O Império Britânico por detrás do golpe no Brasil (Executive Intelligence Review)



           Tradução para o português do artigo publicado originalmente na Executive Intelligence Review, traduzido por mim e disponível no site da revista em português.

Por Cynthia Rush

          Por pelo menos um ano a grande mídia no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa, tem publicado um artigo atrás do outro louvando os salmos da operação Lava Jato, investigação sobre propinas e corrupção no Brasil, envolvendo a firma estatal Petrobrás, as maiores empreiteiras nacionais como a Odebrecht, e a presidenta Dilma Rousseff ou “Dilma”, como é conhecida dentro e fora do país, que teve o pedido de abertura do processo de impeachment decretado em 12 de maio e teve que se afastar para responder às acusações a respeito de supostos “crimes de responsabilidade”. Manchetes sensacionalistas gritavam a toda prova sobre a “corrupção massiva”, subornos e lavagem de dinheiro reveladas pela Lava Jato, e a “cultura da impunidade” que isentou os políticos, legisladores e empresários da responsabilidade por seus delitos. Jovens e agressivos procuradores e juízes foram içados a heróis nacionais por lutarem para resgatar a “democracia” no Brasil.
Todos esses acontecimentos foram retratados pela mídia internacional como questões internas limitadas ao meio ambiente político brasileiro. Na verdade, contudo, a abertura do processo de impeachment contra Dilma Rousseff, assim como as ações tomadas contra a ex-presidenta argentina Cristina Fernández de Kirchner, e a determinação em extinguir as forças patrióticas, progressistas, nos dois países, devem ser vistas dentro do contexto da mobilização pré-guerra agora totalmente desfraldada pela aliança transatlântica do governo Obama com o Império Britânico, ao qual ele serve. Além da destruição do povo brasileiro e argentino, são a China e a Rússia os alvos de Londres e Washington: tudo o que está acontecendo deve ser compreendido no contexto da escalada militar da OTAN na Europa ocidental e das provocações dos EUA contra a China no sudeste asiático. Tudo isso é um prelúdio da guerra global.


A “Mani Pulite” no Brasil
Que isso esteja claro: não existe revolução “democrática” ocorrendo no Brasil. Esse é um golpe de banqueiros internacionais, uma “revolução colorida”, ordenada pelo Império Britânico com um único objetivo: mergulhar o Brasil na ingovernabilidade que será sentida no restante da América do Sul, forçando-o a sair dos BRICS ou a diminuir seu peso nele, e se “realinhar” com a Washington de Obama e com os cadáveres do sistema financeiro transatlântico. O presidente interino Michel Temer e o ministro das Relações Exteriores José Serra, cujo governo é no mínimo frágil, já jurou lealdade às insanas perspectivas políticas de Obama, e se prepara para arruinar o Mercosul e aderir ao Tratado de Livre Comércio do Pacífico (TPP), e assim promover a agenda liberal de Washington.
Nunca houve nenhuma evidência que justifique o impeachment de Dilma a não ser o fato de que os interesses do Império Britânico precisam da desestabilização do Brasil – é a sétima maior economia do mundo, com imensos recursos naturais e humanos – para alcançar seus objetivos geopolíticos. A maioria dos senadores que “votaram por sua consciência” para o impeachment de Dilma são investigados em denúncias provenientes da Lava Jato ou por malfeitos anteriores. O modus operandi preferido aqui é o mesmo da operação mani pulite ou “Mãos Limpas” realizada contra a Itália, na década de 1990, para desmantelar suas instituições nacionais e facilitar a conquista do país pelos especuladores financeiros controlados pelos britânicos. O juiz treinado pelo Departamento de Estado norte-americano, Sérgio Moro, que inclusive tem sido cotado como um futuro candidato presidencial, publicamente se disse seguidor do “modelo” mani pulite, avaliado positivamente num artigo publicado por ele em 2004, “Considerações sobre a Operação Mãos Limpas”. Ele está em contato constante com o FBI e o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ).
De acordo com fontes citadas pela edição de 21 de maio do Estado de São Paulo, o DOJ mantém “contato constante” com as autoridades do judiciário brasileiro “na procura por informações sobre corrupção e também para colaborar com as investigações brasileiras”.
