A lógica da Guerra Fria no séc. XXI

Um conceito referência do período das lutas operárias antes da 2ª Guerra Mundial, o de Greve Geral, parece hoje tão impossível quanto ostensivamente fica “sob os olhos” das organizações operárias. A lógica da Guerra Fria foi tão tóxica às organizações populares que, depois da reorganização das relações internacionais com o fim do sistema de Bretton Woods em 1971 [aqui], um caso clássico de greve geral foi a organizada no Chile contra o governo de Salvador Allende.

Continue lendo “A lógica da Guerra Fria no séc. XXI”

O genocídio do social

O psicanalista Táles Ab’Sáber diagnosticou como a realidade psicopolítica brasileira a “alucinose”, ou seja, “uma distorção efetiva da capacidade de pensar fundada na necessidade de saturar a realidade com desejos que não suportam a frustração, bem como no impacto corrosivo dos mecanismos psíquicos ligados ao ódio sobre o próprio pensamento” . Embora ele falasse, na ocasião exclusivamente da ascensão da extrema-direita e do discurso do ódio, pode ser visto o profundo estado de transe pelo qual passava (ou ainda passa) todo o país, sem importar qual posição social ou político-ideológica que se esteja.

Continue lendo “O genocídio do social”

Políticas da memória, doutrina de guerra e neoliberalismo

Joel Rufino dos Santos

“A naturalidade e a aceitação da prática de tortura atualmente é uma das heranças da nossa escravidão. E é significativo que ela só fosse publicamente condenada quando atingiu militantes políticos, ou seja, durante a última ditadura civil-militar”.

Classe e memória

Pode ser sugerido, a partir dessa afirmação de Joel Rufino dos Santos, que a prática da tortura, que ocupou pelo menos 4/5 da história brasileira, com a escravidão, só foi condenada publicamente quando atingiu os setores de classe-média ou os militantes políticos? Se for assim, qual é o escopo, atualmente, de uma política da memória verdadeiramente abrangente? E onde ela se encontra hoje, pois não está mais no Estado e, talvez, não seja fabricada de forma ampla na academia?

Continue lendo “Políticas da memória, doutrina de guerra e neoliberalismo”

A crise de identidade das elites brasileiras

A rede Globo foi formada, durante a ditadura, como aparelho bolchevique de propaganda do aparelho de Estado. À exceção de parte do mandato de Collor, ela apoiou incondicionalmente todos os governos da elite brasileira.

Desde Médici, que limpava as roupas sujas de sangue para ver o ‘Brasil dando certo” no JN, até os escândalos mais tenebrosos dos mandatos de FHC, os crimes mais hediondos sempre foram ocultados.

O ataque errático da Globo ao governo Temer e agora ao de Bolsonaro, personagens que a emissora se empenhou em colocar no poder, mostra a profunda crise de identidade das elites nacionais.

Sem uma solução armada, como na ditadura, ou com a fábula do Plano Real (acabar com a inflação e aumentar a carestia), as elites não tem mais a quem recorrer.

A elite, como nunca antes, está gravemente ferida. Cabe a reorganização do campo popular para derrotá-la, ao menos, pelos próximos 10 ou 15 anos.

O fim da onda da “direita lisérgica”?

A grande pergunta não é sobre a supostamente desaparecida “burguesia nacional” ou a ausência de “generais nacionalistas”. A pergunta versa sobre os motivos de o Golpe continuar ativo, apesar de todos os atos contraditórios dos golpistas. Quem ainda sustenta um governo insustentável? Como fazem isso? Qual o caminho para se reverter o mais rápido possível o atual estado de coisas? Como em 2002 na Venezuela, na América do Sul novamente a população rechaça o neoliberalismo e o arbítrio fardado. Terá chegado o fim da “direita lisérgica”?

Continue lendo “O fim da onda da “direita lisérgica”?”

Pela exoneração de Lyndon LaRouche

Com a prisão de LaRouche, os EUA e o mundo foram privados de seu mais ilustre homem de Estado e economista. Porque as políticas de LaRouche para substituir a pilhagem mortal de Wall Street e da City de Londres por uma justa Nova Ordem Econômica Mundial de desenvolvimento universal em alta tecnologia, centenas de milhões de pessoas ao redor do mundo permanecerem na pobreza e dezenas de milhões perecerem sem necessidade. Foi somente com a recente adoção da China de políticas muito similares àquelas propostas por LaRouche há 50 anos, que o genocídio foi interrompido ao menos em boa parte do planeta.

Trecho do obituário de Lyndon LaRouche escrito pelos editores da EIR.
Continue lendo “Pela exoneração de Lyndon LaRouche”

E os neoliberais querem voltar a ser “social-democratas”…

Liberalismo bonitinho e cheiroso

A posição atual de Andre Lara Resende não pode ser vista em separado das movimentações de Jorge Paulo Lemann. Se o PSDB foi praticamente a madrinha do golpe de Estado, forneceu quadros técnicos e planos políticos-econômicos para o governo Temer e, como que numa falha de cálculo, pariu o liberalismo tosco de Guedes e Bolsonaro, nada mais natural que essa ala “mais esclarecida” do liberalismo tenha que influenciar a política nacional com uma roupa diferente. Capitalismo e anarquia.

Continue lendo “E os neoliberais querem voltar a ser “social-democratas”…”

Comissão Nacional da Dívida Pública

Um pirata defendendo o tesouro nacional? Fábula ou ficção científica?

Texto sobre piratas nacionais e estrangeiros e a necessidade de extirpá-los. Eles aparecem agora com uma cara amigável, um fascismo de aparência democrática, economicamente pousando como neokeynesianos: somente um processo ainda mais radical do que a Comissão Nacional da Verdade, que buscou apurar os crimes da Ditadura, poderá remover a usurpação das riquezas nacionais e ser um auxílio fundamental na volta do estabelecimento do Estado Democrático de Direito.

Continue lendo “Comissão Nacional da Dívida Pública”

Notas sobre a Nova Teoria Econômica

Procura-se importar para o Brasil um debate econômico estrangeiro, um novo pós-keynesianismo, na busca de se justificar o aumento dos gastos públicos. Quem trouxe a atual efeméride não é ninguém menos que André Lara Resende, economista do Plano Real e chamado por Paulo Henrique Amori de André “Haras” Resende, porque, depois de ficar rico com o monetarismo aplicado nos governos FHC, transportava seus cavalos em jatos particulares. Teria esse debate algum valor para a atual situação econômica brasileira?

Continue lendo “Notas sobre a Nova Teoria Econômica”