Levar ao centro o Centro do Mundo

 

Roma e Pasolini (bastidores do filme O Evangelho segundo São Mateus)

“Profetizo a idade em que o novo poder usará suas palavras libertárias para criar um novo poder homologado, para criar uma nova inquisição, para criar um novo conformismo. E seus clérigos serão clérigos da esquerda “. [Pier Paolo Pasolini]

 

Queria tratar de dois assuntos que vem me intrigando bastante nas últimas semanas. Um é o caso do Mefistófeles contemporâneo, o tal do Steve Bannon. O outro é o caso da Itália. O vice-primeiro-ministro Matteo Salvini parece ter ficado muito empolgado com a eleição de Bolsonaro, mesmo depois de ter sido colocado no seu lugar pelo primeiro-ministro, Giuseppe Conte. Aparentemente, o partido Liga, de Salvini, é mais elitista e direitista, e não o partido Cinco Estrelas. Ambos, entretanto, surgiram no contexto de falência dos partidos políticos do pós-Mãos Limpas e através de mobilizações em redes sociais, como é marca depois das “revoluções coloridas” de cinco anos para cá.

Como Bannon sediou o seu O Movimento em Roma (a “Universidade do populismo”), e a Itália de certa maneira parece ora contradizer ora ir em encontro direto ao Mefisto, encadeei os dois assuntos para dar um panorama de como se mexe o chamado “populismo” na Itália. Sem dúvida esse é um movimento ainda mais importante do que o tão comentado Brexit e, de certa maneira, tem o potencial de confronto com a Troika que a Grécia em seu momento não teve. Ainda mais, os papéis exercidos por Rússia e China são ainda mais relevantes nesse embate, sintoma de uma crise existencial não vista há décadas no Ocidente.

Um promoter, um animador de festa ou a face oculta do mal? Que diabos é Steve Bannon?

Me dei ao trabalho de assistir algumas entrevistas desse cidadão, geralmente feitas em ambientes hostis a ele, confrontado com uma série de questionamentos. O primeiro foi para a rede ABC australiana. A Austrália é um lugar de predileção do The Moviment, já que é considerado um país asiático e que pode ser um posto avançado de combate ao “globalismo chinês”.

O tema da entrevista era a suposta internacionalização da estratégia que elegeu Donald Trump nos EUA.

Em resumo, Bannon diz que “o Partido Republicano está se tornando um partido dos trabalhadores” (!!!), ou seja, não está se tornando num movimento fascista internacional, como dizem, mas num movimento nacionalista em sintonia com as reivindicações trabalhistas. A pecha de “fascista” vale apenas a partir da grande mídia. É ela que propaga essa ideia. Esse debate não daria conta dos fatos, já que “as pessoas não foram votar pelo fascismo, mas pelo ‘nacionalismo econômico'”, diz.

O mosteiro de Trisulti, sede da Academia do Ocidente judaico-cristão, onde Bannon organiza seu movimento ultramontanista (para os incautos, consultar o dicionário e a história da Igreja medieval). A. NUSCA

Na entrevista que deu para o Financial Times, fica um pouco mais claro o que ele entende por “nacionalismo”. Elogia, sem vergonha, Mussolini (“ele sabia falar com as pessoas”; para compreendê-lo seria preciso “se livrar de alguns clichês historiográficos”…) e demoniza a China como regime “totalitário”. O nacionalismo de “Deus e da família” dos olavetes se encaixa bem por aqui.

São duas coisas a considerar nesse caso: ele almeja a retomada de uma suposta supremacia do ocidente frente ao perigo chinês. O que não se leva em conta (e esse é o segundo aspecto) é que a “globalização com características chineses” defendida pelo presidente Xi Jinping não tem nada a ver com a da máfia atlanticista da City de Londres e Wall Street. O “perigo chinês” entrevisto por Bannon seria a de um regime totalitário, sem as garantias democráticas do ocidente (também se presume que isso exista mesmo depois do 11/09 ou mesmo após o Consenso Neoliberal dos 1980).

