Disparates (Investigações sobre a biopolítica III)

A situação de Lula, da Síria e do mundo que todos acham “normal”

Enquanto a China faz projetos de ainda em 2020 chegar ao lado escuro da Lua, de obter os preciosos recursos em mineração que sua superfície sem atmosfera fornece (fala-se do hélio-3 e da fusão nuclear), no ocidente se vive mais de uma década lombrosiana em suas relações políticas cotidianas (lembrar do 11/09, do inencontrável Bin Laden, do Ato Patriota, das guerras no Afeganistão e no Iraque), do direito penal do inimigo, do lawfare, e, numa situação de guerra (pouco importa se civil ou militar), persegue os “monstros e degenerados” como os cidadãos tingidos pela nostalgia da nobreza ou pelas promessas da burguesia, ainda no século XIX, perseguiam os supostos delinquentes, os vagabundos, para falar num linguagem que qualquer um entende – no caso, vagabundos são os arruaceiros, de origem humilde, que tomaram o poder e ousaram dividi-lo com o resto da população.
       No plano internacional, por exemplo, quando falam de “conquistas” de Obama, em contraposição às expectativas diversas que reúne o governo Trump, não se tem em mente que para cada “vitória” do democrata temos um retrocesso inacreditável. Para que Cuba se fizemos sanções a Rússia? Para que Irã se temos a Ucrânia? A Rússia nos humilhou com a Síria, então quadruplicamos a presença de tropas nas suas fronteiras… Etc.
       O que quero falar é o seguinte: quando se fala sobre a desativação de Guantánamo, por outro lado não se vê que se substituiu isso pelos drones, pelos assassinatos das reuniões terça-feira. Por que não fazer a pergunta: que tipo de pessoas são assassinadas pelos drones? Existe por acaso alguma correlação entre essa lista e a dos terroristas que antes eram presos? etc. Não são, em nenhum dos dois casos, cidadãos americanos; pelo menos não do tipo como os que estão morrendo agora por suicídio e overdose, os “white-american” não latinos e de meia idade. Então, que tipo de gente é essa que vem sendo perseguida desde o governo Bush? Sem contar com o mais famoso caso, o do embaixador assassinado, provavelmente como forma de aumentar a presença de forças anti-terroristas na região e acabar por matar, via drone, o Kadafi.
          Como me respondeu um amigo:

As we say in English, “One step forward, two steps back”. Except that the steps back, create a plunge toward superpower confrontation and nuclear war. Quanto aos drones, it can’t be ruled out, that some of the prisoners released from Guantanamo are subsequently targeted by drone attacks wherever they end up. But the basic point is that the Bush-Obama-British policy has been to FOSTER the terrorism, first through protecting the nations which actually sponsor the terrorists – such as Saudi Arabia and Turkey; second through demolishing the secular Moslem nations such as Iraq, Libya, and Syria, which are a bulwark against the radical jihadis; and third, deploying drone attacks which they know kill vastly more innocent bystanders than any actual terrorists, and thereby serve as a recruitment tool for jihadis. A very useful picture of this came out in the Drone Papers last October, featured on Glenn Greenwald’s The Intercept website.

         
        Um passo numa medida, outro passo noutra. Parece que por mais que se corra, não se chega a alcançar o progresso desejado. A primavera dos governos do PT substituídos por um grupo aboletado no poder, simplesmente para “parar essa porra”, é difícil de acreditar. Todo o prestígio alcançado para agora essa porra… Conquistas históricas, como as acima mencionadas, realizadas pelo governo do assassino Barack Obama; um novo presidente dos nórdicos, agora legitimamente ruivo, se equilibrando entre o pior que o seu país representa e impulsos para normalizar as relações com o oriente, colocar freios na Otan e reindustrializar seu país, onde já é longa a fila de famélicos. Uma Alemanha, para dar mostrar mais um caso, cujo ministro das RELAÇÕES EXTERIORES, é consciente do perigo do avanço da OTAN no leste europeu, nos Bálcãs, pertence ao mesmo governo que lidera a facção anti-Rússia na Europa. Pois não é a Alemanha, na Europa, o suporte principal da política imperial contra a Ásia? Mas os nórdicos de além-Atlântico também tem um governo coalizão. Steinmeier, o ministro citado, pertence ao SPD, que compõe com o CDU (partido de Merkel), a “grande coalizão” germânica. É como um governo “centrista” (PMDB), com o PT como base de apoio. Dá merda essa porra, como sabemos… Centrista é o c…! Pare de usar disfarce, ô Anão!
       Para quem acompanha esse blog, não temos muito o que responder. Mas virá também a etapa em que daremos as notícias boas. Para quem não segue, sem problema. MT tem 500.000 curtidas no face e não sei quantos seguidores e mais milhares “falando sobre isso”. Até a página da Dilma tem mais pessoas do que a do Lula (lógico que não se compara aos padrões numéricos temerianos). Foda-se curtir. O importante é compartilhar. Mais um da série de Foucault que esboçamos por aqui. E dane-se também quem diz que isso não é filosófico nem acadêmico, nem tem nada de Foucault e é mero panfleto político. Vá discutir sobre o diâmetro do cú dos anjos com quem quer que seja. Se essa porra (+ 300.000 curtidas) de Foucault não é política, e da mais chão, então de nada vale. Ibdem para esse autor que temerariamente agora vos escreve.

