A função típica de colapso e a entropia do sistema financeiro internacional

 

O gráfico acima foi elaborado por Lyndon LaRouche ainda na década de 1980. Os agregados monetários representam a quantidade de dinheiro, papel moeda, em circulação; os agregados financeiros são os inumeráveis tipos de contratos futuros, securitizações ou derivativos; abaixo da linha horizontal, a descendente taxa de investimento em infraestrutura, em educação, ciência e tecnologia. Com isso, ele ilustra seu conceito de neguentropia: ao contrário do colapso financeiro inevitável caso seguirmos as diretrizes do mercado, ou seja, da entropia do sistema físico de toda a economia, a função da criação de um sistema de crédito baseado no modelo de Alexander Hamilton leva ao aumento da densidade de fluxo energético, per capita e por quilômetro quadrado.

*esse texto é uma breve atualização de um artigo bem mais extenso chamado Liberalismo e Genocídio. Clique aqui para ler.

 

Um exemplo de salto econômico qualitativo é o desenvolvimento da energia de fusão nuclear, capaz de produzir energia suficiente para transformar em plasma qualquer material, usando para tanto pouquíssima matéria-prima. No caso, a fusão do deutério com o hélio-3. Este é encontrado de maneira abundante na lua, porque lá não existe atmosfera e as partículas solares não são quebradas e transformadas em hélio-2 como na Terra. O desenvolvimento da energia de fusão tem como correlato o investimento no programa espacial. Sem o Projeto Apolo, por exemplo, não teríamos os tratamentos em medicina nuclear ou os sistema de microcondutores que levaram ao desenvolvimento da informática, além de boa parte dos sistemas de comunicação hoje existentes. As tecnologias desenvolvidas na esteira do Projeto Apolo fundamentam boa parte das inovações hoje existentes. Não foi o caso de somente ir recolher pedras na lua (pedras hoje que são vistas com ambição pelos chineses por estarem impregnadas de hélio-3), mas um projeto similar aos Descobrimentos e que deve ser continuado[1]. Não por acaso, a descontinuidade desse projeto é  cronologicamente simultâneo a queda de investimentos na energia de fusão e nos programas espacias, ou seja, da década de 1970 a 1980, o que as faz coincidir também com o desmantelamento do sistema original de Bretton Woods, tal como elaborado por Roosevelt: o início da supremacia do dólar depois da crise do petróleo e da criação do grupo Inter-Alpha, ou seja, do modelo de cassino especulativo centrado em Wall Street e na City de Londres.

No preâmbulo ao projeto de lei para reinstaurar o banco nacional original dos Estados Unidos – hoje debatida no Congresso americano com diferentes versões –  fica assim definido o que é o sistema monetarista de origem britânica e o sistema de crédito, anti-imperialista, de Alexander Hamilton:

 

O monetarismo constantemente olha para trás com o anseio de monetizar os resultados da produção passada, ao invés de criar novas riquezas. O sistema de crédito se baseia na confiança no futuro. Ao invés de depender da produção passada ou estocar os bens, cria riquezas ao atar a futura realização dos projetos, e a produção de bens e manufaturas, à promessa original. A moeda do monetarismo é formada pela reconversão dos bens presentes em dinheiro. No sistema de crédito, ao invés dos produtos do crescimento, o crescimento em si mesmo é a moeda.

O monetarismo vê o débito como um fardo a ser deposto, e exige seu pagamento no presente, sem se importar com os custos futuros e os desperdícios do passado. Dentro do sistema de crédito, os débitos não são objetos auto-evidentes; a ação que gera valor através do processo de sua extinção é incluída em sua criação.

O monetarismo mede todo o valor pelo capital e trabalho, e dá ao dinheiro um valor auto-evidente. No sistema de crédito, a medida de valor não é o capital ou o dinheiro, mas os poderes mentais que desenvolvem os poderes produtivos do trabalho, os quais, por sua vez, ampliam o rendimento da produtividade, aumentando assim o valor dos bens, do trabalho, e do capital. Consequentemente, a produtividade é a medida de valor do capital. Com o aumento da produtividade, o custo da produção diminui, e o valor da moeda aumenta.

O dinheiro pode ser convertido em capital e em bens, mas o crédito, embora em si não seja capital, amplia a eficiência do capital. O crédito faz com que a mesma quantidade de capital ou trabalho seja mais eficiente e produtiva, e é a causa que acelera a criação de riquezas, com um potencial que o torna envolvente em toda produção existente de capital em todos os tempos, e que o coloca em ação. O valor das economias nacionais é, portanto, definido pela organização das relações entre o capital atual e o potencial promovido através do crédito.

Assim, o sistema de crédito vê a economia em sua totalidade como um sistema produtivo, e seu desejo fundamental é desenvolver amplamente a máxima eficiência e os poderes produtivos do trabalho através do investimento no progresso tecnológico. Isso é expresso na forma duma concordância entre as leis dos representantes do povo, e o desenvolvimento dos recursos e da indústria desse povo, definindo um paradigma por fora dos axiomas impostos e das regras do monetarismo[2].

