CARNIVORE ou Facebook: da CIA às Revoluções Coloridas

 

Segundo episódio da série dedicada nesse blog sobre as manipulações midiáticas (para ler o primeiro episódio CLIQUE AQUI), porém agora recobrindo as mídias eletrônicas, a gênese dentro dos serviços secretos, das mídias sociais, e seu papel na criação das “revoluções coloridas”, conhecida no Brasil pelas manifestações de junho de 2013. As forças armadas dos países asiáticos, em especial Rússia e China, consideram as “revoluções de cor” como guerras irregulares modernas – guerra entre Estados, diga-se – como foi o caso na Ucrânia e da ascensão lá do governo neofascista dos apoiadores de Stephan Bandera e o passo atrás que se deu, consequentemente, na chance de criar relações pacíficas do bloco transatlântico com o continente asiático. A ascensão aqui no Brasil da ultra-direita e do conservadorismo de um modo geral não podem estar desvinculados dessa nova forma de guerra, uma das frentes do Império contra o desenvolvimento de um novo modelo econômico internacional, fundamentalmente o que acontece em torno dos países BRICS.

Quando falamos em engenharia social e mineração de dados; quando nos perguntamos sobre o que possibilitou as manifestações de 2013 como movimento declaradamente anti-político; quando vemos a evasão da vida e do debate políticos tão bem refletida nos últimos dois ou três anos, não podemos evitar a pesquisa sobre Octopus, ou do caso de mineração de dados ocorrido nos EUA durante a década de 1980 chamado de Inslaw Affair. Essa investigação só veio a público anos depois através do trabalho do jornalista independente Danny Casolaro, meses depois encontrado morto em condições suspeitas num hotel de beira de estrada nos EUA. O ex-agente da KGB e best-seller internacional, Daniel Estulin, retomou a história, num caso romanceado e que pode nos esclarecer na escrita desta publicação.

TEXTO DISPONÍVEL EM PDF NA ACADEMIA.EDU

Sem rodeios, o aplicativo Octopus é o seguinte: foi criado ainda na década de 80 e repercutiu no caso chamado de Inslaw Affair. O escândalo no meio judiciário estadunidense se deu porque a firma Inslaw criou um programa de computador capaz de acessar os dados de todos os processos que corriam em segredo de justiça. Só que nos anos 90-00 e com o desenvolvimento da internet, o programa foi ampliado, representando mesmo um “salto quântico” dentro da informática e dos meios de inteligência. Os EUA passaram a vender o aplicativo para as centrais de segurança de diversos países, porém com um fundo falso: toda a informação captada por meio do aplicativo Octopus (o Inslaw “turbinado”) caia automaticamente no sistema de dados americano.

Quem investigou esse caso e foi “suicidado” num hotel de beira de estrada nos EUA foi o jornalista Danny Casolaro. Sua irmã, correndo atrás de explicações sobre sua morte, foi perseguida implacavelmente, tendo todos, todos mesmo, seus passos vigiados, ainda mais nas buscas que fazia sobre o Octopus e do “lírio dourado” na internet. O serviço é tão inteligente que está dentro do Google e demais aplicativos e, dependendo de combinações ou repetições de palavras, gera um alerta no sistema de segurança. Quem relatou isso foi Daniel Estulin, no único livro que romanceou, alardeado por seus amigos do serviço secreto que caso espalhasse as informações com a quantidade de provas materiais (nada de Wikileaks, arquivo eletrônico, etc.) que costuma colocar nas suas publicações, sem dúvida seria morto ou “suicidado”.