        Vigiar e punir: de Sade a Merval Pereira, de Luís XVI a Assad, de Maria Antonieta à Mãe Loura

       A questão da arbitragem, da intervenção judiciária extremamente vinculada ao sistema-empresa, a uma Empresa Mundial S.A. (no primeiro post da série), se organizou no mundo durante o século XX e que, numa pesquisa mais aprofundada, data de antes das grandes guerras, pouco antes da crise de 29. Na verdade, provoca esses eventos e depois se sofistica – biopolítica – no pós-guerra, tendo sua maior vitória com o bloqueio da ascensão de lideranças significativas na Europa e nos EUA, o que leva à desregulação total da economia com o fim da lei Glass-Steagall, de Roosevelt, assim como pela livre flutuação cambial com o fim do acordo original de Bretton Woods, pelo governo Nixon. O tão criticado projeto do Mercosul, críticas originárias de quem compara esse projeto com o suposto avanço europeu com a União Europeia, não considera um dado óbvio, o de que a UE é um sistema de união política via união monetária preconizada por outros tratados internacionais, mais exatamente falando, no caso sul-americano, a ALCA. Esta vem divergir da ideia de um Mercosul, de uma Unasul, suprimindo as barreiras comerciais num primeiro momento e logo após dolarizando a economia do sub-continente, processo acelerado pelas reformas monetárias neoliberais da década de 1990. Esse tipo de projeto político é o que levou os países banhados pelo Atlântico Norte a ainda hoje verem-se continuamente em hostilidade com grandes países como China e Rússia, prefigurando uma confrontação termonuclear cujo poder destrutivo faz Hiroshima e Nagasaki pertencerem à idade das pedras das confabulações sobre o Fim dos Tempos. E isso é relacionado ao tipo de “capitalismo financeiro” (um termo que nas configurações atuais ou até mesmo em sua origem como conceito, é insuficiente para dar contar do sistema “anglo-veneziano”, oligárquico, que existe agora) que prevaleceu com a criação do grupo Inter-Alfa após o processo de descolonização no pós-guerra e que impede um eficaz sistema de cooperação com o Oriente, de um modo geral, como previam os projetos de Gabriel Hanotaux e Seguei Witte na virada dos séculos XIX e XX, da construção de um eixo Berlim-Bagdá e de uma ferrovia trans-siberiana que chegaria até Paris. Essa é a falácia da “vitória” alcançada com a queda do muro de Berlim e que nos faz viver num sistema tanto ou mais perigoso do que no período em que, com Bertrand Russel, se defendia o MAD (Mutual Assurance Destruction) como forma de controle populacional (o bombardeamento de tempos em tempos com armas atômicas da URSS pelos EUA e vice-versa). A chamada “doutrina utópica da OTAN”, na qual um só ataque termonuclear bastaria para aniquilar o oponente, é utópica no sentido em que desconsidera a capacidade do “inimigo” responder quase que simultaneamente ao ataque fulminante, o que levaria a civilização a uma crise gigantesca, ou seja, o exato oposto de uma “crise existencialista” ao estilo de Husserl ou da psicanálise de um modo geral.
Lei e ordem, Estado e sociedade civil, política da vida: esses são os eixos por onde se articula o tema da biopolítica na era ordo ou neoliberal. Um campo jurídico-institucional mantenedor da concorrência, como limitador do monopólio e como prática social do poder: esse é o modelo alemão que “vocês sabem como assusta nossos compatriotas, esse modelo alemão não é o que tantas vezes se invoca, de um Estado todo-poderoso, do Estado de polícia. O que é o modelo alemão e o que se difunde não é o Estado de polícia, é o Estado de direito1”. O tema da soberania não se encerra com Luís XVI sob a guilhotina; o poder soberano não se extingue com a morte do Estado em seu sentido mais clássico, não tanto o burguês do século XIX, mas o absolutista. Da mesma maneira que o Estado pode ser concebido numa categoria deleuziana, como “aparelho de captura”, ou seja, ele não é nada mais

