comunistas e glorificar o regime totalitário soviético[4]”. A declaração europeia é um claro atentado à paz mundial, ao reforçar preconceitos seculares em relação ao oriente, talvez não tão distante do que autores clássicos impingiram como conceito dourado nas academias, o chamado despotismo asiático… A União Europeia, como governo supranacional e de matriz econômica ultraliberal, junta-se à russofobia norte-americana e faz aprofundar o dissídio que pode tornar inviável nos próximos anos o entendimento entre as grandes potências.

O artigo de Putin publicado no site oficial do Kremlin junto às comemorações pelos setenta e cinco anos da Guerra Patriótica[5], a ação decisiva da União Soviética na derrota dos nazistas, além de relatar para o mundo a abertura dos arquivos secretos do antigo país comunista para que se inicie um debate internacional a respeito das causas da II Guerra, e de apontar para inúmeros fatos históricos que colocam em xeque o posicionamento das nações ocidentais, e mesmo a complacência ou o interesse destas com a ascensão de Hitler, tem como objetivo principal apontar a necessidade de se construir um consenso mínimo entre as potências econômicas e nucleares, tendo em vista o relativo sucesso da criação da ONU e do Tribunal de Nuremberg para a elucidação dos crimes contra a humanidade, e para a prevenção, como se deu com considerável dificuldade durante a Guerra Fria, de uma nova Guerra Mundial. Segundo Putin, os pactos do pós-guerra devem ser refeitos[6]. Não há pressuposto históricos onde grandes mudanças geopolíticas, como as que ocorrem agora com o eixo da economia e da política internacional se deslocando para o oriente, acontecerem sem uma guerra de grandes proporções. Se for repetido os fracassos da Sociedade das Nações do entre-guerras ou caso se mantenham países inteiros e sua população sob o jugo de dívidas infinitas como se fez com a Alemanha através do Tratado de Versalhes, a sombra do arbítrio e do obscurantismo prevalecerá e um confronto termonuclear de consequências funestas entrará na ordem do dia.

Assim, o Pacto Ribbentrop-Molotov, mal visto pela esquerda, comunistas ou filocomunistas da época, e que deixou Walter Benjamin um tanto fora de si segundo os relatos trazidos por Reyes Mate, é apresentado por Vladimir Putin como último de uma série de tratados estabelecidos por grandes países no intuito de buscar uma política de apaziguamento com os alemães. Podem ser mencionados o Pacto Pilsudski-Hitler, de 1934, entre Alemanha e Polônia; o tratado marítimo anglo-germânico de 1935, onde a Grã Bretanha concedeu aos nazistas o poder de terem sua própria frota, algo proibido depois da I Guerra; a iniciativa de Chamberlain que resultou numa declaração conjunta entre ingleses e alemães em 30 de setembro de 1938; o acordo franco-germânico firmado em 6 de dezembro de 1938 entre os ministros Bonnet e Ribbentrop; o tratado entre os nazis e a Lituânia assinado em 22 de março de 1939, que devolveu ao Reich o território de Klaipeda; por fim, o Tratado de Não Agressão entre Alemanha e Latvia, de 7 de junho de 1939. Durante a assinatura do tratado com Ribbentrop, Molotov seguiu estritamente as ordens de Stálin e declinou da proposta de Hitler de se juntar ao Pacto Tripartido com a Itália e Japão, finalizado no ano seguinte. Segundo os documentos tornados públicos pelo governo russo, o Acordo de Munique[7] mostrou que os países ocidentais agiam sem considerar os interesses da União Soviética e provavelmente almejavam a formação de um bloco antisoviético.

Acredito que seria curioso olhar a história de três quartos de século atrás e ver uma aliança ocidental, a aliança nazifascista, e a URSS como um bloco à parte… Contudo, tal configuração é quase o que Vladimir Putin propõe. Nos bastidores do que também se chama de “traição de Munique”, o serviço de inteligência soviético trouxe informações detalhadas das negociações de britânicos e alemães no verão de 1939, contatos realizados de forma simultânea aos que eram feitos entre franceses, alemães e soviéticos, onde os países ocidentais, enquanto avançavam rapidamente nos acordos com os nazistas, protelavam as possibilidades de toda e qualquer participação da União Soviética, como consta um documento do arquivo britânico com instruções para a missão dos ingleses em Moscou em agosto de 1939. Estes deveriam conduzir as negociações de forma bastante lenta e não pactuar nada de relevante para manter uma suposta liberdade (a palavra “neutralidade”, tão ao gosto dos britânicos, poderia ser usada aqui?) de ação. Contudo, nas inúmeras tramas que antecederam imediatamente as negociações de Munique, os soviéticos tinham em sua delegação o alto comando do Exército Vermelho, capacitados para selar qualquer acordo de alto nível, sobretudo um acordo militar de defesa com a França e a Inglaterra contra a agressão nazista na Europa. Dessa maneira, à revelia, a União Soviética sofreu uma importante marginalização nos tratados anteriores a guerra. Somente se tornou um ator central, e poderia se dizer talvez, e somente entre aspas, que “automaticamente” imantou o apoio dos países europeus centrais, após ela concentrar cerca de 75% de todos seus esforços militares nas batalhas contra Hitler…