Existe bibliografia sobre o caso Danny Casolaro, mas o livro do Estulin, Conspiración Octopus, com certeza é a melhor fonte (existem outras indicações no final desse artigo). Porque, além de falar do aplicativo, liga esse grande “sistema invasor” à história do Lírio Dourado, poema escrito pelo imperador japonês em homenagem ao ouro saqueado pelo Japão do sudeste asiático pouco antes da 2ª Guerra Mundial. Estulin fornece as provas do Lírio Dourado em seu site, as fotos das quantidades imensas de ouro, onde ele está guardado (nas Filipinas), e por quem é controlado (claro, os ocidentais). Logo, quando existe uma escassez de liquidez muito grande no sistema financeiro, esse ouro é colocado em circulação para dar sobrevida ao sistema especulativo que, por si, é entrópico, ou seja, programado para se dissolver. Uma das singularidades do trabalho do Estulin é quando relata (e isso bem no início do livro) o desconcerto do presidente do City Bank ao tentar realocar os recursos e não encontrar mais fundo algum. Daí a desintegração do sistema econômica que assistimos hoje, capitaneada por Octopus (nome do aplicativo do programa que faz parte do projeto PROMIS).

Por exemplo, ele fornece alguns extratos de conta correntes de determinadas famílias da nobreza europeia. Só da família Krupp existe um extrato que soma uma quantia de mais de 112 trilhões de dólares. Fora as outras tantas contas em nome desse pessoal. O que tudo isso quer dizer: a crise, além de ser previsível pela própria impossibilidade do sistema financeiro sobreviver por conta própria, foi algo intencionalmente criado. E qual o objetivo? Levando em consideração que esses mesmos grupos foram quem levaram Hitler ao poder (sem essa mitologia de que se aproveitaram de Hitler para lucrar), construíram os campos de concentração (ver papel da ITT, IG Farben e correlatos), etc., não é difícil dizer que o objetivo é o genocídio. Como dizem os oligarcas, inclusive o príncipe Felipe da Holanda (criador do WWF) e a rainha da Inglaterra, é necessário reduzir a população mundial para, pelo menos, 1 bilhão de pessoas. Se não eles não conseguem controlar a população da forma como desejam. Ou seja, querem um novo feudalismo e não se importam de usar os meios mais perversos para atingir seus objetivos, como é o caso atual da provocação de uma guerra com a Rússia e a China através de seus agentes no Oriente Médio. Crise econômica com guerra termonuclear é o que está em jogo agora, e todos esses movimentos “libertários”, desde a Primavera Árabe, foram controlados e insuflados desde o início pelo “deus invisível” das oligarquias europeias.

O extrato bancário dos Krupp. Não é truque nenhum. São 112 TRILHÕES mesmo. E isso em uma só conta. Clique para ampliar.

Claro que existem, e são a maioria, pessoas bem intencionadas, querendo que o Brasil enfim dê certo, etc. Mas o núcleo, o que deslanchou esse movimento “libertário”, está longe de ser o cidadão comum. E a prova maior é o que transformaram o movimento do Passe Livre, fundamentalmente juvenil e de estudantes, numa planilha totalizadora que só pôde mobilizar as milhares de pessoas do início das manifestações por, 1: ser baseado num factóide; 2: ter dinheiro estrangeiro envolvido; 3: claro, ter todo um trabalho de inteligência prévio para se saber quais os grupos suscetíveis de entrar nesse jogo. Na verdade, é pelo nº 3 que se inicia a manipulação e o trabalho dos gringos aqui dentro. Há de se estudar as origens do Facebook e demais redes sociais para ver como o trabalho de inteligência se estabelece. Vamos começar por essa lógica simples:

 

Recuerdo hace mucho tiempo atrás, cuando me encontraba en busca de empleo entre los años 90 al 95, e Internet aún no existía o estaba en pañales. La supuesta empresa que me convocó necesitaba de vendedores para sus cursos y libros de inglés a través del método hipnopédico. Hasta aquí todo bien. El problema comenzó cuando nos entregaron un formulario de 5 páginas para llenar y devolver al personal a cargo al finalizar. Cuando tuve el mencionado formulario ante mí, no pude dejar de indignarme al leer requerimientos tales como: “introduzca el nombre de sus abuelos y su edad”; “cuántas veces ha salido del país”; “cuáles y cuántos son los medios de transporte que ocupa en una semana”; “cuál es su orientación sexual”; “cuál es su periódico favorito”; “¿tiene mascotas?; nómbrelas”; “¿qué lugares visita en su tiempo libre?”, y un largo etcétera. Destruí el formulario ante los ojos atónitos de la reclutadora. No estaba dispuesto a entregar mis datos personales a una supuesta empresa que no conocía y que preguntaba por mis mascotas. Aunque sé que la gran mayoría estará de acuerdo conmigo en mi proceder, hoy en día, y desde el día en que comenzaron a aparecer las redes sociales conocidas como Facebook, MSN, Skype, Wayn, Hi5 y un largo etcétera, la información ya no te la solicitan… ¡tú la das!, y gratuitamente[1].

