Um Foucault “fenomenólogo” e neoliberal? A resposta dos Mestres da Verdade

Segundo texto da série contra a visão de um Foucault “fenomenólogo” e neoliberal. A antropologia histórica francesa dá uma resposta a altura às abordagens essencialistas de Heiddeger, com Marcel Detienne relendo seu clássico Os Mestres da Verdade na Grécia Antiga. Os mestres da verdade, os regimes de veridicção, a aleturgia: todos esses conceitos foucaultianos são tributários dos estudos que fez, para além da influência perene de Dumézil, com a chamada “terceira geração” da Escola dos Annales.

Vale lembrar que a mesma chave em que se coloca o Foucault como neoliberal, o aproxima perigosamente da fenomenologia. A crítica costumeiramente foca muito no termo “neoliberal” e esquece que a fenomenologia é seu contraposto necessário. Na gênese traçada por Foucault, é quase impensável o surgimento do liberalismo do pós-guerra na revista Ordo sem os debates sobre a filosofia de Husserl, que lhe deu aspectos de “ciência maior”. Essa é a chave que ele quis se afastar com suas pesquisas expostas no curso Nascimento da Biopolítca, e essa é a chave que não se deve usar para ler Foucault, de acordo com as leituras do próprio Deleuze. […]

Sobre o atual fenômeno “espiritismo de direita”

Robson Pinheiro, o médium que resolveu dar “conteúdo espiritual” a capas da Veja

O espiritismo no Brasil dá sinais nítidos de decadência. O caso do médium acusado de violência sexual já é a cópia da cópia de um processo bem mais amplo. Para determinados assuntos chegarem ao noticiário, contudo, na maioria das vezes se recorre a expedientes grosseiros. Assim, o público acaba recebendo uma ideia bastante reduzida e distorcida sobre inúmeros assuntos.

Como a Lava-Jato cansou de demonstrar, a questão criminal não nos leva para muito longe. Também por isso ela foi um sucesso de bilheteria. Igualmente, já chegou à estafa as acusações ao conservadorismo de Divaldo Franco, com seus louvores despudorados a Sérgio Moro, as alegres fotografias ao lado de João Dória e seu último vaticínio espiritual, talvez seguindo “planos maiores”, de que a capital do Brasil agora é Curitiba.

Falo do médium Robson Pinheiro para ilustrar o caso mais amplo do “espiritismo de direita” por ter sido um leitor entusiasmado de seus primeiros livros. Conheço relativamente de perto determinados aspectos de seu desenvolvimento como escritor, por ter acompanhado parte considerável de sua produção. […]

Ainda Bannon: o recuo nas relações China-EUA

Steve Bannon e seu bilionário chinês, Guo Wengui

Como a reunião de cúpula do G-20 demonstrou, duas distintas facções da elite internacional trabalharam para boicotar o entendimento político dos EUA com a Rússia, via Ucrânia, e para boicotar o entendimento econômico da China com os americanos através da prisão política no Canadá da executiva chinesa. De maneira flagrante se demonstra ser de fachada o “antiglobalismo” da nova extrema-direita mundial. Ela se move em passos céleres para boicotar o desenvolvimento econômico chinês e asiático, enquanto os neocons, os ultraliberais, ainda mexem suas peças para uma provocação militar de larga escala contra a Rússia.

O Império move o mundo para o Coração das Trevas.

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Precisamos falar sobre o real

René Magritte, La Reconnaissance Infinie

O descompasso entre economia e realidade no Brasil, acaba por produzir o efeito de não se vincular um significado político a uma realidade social. Como resultado, para a população de um modo geral, pouco importa na eleição entre um ou outro quadro. Passa a impressão de que tudo o que é imaginado acaba por apontar sempre para a mesma realidade.

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A risível história de um Foucault “fenomenólogo” e neoliberal: as garras de François Ewald

Uma leitura enviesada do Nascimento da Biopolítica ficou famosa na Europa e nos EUA, transformando Foucault num amante de Milton Friedman e do neoliberalismo. Por detrás disso está um “decano” das universidades francesas, François Ewald, também conhecido por sua teoria do “Estado Providência”. Daniel Zamora é seu empregado e escreveu sua publicação sobre “Foucault e a tentação neoliberal”.

É importante lembrar que no mesmo curso sobre a Biopolítica, Foucault traça a gênese do ordoliberalismo (da revista austríaca Ordo) com a fenomenologia de Edmund Husserl. Lembrar também que essa fenomenologia, com o caso clássico de Heidegger, “abençoou coisas demais”, como disse Deleuze em seu livro sobre Foucault. Temos que rechaçar tanto “academicamente” como moralmente essas leituras. Uma breve história dela é o que eu pude escrever.

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Olavo sem Partido e Gramscianismo Cultural

Um casamento inusitado e celebrado de forma inédita com muita bateção de panelas.

Na análise da chamada “base social” do governo Bolsonaro, as loucuras aparentes podem apontar para combinações ainda mais insólitas. Quem achava que já tinha visto de tudo com os glamourosos economistas do Plano Real (mistura própria aos anos 90, “requinte” e “cultura popular”, como em programas da Hebe), a nova virada política (sem contar o tosco parênteses chamado Michel Temer), não acreditava que os degraus em direção a porteira do inferno fossem tantos.