O discurso de Putin gerou reação imediata das autoridades polonesas. Ao se opor em bloco à política atual da União Europeia, mostrou indiretamente a complacência de França e Inglaterra com a expansão nazista e como os acordos de Monique abriram espaço para as pretensões polonesas e alemães na Tchecoslováquia[8]. A Polônia agiu como parceira da Alemanha ao mobilizar três divisões de seu exército no cerco à região tcheca de Zaolzie, enquanto a URSS pressionava a França para honrar sua aliança de defesa com a Tchecoslováquia. Putin cita diretamente documentos poloneses e a gravação de um telefonema entre o chanceler alemão, Ribbentrop e Józef Beck, ministro das Relações Exteriores da Polônia, em janeiro de 1939, para mostrar o tamanho da colaboração entre os dois países. Como relatam outros documentos expostos por Carl Osgood (2021), relatórios oficiais para Washington do embaixador dos Estados Unidos em Varsóvia, Anthony Joseph Drexel Biddle Jr., o forte antissemitismo na Polônia a formação de guetos (sancionados ou mesmo dirigidos pelo governo polonês) e agressões variadas ocorriam no país sob o olhar benevolente de Józef Beck[9].

Osgood mostra quase à náusea através de inúmeros documentos oficiais não soviéticos, como as potências europeias não nutriam qualquer ilusão a respeito dos planos de Hitler. Seu texto, publicado em janeiro de 2021 na Executive Intelligence Review, faz ecoar com mais força o apelo de Putin e revela com maior amplidão seu teor de verdade. O que o presidente russo mostra agora há muito tempo é sabido pelos serviços de inteligência dos EUA e Europa, e no período anterior a guerra esses países compartilhavam preocupações semelhantes à expressa pela URSS e que levou posteriormente a assinatura do acordo de não agressão com os nazistas, tal como seus parceiros europeus. Com os Sudetos de posse de Hitler, este ficaria de posse de recursos naturais estratégicos para concretizar seus planos, como também solidificaria a extensão militar necessária para seu avanço rumo a oriente. Como resume o articulista:

Diplomatas americanos entenderam em 1937-38 que a violência antissemita e as ações legais do governo, semelhantes às da Alemanha, eram um grande problema na Polônia, e relataram essa realidade a Washington. Eles também entenderam que a Tchecoslováquia era a chave para os planos de Hitler para ocupar a Europa Oriental, e que a Polônia atrapalhava a defesa da soberania da Tchecoslováquia, porque Varsóvia também estava de olho em um pedaço do território daquele país. Esses mesmos diplomatas também sabiam que o governo britânico de Neville Chamberlain planejava vender a Tchecoslováquia a Hitler meses antes de fazê-lo, demonstrando que não haveria coalizão anti-Hitler. Toda essa documentação está disponível há décadas, mas é ignorada pelos revisionistas de hoje, alguns dos quais até mesmo postularam que os EUA e o Reino Unido sozinhos derrotaram Hitler, ignorando o fato de que a grande maioria da guerra foi travada dentro do União Soviética e 27 milhões de cidadãos soviéticos morreram derrotando o flagelo nazista[10].

