Salve os empreendedores brasileiros!

Flávio e Fabrício são exemplos os novos empreendedores da era Guedes: o superministro não tem dois casos teratológicos que terá que evitar mencionar. Muito pelo contrário, tem dois “cases de sucesso” que, para muito além das competências do Sistema S, podem auxiliar e inspirar o povo a terem sucesso em seus negócios em meio ao reino totalitário do livre-mercadismo.

Mas, se comprovada a hipótese de que são a verdadeira quadrilha no poder, ou seja, que comprovam o Power Point do Dallagnol, os milicos ficarão com o broxa na mão? Qual o grau de credibilidade de qualquer governo pós-Queiroz?

O Brasil opta pelo aprofundamento do caos enquanto mantem a prisão de Lula. De certa maneira, mesmo com o golpe e a fraude eleitoral, o PT ainda governa.

Não é fácil para um escritor, para quem assume uma posição pública, depois ter que se desmentir. Pouco tempo atrás, logo após o caso do Queiroz aparecer, fiquei pasmo e vi que acabou por ser escolhido (não importam os meios) a figura do corrupto do baixo clero, aquela mesmo que tentaram dar fumos de “altos crimes” com o processo conduzido por Joaquim Barbosa. Por que o eleitor brasileiro teria optado por um “modelo mensalão” para o governo?

Passado poucos dias, fica cada vez mais claro que o buraco é ainda mais embaixo. Tive que mudar inteiramente minha perspectiva…

Toda a tese de que o PT é uma quadrilha de criminosos que assaltou o poder vem ganhando carne ao redor da pobre ossatura da acusação no Power Point do Dallagnol. São exemplos os novos empreendedores da era Guedes: o superministro não tem dois casos teratológicos que terá que evitar mencionar. Muito pelo contrário, tem dois “cases de sucesso” que, para muito além das competências do Sistema S, podem auxiliar e inspirar o povo a terem sucesso em seus negócios em meio ao reino totalitário do livre-mercadismo.

Porque somente num país muito pequeno, talvez numa ilha do Caribe, uma quadrilha de mafiosos poderia governar por longos 13 anos. Sem apoio internacional dos grandes capitalistas, a máfia local pode continuar a viver porém deve manter uma distância razoável dos postos oficiais. Uma “quadrilha no poder” talvez fosse o sonho dos EUA em Cuba. Não conheço o funcionamento político das ilhas vizinhas, mas algo do gênero provavelmente ocorre em muitos desses lugares e o silêncio reina.

Na Colômbia, onde os milicianos chamados para-militares comandam o tráfico de drogas e dão suporte ao governo há anos, o processo de pacificação do país é muito difícil e, para manter as aparências, somente com muitos subterfúgios podem associações criminosas participarem diretamente do poder oficial. No Brasil isso seria improvável, e continua a ser mesmo após as recentes revelações.

O baixo clero se uniu à clandestinidade armada e, se comprovado as ligações dos bolsonaros com as milícias cariocas, veremos como de fato uma quadrilha toma o poder. Nada diz que “assaltará o Estado para governar por tempo indeterminado”, como rezam as acusações contra o PT, pois as únicas coisas que sustentam a possível quadrilha são as Forças Armadas e o mercado financeiro. O brasileiro médio ficou tão fixado no termo “quadrilha” que mobilizou suas forças para colocar no poder o que parece ser uma, “com o Supremo, com tudo”.

Porque os crimes tucanos, os crimes das altas finanças, como é em especial no Brasil e na Argentina, nunca entram no foco e no escopo das chamadas quadrilhas criminosas. Elas não tem como sequer conceber o modo de operação dos agentes internacionais e de seus cães de guarda por aqui. Os crimes tucanos, os crimes das altas finanças, como exemplificado pela situação brasileira durante o reinado do Príncipe da Sorbonne, estão entre os chamados “crimes de lesa-pátria” e o genocídio social.

São medidas que às vezes, ocorrendo em plena luz do dia, condenam o país a uma miséria crônica, ou seja, a deterioração generalizada da qualidade de vida de milhões de pessoas. Genocídio. A canetada que Temer deu isentando em mais de um trilhão as empresas que explorarem nosso petróleo é um caso muito simples sobre o assunto. Sua PEC da Morte, idem. Nada disso está em algum código penal, porém rouba e mata a milhões de pessoas.

Uma quadrilha no poder num país grande e complexo como o Brasil pode virar motivo de piada – a ser comprovada a hipótese. Por enquanto acho que não tem ninguém rindo com o novo governo, compenetrado em exterminar a ideologia e dedetizar as relações parlamentares. Será que está tão perto o dia que, se comprovada a hipótese, poderemos soltar uma boa gargalhada? Os milicos ficarão com o broxa na mão? Qual o grau de credibilidade de qualquer governo pós-Queiroz?

O Brasil opta pelo aprofundamento do caos enquanto mantem a prisão de Lula. De certa maneira, o PT ainda governa.