A Nova Rota da Seda nos mostra a visão para o futuro da humanidade

Helga Zepp-LaRouche
Helga Zepp-LaRouche, esposa do estadista norte-americano Lyndon LaRouche e fundadora do partido alemão Büso (Solidariedade), ganha atualmente fama inusual, somente menos inesperada no sentido em que, para lembrar o filósofo italiano Giorgio Agamben, vivemos nem tanto um “estado de exceção” (ainda não de todo consolidado, apesar da hegemonia mundial dos neocons a partir dos governos dos Bush, pai e filho), mas um momento excepcional. De um lado as ameaças inconfessáveis, porém não menos alarmantes, de guerra por parte dos atlanticistas; de outro, um novo mundo que se ergue, baseado fundamentalmente nos BRICS (mais da metade da população mundial), com liderança inconteste de Rússia e China, mas que tem no Brasil e nos países latino-americanos uma base perpétua para sua consolidação em escala planetária, influindo diretamente em nossos arrogantes vizinhos do norte do continente, os quais, se não adotarem “um novo paradigma civilizacional”, caminham inexoravelmente para o fracasso, para o genocídio, para a falência histórica, em suma.



Em momentos excepcionais como esse surgem grandes líderes. Na verdade, essa liderança é antiga e marcou boa parte de nossa história recente, aquela em que frequentemente tivemos que lidar com a ameaça de extinção em massa da humanidade. Lyndon LaRouche, no ápice da Guerra Fria, foi a liderança mais sagaz de seu país, e do mundo de um modo geral, ao propor a Iniciativa de Defesa Estratégica, um conjunto de medidas para cooperação militar entre os EUA e a URSS, sem a qual não se poderia pensar a paz e o desenvolvimento conjunto dos povos. Falho o intento de consolidar a IDE (fato que o levou junto a seus associados logo depois à prisão política, num processo secreto movido por Henry Kissinger), LaRouche propôs a criação de um triângulo produtivo Berlim-Paris-Viena, num prognóstico em que dizia ser irreversível a queda da União Soviética, mesmo quando ninguém ainda se dava conta disso.

Desse primeiro projeto sua esposa esboçou o que ficou conhecido como a Ponte Terrestre Mundial, um projeto de paz e cooperação econômica para todos os continentes do planeta. Viajando pela China no início da década de 1990, passou a ser conhecida por lá como a New Silk Road Lady: a Ponte Terrestre Mundial se transformava em Nova Rota da Seda. Nos últimos anos, nos últimos meses com ainda mais intensidade, os países asiáticos tem se desdobrado na execução e na finalização de um sem número de obras que compõem o grande projeto, que é o Colosso que se ergue para enfrentar os assustadores espectros de holocausto nuclear que cada vez mais claramente a OTAN promove. Convidada para participar dos preparativos para a próxima reunião do G-20, Helga Zepp participou recentemente de um desses encontros chamados Think-20, onde novamente defendeu os extensos projetos de desenvolvimento que compõe a nova rota, na perspectiva econômica chinesa da cooperação “ganha-ganha”, como a construção de trens de alta velocidade para integrar os países, corredores de desenvolvimento,  a construção de usinas nucleares para dessalinização da água e o reverdejar das áreas desérticas, assim como da ionização no ar – ou seja, a construção de novas cidade, novas rotas econômicas, incontáveis novos empregos e capitais direcionados para a economia física, produtiva, e não para a ciranda dos cassinos financeiros.

Como introdução a essa apresentação da sr. Rota da Seda, coloco primeiro um curto vídeo em que seu marido, ainda em 1997, defendia o projeto – infelizmente ainda sem tradução para o português. O vídeo que segue, filmado essa semana, é onde ela conta sobre suas impressões depois da participação do Think-20, na China, e os dois diferentes paradigmas econômicos que hoje perigam entrar em colapso. 






Mais abaixo, nos dois textos, são duas palestras delas traduzidas por mim para o site em português da Executive Intelligence Review (esses e outros mais textos da revista podem ser acessados por aqui), e que seguem a características de outras publicações minhas nesse blog, ou seja, como pensar “de cima” os paradigmas políticos; como se utilizar de uma concepção científica superior para atender aos grandes anseios da humanidade. Como destaque, são as postagem sobre o poderoso senso de imaginação de Johannes Kepler nas suas descobertas reveladas no livro Harmonia Mundi (POSTAGEM AQUI), escrito por mim, mas também os dois trabalhos de Shawna Halevy, Pensando o não-visto e o Pensando sem palavras. Também, para finalizar por enquanto, os dois textos sobre Prometeu, aquele que trouxe o fogo da ciência para a humanidade. Um, de Aaron Havely, O Princípio Oligárquico; o outro, Como o homem vê seus deuses, escrito por mim sob inspiração do texto anterior, que traduzi.
Em futuras publicações nesse blog trarei a visão da Ponte Terrestre Mundial, do paradigma dos BRICS, para a América como um todo. Como ressalva, meu texto recém-publicado sobre a história do Instituto Tavistock, de engenharia social e manipulação de massas, foi também amplamente inspirados nos trabalhos da Executive Intelligence Review, pioneira em desvendar essa história obscura, indecente, capitaneada pela realeza britânica. Mas, antes dos dois vídeos prometidos e dos textos que se encontra aí abaixo, segue como introdução uma fala recente de Helga Zepp-LaRouche nos Diálogos de Raisina, na Índia, em que apresenta e defende o – com muita probabilidade – projeto mais luminoso que hoje temos na humanidade, e em plena execução, o da Nova Rota da Seda. Em seguida, um curto vídeo com tradução para o português. Para quem tem interesse em ver mais outro vídeo sobre o assunto, pode acessar nossa antiga publicação “Se falar de Moro, por quê não falar dos BRICS”.

É imperdível também, para quem domina o inglês, a entrevista que deu à TV chinesa, onde se explica a gênese de toda essa história. Segue abaixo, para logo depois os dois textos prometidos.

NICOLAU DE CUSA NOS MOSTRA O CAMINHO PARA CRIAR UM NOVO RENASCIMENTO
Zepp-LaRouche fez estas observações (por vídeo-conferência) na conclusão de seu discurso para a 25ª conferência de aniversário do Conselho Eleitoral dos Cidadãos (Citizens Electoral Council, CEC), organização associada a LaRouche na Austrália, em 17 de maio de 2013.
Eu estou muito feliz por vocês terem feito de Nicolau de Cusa um fator tão importante em sua conferência, porque tenho me convencido, desde que descobri suas ideias há muitos anos atrás, que elas são o melhor fundamento para retirar o mundo de sua crise existencial. Nicolau era bastante consciente do que estava escrevendo, especialmente a partir do De Docta Ignorantia, tão revolucionária que nunca tinha sido pensada antes, que ele estava, com seus escritos, começando uma nova era. E se você olhar para trás para ver o efeito de seus trabalhos, você realmente poderá ver que ele estava absolutamente correto; que seus escritos marcaram a diferença entre a obscura Idade Média e os tempos modernos.
Ele conscientemente rompeu com o escolasticismo que dominava as universidades naquele tempo, que era o debate sobre quantos anjos podem sentar na cabeça de uma agulha, e também com as estúpidas visões mecanicistas dos Peripatéticos, que também era uma ideologia de destaque na época. E ele muito conscientemente introduziu um método completamente diferente de pensamento. A mais famosa ideia disso é a de coincidentia oppositorum, que é o princípio de que o Uno tem um poder superior ao Múltiplo, num modo que irei especificar imediatamente.
Também, na De Docta Ignorantia, como nos diálogos O Leigo e em vários sermões, ele rejeitou totalmente a ideia do homem adquirir conhecimento através da experiência sensorial. No famoso sermão da Trindade de 1444, ele desenvolve a ideia de que a concepção dos objetivos do intelecto humano determina a estrada sobre a qual a mente viaja rumo a esse objetivo; ele chamou isso de praesuponit – o futuro define o presente. Aquilo que a mente e a fé definem como um objetivo é o que define o modo de como consegui-lo e qual caminho tomar. O conhecimento, portanto, não é a extensão lógica da adição de todos os conhecimentos existentes do passado, mas aquilo que ansiamos por encontrar, que está igualmente em nossa fé e em nossa intenção.
Ele chegou numa concepção profunda da criação do universo físico, a qual foi a base para Kepler, posteriormente, descobrir a gravidade. Ele acreditava na união completa da fé e da ciência, e essa visão permitiu Kepler chegar a sua descoberta superando Copérnico e Ptolomeu. E Cusa igualmente teve a mesma ideia maravilhosa: de que quanto mais você estuda o universo, as leis da Criação, mais se torna claro de que tudo isso deve ser trabalho do tremendamente amoroso Criador.
Concordantia

Nicolau também teve a ideia de que o universo é totalmente determinado pela mudança, que essa mudança tem um desenvolvimento ascendente, e que nem a Terra ou o sol são o centro do universo – e isso foi realmente o início da ciência moderna. Ele também teve a ideia da concordantiano universo e entre a humanidade: de que existe uma coesão entre as leis do macrocosmo – o universo como um todo – e as leis do microcosmo, que são os poderes cognitivos do homem; e que essa concordantia só é possível se todo o microcosmo se desenvolver da melhor maneira possível, e não numa direção linear; mas toda a unidade na multiplicidade é baseada no princípio superior por meio do qual o processo inteiro da totalidade é desenvolvido de modo complexo, como no desenvolvimento de uma fuga, por onde o desenvolvimento de um é necessário para facilitar o desenvolvimento do outro.
Cusa presumiu a ideia da concordância no universo, baseado no princípio de desenvolvimento que também deve ser a base para uma melhor ordem mundial hoje. Isto deve ser absolutas nações soberanas como microcosmos desenvoltos, e essa é a ideia do Concordantia Catholica, baseado no sistema representativo, que os governantes e os governados devem se reportar ao outro numa relação recíproca, por meio da qual os governantes se encarregam de fornecer o melhor possível em termos de bem comum aos governados, e os representantes se encarregam dos interesses dos governados, e também representam o bem comum dos governantes.
Isso é uma ideia muito importante, porque essa concepção do sistema representativo foi realmente pela primeira vez realizada por completo na constituição estadunidense. Cada microcosmo, portanto, só poderá preencher todo seu potencial ao fornecer o melhor desenvolvimento possível para o outro microcosmo. Se você aplicar isso na política – e isso foi feita na Paz de Westfália [1648], aonde o princípio do “interesse do outro” veio exatamente dessa ideia cusana – e isso levou ao fim dos 150 anos de guerras religiosas na Europa. Se você aplicar isso na política atualmente, então o melhor desenvolvimento possível de uma nação deve incluir o melhor desenvolvimento possível de todas as outras.
Os “Objetivos Comuns da Humanidade”