Já que comecei a abordar o tema por baixo, vou rapidamente contar o caso do “emérito” Divaldo Franco, médium espírita, que bem antes do “escândalo do WhatsApp”, cerrava fileira junto aos piedosos olavetes. Depois veremos como isso se insere no contexto geral do programa Olavo sem Partido e do Gramscianismo Cultural.

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Levar ao centro o Centro do Mundo

 

Roma e Pasolini (bastidores do filme O Evangelho segundo São Mateus)

“Profetizo a idade em que o novo poder usará suas palavras libertárias para criar um novo poder homologado, para criar uma nova inquisição, para criar um novo conformismo. E seus clérigos serão clérigos da esquerda “. [Pier Paolo Pasolini]

 

Queria tratar de dois assuntos que vem me intrigando bastante nas últimas semanas. Um é o caso do Mefistófeles contemporâneo, o tal do Steve Bannon. O outro é o caso da Itália. O vice-primeiro-ministro Matteo Salvini parece ter ficado muito empolgado com a eleição de Bolsonaro, mesmo depois de ter sido colocado no seu lugar pelo primeiro-ministro, Giuseppe Conte. Aparentemente, o partido Liga, de Salvini, é mais elitista e direitista, e não o partido Cinco Estrelas. Ambos, entretanto, surgiram no contexto de falência dos partidos políticos do pós-Mãos Limpas e através de mobilizações em redes sociais, como é marca depois das “revoluções coloridas” de cinco anos para cá.

Como Bannon sediou o seu O Movimento em Roma (a “Universidade do populismo”), e a Itália de certa maneira parece ora contradizer ora ir em encontro direto ao Mefisto, encadeei os dois assuntos para dar um panorama de como se mexe o chamado “populismo” na Itália. Sem dúvida esse é um movimento ainda mais importante do que o tão comentado Brexit e, de certa maneira, tem o potencial de confronto com a Troika que a Grécia em seu momento não teve. Ainda mais, os papéis exercidos por Rússia e China são ainda mais relevantes nesse embate, sintoma de uma crise existencial não vista há décadas no Ocidente.

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Previsão de chuva ácida para amanhã

Bolsobel liberta os escravos cubanos de seu cativeiro tupiniquim

Ao tentar dissolver os antagonismos políticos através da fórmula da autoridade, Bolsonaro se enquadra na forma do Pinochetismo 3.0, versão sul-americana da luta “anti-globalista” conhecida como Mussolinismo 3.0. Isso mesmo: Steve Bannon é um confesso apologista de Benito Mussolini, além de admirar na história americana o personagem Andrew Jackson, um dos fundadores do Partido Democrata, responsável pela consolidação da “democracia jeffersoniana”, ou seja, livre-mercado + escravidão. Enganou-se Celso Furtado no seu clássico Formação Econômica do Brasil ao acreditar que isso só poderia existir em terras tupiniquins através do infame barão de Cairu. […]

BRASIL: GRAÇAS AO CONLUIO DOJ/LAVA-JATO, BOLSONARO É ELEITO PRESIDENTE

“Junto com o caos econômico desatado pela substituição de Dilma da presidência pelo patético Michel Temer, a ofensiva judicial contribuiu para polarizar gravemente o país ao jogá-lo num profundo caos econômico e social, fator que preparou a cena para a vitória de Bolsonaro. No passado, Bolsonaro tinha fama como provocador e congressista medíocre. Só ganhou notoriedade internacional graças a anos de cobertura do New York Times.

É de notar que o cerne de apoio a Bolsonaro, consiste em tropas de choque militantes treinadas e financiadas por radicais livre-mercadistas de Londres – sobre tudo a Fundação Atlas – que lideraram manifestações de rua em 2016 exigindo o impeachment da então presidenta Dilma Rousseff”.

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Uma Comunidade para o Futuro Compartilhado da Humanidade: a Perspectiva Estratégica da China para 2050

Xi Jinping quando abriu a Cidade Proibida chinesa para receber Donald Trump.

 

Texto traduzido por mim para a Executive Intelligence Review

Essa apresentação foi preparada antecipadamente para a participação da sra. Helga Zepp-LaRouche, em Moscou, na 23ª Conferência Acadêmica Internacional do Instituto de Estudos do Extremo Oriente da Academia Russa de Ciências (ARS),  no Conselho Acadêmico de Estudos Avançados da China Contemporânea, intitulada “A China, a Civilização Chinesa e o Mundo: Passado, Presente e Futuro”, que ocorreu durante os dias 24 e 25 de outubro.

Lyndon LaRouche foi uma dos palestrantes de destaque numa conferência do ARS em 2003 sobre “A China no Século XXI: Oportunidades e Desafios da Globalização”. Essa conferência foi a 14ª Conferência Internacional sobre “A China, a Civilização Chinesa e o Mundo: Passado, Presente e Futuro”.

A grande questão que deveria preocupar toda a humanidade pensante nesse planeta, é fundamentalmente a mesma que foi calorosamente debatida na jovem república americana, como relatada n’O Federalista, “A sociedade humana é capaz de uma forma eficiente de autogoverno?”. Somente agora essa não é uma questão para uma nação apenas; ela diz respeito a humanidade como um todo e para a necessidade de um novo paradigma no ordenamento mundial. […]