O papel da Argentina
A Lava Jato começou a operar no Brasil já no final de 2014, assim que Dilma foi reeleita ao derrotar o candidato de Wall Street, Aécio Neves, em novembro daquele ano. Mas foi a eleição do monetarista fanático, Maurício Macri, na vizinha Argentina em novembro último, e sua mudança na economia e na política externa em alinhamento com os Estados Unidos, que fortaleceu os agentes da Lava Jato a acelerar o passo, sabendo que poderiam contar com o suporte de Macri. Assim que ele tomou posse, em dezembro, começou imediatamente a reverter as políticas nacionalistas de sua predecessora, Cristina Fernández de Kirchner, e fez saber ao governo Obama que seria um aliado de total confiança.
Foram Macri e Obama que responderam à abertura do processo contra Dilma com pronunciamentos praticamente idênticos, dizendo que os “processos institucionais” deveriam ser respeitados e que deveriam seguir seu curso não importa o que ocorresse. Isso traçou um nítido contraste com o posicionamento da Unasul, a Organização dos Estados Americanos, e de outros governos, que disseram que o impeachment violentava as normas legais.
Um dos primeiros atos de Macri no governo – indicando onde estão suas lealdades – foi fazer um acordo com os fundos abutres que afligiram a Argentina por mais de uma década e cujas demandas Fernández e seu falecido marido e predecessor, Néstor Kirchner, rechaçaram. Sob investigação por duvidosas atividades financeiras próprias e de sua familia, em fundos off-shore, como revelado pelos Panamá Papers, e denunciado por sua defesa púbica do banco da Rainha, paraíso dos traficantes de drogas, o HSBC, sob indiciamento,  Macri lançou sua própria caça às bruxas ao estilo mani pulite contra a ainda muito popular presidenta, usando uma facção aliada no judiciário para acusá-la, sua família e aliados políticos por desvios, lavagem de dinheiro e fraude na esperança de encarcerá-la.
O juiz de confiança de Macri, Claudio Bonadio, já tinha indiciado Fernández em um processo, mas outros estão a espera para serem abertos. Em 19 de maio, o jornal londrino Financial Times citou um executivo do novaiorquino Eurasia Group lamentando que faltava à Argentina a capacidade para executar “uma investigação séria e extensiva” do tipo Lava Jato, como se faz no Brasil.
Em discussão com seus associados em 12 de maio, dia em que Dilma foi afastada, o diretor-fundador da EIR, Lyndon LaRouche, alertou que se o Império Britânico não atingir seus objetivos através de golpes ou do encarcelamento de Dilma e Cristina Fernández através de acusações criminais, eles podem recorrer a assassinatos.
São os britânicos, estúpido
Dilma está correta ao afirmar que é vítima de um golpe, mas erra ao identificar os autores como unicamente seus inimigos políticos internos – apesar de que outrora ela soubesse. As pegadas britânicas estão em toda a desestabilização do Brasil. Em seu coração está o governo de Obama, dirigido desde  Londres, seu DOJ e o FBI, que vêm dirigindo a Lava Jato e sua expansão incessante, coordenando-a diretamente com os procuradores “anticorrupção” locais, treinados pelos EUA, para estabelecer um governo de, para e pelos fundos especulativos abutres e hedge.
Soma-se a isso o fato de que os “movimentos sociais” organizadores da revolução colorida, como o Movimento Brasil Livro (MBL), são proponentes apaixonados das políticas de Margaret Thatcher, do fascismo imperial britânico da “Escola Austríaca de Economia” associado ao infame Friedrich von Hayek. A Fundação Atlas da Escola Austríaca – generosamente financiada pelos estadunidenses irmãos Koch, os bilionários neocons magnatas do petróleo – noticiaram ano passado que muitos dos membros do MBL “passaram através do primeiro programa de treinamento da Atlas Network, a Atlas Leadership Academy, e agora aplicam in loco o que aprenderam”.
O MBL, que dominou as marchas anti-governo em São Paulo, o centro da oposição no país, durante o ano, é uma das muitas entidades financiadas pelos Koch – incluindo o Instituto pelos Estudos Humanos e Estudantes para a Liberdade – que compuseram as tropas de choque anti-governo. A sucursal brasileira do Instituto Ludwig von Mises ficou em êxtase quando soltaram 10.000 balões com o slogan “Menos Marx, Mais Mises” em uma das manifestações anti-Dilma, em São Paulo.
