Por que os EUA continuam a apoiar – oficialmente – a Al-Qaeda?

Osama e sua família felizes em Londres

Por que 17 anos depois do 11/09 os EUA continuam a apoiar oficialmente a Al-Qaeda?

Estado Islâmico, Al-Nusra, Al-Qaeda, não apenas são apoiados pelos EUA, pela OTAN, como lutam juntos em muitas frentes. OS EUA nunca deixaram de os apoiar, por causa da tentativa de desestabilização do Oriente Médio tal como feito durante a Guerra Fria e reiniciada nos últimos anos. As organizações mudam de nome, porém fazem parte de uma espécie de exército irregular da OTAN e são diligentemente protegidos por seus parceiros do “setor avançado”.

Em mais um capítulo dessa história, representantes do governo dos EUA explicitamente defendem a Al-Qaeda em Idlib contra a Rússia e a Síria. É irônico que isso ocorra ao mesmo tempo do 17º aniversário do 11/09. As movimentações hoje na Síria podem representar um desfecho, para o bem ou para o mal, dessa história? 

Coloquem a Grã-Bretanha na lista dos Estados que apoiam o terrorismo!

O suposto atentado contra as Torres Gêmeas* criaram a figura do inimigo externo, os terroristas muçulmanos encarnados na figura de Osama Bin Laden. Como consequência imediata, as guerras no Iraque e no Afeganistão começaram a desestabilizar a região, cujo ponto de maior ebulição foi depois da destruição da Líbia e da quase vitória do Estado Islâmico na Síria, num segundo movimento de avanço destruidor, dessa vez liderado por Obama.

Como é sabido, a Al-Qaeda fez parte dos planos americanos durante a Guerra Fria para minar a influência russa no Oriente Médio, e treinou e financiou os mujahidins. Como resultado, a família de Osama pôde se estabelecer com tranquilidade em Londres, o maior centro financeiro do mundo, ou seja, onde mais se lava dinheiro de todas as atividades ilegais do mundo, e sede da maioria dos grupos terroristas internacionais. Dali parte o financiamento para suas atividades.

Numa atitude que pode ser considerada irreverente, porém extremamente esclarecida, os editores da Executive Intelligence Review enviaram um memorando para a secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright, meses antes do 11/09. Pediam que se revisasse o papel da Grã-Bretanha no patrocínio do terrorismo global. Apresentaram inúmeros fatos, dignos de serem considerados. Meses depois, a tragédia. Para quem quiser ver a lista de questionamentos e a argumentação apresentada no memorando, clique aqui.

Isso não é nada mais do que um capítulo entre tantos das “relações especiais” entre EUA e Inglaterra inauguradas por Churchill e Truman, e que deram início a Guerra Fria. O que é Osama senão um fóssil dessa época?

Um salto no tempo: as revoluções coloridas (de sangue)

O que Barack Obama e uma das criadoras de seu “imperialismo soft”, Samantha Power, sempre fizeram foi financiar, proteger e armar os chamados “rebeldes moderados” no Oriente Médio. Power teve papel relevante na “revolução colorida” na Ucrânia, tanto por declarações em que declarou o apoio de Obama e de todo seu aparato de política externa na organização dos “Arab Springs”, como pela revelação do documento do Departamento de Estado, “Middle-East Partnership Initiative Overview” (MEPI) em que se relata como esse apoio foi dado, com o aporte de todos os recursos possíveis. É a partir desses paradigmas que se deve entender junho de 2013 no Brasil. No mais, ainda em 2014, os chefes militares do Oriente, reunidos em Moscou, declararam toda “revolução colorida” como atos de guerra de nações estrangeiras contra seus países. Talvez por essa identificação, em conjunto com as Forças Armadas, esses países conseguiram se proteger melhor contra esse tipo de guerra irregular moderna.

Todos esses “rebeldes moderados” partem de um mesmo caldo cultural do Oriente Médio que só sobrevive em todo seu barbarismo pelo contínuo apoio, por décadas, das potências ocidentais. Estado Islâmico, Al-Nusra, Al-Qaeda, não apenas são apoiados pelos EUA, pela OTAN, como lutam juntos em muitas frentes. OS EUA nunca deixaram de os apoiar, por causa da tentativa de desestabilização do Oriente Médio tal como feito durante a Guerra Fria e reiniciada nos últimos anos. As organizações mudam de nome, porém fazem parte de uma espécie de exército irregular da OTAN e são diligentemente protegidos por seus parceiros do “setor avançado”.

Em mais um capítulo dessa história, representantes do governo dos EUA explicitamente defendem a Al-Qaeda em Idlib contra a Rússia e a Síria:

Caso o partido da guerra transatlântico ganhe em suas constantes chantagens, com Trump ou sem Trump (que sofre chantagens do mesmo grupo que nos EUA coopera com a Lava-Jato, como pude reportar algumas vezes com a Executive Intelligence Review no Brasil, mas também no caso da Argentina de Cristina Kirchner), o risco de um confronto generalizado pode ocorrer mais cedo do que nunca. Não está em jogo o velho jargão geopolítico da “busca pelo petróleo”. Com o sistema financeiro baseado na City de Londres e em Wall Street completamente em bancarrota, e com o avanço de uma nova ordem econômica mundial liderada pela China, com apoio Russo e que, numa conjuntura mais favorável, terá o valioso apoio do Brasil, somente o genocídio pode fazer com que essa facção continue a gozar de seus poderes. Mais uma vez, é hora de ficar atento a todas as movimentações desse grupo, interpartidário e transnacional, para que não tenhamos um novo 11/09, com consequência ainda bem mais nefastas. Consequências dramáticas poderão ocorrer nos próximos dias.

* Sobre o “suposto ataque” as Torres Gêmeas, me parece a alternativa mais racional sobre o tema o posicionamento de Dimitri Khalezov. Os prédios não implodiriam nem com mísseis, é o que arquitetos e engenheiros que pesquisam o 11/09 dizem. No mais, sua arquitetura onde o prédio foi todo apoiado nas imensas barras de aço externas (sem colunas internas), não só tornariam a implosão ou desmoronamento impossível, como também, num ataque aéreo, os aviões seriam destruídos mas as torres não seriam afetadas estruturalmente (inclusive essa foi uma das matérias de comercial das Torres quando lançadas). Khalezov, que tem um livro imenso com a investigação sobre o caso, tem uma opinião bastante controversa sobre o caso. No mais, se tudo o que ele fala e tantos outros não passar de absurdo, permanece a pergunta: por que os EUA continuaram a financiar a Al-Qaeda mesmo depois do 11/09.

Esse artigo é em homenagem aos 17 anos do atentado e um pedido para que se tenha mais esclarecimentos sobre as intermináveis armadilhas criadas pelo partido da guerra desde então. É o terceiro de uma série que continuará. Os outros dois foram os abaixo citados. Caso queiram ler, clique no título do artigo.

A próxima fronteira do mundo, Idlib

As movimentações do Partido da Guerra na campanha eleitoral

Por fim, convido a quem não tem dificuldade na língua inglesa a assistir a entrevista do senador Richard Black, republicano do estado de Virgínia, que acabou de fazer sua segunda viagem a Síria, e que conta em detalhes as maquinações do partido da guerra na região.