O Caga-Regra

Para qual lado olha o “caga-regra”?
Vladimir Palmeira, militante de currículo recheado, apronta as suas no grupo dos novos dissidentes que já incluiu a inesquecível (ah!) Heloísa Helena, a súdita do Império Britânico e seu imperialismo “verdista” (vide WWF e correlatos), Marina Silva, o honorável senador Cristóvão e sei lá mais quantos. Num artigo intitulado “Desmarcarando a narrativa petista“, deitando os cabelos na derrota do PT no senado, quase se lambuzando, defendendo inclusive uma “meia-privatização” da Petrobrás e outras sandices de quem não encontrou um lugar ao sol nos últimos anos ou simplesmente se cansou de fazer política com mais conteúdo – e com mais caráter. Assim ele se exprime sobre a Petrobrás:

Ao mesmo tempo, a obrigatoriedade de participação da Petrobras em pelo menos 30% dos consórcios de exploração do pré-sal e o monopólio técnico da exploração foram profundamente maléficos para a estatal. Era melhor poder escolher os campos a explorar. Para a Petrobras, seria muito mais vantajoso ter uma participação maior ou até 100% do campo de Libra, por exemplo, abrindo mão de sua participação em outros campos menos rentáveis.

Agradar PSDB e PT parece ser a fórmula. Privatiza aqui e estatiza ali. Nada mais lógico, meu caro. Para quem teve a honra de conhecê-lo em plena campanha de 2010, quando se candidatou a deputado federal pelo PT, uma fórmula com esse caráter não engana. Em meio à campanha imunda promovida pelos tucanos e mídia, da época do “poste” respondida com o “biruta de aeroporto” (quem se lembra?), Vladimir defendida o “esquerdismo” de Serra (hoje cabalmente demonstrado) e ônibus ecológico. E eu cá com meus botões: “o cara quer ser deputado federal. Cadê o discurso de país? Por que sempre essa meia culpa? “FHC tava certo, Lula só continuou; ou Lula tava certo, mas FHC foi imprescindível, (não sei em qual ordem)” e assim seguia o lenga lenga, sem qualquer posicionamento inclusive sobre a campanha nacional, sobre os debates que estava em jogo. Como se sua biografia de “antigo militante” contasse, falasse meio que por si, como se fosse uma espécie de perfume que contasse mais do que qualquer palavra. Fique quieto, cheiroso, arrumado. Você é um cidadão de esquerda, consciente, engajado. Mas fique calado. Se falar, fale de temas belos, bonitos como ônibus ecológicos, ou sobre o tema eterno da moral e da ética. Ser bem comportado, acender uma vela para Serra e para o Diabo, para FHC uma de 7 dias e uma para Lula uma da pequenina, mas como tarefa diária (deve-se sempre deixar o capeta quieto; esse é um trabalho diário).
Agora, se currículo contasse, por exemplo, o zagueiro Wallace, hoje no Grêmio, provavelmente teria sua próxima estadia no Milan ou algum outro grande time europeu. Já acumulou Corinthians, Flamengo, o Vitória (que não é de se desprezar). Tem um currículo invejável. Tem futebol para tanto? Angelim, o herói do hexa, apesar de seu feito  de todo amor devotado por ele pela torcida, é classe internacional? Sem querer abusar das comparações ou achar que as posso fazer como fazia Lula, mesmo com as coisas mais esdrúxulas, não mostra visão nenhuma de país, ainda mais na conjuntura de extremo combate desde que o torneiro mecânico ganhou seu primeiro diploma, o de presidente da república. Por falar nisso, se Lula ouvisse Lula, os excelentes discursos que ele dava no modo improviso durante seus mandatos, não falaria tanta asneira. Quantas vezes se tentou um, se nem que “mini”, reforma tributária (tão enfatizada no texto de Vladimir), e todas as demais reformas. Sempre alvo das mais altas negociatas, hoje escancaradas com todas as mazelas de nossos presidencialismo de coalizão expostas, foi preciso se focar nos programas sociais, feitos mais por atos do executivo do que do legislativo (por isso o interesse de escrever nosso artigo, “Pela manutenção dos poderes da presidência“), do que por “reformas” (insistentemente repetidas no texto) que passariam pelo poder parlamentar, historicamente de pouco poder e visão, e que chega a uma situação calamitosa em nossa torta democracia. Tem pedaços do quitute para todos, e não sobra nada para os votantes. Para resumir o que todos já sabem.
Ele chega ao ponto descarado de dizer que foi o PT que fragilizou e destruiu a Petrobrás, como se toda a história do pré-sal e do fortalecimento dela nos últimos anos não desmentisse a sofística ponto por ponto. Com a palavra os petroleiros, bem mais qualificados nesse ponto – como provavelmente em muitos outros – do que Vladimir Palmeira. Nada de falar dos interesses estratégicos nacionais na área de defesa que são correlatos ao fortalecimento de nossa estatal, a construção dos submarinos nucleares e os não nucleares, os caças, toda a nova fronteira traçada que passou a ser chamada de Amazônia Azul. De fato, o PT não fundou a Petrobrás, mas fundou algo ainda maior, uma nova fronteira de desenvolvimento científico e tecnológico, completamente barrado pelo arresto conservador dos últimos dois anos.
Fora a questão dos fertilizantes, que teriam grande impulso com o incremento da exploração nacional do petróleo e seus derivados, Vladimir entra para o coro de Janot, ou seja, do politicamente correto daqueles que não podem criticar a Lava-Jato, inclusive considerá-la absurda do início ao fim, como cada vez mais é evidente para quem não gosta de cagar regras, como gostam esses novos pastores, disfarçados ou não dentro do funcionalismo público, escondidos atrás de seus indecentes contra-cheques (será que Moro ainda só recebe 77 mil? A informação é de 2014. Será que já passou dos 100 mil? Quanto recebe um membro desse, o wi-fi de deus pode ser, do ministério público?). Não foi o próprio FMI e outros órgãos internacionais que mediram em pelo menos 2% negativo o impacto da Lava-Jato no PIB de 2014-15? Isso não conta? A caça às bruxas vale e o que se deve punir são os “erros do PT”, palavra sacrossanta que cheira a sacerdotismo e tudo o mais que é velho e podre?
Um ponto final, a respeito de sua atitude “visionária” e dos demais do movimento Ação Crítica quando defenderam no pós-eleição as Diretas Já. P…!, querer eleições depois de um pleito recém realizado? Sob quais condições? Para se fazer uma reforma política? Então tira todo mundo e elege de novo para que isso aconteça? E a população vai escolher tão  bem quanto a Ação Crítica gostaria? Ou será que novas eleições serviriam só se fosse para escolher um grupo seleto? Será parecido com um grupo de “iluminados” (não importa se homens ou mulheres – a Ação Crítica talvez queira ser mais moderada, mais politicamente correta, e escolher alguns membros mulheres) do governo Temer? Faz-me rir. Pior do que isso, ou igual a isso, só o “iluminado” Sartre abençoado pelo Stalinismo.
Não percam o Lula em pratos limpos, o antípoda dessa visões de “nova esquerda” ao estilo marineiro, cristovista e – ah! – como o da saudosa Heloísa Helena. Por falar nisso, seria a Ação afiliada de algum modo ao PSTU, pelo menos ideologicamente? Não é esse partido que quer impeachment para nada, para a revolução permanente ao estilo jacobino?
O manual caga-regra de literatura sob o stanilismo.

Caos e Teoria Social: a história do Instituto Tavistock

 

Breve história do instituto de engenharia social do condado de Sussex, Inglaterra, responsável pela elaboração de determinantes padrões de manipulação social através da mídia, desde o Radio Research Project, liderado por Theodor Adorno e a Escola de Frankfurt, até a criação do conceito de Contracultura, em pleno festival de Woodstock, com a distribuição massiva, protegida por agentes de Estado, de pílulas de LSD. A famosa música Lucy in the Sky with Diamonds (LSD), foi um dos subprodutos desse projeto. Conhecer Tavistock é conhecer as mais intimas formatações dos programas televisivos e midiáticos atuais, a partir de seus padrões de atuação mais amplos, que dinamita boa parte das comparações “mídia brasileira versus mídia estrangeira”. A engenharia social é anterior ao conchavo civil-midiático com o grupo Time-Life, no Brasil, e passa pela criação de figuras como a do Mickey Mouse, até a de mitos sacrossantos (hoje nem tanto mais) como Bill Gates. 

 

Texto em PDF disponível na Academia.edu

 

Sede do Instituto Tavistock, no condado de Sussex, Londres.

Acredito que para a maioria das pessoas que pelo menos aprenderam a tarefa básica de checar suas fontes de informação, problematizando sua origem, seu conteúdo e os objetivos das mensagens delegadas ao nosso entendimento, não será tarefa difícil interpretar as palavras que seguem nesse texto. A nossa vida física é corolário de nossa atitude mental, portanto o cidadão médio, muitas vezes embrutecido não tanto pela diversidade de fontes de conhecimento, mas pela multiplicidade de informações não explicadas satisfatoriamente, pereça ante posturas inadequadas frente à vida, gerando se não a infantilidade em corpos adultos, sem dúvida as tristes cenas de depressão, niilismo e descaso perante a existência. Tal montante de desinformação é diretamente proporcional às altas taxas de suicídio nas metrópoles dos países considerados mais desenvolvidos e à imbecilidade e ao escapismo das massas.