O que isso significa concretamente para a Austrália é que a Austrália deve ter como interesse próprio que a China se desenvolva da melhor forma; também, o Japão e todos os países do sudeste asiático, e vice-versa. Obviamente, isso só é possível se todas essas nações estiverem unidas aos objetivos comuns da humanidade.
Quais são os “objetivos comuns da humanidade”? Obviamente, isso significa que essa condição indigna, miserável, na qual a maioria da civilização se vê como resultado das políticas do Império, deve ser superada. Essa pobreza deve ser eliminada, a fome deve ser eliminada, e isso deve ser eminentemente possível e factível através da realização de todos os diferentes projetos da Ponte Terrestre Mundial, que também pode ser a base para a paz nas relações com a Rússia, com a China, com o Japão, e com muitos outros países.
Isso só é possível porque o Uno é superior em poder ao Múltiplo. E a humanidade como um todo é uma ideia superior do que as das muito diferentes culturas e religiões. Isso igualmente foi a ideia básica de outro escrito de Nicolau de Cusa, escrito por ele depois da queda de Constantinopla, o De Pace Fidei, onde 17 homens sábios de diferentes nações, e culturas, e religiões, pedem a Deus conselhos; e enquanto outros falavam de um choque de civilizações, numa forma imatura, ele teve a ideia de que só havia um Deus, uma Verdade, e uma Religião, e ele também falou sobre uno religio in rituum varietate, “uma religião com diferentes ritos”, o que era uma ideia incrivelmente progressista para um cardeal do século XV!
A criação do universo físico, de acordo com Nicolau, acontece através da criatividade do homem, e ele ainda vai mais além ao dizer – e, de novo, isso foi no século XV – que depois do aparecimento da humanidade, o processo contínuo da Criação ocorre através dos atos criativos do homem, que são indubitavelmente importantes.
Ele também tinha a noção de manuductio, que é basicamente uma pedagogia, explicando como esse processo de desenvolvimento ocorre. E ele tinha uma imagem, como se fosse a metamorfose de uma planta, onde a mente começa com a semente, e então através de um múltiplo processo cognitivo, alcança a dimensão plena do desenvolvimento de uma árvore com seus ricos frutos, que então produz muito mais sementes e muitas outras árvores.
Um novo método filosófico

Nicolau era consciente de que tinha desenvolvido um histórico novo método filosófico, e ele também, no De Docta Ignorantia, especialmente no segundo livro, desenvolveu o que se pode chamar de uma antologia do universo. Ele chega a dizer que o preenchimento do universo é a cognição e a criatividade do homem, que isso é a vis creatrix, o “poder criativo” expresso na ação do homem como imago viva Dei, como “imagem viva de Deus”, que dirige o universo.
No De Docta Ignorantia, ele diz: “Toda nossa maior atenção afirma a unidade, de que a fé é o anseio por conhecer. Porque em cada faculdade, no significado de cada disciplina científica, estão colocadas algumas pressuposições, o credam praesuponum nuntur, o primeiro princípio que só pode vir da fé e fora da qual o discernimento sobre aquilo que precisa de investigação pode ser atingido”.
Isso é uma ideia muito interessante, porque é a ideia de que se a ciência e a fé são o mesmo, e se você tiver uma crença naquilo que tem de ser parte da ordem divina da Criação, então sua mente irá procurar isso, e na sua investigação, você irá voar como um pássaro rumo ao seu objetivo, onde o pássaro faz isso como que instintivamente; onde o objetivo é definido, a estrada segue daí.
Você encontra nesses pensamentos pela primeira vez em toda a escrita histórica e literária, uma discussão de como o método de hipótese realmente funciona, como você desenvolve o pensamento por flancos, como você cria uma ideia musical ou poética ao ter essa ideia superior, que é o objetivo que então pode ser desenvolvido, da mesma maneira que um grande compositor tem uma ideia musical antes de desenvolver a composição; como um poeta tem uma ideia antes de compor o poema. Isso é um método muito importante, que deve ser a base para colocar em coesão nosso presente ordenamento político e econômico.
Portanto, eu penso que em Nicolau de Cusa você encontra ideias cruciais, todas belas ideias; por exemplo, a prova sobre a imortalidade da alma, na qual Nicolau argumenta que o fato da alma criar todas as artes – as ciências, geografia, música – e isso permanece para sempre, significa que o que cria essas coisas obviamente deve ter um poder superior às coisas criadas, e desde que as coisas criadas são imortais, o criador, também, deve ser imortal.
Nicolau também teve a bela ideia de que o homem, em determinado ponto de desenvolvimento da humanidade, pode, com rigor científico, definir a próxima inovação necessária ao conhecimento. Agora, não é aquilo que conhecemos hoje, quando dissemos que o futuro da humanidade deve tornar a humanidade em sua identidade como uma humanidade no espaço? De que todo o conhecimento que temos sobre os perigos vindos do espaço, vindos de asteroides, dos perigos de nosso sistema solar num par de bilhões de anos até agora – de que devemos ter a ideia do objetivo, onde a próxima inovação científica deve estar, no intuito de garantir a existência da humanidade? Nicolau também teve essa ideia no século XV e assim, penso que quanto você o estuda se torna mais alegre e esclarecido.
Caso o Império Britânico prevaleça, tanto financeiramente, e no sentido de sua doutrina militar, é bem plausível que a humanidade seja extinta, e iremos provar que não tivemos mais inteligência do que os dinossauros. Mas eu tenho um otimismo fundamental de que o universo é tão belo, as ideias do Criador são tão poderosas, de que o plano do Criador é tão belo e forte para isso acontecer se fizermos nosso trabalho.
Então, portanto, vamos agir com todos os poderes que temos para usar essa mudança histórica que ocorre agora[1]para colocar a ordem política e econômica em coesão com as leis do universo. Se fizermos isso, penso que o futuro da civilização será o mais brilhante possível, e eu penso que estamos no meio da luta. Glass-Steagall[2]é agora uma proposição realista, então vamos nos mover com toda nossa força para implementá-la em sua totalidade globalmente, e avançar mais, para implementar um Renascimento.


[1]Na abertura de seu discurso, Zepp-LaRouche mencionou a introdução em 14 de maio, pelo senador Tom Harkin, do projeto de lei Glass-Steagall dentro do senado estadunidense, como representando “um largo passo em direção ao salvamento da civilização das garras do abismo”.
[2]Glass-Steagall é a lei de separação bancária aprovada durante a presidência de Franklin Roosevelt, fundamental para a constituição de seu New Deal. Separar os bancos de crédito (economia produtiva) dos bancos de investimentos (economia de cassino), junto a Comissão Pecora (de investigação dos crimes financeiros durante as especulações que levaram à bancarrota de 1929) e grandes projetos de infraestrutura foi a base de governo do talvez maior presidente dos EUA no século XX. A retomada desse projeto, destruído durante o governo Clinton, está na discussão dos congressistas norte-americanos, como também se discute versões dele para serem aplicadas na Europa, em meio à crise econômica atual, em especial em países como a Itália.


Nicolau de Cusa, autor do clássico A Douta Ignorância

UMA VISÃO PARA O FUTURO DA HUMANIDADE

Helga Zepp-LaRouche, fundadora do internacional Instituto Schiller (www.schillerinstitute.org), ministrou essa palestra para a sessão plenária de encerramento de 7 de outubro de 2013 para o World Public Forum Dialogue of Civilizations, realizado entre 4 e 7 de outubro, em Rhodes, Grécia. Zepp-LaRouche compareceu anteriormente aos Fórum de Rhodes em 2003, 2006, 2008 e 2009 (quando Lyndon LaRouche também palestrou). Subtítulos foram adicionados.
Senhoras e senhores,
Foram discutidas muitas questões importantes durante os últimos dias, mas eu concordo com o professor Dallmayr, de que nós não podemos concluir essa conferência sem antes focar a realidade que nós, como civilização, estamos na iminência de uma guerra termonuclear. A possibilidade de um ataque militar no Irã; a escalada da situação entre Síria e Turquia; a implantação de porta-aviões dos EUA no Pacífico Ocidental próximo a estas ilhas contestadas, e a afirmação [da Secretária de Estado] Hilary Clinton de que qualquer ataque a essas ilhas pode levar à ativação do tratado militar EUA-Japão; a concordância do governo espanhol dos escudos anti-mísseis da OTAN – todos esses desenvolvimentos demonstram que nós estamos em um perigo mortal.
Durante as últimas semanas, o perigo existencial na qual a espécie humana agora se encontra se tornou claro para todas as pessoas pensantes. A quase contínua política de “mudança de regime”, depois do colapso da União Sovética, bombardeou o Iraque “de volta a Idade das Pedras”, mergulhou a Líbia na anarquia, transformou o Afganistão num pesadelo, e vitimizou o Estado secular da Síria com intervenções estrangeiras e guerras religiosas, e, no caso de operações militares contra o Irã, pode levar a um incêndio incontrolável de proporções mundiais.
O Oriente Próximo e Médio ameaçam tornarem-se novos Bálcans, onde as alianças existentes, como aquelas anteriores a Primeira Guerra Mundial, os conduza à conflagração. O impensável pode acontecer: aquela Destruição Mútua Assegurada não mais funciona como um estorvo, mas armas termonucleares são empregadas, levando à extinção da raça humana. Não em algum tempo possível, mas dentro das próximas semanas.

Indo de encontro a uma parede de tijolos

A dinâmica que está conduzindo o perigo de guerra é acentuado pela aceleração do colapso do sistema financeiro trans-Atlântico. A expansão de liquedez que [o presidente do Federal Reserve Ben] Bernanke nomeou eufemisticamente de “Quantitative Easing III” é somente tão hiperhinflacionário quanto o “o que for preciso” de [presidente do Banco Central Europeu] Mario Conti, em relação à compra ilimitada de títulos públicos por meio do Banco Central Europeu. A impressão hiperhinflacionário de dinheiro, em conexão com a austeridade brutal – na tradição do Chanceler Brüning – contra a população e a economia real  já teve um efeito deencurtamento da vida de milhões depessoas na Grécia, Itália, Espanha e Portugal, e ameaça derrubar a Europa numa tempestade de fogo de caos social.
A humanidade está num processo de se abater contra uma parede de tijolos em alta velocidade. A questão que nós devemos urgentemente responder é se a espécie humana, confrontada com sua própria destruição, é inteligente o suficiente para mudar de rumo a tempo, do ruinoso paradigma presente de tentar consolidar um império mundial, e a legitimação fingida da resolução de ocnflitos geopolíticos pelos meios da guerra, e trocar esse paradigma por outro que seja viável para a humanidade.
Para resolver esse problema, nós devemos introduzir um problema epistemológico: Nós devemos repudiar as relíquias dos métodos de pensamentos ancorados no sistema oligárquico, incluindo conceitos de projeção dedutiva, positivista, empiricista, monetarista, ou de estatística linear que expressão um mal infinito, como pertencem a uma concepção de mundo que não tem nada a ver com as leis do universo físico real, nem com a criatividade da razão humana.

