O Abertinho

Em tempos de neomacartismo e jurisprudência da destruição, arte, política e cultura em textos nem um pouco ortodoxos

Um caso claramente julgado, mas não esclarecido pela lei

Lula recebe o carinho de crianças no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, de onde acompanhou atos pelo país – Ricardo Stuckert – Brasil de Fato

 

O ato sublime

É incontestável que Lula foi mais do que julgado. Como é corriqueiramente, cotidianamente, desde que emergiu à cena pública, às vezes de forma mais ou menos vigorosa (para o bem ou para o mal), outras de maneira branda, tal como fato consumado (para o bem ou para o mal). Ele agora foi suficientemente julgado de maneira formal, porém nada foi esclarecido legalmente. Contudo, Lula conseguiu criar o fato político que o Moro não queria que fosse criado. Se anos atrás vivemos momentos históricos com o sapo barbudo quando ele sempre dizia “nunca antes na história desse país”, não foi diferente os últimos dias em São Bernardo do Campo. Não é porque é tragédia que não é um momento sublime. Momento dos poetas e dos titãs. […]

Como nasceu o termo “fake news”? O “Russiangate” e a crise política nos EUA

MIKHAIL/POCHUYEV/TASS/ALAMY

Os jornais da imprensa internacional inventaram o termo “fake news” logo após a eleição de Donald Trump nos EUA. Foi uma vitória que surpreendeu muitas pessoas e os ultraliberais de lá (facção que interpartidária, neoliberal e pró-guerra, como Hillary Clinton e John McCain) começar a acusar os russos de terem interferido nas eleições americanas. É como Putin sempre diz quando perguntado sobre o assunto (ver a entrevista dada a NBC logo após seu pronunciamento bombástico em 1º de março): “Não existem qualquer provas de que o Estado russo tenha interferido em eleições estrangeiras. Contudo, nenhum ofício do governo americano foi enviado à minha administração. O que existe são acusações da imprensa e de ex-funcionários do governo hoje investigados. Os EUA dizem para mim que podem interferir nas eleições de qualquer país porque estão levando a democracia, mas os russos não podem porque são autocratas” (tradução não literal da entrevista acima citada). […]

O que é uma obra de arte? A revista Documents, de Georges Bataille

 

 

A criação de uma não-revista: o único meio de se falar de Arte

Aos 31 anos de idade, Georges Bataille passou a dirigir, de forma oculta, a revista Documents, durante apenas dois anos, mas não menos decisivos, 1929 e 1930. Deveria ser, pelo menos na intenção de seus patrocinadores, uma “verdadeira” revista de arte, fartamente ilustrada, com edições luxuosas e seguindo as diretrizes iconográficas, como apontadas por nomes como Erwin Panofsky, Fritz Saxl e Piero Toesca. “Mas, como se sabe, Bataille fez muito mais do que jogar aquele jogo. Parafraseando aqui sua célebre expressão relativa à noção, ou, antes, ao uso do dicionário, poderíamos dizer que, para ele, uma revista de arte devia começar – ou começar a explodir – a partir do momento em que não oferecesse mais o sentido, mas as tarefas das imagens[1]”. A negação do que seria o sentido em arte, a tarefa da iconologia, fez da Documents a revista de arte por excelência, ou seja, ao negar o sentido e colocar em funcionamento a tarefa das imagens: […]

Lula em “pratos limpos”

Os juizes celebridades italianos

Praticamente toda a “força tarefa” da “mani pulite” se engajou na política.

Texto de minha autoria publicado no Brasil Debate

Ao tratar da Lava Jato, o presente artigo busca não os desdobramentos da operação, mas suas origens, no artigo escrito em 2004 por Sérgio Moro em que exalta a operação Mãos Limpas, na Itália. A colaboração da Transparência Internacional foi fundamental para que a operação fosse realizada, assim como os movimentos de consolidação do sistema euro no país. Buscamos os fundamentos históricos de ambos os fenômenos no que Michel Foucault chamou de “grande encarceramento”, e os fundamentos filosóficos a partir do conceito de “sistema da crueldade”, de Friedrich Nietzsche. Trocam-se as “mãos limpas”, como o protótipo de muitos juízes, Pôncio Pilatos, pelos “pratos limpos”: com Lula, pratos limpos por causa da fome saciada; com Moro, por causa do aumento alarmante da miséria. […]

Putin Dá um Novo Choque ‘Sputnik’: “Eles agora terão de nos ouvir!”

Declaração Anual de Putin a Assembleia Federal, 01 de março de 2018 – Moscou (en.kremlin.ru)

A exclusão da Rússia dos tratados ABM (sobre a construção de mísseis anti-balísticos) em 2002, assim como a crescente presença da OTAN nas fronteiras russas (considerada uma “Crise dos mísseis” invertida”), principalmente depois do golpe de Estado na Ucrânia, fizeram com que a Rússia de Putin respondesse de maneira surpreendente às ameaças de guerra, fazendo lembrar os dias mais angustiosos da Guerra Fria.
 
Quando vemos em ação o chamado “perigo vermelho” por aqui, principalmente no campo da esquerda, que sofre seus ataques, vemos que participamos de um enredo muito mais amplo e complexo – e perigoso. Qualquer semelhança com a década de 1960 não é coincidência. 
 
Abaixo, o artigo traduzido por mim para a Executive Intelligence Review


Por Helga-Zepp-LaRouche, fundadora do Instituto Schiller Internacional

Para ler o artigo completo no formato pdf, em inglês, clique aqui.


Atualizado, com a revisão final do texto, em 9 de março de 2018.

