O Mais Médicos e os dilemas para uma Medicina Social

No último livro do Roberto Machado, ele se dá a liberdade de finalmente não ser o teórico ou o professor. Diz que finalmente pôde exercitar a prática literária, algo que sempre deixou de lado por causa dos estudos filosóficos. Não tinha tempo para a literatura. Aposentado, não escreveu um livro de ficção, mas de histórias, de relatos da convivência pessoal que teve com Michel Foucault nas suas passagens aqui pelo Brasil, onde Roberto parecia ser seu guia e também seu estudante mais aplicado. Num documentário recente que assisti sobre o Mais Médicos, programa marcado para morrer em breve (talvez por volta de novembro os médicos cubanos comecem a ir embora). É porque quando estavam na Bahia, foram visitar o Pelourinho. E lá Foucault viu a realidade da prostituição, da pobreza humana, dos esgotos a céu aberto. E aí ele exclamou (palavras minhas do que ouvi da palestra do professor, ou seja, não literais): “Mas Roberto, tudo bem que escrevi sobre a medicina social, fiz uma crítica forte a respeito, mas isso aqui é indecente”.

O curioso do documentário do Mais médicos são os questionamentos sobre como tratar sem descuidar, sem, por medidas de força (nem que seja a força moral da autoridade médica), populações com práticas sociais e médicas totalmente diferentes? Onde, por exemplo, a religião assume um papel ainda preponderante, e que não é por um suposto saber científico, por mais “suave” que seja, irão conseguir atingir.  Todo um campo de estudo pode ser aberto caso olhemos para essas histórias.

 

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Foucault, Leiris e os canhões: sobre o fazer literário atual

Michel Leiris por Francis Bacon, 1973.

Como escrever hoje? Somos “pequenos Hans”, Chéri-Bibi em busca de uma “boa identificação”? Eis alguém como eu! Eis alguém como eu! Em meio às redes sociais, a crítica que Foucault faz da Aufklärung kantiana, e A regra do jogo, da escrita de si, de Michel Leiris, podem nos fornecer importantes subsídios.

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Haxixe para Foucault

Kant nas magazines.
No livro “The Passion of Michel Foucault”, de James Miller, o autor narra os bastidores do célebre debate entre Michel Foucault e Noam Chomsky. O caso, porém, não indica apenas uma brincadeira do organizador do encontro. Fica ainda mais claro as diferenças políticas e filosóficas da época, obscurecidas pelas incontáveis discussões acadêmicas de um lado, e pelas teorias sobre o “pós-modernismo” e sobre a influência da CIA na vanguarda francesa do pós-guerra.

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A posição indefensável, a entrevista infame de Daniel Zamorra: “podemos criticar Foucault?”

Comecei a publicar tempos atrás uma série de pequenos textos sobre o Foucault, releituras minhas com o objetivo menos de compreender um suposto autor do que usar suas ferramentas teóricas em campos distintos (ver a tag, no blog, chamada “pós-foucaultianas” para ter a listagem de toda a série ou clique aqui). Somente assim, no meu Leia mais sobreA posição indefensável, a entrevista infame de Daniel Zamorra: “podemos criticar Foucault?”[…]

Atos de guerra imperial: por uma teoria da guerra total, nuclear ou não

O Times confunde a Igreja Ortodoxa Russa com o Kremlin e diz que estão tomando posse da Casa Branca.



