Quem tem medo da Nova Rota da Seda?

Nunca seremos iguais!
Republicamos nossa postagem da tradução/legenda feita por mim para a Executive Intelligence Review sobre a Nova Rota da Seda, agora com o debate inevitável que apareceu logo depois do pulo de audiência do vídeo com a divulgação pela mídia hodierna da iniciativa chinesa. Segue o vídeo e a transcrição do diálogo com os incautos navegantes.

Você já ouviu falar da antiga Rota da Seda que conectava a China a Europa através de uma longa rota de viagem. Foi pelo comércio de seda, da porcelana e de livros impressos, porém mais importante que os bens foram as trocas em tecnologia. A antiga Roda da Seda trouxe enormes benefícios econômicos para todos os países participantes, mas foi também uma troca de ideias e de bens culturais. Hoje a China está oferecendo uma nova Rota da Seda e uma Rota da Seda Marítima, em que já estão cooperando mais de 60 países. A China realizou um milagre econômico nos últimos 30 anos, algo que os países desenvolvidos precisaram de 150 a 200 anos para fazerem. Agora a China está oferecendo esse mesmo modelo para todos os países que queiram cooperar com essa perspectiva. A Nova Rota da Seda é baseada na perspectiva “ganha-ganha”, isto é, cada país que participar terá benefícios culturais, políticos e econômicos iguais. Essa é a verdadeira ideia para a superação da geopolítica, o mal que causou duas Guerras Mundiais no século XX. Ela oferece a perspectiva de um verdadeiro desenvolvimento global em parceria para que toda a humanidade trabalhe junto pelos anseios comuns da humanidade.
Veja esse vídeo e você terá noção de como é fácil mudar o mundo para melhor.
I. M.: Apenas uma etapa da NOM…. nada mais…
Rogério Mattos [eu]: Pô, Irineu, até poderia ser uma resposta simples assim. Mas esse novo paradigma deve ser estudado, até com relação ao próprio desenvolvimento econômico interno da China. É a oportunidade deles de conseguirem produzir por conta própria projetos de alta tecnologia, o que soma a Nova Rota da Seda ao programa espacial chinês, que pretende manter uma base num dos polos da Lua e explorar o chamado “lado escuro” do satélite. É uma oportunidade de cooperação entre as nações, contra a geopolítica, da política de “mudança de regime”, das chamadas “guerras por procuração”, como se fazem no Oriente Médio, como se forçam como na questão da Coreia, da Ucrânia, com a expansão da OTAN no leste europeu, etc. Ainda assim, caso se considere o programa OBOR (One Belt One Road) como NOM (nova ordem mundial, não é isso?), ou seja, como “mais do mesmo”, deve ser estudado, já que a NOM não será mais a mesma caso a China dê o salto tecnológico a que aspiram. Sempre acho uma pena quando um programa que parte de paradigmas fora da loucura do confronto leste-oeste, ser considerado com pessimismo. A única coisa que peço a esses é que estudem mais sobre algo ainda muito desconhecido para nós. Se for para o bem ou para o mal, devemos conhecer até os detalhes.
I. M.: Não é possível acreditar em movimentos globais de cunho excessivamente economicista, em primeiro lugar, sempre o Capital em detrimento do povo…da população…. querem é saquear as riquezas dos povos em nome de uma futura distribuição de riquezas…hj… o homem mais rico do mundo detém 500 trilhões de dólares… nenhuma iniciativa deveria ser tomada neste planeta que não começasse por uma verdadeira, real e efetiva distribuição de riquezas de forma horizontal… e não vertical como está sendo proposta por esta Nova Roda da Seda…
(comentário): haverá alguma refutação sobre a minha? Responda quem for capaz.
Rogério Mattos: Primeiro tem que se provar que a iniciativa de Um Cinturão, Uma estrada (é a tradução para o português mais comum) visa o saque dos povos. Quanto aos 500 trilhões de dólares, não é surpresa tendo em vista o caso do ouro de Yamashita, o episódio do “lírio dourado”, e é fundamentalmente a partir destes fundos (os antigos fondi venezianos, como é organizado o sistema financeiro atualmente) que se dá liquidez ao sistema financeiro, entrópico por natureza, e que sem essas injeções de liquidez já teria se auto-destruído há bastante tempo. O problema, como relata o Daniel Estulin no Conspiración Octopus, é que resolveram zerar a conta dos bancos, tirar esse vínculo com a liquidez ilimitada, tendo em vista a produção de uma devastadora crise econômica, já que tiraria a solvência dos bancos e levaria, como levou, a uma transferência massiva de recurso como o realizado com as políticas de Quantitative Easing na Europa e nos EUA. Há de se provar que a Nova Rota da Seda, toda ela voltada à construção do desenvolvimento, à produção na economia física e não na virtual, irá produzir qualquer tipo de bilionário ou trilionário. Quanto à distribuição de riquezas, acho que o conceito melhor é o de multiplicação de riquezas, fazer os investimentos gerarem trabalho e bem estar, num plano de todo superior ao Plano Marshall, por exemplo, e ainda mais audaz que o de Roosevelt na década de 1930 ou o de Lênin, que também não ignorou o papel do desenvolvimento tecnológico. A “verticalidade’ da Nova Rota da Seda pode ser resumida num conceito chamado de “science driver”, uma direção científica para resolver os problemas de integração entre os continentes e de reconstrução de cidades antigas e/ou devastada por guerras. E é bem “horizontal” no sentido em que pede a todos os países para participarem do projeto, aportarem mão-de-obra, capitais, ideias, etc. Frente à política de confronto leste-oeste, deslanchada de maneira nunca vista depois do 11/09, com a guerra do Iraque, etc., e todo o confronto anti-russo, anti-asiático de um modo geral, uma nova guerra fria de fato, super quente, um paradigma para colaboração entre os povos não pode ser “vertical”, quanto menos imperialista.
(e o amigo que só respondi depois desse post): que pena que o Br não está na lista
Estará, meu amigo, apesar de tudo. Sempre fomos Brics e não invejaremos um suposto Rics.