Sobre a guerra que se aproxima

O exército vermelho se reúne novamente para derrotar os nazistas

Com certeza, no ocidente, Lyndon LaRouche é o líder com maior consciência dos perigos que ameaçam nossa civilização atualmente. No seu tradicional webcast de sexta-feira, em 6 de maio, disse com propriedade, como nenhum outro por estas bandas de cá é capaz de fazer: “Nós não estamos à beira da terceira guerra mundial. Nós estamos no meio dela. Nós já chegamos lá, e se não conseguirmos detê-la, a civilização não existirá mais”. É claro que a esperança de uma vitória russa e/ou chinesa – provavelmente, com quase toda certeza, num cenário de conflito os dois gigantes irão se unir – não é apostar no vazio, porém é sempre alarmante a magnitude que adquirirá essa guerra. Os movimentos, ainda que em sua maior parte secretos, indicam que haverá o controle da situação por parte da Rússia principalmente, e da China, durante o processo. Vamos explicar com todos os detalhes essa história intrincada e que guarda silêncio conivente dos oligopólios midiáticos com os políticos mais poderosos do mundo.

Diferente do ano passado, quando tudo sobre o conflito ainda era envolto numa nuvem, quase como se tudo não passasse de boatos, apesar de vozes firmes internacionais terem se posicionado sobre o risco de um grave conflito, como o ex-comandante William J. Perry, hoje, as fontes que apontam para o conflito são tanto oficiais como não oficiais, estão na grande mídia ou na mídia alternativa. Não conseguem, contudo, formar qualquer consenso. Parece que o segredo é o que interessa numa guerra que será enormemente impopular, ainda que consideremos o estado mental deplorável que boa parte do mundo atravessa. Não só deplorável econômica ou politicamente. De maneira total, o que vemos é a degradação mental pelo culto a modernos mitos pagãos, como o da união europeia através de uma união monetária, ou do monetarismo de uma maneira geral, que é um sistema de signos abstratos que são não menos alienantes, de certa forma até pior, do que as intervenções na subjetividade dos indivíduos como em projetos em sua primeira fase pelo menos encerrados, como o caso do famoso MK-Ultra. A polarização intensa do mundo, como é cristalino para pelo menos os menos tontos, não é uma coisa fabricada por “petralhas” e que se restringe à nossa província chamada Brasil. Pelo contrário, é vivida mundo afora de maneira mais intensa pelo menos desde quando o Ocidente criou as chamadas “revoluções coloridas”, como também pelo avanço constante da OTAN, sua postura agressiva, que leva a uma polarização também entre as forças militares ocidentais e as orientais.

Primeiro, vamos começar com uma fonte oficial. É um resumo com comentários da fala de Sergei Lavrov na XXIV Assembleia do Conselho de Política Exterior e de Defesa, em 09/04/2016, republicado pelo portal GGN:

 

Atualmente a Rússia vem provocando histeria em Washington muito regularmente, só que isso não aparece na TV. Nós colocamos ordem na Síria sem um voucher de autorização americano, e não ficamos atolados por lá, mas nos retiramos no momento certo. Pode-se imaginar o quanto duplamente ofendidos eles devem estar?

É também revelador que, quando os políticos americanos relacionam as ameaças ao reduto da liberdade, a lista pode variar: terrorismo, China, até mesmo o ebola foi mencionado uma ou duas vezes, enquanto que a Rússia é membro permanente dessa lista. Então agora Sergey Lavrov declarou oficialmente: a Rússia vai perseguir abertamente a criação de um sistema político internacional policêntrico, de modo oficial e com base em documentos estratégicos apropriados. A partir de agora ações contra a Rússia serão também ações contra o conceito de mundo multipolar. Uma vez mais, nada disso é novidade, mas nada disso havia sido declarado abertamente até agora.

Obama faz a publicidade do seu país:

“Os Estados Unidos têm muitas cartas na mão. Nós somos objeto de inveja do mundo inteiro. Nós possuímos as forças armadas mais poderosas do planeta. A nossa economia é atualmente mais forte do que qualquer outra economia desenvolvida”.

E antes disso ele já havia dito:

“Nós não seremos capazes de conseguir nada se nós não tivermos a mais poderosa força militar no mundo e se nós não torcermos frequentemente o braço de países que não queiram fazer aquilo que nós necessitamos que seja feito, pelo emprego uma variedade de meios econômicos, diplomáticos e eventualmente militares”.

 

A supremacia não mais racial, mas social dos EUA, sua completa arrogância em termos de política externa, podem levar a uma situação jurídica anterior aos acordos de Yalta (não se precisa traduzir isso, principalmente se pensarmos em termos do estabelecimento da OTAN e os acordos feitos com Gorbachov no apagar das luzes da antiga União Soviética), como bem ressaltou Putin em sua “fala sobre o meio ambiente” na ONU recentemente, É bom ver o discurso dele no youtube, traduzido para o inglês ou o espanhol pela Russian Today. Podemos ver também no “oficial” New York Times que a escalada não é tão não-oficial, tão “de brincadeira” como se pensa. São basicamente duas reportagens sobre o escudo anti-mísseis recém-implantado pela OTAN na Europa, tanto com capacidade defensiva como ofensiva. Pode ser visto aqui e aqui, e também de maneira um pouco mais “alternativa” aqui. É a nova super-quente Guerra Fria. Nesse sentido, com certeza, já estamos em meio à guerra.

Por que quadruplicar a presença das tropas da OTAN nas fronteiras da Rússia? Qual ameaça concreta representada pelos russos? Por defenderem junto aos chineses, e aos países BRICS de um modo geral, um novo arranjo econômico, um novo sistema financeiro? Sair de seu próprio país, atravessar o Atlântico, para conter qual ameaça? Quem está provocando o que? E com a ajuda providencial dos alemães e o posicionamento de tropas nos Balcãs até onde podemos chegar?

A hipótese que move a OTAN é o que se chama de sua “doutrina utópica”. Acham que vão em apenas um ataque aniquilar o inimigo. Mas não consideram que Rússia e China podem responder em seguida, em segundos ou milésimos de segundo (em realidade, se calcula um tempo de 3 a 5 minutos para a resposta, ou seja, se não se destruir o inimigo nesse tempo, joga-se fora toda “doutrina utópica”), e lançar um ataque na mesma proporção de maneira simultânea – o que seria com toda certeza o fim da humanidade. Primeiro, o fato é que o cerceamento da Rússia a partir de sua fronteiras ocidentais e o sufocamento da China no Mar do Sul é fato, como bem demonstrou de maneira resumida uma das últimas postagens do comitê de ação política de Lyndon LaRouche (traduzido em português de Portugal):

 

  1.  A contínua expansão para leste da OTAN em direção às fronteiras da Rússia, apesar das garantias dadas pelo Ocidente a Gorbachov em 1989 de que tal não iria acontecer;

  2. A colocação do sistema de defesa antimísseis Aegis na Roménia, Polónia, Turquia e Espanha. Estas armas, equipadas com lançadores MK41, podem ser usadas para missões defensivas (ar, terra, mar), mas também para ataques ofensivos com armas nucleares;

  3. A planeada colocação rotativa permanente nos Estados Bálticos, Polónia e Roménia de quatro batalhões de 1,000 tropas cada um e de equipamento militar pesado;

  4. A criação de uma “Frente Nórdica” contra a Rússia, composta de uma aliança dos membros da OTAN Dinamarca, Islândia e Noruega e da “Parceria para a Paz” da OTAN (Suécia e Finlândia);

  5. A modernização de armas nucleares, em particular da bomba B61-12 e dos Mísseis de Cruzeiro de Longo Alcance Standoff (LRSO), baseados na Alemanha. A Senadora dos EUA Dianne Feinstein disse destas armas: “Os chamados melhoramentos a esta arma pareceram ser desenhados … para a tornar mais usável, para nos ajudar a lutar e ganhar uma guerra nuclear limitada”.

