Foucault, Leiris e os canhões: sobre o fazer literário atual

Michel Leiris por Francis Bacon, 1973.

Como escrever hoje? Somos “pequenos Hans”, Chéri-Bibi em busca de uma “boa identificação”? Eis alguém como eu! Eis alguém como eu! Em meio às redes sociais, a crítica que Foucault faz da Aufklärung kantiana, e A regra do jogo, da escrita de si, de Michel Leiris, podem nos fornecer importantes subsídios.

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O inscritor e o socius: a literatura “psicanalítica” contemporânea

O Mao de Salvador Dali (na verdade, a Marilyn Monroe “vestida” de Mao): isso não é arte, mas publicidade


Ricardo Lísias escreveu um romance com o título de “Divórcio”. Prêmio Granta, escritor consagrado, passível de uma crítica forte, já que contemporâneo. Na sua tentativa de romance, consegue mostrar a idade do cinismo que vivemos, dos fluxos abstratos de capitais, do “capitalismo financeiro” e toda sua cultura refinada – ainda a psicanálise, ainda determinado cultivo do ego, ainda o pior do que as classes-médias podem apresentar. Numa época de golpes e austeridades financeiras mundo afora, o capitalismo é a única máquina social que se construiu como tal sobre os fluxos descodificados, substituindo os códigos intrínsecos por uma axiomática das quantidades abstratas em forma de moeda. Mostra “como ainda somos piedosos” – e cínicos -, na leitura de Nietzsche feita por Guattari e Deleuze.

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Reflexões sobre o Aberto

A divisão do trabalho social, a partir do século XX, atingiu um nível de refinamento que praticamente podemos falar de uma “revolução neolítica” no século anterior, o XIX. Neste, ainda se podia ver o tempo da charrua e o tempo da igreja, de Jacques Le Goff; um mundo rural relativamente predominante, quando os mercadores ainda Leia mais sobreReflexões sobre o Aberto[…]