Traição, mas por que depressão? Alm. Othon, o Correio de Saturnino Braga e a tara morinha

A base de Alcântara, a depender dos Calabares, brevemente tremulará com os cabelos ruivos de Donald Trump

[extratos]

Em 24 de abril haverá uma audiência no Senado sobre a ferrovia Bi-oceânica, a Transpacífica, congelada no governo do Coveiro, mas que deve continuar a estar em pauta, dessa vez sob a liderança do senador petista Paulo Viana. Ao contrário da Guerra Fria que conhecemos nos livros de história, dos governos de exceção que só se mantiveram por causa de um mundo militarizado de leste a oeste, hoje a China oferece um novo paradigma de desenvolvimento e a aliança com a Ásia, com os projetos asiáticos, são inevitáveis diante da avalanche de dinheiro podre que circula na economia transatlântica, como falamos na entrevista com Nomi Prins. Não há anda que faça a economia transatlântica voltar a funcionar do que a aliança “ganha-ganha” com os chineses em grandes projetos de infraestrutura, ou seja, reverter todo o capital fictício que se encontra nas mãos dos bancos “muito grandes para falir” e do Fed do Q.I., para a economia física, para a geração de empregos. Nada mais da sagrada trindade neoliberal, tempos de obscurantismo, e seu meio vinculante, a moeda hegemônica desde a cooptação do Oriente Médio pelo EUA com a criação dos petrodólares e das milícias terroristas que eles mesmo criam e logo depois fazem guerras contra, um jogo de cinismo inigualável em nossa história. Com provocações econômicas e militares à Rússia – não será esse o paradigma a seguir. (…)

O novo paradigma chinês deve ser estudado, refletido. São esses ventos, essa mudança de ares que se move a política internacional. O resto são gritarias e uma avalanche de mentiras por todas as partes enquanto se apregoa uma luta contra as “notícias falsas”: o recrudescimento do neomacartismo.

Não há motivos para depressão, Saturnino. Boas novas virão, apesar das traições. O golpe cada vez menos encontra base para manter seu rolo compressor. quem lidera hoje é a Ásia e não mais os atlantes. Na Guerra Fria clássica, o máximo que se poderia esperar era pelo movimento dos Não-alinhados. Hoje, estes manejam o barco da nova economia. Não há sustentação – vide novamente o caso dos EUA, da Europa – para o golpe atlanticista, dos herdeiros de Ur, do estado bárbaro, primitivo, como denominava os “ultras” Gilles Deleuze. Um novo paradigma está surgindo, mas não será nos jornais que fazem campanha para “no more fake news” que se verá isso. Tempo de luta, tempo de esperança mais uma vez.

Traição, mas por que depressão? Alm. Othon, o correio de Saturnino Braga e a tara morinha

Recorto apenas essa parte do Correio de Saturnino, onde, com grande lucidez, aponta os caminhos mais tenebrosos que anda agora nossa república, indubitavelmente morinha:

Há outros atos, entretanto, pouco noticiados na imprensa, pouco comentados pela população, mantidos em clima de reserva, que me parecem mais preocupantes, mais graves para os interesses da Nação Brasileira, e do seu povo evidentemente, e que, se consumados, serão mais dificilmente revertidos, por não serem decisões exclusivamente internas mas envolverem outros interesses nacionais que não apenas os brasileiros. 

Refiro-me aos atos em andamento que são de um entreguismo explícito e escandaloso, criminoso mesmo, jamais praticado com tal intensidade em governos entreguistas anteriores. 