 

Quanto às ameaças no mar chinês, assim disse o editorial de um dos mais importantes periódicos do país, o Global Times: “Carter’s words have been the most threatening China has heard since the end of the Cold War. They confirm some Chinese people’s worries about the worst-case scenario in the Sino-US relationship, in which Washington may translate its intention to counter China into real actions“. Também pode ser visto aqui. A China já traçou uma linha vermelha por onde os EUA não podem e não devem atravessar. Tanto a Rússia como a China advertem com as mesmas palavras: “irão reagir de maneira assimétrica às provocações“. Dizem que será formalizada a cooperação militar entre os dois países, mas a cooperação em todos os níveis, principalmente depois da sanções econômicas e da puxada forçada do preço do petróleo (o que deveria fragilizar, “sangrar” – como diria o Farol sobre Lula – a Rússia até a morte), foi intensificada de maneira sem precedente desde então. A formalização da cooperação militar é somente tornar a público o que é irreversível.

A excelente foto do site LAROUCHEPAC.COM

O curioso da visão do movimento larouchista é que ora alerta sobre os perigos de guerra no Mar do Sul, ora nas fronteiras ocidentais da Rússia. No meu modo de entender, nada disso deve ser considerado. Dificilmente os russos vão esperar o primeiro ataque, aquele fulminante, como defendido pelos doutrinários utópicos da OTAN. No meu entender, dificilmente não será o oriente que irá tomar a iniciativa. Uma das análises mais lúcidas sobre o processo de guerra já iniciado, feito por John Helmer, relembra o comandante do exército vermelho, o marechal Georgy Zhukov, e o que ele chama de “momento Barbarossa”. Stálin estava pronto para lançar um ataque preventivo a Hitler. O marechal, querendo surpreender o ocidente como é costume entre os russos, como na vitória sobre Napoleão, agia em silêncio. Stálin foi dar com a língua nos dentes, disse que poderia atacar a Alemanha a qualquer momento, “secretamente”. Logo em seguida, Hitler deslanchou sua Operação Barbarossa. Medvedev teve seu “momento Barbarossa” logo após o assassinato de Kadafi, e alertou sobre os riscos eminentes de uma guerra. Putin, depois dos sucessos na Síria, teve a oportunidade de ter o seu momento. É clara a movimentação pela defesa dos dois países e os russos podem surpreender novamente. Recentemente tivemos a retomada da Crimeia realizada de maneira surpreendente e sempre humilhante para os derrotados; um pouco depois, a retumbante vitória russa contra o Estado islâmico, que os estadunidenses – agora novamente humilhados – combatiam a alguns anos. Mais surpreendente foi a saída, a retirada dos aviões russos apensas cinco meses após o início do confronto. Mais surpreendente ainda foi o concerto de Bach feito em Palmira, um momento único para a humanidade.

A questão não se restringe às sanções econômicas. Deve-se também levar em conta o lobbie para fazer despencar o preço do petróleo, o que de uma tacada só atingiu a Venezuela e tornou mais barato para os golpistas brasileiros retomarem os argumentos de entrega do pré-sal. Deve se levar em conta que todo tipo de guerra que se trava hoje é fundamentalmente econômica. A guerra dos discursos é toda ela econômica. Superavit primário, câmbio flutuantes, metas de inflação, etc., o tripé macroeconômico e todas as demais discussões bizantinas são a forma de se revestir de caráter “técnico” a discussão que sempre foi política, mas que nos idos da Guerra Fria se apresentava sempre com características ideológicas. Não se discute mais nesse sentido tão duro, ideológico. Nem o mundo está armado como estava naquelas décadas. O rearmamento, a preparação para o conflito, se dá de maneira súbita. Não há qualquer necessidade para corrida armamentista, vivemos numa espécie de época transhistórica, de paz ilusória, de vitória ainda da ideologia de Fukuyama ou da geopolítica de Brezinski.

Na verdade, desde a queda do muro em Berlim, não se tratou de uma alternativa viável para a paz entre os blocos que antes estavam em franco conflito. Lyndon LaRouche, que previu com agudeza a queda do muro pouco meses antes – e ninguém achava que iria ocorrer -, e junto com sua esposa Helga Zepp-LaRouche, vêm defendendo desde então a integração econômica, seja no plano inicial, o de se construir um triângulo produtivo Berlim-Paris-Viena, com o intuito de integrar a Europa ocidental a oriental, seja mais tarde com a Ponte Terrestre Mundial. Hoje a China já realiza os planos da senhorita Rota da Seda (como é apelidada na China Helga Zepp-LaRouche), e o ideal é que o plano sirva para integrar a Ásia com a Europa a partir do Oriente Médio, e se acabar, através desse plano de integração econômica com os conflitos na região, a crise dos refugiados e a ameaça constante de guerra. regional ou mundial.

 

A Ponte Terrestre Mundial devidamente estilizada

 

Como tem enfatizado Helga Zepp-LaRouche, vivemos uma crise existencial na humanidade maior do que na época da Crise dos Mísseis em Cuba. Não falamos de “crise existencial” no sentido “psicanalítico” ou em termos de “ser ou nada” do existencialismo francês ou de seus congêneres. O perigo que ameaça a existência do ser humano enquanto espécie nunca foi tão grande. A senhorita Rota da Seda, no discurso cujo link coloquei logo acima, cita artigo publicado pelo general russo Leonid Ivashov no periódico Zavtra (e resumido aqui, em inglês) em que diz: “existem sérios preparativos para a guerra. Não só na fronteira noroeste de nosso país e entorno dela. A Estratégia de Defesa Nacional dos EUA, adotada ano passado, marcou o início das preparações para sua fase militar. Foi dito ali que não existe mundo multi-polar, porque não há alternativa para a liderança americana”. É o encontro de duas visões de mundo absolutamente opostas, entendimento de aspectos jurídicos que regem as relações internacionais inteiramente discrepantes, como exposto no primeiro trecho de artigo transcrito acima.

