Enrolar bagres, às sextas? Um estudo sobre os bestiários medievais


Para entender atualmente o discurso da mídia, tão mais óbvio e ao mesmo tempo tão mais surpreendente, tive que recorrer ao estudo dos bestiários medievais, de suas imagens grotescas, escatológicas, que multiplicavam em imagens o já esotérico Apocalipse. Somente com suas visões de fim de mundo, de caos e desordem, conseguem manter a hipnose e a histeria coletiva.




Enrolar bagres, às sextas?

Pegaram todos os números do Apocalipse
E decifraram todas as contas
E os bagres cantam na pluvial alta roda
Que são os moinhos de vento dos incendiários
Que são as lápides escritas como mostruários
São as azenhas dos campos, sem pastagem
O mar dos corsários, a procura de imagens
Decifraram todas as contas
E são nossos profetas do caos
Em seu bestiário não há seres mitológicos,
Mas monstruosos.
Escrevem o livro que carrega
A marca da besta
E o lemos todos os dias
Nem se for para saber o horário
                           Do cinema.
Ou para sairmos a noite,

                           Às sextas.