Visto sob a luz de novos documentos e por uma abordagem, através de Putin, que pretende retomar o multilateralismo nas negociações internacionais – ao revés da declaração ofensiva da União Europeia –, dificilmente se pode corroborar o comentário à tese X escrito por Reyes Mate, segundo o qual “seria preciso sinalizar que o famoso pacto firmado pelos ministros de Assuntos Exteriores soviético e nazista era a gota que fazia transbordar o copo” (REYES MATE, 2011, p. 226), isto é, que levava ao ponto de ruptura a ideia comunista e levava ao fim qualquer saída política para sua geração. Ele está correto ao afirmar que os nazistas já haviam ganho o jogo contra as democracias europeias bem antes do pacto, contudo talvez falte um pouco de precisão em sua análise. Michel Löwy, em seu comentário sobre a mesma tese, faz duas distinções importantes. Para Benjamin, se tratava menos de uma ruptura com o marxismo ou o comunismo do que a constatação da cisão entre a ideia comunista e a realidade soviética, condenação do pacto compartilhada por outros alemães exilados em Paris como Heinrich Blücher (marido de Hannah Arendt), Willy Müzemberg e Manes Sperber. Por outro lado, sua crítica se dirige bem mais ao KPD (partido comunista alemão), que teria “caído por terra”, ao contrário do PC soviético. Além do mais, o KPD adota uma resolução em julho de 1939 que não se contenta em saudar Stálin, mas em propor, como diz em documento, “o desenvolvimento de relações econômicas com a URSS com o espírito de uma amizade sincera e sem reservas entre os dois países” (LÖWY, 2005, p. 97). Difícil fazer uma crítica direta ao burocratismo stalinista frente a um posicionamento como este por parte dos comunistas alemães… Não está em jogo Stálin e sua “lenda negra” que se estendeu pelo ocidente após o Relatório Khrushchov. Aliás, Nikita criticava Stálin para “salvar o comunismo”, ou seja, repaginar a imagem da URSS após a morte de seu líder e reorganizar a seu favor os diferentes grupos de poder que não contavam mais com a forte direção central dos anos anteriores.

Benjamin, entretanto, opera uma dupla crítica: a da capitulação acrítica do órgão oficial dos comunistas alemães e a elementos de ingenuidade progressistas contidas no marxismo. Cabe destacar que a crença herdada do século XIX, a do progresso inevitável, é compartilhada tanto por comunistas quanto pela social-democracia. Se a suposta capitulação da União Soviética frente a Hitler deixou Walter Benjamin literalmente sedado (devido aos remédios que teria recorrido para entorpecer o choque), o filósofo em suas reflexões está mais preocupado com a noção compartilhada com seus compatriotas e que se mostrava inviável, se não imoral, nos dias em que ele vivia. Fora esses aspectos “mundanos”, Benjamin via que a confiança na “acumulação quantitativa” pertence tanto à fé no progresso quanto na confiança na “base das massas”. Löwy destaca as características em comum das duas esquerdas, a comunista e a social democrata, derivadas de um marxismo a que chama de vulgar, reducionista e subserviente (grifos meus): “o aumento quantitativo ao mesmo tempo das forças produtivas, das conquistas do movimento operário, do número de membros e de eleitores do partido, em um movimento de progresso linear, irresistível e ‘automático’. O materialismo histórico é assim reduzido ao boneco – o autômato descrito na tese I” (LÖWY, 2005, p. 98).

Bem mais do que sedado por um choque repentino por algo que somente décadas depois parece poder ser esclarecido de modo mais amplo, a partir da iniciativa de Putin (que convém lembrar, tem em vista a colaboração entre países para contornar o crescente unilateralismo atlanticista, fenômeno bem anterior a Donald Trump; basta lembrar das “intervenções humanitárias” sem o crivo da ONU, a guerra econômica (sanções) a países considerados inimigos (ação por fora das normas de qualquer organização internacional, como OCDE ou OMC), fora o deslavado acordo à luz do dia com a Arábia Saudita, em 2014, para derrubar o preço dos petróleos e sacudir como um imenso terremoto as economias de países como Brasil, Venezuela e Rússia – que serviu quase como o clarim inicial do golpe de Estado por aqui), Walter Benjamin, como teórico e bem menos como “historiador de ofício” (se bem que esta tarefa não lhe foi estranha ou que tenha a exercido com menos maestria, apesar de usar muitas vezes mais documentos literários ou culturais do que os de arquivos públicos), atuava como um monge em trajes seculares e necessitava viver neste mundo como se nele não estivesse. A evocação da figura do Weltkind, neste caso, durante a escrita das Teses, se torna imprescindível porque ele não está prioritariamente na frente de batalha junto às esquerdas europeias em combate ao fascismo, mas se posiciona como crítico dessa mesma esquerda sem em nenhum momento se seduzir por qualquer tipo de apelo fascista.


