A Crise dos Refugiados Atinge o Mundo Inteiro: a Única Solução é o Desenvolvimento Econômico

O importante do acordo entre a Coreia e os EUA é que ele foi costurado junto com a Rússia e a China. Isso não foi um ato isolado das partes. Os EUA não teriam poder de dissuasão sem o apoio do Putin e do Xi Jinping. Mas o mais importante é que essa atitude do Kim Jong-un veio logo após a Rússia ter anunciado sua nova classe de armamentos, o que colocou os EUA na defensiva, e de conversas entre a Coreia do Norte e os países asiáticos no ano passado, durante o Fórum Econômico realizado em Vladivostock. Dali passou a ser costurado o acordo.

A crítica ao discurso do Trump deve ser feita no sentido de que 90% do que ele fala é jogo de cena. Já foi esquecido que esse encontro foi adiado recentemente porque um dos membros de seu governo queria uma solução estilo Líbia para a Coreia. Isso pegou muito mal e se teve que adiar essa conversa. Teve um artigo publicado no Diário da Liberdade que penso traduzir bem esse jogo de cena, espécie de “Você congela, eu congelo”, que não tem nada a ver com o que ocorre de fato: https://gz.diarioliberdade.org/artigos-em-destaque/item/233682-resultados-reais-do-encontro-trump-kim-voce-congela-eu-congelo-e-coisas-engracadas.html

O importante desse encontro é a disposição do Trump para o diálogo. Isso pode parecer irrealista, mas foi exatamente isso que o fez ganhar as eleições. Os democratas continuam com a defesa da política de “mudança de regime”, da criação de “zonas de exclusão aérea” (essa era a proposta da Hillary para a Síria, o que inevitavelmente levaria a um conflito com a Rússia, já que o apoio dos russos aos sírios se baseia na força aérea; e mais, a “zona de exclusão” serviria para abater qualquer aeronave que não pertencesse à OTAN, estando ou não em voo; dá para se imaginar daí as consequências), além da defesa do liberalismo econômico mais ortodoxo, tanto dentro quanto fora das fronteiras do país.
Coloca-se o Trump como um “inimigo da democracia”, mas é desse tipo de democracia à ocidental. Na verdade, ele tem todas as características, se nos basearmos apenas nas manchetes da grande mídia, de um Putin americano. É caricato. Não é por outro motivo que se alardeia agora sobre a prisão de crianças, fato tão antigo na história daquele país e que, num passe de mágica, vira culpa do “autocrata”. É para desviar a atenção do significado histórico desse encontro. Mais do que um suposto acordo de paz, o fato é que o desmantelamento, nos EUA, do “Russiangate”, permitiu agora ao Trump avançar mais em seu contato com os países asiáticos, inclusive ao colocar novamente na pauta um encontro com Putin, algo fundamental desde a última aventura na Síria.
O que eu concluo das conversas com os amigos que tenho nos EUA é que com a Hillary não haveria solução de continuidade para uma política de détente entre americanos e russos. Estaríamos próximos ao precipício, como chegamos algumas vezes com o governo de Obama, tanto por sua promoção às revoluções coloridas, como pela pretensão de continuar o avanço da OTAN no leste europeu e a construção do escudo anti-mísseis (com potencial não só de defesa, mas de ataque nuclear) nas fronteiras com a Rússia. Esse é o lado sombrio. E tem toda a história a respeito da Nova Rota da Seda, que é um programa já em curso em inúmeros países asiáticos, em parte da África, comparado a um Plano Marshall pelo menos 100 vezes maior. A iniciativa de cooperação econômica encabeçada pela China é a única solução para superar os problemas do Oriente Médio, conectando a Europa a Ásia, como foi o objetivo de grandes lideranças no século XIX como Gabreil Hanotoux, na França, Sergei Witte, na Rússia, e Bismarck, na Alemanha. 
Bom, mas falar mais ultrapassa os objetivos dessa nota: o discurso tão criticado de Trump aparece, para nós, descontextualizado. Mas como texto abaixo é de uma estrangeira, de uma alemã falando da situação internacional e dos EUA em particular, não dá para se pedir tanto (ou seja, que se contextualize para nós, que desnaturalize sua fala). E que se conheça o trabalho de quem escreveu para se poder criticar com mais propriedade sua fala.

O texto abaixo foi traduzido por mim para a Executive Intelligence Review […]

A mídia e o Quarto Poder

Teria Paulo Henrique Amorim traduzido em livro um antigo thriller hollywoodiano?