Guerra e mais guerra, guerra por todas as partes. Uso desproporcional de força militar, ameaças armadas em todos os lugares do mundo cujos princípios ideológicos não sejam os do império. Ameaça armada a quem defende no Brasil a democracia: sem os metrôs abertos das manifestações CBF (o antro da moralidade pública e onde o “povo” lava a alma nos estádios agora devidamente gourmetizados), com muito gás de efeito moral, spray de pimenta, cassetetes, etc. Ameaça armada, é bom lembrar, com a reativação da Quarta Frota americana quando começamos a desenvolver de fato o pré-sal. São muitas as frentes de guerra do império. Guerra econômica à Rússia através do uso de sanções (que acabaram por dinamizar muitos dos setores da economia russa), ou pior ainda, a manipulação dos preços do petróleo através da aliança dos ocidentais, nos neocons, dos atlantes, dos ultras, com seus parceiros nas monarquias do Golfo Pérsico. Guerra climática, HAARP, na prolongada seca que atingiu o Brasil nos últimos anos, responsável pelo aumento da inflação (um dogma neofascista), basicamente resultado dos preços controlados – a energia – e dos problemas com a produção de alimentos que levou à oscilação do preços destes por causa de sucessivas más colheitas.  Atos terroristas ou supostamente terroristas mundo afora, aumentando a histeria global sobre o “fundamentalismo” e seus parceiros, fundamentalmente os países do eixo asiático. Em que medida a clássica “guerra de aniquilação”, de Hitler e Stálin, se difere da guerra total, tal como a vivemos atualmente? O que seria, por outro lado, uma guerra de aniquilação sob o pano de fundo da guerra total, ou seja, uma guerra de aniquilação do século XXI? Seria essa uma hipótese válida? Como descrever hoje o termo genocídio e quais seus possíveis desdobramentos no futuro próximo?

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Disparates (Investigações sobre a biopolítica III)

A situação de Lula, da Síria e do mundo que todos acham “normal” Enquanto a China faz projetos de ainda em 2020 chegar ao lado escuro da Lua, de obter os preciosos recursos em mineração que sua superfície sem atmosfera fornece (fala-se do hélio-3 e da fusão nuclear), no ocidente se vive mais de uma Leia mais sobreDisparates (Investigações sobre a biopolítica III)[…]

Investigação sobre o conceito de parresía (II): o caso Hamlet e a necessidade de uma revisão literária e historiográfica.

Ser ou não ser: eis a questão? Este texto dá sequência à publicação “Investigações sobre o conceito de parresía (I): o caso Hamlet, a soberania sobre si e os descaminhos da análise psicanalista-existencialista” escrita anteriormente por mim. Existe também uma relação direta com outra publicação, “Investigações sobre a biopolítica I – A Empresa Mundial S/A e Leia mais sobreInvestigação sobre o conceito de parresía (II): o caso Hamlet e a necessidade de uma revisão literária e historiográfica.[…]

Investigações sobre o conceito de parresía (I): o caso Hamlet, a soberania sobre si e os descaminhos da análise psicanalista-existencialista

Assim como na Grécia antiga o conceito de governo de si, pelo menos desde Sócrates ou do diálogo Alcebíades, tornava explícita imediatamente sua vinculação com o governo dos outros, as análises “psicanalistas-existencialistas”, ao cometerem a barbárie de pensar uma existência do ego completamente descolada de problemas sociais mais complexos (como no Anti-Édipo, o presidente Schereber Leia mais sobreInvestigações sobre o conceito de parresía (I): o caso Hamlet, a soberania sobre si e os descaminhos da análise psicanalista-existencialista[…]

Investigações sobre a biopolítica I – A Empresa Mundial S/A e o modelo de governança jurídica no pós-Bretton Woods

A medicina moderna, segundo Foucault, é menos um lugar onde se explora a individualidade do paciente, a relação do médico com o doente, do que uma medicina social, focada primeiramente, no séc. XIX, no controle dos corpos e, com a instituição da psicanálise, do controle interno da família, da disposição dos quartos, da relação entre Leia mais sobreInvestigações sobre a biopolítica I – A Empresa Mundial S/A e o modelo de governança jurídica no pós-Bretton Woods[…]

Lula em “pratos limpos” (Investigações sobre a biopolítica II)

Você sabe quem é o Assassino Econômico? Por muitos anos tentam incriminar Lula, bani-lo da vida pública. Desde os sequestradores de Abílio Diniz e que foram presos e mostrados aos jornais vestidos com a camisa do PT, passando pelos “aloprados”, pelo “mensalão”, pelo “triplex” do Guarujá, etc. Como de origem pobre, nordestino, bebedor de cachaça, Leia mais sobreLula em “pratos limpos” (Investigações sobre a biopolítica II)[…]