Refiro-me à venda do satélite brasileiro de defesa e comunicação estratégica, à venda da Base de Alcântara para lançamento de foguetes, à venda, coordenada pelo Grupo Citi, de ações de empresas brasileiras exitosas nos Estados Unidos, à venda de fatias da Petrobras e das jazidas do Pré-sal, à venda de terras brasileiras em grandes extensões, ao Acordo Militar firmado com os Estados Unidos, denunciado pelo Presidente Geisel e completamente desconhecido pela população; assim como à demolição das grandes empresas de engenharia brasileiras, à redução do conteúdo nacional nas compras das estatais, à paralisação da política nacional de energia nuclear, ao congelamento das nossas relações dentro da América do Sul visando à autonomia do continente, e ao embaraçamento dos projetos de construção do submarino nuclear e do avião militar de última geração, feito naturalmente com mais cuidado por envolverem a França e a Suécia. 

Conto com a consideração dos amigos em relação ao estado depressivo em que tenho vivido nestas últimas semanas, mas realmente o meu espírito, diante destes fatos apontados é muito mais de indignação e revolta do que de tristeza, ainda que seja também muito triste tudo isto para a nossa Nação Brasileira. 

São tópicos recorrentes entre quem tem o “investigativo” muito mais do que o “jornalístico” em sua prática. Não são questões de discussão de ideias ou de formulação, necessariamente, de uma nova práxis. A questão estratégica agora é a seguinte: em 14-15 de maio haverá o encontro em Beijing sobre a Nova Rota da Seda, que promete a presença de muitos líderes mundiais, talvez até do presidente estadunidense. O Coringa errático aponta com aliança com a China, fez arrefecer os ânimos da Nova Guerra Fria e promete o renascimento do protecionismo americano, o mesmo de Lincoln, Hamilton, Carey, ou seja, o dos responsáveis por tornar os EUA um dos países mais industrializados do mundo -se não o mais industrializado – ainda no século XIX. Ponto para os tresloucados cabelos ruivos que, talvez inadvertidamente, mas sempre com fúria, gostam de se mover para a Esquerda.
Em 24 de abril haverá uma audiência no Senado sobre a ferrovia Bi-oceânica, a Transpacífica, congelada no governo do Coveiro, mas que deve continuar a estar em pauta, dessa vez sob a liderança do senador petista Paulo Viana. Ao contrário da Guerra Fria que conhecemos nos livros de história, dos governos de exceção que só se mantiveram por causa de um mundo militarizado de leste a oeste, hoje a China oferece um novo paradigma de desenvolvimento e a aliança com a Ásia, com os projetos asiáticos, são inevitáveis diante da avalanche de dinheiro podre que circula na economia transatlântica, como falamos na entrevista com Nomi Prins. Não há anda que faça a economia transatlântica voltar a funcionar do que a aliança “ganha-ganha” com os chineses em grandes projetos de infraestrutura, ou seja, reverter todo o capital fictício que se encontra nas mãos dos bancos “muito grandes para falir” e do Fed do Q.I., para a economia física, para a geração de empregos. Nada mais da sagrada trindade neoliberal, tempos de obscurantismo, e seu meio vinculante, a moeda hegemônica desde a cooptação do Oriente Médio pelo EUA com a criação dos petrodólares e das milícias terroristas que eles mesmo criam e logo depois fazem guerras contra, um jogo de cinismo inigualável em nossa história. Com provocações econômicas e militares à Rússia – não será esse o paradigma a seguir.

Como diz no lpac.com, de onde tirei a foto: “The New Paradigm is Within Reach—But Perfidious Albion Delenda Est”

