A CNNização das esquerdas

A cegueira branca causada pelos holofotes do poder

Com a coronacrise, todas as teorias da conspiração foram imediatamente canceladas. Não foi pela falta de esforços de alguns, com a contribuição notável de Gorgio Agamben, inesperadamente protagonista das discussões desde o início do que chamou de “invenção de um pandemia”.

Diante dos gráficos expostos diariamente pela mídia, não pode existir razão argumentativa. E o pior disso tudo é que, logo após o Imperial College soltar seus gráficos apocalípticos, Michael Levitt, químico laureado com o prêmio Nobel, lançou sua série de dados que mostraram uma realidade alternativa, não menos consistente (e agora mais acertada depois da consolidação dos dados em muitos países) que a versão londrina no uso de algoritmos.

Continue lendo “A CNNização das esquerdas”

Guerra de facções num mundo sem povo

A recente mudança de hegemonia

Entre 2014 e 2016 assistimos a uma escalada militar sem precedentes desde a Crise dos Mísseis. Ao contrário da histeria macartista da atual Guerra Fria, o conflito entre EUA e URSS foi televisionado. Era um conflito aberto desde que Churchill iniciou a guerra com os soviéticos em seu discurso sobre a Cortina-de-Ferro. Para alguns, foi o início da recolonização dos EUA pelo Império Britânico…

Continue lendo “Guerra de facções num mundo sem povo”

Fim das “armas da crítica” e ascensão das revoluções coloridas

Em seu trabalho sobre o Movimento Revolucionário 8 de Outubro, Higor Codarin Nascimento conta como o grupo revolucionário, após alcançar grandes feitos com o sequestro de políticos estrangeiros (não foi apenas o famoso sequestro do embaixador americano), acabou por se encontrar em uma situação no mínimo ambígua. A orientação era de não recuar mesmo depois do recrudescimento da repressão após a fama nacional alcançada com o sequestro de Charles Elbrick, ou mesmo depois de ter lideranças capturadas aos montes pela polícia militar.

Continue lendo “Fim das “armas da crítica” e ascensão das revoluções coloridas”

A trilha sonora perdida do Pink Floyd criada para o filme “Zabriskie Point”, de Michelangelo Antonioni

Zabriskie Point é um filme de 1970 dirigido pelo italiano Michelangelo Antonioni, amplamente comentado na época devido à sua situação na contracultura do final da década de 1960 nos Estados Unidos. Algumas cenas do filme foram filmadas em Zabriskie Point, localizado no Vale da Morte.

Continue lendo “A trilha sonora perdida do Pink Floyd criada para o filme “Zabriskie Point”, de Michelangelo Antonioni”

Estado Profundo versus América Profunda

Depois das imensas provocações da OTAN contra a Rússia que tiveram seu auge entre 2014-16, ou seja, até o período da eleição de Trump e do Brexit, cada vez ficou mais claro que a orientação unilateral dos poderes fáticos e financeiros ocidentais sofreu uma ruptura. A campanha anti-Rússia ficou a cargo dos democratas e liberais, enquanto havia uma distensão das tensões militares. Por outro lado, o processo de regionalização das economias ou o anti-globalismo se tornou evidente no Atlântico norte.

Como disse em uma série de outros textos, parecia haver um racha entre as elites. De um lado, uma orientação liberal-financista e outra para o que no nazismo se chamou de “sangue e terra”. O modelo econômico único imposto após o fim da URSS não existia mais. Esse é um movimento relativamente recente e peculiar a Europa e aos EUA: países sem história recente de lideranças públicas comprometidas com o desenvolvimento nacional, muito menos partidos políticos populares organizados, de massa ou o histórico de lutas, como na América do Sul, contra as ditaduras e neoliberalismo. Para eles, em medida maior do que para nós, parece que a única escolha é entre o velho capitalismo ou a anarquia.

Continue lendo “Estado Profundo versus América Profunda”

Onde o mundo experimenta racionalidade?

“A verdade parece ser uma criatura bonachona que ama suas comodidades, que dá, sem cessar, a todos os poderes estabelecidos a certeza de que jamais causará o menor embaraço a alguém, pois ela, definitivamente, é apenas a ciência pura“. NIETSZCHE, Shopenhauer educador, § 3.

A invenção de uma esquerda anti-pandêmica?