O fato é que a China através da Iniciativa Um Cinturão, Uma Rota, mas também pelo Banco Asiático de Investimentos, pelo Banco dos BRICS (ainda um mero projeto…), procura áreas para a expansão de sua enorme economia, porém, nesse enquadramento, não com propostas de livre-mercado. Procura fornecer financiamento de longo prazo e a preços competitivos para os países que adotarem seus projetos. Seria o caso da ferrovia bi-oceânica que ligaria Brasil-Bolívia-Peru ou o Canal da Nicarágua. São projetos nacionais em infraestrutura feitos em parceria com os chineses e demais países dispostos a participarem da Iniciativa, com projetos ambiciosos no mundo todo. Não tem como não colocar em pânico as olavetes das mais variadas nacionalidades, assim como suas contrapartes “esquerdistas”, os neocons e “libertários” do mundo todo.

Steve Bannon, em Roma em março de 2018. REUTERS

Sobre a Cambridge Analytica Bannon fala o seguinte: Zuckemberg criou um modelo de negócios; os dados retirados das redes estão ali todos os dias para qualquer um pegar. É só pagar. Ao invés de uma empresa, um movimento político agora faz isso abertamente. Em 2008, foi o Google e o Facebook que pegaram Obama no aeroporto de São Francisco e desfilaram por sua vitória como os responsáveis por ela. Os democratas americanos tem feito isso por anos. Agora não se conformam que Hilary perdeu as eleições. Primeiro culparam os russos e agora a Cambridge Analytica. Nas investigações a respeito do Russiangate, procurou-se um elo entre os russos e a empresa criada por Bannon. Ficou difícil triangular Bannon com Putin e Assange…

Se vocês são tão fortes, diz ele, por que Macron ganhou na França? Porque ele é igual a Obama. Obama concorreu como um populista, inicialmente ele apareceu como um líder populista para a mudança de sistema. Macron apareceu como uma figura ao estilo de Obama.

O que deve ser destacado aqui, ao meu ver, é um fato simples, relatado por mim em inúmeras ocasiões, mas que merece ser amplamente investigado: Google, Facebook e demais “redes” são oriundas dos serviços de inteligência internacionais, em especial EUA e Grã-Bretanha. Esse modelo se tornou um “case de sucesso”. A aparência empresarial do Facebook e Google são apenas isso, aparência. No caso de Bannon, existe a conjunção agora explícita dessa vertente empresarial (ele usa os dados fornecidos comercialmente por essas redes) junto a determinados setores elitistas que controlam parte dos aparatos de inteligência. A “extrema-direita” é uma cisão dentro da oligarquia financeira internacional. Como imagem, relatei noutra ocasião que essa disputa é um tipo de confronto entre o “esquerdista” George Soros e o “conservador” Henry Kissinger.

Pode-se concluir, pelo menos de maneira provisória, que o Mefisto Bannon, em boa parte, mais parece um promoter, um animador de festa, uma espécie de Marcelo Arar que trabalhou na Goldman Sachs, do que a “face do mal”, que concretamente nunca se expõe de maneira tão franca quanto ridícula.

Existem dois movimentos subterrâneos mais amplos: o acima relatado, a cisão da elite diante de uma confrontação militar ilimitada contra a Rússia e o colapso da ordem econômica do pós-1989; o outro lado é a ampla insatisfação popular com as políticas de austeridade promovidas pela Troika (lembre do caso recente da Grécia), ou nos EUA onde se aliam as aflições de ordem econômica e social à insatisfação com a política externa expansionista. O que elegeu Trump? As elites ou a insatisfação popular? Existe um estranho “conluio” (para falar a palavra da moda) entre os dois, nesses dois setores do Atlântico norte que, por razões variadas, as reivindicações e mobilizações clássicas, tradicionais e efetivas da esquerda não mais existem por falta de enraizamento social, por falta de organicidade. Por aí os setores mais radicias não alinhados diretamente com o ultraliberalismo, ou como seu “precursor sombrio”, começam a construir o seu castelo.

