Notas sobre um possível assassinato

Frente a uma possível queda do governo Bolsonaro, duas teses têm sido bastante comentadas. Não se trata de um possível impeachment ou da renúncia do presidente. São as teses do “auto-golpe” e a da aproximação das elites a favor de um governo Mourão. Segundo esta, sem o desprestígio do ex-capitão, o caminho para a aprovação da agenda genocida ficaria mais fácil, da Reforma das Previdência às privatizações.

Antes dessa segunda possibilidade se concretizar, Bolsonaro se direciona para o “auto-golpe”. Este seria o único meio de se livrar autonomamente das inúmeras conspirações que o cercam. Mas o que é esse “auto-golpe”?

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Os terraplanistas da 4ª Revolução Industrial

A suposta “4ª Revolução Industrial” e a geopolítica

Em entrevista ao canal do Instituto de Estudos Latino-Americanos da UFSC, o jovem economista Diógenes Moura Breda apresentou alguns dados retirados de projeção do Banco Mundial, segundo os quais, em futuro próximo, 50 milhões de postos de trabalho estariam em risco por causa da 4ª Revolução Industrial. Por causa do processo de robotização, nanotectonologia, uso de super condutores e inteligência artificial, ou seja, uma nova mecanização do trabalho, poderia reeditar o modelo de superexploração do trabalho com a migração em massa das empresas multinacionais para países com mão-de-obra mais barata, como ocorrido a partir da década de 1970.

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Wikileaks, uma narrativa curta do 11/09

O livro de Daniel Estulin acabou entrando para a lista de raridades

Bem no início do fenômeno Wikileaks, inaugurado pela divulgação das imagens de tropas americanas bombardeando jornalistas e crianças no Iraque, Daniel Estulin, ex-KGB e best-seller internacional de livros talvez desconhecidos aqui no Brasil, lançou o seu “Desmontando Wikileaks”. Trata-se de investigação que entra em colisão frontal com a onda de celebridade que se espalhou ao redor dos harckers na época, cuja história está entrelaçada ao trabalho de Karl Koch e o Chaos Computer Club, ainda na década de 1980, na invenção dos afamados “cavalos de Tróia”.

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Sobre o atual “conservadorismo ilustrado”

Quando a a direita passou a aumentar seu tom de voz há poucos anos, vira e mexe se falava que não existia mais direitistas como antigamente. Fazia-se alusões a Merchior, Paulo Francis, Bob Fields e que tais. Eram declaradamente de direita, porém tinham o mínimo de articulação, sabiam dialogar e não apenas xingar ou difamar, como o que vemos hoje no atacado e no varejo. Contudo, talvez esse conservadorismo já exista. Quem sabe, porventura, um pouco melhorado. São meio livre-mercadistas, meio esquerdistas, e não são vistos ainda como “de direita”. Dar tempo ao tempo…

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Fernando Haddad, o formulador de paradoxos

Parafraseando Haddad: a pauta conservadora pode produzir mágica. Foto: Ricardo Stuckert

Com o violento ostracismo a que relegaram Lula e boa parte das lideranças históricas e populares do Partido dos Trabalhadores, se torna mais evidente um pensamento ilustrado e conservador, de corte esquerdista. Essa postura e esse pensamento se tornaram hegemônicos em parcelas da mídia independente ou de esquerda. Fernando Haddad e Mathias Alencastro são um excelente caso de estudo. Não é preciso só um “retorno às bases”, mas também um retorno às formulações políticas básicas de um governo popular. Sem um crítica a esse tipo eminente de esquerdismo, somente com dificuldades podemos retomar o que de mais legítimo existe em nossa história enquanto povo, enquanto cidadãos de um país com grandes aspirações sociais e humanas.

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Há cinquenta anos foi feita uma grande promessa para a humanidade

A passeata dos cem mil no Rio de Janeiro: mais uma data simbólica do ano de 1968

Caso for levado em consideração um panorama mais amplo, o demagogo Jair Bolsonaro e seus asseclas não terão um dia fácil nos próximos meses. Cinquenta anos atrás uma grande promessa foi feita a humanidade. Aguardamos pelo seu cumprimento, cuja origem se deu como resultado das fecundas movimentações políticas mundo afora abortadas cinquenta anos atrás. Elas não se calaram e podem ser retomadas a qualquer instante, dado a imensa aceleração do tempo histórico que agora, mais do nunca, nem mesmo no longuíssimo século XX, vivenciamos. 

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A volta da “normalidade democrática” com Bolsonaro vale alguma coisa?

E na hipótese improvável dele desmentir o cartaz?

As críticas que mais se avolumam contra Bolsonaro visam em boa parte aspectos meramente formais. Sua personalidade, junto a ministros de origem e posições mais do que duvidosas, além de velhos militares, compõem um caldo cultural indigesto.

Além do mais, existe a trupe familiar que acompanha o vencedor da fraude eleitoral, que acredita piamente que Donald Trump é o tio Patinhas. Dessa forma, muitos chegaram a manifestar saudades do Temer, em memes da internet muito engraçados.

Porém, apesar da aparência medonha, o terrível em seu governo é o mero fato de ser a continuação do governo Temer que, por sua vez, foi um apêndice do projeto tucano neoliberal fracassado tanto nas urnas quanto no dia a dia da administração pública.