 

Falam que a mídia é o Quarto Poder, mas o que deveria ser esse “quarto poder” no país seria a Constituição, por cima dos outros três poderes. Como a Constituição não foi regulamentada na maioria de seus dispositivos, a mídia toma seu lugar e, se não cria a regulamentação, gera a jurisprudência, o entendimento. Atualmente há um encontro, talvez inesperado, entre a chamada “mídia progressista” e a “mídia conservadora”, ambas a favor do Golpe. O que muda é o grau de cinismo e a multiplicação da desinformação.

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Teoria do domínio da mídia

A questão da “teoria do domínio da mídia” ressignifica boa parte do que foi criticado como a “teoria do domínio do fato”. Elas simplesmente pulverizam qualquer visão superior para dar conta dos inumeráveis fatos, em boa parte conflitantes, e nivelam por baixo o que poderia ser uma visão integradora, hegemônica, em favor do Brasil.

Nesse caso, a chamada “mídia progressista” abraça a velha mídia e cantam em conjunto.

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Paradigmas para o combate a fome: China, Cuba, Brasil

 

Tanto a China quanto a Rússia, nos últimos anos, tem anunciado metas ambiciosas de combate à pobreza. Como tudo o que é chinês, é grandioso o que se diz naquele país sobre o fim da fome e da miséria. Contudo, somente depois de cumpridas condições bem particulares, os dois países asiáticos se lançaram nessa campanha. O Brasil continua sendo, no século XXI, o modelo para outros países. Não muito diferente do que foi Cuba para o século passado. O ponto a ser considerado é por que, até hoje, a atenção ao social se moveu de maneira paralela, porém não concomitante, ao desenvolvimento científico e tecnológico. E isso desde os grandes surtos industrializantes no século XIX, seja nos EUA ou na Alemanha, como casos clássicos.

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Genocídio e liberalismo

voyager1.net

A facção liberal internacional aponta hoje para um ainda mais estranha imagem do “fim da história”: de um lado, um sistema bancário/financeiro que não consegue viver sem juros baixos, próximos a 0%. Como uma instituição financeira sobrevive sem seu lucro primário, ou seja, o que vem dos juros dos empréstimos bancários? Ainda mais, a possibilidade de aumento da taxa de juros coloca em risco a solvência de todo esse sistema montado ao redor da City de Londres e Wall Street.

Por outro lado, a facção ultraliberal, com seus expoentes mais significativos nos EUA e Europa, lançam uma campanha de guerra incidiosa contra a Rússia e a China, seja pelo !eixo do Pacífico” criado por Obama para conter os “avanços chineses” no chamado Mar da China, com o avanço da OTAN nas fronteiras da Rússia e o uso do “direito de proteger” invocado por Tony Blair em 1999, num prelúdio do que seria todas as justificativas para as “intervenções humanitárias”, desde a Guerra do Iraque até hoje.

O iminente colapso do sistema financeiro transatlântico, como apontado por inúmeras instituições internacionais de diferentes visões políticas, assim como a crescente escalada militar que parte do ocidente para o oriente, traçam duas linhas que podem convergir e levar à impossbilidade de qualquer regime chamado liberal no planeta. O genocídio anda de braços dados com o liberalismo, seja em ações de baixa intensidade (medidas de austeridade econômica, sanções econômicas, guerra comercial, etc.), até a criação de golpes de Estado e a ameaça de guerra, numa etapa bastante acelerada de uma nova Guerra Fria, muito mais “quente” que a anterior.

É essa dicotomia entre liberalismo e genocídio que procurei explorar nesse artigo.

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Lula e não Sérgio, mas Aldo Moro

O cativeiro de Aldo Moro. Qualquer coincidência com a prisão política de Lula pode não ser mero acaso.

Olhar para a história italiana da década de 1970 é como olhar para a história atual do Brasil num espelho invertido. Lá, a derrota começa com o assassinato de seu maior líder político, Aldo Moro. A tentativa de assassinato político de Lula, que é vista no conjunto onde se vemos o processo de impeachment, a tentativa de fechar o Partido dos Trabalhadores, e a imposição impopular de medidas econômicas colonizadoras, parece que faz reverter o sentido da história. A facção ultraliberal se move aceleradamente para o suicídio. O problema é que, antes disso, querem levar a maior parte da população junto com eles.