Nos anos oitenta veio a baila um livro chamado A Conspiração Aquariana (FERGUSON, 2006), com um título em inglês sugestivamente diferente, The Changing Images of Man. A autora, procurando movimentos inovadores de transformação da sociedade humana, acabou percebendo um vínculo invisível entre os mais diferentes estratos sociais, os quais às vezes acabavam se comunicando apenas por sinais sutis, sem ao menos perceber que estavam interconectados. “Sim, essa é uma conspiração!”, clamou a jovem escritora. Seria uma conspiração do bem, holística, impregnada em cada ângulo, o mais estreito, de uma nova sociedade que surgia. Apolítico seria também esse movimento, podendo influenciar nos EUA tanto a republicanos como a democratas.

Tal revolução silenciosa começou a ser feita pelos jovens da New Age, os “filhos da flor” e toda denominação a mais que pode ser dada a geração que vivenciou a contracultura. Os baluartes dessa época, assim como seus filhos, trazendo em si todo o desejo de transformação da geração que lutou contra a guerra do Vietnã, pelo amor livre, etc., são hoje os que compõem os quadros dos partidos verdes espalhados pelo mundo, das organizações filantrópicas para o bem estar da humanidade. Dos globalistas, enfim.

Com certeza, na América Latina tivemos tentativas de nos fazermos “filhos da flor”. Mas tentativas apenas. Fora o contingente que simplesmente por serem drogados se denominavam hippies, os anos de chumbo das ditaduras militares espalhadas pelo continente dispersaram a unidade requerida para se criar um movimento como esses. Não usamos, aqui, como armas principais, charutos feitos com erva, ou mecanicamente promovemos o “desbunde”. Isso foi tarefa para nosso pequeno clube de intelectuais “iluminados” de classe-média, na esteira dos hippies, a partir dos anos oitenta e com a redemocratização do país. Durante os duros anos que sucederam ao golpe de Estado militar, a briga no Brasil foi feia, sem dar margem a devaneios.

 As drogas sintéticas e a contra-revolução da CIA

Daniel Estulin demonstrou à exaustão, com argumentos e provas abundantes, os vínculos entre a CIA, Instituo Tavistock e a Escola de Frankfurt, na criação do conceito de contracultura.

 

Robert Santelli, em seu libro, Aquarius Rising, escreveu: “O LSD circulava em abundância em Monterey. Davam-se tabletes de “Púrpura de Monterey” (uma substância similar ao LSD chamada também Bruma Púrpura) literalmente a qualquer um que quisesse experimentar um pouco”. Os dois personagens responsáveis pela distribuição em Coco Beach, Florida, se chamavam Peter Goodrich, e o legendario agente a soldo da CIA cujo nome chave era Coiote. (ESTULIN, 2001: 140)

 

Mais adiante lembra o autor de um aviso dado por um dos organizadores de Woodstock, Wavy Gravy (agente da conhecida operação MK-ULTRA), e noticiado pelo New York Times em 17 de agosto daquele ano de 1969: “Esta noite, um empregado do festival fez uma advertência no palco que se estava distribuindo ‘ácido mal fabricado’. Disse: ‘Vocês não estão tomando ácido mal fabricado. Vocês não vão morrer. […] Se vocês estão pensando que estão tomando veneno, não é verdade. Mas se estão preocupados, tomem só meia pastilha’”.

A fórmula que explica tamanha flexibilização nos costumes é a seguinte. Em Woodstock, por exemplo, quem fazia a segurança do festival era uma comuna de nome Hog Farm, conhecida pelo envolvimento com tráfico de entorpecentes. Essa comuna, como não poderia deixar de ser, era vigiada por agentes encobertos da CIA e FBI. No entanto, a infiltração de agentes como Peter Goodrich, o Coiote, permitia a entrada massiva das drogas produzidas nos laboratórios subordinados aos grandes institutos de engenharia social, como Tavistock – apoiado por antropólogos, psicólogos e cientistas sociais. De fato, o Festival de Woodstock foi o primeiro experimento massivo de lavagem cerebral através de alucinógenos clinicamente fabricados.

Mais tarde, se deu a criação da rede televisiva MTV, também baseada nos estudos da Escola de Frankfurt e Tavistock com o fim de promover uma guerra silenciosa, matando não os corpos, mas a própria personalidade das pessoas. Qual é a lógica e em que se baseia o estudo que inspirou a criação da MTV? Estudos psiquiátricos comprovavam que determinadas imagens, mas principalmente sons, ficavam impregnados na psique de jovens entre 15 e 25 anos, repercutindo vida a fora. Quando os baby boomers da contracultura ouviam, já na fase adulta, as músicas de sua adolescência, eram levados imediatamente às mesma sensações daqueles dias nos quais experimentaram a mistura de drogas e músicas estridentes. Essa modalidade de catarse espontânea, detectada pelos cientistas de Tavistock e provocada pelas rádios de músicas “clássicas” e pela programação televisiva, levava as cobaias do experimento massivo de LSD à mesma faixa mental de alienação provocada quando de sua juventude.

As “imagens cambiantes do homem” (do livro acima citado), LSD e baby boom (contingente de jovens com a programação mental adulterada através da cultura de massas do pós-guerra) guardam a mesma relação com a formatação da programação televisiva, alienação e controle mental. Quando se formata um programa jornalístico na TV, por exemplo, o princípio que se leva a cabo é o da euforia provocada por psicotrópicos, “the changing images of man”. Com notícias curtas e impactantes, geralmente com duração de trinta segundos a um minuto (um minuto e meio se a notícia é realmente importante), trazendo flashes de entrevistas (entrevistas que duram por vezes trinta minutos, uma hora ou mais) e depoimentos que, sob o manto da imparcialidade, confundem o espectador muito mais do que informam (pelo tempo curto e a fragmentação do conteúdo, com falas que acabam se chocando em vez de se contraporem), provocam uma euforia passageira em quem assiste e uma depressão que a sucede, dada a impossibilidade de o homem mais firme intelectualmente conseguir firmar uma opinião que seja em relação ao conteúdo assistido.

Nos EUA, diz o autor que trouxe à luz os métodos utilizados pelo instituto localizado no condado de Sussex, Inglaterra, geralmente as imagens terrificantes expostas pela mídia é contrabalanceada com a imagem do “super-presidente” que irá salvar a nação do caos. No Brasil, como não temos mais figuras como a do “caçador de marajás” ou a do “pai do Real”, a roupa de super-homem geralmente é vestida por analistas financeiros e demais agentes do mercado, assim como, atualmente, pela oposição janista cujo lema é a vassoura anti-corrupção, a qual no passado nos levou ao golpe de 64. Tal esvaziamento da política associando-a a tudo o que há de mal e perverso no mundo tem um só objetivo: enfraquecer a democracia corrente, dos políticos escolhidos pela população e da dialética desta com aqueles, e legitimar por outro lado o discurso produzido pelo “deus mercado” (produtor da crise financeira internacional) e seus analistas e especialistas, como também fortalecer os homens públicos porta-vozes da mesma ideologia, mas cujo poder está em franco declínio no país.

 

Walt Disney e a publicidade

Falo sobre drogas e corrupção, mas, sobretudo, de tirania e limitação das liberdades democráticas. De nada inútil se falamos de Wall Disney e de publicidade. E assim veremos aonde se encontra o êxtase produzido pelas “imagens cambiantes”, pelo LSD virtual produzido pela programação televisiva.

 

Os anúncios publicitários carregados de imagens repletas de valores que não guardam relação com o produto podem nos afastar dos mesmos valores que estão explorando, nos confundindo acerca de como haveremos de alcançar tais valores, e abrir a porta à desesperança, ao ressentimento e a apatia.

Como os produtos não proporcionam a recompensa psíquica que prometiam as imagens do anúncio, ficamos em dúvida se haverá algo que a proporcione. Se continuarmos com essa dúvida, terminaremos nos deprimindo e vendo quase todos os produtos rodeados por um fundo negro, o negativo fotográfico de seu antigo resplendor, o fundo negro das promessas não cumpridas. (ESTULIN, 2011: 217)

 

Depois de sermos tragados para um mundo onde subjaz soberano o reino da degradação humana, repleto de guerras, corrupção, intrigas e mentiras invencíveis, somos levados ao mundo mítico dos sonhos, das imagens arquetípicas baseadas no estudo do inconsciente coletivo. Mergulhamos em tal universo, sem darmos conta da estupefação causada pela miséria da condição humana, delegada pelas mensagens anteriores dos jornalões, firmemente controlados pelas elites financeiras e intelectuais de nossos países. Automaticamente – sem nunca ter uma pausa para procurar nos darmos conta do que está acontecendo nesse mundo paralelo no qual ora viajamos – passamos a associar como a única saída à nossa derrocada final enquanto seres humanos as telas repletas de fantasias dos anúncios publicitários. Semelhante lógica também se aplica quando assistimos ao outro pilar do embrutecimento cultural das massas: as novelas televisivas e suas tramas de perfídia, assassinato e luxúria.

Porém, “o fundo negro das promessas não cumpridas” não se estabelece simplesmente levando em conta o contraste que até aqui analisamos. Numa análise invertida (pois não devemos levar em conta apenas as classes ou as pessoas que chegam a aspirar realizar sua encarnação como pessoas em algum ideal publicitário), os próprios anúncios se tornam a fonte de angústia. Ao irmos tomar uma água ou fazer outra tarefa qualquer durante o intervalo, e subitamente nos darmos conta da realidade em que vivemos, financeira e ontologicamente (nesse sentido, naquelas pessoas que cumprem o ideal propagado e olham ao redor e se sentem profundamente insatisfeitas ou vazias). Daí aparece o jornalão ou a novela aguada como fonte de fuga da realidade. Os amantes das novelas encarnam nos personagens de sua admiração e passam a viver uma vida paralela; os interessados no noticiário encarnam a sabedoria dos apresentadores e repórteres, tão desprovida de conteúdo significativo quanto a densidade psicológica de um protagonista de novela.