Pensando a partir “de Cima”

Em vez disso, devemos elaborar – com a mesma criatividade de Nicolau de Cusa, Johannes Kepler, Gottfried Leibniz, Johann Sebastian Bach, Ludwig van Beethoven, Friedrich Schiller, Vladimir Vernadsky ou Albert Einstein, para nomear só alguns – uma visão para um melhor futuro para a humanidade, que, com certeza, só poderá ser realizada quando forças suficiente se unirem entre si para esta boa causa.
Tal visão nunca poderá ser o resultado de um pensamento aristotélico, ou se transformar num “consenso” para a resolução de muito pequenas questões colaterais, isto é, pensando por “baixo”, mas vem de pensamentos “de cima”. Nicolau de Cusa, com seu método de coincidentia oppositorum, a coincidência dos opostos, por meio do qual o Uno é de uma ordem superior de poder que o Múltiplo, lançou a pedra fundamental em que não só o princípio da Paz de Westfália e o direito internacional foram construídos, mas também um método universal de problema / e resolução de conflitos, que ainda é válido atualmente.
Isso significa que devemos começar com a definição dos propósitos comuns da humanidade. O que pode ser mais importante do que a questão ontológica do “esse”, significando que nós somos capazes de assegurar a sustentação prolongada da existência da espécie humana?
Pela virtude da legitimidade do universo físico anti-entrópico, a existência duradoura da humanidade requer um constante aumento da densidade do potencial populacional relativo e uma contínua expansão dos fluxos de densidade energética nos processos produtivos. Se nós queremos encontrar uma solução para a dupla ameaça existencial da humanidade – o perigo de uma guerra termonuclear mundial e a crise econômica sistêmica – então o novo paradigma deve ser por si mesmo coerente com a ordem da criação. Nós precisamos de um plano para a paz nesse século XXI, uma visão que simultaneamente inspire a imaginação e as esperanças do homem.
Apesar de ter nas mãos todos os meios científicos e tecnológicos para garantir condições humanas de vida, enquanto existem por volta de um bilhão de pessoas sujeitas a fome e a má-nutrição, enquanto 25000 crianças – uma pequena cidade – morre diariamente por fome, enquanto 3 bilhões vivem na pobreza e lhes são negados os direitos humanos, isso não é então nosso dever sagrado implementar agora esses meios? Nós precisamos de uma estratégia de desenvolvimento de larga escala, construída sobre as idéias das Décadas de Desenvolvimento das Nações Unidas, dos anos 1950 e 60, rejeitanto totalmente a mudança de paradigma dos últimos 40-50 anos como a trilha errada, e assim reviver a idéia de “Paz através do Desenvolvimento”?

A Ponte-Terrestre Mundial

Tal visão pode ser a da implantação da Ponte-Terrestre Mundial com seus muito grandes projetos como NAWAPA, o túnel sob o Estreito de Bering, o desenvolvimento do Ártico, a expansão da Ponte-Terrestre Euroasiática, acima de tudo no Próximo e Médio Oriente e no subcontinente indiano, incluindo a ligação da Ponte-Terrestre Mundial com a África através de túmeis sob o Estreito de Gilbratar, ligando Espanha e Marrocos, e também entre a Sicília e a Tunísia.
Existem duas grandes regiões nesse planeta onde a falta de desenvolvimento clama por vingança, o primeiro sendo o continente africano, ao qual nunca foi permitido se recuperar dos longos séculos de exploração colonial; e o segundo sendo o Oriente Próximo e Médio, que estão atualmente muito atrás de seus períodos de ouro, quando Bagdá era o centro da cultura mundial, ou quando Palmira Tadmur, na Síria, era uma pérola na antiga Rota da Seda. Nós devemos colocar na agenda para discussão a visão para uma Renascença econômica e cultural, representando um elemento de razão de alto nível, ao invés dos conflitos locais, étnicos e históricos. Onde os representantes de um grande número de nações levem tal mensagem à comunidade mundial, mostrando que, de fato, existe uma alternativa real que possa fazer possível a sobrevivência de todas as pessoas nesse planeta, então os elementos de esperança podem ser postos em debate, que agora estão completamente ausentes.

A Defesa Estratégia da Terra

O mesmo tipo de pensamento que usa do ponto de vista da coincidentia oppositorum, o pensar “por cima”, como aplicável à superação do subdesenvolvimento na Terra pela Ponte-Terrestre Mundial, também é preciso para defender todos nós no planeta dos perigos que vem do espaço. A Rússia, com seu projeto de Defesa Estratégia da Terra, DET, fez uma proposta de cooperação de Rússia e EUA, e potencialmente mais países, que articule mísseis de defesa e a proteção da Terra de asteróides e impactos de cometa, que podem substituir a atual confrontação geopolítica e a escalada da ameaça existencial.
O projeto DET está na tradição da IDE, Iniciativa de Defesa Estratégica, que propõe a superação da ameaça nuclear e a divisão do mundo em blocos militares, desenvolvido por meu marido Lyndon LaRouche 30 anos atrás, e que o presidente Ronald Reagan tornou a política oficial do governo americano em 1983.
O projeto DET, o qual inclui sistemas de alertas prévios para catástrofes naturais ou feitas pelo homem, assim como cooperação em vôos espaciais tripulados, é o absolutamente necessário condutor científico que uma economia mundial dominada pela crise necessita para conquistar níveis elevados de produtividade e criar novas capacidades científicas e tecnológicas que também são precisas para a solução dos problemas na Terra. As viagens espaciais tripuladas feitas de maneira conjunta é o próximo passo necessário para a evolução da humanidade. E com esse “imperativo extraterrestre”, assim como chamado pelo renomado cientista e engenheiro espacial Krafft A. Ehricke, a humanidade poderá entrar agora no estágio de maioridade, deixando para trás, como doenças da infância, a resolução de conflitos por meio da guerra.

Os propósitos comuns da humanidade

Se nós prontamente tivermos sucesso em unificarmos a nós mesmos ao redor da visão de conquistar os propósitos comuns da humanidade, e conscientemente apresentar essa perspectiva como uma estratégia de anulação das guerras, então isso poderá inspirar a imaginação das gerações mais jovens, que agora são ameaçadas mundo afora pelo desemprego em massa e a desesperada falta de fé. Se as pessoas jovens desenvolverem as mesmas paixões e elevados conceitos como os pioneiros da viagem espacial uma vez fizeram, quem agora está encorajado pelos instrumentos que o viajante de Marte, Curiosity, está empregando, e que agora mudou a experiência sensorial do homem, reconhecidamente, com um atraso de 14 minutos, o mundo entrou numa nova fase espacial; se os jovens desenvolverem essa paixão, então nós ganhamos. Na nova fase da humanidade, o homem irá pensar como cientista e como os compositores das grandes obras de arte Clássicas.

Nós ou agimos agora, nesse momento de perigo existencial, pelos propósitos comuns da humanidade, ou nós não iremos existir.


O gráfico da tripla curva criado por Lyndon LaRouche: porquê as medidas hiperinflacionárias (bail-out) ou recessivas (bail-in) não condizem com o incremento da economia física (vulgarmente chamada de “economia real”)

A Nova Rota da Seda se transforma na Ponte Terrestre Mundial

O Império Britânico por detrás do golpe no Brasil (Executive Intelligence Review)



           Tradução para o português do artigo publicado originalmente na Executive Intelligence Review, traduzido por mim e disponível no site da revista em português.

Por Cynthia Rush

          Por pelo menos um ano a grande mídia no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa, tem publicado um artigo atrás do outro louvando os salmos da operação Lava Jato, investigação sobre propinas e corrupção no Brasil, envolvendo a firma estatal Petrobrás, as maiores empreiteiras nacionais como a Odebrecht, e a presidenta Dilma Rousseff ou “Dilma”, como é conhecida dentro e fora do país, que teve o pedido de abertura do processo de impeachment decretado em 12 de maio e teve que se afastar para responder às acusações a respeito de supostos “crimes de responsabilidade”. Manchetes sensacionalistas gritavam a toda prova sobre a “corrupção massiva”, subornos e lavagem de dinheiro reveladas pela Lava Jato, e a “cultura da impunidade” que isentou os políticos, legisladores e empresários da responsabilidade por seus delitos. Jovens e agressivos procuradores e juízes foram içados a heróis nacionais por lutarem para resgatar a “democracia” no Brasil.
Todos esses acontecimentos foram retratados pela mídia internacional como questões internas limitadas ao meio ambiente político brasileiro. Na verdade, contudo, a abertura do processo de impeachment contra Dilma Rousseff, assim como as ações tomadas contra a ex-presidenta argentina Cristina Fernández de Kirchner, e a determinação em extinguir as forças patrióticas, progressistas, nos dois países, devem ser vistas dentro do contexto da mobilização pré-guerra agora totalmente desfraldada pela aliança transatlântica do governo Obama com o Império Britânico, ao qual ele serve. Além da destruição do povo brasileiro e argentino, são a China e a Rússia os alvos de Londres e Washington: tudo o que está acontecendo deve ser compreendido no contexto da escalada militar da OTAN na Europa ocidental e das provocações dos EUA contra a China no sudeste asiático. Tudo isso é um prelúdio da guerra global.