 

Não é só a publicidade que é tão facilmente trocada entre as empresas que patrocinam a rede. Você procura, por exemplo, o preço de um tênis ou de um computador. Pouco depois, em quase todos os sites que você entra com anúncios do Google, aparece publicidade relacionada a sua busca, nos mesmos ou diferentes sites de compra que tenha acessado. Antes de eclodir a Primavera Árabe, a Apple, Google e Disney se viram arroladas num caso de mineração massiva de dados no mundo árabe. O caso é simples e nos leva para além do conceito rasteiro de capitalismo, como compra e venda ou oferta e demanda de produtos. As empresas que tiveram acesso aos dados coletados nas redes sociais são especialistas em computação, lingüística, estratégia, planificação, infra-estrutura. Nada relacionado às compras cotidianas de bilhões de cidadãos mundo afora. Assim o autor de artigo sobre o tema descreveu o programa Odissey:

 

Altogether, a successful bid for the relevant contract was seen to require the combined capabilities of perhaps a dozen firms – capabilities whereby millions of conversations can be monitored and automatically analysed, whereby a wide range of personal data can be obtained and stored in secret, and whereby some unknown degree of information can be released to a given population through a variety of means and without any hint that the actual source is US military intelligence.

All this is merely in addition to whichever additional capabilities are not evident from the limited description available, with the program as a whole presumably being operated in conjunction with other surveillance and propaganda assets controlled by the US and its partners[2].

 

Aqui uma pequena gênese do Facebook:

 

La central de inteligencia estadounidense, famosa por sus tropelías, asesinatos e intervenciones en medio mundo, creó un programa computacional llamado CARNIVORE o ‘carnívoro’, y que trabaja muy similar al actual Facebook. Solo introducían el nombre del sospechoso y el programa devolvía datos tan interesantes como su tiempo de uso de la red, las páginas que visitó, sus preferencias y gustos, etc. Tenían la capacidad de trazar un cierto tipo de rasgo sicológico del individuo. Más tarde creaban una base de datos con personas de similares características. La aplicación era eficaz pero en realidad muy lenta. La manera de sortear el problema de obtención de la información y disminuir el tiempo en recopilarla fue genial. La creación de Facebook. O si ellos no lo crearon y realmente lo inventó Zuckerberg da lo mismo. No me cabe la menor duda de que Facebook yace desde hace mucho tiempo en manos de la CIA y del nuevo orden mundial. Aquí tal vez es donde entra en juego la empresa In-Q-Tel, sociedad de capital de riesgo creada para buscar talentos en alta tecnología, reclutarlos y financiarlos. El ejecutivo de esta empresa es Howard Fox, quien resulta ser jefe de proyectos comunicacionales e intercambios de la CIA. Hay mucha información interesante sobre los diferentes capitales invertidos y sus alcances pero la realidad es que Facebook es lo que es gracias a una inversión de capital de riesgo de la CIA. Ellos ya no invierten dinero en crear sus medios de vigilancia. Solo monitorean el mercado y cuando ven que cierto emprendedor con una idea genial se adapta a sus oscuras pretensiones, lo financian y ya. A pesar de que Facebook no te da la oportunidad de borrar tus datos ni tus fotografías, de las que por cierto has cedido el control perpetuo, existe cierto grupo de rebeldes que no están dispuestos a tolerar este tipo de prácticas. Se hacen llamar ‘Anonymous’. Pero su aparente lucha en contra del sistema puede en realidad ser un ataque encubierto y de falsa bandera por parte de la elite y su Gobierno invisible[3].