Se existe um marco inicial do “estado de exceção” no Brasil foi o estupro da Constituição brasileira durante o primeiro mandato de FHC, quando abriu ao estrangeiro a posse das riquezas minerais do país.Os governo do PT de alguma forma conseguiram suspender a exceção. No caso, foram governos de exceção que paralisaram o estado de exceção permanente.

Depois das confusões políticas que seguiram as jornadas de junho de 2013, o governo de Dilma se perdeu em especulações a respeito de uma nova Assembléia Constituinte. O problema, contudo, não é criar uma nova constituição, mas fazer valer os artigos dela que foram suspensos (ea privataria é um caso exemplar) e efetivar inúmeros outros dispositivos que visam o cumprimento amplo e irrestrito do fundo social que baseia a lei maior brasileira.

Sem uma revisão histórica dos últimos 30 anos, todas as críticas, por melhores que sejam, esbarram na mera formalidade. Aliado a uma visão algo distorcida dos movimentos políticos verdadeiramente intestinos que hoje passa o mundo, a proliferação de palavras sobre Bolsonaro, em muito dos casos, não leva a lugar nenhum.

Se houve um ponto, no plano discursivo, que fez Haddad perder as eleições, foi o esquecimento durante o segundo turno da bandeira do referendo revogatório e a associação Temer-Bolsonaro. Optou-se pela crítica mais ampla e também mais genérica do fascismo. Se o fascismo é o estado de exceção em pleno vigor, Collor e FHC são fascistas também, independentemente da aparência exterior desses governos. O estado de exceção só é desarmado com a volta às bases sociais, o que corresponde não a um discurso genérico, mas ao discurso popular, tão bem encarnado por Lula, capturado pelo tema do “combate a corrupção”.

Nenhuma “nova esquerda” pode oferecer solução eficaz se não aderir ao velho e bom nacionalismo e, no plano internacional, não buscar uma “aliança internacional das esquerdas”, mas voltar para a Rússia e a China, para a defesa intransigente da América Latina, ou seja, para o projeto dos BRICS. Esse é o papel de liderança que o país deve ter. Todas as críticas formais convergem para a especulação.

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Sobre o atual fenômeno “espiritismo de direita”

Robson Pinheiro, o médium que resolveu dar “conteúdo espiritual” a capas da Veja

O espiritismo no Brasil dá sinais nítidos de decadência. O caso do médium acusado de violência sexual já é a cópia da cópia de um processo bem mais amplo. Para determinados assuntos chegarem ao noticiário, contudo, na maioria das vezes se recorre a expedientes grosseiros. Assim, o público acaba recebendo uma ideia bastante reduzida e distorcida sobre inúmeros assuntos.

Como a Lava-Jato cansou de demonstrar, a questão criminal não nos leva para muito longe. Também por isso ela foi um sucesso de bilheteria. Igualmente, já chegou à estafa as acusações ao conservadorismo de Divaldo Franco, com seus louvores despudorados a Sérgio Moro, as alegres fotografias ao lado de João Dória e seu último vaticínio espiritual, talvez seguindo “planos maiores”, de que a capital do Brasil agora é Curitiba.

Falo do médium Robson Pinheiro para ilustrar o caso mais amplo do “espiritismo de direita” por ter sido um leitor entusiasmado de seus primeiros livros. Conheço relativamente de perto determinados aspectos de seu desenvolvimento como escritor, por ter acompanhado parte considerável de sua produção. […]

Ainda Bannon: o recuo nas relações China-EUA

Steve Bannon e seu bilionário chinês, Guo Wengui

Como a reunião de cúpula do G-20 demonstrou, duas distintas facções da elite internacional trabalharam para boicotar o entendimento político dos EUA com a Rússia, via Ucrânia, e para boicotar o entendimento econômico da China com os americanos através da prisão política no Canadá da executiva chinesa. De maneira flagrante se demonstra ser de fachada o “antiglobalismo” da nova extrema-direita mundial. Ela se move em passos céleres para boicotar o desenvolvimento econômico chinês e asiático, enquanto os neocons, os ultraliberais, ainda mexem suas peças para uma provocação militar de larga escala contra a Rússia.

O Império move o mundo para o Coração das Trevas.

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Olavo sem Partido e Gramscianismo Cultural

Um casamento inusitado e celebrado de forma inédita com muita bateção de panelas.

Na análise da chamada “base social” do governo Bolsonaro, as loucuras aparentes podem apontar para combinações ainda mais insólitas. Quem achava que já tinha visto de tudo com os glamourosos economistas do Plano Real (mistura própria aos anos 90, “requinte” e “cultura popular”, como em programas da Hebe), a nova virada política (sem contar o tosco parênteses chamado Michel Temer), não acreditava que os degraus em direção a porteira do inferno fossem tantos.

Já que comecei a abordar o tema por baixo, vou rapidamente contar o caso do “emérito” Divaldo Franco, médium espírita, que bem antes do “escândalo do WhatsApp”, cerrava fileira junto aos piedosos olavetes. Depois veremos como isso se insere no contexto geral do programa Olavo sem Partido e do Gramscianismo Cultural.

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