do que o efeito, o perfil, o recorte móvel de uma perpétua estatização, ou de perpétuas estatizações, de transações incessantes que modificam, que deslocam, que subvertem, que fazem deslizar insidiosamente, pouco importa, as fontes de financiamento, as modalidades de investimento, os centros de decisão, as formas e os tipos de controle, as relações entre as autoridades locais, a autoridade central, etc. Em suma, o Estado não tem entranhas, como se sabe, não só pelo fato de não ter sentimentos, nem bons nem maus, mas não tem entranhas no sentido de que não tem interior. O Estado não é nada mais que o efeito móvel de um regime de governamentalidades múltiplas2.

Enquanto isso, os efeitos das teorias do poder baseadas no conceito de soberania reeditam o anseio pelo velho ritual da morte do rei. A morte de Luís XVI como ato de justiça contra o primeiro monstro moral, o monstro político: “O primeiro monstro jurídico que vemos seguir, delinear-se no novo regime da economia do poder de punir, o primeiro monstro que aparece, o primeiro monstro identificado e qualificado, não é o assassino, não é o estuprador, não é o que infringe as leis da natureza; é o que infringe o pacto social fundamental. O primeiro monstro é o rei3”. Esse tema aparece claramente no processo contra Luís XVI no fim do ano de 1792 e início de 1793, onde se discutia qual pena deveria ser aplicada e qual forma o processo econômico deveria se revestir. A princípio o processo visava culpabilizar o rei como traidor ou conspirador, o que recebeu a crítica dos jacobinos e de Saint-Just, pois o rei não subscreveu o pacto social e assim não pode receber nenhuma pena prevista nesse pacto. “Não se pode aplicar a ele nenhuma lei do corpo social. Ele é o inimigo absoluto que o corpo social deve considerar como inimigo. Portanto há que matá-lo, como se mata um inimigo ou como se mata um monstro4”. Mas isso também não seria possível porque implicaria deixar ao corpo social por inteiro a tarefa da execução do rei, o que revelaria uma simetria entre indivíduo e corpo social. Como Luís XVI nunca reconheceu a existência do corpo social, aplicando seu poder a indivíduos particulares, como se o corpo social não existisse. Portanto, é uma lei individual de hostilidade que balizará seu assassinato, o que, por outro lado, inviabilizava que a nação inteira pudesse se manifestar a respeito do destino do rei. Na teoria do direito isso queria dizer que qualquer um, mesmo sem o consentimento geral dos outros, tinha o direito de matar Luís XVI. “Qualquer um pode matar o rei: ‘O direito dos homens contra a tirania é um direito pessoal’, diz Saint-Just5”. Essa argumentação se desenvolve durante o século XIX, de Esquirol a Lombroso, ao se fazer pergunta similar: o criminoso nato, o monstro humano e inimigo da sociedade inteira – o degenerado, em suma – deve-se a ele aplicar as leis, já que também nunca subscreveu o pacto social? Maria Antonieta, a escandalosa libertina, lésbica e prostituta: a incestuosa. Nos massacres de setembro era outro tipo de monstro humano que aparecia nos panfletos, não mais o que rompia o pacto social de cima para baixo, mas ao revés:

Madame Roland, por exemplo, descrevendo os massacres de setembro, dizia: “Se vocês soubessem dos pavorosos detalhes das expedições! As mulheres brutalmente violentadas antes de serem dilaceradas por esses tigres, as tripas cortadas, usadas como fitas, carnes humanas comidas sangrentas!” Barruel, na Histoire du clergé pendant la Révolution, conta a história de uma tal condessa de Pérignon, que teria sido assada na Place Dauphine com as duas filhas, e seis padres também teriam sido queimados vivos na praça, porque tinham se recusado a comer o corpo assado da condessa. Barruel conta também que venderam no Palais Royal patês de carne humana. Bertrand de Molleville, Maton de la Varenne contam toda uma série de histórias: a célebre história de Mademoiselle de Sombreuil bebendo um copo de sangue para salvar a vida do pai, ou daquele homem que havia sido obrigado a beber o sangue tirado do coração de um rapaz para salvar seus dois amigos; ou ainda, massacradores de setembro que teriam bebido uma aguardente na qual Manuel teria posto pólvora de canhão e que teriam comido pãezinhos molhados nos ferimentos. Temos aí também a figura do depravado-antropófago, mas na qual a morfologia prevalece sobre a depravação. Os dois temas, interdição sexual e interdição alimentar, ligam-se com muita clareza nessas duas grandes primeiras figuras de monstro e de monstro político. Essas duas figuras pertencem a uma conjuntura precisa, embora também retomem temas antigos: a depravação dos reis, a libertinagem dos grandes, a violência do povo. Tudo isso são velhos temas; mas é interessante o fato de terem sido reativados e reatados no interior dessa primeira figura do monstro6.