Enquanto esses esquadrões de artilharia engrossam o coro nas ruas da caça às bruxas anti-Dilma, Armínio Fraga – antigo executivo do Quantum Fund criado pelo agente britânico e defensor internacional da legalização das drogas George Soros – manobrava por detrás das cortinas para assegurar que os corretos clientes de Wall Street comporiam o débil governo de “Salvação Nacional” de Michel Temer, que não é apenas odiado, mas também investigado pela Lava Jato, assim como metade de seu gabinete.
Fraga já deu o aval para a aprovação do “time dos sonhos”, assim chamado pela Goldman Sachs, selecionado pelo Ministro da Fazenda Henrique Meirelles, antigo quadro do FleetBoston Global Bank, a quem foi dado poderes extraordinários para impor a política econômica draconiana pedida por Londres e Wall Street, começando por cortar pensões, reduzindo os direitos trabalhistas e os programas sociais. A explosão social que seguirá pode levar o Brasil rumo ao caos.
Completa o quadro, o papel exercido pela poderosa Rede Globo, que utiliza de suas armas para espalhar suas mentiras e calúnias contra Dilma, declarando-a culpada e pedindo seu afastamento. A EIR anteriormente documentou as ligações da Rede Globo com os mais altos níveis de interesses britânicos, incluindo suas ligações com os fanáticos por depopulação, o World Wide Fund for Nature (World Wildlife Foundation), criado pelo real consorte príncipe Felipe e pelo príncipe Bernardo da Holanda, membro oficial do Partido Nazista.
Tirando o “B” dos BRICS
A política de “mudança de regime” no Brasil tem como meta o início de uma era de golpes fascistas na Ibero-América, acompanhados das políticas de livre-comércio dirigidas por Londres – e por Wall Street – para levar a cabo as políticas do Império Britânico de depopulação e destruição econômica.
Em 2005, no Encontro das Américas ocorrido em Mar del Plata, Argentina, o então presidente Néstor Kirchner e seu parceiro brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, esmagaram George W. Bush quando ele propôs que as nações-membro adotassem a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) para Ibero-América. Bush foi humilhado e a ALCA não chegou a lugar algum.
Agora o objetivo é impor em todo continente alguma versão atualizada do derrotado esquema de Bush. Para alcançá-lo, os interesses financeiros imperiais devem tirar o “B” dos BRICS, mergulhando o Brasil no caos institucional e destruindo suas mais avançadas capacidades científicas e tecnológicas, como na Argentina, que são vitais tanto para o desenvolvimento regional quanto nacional, particularmente no contexto do paradigma dos BRICS.
A dinâmica dos BRICS na Ibero-América surgiu de fato em julho de 2014, no encontro anual dos BRICS, em Fortaleza, tendo como anfitriã Dilma Rousseff. Quase todas as nações da América do Sul e Central e o Caribe, através de suas organizações representativas regionais (a União das Nações da América do Sul, UNASUL; o Mercado Comum do Sul, Mercosul; e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), abraçaram ali os BRICS, vendo em seu Novo Banco de Desenvolvimento e nas ofertas de cooperação no desenvolvimento da economia física feitas pelo presidente chinês, Xi Xinping, e pelo presidente russo, Vladimir Putin, uma alternativa real à agenda ambientalista e de “austeridade” oferecida pelo governo de Obama, o Banco Mundial e o FMI.
Antes e depois do encontro, Xi, Putin e o Premier chinês, Li Keqiang, visitarem separadamente vários países da região e assinaram importantes acordos, incluindo financiamentos – alguns deles para grandes projetos de infraestrutura nas áreas de energia nuclear, transporte, manufaturas, comunicações e transferência de tecnologia. Dois dos grandes projetos postos sobre a mesa – que inspiraram grande entusiasmo pelo seu potencial em transformar toda a região – são o grande Canal Interoceânico da Nicarágua e a proposta da ferrovia transoceânica do Brasil ao Peru, incluindo uma possível rota através da Bolívia.
A “delação premiada” desenfreada
Foi para destruir essa perspectiva ganha-ganha que a Lava Jato foi posta em ação, com a coordenação direta entre o DOJ norte-americano, o FBI, e o juiz Moro e seu time de jovens e ambiciosos procuradores, muitos deles treinados em Harvard.