 

Dois paradigmas devem ser desconsiderados aqui: o primeiro é o da teoria cíclica de acumulação e posterior crise do sistema capitalista. Como se crises econômicas necessariamente devessem ocorrer. São endógenas ao sistema na medida em que pertencem às fabulações monetaristas, ou seja, em determinados momentos da história, como na crise 1929 ou agora, há uma grande transferência de capitais para grandes corporações. Em 29, JP Morgan entre outros foram beneficiados da crise, saindo dela muito mais ricos do que já eram. Assim, houve aglutinação de recursos suficientes para se financiar o projeto de Hitler na Alemanha que, além do apoio dos banqueiros europeus e norte-americanos, contou com o perdão das dívidas do pós-guerra, pela protelação ao infinito delas, o que, sempre de propósito, permitiu a montagem do Estado nazista[3]. Não há crises “naturais” ao sistema. O monetarismo é um sistema entrópico. O outro paradigma é sobre a criação de novas dívidas. Não há problema algum em criá-las. É condição fundamental de um Estado-nacional soberano ser senhor de sua moeda e poder emiti-la para o desenvolvimento de seu país. Um país com um grande recurso de crédito voltado para a industria, o desenvolvimento tecnológico e a construção de novas redes de infraestrutura cria riquezas de maneira exponencial, produz muito além do necessário, diminui a carestia e aumenta a qualidade de vida de seus cidadãos. Sem esse tipo de dívida, ou seja, de crédito, não há desenvolvimento nacional. A isso se chama um sistema neguentrópico, como elaborado por Lyndon LaRouche, e resumido em suas Quatro Leis: O progresso somente existe sob um aumento progressivo, contínuo, dos poderes produtivos e correlatos da espécie humana. Esse progresso define a distinção absoluta da espécie humana sobre todas as outras conhecidas por nós. Um governo da população baseado nas políticas de ”crescimento-zero da população e dos padrões da vida humana per capita” é uma abominação moral, e na prática[4]”.

Sem conseguir reativar um sistema de crédito, o governo de Donald Trump está fadado ao fracasso. As eleições em 2018 para os cargos legislativos prometem uma campanha insidiosa contra o presidente. Caso ele saia derrotado da disputa, as chances de impeachment ou dele simplesmente sucumbir ao establishment são muito grandes. No dia seguinte à posse de Trump na Casa Branca, o jornal britânico The Spectator colocou em sua capa a seguinte manchete: “Donald Trump será assassinado, derrubado por um golpe ou só sofrerá um impeachment?”. O The Times londrino igualmente faz campanha desde a vitória de Trump por seu impeachment. A campanha neomacartista chamada “russiangate” perde força atualmente no país devido a ausência absoluta de provas sobre uma suposta “colisão” ou manipulação russa nas eleições americanas. Segundo Roger Stone, filho do cineasta Oliver Stone, o plano B do “deep state” é tentar removê-lo do cargo usando a vigésima quinta emenda constitucional, ou seja, provando a insanidade do ocupante do cargo máximo do executivo federal[5]. Campanha já iniciada com a publicação do livro de Michael Wolff, Fogo e Fúria, que questiona do início ao fim a saúde mental de Trump. O plano C seria simplesmente matá-lo. Porém, devido às dificuldades que o próprio presidente enfrenta, pode-se conceber um plano em que ele simplesmente sucumbe ao lobby de seus oposicionistas e, talvez para não morrer ou ser apeado do cargo, passe a fazer o seu jogo. Há precedentes. Podemos lembrar do bombardeamento da Síria em abril do ano passado, ato temerário por ter sido ato exclusivo do presidente, sem qualquer aval do Congresso, e um ato de guerra direto contra um país soberano. Russos e sírios até amenizaram o susto provocado pela ação intempestiva dizendo que as instalações afetadas pelo bombardeio eram secundárias, muitas desativadas. Amenizaram por acreditarem em algum tipo de diálogo com Trump (nunca com Hillary), algo que tem sido concretizado progressivamente até agora. Seus avanços recentes na Coréia do Norte e no recente encontro de Helsinki, com Putin,apontam nessa direção. Contudo, Trump parece se mover por sobre uma linha muito fina. Qualquer passo em falso não será um perigo para seu país, mas para a humanidade inteira.

NOTAS

[1]   Hans Mark, um dos diretores da NASA durante o Projeto Apolo disse numa ocasião que, enquanto ajudava nos trabalhos de pioneirismo espacial, “sentia a sombra do Infante Dom Henrique” próximo a ele. A conquista do espaço junto ao desenvolvimento de fontes energéticas eficientes para levar a cabo tais projetos é como se criar um novo Renascimento. No caso, como ilustrado com a alusão a um dos pioneiros dos Descobrimentos marítimos no século XV. Ver: RUSH, Timothy. Henry the Navigator and the Apollo Project that lauched Columbus. 21 st Science & Technology, verão de 1992.

[2]   KIRSCH, Michael. Projeto de lei para restaurar o Banco dos Estados Unidos original. Tradução: Rogério Reis C. Mattos. Disponível em: http://portugues.larouchepub.com/outrosartigos/2013/0925-restore-national-bank.html

[3]   Ver O oculto, Hitler e Wall Street  (clique aqui para ler)

[4]   LAROUCHE, Lyndon. As quatro leis para salvar os Estados Unidos, já! Tradução: Rogério Reis C. Mattos. Disponível em: http://portugues.larouchepub.com/lhltextos/2016/1214-4laws.html

[5]   DURDEN, Tyler. Deep States Plan ‘C’ – Murder Donald Trump?. Zero Hedge, 01 de janeiro de 2018. https://www.zerohedge.com/news/2018-01-03/deep-states-plan-c-murder-donald-trump