A súbita irrupção da literatura de terror nos anos mais ou menos contemporâneos da Revolução Francesa, como o Castelo dos Pirineus, onde se ligam a figura do soberano feudal e seu poder contranatural com a selvageria da própria natureza, o castelo e a floresta, é o que faz com que os romances de terror devam ser lidos como romances políticos. Em Sade, por exemplo, a libertinagem é sempre ligada a um desvio de poder, aparecendo sobre dois extratos, a monstruosidade superpoderosa e a monstruosidade revoltada, o ministro e a rebelde, Dubois e Juliette. “Não há em Sade monstro politicamente neutro ou médio: ou ele vem da escória do povo e ergueu a cabeça contra a sociedade estabelecida, ou é um príncipe, um ministro, um senhor que detém sobre todos os poderes sociais um superpoder sem lei7”. O excesso de poder, o superpoder, o despotismo são os operadores da libertinagem em Sade, e é ele que transforma a simples libertinagem em monstruosidade. No século XIX, a temática jurídico-médica se associa à figura do monstro, o incestuoso (o rei) e o antropófago (o povo), na medida em que agrediam as duas grandes interdições, a alimentar e a sexual. Esse é o ponto de formação da medicina legal no século XIX e que mais tarde serviria de via de acesso a determinado número de disciplinas. Portanto, a gênese dessa temática pode ser encontrada menos nos estudos sobre o incesto feitos por Durkheim ou Levy-Bruhl, ou mais tarde, Lévi-Strauss, do que em Vacher, na França, no Vampiro de Düsseldorf, e principalmente em Jack, o Estripador, na Inglaterra, que tinha a vantagem não só de estripar prostitutas, mas de ter determinada relação de parentesco com a rainha Vitória. “Com isso, a monstruosidade do povo e a monstruosidade do rei se uniam em uma figura turva8”.
A etnologia mais moderna ainda se preocupa com os temas de aliança e cozinha, “o que você come e quem você não desposa? Com quem você entra nos vínculos de sangue e o que você tem o direito de cozinhar?9”, como é o caso das Mitológicas, ou seja, o binômio canibalismo-incesto, a dinastia de Maria Antonieta. Por outro lado, o que vale para a etnologia também vale para a psicanálise. “Incesto: crime dos reis, crime do poder excessivo, crime de Édipo e sua família” – a inteligibilidade da neurose, Melanie Klein, Totem e Tabu, o “problema da devoração, da introjeção dos bons e maus objetos, do canibalismo não mais crime dos reis, mas crime dos famintos10”. O degenerado, assim como constituído pela psiquiatria criminal, pela medicina legal, é, numa palavra, “o anormal mitologicamente – ou, se preferirem, cientificamente – medicalizado11”. Porém, se nos determos na questão específica da soberania, não teoria do Estado ou ciência política, e não circunscrita ao absolutismo ou aos governos que não desenvolveram uma constituição escrita, podemos traçar uma genealogia que vai de Hamlet a Watergate, do contrato social primitivo de Hobbes à sociedade civil de von Hayke e seus acólitos, como também de todos esses que ficam às margens, o degenerado, o anormal ou, com o ordoliberalismo, o biologicamente, geneticamente, inadaptado.