Na verdade, há um processo dialético onde as pessoas criam correspondências entre seus ideais de produtos a serem consumidos e os ideais sócio-políticos ou afetivos a que aspiram, seja no jornal ou nas novelas. Nesse sentido, a programação “editada” – os programas que ora analisamos – se complementam com os anúncios publicitários, tornando-os todos, no fim, mera publicidade, ou seja, promessas. Tudo isso sob um pano de fundo tenebroso onde figura a degradação do ser humano no palco do mundo e a degradação do ser enquanto pessoa, ao simplesmente reagir com dor ou indiferença à frustrada realização dos desejos mercadológicos.

 

 Mickey e o Adolf Hitler

 

Caos e Engenharia Social
O gênio hereditário nas crianças, de Francis Galton.
A pessoa bonita comum de acordo com pesquisas modernas
As crianças saudáveis do Clube do Mickey são órfãs de Francis Galton? No alto, três tempos de uma mesma história.

Aqui entra Mickey Mouse e a substituição da suástica pelas orelhas de rato. Mas, como assim? Como ligar um personagem tão simpático a um símbolo extremamente repugnante? Simples, com uma palavra bem pouco complexa: paperclip. Ou seja, a Operação Paperclip, de cooptação de elementos nazistas pelo governo-norte americano durante o pós-guerra.

Tal operação não é somente aquela que ficou conhecida pela contratação de nazistas para ajudar no programa atômico norte-americano. Sabedores dos conflitos que naquele contexto geopolítico iria se travar entre EUA e URSS, os artífices da política em Washington contrataram desde especialistas em tecnologia de armas nucleares a médicos, especialistas em guerras psicológicas nazistas (junto com a organização Gehlen), espias, assassinos e sabotadores.

Segundo Estulin, as provas são fundamentalmente circunstanciais, mas podem ser encontradas na seção Captured German Documents dos Arquivos Nacionais norte-americanos e serem comparadas com memórias e biografias dos anos da guerra e do pós-guerra. As memórias de Wulff, astrólogo de Himmler, diz ter os nazistas o desejo de criar um programa dentro do Reich que reproduzisse o estado mental de um soldado japonês, “um ser humano ávido e desejoso de arriscar a vida por seu país sem fazer perguntas” (ESTULIN, 2011: 67), e do soldado comunista chinês, “capaz de lançar-se sem pensar rumo a uma morte segura” (ESTULIN, 2011: 67). Os cientistas nazis, entre eles Friedrich Hoffmann, um químico nazista que assessorou a CIA no uso de substâncias psicotrópicas de lavagem de cérebro, estiveram trabalhando em programas de controle mental com militares e a CIA.

Hitler e Mickey Mouse: nada poderia ser mais coincidente. Assim conta Lonnie Wolfe, em artigo para a revista New Federalist, falando sobre o Mickey Mouse Club:

 

Cada criança, em sua casa, era “doutrinado” com um ritual de iniciação na televisão, e instado a cantarolar ao mesmo tempo canções cuja letra ia aparecendo na  tela e a repetir coisas que ia indicando o chefe do grupo na televisão. Tudo fazia com suas “orelhas de rato” postas, que estavam desenhadas para serem identificadas com a figura animal de Mickey Mouse. Ao final do programa, o líder do grupo, um macho adulto jovem, pronunciava um sermão que era reforçado pelos Mouseketeers presentes no palco. Fazia-se tudo isso enquanto as crianças do estúdio e as que estavam em casa colocavam as orelhas e faziam a “saudação ao clube”. Quantas pessoas são conscientes de que cada vez que diziam a saudação estavam aceitando uma nova religião, semi-pagã, e um deus novo, o rato? […]

[Em outra época e em outro país europeu] outra geração de crianças recebeu uma série de valores de forma organizada de pessoas que não eram seus pais. A Juventude Hitlerista da Alemanha nazi. Eles também lhes diziam para não ouvir seus pais e que fossem Bons patriotas, que fossem educados e que se comportassem bem (WOLF, 2007).

 

Continua Estulin: “o truque radicava em fazer desaparecer os nazis, mas não seus ideais. O Estado e os valores nazis, mas sem a bagagem nazi. Mickey Mouse e Hiltler. Compreende o paralelismo?”(ESTULIN, 2011: 168).

A lógica que permeia os desenhos da Disney são os mesmos de nossa tradição televisiva. Geralmente personagens muito bons ao lado de outros muito maus (ou seja, a caracterização das “peças” televisivas se faz através dos contrastes mais óbvios) em meio a um conflito que nunca irá se resolver pela “fagulha divina da razão humana”. Em todos os desenhos da Disney sempre aparece uma espécie de deus ex maquina, geralmente uma entidade sobrenatural (uma fada gorda ou um monstro simpático, por exemplo) para resolver os conflitos sem qualquer intervenção humana. Tal subordinação da razão humana e sua capacidade para resolver conflitos a entidades sobrenaturais, vinculada a uma profunda carga emotiva exposta nesses desenhos, faz o intelecto das crianças permanecerem intactos naquela idade, sem ao menos começarem a desenvolver seu raciocínio lógico – o mais elementar que seja. Já a carga emotiva, principalmente, envolve os adultos naquelas tramas, fazendo-os também regressarem sua memória, porém sem o trabalho da razão. Nesse caso, toda a carga emotiva de nossos conteúdos mnemônicos jaz soberana em nosso intelecto, transformando-nos também em crianças – só que não fascinadas pelas resoluções mirabolantes dos dramas, como ficam os pequenos. Tornamo-nos simplesmente adultos chorões, infantilizados.

Porém, as novelas, com seus finais felizes, servem exatamente para isso: nos deixar mais e mais abobalhados. A questão atual dos autores de colocarem um contexto social em seus enredos deturpa ainda mais a finalidade de seu produto, a qual poderia ser verdadeiramente a educação das massas. Ambientado nos contrastes simplórios: os ricos de um lado e toda uma vida de sonho; os pobres do lado, às vezes injustiçados como cinderelas, nivela por baixo a capacidade intelectiva da população. A evasão dos problemas fundamentais de nossa existência enquanto cidadãos brasileiros, a da ascensão da pobreza por meio de oportunidades reais de trabalho, a subordinação de nosso país a interesses outros, como o das finanças internacionais, os objetivos do ensino escolar e superior, etc., são literalmente olvidados em favor de questões tais como “intrigas palacianas”, ou seja, ricos dando golpes em ricos ou pobres geralmente sofrendo com problemas no amor ou de injustiças realizadas por alguma “tia má”.

Os meios de desinformação, através do oligopólio de nossa mídia dominada pelo baronato ao estilo imperial, são abundantes. Como Alexander Hamilton tremeria ao ver a farra do sistema financeiro num país como os EUA o qual não possui nem ao menos um banco nacional e público, com certeza Dias Gomes tremeria ao ver seu teatro, o qual também transformou em novela, num meio claro de idiotização das massas.

Os heróis da mídia também são mutáveis como as “imagens cambiantes do homem”. Ora, numa campanha eleitoral, vemos as propostas ou (caso não as tenha) promessas dos candidatos. O cidadão identificado com um político ou partido se sentirá num mundo de sonho que pode até ser realizado, como nas campanhas publicitárias. Caso o cidadão seja de todo alienado do debate político, torcerá veementemente para voltar logo a programação habitual. O herói passa a ser o apresentador do telejornal, o moralista de plantão, mostrando as “verdades” sobre a política nacional ou internacional. Na verdade, é uma questão de troca de “reis taumaturgos”, como no livro homônimo de Marc Bloch. De fato, tal livro foi concebido bem na época da Escola de Frankfurt e no estudo sobre indústria e a psicologia das massas. Os “reis taumaturgos” são os reis (leia-se políticos) cuja coroação se deu com as bênçãos da Igreja (leia-se mídia, ou seja, o poder do conhecimento e do domínio da informação) e tinham poderes sagrados, como o de curar as escrófulas – doença, associada à tuberculose, comum na época.

 

Beatles e Tavistock

As ligações da assim conhecida Escola de Frankfurt com o Instituto Tavistock podem ser melhor compreendidas a partir da criação do fenômeno radiofônico dos Beatles. Daniel Estulin, através do acesso à correspondência privada entre EMI (Eletronic and Music Industries Ltd) e Theodor Adorno (ESTULIN, 2006), recontou a história da banda de música “limpa” que subitamente dominou o Ocidente depois de gloriosos anos tocando em prostíbulos impulsionados por drogas variadas. Adorno, levando a cabo experiências sociais cujos objetivos seria o controle das massas, escreveu a maioria das letras da banda inglesa. Adorno seria o cientista sem escrúpulos levando a efeito seus experimentos; Tavistock a organização responsável por reproduzi-los em grande escala no intuito de criar um novo paradigma a ser seguido pela sociedade.

No mesmo ano, 1937, a Fundação Rockeffeler fundou um projeto para estudar os efeitos do Dário na população. Recrutado para o que ficou conhecido como “Radio Research Project”, aquartelado na Universidade de Princeton, estavam seções da Escola de Frankfurt, agora transplantada da Alemanha para a América, assim como indivíduos como Hadley Cantril e Gordon Allport, que se tornaram componentes chave das operações americanas de Tavistock. Encabeçando o projeto estava  Paul Lazerfeld, da Escola de Frankfurt; seus diretores assistentes eram Cantril e Allport, junto a Frank Staton, que era o cabeça da divisão da CBS News, depois se tornando seu presidente, assim como chairman do conselho da RAND Corporation.

