Como anda a loucura militar americana: os preparativos para a guerra com China

À primeira vista pode ser difícil de acreditar, mas pelo menos desde Bush pai, Donald Trump é o primeiro presidente americano que não iniciou uma guerra no exterior. Ele traz isso, talvez, como seu único fator positivo, o que o faz manter sua promessa de campanha de 2016. E se de fato continuar assim será uma imensa vantagem. Contudo, Mike Pompeo não dorme um dia sequer sem pensar em como recolocar a máquina bélica em pleno funcionamento…

Do outro lado, os democratas trazem todo o Partido da Guerra com eles (consenso bipartidário) e nenhuma boa proposta para a economia. É até curioso: recentemente, a OTAN virou ambientalista e finalmente promoveu o tão esperado encontro da máquina política da guerra com a da destruição econômica, ou seja, o Green New Deal.

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A posição de Trump diante do complexo industrial-militar

O atual debate de teor acadêmico transplantado para as redes sociais, um suposto embate entre stalinismo e liberalismo, só pode ser considerado um debate político de segundo ou terceiro grau, porque ajuda mais para confundir do que para entender o casamento singular nos dias de hoje entre o modelo da soberania e o da biopolítica. Tanto Stálin quanto Vargas, Mussolini, Hitler e Perón (entre outros) são exemplos de poder soberano de tipo autocrático, e que não sem um delicado debate podem se tornar ou não comparáveis.

O lado positivo do desentendimento que vemos foi o escancarar dos crimes dos liberais, tanto em sua vertente clássica quanto na que se estabeleceu no pós-guerra. Contudo, o debate de teor acadêmico acaba caindo no ridículo: Domenico Losurdo e Hannah Arendt aparecem como polos opostos, quase como se fossem rivais intelectuais, enquanto Churchill e Stálin se engalfinham para ver quem foi melhor ou “menos pior”.

O pequeno texto que segue é um breve estudo de caso, cujo intuito é mais esclarecer o debate político atual e mostrar, a partir de articulações já bem estabelecidas, as ambiguidades, limitações e perigos do singular casamento no séc. XXI entre soberania e biopoder.

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A democracia distópica da intelectualidade bem-pensante

Em meio ao caos da guerra civil vivida nos EUA, chama a atenção como comentaristas brasileiros tratam com complacência (para dizer o mínimo) os bons tempos da presidência do Partido Democrata. Em 2016, último ano de governo de Obama, os EUA jogou 26171 bombas sobre suas vítimas, em maioria pessoas alheias aos seus combates. É um aumento de dez vezes o que seu predecessor, George W. Bush, fez durante sua guerra ao terror. Ainda em 2016, também sob Obama foram feitas guerras encobertas a cerca de 70% das nações do mundo, isto é, 138 países – um salto assombroso de 130% em relação ao seu predecessor do Partido Republicano.

Não só analistas brasileiros, mas astros estadunidenses como LeBron James ou Brad Pitt fazem a campanha dos meios de comunicação tradicionais, os mesmos que inventaram as bombas nucleares no Iraque e que levou ao ciclo de destruição do Oriente Médio, ainda em curso. O que se espera, pelo menos dessa chamada “intelectualidade bem pensante” é que se consiga pesar algumas diferenças significativas entre a atual presidência e a anterior. Não é por acaso que republicanos como Bush e ultrabelicistas como Hillary Clinton se alinhem em favor da candidatura de Joe Biden. Isso é só vira-latismo por parte dos brasileiros ou remete a uma incompreensão ainda mais profunda das grandes transformações que o mundo vem passando atualmente?

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Novilíngua em Belarus

As discussões a respeito das chamadas “fake news” dizem respeito bem mais aos meios pelas quais elas são reproduzidas do que por seu conteúdo. Caso algum giro antropológico fosse de fato detectado, ou seja, algo que tivesse alterado em ampla escala a capacidade de se proliferar notícias falsas, o caso de estudo número 1 deveria ser a campanha dos grandes jornais corroborando a suposta existência de armas nucleares no Iraque, logo no início do século.