 

Serviços de inteligência, empresas especializadas em informática, lingüística e publicidade – tudo isso é só uma parte do que pode ser encontrado com uma pesquisa aprofundada acerca dessas manifestações “espontâneas” que acontecem seguindo o mesmo padrão mundo afora[4]. Podemos destacar alguns bilionários que financiam os “indignados” e os “coloridos” nos diferentes continentes. Martin Varsavsky é um ricaço argentino de origem judia com formação acadêmica nas universidades mais prestigiosas dos Estados Unidos. Deixou os indignados do 15-M, na Espanha, acamparem no seu quintal e ainda forneceu conexão Wi-Fi com os routers de sua companhia, a Fon. Varsavsky é um dos maiores propagandistas dos indignados pelo mundo. Escreve artigos em espanhol e em inglês em famosas publicações internacionais. Possui sete grandes empresas entre elas a Jazztel, de telecomunicações, e a Medicorp Sciences, do ramo farmacêutico. Nesta, possui a patente dos testes de HIV. Com essa empresa, mantém vínculos com a Fundação Rockfeller, que controla a boa parte dos negócios da indústria da Aids. A Safe Democracy Foundation, famosa por defender uma revolução na União Européia ao estilo 15-M, Clinton Foundation, propagandista do negócio Aids-HIV, One Voice (plataforma sionista), e a Fundação George Soros (dispensa apresentação), estão juntos a Varsavsky no apoio ao padrão jacobino inaugurado nas “revoluções de cor”[5]

 

A cara visível do Google ou sua imagem no espelho

Outra “cara visível” que podemos colocar em nossa lista é a de Enrique Dans, no sugestivo título no blog Antimperialista: “promotor do movimento 15-M, com a oligarquia financeira[6]”. Auto-proclamado promotor do movimento “rebelde”, Dans também possui formação em universidades de renome, UCLA e Harvard, e traz em sua carteira de trabalho (modo de dizer) serviços prestados a instituições financeiras multinacionais como Barclay’s Bank e Bancacívica.

 

Enrique Dans tampoco ha tenido el menor reparo a la hora de elegir a sus amigos y aliados entre los alquimistas del mundo de las finanzas, no en vano ha dedicado gran parte de su tiempo a impartir conferencias en foros empresariales del más alto nivel.

Pero si todo esto te parece poco, debes de saber también que Dans ha sido colaborador habitual de las publicaciones: Expansión, Cinco Días o Libertad Digital (entre otras); publicaciones dedicadas al mundo de las finanzas y defensoras a ultranza de un sistema económico neoliberal imperialista. ¿Qué pensarías si Carlos Marx hubiera sido colaborador de una publicación como Forbes o The Economist? Pues exactamente eso mismo es lo que deberías pensar de este individuo; un nuevo héroe prefabricado por los laboratorios de ideas del gran capital internacional[7].

No seu site pessoal Dans exibe seu invejável currículo[8], sonho mundo afora do chamado empreendedorismo de classe média alta. Há mais de 20 anos, Enrique Dans trabalha na IE Business School, considerada uma das melhores escolas de negócio do mundo. Assim diz Dans em entrevista disponível no youtube[9]: “¿Y hacia dónde vamos? Pues yo creo que hacia demandar un cambio. A no cerrarnos mucho a ponerle patas a ese cambio, y luego ya veremos. (…) Hay que aprender de experiencias previas, como Egipto o Túnez, donde evidentemente la situación no es la misma, había un régimen que derribar y aquí no es el caso”. A partir daqui começamos a entender o óbvio, ou seja, os objetivos dessas “forças transformadoras”. Como podemos ver na Espanha, na Argentina, na Turquia, no Egito, e até, caso entendermos onde estão as forças que deflagram esses movimentos, na Líbia e na Síria, um mesmo padrão se repete, como o mais legítimo produto importado, como os tênis, roupas, CPUs e demais utensílios vendidos em escala mundial. Vamos ver mais um testemunho vindo da Espanha (grifos do original):

 

Estos movimientos se definen como “apolíticos”. Y en general sus estructuras funcionales no varían en su implementación, salvo sus objetivos que se amoldan de acuerdo a las necesidades locales del país y la sociedad en que se los aplica.