O projeto foi prefaciado pelo trabalho teórico feito anteriormente nos estudos de propaganda de guerra e psicose, e no trabalho dos operadores da Escola de Frankfurt, Walter Benjamin e Theodor Adorno. Esse trabalho anterior se converteu na tese de que a mídia de massa pode ser usada para induzir estados mentais regressivos, atomizando indivíduos e produzindo crescente sujeição. (Esse condições mentais induzidas foram depois chamadas dentro do próprio Tavistock de estados de “cérebro lavado”, e o processo de o induzir chamado “lavagem cerebral”) (WOLF, 1997).

Se o objetivo da clínica (e depois instituto) era mudar as imagens dos homens, suas letras relatando a experiência do consumo de drogas, principalmente o LSD (Lucy in the Skies with Diamonds), faziam servir a banda inglesa como imã para os festivais regados a alucinógenos tavistockianos e servidos por agentes dos serviços de espionagem. Os Beatles como um fenômeno musical são um marco em nossa cultura. Quão contrastante se dá a comparação caso os coloquemos lado a lado com outras bandas que fizeram parte da mesma “contracultura”. São também cambiantes esses heróis, ao lado de uma pequena elite de “iluminados” rigidamente escolhida pela mídia de plantão e pelos mais variados “especialistas”. Foram tantos os “heróis” mortos por causa de drogas ou que tiveram sua carreira arruinada pela vida desregrada ou que simplesmente desapareceram que fica difícil falar num fenômeno como a contracultura, aparentemente tão abrangente, sem colocar no centro do discurso – sempre – dois ou três nomes preferidos por uma espécie de intelectualidade que os tornou vocabulário fácil de qualquer amante de rock. Podemos entender as mainstream bandas da contracultura como representação dos mesmos grupos de elite que as criaram. O que significa, sempre, poucas referências. Pode ser que nas palavras de um especialista relativamente erudito possam aparecer milhares de bandas completamente desconhecidas dos amantes ou amadores em rock’n roll. Mas serão no máximo cometas, órbitas errantes ao redor dos astros escolhidos por uma cultura que se auto-afirma através de um consenso ignorante e bestial.

As “damas” da TV e os atores “consagrados” atendem a mesma lógica. Depois de velhos – e devidamente batizados –, são colocados em papéis protocolares, exercendo o papel de grandes damas também nas ficções nas quais atuam. No máximo, caso seja uma dama não tão “auto-suficiente” podem se expor mais: papéis relativamente cômicos (não tanto para a “dama” não cair no ridículo) é que lhes basta. De resto, uma manada de atores que se revezam num sucesso completamente alucinante, como numa roda gigante sem controlador. Alguns poucos ganham notoriedade acima da comum (não são esquecidos tão facilmente); são o estoque, a reserva de atores caso haja algum contratempo na execução das peças ficcionais. São também os candidatos que se acotovelam para depois se encontrarem entre os diminutos “atores consagrados”. Mas consagrados por quem?

A lógica da contracultura, das imagens cambiantes, da subversão das imagens que os homens possuem como referência não pode estar fora do mundo político. Mas quem são os políticos respeitados, os verdadeiros chefes-de-Estado? Contracultura talvez possa ser traduzido como o oposto da cultura, ou seja, dos bens imateriais produzidos por uma civilização ao longo do tempo. Bens que só se tornaram imateriais, patrimônio comum de um povo, por sedimentado em sua mais profunda subjetividade. Daí entra a contracultura, ou a contra-insurgência, para transformar as referências nacionais remetendo-as a uma elite iluminada, representação da elite que cria essas imagens.

As elites, é claro, sempre existiram. Não houve o comunismo ou o tribalismo mais subdesenvolvido que não as tenha possuído. No primeiro caso, inclusive, se criou uma “ultra-elite”, talvez bem próxima da que averiguamos aqui quando falamos de TV. Quando se criam tais sistemas primários de comando-subordinação – artificialmente, é lógico, pois baseada numa sociedade inteiramente mais complexa –, se cria um vácuo tremendo entre a elite diminuta e a massa completamente carente de referências com as quais possam estabelecer parâmetros de comparação e posterior superação ou auto-afirmação de si próprios. Os heróis cívicos do nazismo, os oficiais da SS, seus cientistas ilustres e todo contingente de grupamentos cambiáveis na estrutura de poder da Alemanha hitlerista são os precursores de nossos heróis midiáticos. Uma hora oficial nazi; noutra traidor do regime ou simples refugo humano, pronto para ser eliminado. Assim o regime devorava a si próprio, mantendo sua elite como um grande cérebro num corpo propositalmente subnutrido. Assim o regime adicionava novos contingentes à sua horda revolucionária e entorpecia as massas criando oportunidades fictícias de ingresso no status quo. O fenômeno mais recente de criação de “heróis cambiáveis” é sem dúvida a criação do “Grande Olho”, o também nosso Big Brother.

Daí, podemos concluir, que entre os modelos de plantão das ficções televisivas noturnas e os bandos de especialistas nos telejornais diários não há diferença de natureza. Ambos se esforçam por aparentar a virtude que nunca terão. A verdadeira virtude, nas novelas, subjaz principalmente nas damas e nos venerados atores de cabelos grisalhos; no telejornal, no apresentador onipresente, mimeses perfeita da direção jornalística da emissora, de seu “grande olho”, de sua inteligência implacável, como a dos revolucionários do Terror. Entre a base e o topo, somente podemos enxergar as “imagens cambiáveis” propostas pela TV. Mais claramente: a base é o chão de estrelas permutáveis; o topo, o sol imorredouro, intocável.

Qual sistema se encaixa perfeitamente em tal configuração de poder? Somente o sinarquismo ou o nazi-comunismo. Sua elite geneticamente superior (pois não sabemos o que fez esse ou aquele para mereceram alcançar alguma espécie de topo na grade do poder a não ser um talento inato, próprio a uma raça superior) e a base dos servos da gleba, intercambiáveis e partilhando entre si as migalhas vindas do alto. O mesmo sinarquismo ou nazi-comunismo que querem nos impor através dos “organismos globais”, tais como ONU, OTAN, FMI ou ONGs internacionais. A política de crescimento zero dos ambientalistas e dos economistas lacaios do Banco Mundial. A política de desenvolvimento intelectual nulo de nossa imprensa e academia, profundamente comprometidos com os cânones mais retrógrados e perversos. A mesma inteligência “globalista” fundou nosso sistema televisivo e impôs um governo militarista, como o de Stálin, para usar a força, quando necessário. E depois abriram os mercados e desmilitarizaram o poder. Hoje, com a crise internacional, podemos enxergar com mais clareza no que consistiu a “liberdade de mercado” e a “liberdade de imprensa”. Esta justifica as guerras e a opressão criadas por aquela, numa operação dupla, tal como os banqueiros que financiavam os dois lados da guerra mundial e os empresários que em plena Guerra Fria saiam de Wall Street para construir fábricas na URSS (SUTTON, 1976). Quantos soldados americanos morreram por tanques americanos construídos em solo inimigo? Nossos estatísticos talvez ainda não tenham tempo para fazer esse tipo de conta.

 

Um caso de estudo: Gates e Hitler

Bill Gates interessa ao nosso relato sob dois aspectos. O primeiro é o do sinarquismo, como acima destacado. A fundação de Bill e Melinda Gates, junto a Fundação Rockfeller e outras organizações supostamente filantrópicas, trabalham junto a Monsanto e o agro-cartel internacional para desenvolver sementes geneticamente modificadas. Suas pesquisas com as sementes de arroz, batata, trigo, e outras, visam, aparentemente, desenvolver meios de melhorar a produção agrícola, principalmente africana. Por outro lado, injetam milhões em pesquisas que mantém a propriedade intelectual das mutações produzidas com as próprias firmas que as realizam. Fora o fato de produtos naturais não terem direito à patente na maioria dos países do mundo, o fruto das pesquisas depois é vendido aos agricultores dos países pobres, gerando um ciclo de dependência irreversível para com os produtos das multinacionais.

Não podemos pormenorizar aqui todos os malefícios trazidos pelos transgênicos. Apenas aludimos ao controle internacional exercida por pouquíssimas empresas nesse mercado, tendo a Monsanto como a maior líder: líder nas políticas de fome em qualquer lugar onde se faça presente. Genocídio poderia ser o codinome da Global Food and Agriculture Initiative, administrada pelo Banco Mundial: a política da redução populacional para um mundo sem recursos naturais.

O segundo aspecto, não menos evidente, é o da construção de uma imagem pública que em absoluto corresponde à realidade. Penso não serem desconhecida as histórias de Bill Gates antes da fama, principalmente seus atritos com Steve Jobs e a criação do Windows. Porém, tamanha contenda entre dois “gênios” só seria verdadeira caso se tratassem de seres excepcionais. No caso de Gates existe de tudo, menos honestidade, como tampouco originalidade criativa. A jornalista norte-americana Wendy Goldman Rohm descreve com detalhes escabrosos (na verdade, escabroso não é o relato, bastante refinado, mas o próprio protagonista) as jogadas de mercado do “gênio” do software para alcançar a hegemonia com sua empresa (ROHM, 2001).