O caso italiano: uma mudança política com implicações geológicas

O problema dessas discussões aqui no Brasil é a percepção em diferentes localizações do espectro político de que o debate dentro da “esquerda” se dá em um quilômetro de praia: da Farme de Amoedo (lugar dos gays) até o Posto 9 (lugar dos maconheiros). De um lado a primazia da política de gênero e do outro os debates culturalistas sobre as diferentes espécies de “totalitarismo” e “opressão”. Se o mundo real passasse por esse trecho de Ipanema, estaríamos vivendo ainda muito próximos da Idade das Pedras.

É tentando reduzir a discussão política a isso que os olavetes “ganham” e que a esquerda “perde” ao se rebaixar a assuntos que não passam pelo social, pela economia, ou seja, pelo bolso do trabalhador e pelo seu bem-estar e segurança.

“Io profetizzo l’epoca in cui il nuovo potere utilizzerà le vostre parole libertarie per creare un nuovo potere omologato, per creare una nuova inquisizione, per creare un nuovo conformismo. E i suoi chierici saranno chierici di sinistra”. [Pier Paolo Pasolini]

Deixando de lado toda a metafísica que é levado aqueles que especulam sobre Bannon, o caso concreto da Itália é um excelente caso de estudo. O governo italiano entrou em confronto aberto com a União Europeia com a palavra de ordem “Itália primeiro, depois UE”. Ao contrário da histeria anti-globalista de Bannon e olavetes, a Itália foi o primeiro país do G-7 a avançar numa negociação com os chineses para participar da Nova Rota da Seda. Em outubro, um Memorando de Entendimento foi assinado com a China por outro vice primeiro-ministro que não Salvini, Luigi Di Maio, que ocupa a pasta de Desenvolvimento Econômico, e pelo sub-secretário de Estado, Michele Geraci.

O foco é no desenvolvimento econômico da África, através de inúmeros projetos, onde se destaca o projeto Transaqua. Seu objetivo é dar vida novamente ao lago Chad, responsável pelo acesso a água e alimento a inúmeros países africanos. Um rede de rios artificiais seria criado, beneficiando ainda mais países, onde o caso da Nigéria se destaca como atual exportadora de guerrilheiros para as fileiras terroristas patrocinadas pelo ocidente, cuja organização mais conhecida é a Boko Haram. A meta principal é acabar com a pobreza e o subdesenvolvimento que geram as guerras e produzem terroristas e a crise de refugiados. Os liberais europeus, com muitos democratas “de esquerda”, fazem um jogo duplo: apoiam as guerras no Oriente Médio e de maneira algo cínica, principalmente em fronteiras que não as suas como as da Itália, Turquia e Hungria, fazem campanha para a entrada massiva de refugiados.

Ora, essa é a política genocida ao estilo hitleriano de criar párias sociais para trabalhar nas empresas nacionais em trabalho escravo ou próximo a isso, o que impacta diretamente na qualidade do trabalho como um todo de todos os países europeus. Não adianta ser humanitário como Tony Blair com suas “intervenções humanitárias” e a caridade do “direito de proteger”. Toda a política de guerra não só deve acabar, mas deve ser substituída por políticas de cooperação para o desenvolvimento econômico dos países atingidos pelo flagelo da guerra. Ainda mais: caso projetos como os da Nova Rota da Seda se concretizem, tanto a África quanto o Oriente Médio serão pontes de integração do ocidente com o continente asiático, realizando sonhos que são tão antigos quanto a industrialização dos EUA e Alemanha no século XIX (os casos mais bem sucedidos, com consequências visíveis até hoje).

Em relação a política que se procura desenvolver hoje na Itália, agora com uma parceria entre Itália-África-China, guarda íntima relação com projetos frustrados no país depois do assassinato de Aldo Moro. É do mesmo anos 70 que a empresa italiana Bonifica projetou a recuperação do lado Chad, o projeto chamado Transaqua. Desenvolvi um pouco mais esse tópico no link aqui incorporado.