A “Mani Pulite” no Brasil
Que isso esteja claro: não existe revolução “democrática” ocorrendo no Brasil. Esse é um golpe de banqueiros internacionais, uma “revolução colorida”, ordenada pelo Império Britânico com um único objetivo: mergulhar o Brasil na ingovernabilidade que será sentida no restante da América do Sul, forçando-o a sair dos BRICS ou a diminuir seu peso nele, e se “realinhar” com a Washington de Obama e com os cadáveres do sistema financeiro transatlântico. O presidente interino Michel Temer e o ministro das Relações Exteriores José Serra, cujo governo é no mínimo frágil, já jurou lealdade às insanas perspectivas políticas de Obama, e se prepara para arruinar o Mercosul e aderir ao Tratado de Livre Comércio do Pacífico (TPP), e assim promover a agenda liberal de Washington.
Nunca houve nenhuma evidência que justifique o impeachment de Dilma a não ser o fato de que os interesses do Império Britânico precisam da desestabilização do Brasil – é a sétima maior economia do mundo, com imensos recursos naturais e humanos – para alcançar seus objetivos geopolíticos. A maioria dos senadores que “votaram por sua consciência” para o impeachment de Dilma são investigados em denúncias provenientes da Lava Jato ou por malfeitos anteriores. O modus operandi preferido aqui é o mesmo da operação mani pulite ou “Mãos Limpas” realizada contra a Itália, na década de 1990, para desmantelar suas instituições nacionais e facilitar a conquista do país pelos especuladores financeiros controlados pelos britânicos. O juiz treinado pelo Departamento de Estado norte-americano, Sérgio Moro, que inclusive tem sido cotado como um futuro candidato presidencial, publicamente se disse seguidor do “modelo” mani pulite, avaliado positivamente num artigo publicado por ele em 2004, “Considerações sobre a Operação Mãos Limpas”. Ele está em contato constante com o FBI e o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ).
De acordo com fontes citadas pela edição de 21 de maio do Estado de São Paulo, o DOJ mantém “contato constante” com as autoridades do judiciário brasileiro “na procura por informações sobre corrupção e também para colaborar com as investigações brasileiras”.
O papel da Argentina
A Lava Jato começou a operar no Brasil já no final de 2014, assim que Dilma foi reeleita ao derrotar o candidato de Wall Street, Aécio Neves, em novembro daquele ano. Mas foi a eleição do monetarista fanático, Maurício Macri, na vizinha Argentina em novembro último, e sua mudança na economia e na política externa em alinhamento com os Estados Unidos, que fortaleceu os agentes da Lava Jato a acelerar o passo, sabendo que poderiam contar com o suporte de Macri. Assim que ele tomou posse, em dezembro, começou imediatamente a reverter as políticas nacionalistas de sua predecessora, Cristina Fernández de Kirchner, e fez saber ao governo Obama que seria um aliado de total confiança.
Foram Macri e Obama que responderam à abertura do processo contra Dilma com pronunciamentos praticamente idênticos, dizendo que os “processos institucionais” deveriam ser respeitados e que deveriam seguir seu curso não importa o que ocorresse. Isso traçou um nítido contraste com o posicionamento da Unasul, a Organização dos Estados Americanos, e de outros governos, que disseram que o impeachment violentava as normas legais.
Um dos primeiros atos de Macri no governo – indicando onde estão suas lealdades – foi fazer um acordo com os fundos abutres que afligiram a Argentina por mais de uma década e cujas demandas Fernández e seu falecido marido e predecessor, Néstor Kirchner, rechaçaram. Sob investigação por duvidosas atividades financeiras próprias e de sua familia, em fundos off-shore, como revelado pelos Panamá Papers, e denunciado por sua defesa púbica do banco da Rainha, paraíso dos traficantes de drogas, o HSBC, sob indiciamento,  Macri lançou sua própria caça às bruxas ao estilo mani pulite contra a ainda muito popular presidenta, usando uma facção aliada no judiciário para acusá-la, sua família e aliados políticos por desvios, lavagem de dinheiro e fraude na esperança de encarcerá-la.
O juiz de confiança de Macri, Claudio Bonadio, já tinha indiciado Fernández em um processo, mas outros estão a espera para serem abertos. Em 19 de maio, o jornal londrino Financial Times citou um executivo do novaiorquino Eurasia Group lamentando que faltava à Argentina a capacidade para executar “uma investigação séria e extensiva” do tipo Lava Jato, como se faz no Brasil.
Em discussão com seus associados em 12 de maio, dia em que Dilma foi afastada, o diretor-fundador da EIR, Lyndon LaRouche, alertou que se o Império Britânico não atingir seus objetivos através de golpes ou do encarcelamento de Dilma e Cristina Fernández através de acusações criminais, eles podem recorrer a assassinatos.
São os britânicos, estúpido
Dilma está correta ao afirmar que é vítima de um golpe, mas erra ao identificar os autores como unicamente seus inimigos políticos internos – apesar de que outrora ela soubesse. As pegadas britânicas estão em toda a desestabilização do Brasil. Em seu coração está o governo de Obama, dirigido desde  Londres, seu DOJ e o FBI, que vêm dirigindo a Lava Jato e sua expansão incessante, coordenando-a diretamente com os procuradores “anticorrupção” locais, treinados pelos EUA, para estabelecer um governo de, para e pelos fundos especulativos abutres e hedge.
Soma-se a isso o fato de que os “movimentos sociais” organizadores da revolução colorida, como o Movimento Brasil Livro (MBL), são proponentes apaixonados das políticas de Margaret Thatcher, do fascismo imperial britânico da “Escola Austríaca de Economia” associado ao infame Friedrich von Hayek. A Fundação Atlas da Escola Austríaca – generosamente financiada pelos estadunidenses irmãos Koch, os bilionários neocons magnatas do petróleo – noticiaram ano passado que muitos dos membros do MBL “passaram através do primeiro programa de treinamento da Atlas Network, a Atlas Leadership Academy, e agora aplicam in loco o que aprenderam”.
O MBL, que dominou as marchas anti-governo em São Paulo, o centro da oposição no país, durante o ano, é uma das muitas entidades financiadas pelos Koch – incluindo o Instituto pelos Estudos Humanos e Estudantes para a Liberdade – que compuseram as tropas de choque anti-governo. A sucursal brasileira do Instituto Ludwig von Mises ficou em êxtase quando soltaram 10.000 balões com o slogan “Menos Marx, Mais Mises” em uma das manifestações anti-Dilma, em São Paulo.
Enquanto esses esquadrões de artilharia engrossam o coro nas ruas da caça às bruxas anti-Dilma, Armínio Fraga – antigo executivo do Quantum Fund criado pelo agente britânico e defensor internacional da legalização das drogas George Soros – manobrava por detrás das cortinas para assegurar que os corretos clientes de Wall Street comporiam o débil governo de “Salvação Nacional” de Michel Temer, que não é apenas odiado, mas também investigado pela Lava Jato, assim como metade de seu gabinete.
Fraga já deu o aval para a aprovação do “time dos sonhos”, assim chamado pela Goldman Sachs, selecionado pelo Ministro da Fazenda Henrique Meirelles, antigo quadro do FleetBoston Global Bank, a quem foi dado poderes extraordinários para impor a política econômica draconiana pedida por Londres e Wall Street, começando por cortar pensões, reduzindo os direitos trabalhistas e os programas sociais. A explosão social que seguirá pode levar o Brasil rumo ao caos.
Completa o quadro, o papel exercido pela poderosa Rede Globo, que utiliza de suas armas para espalhar suas mentiras e calúnias contra Dilma, declarando-a culpada e pedindo seu afastamento. A EIR anteriormente documentou as ligações da Rede Globo com os mais altos níveis de interesses britânicos, incluindo suas ligações com os fanáticos por depopulação, o World Wide Fund for Nature (World Wildlife Foundation), criado pelo real consorte príncipe Felipe e pelo príncipe Bernardo da Holanda, membro oficial do Partido Nazista.
Tirando o “B” dos BRICS
A política de “mudança de regime” no Brasil tem como meta o início de uma era de golpes fascistas na Ibero-América, acompanhados das políticas de livre-comércio dirigidas por Londres – e por Wall Street – para levar a cabo as políticas do Império Britânico de depopulação e destruição econômica.
Em 2005, no Encontro das Américas ocorrido em Mar del Plata, Argentina, o então presidente Néstor Kirchner e seu parceiro brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, esmagaram George W. Bush quando ele propôs que as nações-membro adotassem a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) para Ibero-América. Bush foi humilhado e a ALCA não chegou a lugar algum.
Agora o objetivo é impor em todo continente alguma versão atualizada do derrotado esquema de Bush. Para alcançá-lo, os interesses financeiros imperiais devem tirar o “B” dos BRICS, mergulhando o Brasil no caos institucional e destruindo suas mais avançadas capacidades científicas e tecnológicas, como na Argentina, que são vitais tanto para o desenvolvimento regional quanto nacional, particularmente no contexto do paradigma dos BRICS.
A dinâmica dos BRICS na Ibero-América surgiu de fato em julho de 2014, no encontro anual dos BRICS, em Fortaleza, tendo como anfitriã Dilma Rousseff. Quase todas as nações da América do Sul e Central e o Caribe, através de suas organizações representativas regionais (a União das Nações da América do Sul, UNASUL; o Mercado Comum do Sul, Mercosul; e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), abraçaram ali os BRICS, vendo em seu Novo Banco de Desenvolvimento e nas ofertas de cooperação no desenvolvimento da economia física feitas pelo presidente chinês, Xi Xinping, e pelo presidente russo, Vladimir Putin, uma alternativa real à agenda ambientalista e de “austeridade” oferecida pelo governo de Obama, o Banco Mundial e o FMI.
Antes e depois do encontro, Xi, Putin e o Premier chinês, Li Keqiang, visitarem separadamente vários países da região e assinaram importantes acordos, incluindo financiamentos – alguns deles para grandes projetos de infraestrutura nas áreas de energia nuclear, transporte, manufaturas, comunicações e transferência de tecnologia. Dois dos grandes projetos postos sobre a mesa – que inspiraram grande entusiasmo pelo seu potencial em transformar toda a região – são o grande Canal Interoceânico da Nicarágua e a proposta da ferrovia transoceânica do Brasil ao Peru, incluindo uma possível rota através da Bolívia.
A “delação premiada” desenfreada
Foi para destruir essa perspectiva ganha-ganha que a Lava Jato foi posta em ação, com a coordenação direta entre o DOJ norte-americano, o FBI, e o juiz Moro e seu time de jovens e ambiciosos procuradores, muitos deles treinados em Harvard.
Moro não é só um juiz ambicioso. Em 2007, respondendo aos apelos do embaixador dos EUA no Brasil, Clifford Sobel, Moro conseguiu uma bolsa de estudos para passar três semanas nos Estados Unidos, que incluía um programa de treinamento no Departamento de Estado. Sobel, anteriormente um dos fundadores e sócio-gerente do Grupo Capital Valor em Nova Iorque e no Brasil, esteve muito bem conectado com os círculos financeiros internacionais. Condoleezza Rice estava à frente do Departamento de Estado no momento, sob as ordens do presidente George W. Bush, cujas políticas econômicas não eram diferentes daquelas esposadas pelas tropas de choque da Fundação Atlas nas ruas de São Paulo – e pelo governo Obama.
Fora a vanglória com que modelou sua caça às bruxas com a mani pulite, Moro louvou as virtudes do sistema de delação premiada do FBI, peça central do modus operandi da Lava Jato. Usando prisões preventivas de seus alvos para extrair “delações premiadas”, e o vazamento seletivo de informações e insinuações extraídas das delações para a grande mídia, o que se iniciou com o ataque à Petrobrás hoje atinge cerca de 230 empresas brasileiras e tem como alvo um número incontável de políticos. Nenhum banco ou fundos hedge foram tocados!
O FBI e o DOJ justificam seu papel central na Lava Jato utilizando como pretexto a lei anti-corrupção estadunidense (Foreign Corrupt Practices Act, FCPA), que diz que qualquer empresa estrangeira que emitir ações no mercado dos EUA pode ser investigada e monitorada. Carlos Fernando dos Santos Lima, educado na universidade de Cornell e membro da equipe de procuradores que trabalha para Moro na capital do Paraná, Curitiba, se jactou para a Reuters em novembro de 2014 que os procuradores brasileiros estavam em coordenação “por meses” com o DOJ, a Securities and Exchange Comission (SEC), e o FBI. Isso foi menos de um mês após a reeleição de Dilma Rousseff, evento que impediu momentaneamente o ataque generalizado ao Brasil.
Por volta de agosto de 2015, um encontro decisivo ocorreu envolvendo o advogado do doleiro detido Alberto Youssef, que acordou uma delação premiada com os procuradores da Lava Jato em troca de informações. No encontro estava um agente do FBI, mas também representantes britânicos e norte-americanos dos fundos de pensão e dos fundos hedge que abriram acusações criminais contra a Petrobrás, na esperança de ganharem bilhões com as alegadas “perdas” resultantes do esquema de corrupção! Foi acordado naquele encontro de agosto, que Youssef assinaria sua delação premiada com as autoridades dos EUA – e não com as brasileiras.
Em 22 de setembro, o advogado de Youssef, Antonio Figueiredo Basto, viajou aos Estados Unidos para negociar os termos específicos da “cooperação” de seu cliente com o FBI e o DOJ.
Nesse encontro foi combinado que Patrick Soles, então diretor do FCPA, entidades do DOJ (agora subchefe sênior do Departamento de Fraudes), viajaria pessoalmente para Curitiba, em outubro, para encontrar por quatro dias com o juiz Sérgio Moro, sua equipe de procuradores, e Youssef, para traçar quais seriam os próximos passos da Lava Jato. Durante esse mês, o presidente da câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, ele mesmo alvo da Lava Jato, anunciou que estava abrindo o processo de impeachment contra Dilma Rousseff.
A presença contínua do FBI no caso é tão flagrante, que George “Ren” McEachern, diretor do escritório anti-corrupção do FBI em Washington (Field Office International Corruption Squad), esteve no Brasil faz duas semanas, onde ele foi o orador principal para o “Quarto Congresso Anti-Corrupção”, ocorrido entre 17 e 18 de maio, em São Paulo, organizado por Thompson Reuters e a companhia LEC (Legal, Ethics, Compliance). Anunciada como a maior encontro sobre “compliance empresarial” da América Latina, a Lava Jato é o grande tema desse ano.
É também relevante que o DOJ e o FBI ofereceram recentemente ao Ministro da Justiça argentino, Germán Garavano, a troca de experiências na “clarificação” de dois casos em que os juízes e procuradores aliados de Macri abriram para implicar Cristina: o do atentado a bomba ao centro social judeu AMIA em 1994, em que o Irã foi acusado, e as suspeitas sobre a morte do procurador federal Alberto Nisman, em janeiro de 2015, que estava investigando Cristina por um suposto encobrimento do papel do Irã nos atentados no AMIA.
Em 20 de janeiro de 2015, Nisman agendou apresentar no Congresso um dossiê pouco sólido elaborado por ele com as supostas evidências que Cristina Fernández encobriu o papel do Irã no atentado, mas ele foi morto um dia antes da data agendada. Imediatamente a mídia que fala por Wall Street e Londres, tanto na Argentina quanto internacionalmente, levantou a acusação sobre a culpabilidade de Cristina, ainda que três diferentes juízes federais descartaram o dossiê de Nisman por falta de evidências.
Destruição econômica
Até agora, a Lava Jato, funcionando como bola de demolição, teve sucesso em paralisar a economia do Brasil, partiularmente mirando naqueles setores fundamentais para o desenvolvimento da economia física, os de avançada capacidade científica-tecnológica, enquanto deixavam aproximadamente dois milhões de pessoas desempregadas. Foi preso o pai do programa nuclear brasileiro, o Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, acusado de corrupção, o que ameaça o próprio desenvolvimento da Petrobrás, assim como o presidente da Odebrecht, o herdeiro Marcelo Odebrecht, dona da maior empreiteira da América do Sul, sentenciado a 19 anos de prisão.
O Aurelius Capital Management – o maior fundo abutre que entrou em litígio com a Argentina por anos, e cujo presidente Mark Brodsky é um protegido do maior dos fundos abutres, de Paul Singer – também se movimentou de forma intensa para destruir a Petrobrás. Poucos dias após a posse da presidenta reeleita, em primeiro de janeiro de 2015, Aurelius tentou inutilmente forçar o default da Petrobrás, o que traria consequências devastadoras para a economia. Durante o mesmo período, começou também a comprar ações da Petrobrás, com seu valor em baixa, hoje possuindo cerca de 5% do valor total das ações da companhia.
A Lava Jato também mirou o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), por décadas o centro dos créditos direcionados à infraestrutura, responsável também por muitos dos acordos recentemente firmados com a China, membro dos BRICS. O banco é acusado na participação de subornos e corrupção associadas à Petrobrás, e pedidos vem sendo feitos para que seja privatizado fechado por completo.
Mauro Santayana, figura de certo destaque nos círculos nacionalistas e socialistas, agora na casa dos oitenta anos, alertou num artigo em 24 de maio na Rede Brasil Atual, que a Lava Jato é um instrumento do fascismo, algo que nem Dilma ou outros opositores do golpe ousaram dizer publicamente. A Lava Jato, ele alerta, é “a criminalização permanente da política e o nivelamento por baixo de todos os partidos e homens públicos, utilizando a  ‘justiça’ e a população (…) que só pode fortalecer (…) o fascismo” que ameaça o país.
Manobras pré-guerra
Os desenvolvimentos relatados aqui não devem ser vistos como meramente uma luta pela “política econômica”, o como o simples compromisso “atemporal” de Londres e Wall Street com a pilhagem fascista das economias. Pelo contrário – como no caso da batalha agora mantida dentro do Japão e as recentes indicações de resistência à escalada de guerra da OTAN na Alemanha –, o que vemos é uma série de intensos “teatros” de batalha dentro de uma guerra mundial estratégica.
Longe de gozar de uma posição de poder inquestionável, a partir da qual se pode conduzir o assalto econômico e a especulação financeira, o império transatlântico enfrenta a iminente bancarrota financeira e a rápida destruição da economia física. A perspectiva BRICS, a Nova Rota da Seda eurasiática, e a iniciativa chinesa de “Uma faixa econômica, uma estrada”, tem confrontado o tambaleante mundo transatlântico com a realidade da perda completa da hegemonia global. Sua resposta, até agora, tem sido levar o mundo um passo à frente rumo a uma guerra mundial.
Isso é o que Obama tem feito. Isso é o que os Britânicos tem feito.
O que estamos assistindo no Brasil e na Argentina, e a perseguição – ou algo pior – de Dilma Rousseff e Cristina Fernández de Kirchner, é apenas o precursor numa série de ataques sucessivos e ameaças para levar o mundo todo para um inferno. Essa é a lição e a realidade estratégica que deve ser entendida nesse momento.