Já de posse do sistema de janelas criado pela Apple, Gates prometia mundos e fundos à IBM quanto à conclusão do sistema operacional que estava sendo desenvolvido pela empresa para fazer frente ao DOS. Assim como não ajudou a IBM em seu projeto, se aproveitou das informações privilegiadas da empresa para, junto com seus próprios dados, construir o MS-DOS. Realizado seu intento, saiu da empresa e começou a busca que iria levá-lo ao topo do mercado. Com uma plataforma bastante similar ao do concorrente, o DR-DOS, o empresário iniciou suas práticas de venda predatórias ao associar seu DOS ao Windows. Obrigava aos vendedores a fazer pacotes onde o Windows deveria estar acompanhado do DOS da Microsoft. Caso contrário, aumentaria seus preços (os quais propositadamente eram colocados bem abaixo dos preços de mercado) tornando o produto praticamente inegociável. Mas esta foi apenas a tática inicial.

Querendo ampliar ainda mais sua parcela nas vendas depois da frustrada tentativa de compra do DR-DOS, com o lançamento do Windows 3.0 introduz capciosamente mensagens de erro quando o sistema operacional não funciona com o MS-DOS. Era como que, tal como hoje em determinados produtos, caso não tivéssemos Windows, eles não funcionariam corretamente. Mas a jogada de gênio se deu com o lançamento do Windows 95 e a possibilidade de domínio do sistema de redes. A internet oferecia um amplo mercado nunca antes vislumbrado pelo empresário. Segue daí a derrota incontornável da justiça norte-americana e a estabilização de Bill Gates como “gênio” da informática. O Internet Explorer assumiu a hegemonia nos CPUs, a qual foi duramente contestada nos anos subseqüentes. Ao atrelar o software ao sistema operacional, continuando com as práticas predatórias de vendas de produtos – sob concessões – em preços muito abaixo dos de mercado, legitimou finalmente a Microsoft como gigante do mercado e fez lançar sua imagem pública tal como ainda é vista nos dias de hoje.

É sintomática a afirmativa da autora quando da passagem crucial operada pelo lançamento do Windows 95:

Fazia apenas alguns dias desde que o gigante do software tinha iniciado a fabricação do Windows 95 e Gates assemelhava-se a um misto de entusiasmo e coragem.

– Talvez tenham reparado que fizemos uma boa divulgação do Windows 95 – afirmou. Seria a declaração mais atenuada até então, desde que um procurador da Microsoft havia admitido a um juiz federal, no final do ano anterior: “O Windows é um sucesso”.

No mundo inteiro, jornais apresentaram o produto como matéria de primeira página. Quando o produto de uma empresa – talvez um avanço científico, que não era o caso do Windows 95 – merecia tal destaque nos jornais?

Bem antes de sua disponibilidade no mercado, O Windows 95 parecia receber mais atenção, por parte da imprensa, do que a campanha presidencial de Clinton. E ainda não estava nítido a Joel Klein, que iniciara uma nova sindicância sobre a empresa, se o Windows 95 e o Network da Microsoft seriam uma enterrada na cesta para Bill Gates, com ou sem Shaquille (ROHM, 2001: 257).

 

O funeral da Netscape estava preparado. Infringindo todas as normas anti-truste, Bill Gates “acoplou” o Internet Explorer ao Windows, minando definitivamente com a concorrência. Foi a cartada final do “gigante” do software.

 

CONCLUSÃO

Procuramos mostrar nesse texto, da forma mais sucinta possível, as ligações da CIA, Escola de Frankfurt e o Instituto Tavistock na fabricação nos modelos de manipulação de massas, principalmente através de estudos de engenharia social. É claro que o tema é controverso. Na opinião de quem agora vos escreve, por vezes o autor do livro que usamos como base de análise, é algo unilateral em algumas de suas observações, principalmente no que diz respeito a certos autores em particular. Caso pesquisarmos o histórico dos estudos já feitos sobre esse Instituto, veremos não só Walter Benjamin, Adorno e Freud sendo duramente criticados. Jung, Georg Wells, Huxley, entre outros, igualmente aparecem nesse cenário.

Acredito que para dar conta da responsabilidade individual de cada um desses autores, precisamos de um estudo mais aprofundado. Não resta dúvida que participaram de todos esses projetos que depois se tornaram os modelos de manipulação midiática. O que, por vezes, fica difícil de apreciar, é o nível de consciência desses personagens durante a criação daquela monstruosidade. Para não reduzir nossa análise a termos “tavistokianos”, penso que maiores nuances podem ser traçadas nesse estudo, aqui e acolá.

Acima de tudo, a importância do livro de Daniel Estulin (que talvez seja o mais sintético e abrangente, porém só pioneiro na medida em que aporta nova documentação) é a de se identificar uma origem histórica determinada para a elaboração de conceitos a muito estudados pelas ciências sociais, e também identificar toda a “teoria social” que a partir de então se desenvolveu. Nesse sentido, a delimitação sobre o que é o Instituto Tavistock é extremamente precisa – e preciosa.

 

BIBLIOGRAFIA

ESTULIN, Daniel. El Instituo Tavistock. Barcelona: Ediciones B, Barcelona, 2011.

ESTULIN, Daniel. Los secretos del Club Bilderberg.  Barcelona: Editorial Planeta, 2006.

FERGUSON, Marilyn. A Conspiração Aquariana. Rio de Janeiro: Editora Nova Era, 2006.

ROHM, Wendy Goldman. “O caso Microsoft: a história secreta de como Bill Gates construiu seu império”. São Paulo: Geração Editorial, 2001.

SUTTON, Anthony. “Wall Street and the rise of Hitler”. Nova Iorque: Buccaneer Books, 1976.

WOLFE, Lonnie. “Brainwashing: How The British Use The Media for Mass Psychological Warfare”. The American Almanac, 5 de maio de 1997.

WOLFE, Lonnie. “Turn off your TV”. New Federalist, 28 de agosto de 2007.

Sobre a guerra que se aproxima

O exército vermelho se reúne novamente para derrotar os nazistas

Com certeza, no ocidente, Lyndon LaRouche é o líder com maior consciência dos perigos que ameaçam nossa civilização atualmente. No seu tradicional webcast de sexta-feira, em 6 de maio, disse com propriedade, como nenhum outro por estas bandas de cá é capaz de fazer: “Nós não estamos à beira da terceira guerra mundial. Nós estamos no meio dela. Nós já chegamos lá, e se não conseguirmos detê-la, a civilização não existirá mais”. É claro que a esperança de uma vitória russa e/ou chinesa – provavelmente, com quase toda certeza, num cenário de conflito os dois gigantes irão se unir – não é apostar no vazio, porém é sempre alarmante a magnitude que adquirirá essa guerra. Os movimentos, ainda que em sua maior parte secretos, indicam que haverá o controle da situação por parte da Rússia principalmente, e da China, durante o processo. Vamos explicar com todos os detalhes essa história intrincada e que guarda silêncio conivente dos oligopólios midiáticos com os políticos mais poderosos do mundo.

Diferente do ano passado, quando tudo sobre o conflito ainda era envolto numa nuvem, quase como se tudo não passasse de boatos, apesar de vozes firmes internacionais terem se posicionado sobre o risco de um grave conflito, como o ex-comandante William J. Perry, hoje, as fontes que apontam para o conflito são tanto oficiais como não oficiais, estão na grande mídia ou na mídia alternativa. Não conseguem, contudo, formar qualquer consenso. Parece que o segredo é o que interessa numa guerra que será enormemente impopular, ainda que consideremos o estado mental deplorável que boa parte do mundo atravessa. Não só deplorável econômica ou politicamente. De maneira total, o que vemos é a degradação mental pelo culto a modernos mitos pagãos, como o da união europeia através de uma união monetária, ou do monetarismo de uma maneira geral, que é um sistema de signos abstratos que são não menos alienantes, de certa forma até pior, do que as intervenções na subjetividade dos indivíduos como em projetos em sua primeira fase pelo menos encerrados, como o caso do famoso MK-Ultra. A polarização intensa do mundo, como é cristalino para pelo menos os menos tontos, não é uma coisa fabricada por “petralhas” e que se restringe à nossa província chamada Brasil. Pelo contrário, é vivida mundo afora de maneira mais intensa pelo menos desde quando o Ocidente criou as chamadas “revoluções coloridas”, como também pelo avanço constante da OTAN, sua postura agressiva, que leva a uma polarização também entre as forças militares ocidentais e as orientais.

Primeiro, vamos começar com uma fonte oficial. É um resumo com comentários da fala de Sergei Lavrov na XXIV Assembleia do Conselho de Política Exterior e de Defesa, em 09/04/2016, republicado pelo portal GGN:

 

Atualmente a Rússia vem provocando histeria em Washington muito regularmente, só que isso não aparece na TV. Nós colocamos ordem na Síria sem um voucher de autorização americano, e não ficamos atolados por lá, mas nos retiramos no momento certo. Pode-se imaginar o quanto duplamente ofendidos eles devem estar?

É também revelador que, quando os políticos americanos relacionam as ameaças ao reduto da liberdade, a lista pode variar: terrorismo, China, até mesmo o ebola foi mencionado uma ou duas vezes, enquanto que a Rússia é membro permanente dessa lista. Então agora Sergey Lavrov declarou oficialmente: a Rússia vai perseguir abertamente a criação de um sistema político internacional policêntrico, de modo oficial e com base em documentos estratégicos apropriados. A partir de agora ações contra a Rússia serão também ações contra o conceito de mundo multipolar. Uma vez mais, nada disso é novidade, mas nada disso havia sido declarado abertamente até agora.

