Ainda Bannon: o recuo nas relações China-EUA

Steve Bannon e seu bilionário chinês, Guo Wengui

Como a reunião de cúpula do G-20 demonstrou, duas distintas facções da elite internacional trabalharam para boicotar o entendimento político dos EUA com a Rússia, via Ucrânia, e para boicotar o entendimento econômico da China com os americanos através da prisão política no Canadá da executiva chinesa. De maneira flagrante se demonstra ser de fachada o “antiglobalismo” da nova extrema-direita mundial. Ela se move em passos céleres para boicotar o desenvolvimento econômico chinês e asiático, enquanto os neocons, os ultraliberais, ainda mexem suas peças para uma provocação militar de larga escala contra a Rússia.

O Império move o mundo para o Coração das Trevas.

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Olavo sem Partido e Gramscianismo Cultural

Um casamento inusitado e celebrado de forma inédita com muita bateção de panelas.

Na análise da chamada “base social” do governo Bolsonaro, as loucuras aparentes podem apontar para combinações ainda mais insólitas. Quem achava que já tinha visto de tudo com os glamourosos economistas do Plano Real (mistura própria aos anos 90, “requinte” e “cultura popular”, como em programas da Hebe), a nova virada política (sem contar o tosco parênteses chamado Michel Temer), não acreditava que os degraus em direção a porteira do inferno fossem tantos.

Já que comecei a abordar o tema por baixo, vou rapidamente contar o caso do “emérito” Divaldo Franco, médium espírita, que bem antes do “escândalo do WhatsApp”, cerrava fileira junto aos piedosos olavetes. Depois veremos como isso se insere no contexto geral do programa Olavo sem Partido e do Gramscianismo Cultural.

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Levar ao centro o Centro do Mundo

 

Roma e Pasolini (bastidores do filme O Evangelho segundo São Mateus)

“Profetizo a idade em que o novo poder usará suas palavras libertárias para criar um novo poder homologado, para criar uma nova inquisição, para criar um novo conformismo. E seus clérigos serão clérigos da esquerda “. [Pier Paolo Pasolini]

 

Queria tratar de dois assuntos que vem me intrigando bastante nas últimas semanas. Um é o caso do Mefistófeles contemporâneo, o tal do Steve Bannon. O outro é o caso da Itália. O vice-primeiro-ministro Matteo Salvini parece ter ficado muito empolgado com a eleição de Bolsonaro, mesmo depois de ter sido colocado no seu lugar pelo primeiro-ministro, Giuseppe Conte. Aparentemente, o partido Liga, de Salvini, é mais elitista e direitista, e não o partido Cinco Estrelas. Ambos, entretanto, surgiram no contexto de falência dos partidos políticos do pós-Mãos Limpas e através de mobilizações em redes sociais, como é marca depois das “revoluções coloridas” de cinco anos para cá.

Como Bannon sediou o seu O Movimento em Roma (a “Universidade do populismo”), e a Itália de certa maneira parece ora contradizer ora ir em encontro direto ao Mefisto, encadeei os dois assuntos para dar um panorama de como se mexe o chamado “populismo” na Itália. Sem dúvida esse é um movimento ainda mais importante do que o tão comentado Brexit e, de certa maneira, tem o potencial de confronto com a Troika que a Grécia em seu momento não teve. Ainda mais, os papéis exercidos por Rússia e China são ainda mais relevantes nesse embate, sintoma de uma crise existencial não vista há décadas no Ocidente.

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BRASIL: GRAÇAS AO CONLUIO DOJ/LAVA-JATO, BOLSONARO É ELEITO PRESIDENTE

“Junto com o caos econômico desatado pela substituição de Dilma da presidência pelo patético Michel Temer, a ofensiva judicial contribuiu para polarizar gravemente o país ao jogá-lo num profundo caos econômico e social, fator que preparou a cena para a vitória de Bolsonaro. No passado, Bolsonaro tinha fama como provocador e congressista medíocre. Só ganhou notoriedade internacional graças a anos de cobertura do New York Times.

É de notar que o cerne de apoio a Bolsonaro, consiste em tropas de choque militantes treinadas e financiadas por radicais livre-mercadistas de Londres – sobre tudo a Fundação Atlas – que lideraram manifestações de rua em 2016 exigindo o impeachment da então presidenta Dilma Rousseff”.