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A guerra da CIA contra a NSA e os golpes na América do Sul

Um povo degradado e sua elite mentirosa

Os americanos são tão mentirosos que conseguiram, como que por uma metáfora, transformar o grande corpo objetivável da Terra em camada de ozônio. Tudo isso parecia ter entrado num breve ocaso ou passado a operar de forma menos intensa na virada do século: ascensão da China e recuperação da Rússia (rearticulação do eixo eurasiático), e a recuperação do sonho de desenvolvimento dos países do antigo 3º mundo, com seu centro de poder a partir da América do Sul (integração sul-americana + eurásia = BRICS).

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Pleníssimo Emprego vs Renda Básica

Renda básica como populismo?

Na reorganização da economia internacional após a crise de 2007-8, a agenda ONU-2030, lançada em 2015, lançou pela primeira vez o que hoje múltiplos atores chamam de “reset” da economia global. Os três pilares, já ensaiados na própria crise acima mencionada, são a emissão monetária massiva, a reconversão industrial em robotização mais economia verde e programas de renda mínima para a população. O projeto ocidental, em linhas gerais é esse.

Frontalmente contra esse projeto, está o projeto da Nova Rota da Seda (se visto da China) ou da Grande Eurásia (Se visto da Rússia). Se voltarmos um pouco no tempo, este projeto potencialmente estava na iniciativa BRICS. Quais seus pilares? Crédito de longo prazo voltado para múltiplos projetos de infraestrutura e conectividade, ciência e tecnologia (incluindo a fusão nuclear e o incremento exponencial dos programas espaciais), parcerias políticas estratégicas multi e bilaterais.

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Da montanha de derivativos a economia de quarentena

Nunca antes na história mundial se produziu tamanha soma de ativos podres quando surgiu a crise financeira de 2007-8. Contudo, as medidas keynesianas tomadas pelos governos ultraliberais europeus e americano hoje parecem uma brisa inofensiva frente a ofensiva quantitativista atual. Até agora foram impressos mais de 5 trilhões de dólares, só nos EUA, com o coronavírus como pano de fundo, contra 15 trilhões de dólares emitidos ao longo de mais de 10 anos que sucederam a crise anterior.

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Estado Profundo versus América Profunda

Depois das imensas provocações da OTAN contra a Rússia que tiveram seu auge entre 2014-16, ou seja, até o período da eleição de Trump e do Brexit, cada vez ficou mais claro que a orientação unilateral dos poderes fáticos e financeiros ocidentais sofreu uma ruptura. A campanha anti-Rússia ficou a cargo dos democratas e liberais, enquanto havia uma distensão das tensões militares. Por outro lado, o processo de regionalização das economias ou o anti-globalismo se tornou evidente no Atlântico norte.

Como disse em uma série de outros textos, parecia haver um racha entre as elites. De um lado, uma orientação liberal-financista e outra para o que no nazismo se chamou de “sangue e terra”. O modelo econômico único imposto após o fim da URSS não existia mais. Esse é um movimento relativamente recente e peculiar a Europa e aos EUA: países sem história recente de lideranças públicas comprometidas com o desenvolvimento nacional, muito menos partidos políticos populares organizados, de massa ou o histórico de lutas, como na América do Sul, contra as ditaduras e neoliberalismo. Para eles, em medida maior do que para nós, parece que a única escolha é entre o velho capitalismo ou a anarquia.

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O capitalismo dependente da república militar e o imperialismo 3.0

O desenvolvimento da dependência (1968-2002)

Com o fim da União Soviética, o mundo passou a viver com um modelo econômico único, o liberalismo dos banqueiros-financistas. No Brasil, o governo do PSDB deixou 64 milhões de pessoas na fome, quebrou o país por três vezes e criou uma política de longo prazo, de amarras ficais (tripé macroeconômico) que ajudaram na contenção das políticas expansionistas e industrializantes dos governos do PT, como também foram os fundamentos econômicos para a guerra midiática diária contra um governo de base popular.

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