No caso do desenvolvimento interno da Itália, a recessão brutal imposta por Mario Draghi e pela Troika em 2011, junto com a sabotagem de projetos grandes de infraestrutura nos quais Hillary Clinton, no Departamento de Estado dos EUA, atuou junto a Bruxelas para que não se concretizassem, como a ponte no Estreito de Messina que ligaria a península italiana a ilha da Sicília, ou projetos focados no desenvolvimento industrial do sul da Itália e mesmo a construção e melhoria de portos dentro da Nova Rota da Seda marítima, levaram o país, com o novo governo, a rejeitar de maneira muito firme toda e qualquer imposição da burocracia eurocêntrica e das elites financeiras e os aparatos militares transnacionais.

Na manifestação do Partido Democrata italiano não se vê bandeiras tricolores, apenas os símbolos da UE. Não é de se causar estranhamento que movimentos políticos novos tenham surgido às margens da esclerosada esquerda europeia.

Remeto ao imperdível artigo de Claudio Celani na Executive Intelligence Review:

O “Pacto para a Estabilização e Crescimento” da UE impõe que os países chamados insolventes reduzam seu déficit financeiro a zero cortando todo ano seu orçamento. A Itália seguiu essa regra. O governo anterior, antes de sair em maio último, esboçou um planejamento orçamentário baseado num déficit de 0.8% do PIB.

O governo Conte jogou fora esse plano e apresentou um outro baseado num déficit de 2,4% do PIB nos próximos três anos, talvez mantendo essa taxa em 2019 e reduzindo-a nos anos seguintes. Isso deixaria  disponíveis 45 bilhões de euros para (a) aumentar o salário mínimo para 780 euros, (b) a criação de um seguro-desemprego no mesmo valor, (c) diminuição de impostos para as pequenas e médias empresas, (d) corte de impostos para empresas pequenas e médias que reinvestirem o valor correspondente em máquinas e empregados, (e) um fundo para reembolsar as vítimas do “bail-in” [bancos falidos que capturaram a poupança e mesmo a conta-corrente de seus clientes] e (f) mais 15 bilhões de euros acima dos 36 bilhões previamente estipulados para investimentos.

Imediatamente, Mario Draghi teve um encontro a portas fechadas com o presidente italiano Serio Mattarella, logo vazado para mídia, onde ameaçou a Itália com um assalto financeiro se o governo continuar a mexer no seu orçamento. Como disse o articulista acima mencionado, “a tragédia de Gênova inflamou o ódio popular contra a UE, já que austeridade e privatizações são duas faces da mesma moeda: políticas neoliberais impostas a Itália após sua entrada no Euro”.

O responsável pelo “pânico orçamentário” é o Documento di Economia e Finanza criado por Paolo Savona, ministro italiano para Assuntos Europeus. O discurso onde apresenta o DEF pode ser visto clicando aqui. Para além da dicotomia “esquerda e direita”, tão maltratada atualmente ou, pior ainda, da pauta da The Economist de “civilização contra barbárie”, são bens claras as diretrizes que Savona pretende que seu governo siga:

Devo insistir com grande ênfase no fato de que é necessário replicar, uns cem anos depois, o que Roosevelt fez com o New Deal e suas reformas. Ele uniu a parte industrializada do norte dos EUA com a parte sul, agropecuária – que tinha sérios problemas de origem racista – e foi bem sucedido. Portanto, acredito que a experiência que estamos conduzindo nesse momento é realmente um grande esforço de unidade nacional, da coincidência entre os interesses das partes atrasadas e avançadas – economicamente falando – do país.

As conclusões do DEF são claras: é um programa ambicioso e estamos cientes disso; mas o New Deal também foi ambicioso, ainda que em contexto diferente (…). Ele anseia responder ao aumento da pobreza desde que estourou a crise, principalmente entre os jovens e as famílias maiores, e nas regiões do sul do país.

Todos concordamos que o país precisa de investimentos. Portanto, deixe-nos iniciar a construir um New Deal (….). Mas o programa de governo é muito prudente, porque estamos atentos de que devemos implantar aquelas reformas que Roosevelt iniciou. Ele fez uma reforma significativa no setor financeiro, no empresariado, nas relações industriais [i.e. Glass-Steagall, legislação anti-truste, reformas trabalhistas]. Aqueles que conhecem história (…) sabem que ele tomou várias iniciativas importantes.