Pela manutenção dos poderes da presidência (atualizado)

Atualizado em 12/07/2016

No Fórum econômico realizado em São Petersburgo um pouco mais de dez dias atrás o Ministro do Conhecimento e do Talento Humano do Equador, Andres Arauz, se expressou dessa maneira sobre o papel do novo sistema econômico internacional representado pelos BRICS, com a liderança da China e seu projeto, já em execução, da Nova Rota da Seda:

“Vemos com inveja os grandes projetos que mudam a história da civilização, como a Nova Rota da Seda proposta ao mundo pela China, a criação do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, o projeto eurasiático defendido pela Rússia (…) nós estamos com inveja porque falhamos quando a América do Sul propôs isso dez anos atrás (…) Esperamos que as lições expostas no Fórum de São Petersburgo possam ser aplicadas em nossa região”.

Tal declaração é feita praticamente um mês antes da reunião da OTAN que ocorrerá em Varsóvia entre 8 e 9 de julho, e terá como ponto central as sanções econômicas à Rússia e a escalada militar na região. Por outro lado, vemos a situação da Europa não só com o Brexit, mas a situação calamitosa do juros negativos, a emissão de títulos por parte dos bancos com vencimentos para daqui a cem anos (quem os comprará, tendo em vista o tempo mas também a solidez das instituições financeiras?), e a discussão maluca proposta por Mario Draghi a respeito do “dinheiro-helicóptero” (segundo ele, “um conceito muito interessante“), versão europeia da espiral  hiperinflacionária de Ben Bernanke, o Quantitative Easing. 
Enquanto o sistema financeiro transatlântico afunda, se desespera, e se prepara para a guerra, um novo sistema emerge com a união eurasiática, o banco de desenvolvimento dos BRICS, mudando inclusive o arco de alianças do ocidente no Pacífico, como no caso do Japão, mas no mesmo tipo de divisão de afinidades que fez nos últimos tempos a tensão nas Coréias subir. Não por outro motivo se expressou dessa maneira o Primeiro Ministro indiano, Narendra Modi, ao concluir sua fala no Congresso americano na primeira semana de junho:

“Mr. Speaker, (…) as limitações do passado ficaram para trás e os fundamentos para o futuro foram firmemente colocados. Nas palavras de Walt Whitman, “A Orquestra já afinou o suficiente seus instrumentos, o regente já deu o sinal”. E a isso devemos acrescentar que existe uma nova sinfonia tocando (…) Thank you very much”.

Sem o pleno exercício dos poderes do executivo sucumbiremos à Aliança de Livre Comércio do Pacífico e seremos recolonizados, mas agora por um sistema completamente decadente, de guerra e de depopulação.

……….