Por Helga-Zepp-LaRouche, fundadora do Instituto Schiller Internacional

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Aldo Rebelo: misturar-se de uma vez com o todo

@aldorebelo
Foi difícil resumir o texto para apresentá-lo aqui na chamada. Fica só um breve parágrafo logo abaixo e que dificilmente dá conta do todo. Para quem acha que entende de política e de políticos, mas não conhece o papel de verdadeiro protagonista de Aldo Rebelo agora e nos últimos anos – pelo menos – não entende nada nem de uma nem dos outros. Ampliar o campo de nossa visão, compreender as diferentes estratégias, são as armas mais básicas para se ter a consciência tranquila e ter domínio da prática política mais concreta. Talvez isso que, muito simplesmente, a figura de Aldo Rebelo (na imagem, trajado como o Manuelzão de Guimarães Rosa) representa.

“Misturar-se de uma vez com o todo é saber da plataforma importante que foi construída ao longo dos anos, uma verdadeira abertura social que dificilmente será encerrada como esperam toda a histeria e sanha persecutória de seus inimigos. Misturar-se é ter a clara consciência do que é todo esse trabalho, de como ele se desenvolve, sem apelos a palavras de ordem ou a ideologias de gênero variado. Aldo Rebelo, como um homem simples acima de tudo, encarna esses ideais e por isso é um interlocutor privilegiado do lado democrático de nosso país. Escrever sua biografia seria escrever a história contemporânea do Brasil sob um ponto de vista privilegiado, no que muito ajudaria, em seu aspecto conjuntural, a entrever as conquistas e os desafios que estão vindo pela frente”.

Esse texto pode ser considerado também como a anti-imagem de Ciro Gomes. A ver.

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O Fórum China-Celac abraça a iniciativa chinesa Um Cinturão, Uma Rota: Fará os EUA?

Fonte Portal Vermelho
A China propõe a América Latina investimentos massivos em ciência, tecnologia e infraestrutura. Com o esvaziamento dos BRICS em nossa região depois do golpe parlamentar e judiciário, a reunião da CELAC propõe, em sua segunda reunião em conjunto com a China, um ambicioso Plano de Ação que poderá conectar todo o continente tanto pela construção de modernas ferrovias quanto por via marítima, através da Rota da Seda Marítima. É um movimento anti-hegemônico, fora dos ditados monetaristas e austericidas da comunidade financeira transatlântica (City de Londres e Wall Street), e que aponta para um futuro promissor, num mundo multipolar, através do que os chineses chama de “parceria ganha-ganha”. Não “geopolítica”, mas o desenvolvimento conjunto das nações.

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Watchman: Os olhos de Berlim

O olhar de Doctor Manhattan ou Mister 1989 (Berlim)

O que é o marco de 1989 para nós? A queda do muro de Berlim consagrou a vitória da democracia ocidental ou um mundo pós-burguês e pós-proletário, ou seja, dominado pela tecnocracia e pelo alto capital financeiro, onde qualquer ideia de luta de classes deveria ser abolida?

No filme Watchmen, um trabalho contra qualquer Liga da Justiça, vê-se a continuação da lógica da Guerra Fria só permitida pelo suposto consenso democrático que a queda do Muro de Berlim justificou. A vitória democrática justifica a continuação da lógica de guerra, de 1989 à destruição das Torres Gêmeas, da crise econômica de 2008 às “revoluções coloridas”.

Como, então, com a análise Gilles Deleuze sobre o cinema de Orson Welles (o mesmo que filmou sobre o magnata da mídia, o famoso Cidadão Kane), com seu conceito de “potências do falso” se pode compreender como se forma um Vigilante, um super-herói, uma Liga da Justiça? Em tempos de justiceiros curitibanos, de estado de exceção e de mundo pós-democrático, o filme pode nos trazer reflexões preciosas para se compreender o momento atual, em específico o neomacartismo, vivido no Brasil e no mundo.

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O fiasco da viagem de Rex Tillerson a América Latina

Crédito: BRENDAN SMIALOWSKI/AFP/GETTY

 

Apesar da histeria que causou o pronunciamento do Secretário de Estado dos EUA, clamando que as Forças Armadas venezuelanas derrubassem o governo de Nicolás Maduro, o fato é que as palavras de Tillerson não encontraram eco em canto algum na América Latina e no Caribe. Os dirigentes dos países visitados pelo enviado do governo de Donald Trump, envolvidos com o Fórum China-CELAC, preferiram repercutir as promessas de cooperação econômica com os chineses em ciência, tecnologia e infraestrutura, que já beneficiam 20 países da região em 80 diferentes projetos. Frente a cada vez maior presença chinesa no continente, supostamente “imperialista”, faz os americanos (os de fato e historicamente imperialistas) parecerem cada vez mais nanicos, com relevância nem sequer regional num mundo que quer se afirmar como multipolar.

Do Serviço de Informações da Executive Intelligence Review – 12 de fevereiro de 2018

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O Oculto, Hitler e Wall Street

 

Hitler participou de movimentos ocultistas desde sua juventude e sua biografia está repleta de fatos misteriosos que deixam entrever uma espécie de predestinação satânica que o levaria ao poder. Porém, outras forças ocultas, materiais até em demasia, o alçaram ao cargo e financiaram desde o início o seu projeto, como os Warburg, Harriman, Thyssen, além dos lobbies de Prescott Bush (avô de Bush Jr.) que ajudou no fornecimento de armas aos nazistas além de ter enriquecido sua família. A história de Hitler com o ocultismo nos mostra que sem conhecer o deus chamado mercado, cultuado desde o estabelecimento do Império Britânico, não se pode compreender qualquer tirania atual, desde a da Troika e demais políticas de austeridade financeira, até as políticas de mudança de regime, com armas ou com “revoluções coloridas”, no Brasil e no mundo.

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