Ela também cita artigo recente do correspondente do conservador periódico alemão Die Welt, Michael Stürmer: “Nenhum protocolo irá nos salvar da guerra nuclear”. Para quem gosta da língua alemã, segue o link. O título, contudo já diz muito. Stümer, classificado como um “atlanticista” de quatro costados, alguém absolutamente comprometido com os meio ambiente midiático, alerta para o fato de que durante a Guerra Fria os militares de ambos os países tinham clareza a respeito das consequências de se adotar a política chamada MAD (Mutual Assured Destruction), à época, defendida com todo carinho pelo nobel sir Bertrand Russel – o “homem mais maldoso do século XX”(o que não é pouca coisa, é só lembrarmos de Hitler e correlatos), segundo Lyndon LaRouche.  Se paramos para pensar, a “doutrina utópica da OTAN” nada mais é do que um MAD amplificado, pois para os atlanticistas, caso aja “dano colateral”, tudo será para o bem da humanidade, já que devemos – segundo eles e os ideólogos do movimento verdista – reduzir para pelo menos um bilhão o número de seres humanos existentes no planeta.

Para os curiosos, indicaria com muita veemência o diálogo semanal entre o jornalista John Batchelor e o professor da universidade de Princeton, especialista em Rússia, Stephen F. Cohen. Pode ser visto no site do The Nation ou no Russian Insider. O link para um dos últimos podcasts está aqui. O professor relata os recentes movimentos dentro da Rússia para se reler o legado de Stalin, algumas considerações sobre Gorbachov (com ele, com a Perestroika, se deu o primeiro trabalho sério não de fuga do socialismo ou capitulação ao capitalismo, mas de “destalinização” da URSS), além dos comentários habituais sobre a mobilização alarmante das tropas da OTAN na fronteira russa, principalmente no Báltico.

Numa entrevista mais recente, o professor Coher relata com espanto as manobras de milhares de soldados da OTAN na Polônia, nos preparativos de guerra batizados de operação Anaconda-16. Por outro lado, existe o debate público na Rússia a respeito do grau de seriedade do avanço militar ocidental: seria apenas demonstração de poder, uma espécie de pirotecnia com armas nucleares prontas para uso, ou de declaração informal de guerra? A pergunta “retórica” do entrevistador (o professor chama assim a pergunta, até por considerar a resposta óbvia demais) não é menos pertinente: o que fariam os EUA caso os russos ou chineses estivessem em Cuba fazendo exercícios militares com grande mobilização de armas, homens e recursos? Assistiriam impassíveis ou aqui no ocidente já se teria feito renascer a histeria da guerra, talvez num modo ainda mais dramático do que nos anos 1960? O fato é que não há o telefone, os líderes políticos, como houve na época de Kennedy, capazes de conversarem e contornarem o terror iminente. Barack Obama, em sua visita ao Japão, disse com todas as letras entender as motivações que podem levar um presidente a utilizar de armas nucleares. Como se esse fosse o caso, com um Japão já rendido, e com as ordens do general Douglas MacArthur de retirar as tropas do local.

Colocamos abaixo o vídeo com uma fala mais curta do professor sobre o assunto específico do confronto Rússia versus EUA.

 

 

O ex-comandante do Joint Chiefs of Staff (por favor, fiquem a vontade para traduzir como quiserem a expressão que designa o Estado Maior das Forças Armadas), Martin Dempsey, fez um alerta vigoroso para os estadunidenses não caírem na “armadilha de Tucídides”. Elogiar Atenas na mesma intensidade com que se despreza os rivais pode fazer Washington virar pó, assim como Atenas nunca mais recuperou sua antiga supremacia após a Guerra do Peloponeso, um guerra sem vencedores. O alerta é claro, vem de quem vivenciou as mais recentes batalhas no Oriente Médio, e conhece o discurso dos neocons que são o coração da administração Obama, ou seja, o discurso do mundo unipolar, do “século americano”, seja pela retórica imperialista, pelo sufocamento econômico ou pelo uso das armas.

Não se precisa reiterar as sucessivas alusões, ou sucessivos planejamentos dos neocons a respeito da necessidade do desmantelamento da Rússia. Uma referência elementar é o “grande xadrez”, de Zbigniew Brzezinski, mas passa por alusões mais recentes, inclusive do ressurgimento do MAD, e que pode ser visto aqui, com links bem interessantes para outros artigos. Recentemente também, fala-se do movimento russo para fazer na Líbia o que foi feito na Síria, o que por si só nos dá bastante matéria para reflexão. É a guerra em movimento, a guerra total, generalizada, mesmo que ainda não se tenha um conflito direto entre as potências. Quais seriam as consequências para o “grande xadrez” internacional caso essa intenção russa venha a se concretizar? Lembrando que Medvedev teve seu “momento Barbarossa” quando da morte de Kadafi (pelos drones americanos), seria uma guerra direta contra a política de mudança de regime imposta pelos EUA e que teve seu momento marcante em 2013, com repercussões aqui no Brasil, mas principalmente na Ucrânia. Talvez o ponto final dessa história (se é que podemos falar de pontos finais em algo que está em pleno desenvolvimento), um ponto de ancoragem, a marcação de dois tempos seria as “revoluções coloridas de 2013” até a instalação do sistema anti-mísseis nas últimas semanas. Vamos dizer que essa é a “parte quente”, a mais recente, de um acontecimento de longo curso.

 

Os mísseis hipersônicos 3M22 Zirkon, arma russa para deter os mísseis anti-balísticos

Um tempo médio podemos entender que se estende a partir de uma dupla plataforma. Uma, de mais curto alcance, que vai desde a pronta inciativa de Putin em auxiliar os americanos depois do ataque de 11 de setembro, até os desapontamentos generalizados provocados pela guerra no Iraque, que levaram a Rússia a retirar, por volta de 2005 se não me engano, qualquer apoio à “guerra contra o terrorismo”. A partir do pressuposto da “guerra contra o terror” a OTAN passou a se multiplicar como um câncer, tornando membros países como Lituânia, Romênia, e sei lá mais o que, numa clara violação às cláusulas de respeito mútuo que ampararam o acordo Ocidente-Rússia com o colapso da URSS. A única importância desses países, dessa expansão da OTAN, é sua proximidade com a fronteira russa. Tendo em vista esses desdobramentos, se compreende por que se tornou inaceitável para a Rússia contribuir para a caça aos terroristas.

A outra plataforma de tempo médio, mas de alcance um pouco maior, é a eleição de Bush pai para a presidência dos EUA. Fala-se muito em Reagan, na sua patota de neoliberais, etc., mas se esquece de dois detalhes importantes: foi com Reagan que quase se realizou um acordo em comum EUA-URSS em torno também de mísseis anti-balísticos (portanto, esse projeto é bem antigo e agora é implantado não para o fim da guerra, mas para provocar o início de uma), a Iniciativa de Defesa Estratégica, que foi frustrada pela quadrilha liderada por Kissinger, e que levou à prisão seu idealizador, Lyndon LaRouche, junto a inúmeros de seus associados. A eleição de Bush pai, por seu lado, colocou definitivamente no poder os neocons, seu núcleo duro, baseado no chamado “complexo industrial-militar”, que tem suas gloriosas raízes na Skull and Bones e na colaboração com os nazistas, liderada pelo então senador Prescott Bush. Numa comparação talvez um pouco bárbara, podemos dizer que comparar os malefícios de um governo Collor a um governo FHC é como comprar Bush pai e Reagan. Este e Collor parecem absolutamente ignorantes do bem e do mal diante do oligarquismo puro e duro, e todos os novos paradigmas (mais do que práticas políticas), por eles implantado. Não é um acaso que os “atentados” ocorreram com Bush filho (na verdade, neto). “Caçadores de marajás”, playboys de Maceió ou atores de Hollywood não servem de forma alguma para ocupar cargos relevantes, quanto mais a presidência da república!

