#eleQUEM? Contra um oportuno esquecimento

Em meio a campanha contra o uso de materiais descartáveis durante as eleições desse ano, inaugurada pelo TSE em prol de uma eleição “mais limpa”, uma multidão se reuniu contra o uso de Jair Messias Bolsonaro, vulgo Bozo, na urna de votação eletrônica.

O problema é que a classe-média, entusiasta do ambientalismo e de outras propagandas fakes defendidas pela The Economist, por exemplo, uniu suas forças contra um material descartável de segunda categoria, versão retrô, anos 60, que é vendido hoje em qualquer camelô. Já se esqueceram do produto considerado de marca, igualmente descartável e que parece ter uma vida útil maior, ou seja, sua venda, ainda mais em escala industrial, produz muito mais malefícios ao meio ambiente.

Uma multidão se formou contra o produto tupiniquim de quinta categoria e se esqueceu, talvez por ser americano, que seu modelo é potencialmente muito pior. Se há de existir alguma união verdadeiramente patriótica contra essas espécies de enlatados, descartáveis, que se levantem as bandeiras, as faixas de protesto, contra um tóxico bem mais potente. Caso contrário, é inevitável se embarcar numa campanha onde se sairá nas fotos aos lado de Madona, Sasha ou Ana do Relho…

Já não bastou junho de 2013? Quem disse que PSDB alguma vez foi “centro”? Não se sente o cheiro de podre nessa história? Por que a “direita limpa” seria menos maléfica? Por que a “esquerda” gosta tanto de ser cheirosa?

Que se pergunte às mães do nordeste como foram tratadas – elas e seus filhos – durante o luminoso reinado de FHC! No seu fim, uma criança morria a cada cinco minutos por fome ou por causas relacionadas a ela.

Se patriótico fosse o movimento de sábado, seria outra a figura a se voltar contra. Figura esta que é a única razão de ser da direita como um todo ainda hoje ter alguma aspiração política, com ou sem Bolsonaro. Se esse não existisse, outro descartável seria colocado em seu lugar. Que se interdite o uso da matéria-prima e não necessariamente de seus derivados que se espalham de maneira difusa. Quando se fala em “barbárie”, o buraco é muito mais embaixo.