Obama faz a publicidade do seu país:

“Os Estados Unidos têm muitas cartas na mão. Nós somos objeto de inveja do mundo inteiro. Nós possuímos as forças armadas mais poderosas do planeta. A nossa economia é atualmente mais forte do que qualquer outra economia desenvolvida”.

E antes disso ele já havia dito:

“Nós não seremos capazes de conseguir nada se nós não tivermos a mais poderosa força militar no mundo e se nós não torcermos frequentemente o braço de países que não queiram fazer aquilo que nós necessitamos que seja feito, pelo emprego uma variedade de meios econômicos, diplomáticos e eventualmente militares”.

 

A supremacia não mais racial, mas social dos EUA, sua completa arrogância em termos de política externa, podem levar a uma situação jurídica anterior aos acordos de Yalta (não se precisa traduzir isso, principalmente se pensarmos em termos do estabelecimento da OTAN e os acordos feitos com Gorbachov no apagar das luzes da antiga União Soviética), como bem ressaltou Putin em sua “fala sobre o meio ambiente” na ONU recentemente, É bom ver o discurso dele no youtube, traduzido para o inglês ou o espanhol pela Russian Today. Podemos ver também no “oficial” New York Times que a escalada não é tão não-oficial, tão “de brincadeira” como se pensa. São basicamente duas reportagens sobre o escudo anti-mísseis recém-implantado pela OTAN na Europa, tanto com capacidade defensiva como ofensiva. Pode ser visto aqui e aqui, e também de maneira um pouco mais “alternativa” aqui. É a nova super-quente Guerra Fria. Nesse sentido, com certeza, já estamos em meio à guerra.

Por que quadruplicar a presença das tropas da OTAN nas fronteiras da Rússia? Qual ameaça concreta representada pelos russos? Por defenderem junto aos chineses, e aos países BRICS de um modo geral, um novo arranjo econômico, um novo sistema financeiro? Sair de seu próprio país, atravessar o Atlântico, para conter qual ameaça? Quem está provocando o que? E com a ajuda providencial dos alemães e o posicionamento de tropas nos Balcãs até onde podemos chegar?

A hipótese que move a OTAN é o que se chama de sua “doutrina utópica”. Acham que vão em apenas um ataque aniquilar o inimigo. Mas não consideram que Rússia e China podem responder em seguida, em segundos ou milésimos de segundo (em realidade, se calcula um tempo de 3 a 5 minutos para a resposta, ou seja, se não se destruir o inimigo nesse tempo, joga-se fora toda “doutrina utópica”), e lançar um ataque na mesma proporção de maneira simultânea – o que seria com toda certeza o fim da humanidade. Primeiro, o fato é que o cerceamento da Rússia a partir de sua fronteiras ocidentais e o sufocamento da China no Mar do Sul é fato, como bem demonstrou de maneira resumida uma das últimas postagens do comitê de ação política de Lyndon LaRouche (traduzido em português de Portugal):

 

  1.  A contínua expansão para leste da OTAN em direção às fronteiras da Rússia, apesar das garantias dadas pelo Ocidente a Gorbachov em 1989 de que tal não iria acontecer;

  2. A colocação do sistema de defesa antimísseis Aegis na Roménia, Polónia, Turquia e Espanha. Estas armas, equipadas com lançadores MK41, podem ser usadas para missões defensivas (ar, terra, mar), mas também para ataques ofensivos com armas nucleares;

  3. A planeada colocação rotativa permanente nos Estados Bálticos, Polónia e Roménia de quatro batalhões de 1,000 tropas cada um e de equipamento militar pesado;

  4. A criação de uma “Frente Nórdica” contra a Rússia, composta de uma aliança dos membros da OTAN Dinamarca, Islândia e Noruega e da “Parceria para a Paz” da OTAN (Suécia e Finlândia);

  5. A modernização de armas nucleares, em particular da bomba B61-12 e dos Mísseis de Cruzeiro de Longo Alcance Standoff (LRSO), baseados na Alemanha. A Senadora dos EUA Dianne Feinstein disse destas armas: “Os chamados melhoramentos a esta arma pareceram ser desenhados … para a tornar mais usável, para nos ajudar a lutar e ganhar uma guerra nuclear limitada”.

 

Quanto às ameaças no mar chinês, assim disse o editorial de um dos mais importantes periódicos do país, o Global Times: “Carter’s words have been the most threatening China has heard since the end of the Cold War. They confirm some Chinese people’s worries about the worst-case scenario in the Sino-US relationship, in which Washington may translate its intention to counter China into real actions“. Também pode ser visto aqui. A China já traçou uma linha vermelha por onde os EUA não podem e não devem atravessar. Tanto a Rússia como a China advertem com as mesmas palavras: “irão reagir de maneira assimétrica às provocações“. Dizem que será formalizada a cooperação militar entre os dois países, mas a cooperação em todos os níveis, principalmente depois da sanções econômicas e da puxada forçada do preço do petróleo (o que deveria fragilizar, “sangrar” – como diria o Farol sobre Lula – a Rússia até a morte), foi intensificada de maneira sem precedente desde então. A formalização da cooperação militar é somente tornar a público o que é irreversível.

A excelente foto do site LAROUCHEPAC.COM

O curioso da visão do movimento larouchista é que ora alerta sobre os perigos de guerra no Mar do Sul, ora nas fronteiras ocidentais da Rússia. No meu modo de entender, nada disso deve ser considerado. Dificilmente os russos vão esperar o primeiro ataque, aquele fulminante, como defendido pelos doutrinários utópicos da OTAN. No meu entender, dificilmente não será o oriente que irá tomar a iniciativa. Uma das análises mais lúcidas sobre o processo de guerra já iniciado, feito por John Helmer, relembra o comandante do exército vermelho, o marechal Georgy Zhukov, e o que ele chama de “momento Barbarossa”. Stálin estava pronto para lançar um ataque preventivo a Hitler. O marechal, querendo surpreender o ocidente como é costume entre os russos, como na vitória sobre Napoleão, agia em silêncio. Stálin foi dar com a língua nos dentes, disse que poderia atacar a Alemanha a qualquer momento, “secretamente”. Logo em seguida, Hitler deslanchou sua Operação Barbarossa. Medvedev teve seu “momento Barbarossa” logo após o assassinato de Kadafi, e alertou sobre os riscos eminentes de uma guerra. Putin, depois dos sucessos na Síria, teve a oportunidade de ter o seu momento. É clara a movimentação pela defesa dos dois países e os russos podem surpreender novamente. Recentemente tivemos a retomada da Crimeia realizada de maneira surpreendente e sempre humilhante para os derrotados; um pouco depois, a retumbante vitória russa contra o Estado islâmico, que os estadunidenses – agora novamente humilhados – combatiam a alguns anos. Mais surpreendente foi a saída, a retirada dos aviões russos apensas cinco meses após o início do confronto. Mais surpreendente ainda foi o concerto de Bach feito em Palmira, um momento único para a humanidade.

A questão não se restringe às sanções econômicas. Deve-se também levar em conta o lobbie para fazer despencar o preço do petróleo, o que de uma tacada só atingiu a Venezuela e tornou mais barato para os golpistas brasileiros retomarem os argumentos de entrega do pré-sal. Deve se levar em conta que todo tipo de guerra que se trava hoje é fundamentalmente econômica. A guerra dos discursos é toda ela econômica. Superavit primário, câmbio flutuantes, metas de inflação, etc., o tripé macroeconômico e todas as demais discussões bizantinas são a forma de se revestir de caráter “técnico” a discussão que sempre foi política, mas que nos idos da Guerra Fria se apresentava sempre com características ideológicas. Não se discute mais nesse sentido tão duro, ideológico. Nem o mundo está armado como estava naquelas décadas. O rearmamento, a preparação para o conflito, se dá de maneira súbita. Não há qualquer necessidade para corrida armamentista, vivemos numa espécie de época transhistórica, de paz ilusória, de vitória ainda da ideologia de Fukuyama ou da geopolítica de Brezinski.

Na verdade, desde a queda do muro em Berlim, não se tratou de uma alternativa viável para a paz entre os blocos que antes estavam em franco conflito. Lyndon LaRouche, que previu com agudeza a queda do muro pouco meses antes – e ninguém achava que iria ocorrer -, e junto com sua esposa Helga Zepp-LaRouche, vêm defendendo desde então a integração econômica, seja no plano inicial, o de se construir um triângulo produtivo Berlim-Paris-Viena, com o intuito de integrar a Europa ocidental a oriental, seja mais tarde com a Ponte Terrestre Mundial. Hoje a China já realiza os planos da senhorita Rota da Seda (como é apelidada na China Helga Zepp-LaRouche), e o ideal é que o plano sirva para integrar a Ásia com a Europa a partir do Oriente Médio, e se acabar, através desse plano de integração econômica com os conflitos na região, a crise dos refugiados e a ameaça constante de guerra. regional ou mundial.