Faremos um último paralelo, agora sobre o tempo longo, que para mim vai do assassinato de Kennedy até a implosão das Torres Gêmeas. Depois vamos estourar essa dicotomia estruturalista de “quente e frio” e vamos tocar – mas apenas tocar por enquanto – as camadas geológicas mais profundas, seguindo as lições do dr. Xarada (Mr. Challenge), o grande protagonista dos Mil Platôs, de Deleuze e Guattari. Essa história de tempo mais longo, na verdade a ponta de algo mais amplo, talvez iniciado com os poderes discricionários adquiridos pelo Império Britânico depois da Guerra dos Sete Anos, é um marco simbólico do povo estadunidense, principalmente de sua derrota sem retorno aos ditados do Império que desde o assassinado de Kennedy o vem recolonizando. A partir da derrota das políticas pró-industriais de Roosevelt, da falência agora irremediável, sob Obama, do programa espacial dirigido pela NASA, etc., da crescente desigualdade econômica no país desde a década de 1970, culminando com a volta dos Bush ao poder, do “complexo industrial-militar” e ao seu lacaio neocon Barack Obama – tendo como meio termo o fim da lei Glass-Steagall no mandato de Billy Clinton -, o Império sabe que suas horas estão terminadas e parte para concretizar seus objetivos de guerra total.

A decadência do povo estadunidense do assassinato de Kennedy até a implosão das Torres Gêmeas são o solo propício em que se debatem entre dois serial killers, Obama ou Hilary, e depois entre uma assassina e um psicopata, Trump. Não há solução institucional para os Estados Unidos da América. É quase uma “doutrina utópica” a luta pelo impeachment de Obama e o restabelecimento dos poderes do Executivo, ainda que seja a ação mais sana em toda essa loucura. O que importa, contudo, – e aqui pedimos licença ao dr. Xarada – é a dinâmica que a civilização ocidental vem adquirindo desde mais de dois mil anos. Não assistimos desde a Grécia clássica a ascensão e queda dos impérios no sentido tradicional. É difícil estabelecer os motivos, mas passou a haver sistemas de comunicação entre as antigas potestades. No caso, Roma vira um império grego na cultura, nos modos, ainda que tenha contribuído com suas próprias características, o que manteve o latim uma língua popular por ainda alguns séculos (não falo do latim dos eclesiásticos medievais). Roma se torna, nas palavras do historiador Paul Veyne, o “Império greco-romano”: não se pode compreender sua dinâmica sem estudar as duas sociedades em conjunto.

Mas a partir do Renascimento essa dinâmica se mostra de maneira mais clara. Portugal, talvez como Bagdá alguns séculos antes, se torna a capital do mundo. Ben Franklin, George Washington e Hamilton parecem fazer reviver as luzes da Itália em plena sociedade científica e fundam, de fato (o que não conseguiram os italianos na extensão que desejavam), uma república. Existe uma correlação muito interessante entre os antigos reinos da Antiguidade e os Estados-nação atuais. Não caberia aqui levantar as hipóteses sem fundamentá-las de maneira suficiente. O relevante é que, pelo menos desde o Renascimento, vemos os império ascenderem e caírem como sempre (Portugal, Espanha, Itália, França, etc.), terem seus momentos de glória (como também Bagdá), mas depois de seu período de ocaso, manterem sua identidade, seu poder, sua relativa autonomia. É o que os EUA estão se tornando hoje – e já a algum tempo -, a sombra de um poder ultrapassado. Com algumas características peculiares, contudo.

A dinâmica do desenvolvimento da autonomia, da soberania dos povos, nunca foi tão intensa, e hoje é indicada pela sigla BRICS (que por si só possuem mais da metade da população mundial), mas que carrega consigo uma série de outros países, do Oriente Médio, da África, da América do Sul, etc. Não se compara a força dessa dinâmica com a, por exemplo, dos países não-alinhados durante a Guerra Fria, onde o espaço de manobra era muito restrito e os projetos para o futuro ainda menos que embrionários. O planeta conseguiu sobreviver aos presumíveis executores do MAD num primeiro momento. Agora que o conflito parece inevitável, “o lado iluminado do planeta” parece dispor de forças suficientes para enterrar mais uma vez a hidra do nazismo. E é a inevitabilidade do crescimento desse novo renascimento global, capitaneado pela China, o que alarma os atlanticistas. Estes deslancharam a maior crise econômica da história, a maior guerra econômica jamais vista, e entraram com tropas ou não, com “protestos cívicos” geralmente, coloridos, e tentaram sacudir a soberania das nações, e vêem que essa talvez lhes seja a última chance. Por isso enlouquecem a ponto de ameaçar a todos com o Apocalipse.

Quero dizer que as aspirações de guerra total partem do mais profundo desespero da oligarquia financeira internacional de perder de vez seus postos de comando. A Rainha da família dos Guelfos Negros (e que só mudou de nome para Windsor depois da histeria anti-germânica pós-1914) terá que vestir vestes de servente se quiser sobreviver. O sistema financeiro transatlântico está irremediavelmente falido, e por isso procuram a guerra. Não podem controlar  sete ou oito bilhões, quem sabe dez ou quinze bilhões de pessoas num único e só mundo. A guerra será longa, será dura, e terá um nobre objetivo: tirar a dura capa de neomacartismo de todos esses cidadãos, mesmo os 99% de mestiços que compõem meu país. O que se avizinha, o que já chegou em realidade – e todos a estão vivendo em diferentes graus – aqueles períodos chamados de provação coletiva. Se assistirá a um grande jogo cujo resultado final é a continuidade ou não da humanidade como espécie. Mantemos a confiança em alta, a confiança nos incríveis progressos dos últimos vinte e poucos séculos – e agora com a ajuda do milenar oriente – de que um império irá ruir definitivamente, e que nos anos de reconstrução – talvez para essa tarefa o próprio deus Vulcano deverá ser chamado, devido às cargas tóxicas que a Terra fatalmente irá experimentar, junto com a chuva, a chuva constante – poderemos ver um novo renascimento, uma troca de moedas, de valores que regem a relação entre os Estados soberanos, voltados todos para o espaço, para lua, para Marte e além, num progresso que é irremediável caso não sucumbamos ao apelos dos atlanticistas, essa raça milenar que ainda continua a procurar destruir o planeta que os acolheu para sua regeneração. O importante é “Lutar, lutar. Temer jamais”, como com muita propriedade reivindicou a torcida mineira do Galo. Afinal, estamos a um minuto da meia-noite.

 

Agora tá explicado, Morô?

Depois de prender o Lula, Moro pode se aposentar. Quem sabe até em Miami, como o ilustre J. Barbosa. O que um salário de R$ 77.000,00 não permite, não é? Morô?

Mas, e daí? Muito bem pergunta Mino Carta:

 

Convoco novamente os botões: por quê? Parece óbvio que uma súbita dúvida assola a casa-grande. O caminho do golpe tenderia a bifurcar-se, e a encruzilhada exige meditação profunda ao tornar possível, quem sabe provável, uma escolha. Temer e o Congresso ou Moro e o Supremo? A leitura dos jornalões induz os botões a acentuarem a gravidade do momento e a dificuldade da opção.

