Autópsia ou o olhar do historiador

Com seu livro O espelho de Heródoto, François Hartog acabou por entrar, talvez à revelia, no “vendaval” que sacudiu o debate dos intelectuais com o surgimento do revisionismo histórico sobre o nazismo. Na época, tanto Carlo Ginzburg quanto Paul Ricoeur reconheceram no livro traços do relativismo cultural daquela década, marcada tanto por um incremento na sofisticação da escrita dos historiadores (o que os aproximou da escrita ficcional), quanto por um ambiente político e acadêmico reacionário que buscava negar Auschwitz. Contudo, as indeterminações que sugeria o conceito de “autópsia” criado na ocasião por Hartog, serviram para questionar as estruturas do pensamento historiográfico e, longe de qualquer relativismo reacionário, projetou-o hoje como um dos maiores pensadores acerca do ofício do historiador. É um pouco dessa história que esse texto pretende contar.

Em coletânea de seus ensaios, Carlo Ginzburg, já não mais no centro da polêmica, tece comparações a respeito de similitudes que encontra no livro O espelho de Heródoto com a meta-história de White. Ele se posiciona desta maneira, onde também faz um breve balanço do que foram os conturbados anos anteriores em relação ao debate teórico no campo historiográfico:

Até não muito tempo atrás, a maioria dos historiadores enxergava uma nítida incompatibilidade entre a acentuação do caráter científico da historiografia (tendencialmente assimilada às ciências sociais) e o reconhecimento da sua dimensão literária. Hoje, ao contrário, esse reconhecimento é estendido cada vez mais a obras de antropologia ou de sociologia, sem que isso implique necessariamente, de quem o formula, um juízo negativo. O que em geral é ressaltado, porém, não é o campo de conhecimento identificável nas narrações de ficção, por exemplo, nas narrativas romanescas, mas sim o nível fabulatório identificável nas narrações com pretensões científicas – a começar pelas narrativas historiográficas. A convergência entre os dois tipos de narração deve ser buscada – para ser breve – no plano da arte, e não no da ciência. Hayden White, por exemplo, examinou as obras de Michelet, Ranke, Tocqueville e Burckhardt como exemplos de historical imagination. E François Hartog (independentemente de White e inspirando-se mais nos escritos de Michel de Certeau) analisou o quarto livro de Heródoto, dedicado aos citas, como um discurso autossuficiente, acabado em si como a descrição de um mundo imaginado. Em ambos os casos, as pretensões à verdade das narrações historiográficas são excluídas pela análise.

(GINZBURG, 2007, p. 327-8).

O posicionamento de Paul Ricoeur a respeito do livro de François Hartog é em muitos aspectos similar ao de Ginzburg, como veremos logo em seguida. No artigo do historiador italiano, chamado “Provas e possibilidades”, publicado primeiramente como posfácio ao livro de Natalie Zenon Davis, O retorno de Martin Guerre, ele levanta a possibilidade de se avaliar, na produção dos romances do século XVIII, o que haveria de válido para o conhecimento histórico, ou seja, o que, ainda que por via indireta, poderia servir na ficção como prova para o ofício do historiador. Ginzburg ressalta que os debates dos anos anteriores não se deram na via da ficção para a história, mas se concentraram na direção oposta, da história para a ficção. As discussões foram tão intensas que passaram a ser aceitas em seu nível fabulatório não só composições historiográficas, mas também antropológicas e sociológicas. Não irei retomar as críticas a Hayden White que, no caso específico do historiador italiano, foram feitas com mais ênfase nos ensaios que compõem os dois primeiros textos do livro publicado sob o título Relações de força, onde procura alterar a compreensão do saber historiográfico a partir de uma mudança de foco: neste plano, o saber estaria mais próximo da Retórica e não da Poética aristotélica. Igualmente, relembra que o moderno método historiográfico, em suas raízes mais profundas, está no trabalho de crítica documental como realizado por Lorenzo Valla em sua refutação ao documento longamente aceito chamado Doação de Constantino.

