Eleições coloridas, Barack Obama e a economia política do Vale do Silício

Se houve um reordenamento do poder em escala internacional depois do fim da URSS, na virada do século XXI, com o crescente protagonismo dos países do sul global até sua reunião ao redor dos BRICS, os EUA tiveram que redesenhar sua propaganda democrática, virar a página do impopular governo de Bush Jr. e se apresentar “mais colorido” para o mundo. Esse novo episódio da “democracia americana” já em 2007-8 surge junto ao poder das Big Techs, com poder ainda embrionário se comparado com o que possui hoje. Não só: a reorganização financeira após a dita “crise do subprime”, além de ter promovido uma transferência massiva de recursos para as camadas mais ricas do setor econômico transatlântico, forneceu a liquidez necessária para o investimento massivo em novas tecnologias do trabalho, já acentuada por um processo de desindustrialização vigente há décadas. São esses alguns dos aspectos da nova “democracia americana” que comento no novo episódio de meu programa.

(27 min)

YOUTUBE: https://youtu.be/6OMMmMxXevU

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos/episodes/Eleies-coloridas–Barack-Obama-e-a-economia-poltica-do-Vale-do-Silcio-e1hnevv

Platonismo vulgar nas “ideias fora de lugar” de Roberto Schwarz

Uma crítica que talvez possa ser feita ao eminente crítico Roberto Schwarz é sobre essencializar o que ele entende por direitos humanos. Ao colocar como pré-definidas determinadas formas consideradas de progresso do história europeia, acabaria ele julgando ou pré-julgando o desenvolvimento histórico brasileiro? Por que existiria uma “ideia” e necessariamente no nosso país ela estaria “fora de lugar”? Não seria a própria ideia de direitos humanos, tratada de uma forma que não se questiona ou seus princípios, uma outra forma de etnocentrismo? São essas algumas das indagações que faço ao famoso intelectual paulista.

YOUTUBE: https://youtu.be/2e5GCDGuPyk

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos28/episodes/Platonismo-vulgar-nas-ideias-fora-de-lugar-de-Roberto-Schwarz-e1h81h8

Sérgio Buarque, Max Weber e uma certa interpretação do Brasil

Há um consenso entre os intelectuais as interpretações de que “Raízes do Brasil” foram marcadas pelo prefácio de Antônio Cândido à obra, escrito em 1967. Nele se plasmou uma leitura weberiana de Sérgio Buarque a partir da noções de “burocracia”, “patrimonialismo” e dos “tipos ideais”. Será que toda essa histórica carga crítica se baseia apenas em um curto texto de apresentação? Houve algum outro movimento intelectual não vinculado diretamente à interpretação do Brasil proposta em “Raízes” que condicionou sua leitura a partir da influência que Weber teria exercido sobre o jovem historiador paulista quando este passou alguns anos na Alemanha? Em última instância, será essa vertente interpretativa hegemônica a mais adequada para os dias atuais? São essas algumas das perguntas que busco responder nesse programa.

YOUTUBE: https://youtu.be/s8snK_yIHwg

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos28/episodes/Srgio-Buarque–Max-Weber-e-uma-certa-interpretao-do-Brasil-e1h325j

Link da aula proferida por mim para a Universidade Federal de Uberlândia: https://youtu.be/q3OQ7hfq40w

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#sergiobuarquedeholanda #weber #braudel #raizesdobrasil #história #capitalismo

China e África: paz através do desenvolvimento

Por Hussein Askary (Instinto Rota da Seda – Suécia) para o China Daily

Dois eventos recentes consolidaram a ideia de que o desenvolvimento econômico e a cooperação são os principais motores da política externa chinesa. Apesar das provocações políticas e militares das potências ocidentais, especialmente dos Estados Unidos, a China tem afirmado que quaisquer problemas entre países podem ser resolvidos aderindo ao direito internacional baseado na Carta da ONU e construindo pontes econômicas e culturais através das fronteiras.

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Conferência para Estabelecer uma Nova Arquitetura de Segurança e Desenvolvimento para Todas as Nações

 

Por que o momento agora é de paz e não de guerra?

