O Abertinho

Em tempos de neomacartismo e jurisprudência da destruição, arte, política e cultura em textos nem um pouco ortodoxos

A próxima fronteira do mundo, Idlib

Foto: Infografia: Alexandre Mauro/G1

 

Enquanto a Rússia denuncia um possível “operação de bandeira falsa”, o Ocidente ameaça russos e sírios por causa do recente avanço sobre a província de Idlib, um dos últimos refúgios de rebeldes após a bem sucedida parceria dos dois países contra o Estado Islâmico, a Al-Qaeda, Al-Nusra e demais agrupamentos terroristas. A fronteira com a Turquia é um ponto-chave desse jogo por ser o lugar de onde os rebeldes tem acesso ao Ocidente e a suas fontes de financiamento e a armas. A postura dúbia de Erdogan, que se move entre a dependência econômica com o oriente e seu pacto militar com o ocidente, torna ainda mais dramático atos que podem levar a um possível desfecho a luta contra a desestabilização do Oriente Médio, na esteira da devastação da Líbia e do Iêmen, ou a um confronto direto entre a OTAN e a Rússia.

[…]

Facebook começa a censurar páginas de esquerda, cinicamente

 

O velho DIP do dr. Getúlio ou a liberdade das “redes sociais”?

A ação de censura do Facebook mostra como acusação divulgada no Jornal Nacional, repercutindo investigação recém aberta do Ministério Público, serviu de álibi para desestruturar páginas de esquerda, mesmo algumas que existem há anos, com centenas de milhares de seguidores. Também páginas do próprio Partido dos Trabalhadores tiveram seus administradores expulsos sem aviso prévio ou direito de defesa.

[…]

Os novos desafios da Previdência Social

 

Carlos Gabas tem o mérito de colocar a discussão a respeito da Reforma da Previdência no contexto mais amplo da seguridade social, que abarca as áreas da Previdência, da Saúde e da Assistência Social. O modelo foi bem sucedido durante os governos petistas por terem atendido a esses requisitos, ou seja, ao ser ampliado a rede de assistência social (programas sociais) e no aumento da arrecadação previdenciária por causa da criação de postos de trabalho formais. Ainda que área da Saúde não tenha sido desprestigiada, pois aumentou seus recursos com o aumento da arrecadação do governo, sofreu diretamente os efeitos do fim da CPMF.

Uma discussão ampla a respeito não só da Previdência, mas da Seguridade Social, passa por todas essas áreas. Inicia-se com a transformação do modelo tributário, com a incisão de impostos proporcionalmente maior aos setores de maior renda. Em especial, ao capital que sobrevive com pouca mão-de-obra e muitos recursos no sistema financeiro. O modelo liberal que assaltou o poder depois do golpe de 2016, procura penalizar os trabalhadores e aposentados, e o faz de maneira tirânica, sem abrir diálogo com as diversas partes interessadas. Além da PEC da Morte e da Reforma Trabalhista, aumentou DRU (Desvinculação das Receitas da União) de 20% para 30%, o que tirou ainda mais receitas da Previdência, que enfrenta graves desafios diante do quadro de desemprego e recessão econômica.

O Fórum de debates sobre políticas de emprego, trabalho e renda e de Previdência Social foi abruptamente interrompido com o golpe. Ele era a continuação do Fórum Nacional de Previdência Social, instituído por Lula, e baseado num modelo quadripartite (trabalhadores da ativa, aposentados, empresários e governo), onde eram debatidos os melhores caminhos para a Reforma da Previdência num quadro de maior longevidade da população, e de não se penalizar as empresas empregadoras num quadro, por exemplo, de 2014, quando atingimos a marca do pleno emprego. Essa discussão é necessária para o futuro, ainda mais se esse futuro for o da volta às antigas marcas de fim da miséria e pleno emprego, onde deveremos ter uma rede de proteção social bastante sofisticada. Não é com a tirania das imposições “liberais” que garantiremos o futuro da nação.

Pela análise meticulosa e pelos bons problemas levantados é que publicamos o artigo de Carlos Gabas, servidor do INSS há 32 anos e ministro da Previdência Social de Lula e Dilma Rousseff.