Moro não é só um juiz ambicioso. Em 2007, respondendo aos apelos do embaixador dos EUA no Brasil, Clifford Sobel, Moro conseguiu uma bolsa de estudos para passar três semanas nos Estados Unidos, que incluía um programa de treinamento no Departamento de Estado. Sobel, anteriormente um dos fundadores e sócio-gerente do Grupo Capital Valor em Nova Iorque e no Brasil, esteve muito bem conectado com os círculos financeiros internacionais. Condoleezza Rice estava à frente do Departamento de Estado no momento, sob as ordens do presidente George W. Bush, cujas políticas econômicas não eram diferentes daquelas esposadas pelas tropas de choque da Fundação Atlas nas ruas de São Paulo – e pelo governo Obama.
Fora a vanglória com que modelou sua caça às bruxas com a mani pulite, Moro louvou as virtudes do sistema de delação premiada do FBI, peça central do modus operandi da Lava Jato. Usando prisões preventivas de seus alvos para extrair “delações premiadas”, e o vazamento seletivo de informações e insinuações extraídas das delações para a grande mídia, o que se iniciou com o ataque à Petrobrás hoje atinge cerca de 230 empresas brasileiras e tem como alvo um número incontável de políticos. Nenhum banco ou fundos hedge foram tocados!
O FBI e o DOJ justificam seu papel central na Lava Jato utilizando como pretexto a lei anti-corrupção estadunidense (Foreign Corrupt Practices Act, FCPA), que diz que qualquer empresa estrangeira que emitir ações no mercado dos EUA pode ser investigada e monitorada. Carlos Fernando dos Santos Lima, educado na universidade de Cornell e membro da equipe de procuradores que trabalha para Moro na capital do Paraná, Curitiba, se jactou para a Reuters em novembro de 2014 que os procuradores brasileiros estavam em coordenação “por meses” com o DOJ, a Securities and Exchange Comission (SEC), e o FBI. Isso foi menos de um mês após a reeleição de Dilma Rousseff, evento que impediu momentaneamente o ataque generalizado ao Brasil.
Por volta de agosto de 2015, um encontro decisivo ocorreu envolvendo o advogado do doleiro detido Alberto Youssef, que acordou uma delação premiada com os procuradores da Lava Jato em troca de informações. No encontro estava um agente do FBI, mas também representantes britânicos e norte-americanos dos fundos de pensão e dos fundos hedge que abriram acusações criminais contra a Petrobrás, na esperança de ganharem bilhões com as alegadas “perdas” resultantes do esquema de corrupção! Foi acordado naquele encontro de agosto, que Youssef assinaria sua delação premiada com as autoridades dos EUA – e não com as brasileiras.
Em 22 de setembro, o advogado de Youssef, Antonio Figueiredo Basto, viajou aos Estados Unidos para negociar os termos específicos da “cooperação” de seu cliente com o FBI e o DOJ.
Nesse encontro foi combinado que Patrick Soles, então diretor do FCPA, entidades do DOJ (agora subchefe sênior do Departamento de Fraudes), viajaria pessoalmente para Curitiba, em outubro, para encontrar por quatro dias com o juiz Sérgio Moro, sua equipe de procuradores, e Youssef, para traçar quais seriam os próximos passos da Lava Jato. Durante esse mês, o presidente da câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, ele mesmo alvo da Lava Jato, anunciou que estava abrindo o processo de impeachment contra Dilma Rousseff.
A presença contínua do FBI no caso é tão flagrante, que George “Ren” McEachern, diretor do escritório anti-corrupção do FBI em Washington (Field Office International Corruption Squad), esteve no Brasil faz duas semanas, onde ele foi o orador principal para o “Quarto Congresso Anti-Corrupção”, ocorrido entre 17 e 18 de maio, em São Paulo, organizado por Thompson Reuters e a companhia LEC (Legal, Ethics, Compliance). Anunciada como a maior encontro sobre “compliance empresarial” da América Latina, a Lava Jato é o grande tema desse ano.
É também relevante que o DOJ e o FBI ofereceram recentemente ao Ministro da Justiça argentino, Germán Garavano, a troca de experiências na “clarificação” de dois casos em que os juízes e procuradores aliados de Macri abriram para implicar Cristina: o do atentado a bomba ao centro social judeu AMIA em 1994, em que o Irã foi acusado, e as suspeitas sobre a morte do procurador federal Alberto Nisman, em janeiro de 2015, que estava investigando Cristina por um suposto encobrimento do papel do Irã nos atentados no AMIA.