O que me chamou a atenção no texto de Ginzburg é que ele, tal como Ricoeur, coloca bem próximos problemas levantados pela Meta-história aos que estariam implícitos na “retórica da alteridade”, de Hartog. Este, para o historiador italiano, não despreza a comparação dos relatos de Heródoto com os resultados “das escavações arqueológicas na zona ao norte do Mar Negro ou das pesquisas sobre o folclore dos ossetas, remotos descendentes dos citas” (GINZBURG, 2007, p. 327). Mas essa comparação teria sido feita de maneira totalmente eventual, e atenuou e mal interpretou num ponto essencial as práticas divinatórias dos citas. Para não cair neste erro, Hartog poderia ampliar sua comparação com outras séries documentais, em especial a documentação osseta recolhida por folcloristas russos no final do século XIX. Sem uma crítica adequada das fontes, Hartog teria produzido mais um trabalho de ficção, ou seja, sem o rigor necessário para que fosse considerado um trabalho rigorosamente historiográfico.

No posicionamento de Paul Ricoeur, o fato de Hartog ter isolado o “lógos cítico” de todo o resto do contexto das Histórias de Heródoto (especificamente, sua pesquisa é sobre o quarto livro) acabou por produzir um tipo de leitura onde não se sai dos textos para os fatos, ou seja, as Guerras Médicas, mas para um ambiente intertextual do imaginário grego do século V. É como se Hartog não quisesse nos colocar para ver o que viu Heródoto (em especial, a guerra e os persas), mas para nos colocar em seus olhos e analisar seu funcionamento. Esses olhos seriam o “espelho” por meio do qual o bárbaro se veria em sua alteridade e o grego em sua identidade, numa trabalho na linguagem e para a linguagem em busca da constituição de um imaginário. Ricoeur pergunta: “será que o próprio propósito de ‘avaliar o efeito do texto sobre o imaginário grego’ não lança de outra forma a pergunta do referente: esse efeito do texto foi atingido (RICOEUR, 2007, p. 260, n. 19)?”. Seria necessário, assim, uma história da leitura de Heródoto feita pelos gregos do século V, em especial o relato a respeito da batalha de Salamina.

Ambos os autores convergem na identificação de uma falha do livro de Hartog na qual, na busca por constituir um imaginário coalescente, grego e cita, acabou por ignorar dados factuais relevantes. Ricoeur levanta a questão da necessidade de uma espécie de arqueologia baseada num tipo de teoria da recepção, ancorada na percepção dos gregos, através da leitura de Heródoto, da batalha de Salamina. Ginzburg levanta um ponto muito específico, a incapacidade de Hartog de ver corretamente o funcionamento dos mecanismos por meio dos quais funcionava a adivinhação entre os citas. Sua falha se deu por não tratar de maneira mais rigorosa os documentos que, contudo, tinha em mãos. Ambos não chegam a invalidar a tese de François Hartog como um todo, mas questionam, o que não é pouco, a ambição à verdade em seu relato sobre a escrita da história dos citas. No entanto, com o passar do tempo e a continuidade da publicação dos trabalhos de François Hartog, o que fica claro é que o historiador estava trazendo um novo conceito ao vocabulário dos historiadores, o de “autópsia”, mais do que propriamente querendo recriar novamente um “verdadeiro Heródoto”. Um trabalho onde a história quase se confunde com a tarefa dos filósofos, isto é, a de criar conceitos.

