O genocídio de Obama e Trump no Iêmem

“Guerra, destruição, assassinato, destruição e o vergonhoso silêncio internacional”

Glenn Greenwald, no theintercept.com, cujo título fala por si só: “Obama matou um jovem de 16 anos no Iêmem. Trump matou somente sua irmã de oito anos de idade“. Depois usou um soldado morto no mesmo conflito como troféu no seu elogiado discurso para o Congresso americano. O título do The Intercept também fala por si: “O uso de Trump da esposa do fuzileiro naval destaca todos os ingredientes chaves da Propaganda da guerra dos EUA“. Para ter uma visão mais geral do conflito ignorado, leia o texto abaixo traduzido por mim para a Executive Intelligence Review. Para mais detalhes, leia as reportagens de Glenn Greenwald, jornalista já bem conhecido aqui no Brasil por seu contundente posicionamento político e profissional.

O genocídio de Obama no Iémem

A guerra contra o Iêmem, que a coalizão liderada pela Arábia Saudita e os Estados Unidos tem dado suporte por muitos anos, matou 10.000 pessoas nos últimos dois anos, e agora ameaça as vidas de mais de doze milhões que tiveram completamente cortados seus suprimentos médicos e alimentares, por causa do bombardeamento sistemático da infra-estrutura agrícola do país e dos bloqueios navais e aéreos. Essa guerra, pela definição oficial das Nações Unidas, é um genocídio.
Não existe caso melhor para exemplificar a insuportável hipocrisia do chamado “ocidente livre”, do que a falta de reportagens sobre os crimes de guerra que tem sido cometidos diariamente contra a população do Iêmem nos últimos dois anos. Onde estão os advogados das “intervenções humanitárias”, que, sob o pretexto da defesa dos direitos humanos, incitam guerra atrás de guerra se baseando em mentiras? Onde está a cobertura dos bombardeamentos de funerais e hospitais, do uso de bombas de fragmentação banidas pela lei internacional, da morte de cerca de mil crianças por semana que estão morrendo por doenças que podem ser prevenidas? Onde está a gritaria sobre a destruição sistemática da magnífica herança cultural da humanidade?
Na era da Internet e da vigilância da NSA, ninguém pode reclamar que as atrocidades contra a população iemenita não são conhecidas por todos os governos e pela mídia. A decisão de manter um silêncio de facto sobre isso, somente porque as ações são realizadas por “aliados”, os faz cúmplices nesses crimes.
Foi boa a promessa do novo Secretária de Estado americana, Rex Tillerson, de “fornecer assistência humana sem restrições para todo o Iémem”. Mas deve haver, agora mesmo, pressão internacional imediata exercida para acabar com a guerra contra o Iémem, para reconstruir o país e restaurar o máximo possível os artefatos culturais destruídos.
Uma fonte de esperança e consolação para a população do Iêmem deve ser o fato de que os países BRICS e a Iniciativa da China “Um cinturão, Uma Rota” tornou possível o prospecto para confrontar esses desafios. Os sinais de esperança de que um número crescente de países reconhecem as vantagens da cooperação “ganha-ganha”, e que estão prontos para romper com a geopolítica, também significa que a situação estratégica no Iêmem pode em breve melhorar.
Enquanto isso, todo são chamados para dar apoio aos apelos do povo iemenita para que se acabe a guerra, e para dirigir a atenção do mundo para esse país tão importante e culturalmente rico!
– Helga Zepp-Larouche
Presidente do Instituto Schiller internacional
Traduzido por Rogério Mattos para a Executive Intelligence Review