Para quem acha que comprar Lula com Mandela ou Gandhi é extremamente vago ou só serve para colocar nosso maior líder político como morto, o caso de Aldo Moro mostra uma continuidade real com o caso Lula, ou seja, permite traçar uma continuidade histórica quase que concreta entre casos distintos, e que demonstra o similar desenvolvimento das mesmas forças políticas, tanto do lado retrógrado quanto de movimentos progressistas da humanidade.

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Aldo entre as “novas” esquerda e direita

 

Aldo Rebelo foi para o PSB disposto a “bater chapa” com o Joaquim Barbosa. Sua permanência no partido seria fundamental para procurar fazê-lo voltar a suas origens, que remontam à militância do avô de Eduardo Campos, Miguel Arraes. Com escolha de Joaquim Barbosa sem a necessidade de eleições internas, ganhou a ala dos oportunistas, a ala paulista e golpista, e ele saiu fora. Dizem alguns que Aldo está “um pouco perdido”. Deve estar mesmo, já que perdeu para a “nova esquerda” no antigo partido dele (com suas pautas multiculturalistas e identitárias) e agora para a “nova direita” com a infeliz trajetória do PSB, mas isso não retira a importância política dessa discreta e importante liderança política, para muito além do tipo de “esquerdismo ilustrado” dos que defendem Ciro Gomes.

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Um caso claramente julgado, mas não esclarecido pela lei

Lula recebe o carinho de crianças no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, de onde acompanhou atos pelo país – Ricardo Stuckert – Brasil de Fato

 

O ato sublime

É incontestável que Lula foi mais do que julgado. Como é corriqueiramente, cotidianamente, desde que emergiu à cena pública, às vezes de forma mais ou menos vigorosa (para o bem ou para o mal), outras de maneira branda, tal como fato consumado (para o bem ou para o mal). Ele agora foi suficientemente julgado de maneira formal, porém nada foi esclarecido legalmente. Contudo, Lula conseguiu criar o fato político que o Moro não queria que fosse criado. Se anos atrás vivemos momentos históricos com o sapo barbudo quando ele sempre dizia “nunca antes na história desse país”, não foi diferente os últimos dias em São Bernardo do Campo. Não é porque é tragédia que não é um momento sublime. Momento dos poetas e dos titãs. […]

Como nasceu o termo “fake news”? O “Russiangate” e a crise política nos EUA

MIKHAIL/POCHUYEV/TASS/ALAMY

Os jornais da imprensa internacional inventaram o termo “fake news” logo após a eleição de Donald Trump nos EUA. Foi uma vitória que surpreendeu muitas pessoas e os ultraliberais de lá (facção que interpartidária, neoliberal e pró-guerra, como Hillary Clinton e John McCain) começar a acusar os russos de terem interferido nas eleições americanas. É como Putin sempre diz quando perguntado sobre o assunto (ver a entrevista dada a NBC logo após seu pronunciamento bombástico em 1º de março): “Não existem qualquer provas de que o Estado russo tenha interferido em eleições estrangeiras. Contudo, nenhum ofício do governo americano foi enviado à minha administração. O que existe são acusações da imprensa e de ex-funcionários do governo hoje investigados. Os EUA dizem para mim que podem interferir nas eleições de qualquer país porque estão levando a democracia, mas os russos não podem porque são autocratas” (tradução não literal da entrevista acima citada). […]

Putin Dá um Novo Choque ‘Sputnik’: “Eles agora terão de nos ouvir!”

Declaração Anual de Putin a Assembleia Federal, 01 de março de 2018 – Moscou (en.kremlin.ru)

A exclusão da Rússia dos tratados ABM (sobre a construção de mísseis anti-balísticos) em 2002, assim como a crescente presença da OTAN nas fronteiras russas (considerada uma “Crise dos mísseis” invertida”), principalmente depois do golpe de Estado na Ucrânia, fizeram com que a Rússia de Putin respondesse de maneira surpreendente às ameaças de guerra, fazendo lembrar os dias mais angustiosos da Guerra Fria.
 
Quando vemos em ação o chamado “perigo vermelho” por aqui, principalmente no campo da esquerda, que sofre seus ataques, vemos que participamos de um enredo muito mais amplo e complexo – e perigoso. Qualquer semelhança com a década de 1960 não é coincidência. 
 
Abaixo, o artigo traduzido por mim para a Executive Intelligence Review


Por Helga-Zepp-LaRouche, fundadora do Instituto Schiller Internacional

Para ler o artigo completo no formato pdf, em inglês, clique aqui.


Atualizado, com a revisão final do texto, em 9 de março de 2018.

Por Helga-Zepp-LaRouche, fundadora do Instituto Schiller Internacional

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