Devo a ênfase neste conceito ou nesta palavra às aulas do professor Manoel Salgado Guimarães, orientando de Hartog em sua pesquisa de pós-doutorado na École de Hautes Études en Sciences Sociales. Frente ao estranhamento causado nos alunos por um termo utilizado por médicos remeter a um modo de se fazer história, ele expunha a aporia de todo e qualquer conhecimento historiográfico estar submetido ao olho, à autópsia. Ao mesmo tempo em que isso seria uma garantia da veracidade do relato historiográfico, também revelava suas limitações e mesmo suas possíveis falhas ou erros. Na história moderna, os documentos que passam pela autópsia do historiador, revelam seu próprio ponto de vista, para além de qualquer desejo de objetividade e imparcialidade científica que a historiografia possa almejar. Na história antiga, o olho está em paralelo com o ouvido, “eu vi, eu ouvi”, o que, se de nenhuma maneira esse conhecimento continua válido, pois agora o “eu vi, eu ouvi” está mais nos limites do testemunho, aponta para a zona de imprecisão da historiografia antiga que, talvez inutilmente, os historiadores modernos tentam exorcizar. Fora a metodologia própria da história oral, o historiador moderno vê e ouve os documentos, nos documentos. Michelet, nesse sentido, continua nosso contemporâneo. Ao buscar dar “voz aos mortos”, ele os ouvia através dos documentos, ele os ouvia enquanto lia seus papéis.

Existe uma distinção interessante entre posturas historiográficas que nos permite a comparação do posicionamento de Carlo Ginzburg frente a François Hartog, isto é, da historiografia frente ao tratamento dos documentos e à elaboração de conceitos. Pierre Vidal-Naquet, em especial no projeto que vai da publicação de Le choisser noir até La démocratie grecque vue d’ailleurs, propõe uma abordagem historiográfica onde prevalece a releitura de obras canônicas, em especial a abordagem em conjunto de A RepúblicaAs leis e o Fédon, de Platão. Os documentos primários são colocados em segundo plano quando se estabelece um novo método de releitura desses trabalhos já conhecidos, se aproximando muito neste caso de uma história da filosofia. Parece por vezes quase substituir por outros meios o papel tradicionalmente exercido pelos filósofos. O historiador se preocupa menos com a descoberta de novos documentos do que com a reinterpretação de fatos amplamente divulgados. Na outra ponta, a metodologia de Marcel Detienne coloca a busca por novas fontes primárias como algo fundamental para seu trabalho de historiador, sem a qual não consegue iluminar quase nenhuma parte das histórias que pretende contar. Aqui, os textos canônicos são colocados em segundo plano. De um lado, com Vidal-Naquet, uma postura que se aproxima da reinterpretação de um texto clássico como feita por Hartog sobre Heródoto. De outro, Ginzburg se aproxima de Detienne, pois também sempre ilustra toda e qualquer história contada, mesmo nos menores artigos, com a referência a alguma fonte primária que adquire um estatuto central em sua narrativa. São duas posturas divergentes e complementares que devem ser consideradas.

Em trecho de seu livro Evidência da história encontramos uma breve descrição do recorte epistemológico que guiará Hartog em suas pesquisas, e a história do vocábulo que hoje de maneira tão diferentes usamos, isto é, este termo mesmo, “história”. Talvez seja melhor, aqui, deixarmos o historiador falar:

“Dize-me, Musa, o homem de um número incontável de habilidades”, tal era o contrato inaugural da epopeia. A Musa, filha de Memória e inspiradora, era avalista do canto do poeta. Com a primeira história, terminou desde logo esse regime de palavras. A prosa substituiu o verso, a escrita se impõe: a Musa desapareceu. No seu lugar, está um termo novo e uma nova economia narrativa: “De Heródoto de Halicarnasso, eis a exposição de sua historie…” Palavra emblemática, historie (forma jônica de historia), aos poucos, vai impor-se (Tucídides, por sua vez, adotará a maior precaução para evitar seu uso). Palavra abstrata, formada a partir do verbo historein – investigar, em primeiro lugar, no sentido de inquérito judicial –, historia é um termo derivado de histor (raiz wid), que, por sua vez, está associado a idein, ver, e a oida, saber. Em vez de ser “aquele que sabe por ter visto ou aprendido”, o histor é aquele que sobretudo está em condições de se apresentar como avalista. Ora, o histor está presente na epopeia, na qual ele aparece em várias ocasiões como aquele a quem se recorre: em vez de testemunha direta, ele é aquele que se toma como testemunha.