Así lo que en Egipto y en Medio Oriente se conoció y aplicó como “revueltas populares”, y en Libia como la “revolución libia”, en España se presenta como la “primavera española” o “protesta de los indignados”.

Así como en Libia se lo aplicó para crear las condiciones de una intervención militar internacional orientada a derrocar a Kadafi y a poner el petróleo libio en manos del consorcio imperial USA-UE, y en Siria se la aplica para desestabilizar al gobierno aliado de Irán, en España su utilización reconoce difusos objetivos políticos electorales donde el gobierno de Zapatero aparece como el principal perjudicado, y el Partido Popular surge como el principal beneficiario en las urnas[10].

Não pode deixar de ser notado a semelhança entre as revoltas “democráticas”, coloridas, no mundo árabe, e as insurreições armadas capitaneadas pela Al-Qaeda. O sistema BAE, criado na década de 1980 por Margaret Thatcher junto as monarquias sauditas (via príncipe Bandar Bin Sultan) para se institucionalizar os acordos conhecidos como “armas por petróleo” a partir dos contratos de al-Yamamah. A partir desses fundos, caudalosos aportes monetários chegarem às monarquias do Golfo Pérsico antes de serem devidamente canalizadas para os grupos rebeldes de origem islâmica:

According to the Energy Information Administration, a branch of the U.S. Department of Energy, over the life of the al-Yamamah program, the average cost of a Saudi barrel of crude oil, delivered to tankers, was under $5 a barrel. At that price, the annual cost to the Saudis for the 600,000 barrels per day was $1.1 billion. Over the duration of the contract to date, the cost to the Saudis of the daily oil shipments was approximately $24.6 billion. The commercial value, in current dollars, as noted above, was $160 billion.

The Saudis have forged a crucial partnership with the Anglo-Dutch financial oligarchy, headquartered in the City of London, and protected by the British Crown. They have, in league with BAE Systems, Royal Dutch Shell, British Petroleum, and other City giants, established a private, offshore, hidden financial concentration that would have made the British East India Company managers of an earlier heyday of the British Empire, drool with envy.

At this moment, there is no way of calculating how much of that slush fund has been devoted to the clandestine wars and Anglo-American covert operations of the past two decades. Nor is it possible to estimate the multiplier effect of portions of those undisclosed, and unregulated funds having passed through the hedge funds of the Cayman Island, the Isle of Man, Gibraltar, Panama, and Switzerland.

What is clear, is that the BAE Systems scandal goes far beyond the $2 billion that allegedly found its way into the pockets of Prince Bandar. It is a scandal that goes to the heart of the power of Anglo-Dutch finance[11].

As ligações entre o sistema financeiro e o patrocínio de insurreições mundo afora, armadas ou não, é evidência que não se despreza sem prejuízo da verdade, até mesmo se não considerarmos o óbvio, ou seja, o apoio explícito de faces visíveis do sistema a esse tipo de organização política. Digo que há a possibilidade de não levarmos tão a sério demonstrações explícitas de notórios membros do sistema financeiro, pois as personalidades que se expõe dentro desse jogo são as que exercem papel mais secundário. Temos que entender quais são os padrões que regem os atos insurrecionais em todo o planeta e seus meios de propagação, ou seja, dispositivos como as redes sociais e grupos como o Anonymous. No testemunho espanhol que colocamos uma parte logo acima, novamente vemos estabelecido o padrão de “apolítico” como fundamento moral desse tipo de organização (porque são organizados, ainda que não formalmente institucionalizados). Não é preciso ser nenhum sábio exercendo a ascese no Tibet para saber que o conteúdo apolítico dos protestos é de teor semelhante à imparcialidade do jornalismo dos oligopólios midiáticos. Frente à bancarrota do reacionarismo político tradicional, se ergue agora no cenário nacional “redes” de caráter diverso propondo uma “renovação na política”, alianças “programáticas” e não “pragmáticas”, e outros academicismos do gênero. A capacidade inata de desconhecer as necessidades urgentes do país e o diálogo aberto com o velho entreguismo – não mais militar, mas liberal-democrática ao estilo tucano – são padrões contumazes desse tipo de renovação, e erige novamente como baluartes da nacionalidade excrescências como a conhecida por Tripé econômico (metas inflacionárias, superávit fiscal e câmbio flutuante).

