O dia em que Pepe Escobar descobriu o Brasil

Acredito que possa ser feita uma distinção entre progresso e desenvolvimento. A primeira palavra muitas vezes ilustra um estado de coisas relativas a uma história de tipo monumental, ou seja, de grandes feitos, mas cujos efeitos sociais são nulos ou negativos. O próprio ideal de progresso, da época das Luzes até o amplo processo de industrialização e urbanização a partir do século XIX, parece ter virada um monumento da história.

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A CNNização das esquerdas

A cegueira branca causada pelos holofotes do poder

Com a coronacrise, todas as teorias da conspiração foram imediatamente canceladas. Não foi pela falta de esforços de alguns, com a contribuição notável de Gorgio Agamben, inesperadamente protagonista das discussões desde o início do que chamou de “invenção de um pandemia”.

Diante dos gráficos expostos diariamente pela mídia, não pode existir razão argumentativa. E o pior disso tudo é que, logo após o Imperial College soltar seus gráficos apocalípticos, Michael Levitt, químico laureado com o prêmio Nobel, lançou sua série de dados que mostraram uma realidade alternativa, não menos consistente (e agora mais acertada depois da consolidação dos dados em muitos países) que a versão londrina no uso de algoritmos.

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Guerra de facções num mundo sem povo

A recente mudança de hegemonia

Entre 2014 e 2016 assistimos a uma escalada militar sem precedentes desde a Crise dos Mísseis. Ao contrário da histeria macartista da atual Guerra Fria, o conflito entre EUA e URSS foi televisionado. Era um conflito aberto desde que Churchill iniciou a guerra com os soviéticos em seu discurso sobre a Cortina-de-Ferro. Para alguns, foi o início da recolonização dos EUA pelo Império Britânico…

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Fim das “armas da crítica” e ascensão das revoluções coloridas

Em seu trabalho sobre o Movimento Revolucionário 8 de Outubro, Higor Codarin Nascimento conta como o grupo revolucionário, após alcançar grandes feitos com o sequestro de políticos estrangeiros (não foi apenas o famoso sequestro do embaixador americano), acabou por se encontrar em uma situação no mínimo ambígua. A orientação era de não recuar mesmo depois do recrudescimento da repressão após a fama nacional alcançada com o sequestro de Charles Elbrick, ou mesmo depois de ter lideranças capturadas aos montes pela polícia militar.

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Estado Profundo versus América Profunda

Depois das imensas provocações da OTAN contra a Rússia que tiveram seu auge entre 2014-16, ou seja, até o período da eleição de Trump e do Brexit, cada vez ficou mais claro que a orientação unilateral dos poderes fáticos e financeiros ocidentais sofreu uma ruptura. A campanha anti-Rússia ficou a cargo dos democratas e liberais, enquanto havia uma distensão das tensões militares. Por outro lado, o processo de regionalização das economias ou o anti-globalismo se tornou evidente no Atlântico norte.

Como disse em uma série de outros textos, parecia haver um racha entre as elites. De um lado, uma orientação liberal-financista e outra para o que no nazismo se chamou de “sangue e terra”. O modelo econômico único imposto após o fim da URSS não existia mais. Esse é um movimento relativamente recente e peculiar a Europa e aos EUA: países sem história recente de lideranças públicas comprometidas com o desenvolvimento nacional, muito menos partidos políticos populares organizados, de massa ou o histórico de lutas, como na América do Sul, contra as ditaduras e neoliberalismo. Para eles, em medida maior do que para nós, parece que a única escolha é entre o velho capitalismo ou a anarquia.

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Onde o mundo experimenta racionalidade?

“A verdade parece ser uma criatura bonachona que ama suas comodidades, que dá, sem cessar, a todos os poderes estabelecidos a certeza de que jamais causará o menor embaraço a alguém, pois ela, definitivamente, é apenas a ciência pura“. NIETSZCHE, Shopenhauer educador, § 3.

A invenção de uma esquerda anti-pandêmica?

René Descartes, na incrível simplicidade de seus escritos, fazia uma apelo à razão natural dos seres humanos. Fugiu das carregadas terminologias aristotélico-escolásticas (“ente”, “substância”, “enteléquia”, etc.) e, através da língua comum (no caso, o francês) buscou criar um método objetivo o suficiente para dar conta de todo o saber possível. Lembro de uma passagem do filme de Rossellini, Blaise Pascal, onde este filósofo (morto jovem) pergunta ao ilustre sábio Cartesio por que sonhar em resolver tudo com um método único e que se pretende infalível. Se a realidade é complexa, muitos métodos diferentes têm que ser conjugados para ajudar na solução de um problema. O caso de Descartes, contudo, não era criar um novo método, mas tornar filosófico o senso comum.

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O capitalismo dependente da república militar e o imperialismo 3.0

O desenvolvimento da dependência (1968-2002)

Com o fim da União Soviética, o mundo passou a viver com um modelo econômico único, o liberalismo dos banqueiros-financistas. No Brasil, o governo do PSDB deixou 64 milhões de pessoas na fome, quebrou o país por três vezes e criou uma política de longo prazo, de amarras ficais (tripé macroeconômico) que ajudaram na contenção das políticas expansionistas e industrializantes dos governos do PT, como também foram os fundamentos econômicos para a guerra midiática diária contra um governo de base popular.

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Ditadura ou Wuhan?

Os teólogos declararam que não podiam definir claramente o que Deus é, mas em seu nome eles ditavam regras de conduta para os homens e não hesitavam em queimar hereges; os virologistas admitem que não sabem exatamente o que é um vírus, mas em seu nome afirmam decidir como os seres humanos devem viver“. Giorgio Agamben, 22 de abril de 2020.

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Como o Ocidente sabia antes? Um “Jogo de Guerra” da pandemia de Coronavírus em outubro de 2019

Do serviço de informações da Executive Intelligence Review

Em 18 de outubro de 2019, um exercício de guerra chamado Event 201 foi conduzido na cidade de Nova Iorque pelo Johns Hopkins Center for Health Security, em parceria com o Fórum Econômico Mundial e a Fundação Bill e Melinda Gates. A fala introdutória do site do evento diz o seguinte: “Nos últimos anos, o mundo tem visto um número crescente de epidemias, chegando a quase 200 por ano. Esses fatos se multiplicam e são disruptivos para a saúde, a economia e a sociedade. Manejá-los já força a capacidade global mesmo sem uma ameaça pandêmica. Especialistas concordam que é só uma questão de tempo para que essas epidemias se tornem uma pandemia global com consequências potencialmente catastróficas.  Uma pandemia severa requer uma sólida cooperação entre diversas indústrias, governos e instituições internacionais de relevo”.

Os exercícios simularam a morte de 65 milhões de pessoas no mundo. Outros exercícios similares foram realizados através dos últimos anos. Um vídeo de 11 minutos das ações é horripilante (segue abaixo).

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