Temos que mirar as injustiças cometidas contra o Alm. Othon, como publicamos aqui faz tempo, e digna de uma grande intervenção feita pelo deputado Wadih Damous semana passada na Câmara dos Deputados. A tara morinha cada vez encontra menos respaldo. Ficou definitivamente comprovado, a partir de informações dadas hoje sobre a não presença de Lula no Guarujá em 2011, que o presidente de fato visitou uma vez o apartamento para vê-lo e logo depois descartar sua compra. Não há caminho para Moro além de mais uma super aberração jurídica. Dessa vez não contra um cientista, importante mas sem popularidade, mas contra o maior líder de nossa história nos últimos anos; desde JK, desde Jango. A tara que fez, como mostra o vídeo de Damous, a tara punitiva morinha dar uma pena maior para cada virtude que encontrava no Almirante. Mais de 4 décadas de detenção pra um cidadão de 78 anos e inúmeros serviços prestados à nação. 15 anos para o artífice do golpe. Mais importante: os requintes de crueldade na confecção da pena, como relata abaixo o deputado. Haverá espaço para tanto, agora, com Lula? Caso sim, quais consequências? Sem as armas da guerra fria tradicional, somente resta aos atlantes, aos ultras ,a guerra total? Acham mesmo que com um ato desesperado sairão vencedores? O tempo de Curitiba acabou. Novos ventos já podem ser sentidos, com ou sem a tara de Moro consumada.
Não há espaço para depressão, tampouco para fraquezas como a de Delfim Neto – triste figura, apoiador dos governos de ocasião (trabalhou para os militares, exaltou os planos econômicos de FHC, defendeu Lula, move-se novamente nas sombras, agora as do Coveiro), e que Vagner Freitas ataca com galhardia. Como aponta Saturnino, os projetos estratégicos, os projetos fundamentais para o desenvolvimento nacional, não figuram nas páginas nem de blogs sujos ou no dos limpinhos e asquerosos. Assim, fazem campanha conjunta a favor do esquecimento do caminho que devemos trilhar para de fato nos desenvolvermos tecnologicamente, aumentar os poderes do trabalho (alta capacidade técnica e produtiva). As discussões jurídicas, mais uma vez, devem ser encaradas como tais: escolásticas, mas também elásticas. Nada como um novo governo – que em breve virá – para reverter os estragos que a manada de Cunha promoveu até agora. Os do Supremo são Delfins, são de ocasião, mais camaleônicos do que Caetano, mais cínicos que Luciano; talvez, assim, mais despudorados que Heliogábalo. Sim, não devemos deter nossos olhares na orgia, mas sim no que está por vir.
O  que virá é o novo paradigma da Nova Rota da Seda (nesse blog tem incontáveis publicações sobre o assunto). Os EUA, enquanto Nova Roma, estertora. Suas esperanças são a criação de uma nova e ainda mais aguda crise para rebaixar ainda mais a capacidade de luta dos cidadãos, e também os planos sempre presentes de provocar até a a Guerra as potências asiáticas. Invariavelmente, suas armas são limitadas, extremamente duvidosas, e não encontram respaldo popular: como na contínua admiração popular por Lula, pelos Kirchner, por Chávez, por Correa; como também é sintomático a eleição de Trump – no melhor dos casos, uma alternativa para a “nova democracia americana”, ou seja, o ultraliberalismo -, e também o Brexit, para mostrar de uma vez por todas que uma união monetária nunca irá unir politicamente países ou – loucura das loucuras – continente algum. Somente caso se busque os anseios comuns da humanidade se chegará a um ponto de apoio contra as guerra de destruição que se tornaram a norma do dia, de fato, desde a presidência do primeiro Bush e sua Tempestade no Deserto. 
O novo paradigma chinês deve ser estudado, refletido. São esses ventos, essa mudança de ares que se move a política internacional. O resto são gritarias e uma avalanche de mentiras por todas as partes enquanto se apregoa uma luta contra as “notícias falsas”: o recrudescimento do neomacartismo.
Não há motivos para depressão, Saturnino. Boas novas virão, apesar das traições. O golpe cada vez menos encontra base para manter seu rolo compressor. quem lidera hoje é a Ásia e não mais os atlantes. Na Guerra Fria clássica, o máximo que se poderia esperar era pelo movimento dos Não-alinhados. Hoje, estes manejam o barco da nova economia. Não há sustentação – vide novamente o caso dos EUA, da Europa – para o golpe atlanticista, dos herdeiros de Ur, do estado bárbaro, primitivo, como denominava os “ultras” Gilles Deleuze. Um novo paradigma está surgindo, mas não será nos jornais que fazem campanha para “no more fake news” que se verá isso. Tempo de luta, tempo de esperança mais uma vez.