 

O talvez maior editor brasileiro além de saber colocar boas questões, sabe temperar o debate com muito bom senso, apesar do pessimismo – e do sarcasmo – de sempre. O que não deixa de ser bom.

 

Há quem volte a falar em eleições gerais antecipadas, quem sabe para outubro de 2017. Solução sensata demais para ser viável. Ideal mesmo, declaram soturnamente os botões, seria refundar o Brasil, tão favorecido pela natureza e infelicitado fatalmente por uma dita elite, prepotente, arrogante, hipócrita, corrupta, egoísta e incompetente. Ah, sim, ignorante. E movida a ódio de classe.

 

“Solução sensata demais para ser viável”. Um exagero, acho que podemos acrescentar. Mas , a verdadeira piada não está no vídeo do comediante, mas no do profissional. Ali é uma confissão não só  golpe, mas de quem sempre foi menos o “Golbery” do presidente interino do que o presidente de fato.

Resta ainda alguma dúvida que Temer continua sendo o “vice decorativo”?

Agora, contudo, ainda fica uma questão. As gravações feitas por Sérgio Machado foram publicadas no fim do mês de maio, sendo que foram feitas em março – dizem. Se o processo de impeachment só foi votado no senado já quase chegando no meio do mês, por que as gravações só foram divulgadas talvez mais de dois meses depois de terem sido feitas? Dá para se argumentar que as gravações foram feitas como uma espécie de auto-proteção de Sérgio Machado. Tipo “se der merda” tenho isso aqui. Mas por que que não “deu merda” antes, mas só depois de 15 dias de governo interino? As gravações, inclusive por envolverem o presidente do senado, poderiam ter simplesmente bloqueado a votação da admissibilidade do impeachment. Mas a Folha de São Paulo resolveu que só daria merda no fim do mês, e soltou as gravações que supostamente colocariam o jornal novamente no “campo progressista”, pura estratégia de marketing como vários analistas já viram, triste reedição do “progressismo” do jornal durante o inevitável, as Diretas Já.

Talvez não seja querer demais que todos os jornais não acompanhem as falhas ridículas da gigante Globo, como no caso mesmo das Diretas, quando noticiou a festa pelo aniversário da capital paulista ao invés de falar o óbvio, o comício pela democracia. A Globo comete esses erros grosseiros, mas fica tudo meio que por aí, anestesiado pelo seu grande $$$$$. A Folha tem que se basear mais na moral e nos bons costumes, ser também camaliônica como o Caetano Veloso. Na falta de conteúdo e superabundância de capital tem que usar da dubiedade.

Logo, frente ao óbvio dessas gravações, é o que o Abertinho pergunta, clama, esbraveja: Por que não foram divulgadas antes? Imagina essas gravações com a tentativa de Waldir Maranhão… Não dá para se especular muito agora. Somente dá para concluir que é muito conveniente tudo isso vir só agora. Se viesse depois, já que a fonte é uma pessoa que teve a vida devassada pela PF em dezembro, traria ainda mais incredibilidade para o PIG, e poderia atear fogo no país caso fosse divulgada uma conversa de março depois de julgado o mérito do impeachment. Seria grotesco também porque deveriam paralisar a caça a Machado, e a Mani Lipute não para nunca. Mais uma de suas entranhas seria desvelada. A Torre de Londres caso fique um dia ou mesmo algumas horas inativa poderia ruir. Sei que Sérgio Machado poderia ter calado Renan na hora certa, e todo o PIG e os admiradores de J. Barbosa junto.

Se falar de Moro, por que não falar dos BRICS? (atualizado)

Muito melhor que a irmandade de Don Vito Corleone

 

Atualizado em 15/07/2016

A sombra que desce sobre Moro é menos a de seus crimes sob a capa da justiça, do que o do procurador Janot. As constantes viagens de membros do Ministério Público brasileiro aos EUA, e as viagens do próprio juiz até lá, são infames. E não menos foi sua última viagem para receber a coroação imperial através da revista Times. Mas nessas viagens, tal como os americanos antes passavam aos militares seus métodos de tortura, agora repassam a mesma matéria, tudo dentro dos trâmites legais. Afinal, a prisão e a tortura eram métodos legalizados pelo governo de exceção. Prende-se alguém sem qualquer respeito às mínimas garantias individuais, como aconteceu de Lula a Mantega, até os primeiros desavisados das práticas justiceiras do homem de preto; depois se dilata ininterruptamente a prisão preventiva ou coercitiva, até que o ladrão comece a falar. Logo em seguida, os ladrões são soltos, ficam em casa, pagam pequena multa se comparada com os milhões ou bilhões que desviaram. E aí começa a prostituição com a imprensa. Primeiro o aliciamento, depois o crime. Feitiço que pode se voltar contra o feiticeiro.

Métodos aprendidos no estrangeiro, que tiveram o lado oposto ao desmascararem alguns aspectos da relação entre CBF e Globo, mas que, como todos os respingos a mais, “não vieram ao caso”. No mais, os métodos da transmissão futebolística já eram mais do que conhecidos, mas sem a divulgação beirando à náusea como por exemplo a dos pedalinhos. O mesmo caso se aplica ao triplex de Parati, hoje de forma mais comprovada ainda depois da divulgação das contas secretas no Panamá. Nada de holofotes. Fica tudo na obscuridade, bem guardada sob a capa preta de qualquer juiz conveniente ou nos aquivos de jornalistas compromissados com a empresa e seu contra-cheque e não com sua carreira e biografia.

O consórcio entre as instituições públicas, os oligarcas daqui (que se chamam tucanos ou os que são patrocinados pelo Itaú – toda uma Rede), visa, como é claro, prender o dono da quadrilha criminosa chamada Partido dos Trabalhadores. Esse é o ponto pacífico. Os BRICS entram na história quando procuram tirar o “B” da sigla. Caso o temerário suposto futuro governo se consolide (e isso é o aspecto quiçá mais difícil de todos), entraríamos para a Aliança para o Pacífico, do Obama, mesmo não sendo banhados por esse mar. Para ficar na contradição mais aparente.

A criação do banco de desenvolvimento dos BRICS, os grandes projetos de desenvolvimento capitaneados pela China – tem o canal da Nicarágua, mais do que estratégico, mas também seu papel crucial no leilão do pré-sal (é só lembrar as causas que levaram as petroleiras não entrarem, somente a Shell e em pequena escala), ou a Transpacífica -, tudo isso tenderá à entropia. Um novo sistema econômico se forma hoje sob a liderança dos BRICS. Uma cesta de moedas para se fugir ao padrão dólar e, como dito, os projetos de grande escala, o banco internacional como substituto do FMI e BM, a reconstrução da Rota da Seda (que vocês podem ver alguns vídeos curtos em meu canal, também traduzidos por mim aqui e aqui); tudo feito para sair do monopólio do falido sistema financeiro transatlântico.