René Descartes, na incrível simplicidade de seus escritos, fazia uma apelo à razão natural dos seres humanos. Fugiu das carregadas terminologias aristotélico-escolásticas (“ente”, “substância”, “enteléquia”, etc.) e, através da língua comum (no caso, o francês) buscou criar um método objetivo o suficiente para dar conta de todo o saber possível. Lembro de uma passagem do filme de Rossellini, Blaise Pascal, onde este filósofo (morto jovem) pergunta ao ilustre sábio Cartesio por que sonhar em resolver tudo com um método único e que se pretende infalível. Se a realidade é complexa, muitos métodos diferentes têm que ser conjugados para ajudar na solução de um problema. O caso de Descartes, contudo, não era criar um novo método, mas tornar filosófico o senso comum.

Continue lendo “Onde o mundo experimenta racionalidade?”

O capitalismo dependente da república militar e o imperialismo 3.0

O desenvolvimento da dependência (1968-2002)

Com o fim da União Soviética, o mundo passou a viver com um modelo econômico único, o liberalismo dos banqueiros-financistas. No Brasil, o governo do PSDB deixou 64 milhões de pessoas na fome, quebrou o país por três vezes e criou uma política de longo prazo, de amarras ficais (tripé macroeconômico) que ajudaram na contenção das políticas expansionistas e industrializantes dos governos do PT, como também foram os fundamentos econômicos para a guerra midiática diária contra um governo de base popular.

Continue lendo “O capitalismo dependente da república militar e o imperialismo 3.0”

A captura do debate da Auditoria da Dívida pelos economistas acadêmicos

Formou-se um curioso debate entre professores, pesquisadores e pessoas que ocuparam cargos importantes no governo federal – todos economistas de profissão -, com o objetivo de dar maior precisão ao “gráfico em forma de pizza” da Auditoria Cidadã da Dívida. Correndo por fora do debate, pôde ser visto a dedicação do inteligente blogueiro do Cafezinho em corrigir a hipotética inflação do impacto da dívida pública no orçamento público, após a repetição de Ciro Gomes, em live, dos números do “gráfico em pizza”.

Continue lendo “A captura do debate da Auditoria da Dívida pelos economistas acadêmicos”

Coranavírus e a OMS, por Daniel Estulin

Acima, Daniel Estulin em seu encontro com Fidel Castro. O conhecimento que os países de fala espanhola tem de Estulin é diretamente proporcional ao desconhecimento sobre seu trabalho aqui no Brasil. Multi-best-seller, indicado ao Pulitzer e ao Nobel da Paz, lançou pouco tempo atrás um documentário sobre seu livro mais conhecido, A verdadeira história do Clube Bilderberg. Agente aposentado de contraespionagem da KGB, parte considerável de seu trabalho merece ser estudado com cuidado, para além da mitologia que se criou a respeito do famoso “Clube”.

COMO UMA PANDEMIA É FABRICADA NAS ESFERAS BUROCRÁTICAS

Transcrição traduzida do podcast de Daniel Estulin para o Ángel Metropolitano

Hoje gostaria de contar uma história. Vamos imaginá-la como se fosse um filme de Hollywood.

Take 1: 22 de janeiro de 2020 – Genebra, Suíça

Continue lendo “Coranavírus e a OMS, por Daniel Estulin”

Novas reflexões, por Giorgio Agamben

Do site da editora italiana Quodlibet

Giorgio Agamben, 22 de abril de 2020

De uma entrevista publicada hoje em um jornal italiano


Estamos vivendo, com essa prisão forçada, um novo totalitarismo?

De muitos lados, está sendo formulada a hipótese de que, na realidade, estamos vivendo o fim de um mundo, o das democracias burguesas, fundadas em direitos, parlamentos e na divisão de poderes, que está dando lugar a um novo despotismo, que, no que diz respeito à difusão de controles e à cessação de toda atividade política, será pior que os totalitarismos que conhecemos até agora. Os cientistas políticos americanos chamam de Security State, que é “por razões de segurança” (neste caso de “saúde pública”, termo que sugere os notórios “comitês de saúde pública” durante o Terror), qualquer limite pode ser imposto às liberdades individuais. Além disso, na Itália, estamos acostumados à legislação por decretos emergenciais pelo poder executivo, que dessa maneira substitui o poder legislativo e efetivamente abole o princípio da divisão de poderes em que a democracia se baseia. E o controle que é exercido através de câmeras de vídeo e agora, como foi proposto, através de telefones celulares, excede em muito qualquer forma de controle exercida sob regimes totalitários como o fascismo ou o nazismo.

Continue lendo “Novas reflexões, por Giorgio Agamben”