[1] Coloco em nota a tese X na tradução de Reys Mate para não perder o contato com os comentários feitos pelo autor, e destaco o trecho chave: “Os temas de meditação de que a regra monástica incumbia os monges visavam inculcar-lhes o desprezo pelo mundo e por suas pompas. As reflexões que estamos desenvolvendo aqui surgem de uma preocupação análoga. Num momento em que os políticos, nos quais os inimigos do fascismo haviam posto suas esperanças, estão no chão, agravando sua derrota com a traição à própria causa, o que estas reflexões pretendem é libertar os filhos do século das redes em que foram aprisionados. O ponto de partida das mesmas é que a fé cega de tais políticos na ideia de progresso, na sua confiança nas ‘massas que lhes servem de base’ e, finalmente, sua submissão servil a um aparato incontrolável, são três aspectos da mesma realidade. Estas considerações querem dar-nos uma ideia de como custa caro ao nosso modo de pensar habitual uma ideia que evite toda cumplicidade com aquela à qual os referidos políticos continuam aferrados”.

[2] (MATE, 2011, p. 223)

[3] (MATE, 2011, p. 224-5)

[4] Tradução minha. A resolução se encontra, em inglês, no site do Parlamento Europeu no endereço https://www.europarl.europa.eu/doceo/document/TA-9-2019-0021_EN.html (último acesso em 04 de março de 2021).

[5] O discurso no original em russo pode ser visto no endereço http://kremlin.ru/events/president/news/63527 e sua tradução para o português em https://br.sputniknews.com/russia/2020061915725559-75-anos-da-grande-guerra-pela-patria-responsabilidade-perante-passado-e-futuro/

[6] Nas palavras do presidente russo em seu pronunciamento: “Na ocasião, os líderes da União Soviética, dos Estados Unidos e do Reino Unido enfrentavam uma tarefa histórica. Stalin, Roosevelt e Churchill representavam países com diferentes ideologias, aspirações de Estado, interesses, culturas, mas demonstraram grande vontade política, superando as diferenças e preferências e colocaram os verdadeiros interesses da paz em primeiro plano. Como resultado, eles conseguiram chegar a um acordo e alcançar uma solução da qual toda a humanidade se beneficiou”.

[7] Firmado em 30 de setembro de 1938 e que reuniu lideranças como Hitler, Chamberlain, Daladier e Mussolini…

[8] Putin escreve em seu discurso: “A culpa pela tragédia que a Polônia então sofreu é inteiramente da liderança polonesa, que havia impedido a formação de uma aliança militar entre a Grã-Bretanha, a França e a União Soviética e contava com a ajuda de seus parceiros ocidentais, jogando seu próprio povo sob o rolo compressor da máquina de destruição de Hitler. A União Soviética fez o possível para usar todas as chances de criar uma coalizão anti-Hitler. Apesar – direi novamente – do duplo trato por parte dos países ocidentais“.

[9] Como exposto por Osgood (2021) (tradução minha), “Em um relatório para Franklin Delano Roosevelt em 10 de abril de 1938, Biddle escreveu: ‘O coronel Beck está empenhado em fazer amizade com a Alemanha em todas as oportunidades possíveis, jogando com o tempo na espera de fortalecer a posição defensiva da Polônia contra o que Pilsudski antecipou, e agora ele, o coronel Beck protela um conflito provavelmente inevitável com a Alemanha. Com o Corredor e as questões de Danzig surgindo como dificuldades potenciais, o coronel Beck, a meu ver, não deve fazer nada efetivamente para estabelecer a zona neutra há muito imaginada do Báltico ao Mar Negro, e mesmo talvez ao Egeu, até que a Grã-Bretanha tenha se rearmado totalmente e a França tenha posto sua política doméstica em ordem e levado sua força aérea a um padrão efetivo, tornando uma frente anglo-francesa capaz e disposta a assumir uma posição efetiva e ativa no controle das aspirações da Alemanha para o controle da Europa’“. O embaixador Biddle acreditava que Beck jamais assumiria uma posição anti-germânica. Contudo, sob a luz dos documentos trazidos por Putin, revela-se seu desvelo em se tornar o mais leal possível a Adolf Hitler.

[10] (OSGOOD, 2021, p. 43)

REFERÊNCIAS

LÖWY, Michel. Walter Benjamin: aviso de incêndio: uma leitura das teses “Sobre o conceito de história”. São Paulo: Boitempo, 2005.

OSGOOD, Carl. The truth behind the start of World War II. Executive Intelligence Review, vol. 48, nº1, 1 de janeiro de 2021.

MATE, Reyes. Meia-noite na história: comentários às teses de Walter Benjamin “Sobre o conceito de história”. São Leopoldo: UNISINOS, 2011.