As movimentações do Partido da Guerra na campanha eleitoral

Imagem ilustrativa do New York Times para o artigo anônimo de um suposto membro do governo de Donald Trump

Líderes do partido da guerra (ou neocons) se movimentam na Europa, com Theresa May, e nos EUA, para forçar uma massiva ação da OTAN na Síria (mais contundente que a de abril deste ano) e a legitimação do “Russiangate”, campanha no seio da qual nasceu o termo “fake news”. A guerra total que vivemos hoje pode ou não ser nuclear. Depende de como os dados sejam lançados. Nesse sentido, as eleições de 2018 nos EUA são tão importantes como serão as daqui do Brasil. Um marco para o bem ou para o mal pode ser estabelecido. As campanhas difamatórias começaram com toda a força por lá, enquanto por aqui continuamos a viver momentos dramáticos.

A artimanha britânica

Em cinco de setembro, Theresa May declarou guerra a Rússia, acusando o país de diversos ataques terroristas no mundo, na esteira do suposto ataque químico a família Skripal dentro do solo britânico. O governo britânico também supostamente prendeu agentes russos da DCI (Departamento Central de Inteligência) por causa desse incidente, porém só mostrou fichas onde contém seus codinomes. Até a Scotland Yard duvidou que esses agentes de fato existam. Como relatou a Executive Intelligence Review (link acima), “O assistente da Presidência russa, Yuri Ushakov, respondeu: ‘Nós ouvimos e vimos que dois nomes foram dados, mas esses nomes não significam nada para mim pessoalmente, assim como isso não significa nada para você, eu acho’. Ele observou que a Scotland Yard admitiu em uma declaração que esses nomes foram inventados. ‘Eu não entendo porque eles fizeram isso e quais são os sinais que o lado britânico está enviando. É difícil entender'”.

Enquanto isso, a Rússia apresentou relatórios da OPAQ (Organização para a Proibição de Armas Químicas) e da ONU sobre o possível ataque químico em Idlib. Theresa May, por seu lado, disse que se houver esse ataque (provavelmente provocado pela assessoria de imprensa dos White Helmets, financiada pelo MI6 britânico como relatamos aqui) uma ação militar de larga envergadura será deslanchada contra os russos. De um lado, a Rússia tenta advertir com relatórios de organismos internacionais, sobre possíveis ataques que depois seriam atribuídos aos governo de Assad. De outro, May considera que, baseada apenas em suas convicções, qualquer ataque químico só poderá vir da parte de seus inimigos e os ameaça. Claro, nenhuma menção ela poderia fazer do conluio do MI6 com os White Helmets.

O aviso estrangeiro e a infame campanha do New York Times

Da Alemanha chegam novos alertas:

Em um artigo de opinião, sem precedentes, escrito com palavras francas e diretas, que foi publicado em 3 de setembro pela versão alemã do RT, o ex-assistente do ministro da defesa alemão, Willy Wimmer (da União Democrata Cristã da Alemanha) alertou sobre qual poderia ser a situação no mundo no dia seguinte às eleições nos Estados Unidos em 6 de novembro, em que os opositores do presidente Trump ganhariam cadeiras suficientes para tirá-lo do cargo. Isso, diz Wimmer, seria o prelúdio de uma guerra nuclear contra a Rússia, o principal inimigo dos círculos identificados com os nomes de John McCain e Hillary Clinton.

“O potencial de ódio da mídia anglo-saxônica global significa que isso não será um confronto normal, nem mesmo em escalada, mas sim o caminho que leva à aniquilação do suposto inimigo da coalizão militar dos EUA. Isso lhes dá uma idéia do poder do estado profundo “, diz Wimmer, embora na realidade houvesse mais “império britânico “em vez de” estado profundo “.