[…]

Os líderes dos Estados Unidos, Rússia, China e Índia devem atuar já!

O Instituto Schiller, sob a liderança de Helga Zepp-LaRouche, lançou uma petição internacional urgente, buscando uma conferência dos Estados Unidos, Rússia, China e Índia, para estabelecer um novo sistema de taxas fixas de câmbio para o comércio e desenvolvimento mundiais, modelado no conceito de Franklin Roosevelt de um sistema de Bretton Woods. Em 15 de agosto de 1971, o presidente americano Richard Nixon retirou o dólar do sistema de Bretton Woods, acabando com a estabilidade do pós-Segunda Guerra que permitiu que as economias destruídas da Europa e da Ásia não só se recuperassem da guerra, mas reconstruírem a moderna infraestrutura necessária para a prosperidade contínua. A intenção de Roosevelt para o período do pós-guerra como relatado por seu filho, Elliot Roosevelt, era usar o sistema de Bretton Woods para destruir de uma vez por todas o colonialismo britânico, e a pobreza e o atraso que isso produzia. Agora uma nova conferência tal como Bretton Woods entre Estados Unidos, Rússia, China e Índia representa o único meio para mitigar e sobreviver ao pendente colapso da bolha financeira pós-2008, uma bolha maior em ordem de magnitude do que aquela de 2008, o colapso em que o mundo inteiro será engolido no caos.

[…]

Apple e a multiplicação de homicídios

 

Ainda que seja louvável a iniciativa do novíssimo Jornal do Brasil em relatar em sua manchete principal que a morte por overdoses nos EUA hoje superam em número os homicídios cometidos no Brasil, é ainda insuficiente o esforço de todo e qualquer imprensa em ver a figura toda do que constitui o mercado de drogas global. Ainda mais, a participação no comércio de drogas, tal como as promessas do Vale do Silício, se tornaram uma “carreira aberta aos talentos” tanto no sul global quanto no chamado “setor avançado”, hoje invariavelmente falido. A extrema valorização da Apple em meio à penúria econômica e humanitária (crise de imigrantes, de refugiados), mostra não uma vitória do livre-mercado, mas os vínculos indissolúveis entre liberalismo e genocídio.

[…]

Os rostos de Gilles Deleuze

Deleuze diz que, como professor, ele gostaria de dar uma aula como Dylan, que mais do que um autor é um produtor incrível, ele organiza uma música. A filosofia pop tenta pensar, ler e escrever como uma música é feita, mas é melhor ver o que Gilles Deleuze diz em “Diálogos”: uma boa maneira de ler hoje seria tratar o livro como uma música, assistir a um filme, um programa de televisão; qualquer tratamento especial do livro corresponde a outra época. Questões de dificuldade ou entendimento não existem. Os conceitos são exatamente como os sons, as cores, as imagens: intensidade que nos convém ou não, que acontece ou não acontece.

[…]

O justo como forma do apropriado

Paulo Lacerda

É muito oportuna a recente entrevista publicada pela agência Pública. Nela é relatado um breve histórico da atuação da Polícia Federal desde a redemocratização, com a liderança de Romeu Tuma, quadro originário do Dops, onde atuou junto com o notório torturador, o delegado Sérgio Paranhos Fleury. Permite não só ver problemas há muito conhecidos através do distanciamento histórico adequado, quanto avaliar o teor e a relevância das críticas em relação a conduta do Partido dos Trabalhadores na direção da Justiça e da Polícia Federal. […]

Radiografando a Nouvelle Vague Soviética

 

“Curioso é notar que os tempos turbulentos da Guerra Fria não influenciaram a produção russa. Os filmes tinham uma preocupação muito maior com o sujeito, com questões mais amplas como o que é a vida, onde personagens jovens se desvencilham do fardo do stalinismo e da guerra, se importando com questões mais subjetivas e com uma vida comunal mais solidária, que talvez se aproximasse de uma ideia matriz mais utópica da revolução, embora fique claro que essa ideia de comunidade não seguia nenhuma ideologia de Estado”.

[…]