Há dez anos, Lula e Dilma traziam estabilidade para a América do Sul

No dia 23 de maio de 2008 foi criada a Unasul, em Brasília. Um longo percurso possibilitou sua existência: Hugo Chávez se tornou presidente da Venezuela em 1999 e, em 2002, saiu-se vitorioso diante de um duro golpe de Estado. Logo em 2003, Lula assumia a presidência do Brasil, seguido poucos meses depois por Néstor Kirchner, na Argentina. Formava-se a aliança que rapidamente dinamizou as relações entre os países do cone sul, assim como foram formuladas políticas em favor da autonomia da região após a suposta vitória do consenso neoliberal que seguiu a queda do muro de Berlim.

Em 4 de maio de 2010, na Argentina, já com Dilma sendo presidenta do Brasil, Néstor Kirchner foi eleito como Primeiro-secretário da Unasul. Meses depois, em dezembro, o Uruguai se tornou o nono país-membro a se juntar à união, o que possibilitou sua formalização perante a comunidade internacional, em 11 de março de 2011, no Equador. Ali mesmo foi lançada sua pedra fundamental, onde seria a sede da Secretariado-Geral da União.

A grande reunião dos BRICS junto a Unasul, realizada em Fortaleza em junho de 2014, foi saudado como “o feito histórico mais importante desde a Guerra Fria” ou o momento em que “mais da metade da humanidade ingressava numa Nova Ordem Econômica Mundial“, parece, hoje, que foi um ponto de parada, ao invés de uma inflexão rumo a um avanço em que se consideraria a integração entre os países através de um sistema de crédito não especulativo, a juros módicos e de longo prazo, com vistas a integrar fisicamente o sub-continente e incrementar as forças produtivas do trabalho através do investimento em ciência e tecnologia.

Nesse momento, o financiamento do program nuclear brasileiro e argentino, a ferrovia bi-oceânica, o canal da Nicarágua, entre inúmeros outros projetos, viria em especial da China, como extensão da Nova Rota da Seda ou que poderia vir, caso aprofundado os objetivos políticos do bloco, do Banco do Sul, ousada iniciativa esboçada por Lula, Chávez e Kirchner e que então, infelizmente, não alcançou a relevância necessária no debate público.

Os dois blocos tenderiam a se unificar em favor do capital não especulativo, da formação de novos empregos e da qualificação do trabalho, da união nacional, do respeito às diferenças e do trabalho em conjunto, porém a reação conservadora iniciada com os golpes em Honduras e no Paraguai adquiriram uma força impensável em tempos não só de esperança, mas de verdadeiro progresso dos povos.

Ainda haverá o momento que, pelo menos por um breve instante, se possa pensar sem hesitação, na integração sul-americana com trens de alta velocidade cortando o sub-continente de leste a oeste, de norte a sul e contribuindo para a criação de novas cidades, novos pólos produtivos, em cooperação com o restante do planeta e sem a sombra dos neocons, dos apocalípticos senhores, que no momento trazem os rumores de guerra inclusive para nossa região que, poucos anos atrás, vivia em plena harmonia, crescimento e paz social.

O Prosul, o Grupo de Lima, nada mais são do que extensões da Aliança do Pacífico, de Barack Obama, e/ou da OEA. Para onde eles vão, se vê o desejo de sangue, o racismo escancarado, a saída da “democracia” como travestimento do novo pecado original e, sempre, o dogma da dívida eterna, dos recursos nacionais empenhados em mãos estrangeiras, num débito que quanto mais se quita mais volumoso fica. Quia tuum est regnum, et potestas, et gloria in saecula. Amen.

Movimento que, ainda que sem as bizarrices bolsonáricas, é acompanhada com muito cuidado e carinho pelos democratas de um suposto novo mundo, ou de uma nova esquerda…