Conclusão

De tantos pontos que poderiam ser destacados, seja considerando a primeira ou a segunda parte do texto. Pouco importa ser mais ou menos formal. Nunca é isso que está em jogo. Se isso fosse o caso, antropopsicanálises seria um top das discussões, verdismo seria a ideologia triunfante, Heidegger daria aulas para crianças, pipa afundava e pedra voava. Não que isso não seja o caso. Ele é de fato (e pouco importa se também é de direito). A importância da arqueologia é exatamente limpar essa zona imensa de discursos, esse lixo da história, essa escória (para falar em termos nietzschianos e não lombrosianos) de tudo o que fica para trás (pelo menos em termos), como Assad, como Lula, e até a Dilma…
Enganam-se o comentaristas que acreditam que a plebe de Nietzsche são os proletários. O homem do ressentimento, da má consciência, sempre foi o sacerdote, o padre (le prêtre, para ficar mais sublinhado o papel do pai, mas não o pai lacaniano, não Édipo e sua prole – esse o papel de Guattari e Deleuze). É ridículo não entender como metáfora, nem pelo menos “como isso funciona”, para lembra o Anti-Édipo e a nefasta metáfora do id (para não esquecer das frases iniciais do grande livro: “Isso funciona por toda a parte: umas vezes sem parar, outras descontinuamente. Isso respira, isso aquece, isso come. Isso caga, isso fode. Mas que asneira ter dito o isso. O que há por toda a parte são máquinas, e sem qualquer metáfora: máquinas de máquinas, com as suas ligações e conexões”). O problema da classe-média é esse: sempre esqueceu isso. Se acha superior, esquece o pântano que a envolve, acredita em regras abstratas e não em máquinas, não na capacidade de produção se seu discurso. Não entendem como atuam como anti-arqueólogos, como fazedores de sujeira, se merda. E que vai limpar toda essa porra? Jucá? A classe-média é relevante por um fator muito simples: atua nos setores de difusão de opinião. São os empregadores. Em algum nível tem subordinados. São os empregadores na medida em que são visíveis. Numa escola, por exemplo. Numa escola riquíssima, vamos dizer. O dono, quem vê? E assim os valores são passados. A classe-média de merda é uma máquina super-poderosa para fazer crescer, aumentar, e não parar, essa porra. Ah!, mas eu nunca defendi o golpe. Seu ineslustrado! Ou analfabeto, você escolhe. Que porra é essa, seu militantizinho de merda?
É para discutir se pipa voa ou prego afunda. Para criar dissenso inútil. E cancela show quando sua utopia, seguindo ou não os boatos, se realiza. Faz campanha sórdida, como já mostramos, pousando de esquerdista, em razão de um certo pragmatismo que só serve no cú dos outros na hora do discurso. Daí sua irmandade, sua semelhança com a ideia de paz que sustenta o verdismo, o marinismo e outras porcarias do gênero. Para não dizer que não falei, o vídeo acima, se visto com alguns segundos a mais, não é ruim de tudo. Mas não se pode misturar regras genéricas para criar uma máquina abstrata. Esse é o populismo canhestro das classes “ilustradas”, que se utilizam de certa concepção de misericórdia para pedir o quê? Uma Noruega? Por decreto, seria? Daí os sempre pudores em se afirmar seja Vargas, seja JK, Jango, Lula ou Dilma. Sempre haverá um senão. Por isso a afirmação nietzschiana não é da ralé. Ela não chega, não bate, não formula nunca uma firmação plena. Se a classe-média é a ralé? Se a carapuça servir está valendo.
Vocês nunca vão se comparar, Adnets ou Duviviers, com todos os “senãos” que se pode falar a favor de vocês. (na foto, Enéas Carneiro ao lado de Mãe Loura)
A classe-média cria máquinas abstratas para fazer multiplicar a ralé, ou seja, determinado modo seu de filosofia e de modo de vida. É só pensar na Europa, no lugar do bem-estar social e tudo o mais. Como lidar com a crise dos refugiados? Albergando-os? Ou se deve criar uma Nova Rota da Seda, como propõe Xi Jinping? Uma Ponte-Terrestre Mundial, como propõe a criadora do conceito da Nova Rota da Seda? Para falar em linguagem mais fácil, um eixo Berlim-Bagdá, como queria Bismarck, ou a integração euroasiática, via trens (hoje, de alta velocidade), como queriam Gabriel Hanotaux, na França, e Sergei Witte, na Rússia (unidos na época)? Como disse o Poeta da Liberdade, Friedrich Schiller, sobre a Revolução Francesa: “um povo pequeno encontrou um grande momento da história”. Imagina se dois povos pequenos se encontram num grande momento da história? Não vou pedir para clicar nesse link porque já estou farto de falar n’essa porra, nessa daqui e em todas as outras. Não devemos medir o tamanho do diâmetro do cú dos anjos, mas ler O Abertinho.

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REFERÊNCIAS

1  FOUCAULT, Michel. Nascimento da Biopolítica. São Paulo: Martins Fontes, 2008, p. 245.
2 Idem, p. 106.
3 FOUCAULT, Michel. Os anormais. São Paulo: Martins Fontes, 2010, p. 80.
4 Idem, p. 81.
5 Idem.
6 Idem, p. 84-5.
7 Idem, p. 86.
8 Idem, p. 87.
9 Idem, p. 88.
10 Idem, p. 89.
11 Idem, p. 276.