Savona aponta também para uma balança comercial favorável em 50 bilhões de euros a cada ano (que vai para uma poupança que não está sendo utilizada), num total de 150 bilhões nos três anos de vigência do DEF, que podem ser usados para investimentos. “A Itália está vivendo abaixo de seus recursos, ao contrário do que dizem, especialmente em nível europeu”. Savona foi vetado pela claque eurocêntrica para ser ministro das Finanças, mas, como que numa revanche, foi ele quem apresentou e votou seu projeto, algo que poderia ter sido feito inclusive pelo primeiro-ministro. Sua apresentação política nesse caso foi mais do que simbólica. Seu discurso foi interrompido inúmeras vezes por grandes aplausos e um pedido por um gole d’água: “eu bebo água”, numa clara referência ao seu oponente da Comissão da UE, Junker, um notório beberrão.

O Plano será votado pela Comissão da UE, e já foi avisado que será rejeitado e serão propostas “correções”. O primeiro-ministro Giuseppe Conte respondeu a jornalistas sobre a questão dizendo que “não há margens para correções”. Devemos lembrar novamente do caso da Grécia, que agora se repete, porém em proporções gigantescas. A saída da Itália do euro ou mesmo a permanência dessa contestação enfática a suas políticas de privatizações e austeridade, pode provocar um terremoto que fará a votação do Brexit parecer uma “festa americana” de alguns colegiais ao redor do popular Bannon. No mais, a Inglaterra nunca foi um sustentáculo do euro como França e Alemanha, aderiu ao projeto tardiamente e, por uma tradição histórica, não há surpresa ao ver o país divergir do que ocorre no continente. Caso a facção ultraliberal prevaleça sobre a Itália, um Armagedom poderá surgir.

Paolo Savona durante sua defesa do New Deal italiano.

Para concluir, gostaria de fazer uma breve referência ao jovem filósofo Diego Fusaro que, segundo o jornal Le Figaro, é “o homem que fala aos ouvidos de Di Maio e Salvini”. Aliança inusitada por esse personagem se situar exatamente na zona obscuramente definida como “marxismo cultural”. Talvez por ser gramsciano, marxista, o que não quer dizer que seja, como diz, “da esquerda libertária que legitima culturalmente a política econômica da direita liberal”. Talvez até pudesse parafrasear Aldo Rebelo e dizer que não trocou “a ideologia pela biologia”…

Independente de qualquer polêmica, e como o caso italiano mostra, a discussão de quem realmente se interessa pelo nosso país e pelo futuro do mundo de um modo geral, não deve ser “ipa-anêmica”, como dita acima, onde as olavetes do asfalto não se dão com a rapaziada da areia. Muito menos, a rapaziada da areia e todo e qualquer formador de opinião se deve pautar por capas da The Economist, nem mesmo quando esta fala de Marx ou tenta se fazer de esclarecida e equilibrada frente a diferentes correntes políticas. Muito menos colar nossa imagem aos seus  representantes por aqui, declarados “democratas” ou “anti-comunistas”.

As nossas diretrizes políticas são claras: Vargas, Juscelino, Jango, Brizola e Lula (para ficar na nata) e o que todos esses dizem não são problemas culturalistas ou de gênero. São problemas sociais fundamentais que podem passar ou não por outras questões, ainda que cada uma tenha a sua importância específica. Não se pode sacrificar o todo por partes tomadas isoladamente, e que, descontextualizadas, adquirem o caráter de totalidades. O simples fato da ação comercial dos apoiadores de Bolsonaro durante a eleição (que se minimamente investigado impugnaria a chapa) não pode escandalizar tanto, muito menos suas bravatas e volteios. Isso não é nada diante da fraude eleitoral por causa da prisão de Lula e da continuidade de Temer e do Golpe a partir da queda de Dilma e que dura até esse exato minuto. E para não cairmos no diversionismo conscientemente criado pelos novos demagogos, o fundo social e econômico deve estar sempre em primeiro lugar. O caso atual da Itália, com Bannon e sem ele, é um excelente caso de estudo em meio ao mar de histeria coletiva que não consegue ver nenhum movimento de conjunto.

Levar ao centro o centro do mundo.