(HARTOG, 2013, p. 60-1)

Uma ruptura e uma continuidade, portanto, entre a prosa e a epopeia, ou entre a história e a poesia. O histor, presente na epopeia, se desenvolverá numa palavra abstrata e emblemática, formada a partir do verbo que designa a investigação em sua forma judicial, historein. Aquele que conta a história será tanto o avalista das testemunhas diretas, como ocorria na poesia antiga, quanto aquele que terá a tarefa de investigar para trazer a verdade. Tarefa limitada, entretanto, porque o historiador não tem a visão divina do aedo, nem a autoridade do histor ou “mestre da verdade”, como Agamenon. Por não ter autoridade nenhuma além de si mesmo, o historiador se limita a se envolver num processo de investigação, o que é também, segundo Hartog, o primeiro momento da operação historiográfica. O segundo momento ultrapassa o processo investigativo e convoca a figura do adivinho. “Heródoto historei, mas também semainei: ele designa, revela, significa. O verbo semainein se aplica a quem viu o que os outros não veem ou não puderam ver: ele pertence claramente ao registro do saber oracular” (HARTOG, 2013, p. 61). Heródoto investiga quem foi o primeiro a tomar iniciativa ofensiva aos gregos: Creso, rei dos lídios. Ele investiga e designa, aponta uma responsabilidade. Não se apresenta como adivinho, mas como revestido de uma autoridade de tipo oracular. Historein e semainein são “dois gestos que conferem estilo à prática do primeiro, historiador e lançam a evidência da história. Sem ser aedo, nem adivinho, mas entre o aedo e o adivinho” (HARTOG, 2013, p. 62).

A narrativa de Homero se dava no tempo dos heróis e dos deuses, o de Heródoto é o tempo humano, construído pelos homens. Não obstante, seu princípio de avaliação é a grandeza e o que causa espanto (thauma): esse é o seu princípio para avaliar a diversidade e os variáveis ordenamentos do mundo. Ao contrário do Heródoto clássico das Guerras Médicas, o apresentado por François Hartog, mesmo neste livro de 2005, ou seja, vinte e cinco anos após a publicação de O espelho de Heródoto, continua sendo o Heródoto da alteridade e do espelho entre bárbaros e gregos. Segundo suas Histórias, o que havia no início eram pelasgos. Os gregos também eram bárbaros até eles aprenderem a ser gregos e a formarem uma nova língua. Os gregos então experimentaram um crescimento demográfico exponencial, enquanto os bárbaros não tiveram aumento populacional considerável. “Neste ponto, verifica-se o início de duas temporalidades, qualitativamente diferentes: um tempo dos gregos e um tempo dos bárbaros” (HARTOG, 2013, p. 60). Chegamos a uma dupla cisão temporal: a que separa os homens dos heróis e dos deuses e o tempo posterior que veio separar os bárbaros dos gregos. Aqui, novamente Heródoto aparece como uma espécie de antropólogo, tal como no livro de 1980. Ele distingue entre “sociedades quentes” e “sociedades frias”. O antigo historiador grego se veste com as roupas do moderno historiador. Ele também identifica a longa duração histórica. Em sua visita a Tebas, Hecateu de Mileto recita aos sacerdotes sua genealogia composta de dezesseis descendentes que os ligariam a um ancestral divino. Os egípcios levam seu hóspede a percorrer a galeria com trezentos e quarenta e cinco estátuas de sacerdotes que, na contagem deles, representam apenas as gerações humanas de sua linhagem. “Assim, Heródoto leva a sentir a diferença entre o tempo dos egípcios e o dos gregos. Esse encontro físico com a Antiguidade do Egito e a longa duração do tempo nunca mais deixarão de suscitar o fascínio dos gregos” (HARTOG, 2013, p. 60). Quais as vantagens de se ressuscitar, aqui, as antigas discussões retiradas dos relatos de batalhas das Histórias?