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A boataria como fenômeno do estado de guerra

O fenômeno atual de boataria é um sintoma da quadra histórica em que vivemos, ou seja, numa espécie de mundo submetida a lei natural hobbesiana, pré-contratualista, que seria real se não fosse algo fabricado. Não por acaso, o medo e o autoritarismo, a solução do Leviatã, hoje encontra tamanha repercussão. As chamadas “fake news” são a espuma das ondas da história. Não devemos ser dramáticos nem apressados ao tirar conclusões sobre esse fenômeno, assim como ter em mente que um boato pode durar por séculos, como o do famoso poder taumatúrgico dos reis, como relatado em um livro clássico do historiador Marc Bloch depois de vivenciar a experiência da multiplicação dos boatos nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial.

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Os “PICs” do Ministério Público e o Ato Patriota

“Relaxe, eu não estou ouvindo sua ligação telefônica… Só quero saber para quem você está ligando, com que frequência, duração e de qual lugar. Isso é tudo”. Caso fosse só isso, dos males não seria o maior. Edward Snowden mostra como o sistema de mineração de dados e de vigilância, abertos pelo Ato Patriota, foi muito além de um mero acompanhamento das atividades de qualquer cidadão. Além do mais, a partir da instituição dessa lei, os processos secretos, tais como os de Stálin, foram propriamente “democratizados” no Ocidente.

No Brasil, isso ainda pode ser considerado uma invenção ainda mais recente depois da institucionalização dos Procedimentos de Investigações Criminais do Ministério Público, que transformou o órgão do Estado brasileiro numa espécie de “agência de inteligência à americana”, ou seja, uma instituição para-estatal, para vigiar e processar secretamente cidadãos brasileiros.

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Por trás da Guerra anglo-norte-americana contra a Rússia

Para compreender a extensão da leviandade geoestratégica dos EUA, é útil uma rápida passada de olhos pela doutrina geopolítica anglo-norte-americana. Aqui, é essencial discutir a visão de mundo do padrinho da geopolítica, o geógrafo britânico Sir Halford Mackinder. Em 1904, em discurso perante a Royal Geographical Society em Londres, Mackinder, firme defensor do Império, apresentou o que, para muitos é um dos documentos mais influentes na política exterior mundial, dos passados 200 últimos anos, desde a Batalha de Waterloo. A palestra, bem curta, foi intitulada “O pivô geográfico da história”.

Desde aquela conferência profética de Mackinder, em 1904, em Londres, o mundo conheceu duas guerras mundiais, dirigidas basicamente ao objetivo de quebrar a nação alemã e a ameaça geopolítica que representaria contra a dominação anglo-norte-americana global; e dirigidas também à meta de destruir qualquer possibilidade de algum dia vir a surgir, por via pacífica, uma Eurásia russa-alemã que, na visão de Mackinder e de estrategistas geopolíticos britânicos, passaria a buscar o “império mundial”.

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Por que os EUA continuam a apoiar – oficialmente – a Al-Qaeda?

Osama e sua família felizes em Londres

Por que 17 anos depois do 11/09 os EUA continuam a apoiar oficialmente a Al-Qaeda?

Estado Islâmico, Al-Nusra, Al-Qaeda, não apenas são apoiados pelos EUA, pela OTAN, como lutam juntos em muitas frentes. OS EUA nunca deixaram de os apoiar, por causa da tentativa de desestabilização do Oriente Médio tal como feito durante a Guerra Fria e reiniciada nos últimos anos. As organizações mudam de nome, porém fazem parte de uma espécie de exército irregular da OTAN e são diligentemente protegidos por seus parceiros do “setor avançado”.

Em mais um capítulo dessa história, representantes do governo dos EUA explicitamente defendem a Al-Qaeda em Idlib contra a Rússia e a Síria. É irônico que isso ocorra ao mesmo tempo do 17º aniversário do 11/09. As movimentações hoje na Síria podem representar um desfecho, para o bem ou para o mal, dessa história? 

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As movimentações do Partido da Guerra na campanha eleitoral

Imagem ilustrativa do New York Times para o artigo anônimo de um suposto membro do governo de Donald Trump

Líderes do partido da guerra (ou neocons) se movimentam na Europa, com Theresa May, e nos EUA, para forçar uma massiva ação da OTAN na Síria (mais contundente que a de abril deste ano) e a legitimação do “Russiangate”, campanha no seio da qual nasceu o termo “fake news”. A guerra total que vivemos hoje pode ou não ser nuclear. Depende de como os dados sejam lançados. Nesse sentido, as eleições de 2018 nos EUA são tão importantes como serão as daqui do Brasil. Um marco para o bem ou para o mal pode ser estabelecido. As campanhas difamatórias começaram com toda a força por lá, enquanto por aqui continuamos a viver momentos dramáticos.

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