Ora, mas é exatamente isso que querem atacar quando se empenham para que o impeachment seja consolidado. Não sem algum atraso, mas tive a ideia desse post quanto, parado num dos engarrafamentos monumentais de um Rio de Janeiro em obras (culpa do Lula, dos petralhas – é bom não esquecer; o que não guarda necessariamente relação direta com o tal “projeto de cidade” de nosso jocoso e irreverente prefeito, que fala de Maricá mas também vem de um bairro que é bem mais periférico que qualquer outra coisa), e tive o imensurável prazer de ouvir ao vivo o discurso do relator Anastasia favorável à continuidade do processo. E ele disse com toda a sofística, com a elegância dos hipócritas contumazes, sobre a importância inquestionável da instituição do impeachment nas democracias modernas, citando com toda bazófia Alexander Hamilton e a necessidade de se limitar ou impedir “os poderes monárquicos” do executivo.
De fato, os poderes executivos sempre foram exercidos com muita liberdade. Caso não fosse, não teriam implantado um sistema de crédito onde as transações comerciais em ouro e prata chegaram a 1% do total das transações. O sistema de crédito criado por Hamilton, Franklin, etc. (não entra aqui Jefferson e seus seguidores), foi o que permitiu financiar a guerra de libertação e deslanchou o processo industrial nos EUA. Criaram assim uma briga direta, crua e dura, com o Império Britânico e com seus agentes dentro do país. O sistema foi consolidado com Lincoln, mais uma vez contra os britânicos de dentro e de fora, os escravistas e defensores do livre-comércio (sim, não há contradição historicamente entre um e outro; nosso barão de Cairu não é uma excrescência histórica como pode parecer a quem leu a Formação de Celso Furtado), através de um governo para a União (pelo povo, com o povo e para o povo).
Reza a lenda que quando Lincoln foi construir a ferrovia transoceânica deram um projeto com uma caminho mais barato. Não quis. Mesmo que tivesse que passar por cima de montanhas e gastar mais, tanto melhor. Assim aumentava a quantidade de crédito na economia (seus greenbacks) e aumentava a inovação e a produtividade do trabalho. É bom não esquecer que essa ferrovia de Lincoln foi a responsável, historicamente, por fazer pela primeira vez o mundo deixar de depender de rotas terrestres (como na antiga Rota da Seda) ou marítimas (como relatado nesse poema do mar que é o Mediterrâneo de Braudel), e colonizar pela primeira vez, de maneira eficiente, o continente. Na Europa essa tarefa ficou incompleta desde o sistema viário construído pelo império romano, e que talvez só na época das Luzes teve uma melhoria através da consolidação do Estados-nacionais. Como “mudança de paradigma”, nada comparado à ferrovia de Lincoln.
Isso tudo é para enfatizar os grandes poderes que a primeira democracia moderna de fato dava ao executivo. Uma “semelhança informe” (como Didi-Huberman nomeou os conceitos estéticos de Georges Batille) com o da União são os atos de guerra praticados por Obama à revelia do Congresso –  o que por si só daria margem a um processo de impeachment -, seu assassinatos de terça-feira com drones, inclusive com drones abatidos em solo russo numa tentativa temerária que aumenta ainda mais a tensão entre os dois países, e sem esquecer das guerras do Iraque e do Afeganistão, feitas ao arrepio de qualquer lei, para a desmoralização ainda maior da ONU. Eles tem um executivo muito forte e o impeachment foi algo criado e vigente em suas leis (lembre o ridículo processo contra Clinton, movido pelo grupo dos neocons de Donald Rumsfeld e Bush neto, por causa de uma felação – já bufavam por novas guerras, não satisfeito com um presidente tão fraco e incapaz).
O problema do relatório de Anastasia não é a “instituição” do impeachment, mas seu objeto. Os decretos de créditos suplementares, além de terem sido feitos no mandato anterior, são atos corriqueiros da administração. O tal do Plano Safra nem sequer teve assinatura da presidenta. E assim vai. Querem fazer uma invenção jurídica, como Gilmar Mendes bem salientou em sua entrevista recente na Suécia. Esquecem que primeiro tem que definir melhor o objeto dessa lei, discuti-la e, se conseguirem, implementá-la. Também não podem se esquecer que as leis não tem validade retroativa. No mais, é tudo baseado não em “crime de responsabilidade”, como previsto na lei de 1952!, mas bem mais na “lei de responsabilidade fiscal”, instrumento perverso criado pelo paradigma de modelo econômico sustentado no Plano Real, que visa a manutenção do sistema da dívida, mas que não guarda relação alguma com um crime contra o país. Muito pelo contrário.
Como Lincoln que lutou pela União, o projeto de governo defendido por Dilma, pelo PT, PC do B e todos seus aliados, é o único no momento capaz de unificar o país, tanto por suas ideias quanto por seu enraizamento na sociedade. A manutenção dos poderes da presidência é fundamental para se manter o país unido. Quem criou essa guerra civil, esse neomacartismo, foi não o “projeto de poder” do PT, mas o sucesso de suas políticas. Não são petralhas que jogam bomba na casa de ex-presidentes, que jogam bombas na sede do PSDB, que agridem militantes, simpatizantes ou simplesmente pessoas vestindo vermelho (não se pode esquecer do caso do cadeirante agredido em São Paulo). O PT ajudou na melhoria do sistema de justiça, da polícia federal, mas não criou a caça às bruxas de Moro, do FBI, da Transparência Internacional e do Departamento de Justiça americano. Quem ainda vai insistir na atual conjuntura, como muito repetido durante o mensalão, que o PT é o maior partido corruto da história? As teses da Lava Jato são insustentáveis.
Mas sim, o projeto de reforma política, fiscal, o início do ataque ao sistema de juros altos tentado por Dilma em seu primeiro mandato, o fortalecimento dos bancos públicos – esses são capazes de combater a corrupção através do desenvolvimento nacional em todos os aspectos, e não através de páginas de jornal e de perseguições político-jurídicas.
Só um contraponto: se o senador Roberto Requião fosse a favor da reforma política, da mudança do sistema político nacional, ele não estaria no PMDB. Ponto. Outra bazófia de “novas eleições” para integração nacional. Ah!, mas a Dilma não vai ter capacidade de governabilidade com o atual Congresso. Que pelo menos seja consequente em seus argumentos e peça uma eleição geral, de deputados e também de senadores. Ele vai vai botar seu cargo à disposição? Meu amigo, vá abraçar o Sarney e leve o PHA junto! Pelo amor dos meus filhinhos! E se tiver novas eleições e o Lula ou o Ciro (oh!) ganharem? Eles vão ter maior capacidade de governo com os Sóstenes, Anastasias, Renans (de seu partido, viu?) e etc? Por isso Mino Carta diz que esse projeto é utópico. E por isso Mino Carta é uma lenda e o restante dos “progressistas” são seus empregados.
Não é por outro motivo que vemos na mídia progressista, nos blogs sujos (que, claro, gosto muito), a hipótese do suposto “progressismo” da Folha. Alguém falou, “Ah, é por marketing”. E tocou só no ponto mais superficial da questão. Como adiantamos aqui n’O Abertinho, se a Folha não fosse golpista (e ponto final), no pior sentido possível, as gravações de Sérgio Machado sairiam antes da abertura do processo no senado. E fica-se horrorizado com a capacidade de “marketing” da Folha e não se discute o óbvio, ou seja, o adiamento da publicação das gravações para não comprometer o processo no senado. E ponto.
Vamos lutar pela manutenção dos poderes da presidência, sem utopias ou discussões inúteis.

……….
O post já parecia fechado, mas dois parágrafos de Paulo Moreira Leite situam historicamente com muita precisão os fundamentos jurídicos do que está acontecendo. Vamos a ele, depois faço minhas considerações finais.
Num processo que guarda semelhanças óbvias com o ambiente de perseguição e violência contra militantes e instalações do Partido dos Trabalhadores, o passo fundamental para a construção de uma inviável democracia para as elites foi dado em 1947, quando o Superior Tribunal Eleitoral cassou o registro do Partido Comunista Brasileiro. A medida colocou fora da lei uma legenda que possuía a quarta maior bancada do Congresso Nacional, a terceira maior força parlamentar da Assembleia Legislativa de São Paulo — maior que a própria UDN, superada em seu próprio berço — e, acima de tudo, uma respeitável base no movimento operário. Só para deixar claro que se tratava, também naquela época, de uma medida politicamente seletiva. Em 1949 o mesmo tribunal examinou uma denúncia contra os integralistas — versão verde-amarela do fascismo — e manteve seu partido na legalidade, num voto coberto de elogios proferido pelo ministro Djalma da Cunha Mello. Conforme o ministro, o fascismo brasileiro havia se mostrado digno do “toque de sensatez” que uniu a nação em 1945, no grande condomínio que permitiu a derrubada de Vargas.
Contada por este ângulo, a história política do país nos últimos setenta anos pode ser descrita como um conflito permanente da maioria da população para enfrentar golpes e golpistas. Em 1950, quando o vulto popular do retorno de Getúlio Vargas pelas urnas estava no horizonte, o Congresso aprovou uma lei de impeachment de forte conteúdo parlamentarista — e não é difícil saber para que. Depois que uma tentativa de impeachment de Getúlio foi rejeitada pela Câmara, teve início a articulação que o levou ao suicídio. Numa conspiração que incluiu o vice, Café Filho, tentou-se impedir o governador de Minas Gerais Juscelino Kubistcheck de disputar a presidência. Embora JK tenha sido eleito, o próximo passo foi tentar impedir sua posse. Novo fiasco dos golpistas. Mesmo assim, Juscelino foi alvo de dois golpes militares. Passou a faixa presidencial a Jânio Quadros que, permaneceu sete meses no posto. Foi substituído pelo vice João Goulart, que contornou um golpe para tomar posse e não pode resistir ao segundo, que o afastou do poder. Vinte e um anos depois, na democratização, o veto militar impediu a saída natural, pelas eleições diretas, forçando um acordo pelo alto chamado Nova República, que deu posse à mais conservadora das opções em pauta naquela circunstância.
Está aí uma breve, precisa e consistente fundamentação histórica do “golpe parlamentar” que procuram consolidar nas próximas semanas. Esse arcaísmo de nosso sistema constitucional, que pode ser amplamente questionado, principalmente num país que mudou sua constituição, que fundou a “constituição cidadã”, a mesma que ainda falta em muitos aspectos ser consolidada em suas cláusulas mais progressistas. Logo, se utilizam das tentativas reiteradas das oligarquias quando vêem um executivo forte – e isso em qualquer lugar do mundo -, o uso do sistema parlamentar, seu fortalecimento, para barrar os supostos “poderes monárquicos do executivo”, numa clara paródia ao sentido original dado por Alexander Hamilton. Esse é o sistema anglo-veneziano, aquele organizado através dos fondi, hoje em dia recriado no caso do grupo Inter-Alpha, que controla o sistema da dívida, a eleição de deputados e senadores, e através desse tipo de utilização da vox popoli dos antigos imperadores romanos, querem travar toda capacidade do poder executivo em promover mudanças significativas na economia física de um país. 
Aqui, novamente em nosso país, a Rainha é glorificada enquanto Lincoln é assassinado. O sistema oligárquico, aquele de Zeus, novamente prende Prometeu e coloca a águia para comer seu fígado. Não mais luz para a humanidade, não mais fogo, somente os deus do Olimpo, os senhores das sombras, sempre invisíveis, que controlam boa parte do orçamento do país através do sistema da dívida, da mídia, promovendo uma campanha de difamação para fazer novamente o ser humano se sentir um macaco de Darwin e não a “centelha divina da razão”, que pode ser plenamente desenvolvida com os amplos poderes que lhe dá o executivo – antes, em oposição à Grã-Bretanha, e hoje, ainda que o Império continue a botar para fora suas garras assassinas, ele quer cada vez mais nos tornar distantes dos BRICS, e desenvolver todo o potencial econômico e social que está contido nessa aliança.
Como disse Modi, uma nova orquestra toca. Quem irá ouvi-la?