 

Substituir o uniforme dos militares pela capa preta dos juízes, criar novamente um estado de exceção novamente sob o manto da legalidade (em 64 não foi diferente, os golpistas sempre se declaram legalistas, democratas, liberais, etc.), é tirar o “B” dos BRICS e se juntar ao corrupto e falido sistema que levou à maior crise da história de nossa civilização, e que traz índices alarmantes para a população de dentro dos EUA, como no gráfico abaixo, que mostra o aumento exponencial de mortes violentas (por drogas, álcool ou suicídio) do cidadão americano, branco e de meia idade – o tradicional trabalhador produtivo e classe-média, exemplo mundial de vida bem sucedida (não falo aqui de mega empresários ou ricos, mais o bem sucedido no sentido do cidadão comum). Se aderirmos ao falido império, será nossa sorte melhor que a deles? Numa conjuntura onde é tão difícil apontar culpados: Cunha, Temer, Moro, Janot, os tucanos, a Globo, etc. e etc., o melhor é pensar que, com Moro, com impeachment, ou seja, sob as ordens do Império decadente (e que não era em 1964), nossa sorte será longe dos BRICS e próxima do genocídio de nossa população.

 

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As estatísticas podem ser vistas com detalhe na página do New York Times. A transcrição do discurso de Jeff Steinberg no webcast do Comitê de Ação Política Lyndon LaRouche (LPAC), em 22 de janeiro de 2016, é reveladora do pessimismo cultural vivido pela população dos EUA, principalmente se comparado ao otimismo – e às grandes descobertas científicas – do século XIX ou da era Roosevelt. Indico também as anotações do mesmo Jeff Steinberg na palestra que deu em Tóquio, no Instituto Canon, sobre a real situação da economia estadunidense – o que não tem relação alguma com as estatísticas mentirosas do “progressista” Barack Obama. Para quem possa acreditar que as análises de Jeff não sejam suficientes, talvez provavelmente por ideias pré-concebidas a respeito do movimento larouchista, pode-se visitar a página do portal Vermelho (lugar também de gente perigosa, dos comunas, dos bolivarianos dessa vez) que reproduz reportagem do jornal Valor Econômico a respeito da decadência sócio-econômica das últimas décadas experimentada pelos yankes. É uma reportagem de 2010, enfim, que diz respeito à questão estrutural – falida – da economia estadunidense. E, para variar, um extenso e atual estudo da Pew Researcher Center que vai na mesma direção, ou seja, da falência do sistema financeiro transatlântico e das economias a ele associadas.

Não é por outro motivo que a China e a Rússia são responsáveis pela grande valorização do ouro nos últimos anos. Com sua política de fugir ao padrão dólar, aos petrodólares em particular, investem no ouro enquanto a velha moeda imperial desaba de valor, com especial ênfase no período das medidas hiperinflacionárias alcunhadas pelo “keynesianos” de Quantitative Easing. É o mesmo princípio que fizeram os BRICS passarem a criar uma cesta de moedas; e não por princípio diferente, em criar seus próprio banco de desenvolvimento, inclusive o asiático, hoje em dia mais eficiente, seguindo os trilhos da Nova Rota da Seda, enquanto o banco dos BRICS ainda procura se legitimar com um capital inicial de meros 1 a 2 bilhões de dólares, quase em sua totalidade comprometidos com projetos “verdes” no estilo WWF. O que mesmo assim faz Paulo Batista Nogueira Jr. chamar de bom começo! As intenções são realmente das melhores, e o trabalho de legitimação do banco dos BRICS não deve ser ignorado. Único ponto contrário, de um modo geral, é que a ideologia ambientalista continua sendo pedra angular de muito boas cabeças.

Estação da Nova Rota da Seda recém-inaugurada que liga a China ao Irã.

Moro talvez só recupere seu protagonismo caso consiga capital social suficiente para prender Lula ou se, na volta de Dilma, a oligarquia ainda tenha forças para legitimar a ressurreição da Lava-Jato. Contudo, foi essa operação a responsável pelo encobrimento das reais causas do impeachment, ou seja, de criar uma falsa percepção de “necessidade de mudança” na população. Os tais “decretos de crédito suplementar”, o que a mídia nativa sempre chamou de “contabilidade criativa” não tem tutano suficiente para fazer gritar nem o mais reacionário “anti-bolivariano”. Logo, cria-se o álibi. O princípio básico de todo esse desenvolvimento é que estar com Moro não é diferente de estar com Temer, que é igual a estar com Cunha, que é igual a estar com a bancada evangélica, a da bala, a de sei lá mais o quê, de estar com a Globo, de estar com… Obama, o assassino das terças-feiras! É estar com a escalada de guerra contra Rússia e China, contra a Nova Rota da Seda e ao desenvolvimento de um sistema econômico que supere a hegemonia da bancarrota de Wall Street e da City de Londres. Defender a operação judicial que legitima as revoluções coloridas, consideradas por russos e chineses atos de guerra irregular promovida por países estrangeiros contra os asiáticos. Ucrânia.

Ser Moro é ser Stephan Bandera, é ser neonazi na Europa. Só a capa de neomacartismo que cobre a personalidade de parte considerável da população pode esconder isso. A capa preta que substitui hoje em dia o uniforme militar usados alhures. A capa preta daqueles que são contra o impeachment para aproveitarem de novas oportunidades eleitorais, como Marina Silva ou Joaquim Barbosa. Sim, esse, “o” homem da capa negra – o pioneiro. Talvez de capa só não menos negra do que a do mistério do jatinho de Eduardo Campos, que até agora, incrivelmente, não acharam sequer os donos. Estar com Moro, apoiar seus métodos aprendidos nos estrangeiros, é estar com o decadente e pessimista EUA, o país do tráfico de drogas, dos drones e dos assassinatos em massa. É estar com a Mãos Limpas, operação judicial feita em aliança com a Transparência Internacional para acabar de vez com a credibilidade dos partidos políticos italianos e conseguir enfiar goela abaixo a Troika em um país que ainda lutava por sua soberania, por sua moeda, ou seja, contra a fajuta tentativa de união política baseada em união monetária a qual deram o nome de euro e que hoje engole a Europa, da Grécia a Espanha, da Inglaterra a Alemanha.

Quando pensar em Moro e quiser se livrar da capa preta de seu minúsculo neomacartismo, pense no lado luminoso do planeta, pense nos BRICS.

Adendo: O Império Britânico por detrás do golpe no Brasil – o caso argentino

Segue trecho sobre o caso da Argentina, do longo artigo de Cynthia Rush, “O Império Britânico por detrás do golpe no Brasil”, publicado na Executive Intelligence Review. A tradução em português pode ser vista aqui e a edição em inglês aqui.

Os irmãos Koch financiam os movimentos “apartidários”

O papel da Argentina

A Lava Jato começou a operar no Brasil já no final de 2014, assim que Dilma foi reeleita ao derrotar o candidato de Wall Street, Aécio Neves, em novembro daquele ano. Mas foi a eleição do monetarista fanático, Maurício Macri, na vizinha Argentina em novembro último, e sua mudança na economia e na política externa em alinhamento com os Estados Unidos, que fortaleceu os agentes da Lava Jato a acelerar o passo, sabendo que poderiam contar com o suporte de Macri. Assim que ele tomou posse, em dezembro, começou imediatamente a reverter as políticas nacionalistas de sua predecessora, Cristina Fernández de Kirchner, e fez saber ao governo Obama que seria um aliado de total confiança.