 

A Ponte Terrestre Mundial devidamente estilizada

 

Como tem enfatizado Helga Zepp-LaRouche, vivemos uma crise existencial na humanidade maior do que na época da Crise dos Mísseis em Cuba. Não falamos de “crise existencial” no sentido “psicanalítico” ou em termos de “ser ou nada” do existencialismo francês ou de seus congêneres. O perigo que ameaça a existência do ser humano enquanto espécie nunca foi tão grande. A senhorita Rota da Seda, no discurso cujo link coloquei logo acima, cita artigo publicado pelo general russo Leonid Ivashov no periódico Zavtra (e resumido aqui, em inglês) em que diz: “existem sérios preparativos para a guerra. Não só na fronteira noroeste de nosso país e entorno dela. A Estratégia de Defesa Nacional dos EUA, adotada ano passado, marcou o início das preparações para sua fase militar. Foi dito ali que não existe mundo multi-polar, porque não há alternativa para a liderança americana”. É o encontro de duas visões de mundo absolutamente opostas, entendimento de aspectos jurídicos que regem as relações internacionais inteiramente discrepantes, como exposto no primeiro trecho de artigo transcrito acima.

Ela também cita artigo recente do correspondente do conservador periódico alemão Die Welt, Michael Stürmer: “Nenhum protocolo irá nos salvar da guerra nuclear”. Para quem gosta da língua alemã, segue o link. O título, contudo já diz muito. Stümer, classificado como um “atlanticista” de quatro costados, alguém absolutamente comprometido com os meio ambiente midiático, alerta para o fato de que durante a Guerra Fria os militares de ambos os países tinham clareza a respeito das consequências de se adotar a política chamada MAD (Mutual Assured Destruction), à época, defendida com todo carinho pelo nobel sir Bertrand Russel – o “homem mais maldoso do século XX”(o que não é pouca coisa, é só lembrarmos de Hitler e correlatos), segundo Lyndon LaRouche.  Se paramos para pensar, a “doutrina utópica da OTAN” nada mais é do que um MAD amplificado, pois para os atlanticistas, caso aja “dano colateral”, tudo será para o bem da humanidade, já que devemos – segundo eles e os ideólogos do movimento verdista – reduzir para pelo menos um bilhão o número de seres humanos existentes no planeta.

Para os curiosos, indicaria com muita veemência o diálogo semanal entre o jornalista John Batchelor e o professor da universidade de Princeton, especialista em Rússia, Stephen F. Cohen. Pode ser visto no site do The Nation ou no Russian Insider. O link para um dos últimos podcasts está aqui. O professor relata os recentes movimentos dentro da Rússia para se reler o legado de Stalin, algumas considerações sobre Gorbachov (com ele, com a Perestroika, se deu o primeiro trabalho sério não de fuga do socialismo ou capitulação ao capitalismo, mas de “destalinização” da URSS), além dos comentários habituais sobre a mobilização alarmante das tropas da OTAN na fronteira russa, principalmente no Báltico.

Numa entrevista mais recente, o professor Coher relata com espanto as manobras de milhares de soldados da OTAN na Polônia, nos preparativos de guerra batizados de operação Anaconda-16. Por outro lado, existe o debate público na Rússia a respeito do grau de seriedade do avanço militar ocidental: seria apenas demonstração de poder, uma espécie de pirotecnia com armas nucleares prontas para uso, ou de declaração informal de guerra? A pergunta “retórica” do entrevistador (o professor chama assim a pergunta, até por considerar a resposta óbvia demais) não é menos pertinente: o que fariam os EUA caso os russos ou chineses estivessem em Cuba fazendo exercícios militares com grande mobilização de armas, homens e recursos? Assistiriam impassíveis ou aqui no ocidente já se teria feito renascer a histeria da guerra, talvez num modo ainda mais dramático do que nos anos 1960? O fato é que não há o telefone, os líderes políticos, como houve na época de Kennedy, capazes de conversarem e contornarem o terror iminente. Barack Obama, em sua visita ao Japão, disse com todas as letras entender as motivações que podem levar um presidente a utilizar de armas nucleares. Como se esse fosse o caso, com um Japão já rendido, e com as ordens do general Douglas MacArthur de retirar as tropas do local.

Colocamos abaixo o vídeo com uma fala mais curta do professor sobre o assunto específico do confronto Rússia versus EUA.

 

 

O ex-comandante do Joint Chiefs of Staff (por favor, fiquem a vontade para traduzir como quiserem a expressão que designa o Estado Maior das Forças Armadas), Martin Dempsey, fez um alerta vigoroso para os estadunidenses não caírem na “armadilha de Tucídides”. Elogiar Atenas na mesma intensidade com que se despreza os rivais pode fazer Washington virar pó, assim como Atenas nunca mais recuperou sua antiga supremacia após a Guerra do Peloponeso, um guerra sem vencedores. O alerta é claro, vem de quem vivenciou as mais recentes batalhas no Oriente Médio, e conhece o discurso dos neocons que são o coração da administração Obama, ou seja, o discurso do mundo unipolar, do “século americano”, seja pela retórica imperialista, pelo sufocamento econômico ou pelo uso das armas.

Não se precisa reiterar as sucessivas alusões, ou sucessivos planejamentos dos neocons a respeito da necessidade do desmantelamento da Rússia. Uma referência elementar é o “grande xadrez”, de Zbigniew Brzezinski, mas passa por alusões mais recentes, inclusive do ressurgimento do MAD, e que pode ser visto aqui, com links bem interessantes para outros artigos. Recentemente também, fala-se do movimento russo para fazer na Líbia o que foi feito na Síria, o que por si só nos dá bastante matéria para reflexão. É a guerra em movimento, a guerra total, generalizada, mesmo que ainda não se tenha um conflito direto entre as potências. Quais seriam as consequências para o “grande xadrez” internacional caso essa intenção russa venha a se concretizar? Lembrando que Medvedev teve seu “momento Barbarossa” quando da morte de Kadafi (pelos drones americanos), seria uma guerra direta contra a política de mudança de regime imposta pelos EUA e que teve seu momento marcante em 2013, com repercussões aqui no Brasil, mas principalmente na Ucrânia. Talvez o ponto final dessa história (se é que podemos falar de pontos finais em algo que está em pleno desenvolvimento), um ponto de ancoragem, a marcação de dois tempos seria as “revoluções coloridas de 2013” até a instalação do sistema anti-mísseis nas últimas semanas. Vamos dizer que essa é a “parte quente”, a mais recente, de um acontecimento de longo curso.

 

Os mísseis hipersônicos 3M22 Zirkon, arma russa para deter os mísseis anti-balísticos

Um tempo médio podemos entender que se estende a partir de uma dupla plataforma. Uma, de mais curto alcance, que vai desde a pronta inciativa de Putin em auxiliar os americanos depois do ataque de 11 de setembro, até os desapontamentos generalizados provocados pela guerra no Iraque, que levaram a Rússia a retirar, por volta de 2005 se não me engano, qualquer apoio à “guerra contra o terrorismo”. A partir do pressuposto da “guerra contra o terror” a OTAN passou a se multiplicar como um câncer, tornando membros países como Lituânia, Romênia, e sei lá mais o que, numa clara violação às cláusulas de respeito mútuo que ampararam o acordo Ocidente-Rússia com o colapso da URSS. A única importância desses países, dessa expansão da OTAN, é sua proximidade com a fronteira russa. Tendo em vista esses desdobramentos, se compreende por que se tornou inaceitável para a Rússia contribuir para a caça aos terroristas.

A outra plataforma de tempo médio, mas de alcance um pouco maior, é a eleição de Bush pai para a presidência dos EUA. Fala-se muito em Reagan, na sua patota de neoliberais, etc., mas se esquece de dois detalhes importantes: foi com Reagan que quase se realizou um acordo em comum EUA-URSS em torno também de mísseis anti-balísticos (portanto, esse projeto é bem antigo e agora é implantado não para o fim da guerra, mas para provocar o início de uma), a Iniciativa de Defesa Estratégica, que foi frustrada pela quadrilha liderada por Kissinger, e que levou à prisão seu idealizador, Lyndon LaRouche, junto a inúmeros de seus associados. A eleição de Bush pai, por seu lado, colocou definitivamente no poder os neocons, seu núcleo duro, baseado no chamado “complexo industrial-militar”, que tem suas gloriosas raízes na Skull and Bones e na colaboração com os nazistas, liderada pelo então senador Prescott Bush. Numa comparação talvez um pouco bárbara, podemos dizer que comparar os malefícios de um governo Collor a um governo FHC é como comprar Bush pai e Reagan. Este e Collor parecem absolutamente ignorantes do bem e do mal diante do oligarquismo puro e duro, e todos os novos paradigmas (mais do que práticas políticas), por eles implantado. Não é um acaso que os “atentados” ocorreram com Bush filho (na verdade, neto). “Caçadores de marajás”, playboys de Maceió ou atores de Hollywood não servem de forma alguma para ocupar cargos relevantes, quanto mais a presidência da república!

Faremos um último paralelo, agora sobre o tempo longo, que para mim vai do assassinato de Kennedy até a implosão das Torres Gêmeas. Depois vamos estourar essa dicotomia estruturalista de “quente e frio” e vamos tocar – mas apenas tocar por enquanto – as camadas geológicas mais profundas, seguindo as lições do dr. Xarada (Mr. Challenge), o grande protagonista dos Mil Platôs, de Deleuze e Guattari. Essa história de tempo mais longo, na verdade a ponta de algo mais amplo, talvez iniciado com os poderes discricionários adquiridos pelo Império Britânico depois da Guerra dos Sete Anos, é um marco simbólico do povo estadunidense, principalmente de sua derrota sem retorno aos ditados do Império que desde o assassinado de Kennedy o vem recolonizando. A partir da derrota das políticas pró-industriais de Roosevelt, da falência agora irremediável, sob Obama, do programa espacial dirigido pela NASA, etc., da crescente desigualdade econômica no país desde a década de 1970, culminando com a volta dos Bush ao poder, do “complexo industrial-militar” e ao seu lacaio neocon Barack Obama – tendo como meio termo o fim da lei Glass-Steagall no mandato de Billy Clinton -, o Império sabe que suas horas estão terminadas e parte para concretizar seus objetivos de guerra total.