Da série “rir é o melhor remédio”

Say hello to Joel! Para lembrar o quadro do programa Pânico. Mas enquanto isso Gilmar traça as balizas intelectuais do Golpe – que não se consumará. Essa “inovação” de “crime sem crime”, logo impeachment, me fez lembrar dessa passagem de Georges Bataille sobre Hegel, sobre o erro que se condensa todo numa palavra. Querem impor a palavra “impeachment”, mas é Golpe o termo que Satã não reconhece em seu altar:

Hegel condensou o erro; ele o sistematizou, proferiu-o, se posso assim dizer, inteiro, e inteiro numa palavra. Sua fórmula está no frontispício da Escola de Satã, que de agora em diante zomba dos imitadores desafiando-os a fazer melhor. Satã se reconhece na fórmula hegeliana, admirou-a como coisa dele, pois o orgulho, Satã e Hegel soltam o mesmo grito: o Ser e o Nada são idênticos. (Bataille, L’Homme)

Abaixo nosso grande filósofo, nosso inovador, mentor intelectual do Golpe, William Friedrich Mendes, também conhecido por usa amizade com o indecente José Serra e por ser o Libertador do Estuprador Turco e do Banqueiro Bandido (um pleonasmo, desculpe): 

Falando de altas sumidades, lembro do retrato tosco que Gilberto Freyre fazia da Casa Grande:

“No senhor branco o corpo quase se tornou exclusivamente o membrum virile. Mãos de mulher, pés de menino; só o sexo arrogantemente viril. Em contraste com os negros – tantos deles gigantes enormes, mas pirocas de menino pequeno. Imbert, nos seus conselhos aos compradores de escravos, foi ponto que salientou: a necessidade de se atentarem nos órgãos sexuais dos negros, evitando-se adquirir os indivíduos que os tivessem pouco desenvolvidos ou mal-conformados. Receava-se que dessem maus procriadores. Ociosa, mas alagada de preocupações sexuais, a vida do senhor de engenho tornou-se uma vida de rede. Rede parada, com o senhor descansando, dormindo cochilando. Rede andando, com o senhor em viagem ou a passeio debaixo de tapetes ou cortinas. Rede rangendo, com o senhor copulando dentro dela.
Da rede não precisava afastar-se o escravocrata para dar ordens aos negros; mandar escrever suas cartas pelo caixeiro ou pelo capelão; jogar gamão com algum parente ou compadre. De rede viajavam quase todos – sem ânimo para montar a cavalo: deixando-se tirar de dentro de casa como geléia por uma colher. Depois do almoço, ou do jantar, era na rede que eles faziam longamente o quilo – palitando os dentes, fumando um charuto, cuspindo no chão, arrotando alto, peidando, deixando-se abanar, agradar e catar piolho pelas molequinhas, coçando os pés ou a genitália; uns coçando-se por vícios; outros por doença venérea ou da pele. Lindley diz que na Bahia viu pessoas de ambos os sexos deixando-se catar piolhos; e os homens coçando-se sempre de ‘sarnas sifilíticas'”.

Para relembrar o quadro e nossas “celebridades”:

QuáQuáQuáQuáQuá

Uma pausa para o riso

rárárárárárárárárárárá

Atualizado em 08/08/2016

Já está ficando difícil de parar de rir. Certo é que às vezes dá muita vontade de chorar, como Temer , olhos marejados, na abertura das Olimpíadas. A gente fica pensando: “pô, esse cara deve ser um nacionalista. Poeta também, homem de sensibilidade. Nenhum tipo assim ia resistir à apresentação de militância eco-fascista que montaram para inauguração dos Jogos cariocas”. Diante da cena comovente, lembro imediatamente do corte de verbas no SUS e a proposta de criação de um plano de saúde mais barato, ou seja, para que se pague para os serviços que já são prestados de graça pelo SUS. Mais uma forma de taxação indireta, enquanto a classe-média e acima torce o nariz à mera possibilidade de se discutir o tema “imposto”.

Vamos rir ou chorar? Essa a grande questão imposta por nosso estadista provisório, ilegítimo e interino – Temer, o nanico (sim, é muito baixo, apesar da pose – e somente ela – de “grande homem”). Preferimos rir, é claro. Um tipo desse não fica, passa rapidamente, por isso podemos encarar a coisa com um pouco mais de leveza. Por esse motivo também que resolvemos atualizar a postagem. Não conseguimos parar de rir desde o dia primeiro da Usurpação, a começar pelo screenshot (Ctrl + PrtScn) cafona e tradicionalista do novo slogan de governo (é, eles mudaram tudo apesar de provisórios, ilegítimos e interinos! Temer, talvez mal de poeta, se acha eterno…). Nada como resgatar as raízes mais coronelísticas de nosso país. Calma aê que eu não sei qual imagem o governo realmente escolheu:

Uma pausa para o riso, por favor:

Aí sim
Agora tá explicado (foto do dia da “posse”)

Faltou só os tucanos da Globo na foto acima

É bom resgatar esses momentos primitivos, ainda mais sabendo (muito mais agora) que esse primitivismo é marca indelével dos neo-coronéis. Dois professores, por exemplo, na euforia do impeachment que ainda não foi, “reacionaram”:

Esse é um “especialista” americano (rárárárárárárárárárárárárárá) – Ah, o sonho dos cafajestes, para lembrar Nelson Rodrigues

(rárárárárárárárárárárárárárá) Professor da FGV também reaciona – e que capacidade de prognóstico!

Esse governo tem uma gana por justiça, por correção em todas as áreas, não só a econômica… Tudo vai dar certo com ele, inclusive a Globo, que não passará mais por qualquer ameaça de concordata. Como diria Leibniz, qual melhor dos mundos? Ora, nenhum mais. Mas a Carta Capital foi muito feliz no título de sua matéria sobre a ameaça seríssima de terrorismo no Rio de Janeiro. Quem foi o genial autor da chamada?

Na foto, a arma perigosa encontrada com os terroristas, para uso no paintball.

O pitbull de Temer realmente é uma piada – de extremo mal gosto. Vê as taxas de genocídio em São Paulo sob sua administração. São alarmantes! Sim, “taxas de genocídio” é a medição da morte de negros pobres por policiais ou grupos de extermínio, tão comuns na Suíça brasileira. Uma caricatura de um verdadeiro ministro da justiça.

Esse sim o verdadeiro vexame das Olimpíadas, o Regresso imposto por esse cidadão em diferentes frentes de trabalho (nesse caso não é exatamente “frentes de extermínio”)

Quando esse povo casa com a “república” de Curitiba só pode dar piada. A gente não pode esquecer do “japonês da federal”, que respondia desde 2003 a um processo (em que já fora condenado, mas que estava embargado) sobre facilitação de contrabando na fronteira com o Paraguai. Não é que o glorioso “japonês” foi preso, logo ele que se tornou um símbolo (e até fantasia de carnaval) da polícia do Moro? Essa piada já está ficando velha, mas mesmo assim: pausas para o riso.

Lembram dessa “chocante” história produzida pelos arianos curitibenses? Aqui numa versão, vamos dizer, mais “didática”
Professor de árabe, amante da cultura islâmica: como diria Magnan, Morel, Cabanis ou Lombroso – trata-se de um degenerado. (rárárárárárárárárárárárárárárá – como é idiota essa elite (créditos a Nelson Rodrigues))

E o Romário? O jogador de futebol sempre irreverente,  depois que entrou para a política virou “sério e respeitável”, uma espécie de novo baluarte da moral e dos bons costumes no Parlamento. Não é que ele ficou indeciso sobre o impeachment e pediu uma diretoria de Furnas para pensar melhor? Haja esperteza! Só rindo muito. (E não é que ele conseguiu!)
Ainda tem outras figuras grotescas, e muito atuante nesses dias, como o Gilmar Mendes (sempre militante), aquele que soltou duas vezes o banqueiro Daniel Dantas, no meio da noite!, e também o estuprador Roger Abdelmassih, e amigo íntimo do “chanceler” (hahaha) José Serra, e o maravilhoso site www.temerpoeta.com – você pode fazer seu próprio poema do Temer, exclusivo. Tem que rir. O Luis Nassif colocou algumas questões importantes: ele dá manchete ao PIG quando seus aliados estão sob os holofotes. Para quem tinha ligações com Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira, logo revista Veja, nenhuma surpresa.
Alexandre Frota no Ministério da Educação defendendo um eufemismo como “escola sem partido”, Janaína Paschoal dando suas consultas com sua pomba gira de estimação, altamente performática, o amante de petralha (porque não vive sem um) Marco Antônio Vila defendendo o Collor, o “modernizador” (“não, mas esse é um trabalho de história política”). QuáQuáQuá. E tem uns idiotas (Créditos a Nelson Rodrigues) ainda no Facebook colocando uma fota da cantora de axé que cantou na Copa (governo Dilma) ao lado da modelo Gisele nas Olimpíadas (governo Temer). Logo, este é muito melhor. E talvez nem tenham visto (ou se viram deram pouca importância – vai se querer crítica às fontes vinda de idiotas?) o hashtag a favor de Bolsonaro e a foto do ilustre ministro oculto da educação, Frotinha.
Falar também de “menos um ministro por semana”, do PMDB, não dá, muito menos das supostas delações de Marcelo Odebrecht. Isso tudo é muito óbvio (quem nunca soube que Eliseu era Quadrilha?, e etc.?). A situação toda é tão esdrúxula que eu prefiro rir, como com a Marta Suplicy quando disse outro dia que foi para o PMDB porque lá não tem corrupção (pelo menos “sistemática”, é o eufemismo dos hipócritas (com crédito a Nelson Rodrigues))! Quem tiver com vontade de rir, eu sugiro:
O ilustre historiador, agora demitido, faz uma análise imparcial porém não menos entusiástica do iluminado governo Collor (frente ao lulo-petismo qualquer coisa serve)

Sessão mediúnica gravada

E o humorista profissional, quero dizer, o estudante dos fenômenos mediúnicos indaga a médium:
Mas, poxa, essa é uma atualização… Esses vídeos aí de cima são muito bons, mas a piada já tem um tempo, etc. Podem argumentar, fazer o que? Agora, Marco Feliciano atracado com mulher? Por favor, me conta outra. E o Bolsonaro disse que “é pesado o negócio”. rárárárárárárárárárárárá

Se falar de Moro, por que não falar dos BRICS? (atualizado)

Muito melhor que a irmandade de Don Vito Corleone

 

Atualizado em 15/07/2016

A sombra que desce sobre Moro é menos a de seus crimes sob a capa da justiça, do que o do procurador Janot. As constantes viagens de membros do Ministério Público brasileiro aos EUA, e as viagens do próprio juiz até lá, são infames. E não menos foi sua última viagem para receber a coroação imperial através da revista Times. Mas nessas viagens, tal como os americanos antes passavam aos militares seus métodos de tortura, agora repassam a mesma matéria, tudo dentro dos trâmites legais. Afinal, a prisão e a tortura eram métodos legalizados pelo governo de exceção. Prende-se alguém sem qualquer respeito às mínimas garantias individuais, como aconteceu de Lula a Mantega, até os primeiros desavisados das práticas justiceiras do homem de preto; depois se dilata ininterruptamente a prisão preventiva ou coercitiva, até que o ladrão comece a falar. Logo em seguida, os ladrões são soltos, ficam em casa, pagam pequena multa se comparada com os milhões ou bilhões que desviaram. E aí começa a prostituição com a imprensa. Primeiro o aliciamento, depois o crime. Feitiço que pode se voltar contra o feiticeiro.

Métodos aprendidos no estrangeiro, que tiveram o lado oposto ao desmascararem alguns aspectos da relação entre CBF e Globo, mas que, como todos os respingos a mais, “não vieram ao caso”. No mais, os métodos da transmissão futebolística já eram mais do que conhecidos, mas sem a divulgação beirando à náusea como por exemplo a dos pedalinhos. O mesmo caso se aplica ao triplex de Parati, hoje de forma mais comprovada ainda depois da divulgação das contas secretas no Panamá. Nada de holofotes. Fica tudo na obscuridade, bem guardada sob a capa preta de qualquer juiz conveniente ou nos aquivos de jornalistas compromissados com a empresa e seu contra-cheque e não com sua carreira e biografia.