Foram Macri e Obama que responderam à abertura do processo contra Dilma com pronunciamentos praticamente idênticos, dizendo que os “processos institucionais” deveriam ser respeitados e que deveriam seguir seu curso não importa o que ocorresse. Isso traçou um nítido contraste com o posicionamento da Unasul, a Organização dos Estados Americanos, e de outros governos, que disseram que o impeachment violentava as normas legais.

Um dos primeiros atos de Macri no governo – indicando onde estão suas lealdades – foi fazer um acordo com os fundos abutres que afligiram a Argentina por mais de uma década e cujas demandas Fernández e seu falecido marido e predecessor, Néstor Kirchner, rechaçaram. Sob investigação por duvidosas atividades financeiras próprias e de sua familia, em fundos off-shore, como revelado pelos Panamá Papers, e denunciado por sua defesa púbica do banco da Rainha, paraíso dos traficantes de drogas, o HSBC, sob indiciamento,  Macri lançou sua própria caça às bruxas ao estilo mani pulite contra a ainda muito popular presidenta, usando uma facção aliada no judiciário para acusá-la, sua família e aliados políticos por desvios, lavagem de dinheiro e fraude na esperança de encarcerá-la.

O juiz de confiança de Macri, Claudio Bonadio, já tinha indiciado Fernández em um processo, mas outros estão a espera para serem abertos. Em 19 de maio, o jornal londrino Financial Times citou um executivo do novaiorquino Eurasia Group lamentando que faltava à Argentina a capacidade para executar “uma investigação séria e extensiva” do tipo Lava Jato, como se faz no Brasil.

Em discussão com seus associados em 12 de maio, dia em que Dilma foi afastada, o diretor-fundador da EIR, Lyndon LaRouche, alertou que se o Império Britânico não atingir seus objetivos através de golpes ou do encarcelamento de Dilma e Cristina Fernández através de acusações criminais, eles podem recorrer a assassinatos.

Reflexões sobre o Aberto

Fluxos e cortes: efeitos de máquinas e não metáforas – O Anti-édipo

A divisão do trabalho social, a partir do século XX, atingiu um nível de refinamento que praticamente podemos falar de uma “revolução neolítica” no século anterior, o XIX. Neste, ainda se podia ver o tempo da charrua e o tempo da igreja, de Jacques Le Goff; um mundo rural relativamente predominante, quando os mercadores ainda não poderiam de alguma forma serem financistas, como o deputado Mabel, ilustre defensor do impeachment e da flexibilização das leis trabalhistas. A aliança de interesse entre comerciantes, “empresários” cujos negócios mascaram os mais variados áreas do empreendedorismo (como o galponismo presidente da Fiesp), os industrialistas stricto sensu, e a área das finanças, torna tênue a linha daqueles que propõem o progresso, o crescimento econômico, o desenvolvimento social, etc., daqueles vendilhões empenhados na internacionalização de nossa economia (quando não na defesa pura e simples da dolarização de nossa moeda, como no caso glorioso do Plano Real do Príncipe e de seu acadêmico Gustavo Franco), e que sempre se utilizam da ilustre ciência da matemágica para enganar tolos e desavisados – sempre a assim chamada classe média, e não os “pobres e analfabetos” que se encantam pelo “fascínio carismático” que os acadêmicos chamam de “populismo”.

Quando falo na divisão do trabalho no século XX, na revolução neolítica do século XIX, não penso tanto em Durkheim, mas no cientista russo Vladimir Vernadsky. Seu conceito de autotrofia humana, talvez mais importante do que o binômio conceitual biosfera/noosfera, remete às conquistas do ser humano nos últimos séculos, quando não só chegamos a todos os continentes do planeta, como somos capazes de habitar qualquer um deles. Estávamos (quando ele, em seus últimos escritos, começou a elaborar seu conceito) prestes a chegar no primeiro ponto fora do planeta, na ante-sala da conquista do sistema solar – claro, ainda não realizada. Não vou me alongar por agora na irrelevância de estudos que mostram que para cada dólar investido no Projeto Apolo, voltaram 14 para a economia americana. São dados inúteis quando se está utilizando a internet, quando se precisa fazer exames laboratoriais (a medicina nuclear), ou são 14 dólares completamente nulos se pensarmos em termos de fusão nuclear ou na exploração, prevista para ser realizada até 2020, do lado oculto da lua pelos astronautas chineses, ou a Nova Rota da Seda, única alternativa para a paz diante de uma nova (super quente) Guerra Fria. Não se mede por matemágica a importância humana do investimento social na economia.

Estar no Aberto não é pensar em “eleições já”, numa melancólica tentativa de reencenamento da campanha pós-ditadura, não menos depressiva do que a farsa dos novos caras pintadas, dos paneleiros (adjetivo, cá entre nós, muito mais escroto, sarcástico, do que o rebatido “coxinha”), que, de acordo com o oráculo do Cinegnose, fez ressurgir espécimes do Brasil Profundo. Não preciso me alongar, falar doutoralmente sobre as “capacidades gerenciais” de Dilma Rousseff. Ela é o oposto do que sempre praticou a rede Globo. Guerrilheira, brizolista, brigou com Marina Silva desde sua permanência no cargo de Ministra de Minas e Energia (não é uma ambientalista, nenhuma figura new age de antigas aspirações coloniais) até as últimas eleições (e continua a brigar, pois a fadinha quer menos o impeachment que sua impugnação pelo TSE e – oh! – novas eleições para se deleitar nos holofotes da Globo e do Itaú), alguém que sempre optou pelo desenvolvimento stricto sensu e não em matemágicas ou utopias parapolíticas como na “esquerda cheirosa”. Pelo contrário, nada mais a favor dos direitos humanos do que acabar com a miséria, defender a aliança com os BRICS, inaugurar o PAC 1 e 2 e quantos mais forem necessários. De resto, sobra defender os pobres e excluídos contra uma suposta militarização. Não se trata de autoritarismo, mas de engenharia social. Genocídio, para falar o português correto. Para usar o jargão, a polícia que mais mata é também a que mais morre. Se fizerem um bom pool, vão ver que entre a família dos policiais existem bem poucos paneleiros. Não é o Brasil da Paulista ou do Leblon que trabalha nas “quebradas”.

Justificamos o Abertinho diante da magnitude do Aberto. Como no mistério medieval da quadratura do círculo resolvido por Nicolau de Cusa, o círculo é de uma forma superior de existência ao do quadrado. Por isso somos restritos a uma douta ignorância. Os círculos perfeitos, pensáveis talvez, mas irrealizáveis, não se coadunam com a realidade física; a mente divina não iguala a humana, assim como esta é única em sua espécie, muito superior aos ursos pandas do WWF. Por isso, incapazes de estabelecer o Aberto, refletimos sobre ele, podendo assim conceber o Abertinho, um espaço público, porém sem prejuízo de seu estreitíssimo uso privado: a capacidade de escrita deste que vos fala.