A decadência do povo estadunidense do assassinato de Kennedy até a implosão das Torres Gêmeas são o solo propício em que se debatem entre dois serial killers, Obama ou Hilary, e depois entre uma assassina e um psicopata, Trump. Não há solução institucional para os Estados Unidos da América. É quase uma “doutrina utópica” a luta pelo impeachment de Obama e o restabelecimento dos poderes do Executivo, ainda que seja a ação mais sana em toda essa loucura. O que importa, contudo, – e aqui pedimos licença ao dr. Xarada – é a dinâmica que a civilização ocidental vem adquirindo desde mais de dois mil anos. Não assistimos desde a Grécia clássica a ascensão e queda dos impérios no sentido tradicional. É difícil estabelecer os motivos, mas passou a haver sistemas de comunicação entre as antigas potestades. No caso, Roma vira um império grego na cultura, nos modos, ainda que tenha contribuído com suas próprias características, o que manteve o latim uma língua popular por ainda alguns séculos (não falo do latim dos eclesiásticos medievais). Roma se torna, nas palavras do historiador Paul Veyne, o “Império greco-romano”: não se pode compreender sua dinâmica sem estudar as duas sociedades em conjunto.

Mas a partir do Renascimento essa dinâmica se mostra de maneira mais clara. Portugal, talvez como Bagdá alguns séculos antes, se torna a capital do mundo. Ben Franklin, George Washington e Hamilton parecem fazer reviver as luzes da Itália em plena sociedade científica e fundam, de fato (o que não conseguiram os italianos na extensão que desejavam), uma república. Existe uma correlação muito interessante entre os antigos reinos da Antiguidade e os Estados-nação atuais. Não caberia aqui levantar as hipóteses sem fundamentá-las de maneira suficiente. O relevante é que, pelo menos desde o Renascimento, vemos os império ascenderem e caírem como sempre (Portugal, Espanha, Itália, França, etc.), terem seus momentos de glória (como também Bagdá), mas depois de seu período de ocaso, manterem sua identidade, seu poder, sua relativa autonomia. É o que os EUA estão se tornando hoje – e já a algum tempo -, a sombra de um poder ultrapassado. Com algumas características peculiares, contudo.

A dinâmica do desenvolvimento da autonomia, da soberania dos povos, nunca foi tão intensa, e hoje é indicada pela sigla BRICS (que por si só possuem mais da metade da população mundial), mas que carrega consigo uma série de outros países, do Oriente Médio, da África, da América do Sul, etc. Não se compara a força dessa dinâmica com a, por exemplo, dos países não-alinhados durante a Guerra Fria, onde o espaço de manobra era muito restrito e os projetos para o futuro ainda menos que embrionários. O planeta conseguiu sobreviver aos presumíveis executores do MAD num primeiro momento. Agora que o conflito parece inevitável, “o lado iluminado do planeta” parece dispor de forças suficientes para enterrar mais uma vez a hidra do nazismo. E é a inevitabilidade do crescimento desse novo renascimento global, capitaneado pela China, o que alarma os atlanticistas. Estes deslancharam a maior crise econômica da história, a maior guerra econômica jamais vista, e entraram com tropas ou não, com “protestos cívicos” geralmente, coloridos, e tentaram sacudir a soberania das nações, e vêem que essa talvez lhes seja a última chance. Por isso enlouquecem a ponto de ameaçar a todos com o Apocalipse.

Quero dizer que as aspirações de guerra total partem do mais profundo desespero da oligarquia financeira internacional de perder de vez seus postos de comando. A Rainha da família dos Guelfos Negros (e que só mudou de nome para Windsor depois da histeria anti-germânica pós-1914) terá que vestir vestes de servente se quiser sobreviver. O sistema financeiro transatlântico está irremediavelmente falido, e por isso procuram a guerra. Não podem controlar  sete ou oito bilhões, quem sabe dez ou quinze bilhões de pessoas num único e só mundo. A guerra será longa, será dura, e terá um nobre objetivo: tirar a dura capa de neomacartismo de todos esses cidadãos, mesmo os 99% de mestiços que compõem meu país. O que se avizinha, o que já chegou em realidade – e todos a estão vivendo em diferentes graus – aqueles períodos chamados de provação coletiva. Se assistirá a um grande jogo cujo resultado final é a continuidade ou não da humanidade como espécie. Mantemos a confiança em alta, a confiança nos incríveis progressos dos últimos vinte e poucos séculos – e agora com a ajuda do milenar oriente – de que um império irá ruir definitivamente, e que nos anos de reconstrução – talvez para essa tarefa o próprio deus Vulcano deverá ser chamado, devido às cargas tóxicas que a Terra fatalmente irá experimentar, junto com a chuva, a chuva constante – poderemos ver um novo renascimento, uma troca de moedas, de valores que regem a relação entre os Estados soberanos, voltados todos para o espaço, para lua, para Marte e além, num progresso que é irremediável caso não sucumbamos ao apelos dos atlanticistas, essa raça milenar que ainda continua a procurar destruir o planeta que os acolheu para sua regeneração. O importante é “Lutar, lutar. Temer jamais”, como com muita propriedade reivindicou a torcida mineira do Galo. Afinal, estamos a um minuto da meia-noite.

 

Agora tá explicado, Morô?

Depois de prender o Lula, Moro pode se aposentar. Quem sabe até em Miami, como o ilustre J. Barbosa. O que um salário de R$ 77.000,00 não permite, não é? Morô?

Mas, e daí? Muito bem pergunta Mino Carta:

 

Convoco novamente os botões: por quê? Parece óbvio que uma súbita dúvida assola a casa-grande. O caminho do golpe tenderia a bifurcar-se, e a encruzilhada exige meditação profunda ao tornar possível, quem sabe provável, uma escolha. Temer e o Congresso ou Moro e o Supremo? A leitura dos jornalões induz os botões a acentuarem a gravidade do momento e a dificuldade da opção.

 

O talvez maior editor brasileiro além de saber colocar boas questões, sabe temperar o debate com muito bom senso, apesar do pessimismo – e do sarcasmo – de sempre. O que não deixa de ser bom.

 

Há quem volte a falar em eleições gerais antecipadas, quem sabe para outubro de 2017. Solução sensata demais para ser viável. Ideal mesmo, declaram soturnamente os botões, seria refundar o Brasil, tão favorecido pela natureza e infelicitado fatalmente por uma dita elite, prepotente, arrogante, hipócrita, corrupta, egoísta e incompetente. Ah, sim, ignorante. E movida a ódio de classe.

 

“Solução sensata demais para ser viável”. Um exagero, acho que podemos acrescentar. Mas , a verdadeira piada não está no vídeo do comediante, mas no do profissional. Ali é uma confissão não só  golpe, mas de quem sempre foi menos o “Golbery” do presidente interino do que o presidente de fato.

Resta ainda alguma dúvida que Temer continua sendo o “vice decorativo”?

Agora, contudo, ainda fica uma questão. As gravações feitas por Sérgio Machado foram publicadas no fim do mês de maio, sendo que foram feitas em março – dizem. Se o processo de impeachment só foi votado no senado já quase chegando no meio do mês, por que as gravações só foram divulgadas talvez mais de dois meses depois de terem sido feitas? Dá para se argumentar que as gravações foram feitas como uma espécie de auto-proteção de Sérgio Machado. Tipo “se der merda” tenho isso aqui. Mas por que que não “deu merda” antes, mas só depois de 15 dias de governo interino? As gravações, inclusive por envolverem o presidente do senado, poderiam ter simplesmente bloqueado a votação da admissibilidade do impeachment. Mas a Folha de São Paulo resolveu que só daria merda no fim do mês, e soltou as gravações que supostamente colocariam o jornal novamente no “campo progressista”, pura estratégia de marketing como vários analistas já viram, triste reedição do “progressismo” do jornal durante o inevitável, as Diretas Já.

Talvez não seja querer demais que todos os jornais não acompanhem as falhas ridículas da gigante Globo, como no caso mesmo das Diretas, quando noticiou a festa pelo aniversário da capital paulista ao invés de falar o óbvio, o comício pela democracia. A Globo comete esses erros grosseiros, mas fica tudo meio que por aí, anestesiado pelo seu grande $$$$$. A Folha tem que se basear mais na moral e nos bons costumes, ser também camaliônica como o Caetano Veloso. Na falta de conteúdo e superabundância de capital tem que usar da dubiedade.

Logo, frente ao óbvio dessas gravações, é o que o Abertinho pergunta, clama, esbraveja: Por que não foram divulgadas antes? Imagina essas gravações com a tentativa de Waldir Maranhão… Não dá para se especular muito agora. Somente dá para concluir que é muito conveniente tudo isso vir só agora. Se viesse depois, já que a fonte é uma pessoa que teve a vida devassada pela PF em dezembro, traria ainda mais incredibilidade para o PIG, e poderia atear fogo no país caso fosse divulgada uma conversa de março depois de julgado o mérito do impeachment. Seria grotesco também porque deveriam paralisar a caça a Machado, e a Mani Lipute não para nunca. Mais uma de suas entranhas seria desvelada. A Torre de Londres caso fique um dia ou mesmo algumas horas inativa poderia ruir. Sei que Sérgio Machado poderia ter calado Renan na hora certa, e todo o PIG e os admiradores de J. Barbosa junto.