O consórcio entre as instituições públicas, os oligarcas daqui (que se chamam tucanos ou os que são patrocinados pelo Itaú – toda uma Rede), visa, como é claro, prender o dono da quadrilha criminosa chamada Partido dos Trabalhadores. Esse é o ponto pacífico. Os BRICS entram na história quando procuram tirar o “B” da sigla. Caso o temerário suposto futuro governo se consolide (e isso é o aspecto quiçá mais difícil de todos), entraríamos para a Aliança para o Pacífico, do Obama, mesmo não sendo banhados por esse mar. Para ficar na contradição mais aparente.

A criação do banco de desenvolvimento dos BRICS, os grandes projetos de desenvolvimento capitaneados pela China – tem o canal da Nicarágua, mais do que estratégico, mas também seu papel crucial no leilão do pré-sal (é só lembrar as causas que levaram as petroleiras não entrarem, somente a Shell e em pequena escala), ou a Transpacífica -, tudo isso tenderá à entropia. Um novo sistema econômico se forma hoje sob a liderança dos BRICS. Uma cesta de moedas para se fugir ao padrão dólar e, como dito, os projetos de grande escala, o banco internacional como substituto do FMI e BM, a reconstrução da Rota da Seda (que vocês podem ver alguns vídeos curtos em meu canal, também traduzidos por mim aqui e aqui); tudo feito para sair do monopólio do falido sistema financeiro transatlântico.

 

Substituir o uniforme dos militares pela capa preta dos juízes, criar novamente um estado de exceção novamente sob o manto da legalidade (em 64 não foi diferente, os golpistas sempre se declaram legalistas, democratas, liberais, etc.), é tirar o “B” dos BRICS e se juntar ao corrupto e falido sistema que levou à maior crise da história de nossa civilização, e que traz índices alarmantes para a população de dentro dos EUA, como no gráfico abaixo, que mostra o aumento exponencial de mortes violentas (por drogas, álcool ou suicídio) do cidadão americano, branco e de meia idade – o tradicional trabalhador produtivo e classe-média, exemplo mundial de vida bem sucedida (não falo aqui de mega empresários ou ricos, mais o bem sucedido no sentido do cidadão comum). Se aderirmos ao falido império, será nossa sorte melhor que a deles? Numa conjuntura onde é tão difícil apontar culpados: Cunha, Temer, Moro, Janot, os tucanos, a Globo, etc. e etc., o melhor é pensar que, com Moro, com impeachment, ou seja, sob as ordens do Império decadente (e que não era em 1964), nossa sorte será longe dos BRICS e próxima do genocídio de nossa população.

 

Clique na imagem para ampliar

As estatísticas podem ser vistas com detalhe na página do New York Times. A transcrição do discurso de Jeff Steinberg no webcast do Comitê de Ação Política Lyndon LaRouche (LPAC), em 22 de janeiro de 2016, é reveladora do pessimismo cultural vivido pela população dos EUA, principalmente se comparado ao otimismo – e às grandes descobertas científicas – do século XIX ou da era Roosevelt. Indico também as anotações do mesmo Jeff Steinberg na palestra que deu em Tóquio, no Instituto Canon, sobre a real situação da economia estadunidense – o que não tem relação alguma com as estatísticas mentirosas do “progressista” Barack Obama. Para quem possa acreditar que as análises de Jeff não sejam suficientes, talvez provavelmente por ideias pré-concebidas a respeito do movimento larouchista, pode-se visitar a página do portal Vermelho (lugar também de gente perigosa, dos comunas, dos bolivarianos dessa vez) que reproduz reportagem do jornal Valor Econômico a respeito da decadência sócio-econômica das últimas décadas experimentada pelos yankes. É uma reportagem de 2010, enfim, que diz respeito à questão estrutural – falida – da economia estadunidense. E, para variar, um extenso e atual estudo da Pew Researcher Center que vai na mesma direção, ou seja, da falência do sistema financeiro transatlântico e das economias a ele associadas.

Não é por outro motivo que a China e a Rússia são responsáveis pela grande valorização do ouro nos últimos anos. Com sua política de fugir ao padrão dólar, aos petrodólares em particular, investem no ouro enquanto a velha moeda imperial desaba de valor, com especial ênfase no período das medidas hiperinflacionárias alcunhadas pelo “keynesianos” de Quantitative Easing. É o mesmo princípio que fizeram os BRICS passarem a criar uma cesta de moedas; e não por princípio diferente, em criar seus próprio banco de desenvolvimento, inclusive o asiático, hoje em dia mais eficiente, seguindo os trilhos da Nova Rota da Seda, enquanto o banco dos BRICS ainda procura se legitimar com um capital inicial de meros 1 a 2 bilhões de dólares, quase em sua totalidade comprometidos com projetos “verdes” no estilo WWF. O que mesmo assim faz Paulo Batista Nogueira Jr. chamar de bom começo! As intenções são realmente das melhores, e o trabalho de legitimação do banco dos BRICS não deve ser ignorado. Único ponto contrário, de um modo geral, é que a ideologia ambientalista continua sendo pedra angular de muito boas cabeças.

Estação da Nova Rota da Seda recém-inaugurada que liga a China ao Irã.

Moro talvez só recupere seu protagonismo caso consiga capital social suficiente para prender Lula ou se, na volta de Dilma, a oligarquia ainda tenha forças para legitimar a ressurreição da Lava-Jato. Contudo, foi essa operação a responsável pelo encobrimento das reais causas do impeachment, ou seja, de criar uma falsa percepção de “necessidade de mudança” na população. Os tais “decretos de crédito suplementar”, o que a mídia nativa sempre chamou de “contabilidade criativa” não tem tutano suficiente para fazer gritar nem o mais reacionário “anti-bolivariano”. Logo, cria-se o álibi. O princípio básico de todo esse desenvolvimento é que estar com Moro não é diferente de estar com Temer, que é igual a estar com Cunha, que é igual a estar com a bancada evangélica, a da bala, a de sei lá mais o quê, de estar com a Globo, de estar com… Obama, o assassino das terças-feiras! É estar com a escalada de guerra contra Rússia e China, contra a Nova Rota da Seda e ao desenvolvimento de um sistema econômico que supere a hegemonia da bancarrota de Wall Street e da City de Londres. Defender a operação judicial que legitima as revoluções coloridas, consideradas por russos e chineses atos de guerra irregular promovida por países estrangeiros contra os asiáticos. Ucrânia.

Ser Moro é ser Stephan Bandera, é ser neonazi na Europa. Só a capa de neomacartismo que cobre a personalidade de parte considerável da população pode esconder isso. A capa preta que substitui hoje em dia o uniforme militar usados alhures. A capa preta daqueles que são contra o impeachment para aproveitarem de novas oportunidades eleitorais, como Marina Silva ou Joaquim Barbosa. Sim, esse, “o” homem da capa negra – o pioneiro. Talvez de capa só não menos negra do que a do mistério do jatinho de Eduardo Campos, que até agora, incrivelmente, não acharam sequer os donos. Estar com Moro, apoiar seus métodos aprendidos nos estrangeiros, é estar com o decadente e pessimista EUA, o país do tráfico de drogas, dos drones e dos assassinatos em massa. É estar com a Mãos Limpas, operação judicial feita em aliança com a Transparência Internacional para acabar de vez com a credibilidade dos partidos políticos italianos e conseguir enfiar goela abaixo a Troika em um país que ainda lutava por sua soberania, por sua moeda, ou seja, contra a fajuta tentativa de união política baseada em união monetária a qual deram o nome de euro e que hoje engole a Europa, da Grécia a Espanha, da Inglaterra a Alemanha.

Quando pensar em Moro e quiser se livrar da capa preta de seu minúsculo neomacartismo, pense no lado luminoso do planeta, pense nos BRICS.

Adendo: O Império Britânico por detrás do golpe no Brasil – o caso argentino

Segue trecho sobre o caso da Argentina, do longo artigo de Cynthia Rush, “O Império Britânico por detrás do golpe no Brasil”, publicado na Executive Intelligence Review. A tradução em português pode ser vista aqui e a edição em inglês aqui.

Os irmãos Koch financiam os movimentos “apartidários”

O papel da Argentina

A Lava Jato começou a operar no Brasil já no final de 2014, assim que Dilma foi reeleita ao derrotar o candidato de Wall Street, Aécio Neves, em novembro daquele ano. Mas foi a eleição do monetarista fanático, Maurício Macri, na vizinha Argentina em novembro último, e sua mudança na economia e na política externa em alinhamento com os Estados Unidos, que fortaleceu os agentes da Lava Jato a acelerar o passo, sabendo que poderiam contar com o suporte de Macri. Assim que ele tomou posse, em dezembro, começou imediatamente a reverter as políticas nacionalistas de sua predecessora, Cristina Fernández de Kirchner, e fez saber ao governo Obama que seria um aliado de total confiança.

Foram Macri e Obama que responderam à abertura do processo contra Dilma com pronunciamentos praticamente idênticos, dizendo que os “processos institucionais” deveriam ser respeitados e que deveriam seguir seu curso não importa o que ocorresse. Isso traçou um nítido contraste com o posicionamento da Unasul, a Organização dos Estados Americanos, e de outros governos, que disseram que o impeachment violentava as normas legais.

Um dos primeiros atos de Macri no governo – indicando onde estão suas lealdades – foi fazer um acordo com os fundos abutres que afligiram a Argentina por mais de uma década e cujas demandas Fernández e seu falecido marido e predecessor, Néstor Kirchner, rechaçaram. Sob investigação por duvidosas atividades financeiras próprias e de sua familia, em fundos off-shore, como revelado pelos Panamá Papers, e denunciado por sua defesa púbica do banco da Rainha, paraíso dos traficantes de drogas, o HSBC, sob indiciamento,  Macri lançou sua própria caça às bruxas ao estilo mani pulite contra a ainda muito popular presidenta, usando uma facção aliada no judiciário para acusá-la, sua família e aliados políticos por desvios, lavagem de dinheiro e fraude na esperança de encarcerá-la.

O juiz de confiança de Macri, Claudio Bonadio, já tinha indiciado Fernández em um processo, mas outros estão a espera para serem abertos. Em 19 de maio, o jornal londrino Financial Times citou um executivo do novaiorquino Eurasia Group lamentando que faltava à Argentina a capacidade para executar “uma investigação séria e extensiva” do tipo Lava Jato, como se faz no Brasil.

Em discussão com seus associados em 12 de maio, dia em que Dilma foi afastada, o diretor-fundador da EIR, Lyndon LaRouche, alertou que se o Império Britânico não atingir seus objetivos através de golpes ou do encarcelamento de Dilma e Cristina Fernández através de acusações criminais, eles podem recorrer a assassinatos.