O “grande cerceamento”, ou aprisionamento, como relatado por Foucault em sua História da Loucura na Idade Clássica, nada mais é do que a história dos sobrinhos de Euclides, o geômetra. Enquadrar o círculo da loucura, aprisionar as “crianças masturbadoras e os monstros humanos” (o “grande aprisionamento” está mais em Vigiar e Punir, onde relata a luta das raças, a busca de uma paz hobbesiana pela sociedade do século XIX), reduzir tudo à economia política – e não falar nem de uma nem da outra –  ou aos parâmetros de mercado, à matemágica – essa a história dos sobrinhos de Euclides. Porém,

 

A terra está morta, o deserto cresce: o velho pai está morto, o pai territorial, e também o filho, o Édipo déspota. Estamos sós com nossa má consciência e com nosso tédio, com nossa vida em que nada acontece; nada mais do que imagens a girar na representação subjetiva infinita. Porém, reencontramos a força de acreditar nessas imagens, força que nos vem do fundo de uma estrutura que regula nossas relações com elas e nossas identificações como tantos outros efeitos de um significante simbólico. A “boa identificação”. Somos todos Chéri-Bibi no teatro, gritando diante de Édipo: eis um tipo como eu, eis um tipo como eu! Tudo é retomado, o mito da terra, a tragédia do déspota, como sombras projetadas num teatro. As grandes territorialidades desmoronam-se, mas a estrutura procede a todas as reterritorializações subjetivas e privadas. Que operação mais perversa é a psicanálise: culmina-se nela esse neoidealismo, esse culto restaurado da castração, essa ideologia da falta que é a representação antropomórfica do sexo[1]!

 

Nada melhor para ilustrar o neomacartismo, hoje com ídolos tão efêmeros, sem todo o “conteúdo” do Édipo lacaniano. O “mito da terra”, nosso precário nacionalismo baseado em Moros e Barbosas – em homens vestidos de negro, de luto como os já enterrados black-blocks; a “tragédia do déspota” – acho que não preciso citar o nome. “Reterritorializações subjetivas e privadas”: agora se quer uma nova eleição; isso sai de dentro do “campo progressista”! Valei-me. Novamente os ideais ascéticos, novamente a busca por pureza… Cortar na própria carne, todo um novo sistema da crueldade:

 

A máquina territorial primitiva codifica os fluxos, investe os órgãos, marca os corpos. Até que ponto circular, trocar, é uma atividade secundária em relação a esta tarefa que resume todas as outras: marcar os corpos, que são da terra. A essência do socius registrador, inscritor, enquanto atribui a si próprio as forças produtivas e distribui os agentes de produção, consiste nisto: tatuar, excisar, incisar, recortar, escarificar, mutilar, cercar, iniciar. Nietzsche definia “a moralidade dos costumes como o verdadeiro trabalho do homem sobre si mesmo durante o mais longo período da espécie humana, todo seu trabalho pré-histórico”: um sistema de avaliações que tem por força de direito em relação aos diversos membros e partes do corpo (…) Diz Nietzsche: trata-se de dar uma memória ao homem; e o homem, que se constituiu por uma faculdade ativa de esquecimento, por um recalcamento da memória biológica, deve arranjar uma outra memória, que seja coletiva, uma memória de palavras e já não de coisas, uma memória de signos e não mais de efeitos. Sistema da crueldade, terrível alfabeto, esta organização que traça signos no próprio corpo: “Talvez nada exista de mais terrível e inquietante na pré-história do homem do que sua mnemotécnica… Isto nunca ocorria sem suplícios, sem martírios, sacrifícios sangrentos, quando o homem julgava ser necessário criar uma memória para si; os mais apavorantes holocaustos, os mais hediondos comprometimentos, as mutilações repugnantes, os mais cruéis rituais de todos os cultos religiosos… Isso nos leva a compreender o quão difícil é erigir na terra um povo de pensadores!”. A crueldade nada tem a ver com uma violência qualquer ou com uma violência natural, com que se explicaria a história do homem; ele é o movimento da cultura que se opera nos corpos e neles se inscreve, cultivando-os. É isto que significa crueldade. Esta cultura não é o movimento da ideologia: ao contrário, é à força que ela põe a produção no desejo e, inversamente, é à força que ela insere o desejo na produção e reprodução sociais. Com efeito, até a morte, o castigo e os suplícios são desejados, e são produções. Faz dos homens e dos órgãos peças e engrenagens da máquina social. O signo é posição de desejo; mas os primeiros signos são signos territoriais que fincam suas bandeiras nos corpos. E se quisermos chamar “escrita” a esta inscrição em plena carne, então é preciso, com efeito, que a palavra falada supõe a escrita, e que esta é este sistema cruel de signos inscritos que leva o homem a ser capaz de linguagem, e lhe dá uma memória de palavras[2].

 

Não o Teatro da Crueldade de Artaud, mas um novo sistema de punições, utilizar a justiça como instrumento de vingança:

as senhoras católicas são piedosas

os comunistas são piedosos

os comerciantes são piedosos

só eu não sou piedoso

seu eu fosse piedoso meu sexo seria dócil e só se ergueria aos

             sábados à noite

eu seria um bom filho meus colegas me chamariam cu-de-ferro e me

            fariam perguntas por que navio bóia? Por que prego afunda?

Roberto Piva em Paranoia não se preocupa com economia política, com nacionalismos capazes de resgatar a pureza de nossa pátria. Os patriotas são piedosos. Todos, menos o Almirante Othon, verdadeiro herói nacional aprisionado pelo novo sacerdote, o novo torturador, o queridinho do MP. Cuidado com a censura que já volta a correr solta. Não se deve ser nacionalista, se deve ser BRICS, deve-se ser russo, chinês, sírio, hamiltoniano, larouchista, juscelinista e não varguista. Deve-se ser “criança masturbadora e monstro humano”, petista enfim, a ponto de defender até o fim a biografia (!) e o talento nato (!!!) da excelentíssima senhora Dilma Rousseff e ser passado por louco, inclusive dentro de meios petistas. Criar uma nova memória: Mani Lipute. Ser enquadrado, cerceado, aprisionado: o senso-comum e o bom-senso, como expresso na Diferença e Repetição, ou seja, somente a Imagem do Pensamento – Descartes, Hegel, um Nietzsche domesticado, um Kant iluminado, um Foucault neoliberalizado. Ler o PIG diuturnamente e comentar. Somos de esquerda! E colocar nossos sábios comentários no Facebook e sabe-se lá mais aonde. Numa mesa de bar que é como se estivéssemos conversando a sós dentro de uma sauna. Ah!, discutir o Brasil… Os grandes pensadores – que devem se revirar nas tumbas nessa hora. Não ouso citá-los em tal contexto. “Formar opinião”, enfim. Parecem rebentos da imaculada Folha de São Paulo. Vamos bater palmas para depois continuar a ouvir a cantilena.

– Não!, eu sou a favor do mercado.
– Não!, eu sou a favor do Estado.

ou

– Por que navio bóia?
– Por que prego afunda?

E a idiotice grassa. Bem-vindos ao já nascido glorioso Abertinho.

NOTAS

[1] Edição da Editora 34 do Anti-Édipo, p. 406.

[2]Idem, p. 191-3. Grifos meus.