 

É interessante reconhecer nesses movimentos moralistas que buscam a institucionalização o momento político no qual foram criados. Basta lembrar do vulgo mensalão e a retórica oportunista dos ex-petistas, caçadores ou parteiras de “botos cor de rosa”, como a atualmente ansiada estréia política de Joaquim Barbosa. Os protestos de junho incitaram novamente a emergência da retórica limpinha e cheirosa, não muito diferente da que levou tempos atrás os “iluminados” tucanos ao poder. Os militares também iriam consertar a corrupção desenfreada da República Sindicalista, já que Jânio, o da vassoura, teve visões megalomaníacas e não esteve a altura da missão. Isso nos faz lembrar a conceituação de Hannah Arendt sobre os movimentos ideológicos, supra-partidários, que caracterizaram a emergência do fascismo na Europa. Sabendo que Hitler tinha uma milícia particular de pelo menos cem mil homens bem antes de chegar ao poder, é fácil concluir que não houve um “aproveitamento” do capital internacional sobre o sucesso do nazismo, querendo com ele lucrar, mas que esse mesmo capital foi quem insuflou a ideologia. Falar em Tripé é quase como falar em nazismo, suástica, ou algo do gênero. São as políticas que induzem a fome, a miséria e a derrota das constituições que garantem a soberania dos Estados nacionais, que podem ser compreendidas na acepção correta do termo nazi-fascismo[12]

 


[1]Luna, Francisco. Anonymous, Facebook y la marca de la bestia. Publicado em 29 de agosto de 2011 no endereço: http://actualidad.rt.com/blogueros/iluminando_conciencias.
[2] Brown, Barret. Huge US-led spy operation on Arab world uncovered. Publicado em 24 de junho de 2011 no endereço: http://www.crn.com.au.
[3]Luna, Idem.
[4]Faremos aqui a citação de uma passagem relativamente longa de um texto, com a referência complementar de livro que embasou esse texto: “As revoluções coloridas, como se sabe, foram promovidas através de investimento direto ou indireto de ONGs dos Estados Unidos, algumas delas com financiamento público, como o National Endowment for Democracy (NED), que desenvolve programas de “promoção de democracia” em várias partes do mundo; ou a Open Society, do especulador George Soros. Há vários livros ou artigos, como este, descrevendo a atuação mundial destas organizações. Elas foram bem sucedidas em diversas rebeliões que derrubaram governos na Europa Oriental, com a mobilização de jovens através das mídias sociais.
As campanhas obedeciam técnicas inovadoras de marketing, símbolos e palavras de ordem de fácil entendimento. Também há relatos sobre a atuação destes grupos antes ou durante a Primavera Árabe. Argumenta-se que o objetivo dos Estados Unidos é promover governos mais dóceis ou causar instabilidade interna que deixe os governos mais vulneráveis a seus interesses. Na Líbia, a derrubada do ditador pela via militar teria tido o objetivo não de “promover a democracia”, mas de obter melhores condições na exploração do petróleo e eliminar um governo que sustentava o projeto político da África para os africanos, muito parecido com o papel que o Brasil desempenha na América do Sul.
A jornalista canadense Eva Golinger escreveu um livro, chamado USAID, NED e CIA, Uma Agressão Permanente, sobre a atuação destes organismos dos Estados Unidos na Bolívia, Cuba, Honduras e Venezuela (clique no link para baixar o livro em PDF). A possibilidade de um golpe institucional foi aventada por leitores depois que a embaixadora dos Estados Unidos no Paraguai, Liliana Ayalde, foi indicada para ocupar o cargo no Brasil. Ela teve uma longa trajetória na USAID, a agência de desenvolvimento internacional de Washington e estava em Assunção quando o presidente Fernando Lugo foi derrubado”. Um post para quem gosta de teoria da conspiração. Publicado no site http://www.viomundo.com.br. Sobre a pesquisa mencionada ver: Golinger, Eva. USAID, NED, y CIA – La Agresíon Permanente. Publicação digital disponível em: http://samraji.wordpress.com
[5] Blog Antimperialista. Martin Varsavsky: la conexión 15-M con la Fundación Rockefeller. Disponível em: http://antimperialista.blogia.com/2011/061401-martin-varsavsky-la-conexion-15-m-con-la-fundacion-rockefeller..php
[6] Blog Antimperialista. Los vínculos de Enrique Dans, promotor del movimiento 15M, con la oligarquía financiera internacional. Disponível em: http://antimperialista.blogia.com/2011/052101-los-vinculos-de-enrique-dans-promotor-del-movimiento-15m-con-la-oligarquia-finan.php
[7] Antimperialista, Idem.
[8] http://www.enriquedans.com/curriculum
[10] Freytas, Manuel. Ni “revolución de color” ni “revolución árabe”, “revolución chip-alienada” de España hacia el mundo. Disponível em: https://pocamadrenews.wordpress.com/
[11] Steinberg, Jeffrey. Scandal of the Century Rocks British Crown and the City. Executive Intelligence Review, 22 de junho de 2007.