Cisão muito similar ao que Hartog faz entre história e epopeia pode ser encontrada no livro de Marcel Detienne, Os mestres da verdade na Grécia antiga. Nele, a distinção se opera entre o mundo rural e a polis, entre os cantos de Hesíodo e a filosofia de Parmênides. Com o advento da cidade-Estado, deve ser separado o ser do não-ser, o falso do errado, no jogo democrático exercido em praça pública. O objeto de investigação do livro são as origens da palavra alétheia. No mundo contemporâneo, onde a verdade está relacionada a um saber objetivo e experimental, não se colocou à prova a história desta palavra tão utilizada. François Hartog, num tempo em que Tucídides ainda era sinônimo de historiador, pois viu tudo com seus próprios olhos e fez história política ao modo do século XIX,[1] resgatou a “autópsia” de Heródoto para questionar o estatuto de verdade do olhar historiador. É colocado em circulação, tal como Detienne fez com a palavra alétheia, a transição entre as palavras histor e historie, o aparecimento da investigação de modo judicial, como prova de verdade, condição sem a qual o historiador não pode inspirar nenhuma confiança. Diferente de Ginzburg, como exposto em sua citação em destaque linhas acima, enxergamos a proximidade de Hartog com o trabalho dos helenistas da terceira geração analítica, alusão intelectualmente, talvez, tão interessante quanto a que o historiador italiano teceu entre Hartog e Michel de Certeau, historiador do imaginário fabular dos séculos XVI e XVII.

Porque de fato, no livro de 1980, Hartog se inspira na constituição deste tipo de imaginário para pela primeira vez propor seu conceito de autópsia, quando viu ali uma indiscutível “constante epistemológica”. Não são apenas os gregos que dão tanta importância ao olhar. É Marco Polo, Lery, Lescarbot. Está em jogo a noção de thauma, de maravilhoso ou espantoso; “com efeito, dizer que se viu com os próprios olhos é, ao mesmo tempo, ‘provar’ o maravilhoso e a verdade: eu o vi, ele é verdadeiro – e é verdadeiro que ele é maravilhoso” (HARTOG, 2014, p. 291). Como dito acima, a grandeza e o espanto faz parte da primeira operação historiográfica, responsável por distinguir o que é ou não notável, avaliar a diversidade do mundo e compor seus diferentes ordenamentos. Nada mais distante da volta a um mundo pré-ordenado, familiar, num modelo de tipo edipiano como proposto, por exemplo, por Hayden White. Por isso a prosa deste teórico causa menos espanto do que estranheza. Não há jogo neutro no trabalho de investigação. O lado de fora é sempre “Das Unheimliche”. Caso contrário, o aedo não seria cego e o historiador um exilado (seja Heródoto ou Tucídides). É sempre numa situação limite que sua verdade é provada.


[1] “Paradoxalmente, Tucídides, para quem só a história contemporânea é factível, será promovido ao primeiro posto entre os historiadores da Antiguidade, no século XIX, por homens para quem a história não pode fazer-se senão no passado” (HARTOG, 2014, p. 295).  Hartog faz a escavação arqueológica que os demais historiadores dos quais é herdeiro não fizeram, isto é, restituir um lugar a Heródoto que os positivistas lhe negaram e que a historiografia analítica não fez questão de se ocupar. Ainda mais, com o “retorno do acontecimento”, a historiografia teve que lidar com a mídia de massas e o voyeurismo do repórter-espectador e do espectador-repórter. “Desta maneira, se ‘eu vi’ o acontecimento, vocês o viram igualmente. Desde então, ser historiador não consiste em dizer o que se viu. Com efeito, com que finalidade? Consiste antes em interrogar-me sobre o visível e as condições de visibilidade. Afinal, o que é o visível? Ou seja: interessa não mais o que eu vi, mas o que é que eu vi” (HARTOG, 2014, p. 296).

Bibliografia

GINZBURG, Carlo. O fio e os rastros: verdadeiro, falso, fictício. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

HARTOG, François. Evidência da história: o que os historiadores veem. Belo Horizonte: Autêntica, 2013.

________________. O espelho de Heródoto: ensaio sobre a representação do outro. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2014.

RICOEUR, Paul. A memória, a história, o esquecimento. Campinas: Editora da Unicamp, 2007.

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