Em 20 de janeiro de 2015, Nisman agendou apresentar no Congresso um dossiê pouco sólido elaborado por ele com as supostas evidências que Cristina Fernández encobriu o papel do Irã no atentado, mas ele foi morto um dia antes da data agendada. Imediatamente a mídia que fala por Wall Street e Londres, tanto na Argentina quanto internacionalmente, levantou a acusação sobre a culpabilidade de Cristina, ainda que três diferentes juízes federais descartaram o dossiê de Nisman por falta de evidências.
Destruição econômica
Até agora, a Lava Jato, funcionando como bola de demolição, teve sucesso em paralisar a economia do Brasil, partiularmente mirando naqueles setores fundamentais para o desenvolvimento da economia física, os de avançada capacidade científica-tecnológica, enquanto deixavam aproximadamente dois milhões de pessoas desempregadas. Foi preso o pai do programa nuclear brasileiro, o Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, acusado de corrupção, o que ameaça o próprio desenvolvimento da Petrobrás, assim como o presidente da Odebrecht, o herdeiro Marcelo Odebrecht, dona da maior empreiteira da América do Sul, sentenciado a 19 anos de prisão.
O Aurelius Capital Management – o maior fundo abutre que entrou em litígio com a Argentina por anos, e cujo presidente Mark Brodsky é um protegido do maior dos fundos abutres, de Paul Singer – também se movimentou de forma intensa para destruir a Petrobrás. Poucos dias após a posse da presidenta reeleita, em primeiro de janeiro de 2015, Aurelius tentou inutilmente forçar o default da Petrobrás, o que traria consequências devastadoras para a economia. Durante o mesmo período, começou também a comprar ações da Petrobrás, com seu valor em baixa, hoje possuindo cerca de 5% do valor total das ações da companhia.
A Lava Jato também mirou o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), por décadas o centro dos créditos direcionados à infraestrutura, responsável também por muitos dos acordos recentemente firmados com a China, membro dos BRICS. O banco é acusado na participação de subornos e corrupção associadas à Petrobrás, e pedidos vem sendo feitos para que seja privatizado fechado por completo.
Mauro Santayana, figura de certo destaque nos círculos nacionalistas e socialistas, agora na casa dos oitenta anos, alertou num artigo em 24 de maio na Rede Brasil Atual, que a Lava Jato é um instrumento do fascismo, algo que nem Dilma ou outros opositores do golpe ousaram dizer publicamente. A Lava Jato, ele alerta, é “a criminalização permanente da política e o nivelamento por baixo de todos os partidos e homens públicos, utilizando a  ‘justiça’ e a população (…) que só pode fortalecer (…) o fascismo” que ameaça o país.
Manobras pré-guerra
Os desenvolvimentos relatados aqui não devem ser vistos como meramente uma luta pela “política econômica”, o como o simples compromisso “atemporal” de Londres e Wall Street com a pilhagem fascista das economias. Pelo contrário – como no caso da batalha agora mantida dentro do Japão e as recentes indicações de resistência à escalada de guerra da OTAN na Alemanha –, o que vemos é uma série de intensos “teatros” de batalha dentro de uma guerra mundial estratégica.
Longe de gozar de uma posição de poder inquestionável, a partir da qual se pode conduzir o assalto econômico e a especulação financeira, o império transatlântico enfrenta a iminente bancarrota financeira e a rápida destruição da economia física. A perspectiva BRICS, a Nova Rota da Seda eurasiática, e a iniciativa chinesa de “Uma faixa econômica, uma estrada”, tem confrontado o tambaleante mundo transatlântico com a realidade da perda completa da hegemonia global. Sua resposta, até agora, tem sido levar o mundo um passo à frente rumo a uma guerra mundial.
Isso é o que Obama tem feito. Isso é o que os Britânicos tem feito.
O que estamos assistindo no Brasil e na Argentina, e a perseguição – ou algo pior – de Dilma Rousseff e Cristina Fernández de Kirchner, é apenas o precursor numa série de ataques sucessivos e ameaças para levar o mundo todo para um inferno. Essa é a lição e a realidade estratégica que deve ser entendida nesse momento.