Os preparativos para o confronto foram seguidos diligentemente na Europa nos últimos anos, de modo que a demissão de Trump “seria a quebra da barragem de contenção que mantinha viva a frágil paz”. Os obituários do falecido senador John McCain mostram “onde bate o coração dos chefes de governo europeus, e há George Soros com sua campanha contra Trump, uma campanha que agora é levada desde sua nova sede europeia, em Berlim”.

Essa campanha se dá no Oriente Médio, onde acossam a presidência dos EUA para um ataque sem precedentes baseados em falsos preceitos, e teve dois capítulos importantes nos últimos dias dentro dos Estados Unidos. Um, o lançamento de um livro amplamente calunioso (Pepe Escobar é um dos que já se pronunciaram a respeito do livro como uma peça publicitária contra o governo Trump, escrito por um autor sem crédito algum dentro dos círculos internacionais de maior responsabilidade), Fear: Trump in the White HouseDe outro lado, um artigo infame no New York Times, anônimo, de um suposto membro do governo TrumpComo muito bem se posicionou Gleen Greenwald a respeito do texto:

“A ironia no artigo de opinião do anônimo WH do NYT é gritante e massiva: ele/ela acusa Trump de ser ‘antidemocrático’ enquanto se gaba de ser membro de uma cabala não eleita que secretamente impõe sua própria ideologia com zero responsabilidade democrática, mandato ou transparência”.

No artigo, o anônimo acusa Trump por seu relacionamento com a Rússia e a Coreia, diz não ser parte de uma “resistência popular de esquerda”, fala do temperamento instável do presidente (o que faz parte da estratégia desse setor de buscar seu impeachment a partir da 25ª ementa) e comenta, com especificidade, sua preocupação com a Rússia, exatamente como faz Theresa May:

Por exemplo, sobre a Rússia, o presidente relutou em expulsar muitos dos espiões de Putin como punição pelo envenenamento de um ex-espião russo no Reino Unido. Ele reclamou por semanas que altos membros do gabinete o deixaram preso em mais confrontos com a Rússia e expressou frustração por os Estados Unidos terem continuado a impor sanções a esse país por seu comportamento maligno. No entanto, sua equipe de segurança nacional tinha razões para fazê-lo – essas ações tiveram que ser tomadas para obrigar Moscou a prestar contas.

Acaba com um elogio fúnebre ao republicano John McCain ou McWar, colaborador de primeira hora de Hillary Clinton, Barack Obama e do chamado”Estado Profundo” – o verdadeiro partido da guerra. Com tudo isso tão explícito, já foi reconhecido também nos EUA (mais acima relatamos o testemunho do dirigente alemão) que a “mudança de regime” nos EUA tem como objetivo iniciar a guerra. Nesse sentido, as eleições de 2018 nos EUA são tão importantes como serão as daqui do Brasil. Um marco para o bem ou para o mal pode ser estabelecido. As campanhas difamatórias começaram com toda a força por lá. Por aqui, continuamos a viver momentos dramáticos.

Como o autor anônimo do artigo do NYT enfatiza, não agrada ao partido da guerra qualquer política de aproximação com a Rússia. Nesse sentido, deve ser entendido como um primeiro golpe de Estado contra Donald Trump a invenção do Russiangate, a Lava-Jato deles (cujos agentes-chave trabalham tanto nessa mentira quanto na que aqui conhecemos a partir de Curitiba). Esse primeiro golpe provocou a demissão do assessor de Trump, o general Michael Flynn, e que colocou em seu lugar o extremamente belicista John Bolton. O “deep state” fincou raízes no governo de Trump e são esses mesmos agentes, junto com seu vice-presidente, que conspiram noite e dia contra o Brasil e, principalmente, contra a Venezuela. Apesar de seus pronunciamentos exaltados, Trump é antes um homem de negócios, e de negociações, do que um general no estilo do antigo Império Romano. A luta agora é por sua cabeça. Ou ele consente (e entrega a cabeça para ser comandada) ou a cortam: esse é o grito de guerra desse segundo golpe que se avizinha junto às eleições dos próximos meses e as movimentações ao redor de Idlib.