A possibilidade de guerra mundial já acabou. E não é de agora. Para quem analisa os conflitos internacionais, ainda que para poucos dentre estes poucos analistas, os últimos anos foram de recuo acentuado dos preparativos de guerra que escalaram como nunca antes na história durante os governos de Barack Obama, que potencializou os conflitos de seu antecessor, Bush Jr. Ao invés da preocupação com a ordem mundial e um possível confronto termonuclear, o que assistimos agora é mais um passo da vitória sobre a contraofensiva imperialista iniciada na década passada, quando a América do Sul e Ásia (BRICS de um modo geral) passaram a ganhar cada vez mais voz e poder. Essa tentativa de guerra fracassou, não importa quais guerras estejam sendo feitas agora. O mundo definitivamente perdeu o seu centro, e isso aponta para avanços importantes e positivos nos próximos anos.

YOUTUBE: https://youtu.be/YgMoCllB7qk

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos28/episodes/Por-que-o-momento-agora–de-paz-e-no-de-guerra-e1fik2u

Braudel e Weber: a noção de “capitalismo” em disputa

Com a publicação de “Civilização material, cultura e capitalismo”, Fernand Braudel explicita sua oposição ao entendimento de Max Weber a respeito do surgimento do capitalismo moderno a partir do norte da Europa. A tese que o historiador considera idealista, o da tipificação de um “espírito capitalista”, não considera variáveis importantes como a própria a economia, mas também a política, a cultura, a civilização, e a história, a qual decide no final as relações de força. Há um questionamento frontal à tese weberiana, ainda que feita com bastante elegância e detalhamento. O debate entre Braudel e Weber talvez esteja entre as discussões intelectuais pouco consideradas por sociólogos, historiadores, economistas, etc.

YOUTUBE: https://youtu.be/dySOXR3URRw

PODCAST: https://anchor.fm/rogeriomattos28/episodes/Braudel-e-Weber-a-noo-de-capitalismo-em-disputa-e1gqmpe

Obama, o legado do imperialismo e a captura da esquerda

A política neomacartista, antirussa, com a guerra da Síria, o golpe ucraniano e sua extensão dentro do território dos EUA, isto é, o Russiangate, capturou a esquerda com a pauta das fake news, como demonstrei em artigo de 2018 [aqui]. A criação do termo “fake news” abriu precedente para a captura da contestação ao poder pelos grandes meios de comunicação que, hoje através das bigtechs, nos diz o que são ou não fontes confiáveis. A disputa entre fato ou fake é uma aberração positivista.

As políticas de flexibilização quantitativa neokeynesianas de Obama abriram precedente para a efeméride da MMT e do Plano Biden, enquanto faziam girar uma espiral inflacionária e especulativa que mudou na raiz o modo de organização dos países da América do Sul. Através das contabilidades não declaradas ganhas com a impressão indiscriminada de bônus para fundos especulativos, foram financiadas as revoluções coloridas e uma mudança significativa no mercado de trabalho a partir da política do Vale do Silício (escrevi sobre isso em junho de 2019 [aqui]).

O efeito de superfície de um projeto amplo de mudança estrutural do remanescente da sociedade industrial do pós-guerra foi a guerra culturalista ao redor da pauta identitária, variante híbrida das revoluções de cor, em pleno funcionamento agora. A noção de forças produtivas do trabalho desapareceu em prol de uma aliança ampla dos meios de comunicação com a esquerda colorida que não questiona os poderes fáticos e financeiros. É o primado da democracia americana baseada em noções genéricas de liberdade e igualdade.

Enquanto a esquerda não reaprender a questionar, ser o olho vivo sobre o poder, continuará capturada pelo imperialismo que, na quadra atual, foi bem sucedido com a eleição colorida de Barack Obama.

Épuras do social: como podem os intelectuais trabalhar para os pobres

Joel Rufino dos Santos chama os intelectuais a refletir sobre sua posição no processo produtivo. Não é um pedido para que somente o intelectual se compadeça dos pobres ou operários, mas para que os artistas e escritores se vejam num solo comum onde tanto o intelectual burguês ou acadêmico quanto o intelectual dos pobres (Paulo da Portela, Adoniran Barbosa, Carolina Maria de Jesus) se vejam como produtores de cultura dentro de um conceito ampliado de cultura, onde ágrafos ou analfabetos também compõem o acervo criativo nacional, sem subdivisões em classes. Contra o beletrismo e o diletantismo de intelectuais contentes, Joel Rufino vai mais longe na visão da tarefa do intelectual do que Walter Benjamin em “O autor como produtor”. De toda forma, os dois autores se complementam e pode ser visto assim de forma mais nítida o papel do crítico hoje no Brasil.