[12]Existe um erro comum, ainda que relativamente compreensível, de associar a integração regional expressa pela instituição do Mercosul com a União Européia. Incorre em erro quem se apressa em comparação tão simplista, pois compreendem essa questão estratégica como blocos estanques geralmente a partir de uma perspectiva centro-periferia. É mais correto comparar a União Européia com a tentativa frustrada de se instituir no cone sul a malfadada Área de Livre Comércio das Américas. Os princípios são os mesmos entre os dois blocos de integração regional. A integração política via integração monetária foi a falácia fundamental da “modernidade” alcançada pelos europeus, objetivo longamente acalentado pelas elites conservadoras estadunidenses em torno de sua área de influência imediata, o continente americano. A chegada ao poder de Hugo Chávez iniciou a resistência política frente ao projeto genocida que iria engolir o sul desindustrializado com as manufaturas do norte, processo exitoso na Europa, a partir do qual os próprios centros produtores se vêem arremessados na espiral de entropia do sistema assim estabelecido, arrastando o estado de bem estar social do pós-guerra para a lixeira mais próxima. As subseqüentes eleições de Lula e Néstor Kirchner, e de mais um bloco de políticos alinhados ideologicamente, frustrou os planos que poderiam estar levando agora todo o continente para o abismo criado pelo euro em sua zona de influência. A dolarização da economia pressuposta nas tratativas da ALCA e uma possível moeda única continental, o dólar, trariam a morte, a fome e a miséria, talvez ainda numa proporção mais dolorosa para nosso continente do que a agora enfrentada no velho continente. Seguindo sua razão de ser, a banca privada não pára de reclamar das garantias sociais das constituições européias do pós-guerra, as quais impedem o aprofundamento ainda mais drástico de suas medidas de austeridade fascista tal como expressa pela infame Troika.

 

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR: PARA QUEM QUISER SE APROFUNDAR NO ASSUNTO
Sobro o ouro de Yamashita, o Lírio Dourado, e o papel dos EUA no caso durante a 2ª Guerra: “Gold Warriors: America’s secret recovery of Yamashita’s gold”
O livro do Estulin: “Conspiración Octopus”
 
Algumas fotos e documentos sobre os acordos de Ferdinando Marcos para esconder o ouro nas Filipinas, a Comissão Trilateral, o Lírio Dourado, tudo dentro da grande jogada chamada Octopus:
 
Testamento de Ferdinando Marcos

 

Testamento de Ferdinando Marcos
Testamento de Ferdinando Marcos
Lírio Dourado

 

Lírio Dourado

 

Lírio Dourado

 

Lírio Dourado

 

Lírio Dourado

 

Lírio Dourado

 

Lírio Dourado

 

Lírio Dourado

 

Lírio Dourado

 

Lírio Dourado