E os neoliberais querem voltar a ser “social-democratas”…

Liberalismo bonitinho e cheiroso

A posição atual de Andre Lara Resende não pode ser vista em separado das movimentações de Jorge Paulo Lemann. Se o PSDB foi praticamente a madrinha do golpe de Estado, forneceu quadros técnicos e planos políticos-econômicos para o governo Temer e, como que numa falha de cálculo, pariu o liberalismo tosco de Guedes e Bolsonaro, nada mais natural que essa ala “mais esclarecida” do liberalismo tenha que influenciar a política nacional com uma roupa diferente. Capitalismo e anarquia.

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Comissão Nacional da Dívida Pública

Um pirata defendendo o tesouro nacional? Fábula ou ficção científica?

Texto sobre piratas nacionais e estrangeiros e a necessidade de extirpá-los. Eles aparecem agora com uma cara amigável, um fascismo de aparência democrática, economicamente pousando como neokeynesianos: somente um processo ainda mais radical do que a Comissão Nacional da Verdade, que buscou apurar os crimes da Ditadura, poderá remover a usurpação das riquezas nacionais e ser um auxílio fundamental na volta do estabelecimento do Estado Democrático de Direito.

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CIA, Manuela e Araraquara

Com a confirmação de Manuela D’Ávila da invasão de seu celular em 12 de maio, a narrativa da “quadrilha” presa pela Polícia Federal parece achar sua prova de verdade. Porém, com ele não encontramos o fio da narrativa: entramos no mundo de fumo e espelhos, o mundo das agências de espionagem e de seus funcionários, ocultos ou não.

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Carluxo e o subjetivismo do pobre

Uma releitura, 17 anos depois, de um texto clássico de Silviano Santiago. Como comparar o “cosmopolitismo do pobre”, ou seja, sua inserção no mundo globalizado, com a entrada da subjetividade dos pobres em plena praça pública? Carluxo, intelectual orgânico de um novo Brasil, soube responder a esse dilema, fazendo eco a amplos setores da nossa sociedade. Silviano e talvez até mesmo a globalização sequer imaginaram que poderiam chegar tão longe…

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Sobre o atual fenômeno identitário

No seu Twitter, Moro posa com Villas Bôas em 10 de julho de 2019

O realinhamento atual, em especial na América do Sul, da política com os pressupostos dos ultraliberais (liberalismo tradicional + extrema-direita) trouxe à tona novamente as políticas de grupo e o “fascismo amigável” bem-sucedido no norte do Atlântico pode se visto de maneira mais clara nos últimos anos por aqui.

Agora, num “fascismo 3.0”, a mineração massiva de dados e os sistemas de vigilância compõem uma máquina formidável de aplicação dos princípios da engenharia social: a criação de grupos identitários que atuam entre si como numa família e entre os outros através da tática das guerras de gangue contra gangue.

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Liberais vs. Conservadores: uma história muito recente

Clintons e Cheneys no enterro de John McCain: a oposição nominal é uma forma de manter conflitos aparentes, enquanto trabalham juntos no mesmo projeto político.

A aparente cisão entre liberais e conservadores talvez tenha uma história muito mais recente do que se costuma admitir. Existem diferenças de grau mas não de natureza entre o atual liberalismo e o conservadorismo e, da mesma forma, entre o neoliberalismo e o fascismo. É o que podemos ver em alguns poucos, mas relevantes exemplos, do século XIX ao atual.

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O método do The Intercept segundo seu editor

Recuperar os princípios básicos do jornalismo

Em uma longa entrevista ao Estúdio Fluxo, Leandro Demori, editor-executivo do Intercept Brasil, conta muitos detalhes de como sua publicação fez para controlar e direcionar os jatos que, infelizmente, atingem a cara do sistema judiciário brasileiro (um salve à produtora Brasileirinhas que antecipou o fim que teria a Operação, renomeada como Leva-Jato). A entrevista de Demori é uma autêntica visão geral da suruba que agora está sendo escancarada pelo Glenn Greenwald mas, bem mais importante, nos ajuda a conhecer com mais detalhes como todo o processo editorial vem sendo montado.

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Capitalismo e anarquia

O euro, antes de se justificar como um projeto político, econômico ou social, parece tirar sua legitimidade de uma imaginação toda ela assentada em motivações de fundo histórico-cultural. A Europa foi o palco as duas maiores guerras da humanidade. Palco que se estendeu à imensa Rússia e fez por força inventar a maior reação de todas, a Grande Guerra Patriótica. Mais de 30 milhões de russos mortos…

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Inflação ou guerra total? Uma resposta a Paulo Gala

Uma pergunta pertinente, porém pouco levantada

Era um fator preocupante a política econômica do Fed e de Bruxelas após 2008, a chamada “flexibilização quantitativa”. No entendimento econômico clássico, a impressão descontrolada de dinheiro para resgatar o sistema financeiro falido poderia lançar uma onda hiperinflacionária global. Contudo, os “mercados” ou quem os controlam parece que tinham planos mais sofisticados do que substituir num curto período de tempo uma tempestade financeira por outra.

O economista Paulo Gala se referiu com perplexidade ao tripé base monetária/juros/dívida pública em países da zona do euro, nos EUA e Japão: como conseguiram aumentar a base monetária e o endividamento público, diminuir os juros, e manter taxas de inflação extremamente baixas? Concordo que essa não é uma resposta simples, porque inflação não condiz com carestia, como é óbvio, como também não está submetida diretamente às chamadas políticas de Estado. Em excelente artigo, Fernando Nogueira da Costa responde “por que o excesso de oferta de moeda, face à demanda agregada, não resultou em inflação corrente?”, mas acredito que podemos ir um pouco mais além.

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